O que acontece com seu cérebro quando é tomado pela doença de Alzheimer

O que acontece com seu cérebro quando é tomado pela doença de Alzheimer

Os efeitos da doença de Alzheimer no cére­bro fre­quente­mente não são nota­dos com o pas­sar dos anos, em alguns casos até décadas. Mas pesquisadores da Uni­ver­si­dade de Oxford e de Stan­ford acred­i­tam ter encon­tra­do uma for­ma mais fácil de visu­alizar como a doença lenta­mente se espal­ha e cor­rói o cére­bro — uma fer­ra­men­ta que, segun­do eles, pode aju­dar out­ros cien­tis­tas a estu­dar mel­hor a doença fatal e incuráv­el, além de out­ras enfer­mi­dades pare­ci­das.

A doença de Alzheimer é defini­da pelo cresci­men­to indomáv­el de duas pro­teí­nas de enov­e­l­a­men­to incor­re­to: tau e beta amiloide. Em uma pes­soa doente, os dois tipos de pro­teí­na con­stan­te­mente se acu­mu­lam, se sep­a­ram e se espal­ham por difer­entes partes do cére­bro, onde elas são acu­mu­ladas nova­mente e, even­tual­mente, for­mam aglom­er­a­dos de con­teú­dos difí­ceis de serem removi­dos, con­heci­dos como emaran­hados e pla­cas, respec­ti­va­mente. É esse acú­mu­lo com­bi­na­do que, acred­i­ta-se, destrói lenta­mente as célu­las do cére­bro e causa os sin­tomas de demên­cia asso­ci­a­dos ao mal de Alzheimer.

Em um estu­do pub­li­ca­do nes­ta sex­ta-feira (12) no per­iódi­co Phys­i­cal Review Let­ters, os pesquisadores mostraram como eles cri­aram um mod­e­lo com­puta­cional que pode ilus­trar o pro­gres­so das pro­teí­nas tau e beta amiloide, basea­do em pesquisas ante­ri­ores sobre o assun­to.

“Imag­ine um efeito dom­inó”, diz Ellen Kuhl, auto­ra prin­ci­pal do estu­do e engen­heira mecâni­ca de Stan­ford, em um comu­ni­ca­do. “O que nos­so mod­e­lo faz é rela­cionar os dados estatís­ti­cos históri­cos, uti­lizan­do a matemáti­ca, para mostrar o pro­gres­so da doença em detal­h­es sem prece­dentes.”

Ain­da há muitas dúvi­das sobre por que essas primeiras sementes de pro­teí­nas mal enov­e­l­adas apare­cem, como elas se tor­nam noci­vas e como elas destroem o cére­bro (pesquisas recentes sug­erem que em seus está­gios ini­ci­ais do beta amiloide e de tau, e não pla­cas e emaran­hados, são as célu­las mais tóx­i­cas do cére­bro). No entan­to, Kuhl e sua equipe dizem que o mod­e­lo que eles con­ce­ber­am pode ser ajus­ta­do para se encaixar em todas as prin­ci­pais teo­rias sobre como a doença fun­ciona.

O mod­e­lo pode tam­bém ser usa­do para visu­alizar a dis­sem­i­nação de out­ras doenças que são car­ac­ter­i­za­dos pela “enx­ur­ra­da” de difer­entes pro­teí­nas mal dobradas. Para mostrar essa flex­i­bil­i­dade, o arti­go tam­bém inclui mod­e­los de doença de Parkin­son e escle­rose lat­er­al amiotró­fi­ca (ELA).

Dada a urgên­cia da pesquisa sobre Alzheimer — algu­mas esti­ma­ti­vas dão con­ta de que mais de 135 mil­hões de pes­soas no mun­do terão a doença até 2050 — a equipe plane­ja com­par­til­har o soft­ware usa­do para cri­ar o mod­e­lo da equipe, que elas têm chama­do de The Liv­ing Brain Project, com out­ros cien­tis­tas.

“Nós esper­amos que a habil­i­dade de mod­e­lar dis­túr­bios neu­rode­gen­er­a­tivos inspire mel­hores testes diag­nós­ti­cos e leve a trata­men­tos para retar­dar seus efeitos”, disse Kuhl.

 

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