A ideia que surgiu numa fila e hoje rende bilhões de dólares por ano à Disney

A ideia que surgiu numa fila e hoje rende bil­hões de dólares por ano à Dis­ney

Andy Mooney esta­va na fila de um espetácu­lo de pati­nação no gelo em Phoenix, no Ari­zona, quan­do teve a ideia que rende até hoje bil­hões de dólares por ano à Dis­ney.

Isso foi em 2000, logo depois que Mooney, um escocês, foi nomea­do chefe da divisão de pro­du­tos de con­sumo da gigante do entreten­i­men­to.

O empresário, hoje pres­i­dente da com­pan­hia amer­i­cana Fend­er, uma das mais con­heci­das fab­ri­cantes de gui­tar­ras do mun­do, entrou na com­pan­hia após 20 anos na Nike, e esta­va seri­amente empen­hado em con­hecer e ficar por den­tro de todos os aspec­tos do negó­cio. Isso incluiu assi­s­tir a uma apre­sen­tação da Dis­ney on Ice, em que pati­nadores ence­nam histórias da Dis­ney.

Enquan­to esta­va na fila para entrar, reparou que muitas meni­nas — inclu­sive suas mães — estavam usan­do vesti­dos genéri­cos de prince­sa, para pare­cerem heroí­nas da Dis­ney, como Bran­ca de Neve, Cin­derela e Auro­ra da Bela Adorme­ci­da.

A Dis­ney não ven­dia esse tipo de vesti­do na época, mas Mooney perce­beu na hora que a empre­sa esta­va per­den­do uma opor­tu­nidade incriv­el­mente lucra­ti­va.

“Eu esta­va na fila com mães e fil­has, todas vesti­das da cabeça aos pés de prince­sas com acessórios que tin­ham feito em casa”, con­ta Mooney, de 63 anos.

“E per­gun­tei a algu­mas mães: ‘Se a Dis­ney fizesse vesti­dos ofi­ci­ais como este, você com­praria?’ Todas respon­der­am que com­prari­am vários.”

A série Prince­sas da Dis­ney foi lança­da pouco tem­po depois. Mooney e sua equipe não só lançaram vesti­dos inspi­ra­dos nos per­son­agens fem­i­ni­nos mais con­heci­dos como tam­bém decidi­ram pro­mover livros, meren­deiras, bonecas, revis­tas, jogos de com­puta­dor, pija­mas e parce­rias com fab­ri­cantes de ali­men­tos.

A ideia era começar a vender basi­ca­mente tudo o que fãs da Dis­ney, de difer­entes idades, gostari­am de com­prar, ten­do como inspi­ração uma ou mais prince­sas.

“Até o fim de 2001, as ven­das da lin­ha de Prince­sas da Dis­ney somaram algo em torno de US$ 300 mil­hões, e hoje chegam a mais de US$ 6 bil­hões por ano”, esti­ma ele.

Mooney não pode­ria ter son­hado com taman­ho suces­so. Ele cresceu em uma mora­dia social na peque­na cidade de Whit­burn, entre Glas­gow e Edim­bur­go, na Escó­cia. Fil­ho de um min­er­ador, ele deixou a esco­la aos 16 anos para atu­ar como con­ta­dor em sua fábri­ca de pneus.

Ape­sar da origem mod­es­ta, ele teve um papel fun­da­men­tal no cresci­men­to da empre­sa amer­i­cana de calça­dos e roupas esporti­vas Nike. E depois do suces­so na Dis­ney, ele ago­ra é pres­i­dente da Fend­er, o que — para alguém que é um ávi­do gui­tar­rista des­de a ado­lescên­cia — é o “emprego dos son­hos”.

Após alguns anos na fábri­ca de pneus, Mooney con­seguiu um car­go de con­ta­dor júnior, igual­mente sem glam­our, na siderúr­gi­ca local. E, em 1980, aos 25 anos, ele deu os primeiros pas­sos rumo ao topo do mun­do cor­po­ra­ti­vo dos EUA, quan­do se can­dida­tou — e con­seguiu — a vaga de dire­tor finan­ceiro da Nike no Reino Unido.

“Na entre­vista, eles não me per­gun­taram nada sobre meu históri­co em con­tabil­i­dade, era tudo sobre se eu me adap­taria à cul­tura”, relem­bra Mooney.

Na época, a Nike ven­dia prin­ci­pal­mente tênis para cor­ri­da. Para enten­der mel­hor o negó­cio e seus pro­du­tos, Mooney con­ta que deixou de jog­ar fute­bol para começar a cor­rer.

“Eu come­cei a cor­rer quan­do entrei (na empre­sa), e não parei des­de então, cor­ren­do mara­tonas pelo mun­do”, diz ele.

Ape­sar de atu­ar na área finan­ceira, Mooney começou a impres­sion­ar os chefes com sua intu­ição aguça­da sobre os calça­dos que vende­ri­am par­tic­u­lar­mente bem, e como a Nike pode­ria ampli­ar suas ven­das. Tan­to que, em 1982, ele virou dire­tor de mar­ket­ing da empre­sa no Reino Unido.

Dois anos depois, ele foi lev­a­do para sede da Nike em Ore­gon, nos EUA, sendo pro­movi­do a dire­tor de mar­ket­ing da com­pan­hia.

Enquan­to esta­va na Nike, Mooney foi o prin­ci­pal ide­al­izador do lança­men­to das edições espe­ci­ais lim­i­tadas de tênis da mar­ca. A inspi­ração veio quan­do ele esta­va para­do em um sinal de trân­si­to.

“Eu havia me tor­na­do rel­a­ti­va­mente bem-suce­di­do, então me dei ao luxo de com­prar um Porsche 924 usa­do”, diz ele.

“Um cara parou ao meu lado (no sinal) em um (Porsche) 924 amare­lo bril­hante. Eu pen­sei: ‘Que dia­bos é isso?’. Desco­bri que era uma ver­são da edição lim­i­ta­da do car­ro, e me per­gun­tei se isso fun­cionar­ia com calça­dos… Foi um enorme suces­so.”

Depois de 20 anos na Nike, Mooney con­ta que foi abor­da­do pela Dis­ney, e par­tiu para um novo desafio em 2000, ocu­pan­do o car­go de chefe da divisão de pro­du­tos de con­sumo da empre­sa.

Ele tra­bal­hou na Dis­ney por 11 anos e saiu de lá para ser pres­i­dente da mar­ca de roupas esporti­vas Quik­sil­ver. O exec­u­ti­vo ficou na com­pan­hia por dois anos e admite que, pela primeira vez em sua car­reira, as coisas não der­am cer­to para ele.

Em 2015, foi nomea­do pres­i­dente da Fend­er, o que ele diz ser “uma hon­ra” para quem já teve uma coleção de mais de 40 gui­tar­ras.

O exec­u­ti­vo afir­ma que o vol­ume de negó­cios anu­al da Fend­er chega a US$ 500 mil­hões, mas ele quer aju­dar a aumen­tar o fat­u­ra­men­to, reduzin­do o número de pes­soas que desistem de ten­tar apren­der a tocar gui­tar­ra.

“A indús­tria tem um prob­le­ma de retenção”, diz ele. “Cer­ca de 45% das gui­tar­ras que vendemos são para com­pradores ini­ciantes, metade dos quais são mul­heres, mas 90% de todos os novos gui­tar­ris­tas aban­don­am o instru­men­to no primeiro ano.”

Para aju­dar mais gente a apren­der a tocar gui­tar­ra (e depois com­prar out­ras), a Fend­er lançou o “Fend­er Play” no ano pas­sa­do, tuto­ri­ais de gui­tar­ra online que ago­ra são usa­dos ​​por 70 mil pes­soas.

“Andy Mooney é um CEO inco­mum”, diz Mark Rit­son, pro­fes­sor-adjun­to de mar­ket­ing da Mel­bourne Busi­ness School, na Aus­trália.

“Ele tem uma forte exper­iên­cia em mar­ket­ing e provou ser hábil logo de iní­cio em enten­der o públi­co-alvo de seus negó­cios, e depois usar esse con­hec­i­men­to para diver­si­ficar e aumen­tar as receitas.”

Quan­do não está ocu­pa­do no tra­bal­ho, Mooney ago­ra toca com alguns de seus ído­los, como o gui­tar­rista Tom Morel­lo, do Rage Against The Machine, e Jim Root, do Slip­knot. E ele tro­cou a Escó­cia pelo bair­ro nobre de Hol­ly­wood Hills em Los Ange­les. “Eu ten­ho que me belis­car”, brin­ca.

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