O que fazer se a sua equipe está ocupada demais para assumir novas tarefas

O que fazer se a sua equipe está ocupada demais para assumir novas tarefas

Quan­do uma lin­ha de man­u­fatu­ra em uma fábri­ca está operan­do de maneira efi­ciente, podem-se ver fileiras de braços robóti­cos tra­bal­han­do de for­ma sin­croniza­da, esteiras trans­porta­do­ras moven­do-se com facil­i­dade e mer­cado­rias sendo pro­duzi­das. Infe­liz­mente, quan­do se tra­ta de tra­bal­ho lig­a­do ao con­hec­i­men­to, tor­na-se bem mais difí­cil enten­der em que medi­da aque­la equipe está pro­duzin­do.

Todas as orga­ni­za­ções chegam a um pon­to em que, se quis­erem con­tin­uar a crescer, terão de, sim­ples­mente, con­tratar mais pes­soas. Mas pode ser difí­cil saber quan­do você atingiu esse pon­to. Por exem­p­lo: todos os anos, durante o ciclo anu­al de plane­ja­men­to de negó­cios, sem­pre perce­bo que os ger­entes propõem um orça­men­to maior. Quan­do per­gun­to a eles, “Por que não podemos faz­er mais com o mes­mo orça­men­to?”, a respos­ta que cos­tu­mo ouvir é: “Os inte­grantes da min­ha equipe dizem que estão muito ocu­pa­dos com os pro­je­tos atu­ais e não têm como assumir nada novo.”

O exces­so de pro­je­tos é algo real. Mas, enquan­to líder, como saber se sua equipe real­mente pre­cisa de mais recur­sos, ou se pode­ria estar tra­bal­han­do de modo mais efi­ciente?

Para respon­der a essa per­gun­ta, um líder dev­e­ria, em primeiro lugar, enten­der como suas equipes admin­is­tram o tem­po. Uma for­ma sim­ples de ter uma visão abrangente sobre a questão é pedir aos fun­cionários que expliquem três itens:

  1. As ativi­dades essen­ci­ais que cada pes­soa exe­cu­ta como parte de suas respon­s­abil­i­dades prin­ci­pais no car­go
  2. Quan­to tem­po por sem­ana é gas­to por cada pes­soa com essas ativi­dades essen­ci­ais
  3. Que tipos de ativi­dades ou pro­je­tos espe­ci­ais vão muito além das funções cen­trais daque­le car­go

Depois de cole­tar ess­es dados, o pas­so seguinte é se con­cen­trar nas áreas em que a equipe está gas­tan­do mais tem­po. Para lib­er­ar o tem­po dess­es fun­cionários, os líderes terão de tra­bal­har com suas equipes e iden­ti­ficar opor­tu­nidades para elim­i­nar tare­fas, reduzir o vol­ume de tra­bal­ho ou aumen­tar a pro­du­tivi­dade.

Elim­i­nan­do tra­bal­ho: exis­tem tare­fas hoje real­izadas pela equipe que não são mais necessárias?

Quan­do um negó­cio está em rápi­do cresci­men­to, nem sem­pre a primeira pri­or­i­dade é se afas­tar um pouco e avaliar se todos os esforços estão real­mente foca­dos em impul­sion­ar as metas atu­ais da empre­sa. Em uma das orga­ni­za­ções em que tra­bal­hei, desco­b­ri­mos que os mem­bros da equipe estavam gas­tan­do até 40% de seu tem­po em pro­je­tos inter­nos, em vez de se dedicar a ini­cia­ti­vas voltadas para o cliente.

Para desco­brir o porquê dis­so, ped­i­mos aos mem­bros da equipe que nos fornecessem os nomes de todos os seus pro­je­tos, o propósi­to destes, quan­do os havi­am começa­do e quan­to tem­po fal­ta­va para ter­miná-los. A prin­ci­pal razão pela qual se demor­avam tan­to nes­sas pro­postas era que, na época em que havi­am sido ini­ci­adas, tais ini­cia­ti­vas con­sti­tuíam pri­or­i­dade da empre­sa. No momen­to em que o negó­cio mudou de foco e pas­sou a se con­cen­trar mais no cliente, os líderes (e eu me incluo nes­sa lista) esque­ce­r­am-se de avis­ar de for­ma explíci­ta que os pro­je­tos inter­nos dev­e­ri­am ser elim­i­na­dos. Como resul­ta­do, os fun­cionários da equipe con­tin­uaram a tra­bal­har em pro­postas que incom­patíveis com os atu­ais obje­tivos da empre­sa.

Ao elim­i­nar ess­es pro­je­tos de menor val­or, nos­sas equipes adquiri­ram condições de se envolver mais pro­fun­da­mente com os clientes, o que ger­ou maiores taxas de adesão ao pro­du­to. Tam­bém con­seguimos que 20% do tem­po das equipes fos­se investi­do em pro­je­tos alin­hados com a nova estraté­gia.

Reduzin­do o vol­ume de tra­bal­ho: o que podemos faz­er de difer­ente para diminuir a quan­ti­dade de tare­fas exe­cu­tadas pela equipe?

Um eter­no desafio de gestão é encon­trar uma maneira de min­i­mizar a quan­ti­dade de tem­po gas­ta pelos fun­cionários em ativi­dades de menor importân­cia – as tare­fas repet­i­ti­vas, transa­cionais que pre­cisam ser feitas, mas que muitas vezes pare­cem levar mais tem­po do que dev­e­ri­am. Não é pos­sív­el elim­i­nar todas as tare­fas opera­cionais, mas, ao inves­ti­gar os detal­h­es dos proces­sos exis­tentes, os líderes podem desafi­ar a situ­ação vigente e aju­dar a sim­pli­ficar proces­sos, reduzin­do, assim, o número de atribuições.

Por exem­p­lo, uma de nos­sas equipes era respon­sáv­el pelo lança­men­to de cam­pan­has pub­lic­itárias on-line. Eles tra­bal­havam com os clientes para enten­der os obje­tivos da cam­pan­ha e garan­tir que tivésse­mos os recur­sos cria­tivos necessários para lançá-la. A equipe gas­ta­va muito tem­po esperan­do que os clientes respon­dessem a seus e‑mails – mais de 25% de seu tem­po era usa­do ape­nas nesse acom­pan­hamen­to.

Enquan­to tra­bal­há­va­mos para enten­der o proces­so, percebe­mos que o méto­do usa­do era abrangente e resul­ta­va em cam­pan­has sem erros. No entan­to, quan­do inves­tig­amos um pouco mais para enten­der por que pre­cisá­va­mos de tan­tas aprovações dos clientes, desco­b­ri­mos que as razões tin­ham origem no pas­sa­do do pro­du­to. Quan­do o item fora lança­do, os clientes não tin­ham mui­ta con­sciên­cia dele. Para garan­tir que todas as cam­pan­has fos­sem feitas do modo cor­re­to, a equipe havia cri­a­do um proces­so com todos os freios e con­trape­sos. E, emb­o­ra o pro­du­to tivesse mel­ho­ra­do sig­ni­fica­ti­va­mente e os clientes ago­ra soubessem usá-lo, não havíamos atu­al­iza­do o proces­so.

Mudamos o pro­ced­i­men­to pelo qual todos os clientes sub­meti­dos a cam­pan­has padrão teri­am 48 horas para rejeitar a pro­pos­ta de exe­cução. Ao faz­er com que a aprovação de cam­pan­has padrão se trans­for­masse em um proces­so pas­si­vo, não ape­nas elim­i­namos tare­fas con­sid­er­adas tediosas pela equipe, mas tam­bém reduz­i­mos o pra­zo de lança­men­to da cam­pan­ha em 48 horas, em média. As mudanças per­mi­ti­ram que cada equipe lançasse mais cam­pan­has.

Mel­ho­ran­do a pro­du­tivi­dade: o que podemos faz­er para com­ple­tar tare­fas mais rap­i­da­mente?

Emb­o­ra mel­ho­ras nos proces­sos pos­sam impul­sion­ar aumen­tos na pro­du­tivi­dade, os maiores avanços cos­tu­mam vir da autom­a­ti­za­ção de con­jun­tos de tare­fas. Quan­do a automação é asso­ci­a­da a mudanças nos proces­sos, o impacto resul­tante pode ser substancial.Por exem­p­lo, uma de nos­sas equipes esta­va encar­rega­da de tra­bal­har com os clientes para ajudá-los no proces­so de inte­gração com o pro­du­to. Nor­mal­mente, essa fase lev­a­va cin­co sem­anas, o que pare­cia um pra­zo desnec­es­sari­a­mente lon­go. Quan­do per­gun­ta­mos o porquê dis­so, a respos­ta nos sur­preen­deu. Os clientes começavam a escr­ev­er seus relatórios sobre a inte­gração e, sem­pre que tin­ham algum prob­le­ma, pedi­am uma reunião. Desco­b­ri­mos que muitas dessas questões eram bem pare­ci­das. Além dis­so, os clientes tam­bém agen­davam um tele­fone­ma e com­par­til­havam os detal­h­es do prob­le­ma durante a chama­da, o que ger­a­va novas reuniões para resolver com­ple­ta­mente o prob­le­ma. Desafi­amos a equipe a usar tec­nolo­gia para resolver essa difi­cul­dade, e seus inte­grantes sug­eri­ram uma solução engen­hosa. Desen­volver­am uma fer­ra­men­ta que faria uma checagem procu­ran­do todos os erros comuns. Depois, mudaram o mod­e­lo de enga­ja­men­to do con­sum­i­dor – em vez de ape­nas descr­ev­er o proces­so de inte­gração, os fun­cionários pas­saram a fornecer a fer­ra­men­ta de checagem de erros para os clientes ao final da primeira con­ver­sa. Esta­b­ele­ce­mos um novo pro­to­co­lo, para que, quan­do os clientes tivessem prob­le­mas, usassem a fer­ra­men­ta para enviar seus relatórios, antes de agen­dar uma chama­da tele­fôni­ca. Ess­es pequenos ajustes per­mi­ti­ram reduzir em um total de 30 horas (quase uma sem­ana inteira) o pra­zo total de inte­gração. Dessa maneira, os mem­bros da nos­sa equipe con­seguiram inter­a­gir com um número maior de clientes e aten­der a nos­sas neces­si­dades de cresci­men­to.

A maio­r­ia das pes­soas geral­mente se esforça ao máx­i­mo – segun­do sua per­spec­ti­va, estão cuidan­do dos inter­ess­es da empre­sa. Faz­er mais com menos pode pare­cer muito com­pli­ca­do, espe­cial­mente quan­do o negó­cio está crescen­do e as expec­ta­ti­vas dos clientes estão atingin­do out­ro pata­mar. Para lib­er­ar mais tem­po na agen­da de cada fun­cionário, os gestores pre­cisam inter­a­gir com suas equipes e con­hecer a fun­do as oper­ações diárias. Isso vai per­mi­tir que as equipes con­tribuam com o cresci­men­to da empre­sa e sat­is­façam as expec­ta­ti­vas cres­centes do con­sum­i­dor, fazen­do mais com menos. E, se os três pas­sos aci­ma não fun­cionarem, talvez os gestores devam admi­tir que está na hora de con­tratar mais pes­soas.


Dut­ta Satadip é recon­heci­do espe­cial­ista, palestrante e vet­er­a­no da área de tec­nolo­gia, espe­cial­iza­do em estraté­gia do cliente e expan­são de oper­ações.

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