O futuro do open office

O futuro do open office

Andi Owen é CEO da Her­man Miller, na sede da empre­san não tem vidros, não tem sala espe­cial, tudo está acessív­el a qual­quer fun­cionário. Com exceção de duas bol­sas e uma pil­ha de papéis, há poucos obje­tos pes­soais. Talvez porque, neste caso, Andi chegou ao coman­do da empre­sa há ape­nas 2 meses.

Mas a questão a ser dis­cu­ti­da vai além da aparente sim­pli­ci­dade de Andi. Des­de 2013, a Her­man Miller vem medin­do quan­to tem­po cada fun­cionário gas­ta em sua mesa, uti­liza as salas de reunião e se movi­men­ta pelos espaços comuns. Com os dados recol­hi­dos, a empre­sa refor­mu­lou a sua sede, que já era um escritório open office (plano aber­to), esta­b­ele­cen­do um con­ceito chama­do de Liv­ing Office.

Por trás dele, está a ideia de que nem todo mun­do fun­ciona em um plano pri­va­do — como tam­bém não são todos que gostam de tra­bal­har ape­nas em “mesões com­par­til­ha­dos”.

O Liv­ing Office esta­b­elece 10 tipos de espaços para vari­adas deman­das, propósi­tos e cul­turas empre­sari­ais. No escritório da Her­man Miller, por exem­p­lo, tem baia que é fixa, e 45% delas não têm dono. Há mesas de altura reclináv­el (para quem dese­ja tra­bal­har de pé), tem livraria e armário com­par­til­ha­do, jardim no meio do escritório, “espaço do café sem copa”, lab­o­ratório de cri­ação sem pare­des e cubícu­los pri­va­dos.

É pos­sív­el avis­tar tam­bém muitas cadeiras Aeron que gan­haram um novo design para serem autoa­justáveis, e não mais servirem a uma úni­ca pes­soa durante um dia todo. Pelos estu­dos, a empre­sa tam­bém perce­beu que a maior parte das pes­soas pre­cisa realizar reuniões cur­tas e geral­mente com até três pes­soas. Por esta razão, a anti­ga sala de reunião — com mesão fixo para 40 pes­soas — foi demol­i­da e deu lugar a peque­nas salas de vidro para uma, três ou dez pes­soas se reunirem.

O time de lid­er­ança, que inclui Andi, divide uma grande baia, onde com­par­til­ha cafés e con­ver­sas do dia a dia. Há ape­nas uma sala de reunião para assun­tos “secre­tos”, como aquisições, plane­ja­men­to e estraté­gia. Essa sala só é uti­liza­da, segun­do Gerb King­ma, dire­tor de cus­tomer expe­ri­ence sales, uma vez a cada seis sem­anas.

“O for­ma­to pro­por­cio­nou menos reuniões e mais con­ver­sas nat­u­rais. Porque é fato que quan­do algum líder tem um espaço pri­va­do, ele sem­pre está cheio de com­pro­mis­sos na sua agen­da e menos livre para falar com as pes­soas”, disse King­ma sobre a nova CEO. Da cor ao lauy­out, cada can­to tem um moti­vo de exi­s­tir, basea­do no que o big data diz. “A nos­sa visão é de um open office flexív­el, que ten­ha várias camadas, ‘alturas’ e for­matos. E que tam­bém forneça espaços de pri­vaci­dade e silên­cio”, diz Kig­ma.

É esse con­ceito de escritório que a empre­sa, que criou a famosa baia e tem cadeiras icôni­cas (Aeron, Mir­ra, Cos­mos), vende e quer vender a seus clientes. É assim tam­bém que quer atrair mil­len­ni­als (clientes e con­sum­i­dores) para seu negó­cio de quase 100 anos. “Não pre­cisamos de mais silos para con­fer­ên­cias ou per­for­mance. As pes­soas mais jovens querem colab­o­rar mais”, diz Kig­ma. Afi­nal, uma Aeron por mais que seja uma Aeron, é uma cadeira. E a tendên­cia é que as pes­soas não fiquem mais sen­tadas oito horas no mes­mo lugar hoje.

Para medir como os fun­cionários uti­lizam os espaços, a Her­man Miller usa sen­sores nas cadeiras, pesquisas de cam­po com gestores e real­iza work­shops para enten­der qual é a cul­tura da empre­sa. O tem­po total do lev­an­ta­men­to dura em média três sem­anas. “A dis­cussão sobre o ambi­ente de tra­bal­ho per­pas­sa quais são as deman­das da empre­sa, quais resul­ta­dos ela quer que seus fun­cionários con­quis­tem”, diz Paula Edwards, exec­u­ti­va da Her­man Miller que lid­era essa pesquisa.

Com os dados recol­hi­dos, a equipe de design­ers da empre­sa entra em ação, sug­erindo a mon­tagem de um dos 10 tipos de espaço pre­vis­tos no Liv­ing Office. O pro­je­to não inclui nec­es­sari­a­mente cadeira Her­man Miller — a ideia aqui, segun­do vários exec­u­tivos, é vender “menos móveis” e mais “lifestyle” (leia-se: con­sul­to­ria). Há times que o desen­volvem em empre­sas dos Esta­dos Unidos e do Méx­i­co. A equipe da Her­man Miller retor­na às empre­sas cer­ca de três meses depois da imple­men­tação do Liv­ing Office.

O futuro do open office

Segun­do Paula, é difí­cil men­su­rar a pro­du­tivi­dade que aumen­tou em decor­rên­cia dire­to da mudança de lay­out, mas de for­ma ger­al, indi­cadores como aumen­to de sat­is­fação de fun­cionários e colab­o­ração aumen­tam.

As com­pan­hias que fiz­er­am a refor­ma de for­ma “bem-suce­di­da”, de acor­do com a exec­u­ti­va, plane­jaram o open space seguin­do suas deman­das dire­tas — e não ape­nas copiando mod­e­los de out­ras. “Não adi­anta colo­car tudo em plano aber­to, espre­men­do todas as pes­soas em mesões, pen­san­do que elas vão colab­o­rar mais. Mes­mo porque, no final das con­tas, elas vão brigar para ver quem ocu­pa a mesa próx­i­ma à janela”.

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