Como a Mastercard se associou às startups para inovar

Como a Mastercard se associou às startups para inovar

Avanços tec­nológi­cos foram a ruí­na de empre­sas que eram gigan­tescas em um pas­sa­do não muito dis­tantes. Kodak e Block­buster são os exem­p­los mais latentes dessa decadên­cia.

A Mas­ter­card não quer que o mes­mo acon­teça. Por isso, pas­sou por um proces­so de mudança inten­so.

A opinião é de João Pedro Paro Neto, CEO da empre­sa no Brasil e no chama­do Cone Sul, região que englo­ba Argenti­na, Chile, Paraguai e Uruguai.

Ele esteve no Fórum de Ino­vação da Mas­ter­card Améri­ca Lati­na, real­iza­do em Mia­mi Beach, nos Esta­dos Unidos, entre 26 e 27 de novem­bro. “Quan­do cheguei à Mas­ter­card, éramos uma empre­sa de cartões ape­nas. Ago­ra, somos uma empre­sa de meios de paga­men­to. Temos que garan­tir que os usuários ten­ham uma exper­iên­cia de com­pra segu­ra e sim­ples, usan­do cartões, o celu­lar ou qual­quer out­ro dis­pos­i­ti­vo”, diz.

A prin­ci­pal apos­ta da empre­sa na Améri­ca

Lati­na é o paga­men­to por aprox­i­mação, ou “con­tact­less”. Fun­ciona assim: em vez de a com­pra ser fei­ta por meio da inserção de um cartão na maquin­in­ha e aprova­da por meio de sen­ha, bas­ta encostar o cartão no ter­mi­nal e a com­pra é aprova­da.

Já há uma infraestru­tu­ra con­sid­eráv­el para que a tec­nolo­gia seja usa­da no Brasil. Neto esti­ma que 70% das maquin­in­has brasileiras já têm capaci­dade para isso. Ago­ra, fal­ta os emis­sores – os ban­cos, as fin­techs e as empre­sas de crédi­to – emi­tirem cartões que per­mi­tam esse tipo de com­pra.

O “con­tact­less”, vale diz­er, só pode ser feito no Brasil em com­pras de até R$ 50. “Acred­i­ta­mos muito no poten­cial das com­pras por aprox­i­mação, porque o brasileiro ado­ra ino­vações tec­nológ­i­cas e vai ado­rar a sim­pli­ci­dade que vamos ofer­e­cer a eles”, diz Neto.

Mas o que faz­er se o cartão for rou­ba­do? Afi­nal, ninguém gos­ta de ser víti­ma de um fur­to ou assalto e ver com­pras feitas por out­ras pes­soas na fatu­ra. Segun­do Neto, a Mas­ter­card já tra­bal­ha para detec­tar fraudes feitas nesse tipo de transação.

Durante o Fórum de Ino­vação, a empre­sa demon­strou tec­nolo­gias que reforçarão a segu­rança das com­pras. Uma delas é a adição de um sen­sor bio­métri­co nos cartões. Ao faz­er uma com­pra por aprox­i­mação, o dono do cartão terá que colo­car seu pole­gar neste sen­sor. A transação só será aprova­da se a impressão dig­i­tal for igual à que está cadastra­da nos ban­cos de dados da Mas­ter­card.

Out­ra fun­cional­i­dade foi adquiri­da pela Mas­ter­card por meio da com­pra de uma start­up canadense, a NuDa­ta. “A empre­sa criou soluções que detec­tam se quem está usan­do um cartão ‘con­tact­less’ é real­mente seu dono ao medir a pressão que ele empre­ga ao segurá-lo”, diz o exec­u­ti­vo. A mes­ma NuDa­ta desen­volveu uma tec­nolo­gia que detec­ta se uma transação online está sendo real­mente fei­ta pelo dono do cartão a par­tir da veloci­dade em que o com­prador digi­ta e mexe no com­puta­dor ou smart­phone.

Mas a relação da Mas­ter­card com as star­tups não tem a ver ape­nas com aquisição. A cor­po­ração tam­bém tra­bal­ha em parce­ria com as star­tups, em uma ini­cia­ti­va de capac­i­tação de pequenos negó­cios e ino­vação aber­ta: o Start­up Path.

O pro­je­to é volta­do para empre­sas de todo o mun­do. O foco está em star­tups que já têm mod­e­los de negó­cio, tração e uma base de clientes rel­e­vante, além de ter pas­sa­do por rodadas de inves­ti­men­tos menores.

De acor­do com Ilana Mess­ing, dire­to­ra do Start Path Améri­ca Lati­na e Caribe, a parce­ria com as star­tups é de suma importân­cia para a Mas­ter­card. “A ino­vação é um pro­je­to con­jun­to. Não vamos mudar o mun­do soz­in­hos. Por isso, nos asso­ci­amos a empre­sas que cri­am soluções ino­vado­ras”, diz.

No Start Path, cada tur­ma de empre­sas pas­sa por um proces­so de capac­i­tação de seis meses. Segun­do Ilana, não é uma acel­er­ação, já que esse tipo de proces­so é mais volta­do a star­tups ini­ciantes. “Nós ofer­e­ce­mos a exper­tise da empre­sa e de seus colab­o­radores à start­up, mas tam­bém con­ver­samos e ten­ta­mos cri­ar soluções em con­jun­to”, afir­ma Ilana.

Segun­do a exec­u­ti­va, a empre­sa não adquire par­tic­i­pação nas star­tups que fazem parte do Start­up Path. “Só ped­i­mos para que os empreende­dores con­sid­erem a Mas­ter­card como um investi­dor em poten­ci­ais rodadas de inves­ti­men­to”, diz.

Nes­ta quin­ta-feira (29/11), a Mas­ter­card real­i­zou out­ro even­to em Mia­mi Beach: o Start­up Path Sum­mit, em que as par­tic­i­pantes da ini­cia­ti­va se apre­sen­taram ao públi­co. Uma dessas empre­sas é brasileira: a Mar­ket­Up, que ofer­ece soluções em gestão, atendi­men­to ao cliente, pro­du­tivi­dade e con­t­role de estoque. Car­los Azeve­do, cofun­dador do negó­cio, foi respon­sáv­el pelo pitch da start­up.

Segun­do ele, as star­tups par­tic­i­pantes do Path não são obri­gadas a colab­o­rar com a empre­sa. “Fun­ciona assim: sem­anal­mente, alguém da Mas­ter­card me liga e per­gun­ta se tem algo que eles podem faz­er comi­go. Eles colo­cam a Mas­ter­card à sua dis­posição. Mas tam­bém pen­samos em opor­tu­nidades de negó­cio que aten­dam ambas as partes”, afir­ma Azeve­do. Ele não rev­el­ou se há con­ver­sas sobre inves­ti­men­tos da com­pan­hia de paga­men­to na Mar­ket­Up por questões estratég­i­cas.

Pre­sença fem­i­ni­na na lid­er­ança
De acor­do com Amy Neale, líder glob­al do Start­up Path, a pre­sença fem­i­ni­na nas star­tups é um aspec­to pos­i­ti­vo a ser ressalta­do. “As empre­sas que se inscrevem para o pro­je­to pre­cisam respon­der se há mul­heres ocu­pan­do car­gos de lid­er­ança no negó­cio. Cer­ca de 40% das respostas é afir­ma­ti­va”, diz ela.

No entan­to, a pro­porção de mul­heres que sobe ao pal­co para apre­sen­tar a empre­sa que cri­aram (ou em que tra­bal­ham) para o públi­co não acom­pan­ha essa pro­porção. “Isso mostra que ain­da pre­cisamos de mais esforço para que as mul­heres se inter­essem por tec­nolo­gia, cheguem a car­gos de gestão e mostrem seu tra­bal­ho para o mun­do”, afir­ma Amy.

A exec­u­ti­va desta­ca uma das ini­cia­ti­vas da Mas­ter­card para o públi­co fem­i­ni­no — para as meni­nas, mais exata­mente: o Girls4Tech, uma ini­cia­ti­va cujo obje­ti­vo é faz­er garo­tas de 10 a 13 anos se inter­es­sarem por car­reiras lig­adas às ciên­cias, tec­nolo­gia, engen­haria e matemáti­ca (áreas do con­hec­i­men­to clas­si­fi­cadas pela sigla STEM, em inglês).

O Girls4Tech fun­ciona por meio de sem­i­nários e palestras, real­iza­dos por fun­cionários da Mas­ter­card. “Nos­sa meta é impactar 200 mil meni­nas em todo o mun­do até 2020”, diz Amy.

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