Como preservar e engajar seus funcionários classe B

Como preservar e engajar seus funcionários classe B

Durante décadas ouvi­mos que dev­eríamos con­tratar ape­nas fun­cionários classe A e, até mes­mo, que dev­eríamos ten­tar cor­tar os demais de nos­sas equipes. Porém, além de os critérios para definir um fun­cionário classe A vari­arem muito entre as empre­sas, é utópi­co acred­i­tar que só se pode tra­bal­har com eles. Ade­mais, como foi demon­stra­do pelo pro­je­to Aristóte­les da Google, que anal­isou o que tor­na uma equipe efi­caz, essa prefer­ên­cia igno­ra o val­or pro­fun­do daque­les que são con­sid­er­a­dos classe B.

Pelo que já pude notar em empre­sas de todos os taman­hos e áreas, os fun­cionários-estrela têm, com fre­quên­cia, difi­cul­dade em se adap­tar à cul­tura e podem não colab­o­rar bem com os cole­gas.

Por out­ro lado, fun­cionários classe B quase sem­pre são menos pre­ocu­pa­dos com sua tra­jetória pes­soal e têm maior tendên­cia a super­ar as expec­ta­ti­vas para dar suporte aos clientes, aos cole­gas e para man­ter a rep­utação da empre­sa.

Por exem­p­lo, quan­do um dos meus clientes pas­sou por uma tran­sição desas­trosa de um sis­tema de plane­ja­men­to de recur­sos empre­sari­ais para out­ro, foi um fun­cionário vis­to como classe B que man­teve todas as áreas da empre­sa infor­madas, já que assum­iu uma respon­s­abil­i­dade pes­soal em asse­gu­rar que todas as transações e comu­ni­cações com clientes fos­sem cor­rigi­das.

Como apoiar seus fun­cionários classe B para que deem o mel­hor de si e con­tribuam o máx­i­mo pos­sív­el com a empre­sa em vez de dese­jar que fos­sem classe A? Con­sidere as cin­co abor­da­gens a seguir a fim de parar de subes­timá-los e ajudá-los a alcançar seu poten­cial.

Conheça-os e valorize-os por aquilo que são únicos

Esse é o primeiro pas­so para extrair as habil­i­dades e pon­tos fortes que pos­suem. Con­heça suas pre­ocu­pações pes­soais, prefer­ên­cias e a maneira como veem o tra­bal­ho e lidam com ele. Este­ja cer­to de não ignorá-los por serem intro­ver­tidos, dis­cre­tos ou tra­bal­harem remo­ta­mente. Uma líder sênior com quem tra­bal­hei tin­ha uma prefer­ên­cia tão grande por extro­ver­tidos que igno­ra­va ou desval­oriza­va os mem­bros da equipe que estavam ape­nas fazen­do seu tra­bal­ho.

Enquan­to isso, as estre­las da equipe gan­havam bas­tante atenção e recur­sos, mes­mo que sem­pre fizessem dra­ma e causassem tumul­to em vez de arcar com todas as respon­s­abil­i­dades que lhes cabi­am pelos resul­ta­dos. Alguns dos mem­bros con­sid­er­a­dos classe B por essa líder começaram a deixar a equipe depois de um lon­go perío­do de frus­trações. Quan­do ela e alguns dos fun­cionários-estrela final­mente saíram da empre­sa, parte dos out­ros fun­cionários voltou e con­seguiu faz­er con­tribuições sig­ni­fica­ti­vas porque apoia­va a mis­são e enten­dia os proces­sos do tra­bal­ho.

Reavalie se estão na função certa

Rara­mente os fun­cionários dão o mel­hor de si quan­do ocu­pam car­gos que desta­cam seus pon­tos fra­cos em vez dos fortes. Pode ser que ten­ham exper­iên­cia téc­ni­ca, mas nen­hum inter­esse, ou que sejam ger­entes fra­cos, mas colab­o­radores indi­vid­u­ais fortes. Uma líder que con­heço esta­va fican­do cada vez mais frustra­da e menos efi­ciente. As pressões de sat­is­faz­er exigên­cias con­fli­tantes de difer­entes depar­ta­men­tos eram demais para ela. Então, saiu desse ambi­ente para geren­ciar uma equipe menor e mais coesa, foca­da no desen­volvi­men­to de novos pro­du­tos. Livre das pressões de geren­ciar pro­je­tos em um ambi­ente muito políti­co, ela con­seguiu ter foco e ser inspi­rado­ra nova­mente.

Considere a possibilidade de haver preconceito em suas atribuições

Com fre­quên­cia, mul­heres e negros são igno­ra­dos na hora de serem escol­hi­dos para tare­fas desafi­ado­ras ou de alto escalão. Pres­supõe-se que “não este­jam pron­tos” e que não agem da maneira comum, ain­da que estereoti­pa­da, de “líderes”. Lev­an­tei essa pos­si­bil­i­dade quan­do um líder de nív­el médio esta­va ten­tan­do dar destaque para um dos mem­bros de sua equipe e pro­movê-la, mas não con­seguia desco­brir o que a tor­na­va invisív­el aos olhos do líder sênior. Cri­amos múlti­plas estraté­gias para que o chefe dela pudesse mostrar a qual­i­dade e o impacto de seu tra­bal­ho nas reuniões seguintes.

Apoie-os deliberadamente para que deem o melhor de si

Algu­mas pes­soas são os piores críti­cos que pode­ri­am ter ou têm crenças lim­i­tantes pro­fun­da­mente arraigadas que impe­dem a própria evolução. Quan­do um de meus clientes perdeu um líder sênior e não podia pagar o preço de mer­ca­do para sub­sti­tuí-lo, um fun­cionário classe B de lon­ga data preencheu a vaga, mas de for­ma ansiosa. Ape­sar de ter ampli­a­do suas funções e man­ter a equipe fun­cio­nan­do, enfa­ti­zou tan­to para a gerên­cia quan­to para ele mes­mo que não esta­va à altura do car­go, e a maior parte da equipe de exec­u­tivos con­tin­u­ou a tratá-lo dessa maneira. Foi ape­nas depois de ter se aposen­ta­do e de um novo líder sênior ter assum­i­do seu lugar que ficou claro o quan­to ele havia feito pela orga­ni­za­ção. A equipe de exec­u­tivos nun­ca com­preen­deu a exten­são do que ele pode­ria ter feito caso tivesse rece­bido o apoio, a val­oriza­ção e as chances de desen­volvi­men­to que mere­cia durante todo o tem­po em que tra­bal­hou.

Dê permissão para que tomem a frente

Em 30 anos de práti­ca, uma das causas de hes­i­tação que mais vi nas pes­soas foi a de pen­sarem que não tin­ham per­mis­são para dar um pas­so à frente. (Aque­les que con­hece­mos como classe A ten­dem a não pedir nem esper­ar per­mis­são). Alguns dos fun­cionários classe B não ficam con­fortáveis sob os holo­fotes, mas flo­rescem quan­do são incen­ti­va­dos a com­ple­tar uma mis­são ou a con­tribuir para o bem da empre­sa. Sou coach de uma líder de nív­el médio que é qui­eta, mod­es­ta e não gos­ta de chamar atenção. Ela cos­tu­ma­va esper­ar que o novo líder mostrasse uma visão ger­al do futuro e fornecesse as coor­de­nadas para que o tra­bal­ho fos­se feito. Per­gun­tei o que faria se de repente fos­se a encar­rega­da da lid­er­ança, e ela traçou um plano coer­ente. Então, dei incen­ti­vo para que o apre­sen­tasse ao novo líder e pedisse per­mis­são para prosseguir. Ago­ra, ambos estão pro­gredin­do em parce­ria.

É impos­sív­el ser­mos todos classe A e é irre­al pen­sar que sem­pre tra­bal­hare­mos ape­nas com fun­cionários classe A. Con­tu­do, talvez essa não seja a meta apro­pri­a­da. Em vez dis­so, tente usar essas estraté­gias para aju­dar os fun­cionários a darem o mel­hor de si. Assim, você asse­gu­rará que toda a sua equipe pos­sa ter um desem­pen­ho classe A+.

Por Liz Kislik

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