China espionou Amazon e Apple com microchips de vigilância, diz Bloomberg

China espionou Amazon e Apple com microchips de vigilância, diz Bloomberg

A Chi­na sec­re­ta­mente inseriu microchips de vig­ilân­cia em servi­dores usa­dos por grandes empre­sas de tec­nolo­gia, entre as quais Ama­zon e Apple, em uma auda­ciosa oper­ação mil­i­tar que deve infla­mar ain­da mais as ten­sões com­er­ci­ais entre os Esta­dos Unidos e o pais que lhe serve como prin­ci­pal fonte de com­po­nentes e pro­du­tos eletrôni­cos, noti­ciou a revista Bloomberg Busi­ness­week na man­hã de quin­ta-feira (4).

O arti­go detal­ha um esforço abrangente, com anos de duração, para insta­lar os chips de vig­ilân­cia em servi­dores cujas pla­cas-mãe –os cére­bros dess­es poderosos com­puta­dores –foram mon­tadas na Chi­na. Uma das empre­sas afe­tadas opera servi­dores usa­dos por clientes do gov­er­no amer­i­cano, por exem­p­lo em data cen­ters do Depar­ta­men­to de Defe­sa, navios de guer­ra da mar­in­ha, e nas oper­ações de drones [aeron­aves de pilotagem remo­ta] da Agên­cia Cen­tral de Inteligên­cia (CIA).

O vol­ume de dados recol­hi­do pela Chi­na com seus chips de vig­ilân­cia não esta­va claro, de acor­do com a reportagem, e ao que se sabe não foram roubadas infor­mações sobre con­sum­i­dores, de acor­do com a Bloomberg Busi­ness­week. Mas a pub­li­cação afir­mou que uma inves­ti­gação alta­mente sig­ilosa do gov­er­no amer­i­cano, datan­do de 2015 e que envolve o Serviço Fed­er­al de Inves­ti­gações (FBI), con­tin­ua em cur­so.

A reportagem men­ciona 17 fontes não iden­ti­fi­cadas, entre as quais pes­soas infor­madas sobre o setor e atu­ais e anti­gos fun­cionários do gov­er­no dos Esta­dos Unidos. O gov­er­no chinês, a Apple, a Ama­zon e as demais empre­sas envolvi­das con­tes­taram a reportagem, e o FBI e rep­re­sen­tantes dos serviços de inteligên­cia amer­i­canos se recusaram a comen­tar.

Um fun­cionário do gov­er­no amer­i­cano disse ao The Wash­ing­ton Post que a reportagem da Bloomberg Busi­ness­week pro­ce­dia, em lin­has gerais. A pes­soa falou sob a condição de que seu nome não fos­se cita­do, por estar dis­cutin­do questões que não estão lib­er­adas para cir­cu­lação públi­ca.

As rev­e­lações sur­gi­ram horas antes de um dis­cur­so que o vice-pres­i­dente Mike Pence faria no Hud­son Insti­tute em Wash­ing­ton, no qual ele repreen­de­ria a Chi­na. A expec­ta­ti­va era de que Pence fizesse uma série de críti­cas ao que o gov­er­no Trump vê como com­por­ta­men­to chinês cada vez mais agres­si­vo.

Os Esta­dos Unidos e a Chi­na estão envolvi­dos em uma guer­ra com­er­cial fer­oz e cada vez mais inten­sa, na qual cen­te­nas de bil­hões de dólares em pro­du­tos amer­i­canos e chi­ne­ses estão sujeitos a tar­i­fas.

A supos­ta manip­u­lação das cadeias de supri­men­to de eletrôni­cos de empre­sas amer­i­canas cer­ta­mente aguçarão questões pen­dentes há muito tem­po quan­to ao rela­ciona­men­to cru­cial mas nada tran­qui­lo entre as duas maiores econo­mias do plan­e­ta. Empre­sas amer­i­canas pro­je­tam e ven­dem pro­du­tos de tec­nolo­gia de pon­ta, como servi­dores, lap­tops e smart­phones, mas eles são pro­duzi­dos e mon­ta­dos em grande parte na Chi­na.

As autori­dades se pre­ocu­pam há muito com o poten­cial de que microchips ou out­ros com­po­nentes alter­ados ven­ham a ser inseri­dos sec­re­ta­mente em pro­du­tos embar­ca­dos para os Esta­dos Unidos e out­ros des­ti­nos, o que abriria as por­tas à espi­onagem em lon­go pra­zo de usuários de com­puta­dores e de suas redes de infor­mações.

Vig­ilân­cia por meio de hard­ware alter­ado é mais difí­cil de realizar do que os habit­u­ais ataques de hack­ers a soft­ware, mas os resul­ta­dos podem ser mais difí­ceis de reme­di­ar porque os com­po­nentes pre­cisam ser iden­ti­fi­ca­dos e removi­dos fisi­ca­mente, ou o uso do hard­ware deve ser sus­pen­so. Os microchips de vig­ilân­cia suposta­mente teri­am capaci­dade de se conec­tar a com­puta­dores exter­nos e baixar sec­re­ta­mente soft­ware que con­tornar­ia out­ras pro­teções de segu­rança, como sen­has ou chaves cifradas, armazenadas em áreas difer­entes dos servi­dores afe­ta­dos, o que per­mi­tiria espi­onagem remo­ta ness­es com­puta­dores.

A oper­ação, que a Bloomberg Busi­ness­week atribuiu a uma unidade mil­i­tar chi­ne­sa que se espe­cial­iza em ataques a hard­ware, envolvia a inserção de um minús­cu­lo chip de aparên­cia inócua nas pla­cas-mãe usadas em servi­dores pro­duzi­dos pela Super­mi­cro, uma das maiores fornece­do­ras desse tipo de equipa­men­to, sedi­a­da em San Jose.

A empre­sa é amer­i­cana, mas as pla­cas-mãe são mon­tadas prin­ci­pal­mente na Chi­na.

Tan­to a Apple quan­to a Ama­zon desco­bri­ram os chips de vig­ilân­cia em 2015 e tomaram medi­das para sub­sti­tuir os servi­dores afe­ta­dos, de acor­do com a reportagem, que descreveu coop­er­ação estre­i­ta entre os inves­ti­gadores amer­i­canos e as empre­sas atingi­das., A reportagem infor­ma que dezenas de empre­sas podem ter usa­do servi­dores sab­o­ta­dos em seus data cen­ters, antes de a oper­ação chi­ne­sa ser detec­ta­da.

Em seu comu­ni­ca­do sobre a reportagem da Bloomberg Busi­ness­week, a Apple afir­mou que a infor­mação do The Wash­ing­ton Post é improce­dente.

“A Apple jamais encon­trou chips nocivos, ‘manip­u­lações de hard­ware’ ou vul­ner­a­bil­i­dades plan­tadas proposi­tada­mente em qual­quer servi­dor, A Apple jamais teve qual­quer con­ta­to com o FBI ou qual­quer out­ra agên­cia sobre um inci­dente desse tipo. Não esta­mos cientes de qual­quer inves­ti­gação pelo FBI, e o mes­mo pode ser dito sobre nos­sos con­tatos nos serviços poli­ci­ais.”

A reportagem tam­bém con­tin­ha uma declar­ação que nega­va as infor­mações pub­li­cadas pela Bloomberg Busi­ness­week, divul­ga­da pela Ama­zon Web Ser­vices (AWS), uma sub­sidiária de com­putação em nuvem da Ama­zon que em 2015 adquir­iu uma empre­sa, a Ele­men­tal, cujos servi­dores foram suposta­mente afe­ta­dos pela oper­ação chi­ne­sa. (O The Wash­ing­ton Post é pro­priedade de Jeff Bezos, o pres­i­dente-exec­u­ti­vo da Ama­zon.)

“Não é ver­dade que a AWS soubesse que sua cadeia de supri­men­to foi com­pro­meti­da, de qual­quer prob­le­ma com chips nocivos, ou de mod­i­fi­cações em seu hard­ware, ao adquirir a Ele­men­tal”, a Ama­zon declar­ou.

“Tam­pouco é ver­dade que a AWS soubesse que os servi­dores con­tin­ham chips nocivos ou de mod­i­fi­cações em data cen­ters insta­l­a­dos na Chi­na, ou tam­pouco que a AWS ten­ha tra­bal­ha­do com o FBI para inves­ti­gar ou fornecer dados sobre hard­ware noci­vo.”

A Super­mi­cro afir­mou em comu­ni­ca­do que “não esta­mos cientes de qual­quer inves­ti­gação sobre o assun­to e não fomos con­tata­dos por qual­quer agên­cia do gov­er­no a esse respeito”.

Tradução de Paulo Migli­ac­ci

 

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