Depois dos smartphones, a próxima guerra da inteligência artificial pode acontecer na televisão

A inteligência artificial está chegando às Smart TVs. Entenda por que Samsung, Google, LG e Amazon disputam o controle da próxima grande tela da IA.

Os smartphones da Apple e Google disputaram sistemas operacionais, lojas de aplicativos, publicidade, mapas, pagamentos, assistentes virtuais e praticamente todos os serviços digitais que passaram a fazer parte da nossa rotina.

Agora, uma nova disputa começa a ganhar força em uma tela muito maior.

A televisão.

Samsung, LG, Google, Amazon e outras gigantes estão adicionando inteligência artificial generativa às Smart TVs. A mudança pode parecer apenas mais uma evolução tecnológica, mas existe algo muito maior acontecendo.

A televisão está deixando de ser apenas um aparelho que exibe conteúdo.

Ela começa a entender o que estamos assistindo, conversar conosco, responder perguntas, pesquisar informações, controlar a casa conectada, recomendar conteúdo e até executar ações.

O que aconteceu com os smartphones pode, em alguma medida, começar a acontecer com as TVs.

A pergunta passa a ser outra.

Quem controlará a inteligência artificial da sala de estar?

A Smart TV está deixando de ser apenas uma Smart TV

Quando as primeiras Smart TVs chegaram ao mercado, a proposta era relativamente simples.

Conectar a televisão à internet.

Depois vieram os aplicativos.

Netflix, YouTube, Prime Video, Globoplay, Disney+, Spotify e inúmeros outros serviços transformaram a televisão em uma plataforma digital.

Em seguida vieram os sistemas operacionais mais sofisticados, como Tizen, webOS, Google TV e Fire TV.

Agora começa uma nova fase.

A inteligência artificial está sendo incorporada diretamente à experiência da televisão.

E não estamos falando apenas de inteligência artificial utilizada para melhorar imagem ou áudio.

Isso já existe há bastante tempo.

A grande mudança é a chegada da IA generativa e conversacional.

A TV começa a compreender linguagem natural e contexto.

Em vez de navegar por vários menus procurando determinado conteúdo, o usuário poderá simplesmente dizer:

“Quero assistir a uma comédia leve, com menos de duas horas, que seja boa para assistir com crianças.”

A televisão poderá interpretar intenção, preferências, serviços disponíveis e histórico de consumo antes de apresentar uma resposta.

É uma mudança gigantesca.

Samsung Vision AI transforma a TV em uma interface conversacional

A Samsung é uma das empresas que mais explicitamente está apostando nessa transformação.

Sua plataforma Samsung Vision AI incorpora inteligência artificial diretamente à experiência das TVs.

Nos modelos mais recentes, o Vision AI Companion permite conversar com a televisão e fazer perguntas sobre aquilo que está sendo exibido.

A Samsung informa que o sistema pode compreender o contexto do conteúdo mostrado na tela e utilizar diferentes tecnologias de IA para responder às perguntas do usuário. Em seus produtos de 2026, a empresa também integra assistentes como Gemini e Bixby. Samsung

Conheça o Samsung Vision AI

Imagine assistir a um filme e perguntar:

“Quem é esse ator?”

Depois:

“Em quais outros filmes ele trabalhou?”

E finalmente:

“Quais desses filmes estão disponíveis para assistir?”

Não é difícil imaginar o próximo estágio.

“Coloque o melhor deles.”

Nesse momento, a IA deixou de ser apenas um mecanismo de busca.

Ela se tornou uma interface de navegação da televisão.

Google leva o Gemini para a maior tela da casa

O Google está seguindo uma direção semelhante com o Gemini.

A empresa já transformou o antigo Google Assistant em uma experiência muito mais próxima da IA generativa que conhecemos nos computadores e smartphones.

Na televisão, o movimento é particularmente interessante.

O Google afirma que o Gemini para Google TV consegue compreender perguntas naturais, recomendar filmes e séries e responder questões que nem sequer estão relacionadas ao entretenimento. Suporte Google

Em 2026, a empresa anunciou novos recursos capazes de apresentar respostas visualmente ricas, criar explicações interativas e até permitir que o usuário ajuste configurações da televisão simplesmente descrevendo o problema.

Em vez de procurar brilho, contraste ou configurações de áudio em diferentes menus, a pessoa poderá dizer:

“Está difícil ouvir os diálogos.”

A própria IA poderá modificar as configurações adequadas. blog.google

Veja como o Gemini está chegando ao Google TV

Essa mudança parece pequena, mas atinge um dos princípios fundamentais das interfaces digitais.

Menus começam a ser substituídos por intenção.

LG também está transformando o webOS em uma plataforma de IA

A LG segue caminho semelhante.

As Smart TVs mais recentes da empresa combinam o webOS com recursos como AI Search, AI Concierge, Voice ID, Google Gemini e Microsoft Copilot.

O AI Voice ID pode reconhecer quem está falando e apresentar uma experiência personalizada para aquela pessoa.

O AI Concierge trabalha com recomendações.

A busca passa a compreender linguagem natural.

Em modelos de 2026, a própria LG destaca o uso conjunto de diferentes modelos de inteligência artificial dentro da experiência da televisão. LG BE_FR

Conheça os recursos de inteligência artificial das TVs LG

Isso revela algo particularmente importante.

A disputa não será necessariamente entre uma TV com IA e uma TV sem IA.

Pode ser uma disputa entre ecossistemas de inteligência artificial.

Uma televisão poderá oferecer Gemini.

Outra poderá utilizar Copilot.

Outra poderá integrar diferentes modelos.

E algumas poderão permitir que o próprio usuário escolha qual inteligência artificial deseja utilizar.

Amazon transforma Alexa+ em agente dentro da Fire TV

A Amazon talvez represente um dos exemplos mais claros de como essa transformação pode avançar.

A Alexa+ não foi criada apenas para responder perguntas.

Ela está sendo posicionada como uma inteligência artificial capaz de realizar ações.

Na Fire TV, a Alexa+ consegue compreender pedidos complexos relacionados a filmes, séries e esportes, controlar dispositivos da casa e utilizar contexto para refinar recomendações.

A Amazon afirma que os usuários da Alexa+ conversam com o assistente na Fire TV quase duas vezes mais do que conversavam com a Alexa anterior. Amazon News

Mais recentemente, a empresa anunciou uma busca capaz de considerar histórico, assinaturas disponíveis e contexto externo para responder questões mais complexas sobre entretenimento. Amazon News

Conheça a nova experiência Alexa+ na Fire TV

A Amazon também desenvolveu um recurso impressionante.

O usuário pode descrever determinada cena de um filme e pedir para a Alexa+ encontrá-la. O sistema utiliza informações visuais, legendas e dados do conteúdo para localizar aproximadamente aquele momento. Amazon News

Isso demonstra como a IA pode mudar completamente nossa relação com o vídeo.

A busca por conteúdo será uma das primeiras grandes revoluções

Existe um problema crescente no streaming.

Temos conteúdo demais.

Netflix.

Prime Video.

Disney+.

Globoplay.

Max.

YouTube.

Canais FAST.

Aplicativos independentes.

Serviços gratuitos.

A dificuldade deixou de ser encontrar algo disponível.

Passou a ser decidir o que assistir.

As interfaces tradicionais tentam resolver isso utilizando carrosséis.

“Continue assistindo.”

“Recomendados para você.”

“Mais populares.”

“Porque você assistiu.”

Mas continuamos percorrendo dezenas de capas.

A IA muda essa lógica.

Em vez de navegar por categorias, podemos conversar.

“Quero um suspense parecido com aquele filme que assisti semana passada, mas não tão pesado.”

Uma recomendação tradicional depende de filtros e algoritmos.

Uma IA generativa consegue interpretar nuances.

É possível que, dentro de alguns anos, navegar manualmente por dezenas de carrosséis pareça tão antiquado quanto procurar um endereço utilizando uma lista telefônica.

A IA poderá entender aquilo que está acontecendo na tela

Outra transformação será a chamada inteligência contextual.

A televisão sabe qual conteúdo está reproduzindo.

Mas uma IA multimodal pode ir além.

Ela pode compreender imagens, sons, legendas, informações do programa e contexto externo.

Imagine assistir a um documentário sobre Roma.

Você pergunta:

“Que prédio é esse?”

A TV identifica o local.

Depois pergunta:

“Quer conhecer a história dele?”

Em seguida:

“Quanto custaria viajar para Roma?”

A experiência deixa de ser linear.

A televisão passa a funcionar como uma espécie de janela interativa para o conhecimento.

Samsung já utiliza a ideia de compreender aquilo que está sendo exibido para responder perguntas pelo Vision AI Companion, enquanto LG apresenta o recurso “Nesta Cena” para oferecer informações relacionadas ao conteúdo assistido. Samsung

Inteligência artificial também pode transformar a televisão em comércio

Existe ainda uma consequência extremamente importante.

Se a televisão entende o conteúdo, conhece preferências e consegue executar ações, ela também pode participar da jornada de compra.

Imagine assistir a um programa de culinária.

“Qual é essa panela?”

A IA identifica.

“Quanto custa?”

A TV pesquisa.

“Tem alguma parecida mais barata?”

Ela compara.

“Envie para meu celular.”

Pronto.

A televisão acabou de participar de uma venda.

A Amazon possui uma vantagem enorme nesse cenário porque já controla um dos maiores ecossistemas de comércio eletrônico do planeta.

A Alexa+ já pode executar tarefas e realizar ações em diferentes serviços. A própria Amazon posiciona o assistente como uma IA capaz de ajudar em compras, reservas e outras atividades cotidianas. Amazon News

Isso aproxima Connected TV, inteligência artificial e comércio eletrônico.

Uma combinação extremamente poderosa.

A TV pode se tornar o cérebro visual da casa inteligente

Smartphones são dispositivos individuais.

Televisões são diferentes.

Normalmente ficam em uma posição central da residência.

São telas grandes.

Estão conectadas à internet.

Possuem alto falante.

Algumas possuem microfones.

E podem conversar com outros dispositivos.

Câmeras.

Campainhas.

Lâmpadas.

Ar condicionado.

Fechaduras.

Eletrodomésticos.

Sensores.

A inteligência artificial pode transformar a TV em um painel central para toda essa infraestrutura.

Na Fire TV, por exemplo, Alexa+ já consegue mostrar câmeras compatíveis e controlar equipamentos domésticos por linguagem natural. Amazon News

Samsung também posiciona suas televisões dentro do ecossistema SmartThings.

A televisão deixa de ser simplesmente um destino de entretenimento.

Ela começa a funcionar como interface visual da casa conectada.

O que essa revolução significa para quem desenvolve aplicativos para Smart TV?

Talvez este seja um dos pontos menos discutidos dessa transformação.

Durante anos, desenvolver um aplicativo para televisão significava principalmente criar:

interface
catálogo
player
busca
login
favoritos
streaming

Agora poderá significar integrar o aplicativo à inteligência artificial da própria plataforma.

Imagine um aplicativo de streaming no qual o usuário diga:

“Mostre os documentários sobre inteligência artificial publicados neste mês.”

Ou:

“Encontre aquela entrevista onde o apresentador falou sobre carros elétricos.”

O aplicativo precisará deixar de ser apenas uma coleção de telas.

Ele precisará disponibilizar dados estruturados e APIs capazes de conversar com agentes de IA.

É possível que, no futuro, parte da navegação pelos aplicativos nem sequer aconteça dentro deles.

O usuário fará um pedido ao agente da televisão.

A IA encontrará o conteúdo dentro de determinado aplicativo e abrirá exatamente a informação desejada.

Isso muda profundamente a arquitetura do desenvolvimento para Connected TV.

Existe um preço para tanta personalização: dados

Quanto mais inteligente for a televisão, mais contexto ela precisará compreender.

O que assistimos.

Quando assistimos.

Quais aplicativos utilizamos.

Quais atores preferimos.

Quais assuntos pesquisamos.

Quem está falando.

Quais dispositivos existem em nossa casa.

Em alguns casos, quais serviços assinamos.

Tudo isso torna privacidade e segurança componentes fundamentais dessa nova geração de Smart TVs.

Fabricantes já estão tentando associar suas plataformas de IA a camadas adicionais de proteção. A Samsung destaca o Knox dentro da arquitetura Vision AI, enquanto a LG utiliza o LG Shield em seus modelos recentes. Samsung

A confiança poderá se tornar uma vantagem competitiva.

Uma televisão inteligente demais, mas invasiva demais, poderá gerar rejeição.

Quem controlar a IA poderá controlar a descoberta de conteúdo

Aqui está a verdadeira guerra.

Hoje, quando abrimos uma Smart TV, encontramos aplicativos.

Netflix.

YouTube.

Prime Video.

Globoplay.

Spotify.

Mas se uma inteligência artificial passar a escolher o conteúdo por nós, surge uma pergunta extremamente importante:

quem decide o que aparece primeiro?

Se o usuário disser:

“Quero assistir a um filme de ação.”

Qual serviço será recomendado?

Qual filme?

Conteúdo gratuito ou pago?

Uma produção da própria plataforma?

Um anunciante?

Um canal FAST?

Essa decisão tem enorme valor econômico.

É exatamente por isso que a disputa da IA na televisão não envolve apenas tecnologia.

Envolve publicidade, streaming, dados, comércio e distribuição de conteúdo.

Depois da guerra dos sistemas operacionais, começa a guerra dos agentes

Nos smartphones tivemos iOS contra Android.

Nas Smart TVs temos Tizen, webOS, Google TV, Fire TV, Roku e outros ecossistemas.

Mas a próxima camada pode ser ainda mais importante.

A camada da inteligência.

Gemini.

Alexa+.

Bixby.

Copilot.

Perplexity.

Agentes próprios dos fabricantes.

A própria Samsung já oferece diferentes tecnologias generativas em sua estratégia Vision AI, incluindo integrações com Perplexity, além de outros assistentes. Samsung Global Newsroom

Isso significa que o próximo diferencial de uma TV talvez não seja apenas:

“Qual sistema operacional ela utiliza?”

Pode ser:

“Qual inteligência artificial vive dentro dela?”

A televisão pode ser a próxima grande interface da inteligência artificial

Durante anos acreditamos que o futuro seria dominado por telas cada vez menores.

Smartphones.

Relógios.

Óculos.

Mas existe algo curioso acontecendo.

A maior tela da casa está ganhando uma segunda vida.

Ela já conquistou streaming.

Depois conquistou aplicativos.

Agora está recebendo inteligência artificial generativa.

O próximo estágio poderá ser a chegada definitiva dos agentes de IA.

A televisão deixará de esperar que o usuário escolha cada opção.

Ela poderá compreender objetivos.

Pesquisar.

Recomendar.

Explicar.

Comparar.

Controlar dispositivos.

Executar tarefas.

Comprar.

Aprender preferências.

E conversar.

Quando isso acontecer, a Smart TV deixará definitivamente de ser apenas uma televisão conectada.

Ela se tornará uma plataforma de inteligência artificial dentro da casa.

E talvez estejamos observando o início de uma disputa tão importante quanto aquela que transformou o mercado de smartphones.

Apple e Google dominaram a primeira grande era móvel.

Agora Samsung, Google, Amazon, LG, Microsoft e outras empresas estão posicionando suas tecnologias para uma nova batalha.

Desta vez, o campo de disputa não cabe no bolso.

Ele está na parede da sala.

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