
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para ocupar um espaço concreto na rotina das empresas brasileiras.
O que há poucos anos parecia restrito a grandes laboratórios de tecnologia agora aparece em departamentos comerciais, equipes de marketing, atendimento ao cliente, desenvolvimento de software, recursos humanos, áreas financeiras, logística, análise de dados e planejamento estratégico.
Um levantamento da KPMG em parceria com a Universidade de Melbourne ajuda a dimensionar essa transformação. Segundo o estudo global sobre confiança, atitudes e uso de inteligência artificial, 86% dos respondentes brasileiros afirmaram que suas empresas já utilizam IA. Além disso, 71% perceberam aumento de eficiência, melhoria na qualidade do trabalho e maior potencial de inovação associado ao uso da tecnologia. KPMG
Veja o estudo da KPMG sobre inteligência artificial nas empresas brasileiras
O número impressiona, mas revela algo ainda mais importante do que a própria porcentagem.
A inteligência artificial está deixando de ser uma ferramenta experimental para se transformar em infraestrutura de trabalho.
Em muitas empresas, o funcionário já não precisa sequer abrir uma plataforma especificamente chamada inteligência artificial. A tecnologia está sendo incorporada ao sistema de gestão, CRM, editor de textos, plataforma de atendimento, ferramenta de marketing, software financeiro e ambiente de desenvolvimento.
A IA começa a desaparecer como produto isolado justamente porque está sendo incorporada a praticamente todos os produtos digitais.
E essa transformação pode ser muito mais profunda do que a primeira onda da internet empresarial.
O que realmente significa dizer que 86% já usam IA?
É importante interpretar corretamente esse dado.
A pesquisa da KPMG não afirma que 86% de todos os CNPJs registrados no Brasil utilizam inteligência artificial.
Ela mostra que 86% dos brasileiros participantes daquele levantamento disseram que suas empresas já empregavam a tecnologia. KPMG
Outra pesquisa importante apresenta uma perspectiva diferente.
A TIC Empresas 2025, conduzida pelo Cetic.br, identificou utilização de tecnologias de inteligência artificial em 17% das empresas pesquisadas. Entre organizações com 250 pessoas ocupadas ou mais, porém, a proporção alcançou 50%. Nas empresas de médio porte, chegou a 32%, enquanto entre as pequenas ficou em 15%. CETIC
Consulte os resultados da TIC Empresas 2025
Os estudos não se contradizem necessariamente.
Eles pesquisam universos diferentes, empregam metodologias diferentes e fazem perguntas diferentes.
É justamente por isso que uma análise séria sobre inteligência artificial precisa ir além de um número isolado.
O que aparece com muita clareza em praticamente todos esses levantamentos é a tendência.
A adoção está crescendo rapidamente.
Na TIC Empresas, por exemplo, a proporção geral subiu de 13% para 17% entre 2024 e 2025. Entre as grandes organizações, o avanço foi de 38% para 50%. CETIC
Isso significa que, mesmo nas pesquisas que utilizam uma metodologia mais ampla e conservadora, a direção é inequívoca.
A IA está entrando nas empresas.
A inteligência artificial ficou mais fácil de comprar do que de desenvolver
Um dos grandes motores desse avanço é a mudança no modelo de acesso à tecnologia.
Durante muitos anos, falar em inteligência artificial dentro de uma empresa significava discutir projetos complexos.
Era preciso contratar profissionais especializados, organizar bases de dados, criar modelos, desenvolver infraestrutura e investir valores consideráveis antes de obter qualquer resultado.
A IA generativa mudou essa lógica.
Hoje, uma pequena empresa pode acessar modelos sofisticados pagando uma assinatura mensal.
Também pode consumir inteligência artificial através de uma API, incorporar um chatbot ao atendimento, automatizar análise de documentos ou utilizar ferramentas prontas dentro de softwares que já fazem parte de sua rotina.
A própria pesquisa do Cetic.br mostra como esse fenômeno está ocorrendo.
Entre as empresas que utilizam IA, soluções para automatização de processos e fluxos de trabalho aparecem com forte presença, alcançando 68% das organizações usuárias da tecnologia. Geração de linguagem natural aparece em 30%, processamento de imagens em 31% e recursos de machine learning para previsão e análise de dados em 25%. CETIC
A consequência é enorme.
Uma empresa não precisa mais se transformar em uma empresa de inteligência artificial para usufruir de inteligência artificial.
Ela pode simplesmente contratar um software que já possua essa capacidade.
A verdadeira transformação começa quando a IA sai do navegador
Existe uma enorme diferença entre utilizar inteligência artificial e transformar uma empresa com inteligência artificial.
Pedir para um chatbot escrever um email é uso de IA.
Integrar inteligência artificial ao atendimento, ao CRM, ao banco de dados, ao sistema financeiro e aos processos de decisão é transformação empresarial.
O Brasil começa a entrar nessa segunda fase.
A Deloitte divulgou em 2026 um levantamento com mais de 3 mil líderes de negócios e tecnologia em 24 países, incluindo 115 brasileiros. No recorte nacional, 42% dos entrevistados afirmaram utilizar IA buscando mudanças estruturais nos negócios, porcentagem superior aos 34% observados globalmente. Deloitte
Além disso, 82% das organizações brasileiras participantes já permitiam acesso à inteligência artificial para pelo menos 20% dos profissionais.
Isso mostra que IA está deixando de pertencer exclusivamente à equipe de tecnologia.
Ela começa a chegar ao jurídico, RH, marketing, atendimento, operações, vendas e administração.
Conheça o estudo State of AI in the Enterprise da Deloitte
Inteligência artificial já está mudando o trabalho de escritório
Grande parte da transformação atual não está acontecendo em robôs futuristas ou máquinas industriais.
Ela acontece diante da tela.
Um profissional recebe um documento com cinquenta páginas e pede um resumo.
Uma equipe comercial solicita uma análise do histórico de determinado cliente antes de uma reunião.
Um analista financeiro pede ajuda para encontrar padrões em milhares de linhas de dados.
Um programador solicita uma revisão de código.
Um profissional de marketing cria diferentes versões de uma campanha.
Uma equipe de suporte utiliza inteligência artificial para sugerir respostas durante um atendimento.
Individualmente, essas pequenas mudanças parecem modestas.
Quando multiplicadas por centenas de funcionários e milhares de tarefas, tornam se economicamente relevantes.
Esse é um dos motivos pelos quais empresas estão tão interessadas em produtividade.
A discussão deixa de ser apenas sobre substituir trabalho.
Ela passa a envolver a possibilidade de aumentar aquilo que cada profissional consegue produzir dentro do mesmo período de tempo.
Atendimento ao cliente pode ser uma das áreas mais transformadas
Chatbots existem há muitos anos.
Mas os sistemas antigos tinham limitações claras.
Funcionavam através de árvores de decisão rígidas.
Quando o consumidor fazia uma pergunta ligeiramente diferente do roteiro previsto, o sistema frequentemente não sabia responder.
Modelos modernos de linguagem mudaram essa experiência.
Eles conseguem interpretar intenções, compreender frases mais naturais, consultar informações e produzir respostas adaptadas ao contexto.
Isso permite que uma empresa crie uma primeira camada de atendimento capaz de resolver questões simples e encaminhar situações complexas para uma pessoa.
A inteligência artificial também pode atuar nos bastidores.
Durante uma conversa entre cliente e atendente, o sistema pode localizar informações, resumir históricos e sugerir respostas.
Depois do atendimento, pode produzir automaticamente um resumo para o CRM.
A economia de tempo acumulada pode ser significativa.
Marketing descobriu a IA rapidamente
Poucas áreas adotaram inteligência artificial generativa tão rapidamente quanto marketing e comunicação.
Isso acontece porque texto, imagem, áudio e vídeo estão justamente entre os formatos que os novos modelos conseguem produzir.
Empresas passaram a utilizar IA para criar ideias de campanhas, variações de anúncios, descrições de produtos, emails, posts, roteiros e pesquisas.
Mas existe um efeito colateral.
Quanto mais fácil se torna criar conteúdo, maior é a quantidade de conteúdo mediano publicado.
Isso cria uma aparente contradição.
A inteligência artificial facilita a produção, mas aumenta o valor daquilo que é realmente original.
Experiência prática, dados próprios, opinião especializada, estudos de caso e conhecimento de mercado passam a diferenciar um conteúdo humano de milhares de textos semelhantes.
É por isso que a melhor estratégia não é simplesmente pedir para uma IA produzir cinquenta artigos.
É utilizar IA como ferramenta de pesquisa, organização e produção, acrescentando conhecimento real.
Desenvolvimento de software entrou em uma nova fase
A programação é outra área profundamente afetada.
Assistentes de código já conseguem sugerir funções, localizar bugs, explicar trechos, gerar testes, documentar sistemas e acelerar a criação de protótipos.
Isso não significa que a engenharia de software deixou de existir.
Na realidade, quanto mais código puder ser produzido rapidamente, maior tende a ser a necessidade de pessoas capazes de avaliar arquitetura, desempenho, segurança, compatibilidade e qualidade.
Criar código é apenas uma parte do desenvolvimento.
Colocar um aplicativo em produção, integrar serviços, proteger dados, manter compatibilidade com diferentes dispositivos e garantir estabilidade continua exigindo conhecimento técnico.
A inteligência artificial reduz o custo de algumas etapas.
Ela não elimina a complexidade do produto final.
Dados deixam de ser território exclusivo dos analistas
Outra mudança potencialmente enorme acontece na análise de dados.
Durante décadas, empresas acumularam informações em planilhas, bancos de dados, sistemas de gestão e plataformas de business intelligence.
O problema sempre foi transformar esses dados em respostas acessíveis.
A inteligência artificial cria uma nova interface.
Em vez de construir manualmente dezenas de relatórios, um executivo pode perguntar em linguagem natural:
“Quais clientes reduziram suas compras nos últimos três meses?”
“Qual produto teve maior crescimento no Sul?”
“Por que o faturamento caiu em setembro?”
Em sistemas bem estruturados, a IA pode traduzir essas perguntas em consultas aos dados e produzir uma resposta compreensível.
Isso não elimina dashboards.
Mas muda a relação das pessoas com a informação.
A próxima revolução empresarial pode estar nos agentes de IA
Chatbots respondem.
Agentes executam.
Essa diferença pode definir a próxima fase do mercado.
Um agente de inteligência artificial pode receber um objetivo, analisar informações, interagir com diferentes ferramentas e executar uma sequência de ações.
Imagine um gerente dizendo:
“Encontre clientes que não compram há seis meses, identifique os vinte com maior potencial, prepare uma abordagem personalizada e crie tarefas para os vendedores responsáveis.”
Um sistema tradicional poderia exigir diferentes filtros, exportações e operações.
Um agente poderá coordenar essas etapas.
A Deloitte encontrou uma expectativa particularmente elevada em torno dessa tecnologia. 95% das organizações brasileiras participantes de seu estudo disseram planejar adotar IA agêntica em até dois anos. Ao mesmo tempo, apenas 27% afirmaram possuir modelos maduros de governança. Deloitte
Esse contraste é importante.
Quanto maior a autonomia da inteligência artificial, maior precisa ser o controle sobre aquilo que ela pode fazer.
O mercado começa a perguntar onde está o retorno
A primeira fase da IA generativa foi marcada pela experimentação.
Empresas compraram licenças, lançaram projetos e criaram provas de conceito.
Agora começa uma fase mais exigente.
Os diretores financeiros querem saber quanto foi investido.
Executivos querem saber quantas horas foram economizadas.
Acionistas querem entender se a receita cresceu.
Um levantamento da KPMG divulgado em 2026 mostra essa mudança.
No recorte brasileiro do Global AI Pulse Q2 2026, 84% dos executivos disseram que a IA já entrega valor significativo aos seus negócios. Além disso, 87% afirmaram que a tecnologia continuaria como prioridade estratégica de investimento mesmo em um cenário de desaceleração econômica. KPMG
Confira o Global AI Pulse 2026 da KPMG
Mas valor percebido e retorno financeiro comprovado são coisas diferentes.
É relativamente fácil demonstrar que uma inteligência artificial consegue executar determinada tarefa.
Mais difícil é provar que ela executa essa tarefa de forma confiável, segura e economicamente vantajosa todos os dias.
O problema agora é escalar
Uma demonstração impressionante pode ser construída em poucos dias.
Um sistema corporativo precisa funcionar todos os dias.
Precisa lidar com permissões.
Precisa suportar milhares de usuários.
Precisa controlar custos.
Precisa proteger dados.
Precisa registrar decisões.
Precisa continuar funcionando quando outro serviço apresenta problemas.
Esse é o ponto em que muitos projetos encontram dificuldades.
Segundo a Deloitte, somente 23% das organizações brasileiras pesquisadas conseguiram colocar em escala pelo menos 40% de seus experimentos de IA. Em 58% delas, no máximo 20% dos pilotos haviam alcançado implementação efetiva. Deloitte
Isso explica por que existe tanta diferença entre anunciar projetos de IA e realmente transformar uma organização.
A competição passa a acontecer na capacidade de implementação.
Existe outro problema crescendo silenciosamente: Shadow AI
Nem toda inteligência artificial utilizada dentro de uma empresa foi autorizada pela empresa.
Um funcionário pode utilizar uma ferramenta pública para revisar um contrato.
Outro pode inserir dados de clientes para preparar um relatório.
Um programador pode enviar código proprietário para um assistente.
Um profissional de RH pode utilizar documentos internos para produzir uma análise.
Tudo isso pode acontecer sem que o departamento de tecnologia saiba.
Esse fenômeno é frequentemente chamado de Shadow AI.
Ele representa uma repetição do que aconteceu anteriormente com serviços de nuvem e aplicativos externos.
A diferença é que informações extremamente sensíveis podem ser inseridas em sistemas de terceiros em segundos.
Por isso, política de utilização de IA está deixando de ser uma questão opcional.
Governança precisa avançar tão rápido quanto a tecnologia
A empresa que quer utilizar inteligência artificial precisa responder perguntas que vão além da tecnologia.
Quem pode usar determinada ferramenta?
Quais dados podem ser enviados?
O sistema pode tomar decisões sozinho?
Quem responde quando ocorre um erro?
Existe registro das ações realizadas?
Um humano precisa aprovar determinadas decisões?
Como os custos são controlados?
Qual fornecedor processa os dados?
Onde essas informações ficam armazenadas?
Essas perguntas parecem burocráticas até o momento em que algo dá errado.
A rápida adoção da IA agêntica torna esse debate ainda mais importante.
Um chatbot que responde incorretamente pode produzir uma informação ruim.
Um agente com acesso a sistemas pode executar uma ação ruim.
A diferença de risco é enorme.
LGPD também faz parte dessa discussão
No Brasil, utilizar inteligência artificial não elimina as obrigações relacionadas à proteção de dados.
Quando um sistema processa dados pessoais, entram em cena questões relacionadas à finalidade, necessidade, segurança e direitos dos titulares.
Isso significa que uma empresa não deveria simplesmente conectar qualquer banco de dados a qualquer plataforma de IA.
É necessário entender quais informações serão processadas e com qual objetivo.
Em setores regulados, a atenção precisa ser ainda maior.
Saúde, finanças, seguros e serviços públicos lidam com decisões e dados que podem produzir consequências importantes na vida das pessoas.
Quanto maior o impacto, maior deve ser a supervisão.
A discussão sobre empregos é mais complexa do que parece
Sempre que surge uma tecnologia capaz de automatizar tarefas, aparece uma pergunta inevitável:
A inteligência artificial vai substituir trabalhadores?
Algumas funções certamente serão modificadas.
Algumas tarefas serão automatizadas.
Novas ocupações surgirão.
Outras perderão importância.
Mas reduzir toda a transformação a uma simples disputa entre humanos e máquinas ignora uma possibilidade importante.
A IA também pode aumentar a capacidade produtiva de profissionais.
Um desenvolvedor pode escrever e revisar código mais rapidamente.
Um advogado pode localizar informações em documentos extensos.
Um profissional de marketing pode testar mais variações de uma campanha.
Um vendedor pode chegar a uma reunião conhecendo melhor o cliente.
Um analista pode investigar dados em menos tempo.
A transformação pode ocorrer primeiro dentro das profissões, antes de ocorrer entre profissões.
Conhecimento pode ficar ainda mais valioso
Existe um paradoxo interessante.
Quanto mais poderosa a IA se torna, mais fácil fica para qualquer pessoa produzir uma resposta aparentemente convincente.
Mas quem consegue avaliar se aquela resposta está correta?
É aí que entra o conhecimento.
Um especialista percebe nuances que um iniciante não identifica.
Um programador experiente reconhece uma vulnerabilidade.
Um profissional financeiro detecta um cálculo improvável.
Um advogado percebe uma interpretação jurídica inadequada.
Um médico questiona uma recomendação incoerente.
A IA pode democratizar a produção.
Isso não significa que democratiza automaticamente o julgamento.
Por isso, conhecimento técnico e pensamento crítico podem ganhar importância.
Por que o Brasil pode avançar rapidamente
O mercado brasileiro possui algumas características favoráveis à adoção.
Consumidores brasileiros demonstraram historicamente grande adesão a plataformas digitais, mensagens instantâneas, bancos online, comércio eletrônico e aplicativos.
Agora, inteligência artificial começa a seguir caminho semelhante.
O levantamento da Deloitte mostra que o Brasil aparece com índices relevantes em uso estratégico de IA. Entre os participantes brasileiros, 59% citaram melhoria na tomada de decisões e geração de insights como uma das áreas mais impactadas, enquanto 44% apontaram avanços no relacionamento com clientes. Deloitte
Existe também um incentivo econômico evidente.
Se uma tecnologia permite que equipes menores realizem mais trabalho, ela se torna particularmente atraente em mercados competitivos.
Grandes empresas avançam primeiro, mas pequenas podem acelerar
Grandes organizações normalmente têm vantagem na adoção inicial.
Possuem equipes de tecnologia.
Possuem orçamento.
Possuem departamentos de dados.
Conseguem contratar consultorias.
Mesmo assim, a IA generativa criou uma situação diferente das ondas tecnológicas anteriores.
Pequenas empresas podem acessar praticamente os mesmos modelos fundamentais utilizados por grandes corporações.
O que muda é a forma de integração e governança.
A TIC Empresas mostra que a utilização de IA entre pequenas organizações pesquisadas passou de 10% para 15% entre 2024 e 2025. CETIC
É um crescimento de cinco pontos percentuais em apenas um ciclo.
Isso sugere que a tecnologia está começando a ultrapassar a fronteira das grandes corporações.
IA começa a se tornar infraestrutura de competitividade
Uma pesquisa da IDC encomendada pela Microsoft e divulgada em 2026 entrevistou 73 executivos de empresas brasileiras com mais de mil funcionários.
Segundo o estudo, 88% consideravam que a inteligência artificial seria o principal motor de competitividade até 2030, enquanto 51% pretendiam ampliar a escala da tecnologia nos dois anos seguintes. Source
Veja a pesquisa da IDC divulgada pela Microsoft Brasil
É importante observar novamente a população pesquisada.
São grandes empresas.
Mas o dado ajuda a entender como executivos que já convivem com projetos de IA estão enxergando os próximos anos.
Para eles, a tecnologia deixa de ser apenas inovação.
Passa a fazer parte da estratégia competitiva.
A inteligência artificial também chegará às Smart TVs
Grande parte da discussão sobre IA acontece em torno do computador e do smartphone.
Isso provavelmente é temporário.
Televisores, automóveis, eletrodomésticos, sistemas de áudio e dispositivos conectados também estão se tornando plataformas de software.
A Smart TV é um exemplo particularmente interessante.
Ela reúne tela grande, conectividade, aplicativos, streaming, publicidade e relacionamento com o consumidor.
A combinação com inteligência artificial pode abrir novas experiências.
Busca por linguagem natural, recomendação contextual, atendimento por voz, publicidade personalizada, comércio eletrônico e assistentes integrados podem transformar o papel da televisão.
Em vez de navegar por dezenas de menus, o consumidor poderá simplesmente dizer o que quer assistir, comprar ou pesquisar.
Para empresas, isso transforma a TV em algo maior do que um dispositivo de entretenimento.
Ela pode se tornar um novo ponto de contato digital.
IA também vai mudar a forma como consumidores descobrem empresas
Durante muitos anos, o caminho digital era relativamente previsível.
O consumidor digitava uma pergunta no Google.
Recebia dez links.
Visitava alguns sites.
Comparava as opções.
A inteligência artificial muda essa jornada.
Um usuário pode perguntar diretamente:
“Qual é a melhor solução para desenvolver um aplicativo para Samsung, LG e Roku?”
Um sistema de IA pode pesquisar informações, comparar empresas e apresentar poucas alternativas.
Isso significa que marcas precisam começar a pensar não apenas em como aparecem em páginas de resultados tradicionais, mas em como são compreendidas por sistemas de inteligência artificial.
Nesse novo cenário, reputação, conteúdo original, dados estruturados, autoridade temática e identidade clara da empresa tornam se ainda mais importantes.
SEO não desaparece, mas muda de função
A ascensão de respostas geradas por IA provocou diversas previsões sobre o fim do SEO.
Esse cenário é improvável.
Sistemas de inteligência artificial também precisam de informação.
Precisam identificar entidades, empresas, especialistas, produtos, serviços e fontes confiáveis.
Um site bem estruturado continua sendo uma fonte extremamente valiosa.
O que tende a perder espaço é o conteúdo produzido apenas para preencher palavras chave.
Se milhares de empresas conseguem gerar artigos praticamente idênticos em segundos, quantidade deixa de ser diferencial.
Experiência, autoria e originalidade passam a valer mais.
A boa estratégia de SEO da era da IA precisa responder a duas perguntas.
O conteúdo é útil para uma pessoa?
E ele deixa claro para mecanismos de busca e sistemas de IA quem produziu aquela informação e por que essa fonte merece confiança?
Adotar inteligência artificial não significa colocar IA em tudo
Existe um risco comum em períodos de entusiasmo tecnológico.
Toda empresa quer participar.
Todo departamento quer um projeto.
Todo sistema precisa ganhar um botão de IA.
Isso pode produzir desperdício.
Nem todo problema exige inteligência artificial.
Em muitas situações, uma automação tradicional baseada em regras é mais barata, mais previsível e mais fácil de controlar.
A pergunta correta não é:
“Como podemos usar IA aqui?”
A pergunta correta é:
“Qual problema queremos resolver e qual tecnologia oferece a melhor solução?”
Essa mudança de perspectiva pode evitar investimentos caros sem retorno.
A nova palavra de ordem será mensuração
As empresas mais maduras começarão a medir seus projetos de inteligência artificial da mesma forma que medem qualquer outro investimento.
Tempo economizado.
Custo reduzido.
Qualidade aumentada.
Receita gerada.
Conversões.
Satisfação do cliente.
Erros evitados.
Velocidade de atendimento.
Esses indicadores ajudam a separar inovação real de demonstrações impressionantes.
A própria KPMG identifica uma mudança de foco no Brasil, com organizações avançando para governança, gestão de custos e geração de valor mensurável. KPMG
Essa provavelmente será uma das principais diferenças entre 2024 e os próximos anos da inteligência artificial empresarial.
Primeiro, as empresas perguntavam se a tecnologia funcionava.
Agora começam a perguntar se vale a pena.
O que diferencia empresas que conseguem avançar
Tecnologia sozinha dificilmente cria transformação.
Empresas que conseguem obter maior valor tendem a combinar alguns elementos.
Dados organizados, integração entre sistemas, apoio da liderança, profissionais treinados, governança, objetivos claros e acompanhamento financeiro.
Não adianta possuir o melhor modelo de IA do mundo se os dados da empresa estão fragmentados e desatualizados.
Também não adianta disponibilizar ferramentas sofisticadas se ninguém sabe quando usá las.
É por isso que a revolução da inteligência artificial pode acabar sendo, em grande parte, uma revolução organizacional.
O que deve acontecer nos próximos anos
A inteligência artificial provavelmente ficará menos visível.
Isso pode parecer estranho, mas faz sentido.
Hoje falamos o tempo todo sobre IA porque ela aparece como uma categoria separada.
No futuro, perguntar se determinado software possui inteligência artificial poderá parecer tão estranho quanto perguntar se um aplicativo usa internet.
Ela estará simplesmente integrada.
Sistemas empresariais terão agentes.
Ferramentas financeiras terão análise inteligente.
CRMs terão assistentes.
Plataformas de desenvolvimento gerarão partes do código.
Smart TVs terão interfaces conversacionais.
Veículos utilizarão modelos multimodais.
Sistemas industriais combinarão software e IA física.
O destaque deixará de ser a existência da tecnologia.
Passará a ser aquilo que ela consegue fazer.
A grande corrida empresarial da IA apenas começou
Os dados disponíveis mostram um mercado em rápida transformação.
A KPMG encontrou 86% dos brasileiros entrevistados afirmando que suas empresas já utilizam inteligência artificial. A TIC Empresas 2025 encontrou adoção em 17% do universo pesquisado e 50% entre as grandes empresas. A Deloitte mostra organizações avançando da experimentação para transformação e escala. A pesquisa da IDC encomendada pela Microsoft registra forte expectativa sobre o papel competitivo da tecnologia nos próximos anos. KPMG
Olhar apenas para a diferença entre essas porcentagens seria perder o principal ponto.
Todos esses estudos revelam partes diferentes do mesmo fenômeno.
A inteligência artificial está deixando de ser uma tecnologia reservada a especialistas e começando a fazer parte da operação cotidiana das empresas.
Primeiro vieram as experiências.
Depois vieram os copilotos.
Agora chegam as integrações.
Na sequência, agentes terão acesso a sistemas e executarão tarefas.
Quanto mais a tecnologia evolui, mais importante se torna a diferença entre simplesmente possuir inteligência artificial e saber utilizá la.
Ferramentas estarão disponíveis para praticamente todos.
Modelos poderosos poderão ser contratados por empresas grandes e pequenas.
O diferencial competitivo, portanto, dificilmente estará apenas no acesso à tecnologia.
Estará na capacidade de aplicá la a problemas reais.
Estará na qualidade dos dados.
Na velocidade de implementação.
Na segurança.
Na experiência dos profissionais.
Na integração entre sistemas.
Na capacidade de medir retorno.
E, principalmente, na combinação entre inteligência humana e inteligência artificial.
A pergunta que dominou os últimos anos foi:
“A inteligência artificial vai transformar as empresas?”
Os números mostram que essa pergunta começa a ficar ultrapassada.
A transformação já começou.
A questão que deverá dominar os próximos anos será outra:
“Quais empresas conseguirão transformar inteligência artificial em vantagem competitiva real?”
Essa resposta ainda está sendo escrita.
E é exatamente por isso que a corrida da IA no Brasil está apenas começando.
Perguntas frequentes sobre IA nas empresas brasileiras
Mais de 85% das empresas brasileiras realmente usam inteligência artificial?
A afirmação precisa ser contextualizada. A KPMG informou que 86% dos respondentes brasileiros de sua pesquisa disseram que suas empresas já utilizavam IA. Já a TIC Empresas 2025, do Cetic.br, encontrou utilização em 17% do universo pesquisado e em 50% das grandes empresas. As metodologias e populações analisadas são diferentes. KPMG
Para que as empresas brasileiras estão utilizando IA?
As aplicações incluem automatização de processos, análise de linguagem, geração de textos, processamento de imagens, análise de dados, atendimento, programação, marketing, vendas e suporte à tomada de decisões. Entre as empresas usuárias de IA pesquisadas pelo Cetic.br, automatização de fluxos de trabalho aparece em 68%. CETIC
Pequenas empresas conseguem utilizar inteligência artificial?
Sim. A disseminação de ferramentas prontas e serviços em nuvem reduziu bastante a barreira de entrada. Na TIC Empresas, a utilização entre pequenas empresas pesquisadas passou de 10% em 2024 para 15% em 2025. CETIC
O que são agentes de inteligência artificial?
São sistemas capazes de ir além de responder perguntas. Eles podem receber objetivos, consultar informações, utilizar ferramentas e executar sequências de ações de acordo com permissões e regras estabelecidas.
Qual é o maior desafio da IA nas empresas atualmente?
Um dos maiores desafios é transformar experimentos em sistemas operacionais confiáveis e mensuráveis. Governança, qualidade dos dados, integração, segurança e retorno financeiro estão entre as questões centrais. No levantamento da Deloitte, somente 23% das organizações brasileiras pesquisadas tinham conseguido escalar pelo menos 40% de seus projetos experimentais de IA. Deloitte
A IA vai substituir profissionais?
Algumas tarefas serão automatizadas e determinadas funções serão modificadas, mas o impacto varia muito conforme atividade e setor. Em várias profissões, a IA atua inicialmente como ferramenta de produtividade, permitindo que profissionais pesquisem, produzam, analisem e executem determinadas tarefas com maior velocidade.
A inteligência artificial é apenas uma tendência passageira?
Os investimentos, níveis de utilização e integração da tecnologia aos softwares corporativos indicam um movimento estrutural. A KPMG encontrou 87% dos executivos brasileiros de seu estudo afirmando que IA continuaria sendo uma prioridade estratégica de investimento mesmo diante de desaceleração econômica.