
A inteligência artificial deixou de aparecer apenas em computadores, aplicativos e chatbots. Em 2026, ela está cada vez mais integrada aos aparelhos que usamos diariamente. Smartphones conseguem interpretar imagens, traduzir conversas, resumir textos, editar fotografias e compreender o conteúdo exibido na tela. Smart TVs já utilizam IA para melhorar imagem e som, recomendar programas, responder perguntas e até permitir conversas em linguagem natural.
Samsung, Google, Apple e outros grandes fabricantes passaram a apresentar a inteligência artificial como um dos principais motivos para trocar de aparelho.
Mas surge uma dúvida legítima: vale realmente a pena pagar mais por um smartphone ou uma Smart TV com inteligência artificial?
A resposta não é simplesmente sim ou não.
Em determinadas situações, a IA já oferece benefícios extremamente úteis. Em outras, a expressão “com inteligência artificial” funciona mais como argumento de marketing para recursos que poderiam existir em aparelhos convencionais.
Além disso, existe uma diferença importante entre comprar um produto que possui um bom hardware e também oferece IA e comprar um aparelho simplesmente porque a embalagem destaca duas letras: AI.
Neste artigo, vamos separar marketing de utilidade e entender quando a inteligência artificial realmente deve influenciar a escolha de um smartphone ou uma televisão.
O que significa um aparelho “com inteligência artificial”?
Essa é a primeira questão que o consumidor precisa compreender.
Praticamente todos os smartphones modernos utilizam alguma forma de inteligência artificial há anos. Ela já estava presente no processamento das fotografias, reconhecimento facial, correção automática, redução de ruído, gerenciamento da bateria e identificação de voz.
O que mudou recentemente foi a chegada da IA generativa e dos modelos multimodais diretamente à experiência do usuário.
Agora, em vez de a IA trabalhar silenciosamente nos bastidores, podemos conversar com ela.
O aparelho pode compreender texto, voz, fotografias, câmera, arquivos e até aquilo que está aparecendo na tela.
No Android, por exemplo, o Gemini permite conversar sobre o conteúdo da tela, utilizar a câmera durante uma conversa e receber respostas em tempo real. O Google também permite definir o Gemini como assistente principal em aparelhos Android compatíveis.
Conheça o Gemini no Android
Nas televisões, a evolução acontece em duas frentes. A primeira é a utilização de IA para processamento audiovisual. A segunda é a entrada dos assistentes generativos na própria interface da TV.
É importante separar essas duas coisas.
A IA no smartphone já é realmente útil?
Em muitos casos, sim.
A principal vantagem do smartphone é que ele está conosco durante praticamente todo o dia. Isso permite que a inteligência artificial seja incorporada às tarefas cotidianas.
Imagine fotografar uma placa em outro idioma e pedir uma tradução. Ou mostrar pela câmera um equipamento que apresentou defeito e perguntar o que está vendo. Ou selecionar um longo e‑mail e pedir um resumo.
Essas aplicações deixaram de ser demonstrações experimentais.
O Gemini Live, por exemplo, permite compartilhar a câmera ou a tela enquanto o usuário conversa com o assistente. Isso permite mostrar um objeto, ambiente ou problema e continuar a conversa de maneira contextual.
A Samsung também ampliou o Galaxy AI para diferentes aparelhos e atualmente oferece recursos relacionados a comunicação, escrita, produtividade, edição de imagens, contextualização da tela e resumos. A própria fabricante ressalta que a disponibilidade varia conforme modelo, país e recurso.
Conheça os recursos do Galaxy AI
Portanto, já existem situações nas quais a IA deixa de ser curiosidade e economiza tempo.
IA para escrever, resumir e organizar informações
Essa provavelmente é uma das utilizações mais úteis.
Um smartphone compatível pode ajudar a revisar uma mensagem, modificar seu tom, resumir informações ou gerar uma resposta.
A Samsung, por exemplo, oferece ferramentas para corrigir ortografia, reorganizar, resumir e reformular determinados textos.
A Apple também oferece Ferramentas de Escrita, respostas inteligentes, resumos de mensagens, resumos de notificações e integração da Apple Intelligence com diferentes partes do sistema.
Isso pode parecer pequeno até considerarmos quantas vezes escrevemos no smartphone diariamente.
Para profissionais que respondem clientes, elaboram propostas, publicam em redes sociais ou trabalham remotamente, alguns minutos economizados em cada tarefa podem representar horas ao final do mês.
Tradução em tempo real
Essa é uma aplicação particularmente interessante.
A Apple Intelligence atualmente oferece Tradução ao Vivo em diferentes experiências, incluindo Mensagens e, em idiomas compatíveis, Telefone e FaceTime. O português do Brasil aparece entre os idiomas suportados em diferentes funções.
A Samsung também disponibiliza recursos de tradução e interpretação em aparelhos Galaxy compatíveis.
Para quem viaja, conversa com clientes estrangeiros ou trabalha internacionalmente, isso pode transformar o smartphone em uma ferramenta de comunicação muito mais poderosa.
Para alguém que nunca precisa conversar em outro idioma, obviamente o valor é menor.
Essa é uma regra importante deste artigo: o valor da inteligência artificial depende do seu comportamento, não da quantidade de recursos anunciados pelo fabricante.
A fotografia é uma das áreas em que a IA mais faz diferença
Aqui existe um detalhe interessante.
Mesmo pessoas que dizem “não utilizar inteligência artificial” provavelmente já utilizam IA toda vez que tiram uma fotografia com um smartphone moderno.
Quando você pressiona o botão da câmera, o aparelho pode combinar várias exposições, identificar rostos, reduzir ruído, recuperar detalhes nas sombras, equilibrar tons de pele e ajustar cores.
Nos aparelhos mais recentes, a IA também entrou na edição.
É possível remover objetos, reorganizar elementos, melhorar enquadramentos e realizar outras alterações sem conhecimento profissional de edição.
A Apple possui, por exemplo, uma ferramenta de limpeza de fotografias integrada à Apple Intelligence, além de pesquisa em linguagem natural no aplicativo Fotos.
A Samsung oferece ferramentas de edição e criação dentro do Galaxy AI.
Isso significa que, para alguém que produz muito conteúdo para Instagram, TikTok ou trabalho, a IA do smartphone pode ter valor real.
👁️ O smartphone começa a compreender aquilo que você vê
Uma mudança ainda mais profunda está acontecendo com a chamada inteligência visual.
Em vez de abrir um aplicativo específico, copiar informações e depois fazer uma pergunta, o usuário simplesmente mostra aquilo que está vendo.
O Android permite perguntar ao Gemini sobre o conteúdo exibido na tela. O Gemini Live também pode acompanhar a câmera.
A Apple oferece recursos de inteligência visual que permitem interagir com textos, identificar lugares, transformar informações de cartazes em eventos e pesquisar aquilo que está sendo observado.
Esse tipo de recurso pode mudar a relação com o smartphone.
Imagine apontar para uma planta e perguntar:
“Por que estas folhas estão ficando amarelas?”
Ou mostrar a parte traseira de um roteador:
“Em qual dessas entradas devo conectar este cabo?”
Ou compartilhar a tela de um aplicativo:
“Onde altero essa configuração?”
A câmera deixa de servir apenas para fotografar. Ela passa a funcionar como os olhos do assistente digital.
⚙️ IA local versus IA na nuvem
Esse é um dos aspectos mais importantes na hora de escolher um aparelho.
Nem toda inteligência artificial é processada dentro do smartphone.
Alguns recursos utilizam servidores externos. O celular envia informações, o processamento acontece em um data center e a resposta retorna pela internet.
Outros recursos são executados diretamente no aparelho.
É o que chamamos de IA on-device, ou IA no dispositivo.
Para isso, smartphones modernos possuem componentes especializados, frequentemente chamados de NPU — Neural Processing Unit — ou aceleradores de inteligência artificial.
O processamento local pode oferecer vantagens importantes, como menor latência, funcionamento sem conexão em determinados recursos e maior controle sobre informações sensíveis.
Porém, modelos muito grandes continuam precisando de processamento em nuvem.
Na prática, a tendência é a utilização de uma arquitetura híbrida.
Parte do trabalho acontece no aparelho.
Parte acontece no servidor.
🔐 E a privacidade?
Quanto mais inteligente o aparelho se torna, mais importante fica essa questão.
Um assistente que compreende mensagens, fotografias, agenda, localização e câmera pode ser extremamente útil, mas também trabalha com informações pessoais.
Por isso, antes de comprar, não basta perguntar:
“Qual celular tem a melhor IA?”
Também deveríamos perguntar:
“Quais informações são processadas no próprio aparelho?”
“O que é enviado para servidores?”
“Posso desligar determinados recursos?”
“Por quanto tempo os dados ficam armazenados?”
A Samsung afirma combinar processamento no dispositivo e recursos de nuvem com controles de privacidade por meio do Galaxy AI e Samsung Knox.
A Apple posiciona a privacidade como um dos pilares da Apple Intelligence e também utiliza processamento local combinado com infraestrutura externa em determinadas tarefas.
Nenhuma dessas características elimina a necessidade de o usuário compreender as configurações.
Quanto mais IA utilizamos, mais importante se torna saber a quais dados estamos dando acesso.
E o iPhone com Apple Intelligence?
A Apple Intelligence está integrada a diferentes áreas do iOS 26 em aparelhos compatíveis.
Entre os recursos disponíveis estão Ferramentas de Escrita, Genmoji, Image Playground, respostas inteligentes, resumos, inteligência visual e integração com o ChatGPT em determinadas experiências.
Veja os recursos atuais da Apple Intelligence
O português do Brasil já está presente entre os idiomas compatíveis com diferentes funções.
Entretanto, isso também mostra por que não devemos comprar um smartphone apenas baseado em promessas futuras.
Determinados recursos chegam gradualmente, dependem de atualização e podem variar conforme idioma, região e modelo.
Ao comparar aparelhos, considere principalmente aquilo que já funciona hoje no Brasil.
Promessas futuras devem ser um bônus, não a razão principal da compra.
E a Smart TV com inteligência artificial?
Na televisão, a situação é diferente.
Você provavelmente não utilizará uma Smart TV para escrever um e‑mail ou resumir um contrato.
O grande benefício atual da IA está principalmente no processamento de imagem e som.
Esse é um uso menos chamativo do que conversar com um chatbot, mas pode ser muito mais importante.
🎞️ AI Upscaling: quando a inteligência artificial melhora conteúdos antigos
Imagine comprar uma televisão 4K ou 8K e assistir a um vídeo antigo em resolução inferior.
A televisão precisa aumentar aquela imagem para preencher milhões de pixels.
Um sistema simples pode simplesmente ampliar os pixels.
Um processador com técnicas de IA tenta reconhecer objetos, contornos, texturas e padrões para reconstruir detalhes de maneira mais convincente.
Isso é chamado de upscaling por inteligência artificial.
A Samsung utiliza seus processadores de IA para aprimorar imagem e som e apresenta AI Upscaling como parte central do Samsung Vision AI.
Esse recurso pode fazer bastante diferença quando assistimos:
TV aberta, vídeos antigos do YouTube, canais FAST, DVDs convertidos, transmissões em resolução inferior e determinados serviços de streaming.
É importante, porém, não confundir melhoria com milagre.
Uma televisão não consegue transformar uma gravação extremamente ruim em um verdadeiro vídeo 4K original. A IA pode reconstruir detalhes e reduzir defeitos, mas não pode recuperar perfeitamente informações que nunca foram registradas.
🔊 A inteligência artificial também melhora o som
Outra aplicação interessante é a análise do áudio.
A televisão pode tentar distinguir voz, música, efeitos sonoros e ruído ambiente.
Isso permite destacar diálogos.
Quem nunca aumentou o volume para entender uma conversa em um filme e, segundos depois, tomou um susto quando começou uma explosão?
Sistemas de áudio baseados em IA tentam reduzir esse problema analisando o conteúdo e ajustando determinadas características dinamicamente.
Também podem considerar o ambiente.
Uma sala grande, com piso frio e muito eco, possui características acústicas diferentes de um quarto pequeno.
Televisores avançados conseguem utilizar processamento para adaptar a reprodução.
Para grande parte do público, melhorar diálogo e imagem será provavelmente mais útil do que gerar imagens com IA na televisão.
A Smart TV também está virando um assistente de IA
É aqui que as coisas começam a ficar mais interessantes.
A Samsung oferece o Vision AI Companion, capaz de compreender perguntas relacionadas ao contexto do que está sendo assistido e utilizar assistentes como Copilot e Perplexity em televisores compatíveis.
O Google está levando o Gemini para o Google TV.
O usuário pode pedir recomendações utilizando linguagem natural, fazer perguntas sobre temas gerais e controlar determinadas funções conectadas da casa.
Por exemplo:
“Quero assistir a uma comédia parecida com aquele filme de ontem, mas que seja apropriada para crianças.”
Isso é muito diferente de pesquisar digitando lentamente o nome de um filme com o controle remoto.
O Google também apresentou recursos que permitem pedir ajustes de imagem e som utilizando linguagem natural, como dizer que a tela está escura ou que o diálogo está difícil de ouvir.
Essa pode ser uma das melhores aplicações da IA na televisão: eliminar menus complicados.
⚠️ Mas existe uma grande ressalva no Brasil
Aqui encontramos um dos principais motivos para não comprar uma Smart TV exclusivamente por causa de um recurso anunciado de inteligência artificial.
A disponibilidade pode variar muito entre países.
Em agosto de 2026, o próprio Google informa que os recursos completos do Gemini para TV ainda estão restritos a determinados dispositivos, idiomas e regiões. A empresa prevê expansão para mais aparelhos Google TV com Android 14 ou superior e pelo menos 2 GB de RAM até o fim de 2026.
Portanto, ver “Gemini” em uma apresentação internacional não significa necessariamente que você terá imediatamente a mesma experiência em português no Brasil.
A recomendação é simples:
confirme no site brasileiro do fabricante quais recursos funcionam no modelo exato que você pretende comprar.
Não compre baseado apenas em vídeos de lançamento feitos nos Estados Unidos.
IA generativa na televisão: útil ou enfeite?
Algumas Smart TVs permitem criar imagens para utilizar como papel de parede ou transformar fotografias.
A Samsung possui geração de papéis de parede baseada em IA em aparelhos compatíveis.
O Google também começou a experimentar recursos que utilizam modelos como Nano Banana e Veo diretamente no Google TV em aparelhos e mercados específicos.
É interessante.
Mas eu não escolheria uma televisão principalmente por isso.
Depois da novidade inicial, quantas pessoas realmente passarão horas criando imagens na televisão?
Na compra de uma Smart TV, eu daria prioridade a:
qualidade do painel, brilho, contraste, HDR, processamento de imagem, som, sistema operacional, aplicativos disponíveis, conexões, atualizações e durabilidade.
A IA deve melhorar esses elementos, não substituir uma televisão tecnicamente boa.
Uma TV excelente sem “IA generativa” ainda pode ser melhor compra
Este é talvez o ponto mais importante.
Considere duas televisões.
A primeira possui painel OLED excelente, ótimo HDR, excelente contraste e bom processamento, mas poucos recursos generativos.
A segunda possui uma lista enorme de funções “AI”, mas painel inferior e qualidade de imagem mediana.
Eu escolheria a primeira.
Porque você comprará uma televisão principalmente para assistir.
Da mesma forma, eu não escolheria um smartphone ruim apenas porque ele oferece um chatbot integrado.
A ordem correta é:
primeiro um bom aparelho; depois uma boa IA.
💵 Vale pagar mais?
Depende da diferença de preço.
Se dois smartphones possuem câmeras, bateria, desempenho e suporte semelhantes e o modelo mais caro cobra uma diferença muito grande somente pelos recursos de IA, é importante verificar se você realmente os utilizará.
Muitos serviços de IA também podem ser acessados por aplicativos.
Um smartphone intermediário consegue rodar ChatGPT, Gemini, Copilot e diversos outros serviços na nuvem.
O hardware premium passa a fazer maior diferença quando você deseja processamento local avançado, câmeras superiores, recursos exclusivos integrados ao sistema e maior longevidade.
Nas Smart TVs ocorre algo semelhante.
Comprar uma televisão superior porque ela possui um processador melhor que também usa IA para aprimorar imagem pode fazer sentido.
Pagar muito mais simplesmente para ter uma função experimental de geração de imagens talvez não faça.
⏳ Pense no tempo de vida do aparelho
Uma televisão pode permanecer na casa durante sete, oito ou dez anos.
Um smartphone frequentemente fica conosco por três, quatro, cinco ou mais anos.
Isso torna o suporte de software extremamente importante.
Uma função de IA pode ser excelente em 2026, mas o que acontecerá em 2029?
O aparelho receberá novos modelos?
O fabricante continuará oferecendo os serviços?
Determinado recurso continuará gratuito?
A Samsung anuncia sete anos de atualizações do sistema operacional em TVs compatíveis com sua atual estratégia Vision AI/One UI Tizen.
Isso é relevante porque uma Smart TV deixou de ser apenas uma tela. Ela agora possui sistema operacional, aplicativos, conta, recursos online e atualizações de segurança.
Ao comparar duas televisões semelhantes, o tempo de suporte pode ser mais importante do que uma função de IA específica.
💳 Alguns recursos de IA podem se tornar pagos
Essa possibilidade precisa entrar na decisão de compra.
A indústria está descobrindo como monetizar inteligência artificial.
Determinadas funções podem permanecer gratuitas. Outras podem exigir uma assinatura no futuro. Algumas podem depender de serviços externos que possuem seus próprios planos.
Por isso, evite uma lógica como:
“Vou pagar R$ 2.000 a mais porque terei todos esses recursos de IA durante dez anos.”
Não existe garantia de que todos funcionarão exatamente da mesma maneira durante toda a vida do aparelho.
Leia as condições do fabricante.
🌐 A internet continua sendo importante
Outro mito é imaginar que um aparelho “AI” executará absolutamente tudo sem internet.
Não necessariamente.
Algumas operações acontecem localmente. Outras precisam acessar grandes modelos hospedados em data centers.
Quanto mais sofisticada for a tarefa, maior a possibilidade de ela depender da nuvem.
Isso significa que alguns recursos podem funcionar mais lentamente em conexões ruins ou simplesmente não funcionar sem internet.
Em Smart TVs isso é ainda mais evidente, porque grande parte da experiência depende de streaming e serviços online.
🧓 IA também pode melhorar acessibilidade
Esse é um aspecto pouco discutido.
Assistentes mais naturais podem tornar smartphones e televisores mais fáceis para idosos e pessoas com limitações motoras ou visuais.
Dizer:
“Abra o YouTube e procure o culto de domingo”
é muito mais simples para algumas pessoas do que navegar por vários menus.
Na televisão, poder dizer:
“Eu não estou entendendo as falas, melhore as vozes”
pode ser mais intuitivo do que abrir configurações de áudio.
A inteligência artificial pode, portanto, reduzir a necessidade de entender interfaces complexas.
Essa talvez seja uma transformação mais importante do que a geração de textos ou imagens.
🏠 Smartphone e Smart TV começam a trabalhar juntos
Existe ainda uma tendência maior: o ecossistema.
O smartphone pode funcionar como controle remoto, identificador, câmera, dispositivo de autenticação e ponto de interação da televisão.
A Smart TV, por sua vez, torna-se uma tela para conteúdos e informações gerados ou encontrados pelo celular.
Com inteligência artificial, essa integração pode ficar mais contextual.
Você encontra algo no smartphone e continua na televisão.
A televisão mostra um QR Code e você conclui uma ação no celular.
O smartphone controla dispositivos inteligentes enquanto a TV exibe informações da casa.
O valor aumenta quando os aparelhos deixam de funcionar isoladamente.
🛍️ Então, quem deveria comprar agora?
Uma maneira prática de decidir é pensar no perfil de utilização:
- Criadores de conteúdo: smartphones com IA podem valer bastante a pena por edição, fotografia, transcrição, geração de textos e ferramentas multimodais.
- Profissionais e empresários: resumo, tradução, escrita, transcrição e assistentes contextuais podem proporcionar ganhos reais de produtividade.
- Usuários comuns: vale comprar quando a IA acompanha um bom aparelho pelo preço adequado; não necessariamente vale pagar uma grande diferença apenas por ela.
- Pessoas que trocam de telefone raramente: prefira hardware mais potente e longo suporte de atualizações, porque os recursos de IA provavelmente ficarão mais exigentes.
- Quem compra Smart TV: dê prioridade a painel, processador, imagem, som, sistema e suporte. Considere a IA um diferencial adicional.
- Idosos ou pessoas que têm dificuldade com tecnologia: comandos de voz naturais podem se tornar um benefício relevante.
- Quem já possui smartphone ou TV recente: normalmente não há razão para trocar um bom aparelho apenas para ganhar funções de IA que muitas vezes também podem ser acessadas por aplicativos.
🚨 Cuidado com o marketing “AI”
Nos próximos anos veremos a palavra inteligência artificial estampada em praticamente tudo.
AI smartphone.
AI TV.
AI notebook.
AI monitor.
AI geladeira.
AI ar-condicionado.
Isso não significa que todos esses produtos tenham uma diferença revolucionária.
O consumidor precisa perguntar:
O que essa IA faz concretamente que outro aparelho não faz?
Se a resposta for vaga, provavelmente existe muito marketing envolvido.
Uma especificação como “AI Processor” diz pouco sozinha.
É necessário saber o resultado:
Melhora conteúdo de baixa resolução?
Destaca diálogos?
Traduz chamadas?
Executa IA offline?
Entende aquilo que está na tela?
Economiza bateria?
Automatiza tarefas?
Quanto mais concreta for a resposta, maior a chance de existir valor real.
🔮 Estamos apenas no começo da IA nos aparelhos
Apesar das ressalvas, acredito que estamos entrando em uma transformação importante.
Hoje, ainda pensamos em aplicativos.
“Abra o aplicativo de fotos.”
“Abra o WhatsApp.”
“Abra as configurações.”
A inteligência artificial tende a mudar essa lógica.
O usuário poderá simplesmente dizer o que deseja:
“Pegue as melhores fotos da viagem, escolha cinco e faça um vídeo curto.”
“Encontre aquela mensagem que recebi sobre a reunião da próxima semana e coloque na agenda.”
“Quero assistir a um filme de suspense de aproximadamente duas horas, sem violência forte e que tenha sido bem avaliado.”
O sistema decide quais aplicativos e serviços utilizar.
Nesse cenário, o aparelho começa a deixar de ser uma coleção de ícones e passa a funcionar como um agente capaz de interpretar intenções.
O smartphone provavelmente será o primeiro dispositivo em que isso se tornará comum.
A televisão virá logo depois.
📊 Smart TV com IA pode ser especialmente importante para streaming
Na televisão, a inteligência artificial poderá melhorar significativamente a descoberta de conteúdo.
Hoje, usuários possuem Netflix, Prime Video, YouTube, Disney+, Globoplay e diferentes plataformas.
Encontrar algo para assistir está se tornando cada vez mais complicado.
Um assistente de IA pode funcionar como uma camada acima dos aplicativos:
“Quero assistir a uma comédia brasileira lançada nos últimos três anos.”
A televisão poderia pesquisar diferentes serviços e apresentar possibilidades.
O Google já utiliza o Gemini para permitir pesquisas mais naturais por filmes e programas em TVs compatíveis.
Isso também poderá beneficiar aplicativos menores.
Canais independentes, igrejas, produtoras e plataformas de nicho poderão ter conteúdos descobertos não apenas pelo nome do aplicativo, mas pelo assunto procurado pelo espectador.
Isso pode transformar profundamente o desenvolvimento de aplicativos para Smart TV.
🚀 O futuro será da IA integrada, não da IA como botão
Hoje, muitos aparelhos possuem um botão ou menu chamado “AI”.
Provavelmente isso desaparecerá com o tempo.
Quando a tecnologia amadurecer, não pensaremos:
“Vou utilizar inteligência artificial.”
Simplesmente utilizaremos o aparelho.
A câmera ficará melhor automaticamente.
O áudio será ajustado.
A televisão compreenderá a pergunta.
O telefone organizará a informação.
A bateria será otimizada.
A legenda será traduzida.
Nesse momento, IA deixará de ser uma característica especial para se tornar parte da infraestrutura do produto.
Foi o que aconteceu com a internet.
Ninguém hoje anuncia um smartphone como “telefone com internet” porque isso se tornou parte natural do conceito de smartphone.
Provavelmente acontecerá algo semelhante com a inteligência artificial.
✅ Afinal, vale a pena comprar smartphone com IA?
Sim, desde que você também esteja comprando um bom smartphone.
Hoje já existem aplicações práticas suficientemente úteis para justificar considerar IA durante a escolha.
Recursos de câmera, tradução, resumo, inteligência visual, voz e produtividade podem trazer benefícios concretos.
Entretanto, não recomendo substituir um aparelho recente e satisfatório apenas porque um modelo novo possui a expressão “AI”.
Se o smartphone atual funciona bem e possui acesso aos principais aplicativos de inteligência artificial, talvez seja mais racional esperar.
Na próxima troca natural, entretanto, eu daria preferência a aparelhos com boa capacidade de processamento de IA local e longo período de atualizações.
Porque existe grande chance de os próximos sistemas operacionais utilizarem progressivamente mais inteligência artificial.
✅ E vale comprar Smart TV com IA?
Também sim, mas com uma condição ainda maior:
compre pela qualidade da televisão primeiro e pela IA depois.
Em 2026, os recursos mais valiosos de IA nas TVs são aqueles que melhoram aquilo que fazemos durante quase todo o tempo: assistir.
Upscaling, redução de ruído, aperfeiçoamento de áudio, destaque de diálogos, adaptação da imagem e recomendações inteligentes são mais importantes do que recursos chamativos de geração de imagens.
Assistentes como Samsung Vision AI Companion e Gemini para Google TV indicam que a televisão também começará a se tornar uma interface conversacional.
Porém, alguns desses recursos ainda possuem limitações de dispositivos, países e idiomas.
Por isso, não compre uma promessa.
Compre aquilo que funciona.
🎯 IA deve ser um diferencial, não uma desculpa para pagar qualquer preço
Smartphones e Smart TVs com inteligência artificial podem valer a pena, mas o consumidor precisa fugir de dois extremos.
O primeiro é acreditar que toda função chamada “AI” representa uma revolução.
O segundo é acreditar que tudo não passa de marketing.
A realidade está no meio.
A inteligência artificial já oferece benefícios reais em fotografia, tradução, escrita, pesquisa, acessibilidade, processamento de imagem, áudio e interação por voz.
Samsung, Google e Apple estão incorporando essas tecnologias profundamente aos seus ecossistemas. Galaxy AI já reúne diferentes ferramentas de produtividade e comunicação; Apple Intelligence está integrada ao iOS e possui suporte crescente ao português do Brasil; Gemini está transformando a interação com Android e começa também a chegar às televisões.
Mas hardware continua importando.
Um excelente painel de televisão continuará sendo mais importante que um gerador de papéis de parede.
Uma boa bateria continuará sendo mais importante que uma demonstração de IA que você utilizará duas vezes.
Uma câmera de qualidade, desempenho, memória, armazenamento, atualizações e durabilidade continuarão fundamentais em um smartphone.
A melhor compra não é necessariamente o aparelho que possui mais IA.
É aquele em que a inteligência artificial resolve problemas reais sem sacrificar aquilo que já fazia um smartphone ou uma Smart TV serem bons produtos.
Em 2026, portanto, já vale considerar a IA como critério de compra — mas ainda não vale comprar exclusivamente por causa dela.
E provavelmente essa diferença desaparecerá nos próximos anos. Em vez de procurarmos “um aparelho com IA”, simplesmente esperamos que todo aparelho inteligente seja, de fato, inteligente.