Vale a pena comprar smartphone e Smart TV com inteligência artificial?

Vale a pena comprar smartphone e Smart TV com inteligência artificial.

A inteligên­cia arti­fi­cial deixou de apare­cer ape­nas em com­puta­dores, aplica­tivos e chat­bots. Em 2026, ela está cada vez mais integra­da aos apar­el­hos que usamos diari­a­mente. Smart­phones con­seguem inter­pre­tar ima­gens, traduzir con­ver­sas, resumir tex­tos, edi­tar fotografias e com­preen­der o con­teú­do exibido na tela. Smart TVs já uti­lizam IA para mel­ho­rar imagem e som, recomen­dar pro­gra­mas, respon­der per­gun­tas e até per­mi­tir con­ver­sas em lin­guagem nat­ur­al.

Sam­sung, Google, Apple e out­ros grandes fab­ri­cantes pas­saram a apre­sen­tar a inteligên­cia arti­fi­cial como um dos prin­ci­pais motivos para tro­car de apar­el­ho.

Mas surge uma dúvi­da legí­ti­ma: vale real­mente a pena pagar mais por um smart­phone ou uma Smart TV com inteligên­cia arti­fi­cial?

A respos­ta não é sim­ples­mente sim ou não.

Em deter­mi­nadas situ­ações, a IA já ofer­ece bene­fí­cios extrema­mente úteis. Em out­ras, a expressão “com inteligên­cia arti­fi­cial” fun­ciona mais como argu­men­to de mar­ket­ing para recur­sos que pode­ri­am exi­s­tir em apar­el­hos con­ven­cionais.

Além dis­so, existe uma difer­ença impor­tante entre com­prar um pro­du­to que pos­sui um bom hard­ware e tam­bém ofer­ece IA e com­prar um apar­el­ho sim­ples­mente porque a embal­agem desta­ca duas letras: AI.

Neste arti­go, vamos sep­a­rar mar­ket­ing de util­i­dade e enten­der quan­do a inteligên­cia arti­fi­cial real­mente deve influ­en­ciar a escol­ha de um smart­phone ou uma tele­visão.

O que significa um aparelho “com inteligência artificial”?

Essa é a primeira questão que o con­sum­i­dor pre­cisa com­preen­der.

Prati­ca­mente todos os smart­phones mod­er­nos uti­lizam algu­ma for­ma de inteligên­cia arti­fi­cial há anos. Ela já esta­va pre­sente no proces­sa­men­to das fotografias, recon­hec­i­men­to facial, cor­reção automáti­ca, redução de ruí­do, geren­ci­a­men­to da bate­ria e iden­ti­fi­cação de voz.

O que mudou recen­te­mente foi a chega­da da IA gen­er­a­ti­va e dos mod­e­los mul­ti­modais dire­ta­mente à exper­iên­cia do usuário.

Ago­ra, em vez de a IA tra­bal­har silen­ciosa­mente nos basti­dores, podemos con­ver­sar com ela.

O apar­el­ho pode com­preen­der tex­to, voz, fotografias, câmera, arquiv­os e até aqui­lo que está apare­cen­do na tela.

No Android, por exem­p­lo, o Gem­i­ni per­mite con­ver­sar sobre o con­teú­do da tela, uti­lizar a câmera durante uma con­ver­sa e rece­ber respostas em tem­po real. O Google tam­bém per­mite definir o Gem­i­ni como assis­tente prin­ci­pal em apar­el­hos Android com­patíveis.

Con­heça o Gem­i­ni no Android

Nas tele­visões, a evolução acon­tece em duas frentes. A primeira é a uti­liza­ção de IA para proces­sa­men­to audio­vi­su­al. A segun­da é a entra­da dos assis­tentes gen­er­a­tivos na própria inter­face da TV.

É impor­tante sep­a­rar essas duas coisas.

A IA no smartphone já é realmente útil?

Em muitos casos, sim.

A prin­ci­pal van­tagem do smart­phone é que ele está conosco durante prati­ca­mente todo o dia. Isso per­mite que a inteligên­cia arti­fi­cial seja incor­po­ra­da às tare­fas cotid­i­anas.

Imag­ine fotogra­far uma pla­ca em out­ro idioma e pedir uma tradução. Ou mostrar pela câmera um equipa­men­to que apre­sen­tou defeito e per­gun­tar o que está ven­do. Ou sele­cionar um lon­go e‑mail e pedir um resumo.

Essas apli­cações deixaram de ser demon­strações exper­i­men­tais.

O Gem­i­ni Live, por exem­p­lo, per­mite com­par­til­har a câmera ou a tela enquan­to o usuário con­ver­sa com o assis­tente. Isso per­mite mostrar um obje­to, ambi­ente ou prob­le­ma e con­tin­uar a con­ver­sa de maneira con­tex­tu­al.

A Sam­sung tam­bém ampliou o Galaxy AI para difer­entes apar­el­hos e atual­mente ofer­ece recur­sos rela­ciona­dos a comu­ni­cação, escri­ta, pro­du­tivi­dade, edição de ima­gens, con­tex­tu­al­iza­ção da tela e resumos. A própria fab­ri­cante ressalta que a disponi­bil­i­dade varia con­forme mod­e­lo, país e recur­so.

Con­heça os recur­sos do Galaxy AI

Por­tan­to, já exis­tem situ­ações nas quais a IA deixa de ser curiosi­dade e econ­o­miza tem­po.

IA para escrever, resumir e organizar informações

Essa provavel­mente é uma das uti­liza­ções mais úteis.

Um smart­phone com­patív­el pode aju­dar a revis­ar uma men­sagem, mod­i­ficar seu tom, resumir infor­mações ou ger­ar uma respos­ta.

A Sam­sung, por exem­p­lo, ofer­ece fer­ra­men­tas para cor­ri­gir ortografia, reor­ga­ni­zar, resumir e refor­mu­lar deter­mi­na­dos tex­tos.

A Apple tam­bém ofer­ece Fer­ra­men­tas de Escri­ta, respostas inteligentes, resumos de men­sagens, resumos de noti­fi­cações e inte­gração da Apple Intel­li­gence com difer­entes partes do sis­tema.

Isso pode pare­cer pequeno até con­sid­er­ar­mos quan­tas vezes escreve­mos no smart­phone diari­a­mente.

Para profis­sion­ais que respon­dem clientes, elab­o­ram pro­postas, pub­li­cam em redes soci­ais ou tra­bal­ham remo­ta­mente, alguns min­u­tos econ­o­miza­dos em cada tare­fa podem rep­re­sen­tar horas ao final do mês.

Tradução em tempo real

Essa é uma apli­cação par­tic­u­lar­mente inter­es­sante.

A Apple Intel­li­gence atual­mente ofer­ece Tradução ao Vivo em difer­entes exper­iên­cias, incluin­do Men­sagens e, em idiomas com­patíveis, Tele­fone e Face­Time. O por­tuguês do Brasil aparece entre os idiomas supor­ta­dos em difer­entes funções.

A Sam­sung tam­bém disponi­bi­liza recur­sos de tradução e inter­pre­tação em apar­el­hos Galaxy com­patíveis.

Para quem via­ja, con­ver­sa com clientes estrangeiros ou tra­bal­ha inter­na­cional­mente, isso pode trans­for­mar o smart­phone em uma fer­ra­men­ta de comu­ni­cação muito mais poderosa.

Para alguém que nun­ca pre­cisa con­ver­sar em out­ro idioma, obvi­a­mente o val­or é menor.

Essa é uma regra impor­tante deste arti­go: o val­or da inteligên­cia arti­fi­cial depende do seu com­por­ta­men­to, não da quan­ti­dade de recur­sos anun­ci­a­dos pelo fab­ri­cante.

A fotografia é uma das áreas em que a IA mais faz diferença

Aqui existe um detal­he inter­es­sante.

Mes­mo pes­soas que dizem “não uti­lizar inteligên­cia arti­fi­cial” provavel­mente já uti­lizam IA toda vez que tiram uma fotografia com um smart­phone mod­er­no.

Quan­do você pres­siona o botão da câmera, o apar­el­ho pode com­bi­nar várias exposições, iden­ti­ficar ros­tos, reduzir ruí­do, recu­per­ar detal­h­es nas som­bras, equi­li­brar tons de pele e ajus­tar cores.

Nos apar­el­hos mais recentes, a IA tam­bém entrou na edição.

É pos­sív­el remover obje­tos, reor­ga­ni­zar ele­men­tos, mel­ho­rar enquadra­men­tos e realizar out­ras alter­ações sem con­hec­i­men­to profis­sion­al de edição.

A Apple pos­sui, por exem­p­lo, uma fer­ra­men­ta de limpeza de fotografias integra­da à Apple Intel­li­gence, além de pesquisa em lin­guagem nat­ur­al no aplica­ti­vo Fotos.

A Sam­sung ofer­ece fer­ra­men­tas de edição e cri­ação den­tro do Galaxy AI.

Isso sig­nifi­ca que, para alguém que pro­duz muito con­teú­do para Insta­gram, Tik­Tok ou tra­bal­ho, a IA do smart­phone pode ter val­or real.

👁️ O smartphone começa a compreender aquilo que você vê

Uma mudança ain­da mais pro­fun­da está acon­te­cen­do com a chama­da inteligên­cia visu­al.

Em vez de abrir um aplica­ti­vo especí­fi­co, copi­ar infor­mações e depois faz­er uma per­gun­ta, o usuário sim­ples­mente mostra aqui­lo que está ven­do.

O Android per­mite per­gun­tar ao Gem­i­ni sobre o con­teú­do exibido na tela. O Gem­i­ni Live tam­bém pode acom­pan­har a câmera.

A Apple ofer­ece recur­sos de inteligên­cia visu­al que per­mitem inter­a­gir com tex­tos, iden­ti­ficar lugares, trans­for­mar infor­mações de car­tazes em even­tos e pesquis­ar aqui­lo que está sendo obser­va­do.

Esse tipo de recur­so pode mudar a relação com o smart­phone.

Imag­ine apon­tar para uma plan­ta e per­gun­tar:

“Por que estas fol­has estão fican­do amare­las?”

Ou mostrar a parte tra­seira de um roteador:

“Em qual dessas entradas devo conec­tar este cabo?”

Ou com­par­til­har a tela de um aplica­ti­vo:

“Onde altero essa con­fig­u­ração?”

A câmera deixa de servir ape­nas para fotogra­far. Ela pas­sa a fun­cionar como os olhos do assis­tente dig­i­tal.

⚙️ IA local versus IA na nuvem

Esse é um dos aspec­tos mais impor­tantes na hora de escol­her um apar­el­ho.

Nem toda inteligên­cia arti­fi­cial é proces­sa­da den­tro do smart­phone.

Alguns recur­sos uti­lizam servi­dores exter­nos. O celu­lar envia infor­mações, o proces­sa­men­to acon­tece em um data cen­ter e a respos­ta retor­na pela inter­net.

Out­ros recur­sos são exe­cu­ta­dos dire­ta­mente no apar­el­ho.

É o que chamamos de IA on-device, ou IA no dis­pos­i­ti­vo.

Para isso, smart­phones mod­er­nos pos­suem com­po­nentes espe­cial­iza­dos, fre­quente­mente chama­dos de NPU — Neur­al Pro­cess­ing Unit — ou acel­er­adores de inteligên­cia arti­fi­cial.

O proces­sa­men­to local pode ofer­e­cer van­ta­gens impor­tantes, como menor latên­cia, fun­ciona­men­to sem conexão em deter­mi­na­dos recur­sos e maior con­t­role sobre infor­mações sen­síveis.

Porém, mod­e­los muito grandes con­tin­u­am pre­cisan­do de proces­sa­men­to em nuvem.

Na práti­ca, a tendên­cia é a uti­liza­ção de uma arquite­tu­ra híbri­da.

Parte do tra­bal­ho acon­tece no apar­el­ho.

Parte acon­tece no servi­dor.

🔐 E a privacidade?

Quan­to mais inteligente o apar­el­ho se tor­na, mais impor­tante fica essa questão.

Um assis­tente que com­preende men­sagens, fotografias, agen­da, local­iza­ção e câmera pode ser extrema­mente útil, mas tam­bém tra­bal­ha com infor­mações pes­soais.

Por isso, antes de com­prar, não bas­ta per­gun­tar:

“Qual celu­lar tem a mel­hor IA?”

Tam­bém dev­eríamos per­gun­tar:

“Quais infor­mações são proces­sadas no próprio apar­el­ho?”

“O que é envi­a­do para servi­dores?”

“Pos­so desli­gar deter­mi­na­dos recur­sos?”

“Por quan­to tem­po os dados ficam armazena­dos?”

A Sam­sung afir­ma com­bi­nar proces­sa­men­to no dis­pos­i­ti­vo e recur­sos de nuvem com con­troles de pri­vaci­dade por meio do Galaxy AI e Sam­sung Knox.

A Apple posi­ciona a pri­vaci­dade como um dos pilares da Apple Intel­li­gence e tam­bém uti­liza proces­sa­men­to local com­bi­na­do com infraestru­tu­ra exter­na em deter­mi­nadas tare­fas.

Nen­hu­ma dessas car­ac­terís­ti­cas elim­i­na a neces­si­dade de o usuário com­preen­der as con­fig­u­rações.

Quan­to mais IA uti­lizamos, mais impor­tante se tor­na saber a quais dados esta­mos dan­do aces­so.

E o iPhone com Apple Intelligence?

A Apple Intel­li­gence está integra­da a difer­entes áreas do iOS 26 em apar­el­hos com­patíveis.

Entre os recur­sos disponíveis estão Fer­ra­men­tas de Escri­ta, Gen­mo­ji, Image Play­ground, respostas inteligentes, resumos, inteligên­cia visu­al e inte­gração com o Chat­G­PT em deter­mi­nadas exper­iên­cias.

Veja os recur­sos atu­ais da Apple Intel­li­gence

O por­tuguês do Brasil já está pre­sente entre os idiomas com­patíveis com difer­entes funções.

Entre­tan­to, isso tam­bém mostra por que não deve­mos com­prar um smart­phone ape­nas basea­do em promes­sas futuras.

Deter­mi­na­dos recur­sos chegam grad­ual­mente, depen­dem de atu­al­iza­ção e podem vari­ar con­forme idioma, região e mod­e­lo.

Ao com­parar apar­el­hos, con­sidere prin­ci­pal­mente aqui­lo que já fun­ciona hoje no Brasil.

Promes­sas futuras devem ser um bônus, não a razão prin­ci­pal da com­pra.

E a Smart TV com inteligência artificial?

Na tele­visão, a situ­ação é difer­ente.

Você provavel­mente não uti­lizará uma Smart TV para escr­ev­er um e‑mail ou resumir um con­tra­to.

O grande bene­fí­cio atu­al da IA está prin­ci­pal­mente no proces­sa­men­to de imagem e som.

Esse é um uso menos chama­ti­vo do que con­ver­sar com um chat­bot, mas pode ser muito mais impor­tante.

🎞️ AI Upscaling: quando a inteligência artificial melhora conteúdos antigos

Imag­ine com­prar uma tele­visão 4K ou 8K e assi­s­tir a um vídeo anti­go em res­olução infe­ri­or.

A tele­visão pre­cisa aumen­tar aque­la imagem para preencher mil­hões de pix­els.

Um sis­tema sim­ples pode sim­ples­mente ampli­ar os pix­els.

Um proces­sador com téc­ni­cas de IA ten­ta recon­hecer obje­tos, con­tornos, tex­turas e padrões para recon­stru­ir detal­h­es de maneira mais con­vin­cente.

Isso é chama­do de upscal­ing por inteligên­cia arti­fi­cial.

A Sam­sung uti­liza seus proces­sadores de IA para apri­morar imagem e som e apre­sen­ta AI Upscal­ing como parte cen­tral do Sam­sung Vision AI.

Con­heça o Sam­sung Vision AI

Esse recur­so pode faz­er bas­tante difer­ença quan­do assis­ti­mos:

TV aber­ta, vídeos anti­gos do YouTube, canais FAST, DVDs con­ver­tidos, trans­mis­sões em res­olução infe­ri­or e deter­mi­na­dos serviços de stream­ing.

É impor­tante, porém, não con­fundir mel­ho­ria com mila­gre.

Uma tele­visão não con­segue trans­for­mar uma gravação extrema­mente ruim em um ver­dadeiro vídeo 4K orig­i­nal. A IA pode recon­stru­ir detal­h­es e reduzir defeitos, mas não pode recu­per­ar per­feita­mente infor­mações que nun­ca foram reg­istradas.

🔊 A inteligência artificial também melhora o som

Out­ra apli­cação inter­es­sante é a análise do áudio.

A tele­visão pode ten­tar dis­tin­guir voz, músi­ca, efeitos sonoros e ruí­do ambi­ente.

Isso per­mite destacar diál­o­gos.

Quem nun­ca aumen­tou o vol­ume para enten­der uma con­ver­sa em um filme e, segun­dos depois, tomou um sus­to quan­do começou uma explosão?

Sis­temas de áudio basea­d­os em IA ten­tam reduzir esse prob­le­ma anal­isan­do o con­teú­do e aju­s­tan­do deter­mi­nadas car­ac­terís­ti­cas dinami­ca­mente.

Tam­bém podem con­sid­er­ar o ambi­ente.

Uma sala grande, com piso frio e muito eco, pos­sui car­ac­terís­ti­cas acús­ti­cas difer­entes de um quar­to pequeno.

Tele­vi­sores avança­dos con­seguem uti­lizar proces­sa­men­to para adap­tar a repro­dução.

Para grande parte do públi­co, mel­ho­rar diál­o­go e imagem será provavel­mente mais útil do que ger­ar ima­gens com IA na tele­visão.

A Smart TV também está virando um assistente de IA

É aqui que as coisas começam a ficar mais inter­es­santes.

A Sam­sung ofer­ece o Vision AI Com­pan­ion, capaz de com­preen­der per­gun­tas rela­cionadas ao con­tex­to do que está sendo assis­ti­do e uti­lizar assis­tentes como Copi­lot e Per­plex­i­ty em tele­vi­sores com­patíveis.

O Google está levan­do o Gem­i­ni para o Google TV.

O usuário pode pedir recomen­dações uti­lizan­do lin­guagem nat­ur­al, faz­er per­gun­tas sobre temas gerais e con­tro­lar deter­mi­nadas funções conec­tadas da casa.

Por exem­p­lo:

“Quero assi­s­tir a uma comé­dia pare­ci­da com aque­le filme de ontem, mas que seja apro­pri­a­da para cri­anças.”

Isso é muito difer­ente de pesquis­ar dig­i­tan­do lenta­mente o nome de um filme com o con­t­role remo­to.

O Google tam­bém apre­sen­tou recur­sos que per­mitem pedir ajustes de imagem e som uti­lizan­do lin­guagem nat­ur­al, como diz­er que a tela está escu­ra ou que o diál­o­go está difí­cil de ouvir.

Essa pode ser uma das mel­hores apli­cações da IA na tele­visão: elim­i­nar menus com­pli­ca­dos.

⚠️ Mas existe uma grande ressalva no Brasil

Aqui encon­tramos um dos prin­ci­pais motivos para não com­prar uma Smart TV exclu­si­va­mente por causa de um recur­so anun­ci­a­do de inteligên­cia arti­fi­cial.

A disponi­bil­i­dade pode vari­ar muito entre país­es.

Em agos­to de 2026, o próprio Google infor­ma que os recur­sos com­ple­tos do Gem­i­ni para TV ain­da estão restri­tos a deter­mi­na­dos dis­pos­i­tivos, idiomas e regiões. A empre­sa pre­vê expan­são para mais apar­el­hos Google TV com Android 14 ou supe­ri­or e pelo menos 2 GB de RAM até o fim de 2026.

Por­tan­to, ver “Gem­i­ni” em uma apre­sen­tação inter­na­cional não sig­nifi­ca nec­es­sari­a­mente que você terá ime­di­ata­mente a mes­ma exper­iên­cia em por­tuguês no Brasil.

A recomen­dação é sim­ples:

con­firme no site brasileiro do fab­ri­cante quais recur­sos fun­cionam no mod­e­lo exa­to que você pre­tende com­prar.

Não com­pre basea­do ape­nas em vídeos de lança­men­to feitos nos Esta­dos Unidos.

IA generativa na televisão: útil ou enfeite?

Algu­mas Smart TVs per­mitem cri­ar ima­gens para uti­lizar como papel de parede ou trans­for­mar fotografias.

A Sam­sung pos­sui ger­ação de papéis de parede basea­da em IA em apar­el­hos com­patíveis.

O Google tam­bém começou a exper­i­men­tar recur­sos que uti­lizam mod­e­los como Nano Banana e Veo dire­ta­mente no Google TV em apar­el­hos e mer­ca­dos especí­fi­cos.

É inter­es­sante.

Mas eu não escol­he­ria uma tele­visão prin­ci­pal­mente por isso.

Depois da novi­dade ini­cial, quan­tas pes­soas real­mente pas­sarão horas crian­do ima­gens na tele­visão?

Na com­pra de uma Smart TV, eu daria pri­or­i­dade a:

qual­i­dade do painel, bril­ho, con­traste, HDR, proces­sa­men­to de imagem, som, sis­tema opera­cional, aplica­tivos disponíveis, conexões, atu­al­iza­ções e dura­bil­i­dade.

A IA deve mel­ho­rar ess­es ele­men­tos, não sub­sti­tuir uma tele­visão tec­ni­ca­mente boa.

Uma TV excelente sem “IA generativa” ainda pode ser melhor compra

Este é talvez o pon­to mais impor­tante.

Con­sidere duas tele­visões.

A primeira pos­sui painel OLED exce­lente, óti­mo HDR, exce­lente con­traste e bom proces­sa­men­to, mas poucos recur­sos gen­er­a­tivos.

A segun­da pos­sui uma lista enorme de funções “AI”, mas painel infe­ri­or e qual­i­dade de imagem medi­ana.

Eu escol­he­ria a primeira.

Porque você com­prará uma tele­visão prin­ci­pal­mente para assi­s­tir.

Da mes­ma for­ma, eu não escol­he­ria um smart­phone ruim ape­nas porque ele ofer­ece um chat­bot inte­gra­do.

A ordem cor­re­ta é:

primeiro um bom apar­el­ho; depois uma boa IA.

💵 Vale pagar mais?

Depende da difer­ença de preço.

Se dois smart­phones pos­suem câmeras, bate­ria, desem­pen­ho e suporte semel­hantes e o mod­e­lo mais caro cobra uma difer­ença muito grande somente pelos recur­sos de IA, é impor­tante ver­i­ficar se você real­mente os uti­lizará.

Muitos serviços de IA tam­bém podem ser aces­sa­dos por aplica­tivos.

Um smart­phone inter­mediário con­segue rodar Chat­G­PT, Gem­i­ni, Copi­lot e diver­sos out­ros serviços na nuvem.

O hard­ware pre­mi­um pas­sa a faz­er maior difer­ença quan­do você dese­ja proces­sa­men­to local avança­do, câmeras supe­ri­ores, recur­sos exclu­sivos inte­gra­dos ao sis­tema e maior longev­i­dade.

Nas Smart TVs ocorre algo semel­hante.

Com­prar uma tele­visão supe­ri­or porque ela pos­sui um proces­sador mel­hor que tam­bém usa IA para apri­morar imagem pode faz­er sen­ti­do.

Pagar muito mais sim­ples­mente para ter uma função exper­i­men­tal de ger­ação de ima­gens talvez não faça.

⏳ Pense no tempo de vida do aparelho

Uma tele­visão pode per­manecer na casa durante sete, oito ou dez anos.

Um smart­phone fre­quente­mente fica conosco por três, qua­tro, cin­co ou mais anos.

Isso tor­na o suporte de soft­ware extrema­mente impor­tante.

Uma função de IA pode ser exce­lente em 2026, mas o que acon­te­cerá em 2029?

O apar­el­ho rece­berá novos mod­e­los?

O fab­ri­cante con­tin­uará ofer­e­cen­do os serviços?

Deter­mi­na­do recur­so con­tin­uará gra­tu­ito?

A Sam­sung anun­cia sete anos de atu­al­iza­ções do sis­tema opera­cional em TVs com­patíveis com sua atu­al estraté­gia Vision AI/One UI Tizen.

Isso é rel­e­vante porque uma Smart TV deixou de ser ape­nas uma tela. Ela ago­ra pos­sui sis­tema opera­cional, aplica­tivos, con­ta, recur­sos online e atu­al­iza­ções de segu­rança.

Ao com­parar duas tele­visões semel­hantes, o tem­po de suporte pode ser mais impor­tante do que uma função de IA especí­fi­ca.

💳 Alguns recursos de IA podem se tornar pagos

Essa pos­si­bil­i­dade pre­cisa entrar na decisão de com­pra.

A indús­tria está desco­brindo como mon­e­ti­zar inteligên­cia arti­fi­cial.

Deter­mi­nadas funções podem per­manecer gra­tu­itas. Out­ras podem exi­gir uma assi­natu­ra no futuro. Algu­mas podem depen­der de serviços exter­nos que pos­suem seus próprios planos.

Por isso, evite uma lóg­i­ca como:

“Vou pagar R$ 2.000 a mais porque terei todos ess­es recur­sos de IA durante dez anos.”

Não existe garan­tia de que todos fun­cionarão exata­mente da mes­ma maneira durante toda a vida do apar­el­ho.

Leia as condições do fab­ri­cante.

🌐 A internet continua sendo importante

Out­ro mito é imag­i­nar que um apar­el­ho “AI” exe­cu­tará abso­lu­ta­mente tudo sem inter­net.

Não nec­es­sari­a­mente.

Algu­mas oper­ações acon­te­cem local­mente. Out­ras pre­cisam aces­sar grandes mod­e­los hospeda­dos em data cen­ters.

Quan­to mais sofisti­ca­da for a tare­fa, maior a pos­si­bil­i­dade de ela depen­der da nuvem.

Isso sig­nifi­ca que alguns recur­sos podem fun­cionar mais lenta­mente em conexões ruins ou sim­ples­mente não fun­cionar sem inter­net.

Em Smart TVs isso é ain­da mais evi­dente, porque grande parte da exper­iên­cia depende de stream­ing e serviços online.

🧓 IA também pode melhorar acessibilidade

Esse é um aspec­to pouco dis­cu­ti­do.

Assis­tentes mais nat­u­rais podem tornar smart­phones e tele­vi­sores mais fáceis para idosos e pes­soas com lim­i­tações motoras ou visuais.

Diz­er:

“Abra o YouTube e pro­cure o cul­to de domin­go”

é muito mais sim­ples para algu­mas pes­soas do que nave­g­ar por vários menus.

Na tele­visão, poder diz­er:

“Eu não estou enten­den­do as falas, mel­hore as vozes”

pode ser mais intu­iti­vo do que abrir con­fig­u­rações de áudio.

A inteligên­cia arti­fi­cial pode, por­tan­to, reduzir a neces­si­dade de enten­der inter­faces com­plexas.

Essa talvez seja uma trans­for­mação mais impor­tante do que a ger­ação de tex­tos ou ima­gens.

🏠 Smartphone e Smart TV começam a trabalhar juntos

Existe ain­da uma tendên­cia maior: o ecos­sis­tema.

O smart­phone pode fun­cionar como con­t­role remo­to, iden­ti­fi­cador, câmera, dis­pos­i­ti­vo de aut­en­ti­cação e pon­to de inter­ação da tele­visão.

A Smart TV, por sua vez, tor­na-se uma tela para con­teú­dos e infor­mações ger­a­dos ou encon­tra­dos pelo celu­lar.

Com inteligên­cia arti­fi­cial, essa inte­gração pode ficar mais con­tex­tu­al.

Você encon­tra algo no smart­phone e con­tin­ua na tele­visão.

A tele­visão mostra um QR Code e você con­clui uma ação no celu­lar.

O smart­phone con­tro­la dis­pos­i­tivos inteligentes enquan­to a TV exibe infor­mações da casa.

O val­or aumen­ta quan­do os apar­el­hos deix­am de fun­cionar iso­lada­mente.

🛍️ Então, quem deveria comprar agora?

Uma maneira práti­ca de decidir é pen­sar no per­fil de uti­liza­ção:

  • Cri­adores de con­teú­do: smart­phones com IA podem valer bas­tante a pena por edição, fotografia, tran­scrição, ger­ação de tex­tos e fer­ra­men­tas mul­ti­modais.
  • Profis­sion­ais e empresários: resumo, tradução, escri­ta, tran­scrição e assis­tentes con­tex­tu­ais podem pro­por­cionar gan­hos reais de pro­du­tivi­dade.
  • Usuários comuns: vale com­prar quan­do a IA acom­pan­ha um bom apar­el­ho pelo preço ade­qua­do; não nec­es­sari­a­mente vale pagar uma grande difer­ença ape­nas por ela.
  • Pes­soas que tro­cam de tele­fone rara­mente: pre­fi­ra hard­ware mais potente e lon­go suporte de atu­al­iza­ções, porque os recur­sos de IA provavel­mente ficarão mais exi­gentes.
  • Quem com­pra Smart TV: dê pri­or­i­dade a painel, proces­sador, imagem, som, sis­tema e suporte. Con­sidere a IA um difer­en­cial adi­cional.
  • Idosos ou pes­soas que têm difi­cul­dade com tec­nolo­gia: coman­dos de voz nat­u­rais podem se tornar um bene­fí­cio rel­e­vante.
  • Quem já pos­sui smart­phone ou TV recente: nor­mal­mente não há razão para tro­car um bom apar­el­ho ape­nas para gan­har funções de IA que muitas vezes tam­bém podem ser aces­sadas por aplica­tivos.

🚨 Cuidado com o marketing “AI”

Nos próx­i­mos anos ver­e­mos a palavra inteligên­cia arti­fi­cial estam­pa­da em prati­ca­mente tudo.

AI smart­phone.

AI TV.

AI note­book.

AI mon­i­tor.

AI geladeira.

AI ar-condi­ciona­do.

Isso não sig­nifi­ca que todos ess­es pro­du­tos ten­ham uma difer­ença rev­olu­cionária.

O con­sum­i­dor pre­cisa per­gun­tar:

O que essa IA faz conc­re­ta­mente que out­ro apar­el­ho não faz?

Se a respos­ta for vaga, provavel­mente existe muito mar­ket­ing envolvi­do.

Uma especi­fi­cação como “AI Proces­sor” diz pouco soz­in­ha.

É necessário saber o resul­ta­do:

Mel­ho­ra con­teú­do de baixa res­olução?

Desta­ca diál­o­gos?

Traduz chamadas?

Exe­cu­ta IA offline?

Entende aqui­lo que está na tela?

Econ­o­miza bate­ria?

Autom­a­ti­za tare­fas?

Quan­to mais conc­re­ta for a respos­ta, maior a chance de exi­s­tir val­or real.

🔮 Estamos apenas no começo da IA nos aparelhos

Ape­sar das ressal­vas, acred­i­to que esta­mos entran­do em uma trans­for­mação impor­tante.

Hoje, ain­da pen­samos em aplica­tivos.

“Abra o aplica­ti­vo de fotos.”

“Abra o What­sApp.”

“Abra as con­fig­u­rações.”

A inteligên­cia arti­fi­cial tende a mudar essa lóg­i­ca.

O usuário poderá sim­ples­mente diz­er o que dese­ja:

“Pegue as mel­hores fotos da viagem, escol­ha cin­co e faça um vídeo cur­to.”

“Encon­tre aque­la men­sagem que rece­bi sobre a reunião da próx­i­ma sem­ana e coloque na agen­da.”

“Quero assi­s­tir a um filme de sus­pense de aprox­i­mada­mente duas horas, sem vio­lên­cia forte e que ten­ha sido bem avali­a­do.”

O sis­tema decide quais aplica­tivos e serviços uti­lizar.

Nesse cenário, o apar­el­ho começa a deixar de ser uma coleção de ícones e pas­sa a fun­cionar como um agente capaz de inter­pre­tar intenções.

O smart­phone provavel­mente será o primeiro dis­pos­i­ti­vo em que isso se tornará comum.

A tele­visão virá logo depois.

📊 Smart TV com IA pode ser especialmente importante para streaming

Na tele­visão, a inteligên­cia arti­fi­cial poderá mel­ho­rar sig­ni­fica­ti­va­mente a descober­ta de con­teú­do.

Hoje, usuários pos­suem Net­flix, Prime Video, YouTube, Dis­ney+, Globo­play e difer­entes platafor­mas.

Encon­trar algo para assi­s­tir está se tor­nan­do cada vez mais com­pli­ca­do.

Um assis­tente de IA pode fun­cionar como uma cama­da aci­ma dos aplica­tivos:

“Quero assi­s­tir a uma comé­dia brasileira lança­da nos últi­mos três anos.”

A tele­visão pode­ria pesquis­ar difer­entes serviços e apre­sen­tar pos­si­bil­i­dades.

O Google já uti­liza o Gem­i­ni para per­mi­tir pesquisas mais nat­u­rais por filmes e pro­gra­mas em TVs com­patíveis.

Isso tam­bém poderá ben­e­fi­ciar aplica­tivos menores.

Canais inde­pen­dentes, igre­jas, pro­du­toras e platafor­mas de nicho poderão ter con­teú­dos descober­tos não ape­nas pelo nome do aplica­ti­vo, mas pelo assun­to procu­ra­do pelo espec­ta­dor.

Isso pode trans­for­mar pro­fun­da­mente o desen­volvi­men­to de aplica­tivos para Smart TV.

🚀 O futuro será da IA integrada, não da IA como botão

Hoje, muitos apar­el­hos pos­suem um botão ou menu chama­do “AI”.

Provavel­mente isso desa­pare­cerá com o tem­po.

Quan­do a tec­nolo­gia amadure­cer, não pen­sare­mos:

“Vou uti­lizar inteligên­cia arti­fi­cial.”

Sim­ples­mente uti­lizare­mos o apar­el­ho.

A câmera ficará mel­hor auto­mati­ca­mente.

O áudio será ajus­ta­do.

A tele­visão com­preen­derá a per­gun­ta.

O tele­fone orga­ni­zará a infor­mação.

A bate­ria será otimiza­da.

A leg­en­da será traduzi­da.

Nesse momen­to, IA deixará de ser uma car­ac­terís­ti­ca espe­cial para se tornar parte da infraestru­tu­ra do pro­du­to.

Foi o que acon­te­ceu com a inter­net.

Ninguém hoje anun­cia um smart­phone como “tele­fone com inter­net” porque isso se tornou parte nat­ur­al do con­ceito de smart­phone.

Provavel­mente acon­te­cerá algo semel­hante com a inteligên­cia arti­fi­cial.

✅ Afinal, vale a pena comprar smartphone com IA?

Sim, des­de que você tam­bém este­ja com­pran­do um bom smart­phone.

Hoje já exis­tem apli­cações práti­cas sufi­cien­te­mente úteis para jus­ti­ficar con­sid­er­ar IA durante a escol­ha.

Recur­sos de câmera, tradução, resumo, inteligên­cia visu­al, voz e pro­du­tivi­dade podem traz­er bene­fí­cios con­cre­tos.

Entre­tan­to, não recomen­do sub­sti­tuir um apar­el­ho recente e sat­is­fatório ape­nas porque um mod­e­lo novo pos­sui a expressão “AI”.

Se o smart­phone atu­al fun­ciona bem e pos­sui aces­so aos prin­ci­pais aplica­tivos de inteligên­cia arti­fi­cial, talvez seja mais racional esper­ar.

Na próx­i­ma tro­ca nat­ur­al, entre­tan­to, eu daria prefer­ên­cia a apar­el­hos com boa capaci­dade de proces­sa­men­to de IA local e lon­go perío­do de atu­al­iza­ções.

Porque existe grande chance de os próx­i­mos sis­temas opera­cionais uti­lizarem pro­gres­si­va­mente mais inteligên­cia arti­fi­cial.

✅ E vale comprar Smart TV com IA?

Tam­bém sim, mas com uma condição ain­da maior:

com­pre pela qual­i­dade da tele­visão primeiro e pela IA depois.

Em 2026, os recur­sos mais valiosos de IA nas TVs são aque­les que mel­ho­ram aqui­lo que faze­mos durante quase todo o tem­po: assi­s­tir.

Upscal­ing, redução de ruí­do, aper­feiçoa­men­to de áudio, destaque de diál­o­gos, adap­tação da imagem e recomen­dações inteligentes são mais impor­tantes do que recur­sos chama­tivos de ger­ação de ima­gens.

Assis­tentes como Sam­sung Vision AI Com­pan­ion e Gem­i­ni para Google TV indicam que a tele­visão tam­bém começará a se tornar uma inter­face con­ver­sa­cional.

Porém, alguns dess­es recur­sos ain­da pos­suem lim­i­tações de dis­pos­i­tivos, país­es e idiomas.

Por isso, não com­pre uma promes­sa.

Com­pre aqui­lo que fun­ciona.

🎯 IA deve ser um diferencial, não uma desculpa para pagar qualquer preço

Smart­phones e Smart TVs com inteligên­cia arti­fi­cial podem valer a pena, mas o con­sum­i­dor pre­cisa fugir de dois extremos.

O primeiro é acred­i­tar que toda função chama­da “AI” rep­re­sen­ta uma rev­olução.

O segun­do é acred­i­tar que tudo não pas­sa de mar­ket­ing.

A real­i­dade está no meio.

A inteligên­cia arti­fi­cial já ofer­ece bene­fí­cios reais em fotografia, tradução, escri­ta, pesquisa, aces­si­bil­i­dade, proces­sa­men­to de imagem, áudio e inter­ação por voz.

Sam­sung, Google e Apple estão incor­po­ran­do essas tec­nolo­gias pro­fun­da­mente aos seus ecos­sis­temas. Galaxy AI já reúne difer­entes fer­ra­men­tas de pro­du­tivi­dade e comu­ni­cação; Apple Intel­li­gence está integra­da ao iOS e pos­sui suporte cres­cente ao por­tuguês do Brasil; Gem­i­ni está trans­for­man­do a inter­ação com Android e começa tam­bém a chegar às tele­visões.

Mas hard­ware con­tin­ua impor­tan­do.

Um exce­lente painel de tele­visão con­tin­uará sendo mais impor­tante que um ger­ador de papéis de parede.

Uma boa bate­ria con­tin­uará sendo mais impor­tante que uma demon­stração de IA que você uti­lizará duas vezes.

Uma câmera de qual­i­dade, desem­pen­ho, memória, armazena­men­to, atu­al­iza­ções e dura­bil­i­dade con­tin­uarão fun­da­men­tais em um smart­phone.

A mel­hor com­pra não é nec­es­sari­a­mente o apar­el­ho que pos­sui mais IA.

É aque­le em que a inteligên­cia arti­fi­cial resolve prob­le­mas reais sem sac­ri­ficar aqui­lo que já fazia um smart­phone ou uma Smart TV serem bons pro­du­tos.

Em 2026, por­tan­to, já vale con­sid­er­ar a IA como critério de com­pra — mas ain­da não vale com­prar exclu­si­va­mente por causa dela.

E provavel­mente essa difer­ença desa­pare­cerá nos próx­i­mos anos. Em vez de procu­rar­mos “um apar­el­ho com IA”, sim­ples­mente esper­amos que todo apar­el­ho inteligente seja, de fato, inteligente.

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