Google testa aplicativo anticensura na Venezuela

Students sit on the pavement reading "Censorship is dictatorship" during an anti-government protest in Caracas on February 17, 2014. Venezuelan President Nicolas Maduro on Sunday accused Washington of plotting with anti-government protesters and expelled three US diplomats in retaliation. AFP PHOTO/Juan Barreto

Google testa aplicativo anticensura na Venezuela

O Google lançou uma fer­ra­men­ta des­ti­na­da a com­bat­er a cen­sura à impren­sa em todo o mun­do: o aplica­ti­vo Intra, que foi tes­ta­do primeiro na Venezuela, onde jor­nal­is­tas lutam con­tra um gov­er­no empen­hado em restringir a ação de repórteres que expõem cor­rupção e abu­sos de dire­itos humanos na inter­net.

Nos últi­mos anos, os que querem aces­sar sites inde­pen­dentes na Venezuela têm se depara­do com uma men­sagem dizen­do que o endereço não existe, um prob­le­ma que a maio­r­ia atribui às medi­das do gov­er­no para blo­quear o aces­so à infor­mação críti­ca. “É muito difí­cil levar chegar notí­cias às pes­soas”, disse o senador Melanio Esco­bar, um jor­nal­ista e ativista venezue­lano que testou o Intra antes do lança­men­to este mês.

O gov­er­no con­tro­la a inter­net por meio da CANTV, o maior prove­dor de serviço online do país. Segun­do Esco­bar, empre­sas pri­vadas menores seguem suas dire­trizes para se man­ter no negó­cio.

O Insti­tu­to de Impren­sa e Sociedade da Venezuela, um grupo que defende a liber­dade de expressão, disse que, des­de 2014, sites de notí­cia críti­cos ao gov­er­no recebem cada vez mais ataques. Em agos­to, um teste de qua­tro dias ten­tou aces­sar 53 sites e, segun­do os inves­ti­gadores, foi detec­ta­do que quase metade esta­va blo­quea­da. O Min­istério da Comu­ni­cação da Venezuela não respon­deu aos pedi­dos de comen­tário.

Intra, o aplica­ti­vo disponív­el somente para Android, foi desen­volvi­do para super­ar esse blo­queio conectan­do os usuários dire­ta­mente aos servi­dores do Google, que aces­sam o sis­tema de nomes do domínio, uma espé­cie de lista tele­fôni­ca da inter­net. Isso evi­ta qual­quer blo­queio impos­to pelas empre­sas de inter­net locais e difi­cul­ta que gov­er­nos e out­ros inter­locu­tores blo­queiem o aces­so a deter­mi­nadas pági­nas.

A Venezuela vive uma pro­fun­da crise econômi­ca e o pres­i­dente, Nicolás Maduro, afir­ma que os EUA e out­ros agentes estrangeiros con­spir­am para tirá-lo do poder. Os jor­nal­is­tas venezue­lanos tra­bal­ham sob a ameaça de prisão ou proces­so, o que lev­ou a muitos saírem do país.A Assem­bleia Con­sti­tu­inte, pró-gov­er­no, cri­a­da em 2017 para con­tornar o Par­la­men­to — con­tro­la­do pela oposição des­de as últi­mas eleições -, aprovou uma lei que dec­re­ta penas de até 20 anos de prisão por pub­licar mate­r­i­al con­sid­er­a­do “noci­vo”.

Jared Cohen, fun­dador e dire­tor da Jig­saw, uma unidade da empre­sa matriz do Google, disse que sua equipe criou o aplica­ti­vo a par­tir do diál­o­go aber­to com jor­nal­is­tas e espe­cial­is­tas em tec­nolo­gia venezue­lanos sobre os obstácu­los que enfrentam para pub­licar seu tra­bal­ho. O Intra foi lança­do para todo o mun­do no dia 3, depois de vários meses de testes na Venezuela.

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