Quer produzir sua energia elétrica? Veja por que este é um ótimo momento

Quer produzir sua energia elétrica? Veja por que este é um ótimo momento

A ener­gia solar é a fonte de elet­ri­ci­dade cujo uso mais cresce no Brasil. Não só por ser limpa e atra­ti­va para inves­ti­men­tos, mas tam­bém por per­mi­tir que cada con­sum­i­dor pro­duza sua própria ener­gia e chegue a reduzir seus cus­tos em até 90%. Reg­u­la­men­ta­da em 2012 pela Agên­cia Nacional de Ener­gia Elétri­ca (Aneel), a pos­si­bil­i­dade de ger­ação dis­tribuí­da, em que a ener­gia ger­a­da e não con­sum­i­da nas pon­tas do sis­tema vai para a rede elétri­ca, geran­do crédi­tos para quem pro­duz­iu, vem trazen­do mais e mais famílias e empre­sas para um mod­e­lo mais sus­ten­táv­el de con­sumo energéti­co.

Segun­do a Asso­ci­ação Brasileira de Ener­gia Solar Foto­voltaica (Abso­lar), o Brasil con­ta com 1,7 mil megawatts de capaci­dade insta­l­a­da para pro­dução de ener­gia com sis­tema solar foto­voltaico.

Isso rep­re­sen­ta ape­nas cer­ca de 1% da matriz energéti­ca nacional, mas o cresci­men­to é rápi­do: só no ano pas­sa­do, foram cer­ca de 900 megawatts adi­ciona­dos, o que colo­ca o país como o déci­mo que mais adi­cio­nou capaci­dade pro­du­ti­va em todo o mun­do no perío­do, de acor­do com a Agên­cia Inter­na­cional de Ener­gia (IEA).

E a expan­são seguirá acel­er­a­da: com inves­ti­men­tos que ultra­pas­sam R$ 5 bil­hões, mais 1,1 mil megawatts terão entra­do em oper­ação ao final de 2018, prati­ca­mente dobran­do, em ape­nas um ano, a pro­dução de elet­ri­ci­dade desse modo.

Emb­o­ra a maior parte da ger­ação de ener­gia em sis­temas foto­voltaicos – aque­les em que os painéis como os vis­tos na foto aci­ma cap­tam a ener­gia solar e a lev­am em for­ma de elet­ri­ci­dade para den­tro das casas – seja “cen­tral­iza­da”, a par­tir de grandes usi­nas, a que é fei­ta pelos próprios con­sum­i­dores tam­bém já con­quis­tou seu espaço: responde hoje por 350 megawatts do total (prati­ca­mente o dobro do ano pas­sa­do), segun­do a Abso­lar. São 37,1 mil sis­temas solares foto­voltaicos conec­ta­dos à rede, ben­e­fi­cian­do 44,7 mil unidades con­sum­i­do­ras (há meios de ger­ação com­par­til­ha­da em que um mes­mo sis­tema ben­e­fi­cia mais de uma casa).

Ou seja: ener­gia limpa, ger­a­da na própria casa ou negó­cio, barate­an­do a con­ta de luz e cada vez mais dis­sem­i­na­da. Con­ver­samos com Rodri­go Saua­ia, pres­i­dente da Abso­lar, a enti­dade que reúne as empre­sas espe­cial­izadas na insta­lação dos sis­temas de ger­ação de ener­gia solar, para tirar as prin­ci­pais dúvi­das sobre como entrar nesse mer­ca­do. Veja as respostas para as prin­ci­pais dúvi­das abaixo.

Do que estamos falando, afinal?

Você já deve ter vis­to o sis­tema de aque­c­i­men­to de água uti­lizan­do pla­cas que cap­tam a ener­gia solar, e um pequeno reser­vatório. Con­heci­dos como boil­ers, ess­es equipa­men­tos nor­mal­mente usa­dos em áreas rurais man­têm a água aque­ci­da para ser usa­da nas residên­cias sem o gas­to de ener­gia elétri­ca. Não é, no entan­to, deste tipo de ener­gia solar que esta­mos falan­do quan­do o assun­to é ger­ação de ener­gia elétri­ca com base em sis­temas foto­voltaicos. “Muitas pes­soas ain­da rela­cionam a ener­gia solar com o aque­c­i­men­to de água, e não é isso. Quan­do falam­os em ener­gia solar foto­voltaica, é a con­ver­são dire­ta da irra­di­ação solar em ener­gia elétri­ca, por meio de equipa­men­tos especí­fi­cos que são insta­l­a­dos”, expli­ca Saua­ia.

Quais equipamentos são necessários?

Há qua­tro com­po­nentes prin­ci­pais nos sis­temas foto­voltaicos, além dos cabos e conec­tores necessários para que todos fun­cionem no mes­mo sis­tema:

Módu­lo foto­voltaico: são as pla­cas cole­toras (às vezes tam­bém chama­dos de painéis solares), que recebem a irra­di­ação solar;

Ras­treador solar: tam­bém chama­do de “estru­tu­ra de suporte”, ele ori­en­ta as célu­las do módu­lo foto­voltaico con­forme a movi­men­tação do sol durante o dia, seguin­do o astro durante o dia, mais ou menos como fazem os girassóis;

Inver­sor: respon­sáv­el por trans­for­mar a ener­gia solar em cor­rente elétri­ca, é um quadro nor­mal­mente local­iza­do numa das pare­des exter­nas do imóv­el e fica lig­a­do, por um lado, aos módu­los solares, e, por out­ro, ao quadro de ener­gia, para dis­tribuir a elet­ri­ci­dade.

Medi­dor bidi­re­cional: o famoso “reló­gio de luz”, que mede o con­sumo. Mas, nesse caso, não ape­nas da ener­gia envi­a­da para den­tro do imóv­el. Tam­bém é medi­do o que não foi uti­liza­do e acabou sendo lev­a­do à rede elétri­ca.

Como instalar tudo isso?

Segun­do Rodri­go Saua­ia, não é pre­ciso se pre­ocu­par muito com as tec­ni­cal­i­dades. Há, afir­ma, mil­hares de empre­sas espe­cial­izadas na insta­lação e gestão de sis­temas foto­voltaicos espal­hadas pelo Brasil que cuidam de todo o proces­so. “Bas­ta pegar a con­ta de ener­gia elétri­ca e leva-la a uma empre­sa espe­cial­izadas em ener­gia solar foto­voltaica. Ela vai então anal­is­ar e faz­er uma cotação para que o con­sum­i­dor ava­lie quan­to ele pre­cis­aria inve­stir no sis­tema”, diz o pres­i­dente da Abso­lar.

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A empre­sa cui­da de todos os equipa­men­tos, com exceção do medi­dor bidi­re­cional, que é de respon­s­abil­i­dade da dis­tribuido­ra de ener­gia. Mas, segun­do o exec­u­ti­vo, boa parte das com­pan­hias espe­cial­izadas fazem tam­bém a inter­me­di­ação desse proces­so, assim como o con­ta­to com a dis­tribuido­ra para lig­ar a rede elétri­ca à insta­lação foto­voltaica.

Quanto custa? E quanto se pode economizar?

Todo esse proces­so, afir­ma o pres­i­dente da Abso­lar, cos­tu­ma sair em torno de R$ 15 mil, geran­do uma econo­mia de 80% a 90% na con­ta de luz. “Isso pen­san­do em uma residên­cia da média brasileira, para uma família de qua­tro pes­soas”, esclarece. Depen­den­do do taman­ho do imóv­el, do con­sumo de ener­gia e dos equipa­men­tos usa­dos, é necessária uma quan­ti­dade maior de módu­los foto­voltaicos, o que encar­ece o proces­so.

Mas, uma vez feito, o inves­ti­men­to tende a “se pagar”, na for­ma de redução da con­ta de ener­gia elétri­ca, em “mais ou menos qua­tro a sete anos”, de acor­do com o espe­cial­ista.

Há, entre­tan­to, out­ras for­mas de se con­tratar o serviço, sem nec­es­sari­a­mente faz­er o inves­ti­men­to todo. Foi reg­u­la­men­ta­do recen­te­mente o proces­so de ger­ação com­par­til­ha­da de ener­gia, em que con­sum­i­dores se unem em uma coop­er­a­ti­va para con­stru­ir uma peque­na cen­tral de ger­ação. Nesse caso, a própria empre­sa fornece­do­ra ban­ca a com­pra dos equipa­men­tos, e um con­tra­to a lon­go pra­zo garante que os con­sum­i­dores a paguem num pra­zo maior. É bom ressaltar, entre­tan­to, que nesse caso a econo­mia men­sal é menor, já que essa espé­cie de finan­cia­men­to será paga jun­ta­mente com a ener­gia gas­ta.

É possível zerar a conta de luz? Ou ter créditos de energia?

Sim e não. Os con­sum­i­dores terão seu sis­tema foto­voltaico pro­je­ta­do para ger­ar a maior econo­mia pos­sív­el na con­ta de luz ten­do por base a ener­gia con­sum­i­da anual­mente e a deman­da média do imóv­el. Isso sig­nifi­ca que em alguns meses o sis­tema pode ger­ar mais econo­mia e em out­ros meses, menos.

Assim, se con­sumir menos do que é pro­duzi­do pelo sis­tema foto­voltaico, o con­sum­i­dor pode abater quase com­ple­ta­mente a con­ta de luz – mas não deixará de pagar o “cus­to disponi­bil­i­dade” da ener­gia elétri­ca, uma taxa mín­i­ma cobra­da pelas empre­sas para prestar o serviço de dis­tribuição. Por isso se fala em uma redução de, no máx­i­mo, 90%.

Mas, ain­da assim, é pos­sív­el ger­ar crédi­tos com exce­dentes de ener­gia. A luz exce­dente é deposi­ta­da na rede para que out­ros usuários a uti­lizem, e os crédi­tos ger­a­dos podem ser usa­dos por até 60 meses. Por exem­p­lo: um pouco da ener­gia pro­duzi­da durante o dia gera crédi­to para con­sumo durante a noite, quan­do não há como cap­tar a luz solar.

Qualquer região do Brasil ou tipo de imóvel pode produzir a energia dessa forma?

De acor­do com o pres­i­dente da Abso­lar, sim. Como a ger­ação de ener­gia depende da incidên­cia de luz solar, algu­mas regiões do plan­e­ta, depen­den­do da incli­nação no globo, podem ter sua pro­dução prej­u­di­ca­da. Mas não é o caso do Brasil, que, ape­sar da sua grande exten­são, não ocu­pa os extremos da Ter­ra.

Quan­to aos imóveis, mes­mo quem mora em aparta­men­to ou de aluguel pode se ben­e­fi­ciar, por meio da ger­ação com­par­til­ha­da. O mes­mo vale para quem quer abaste­cer de ener­gia uma empre­sa com várias unidades. Ele expli­ca que a ger­ação de ener­gia em um local pode ger­ar crédi­to para abater o con­sumo em out­ro, comouma casa de cam­po geran­do crédi­tos para um aparta­men­to na cidade.“A úni­ca exigên­cia é que os imóveis este­jam todos sob a mes­ma tit­u­lar­i­dade e sejam aten­di­dos pela mes­ma dis­tribuido­ra de ener­gia”, expli­ca.

E se a tendência não se confirmar e o país deixar de investir nesse tipo de energia?

É bas­tante difí­cil que isso acon­teça. Não só pela neces­si­dade ambi­en­tal ou porque no mun­do inteiro a ener­gia solar foto­voltaica vem crescen­do a rit­mos acel­er­a­dos, mas porque inves­ti­men­tos a lon­go pra­zo vêm sendo feitos por aqui e barate­an­do o cus­to da ener­gia. “Hoje, essa ener­gia cus­ta ape­nas 17% do que cus­ta­va em 2010”, diz Saua­ia.

Em seu relatório anu­al sobre o setor energéti­co, a Bloomberg pre­vê que as ener­gias solar e eóli­ca, com­bi­nadas, dev­erão rep­re­sen­tar 50% da pro­dução mundi­al em 2050. No Brasil, o pres­i­dente da Abso­lar pre­vê que, em 2030, os sis­temas foto­voltaicos pulem para 10% da matriz energéti­ca.

Como obter mais infor­mações?
Depen­den­do da região, a dis­tribuido­ra de ener­gia pode ter exigên­cias especí­fi­cas para a ger­ação dis­tribuí­da de ener­gia. E elas são obri­gadas pela reg­u­la­men­tação do setor a ter um espaço em seu site na inter­net com as ori­en­tações a respeito. Por isso, é impor­tante procu­ra-las, assim como con­sul­tar as empre­sas espe­cial­izadas em ener­gia foto­voltaica da sua cidade.

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