No futuro próximo até uma padaria deverá ser inovadora

Fotos do ambiente e produtos da padaria Guarani, há 1,5 ano em Curitiba, vinda de Caçador - SC. Lá, ela existe há mais de 55 anos

No futuro próximo até uma padaria deverá ser inovadora

“O que foi o iPhone? Uma nova com­bi­nação que Steve Jobs fez de recur­sos que já exis­ti­am”.

O exem­p­lo é cita­do por André Cheru­bi­ni Alves, pro­fes­sor da Fun­dação Getulio Var­gas (FGV) e dire­tor do Sil­i­con Val­ley Insti­tute for Busi­ness Inno­va­tion, para explicar o que é ino­vação. Mas não se tra­ta, nec­es­sari­a­mente, de ino­vação tec­nológ­i­ca.

A tec­nolo­gia é parte cen­tral na ino­vação, diz Alves, mas não da for­ma como cos­tu­mamos imag­i­nar. Toda empre­sa, seja a padaria da esquina ou a Apple, parte de algum con­hec­i­men­to para resolver um prob­le­ma do mer­ca­do. O con­hec­i­men­to apli­ca­do para esse fim, segun­do o pro­fes­sor, é tec­nolo­gia.

“Rela­cionar ino­vação ape­nas a invenções, como a de um smart­phone, faz o empreende­dor achar que ela está muito dis­tante. Na ver­dade, está na inter­face dire­ta que ele tem com seu con­sum­i­dor”, afir­ma. É pos­sív­el ino­var na comu­ni­cação com os clientes, por exem­p­lo, usan­do o próprio smart­phone inven­ta­do por Jobs. O impor­tante é que, mais do que ser uma novi­dade, essa ino­vação gere resul­ta­do – seja como um pro­du­to, um serviço ou um proces­so.

Quem, quan­do e como

Mas, afi­nal, todos os negó­cios pre­cisam ino­var? Segun­do o pro­fes­sor da Fun­dação Getulio Var­gas, a tendên­cia é que sim. “Ao mes­mo tem­po que as pos­si­bil­i­dades trazi­das pela tec­nolo­gia empoder­am a pes­soa que tem aces­so a elas, elas tam­bém afe­tam setores, ativi­dades e for­mas de tra­bal­ho”, afir­ma. A tendên­cia é as empre­sas bus­carem ino­vação quan­do as ven­das param de crescer ou começam a cair. Mas muitas vezes já é tarde demais.

Antes de par­tir para a mis­são, porém, é necessário olhar para den­tro. “As empre­sas do Brasil têm muitos prob­le­mas de orga­ni­za­ção e de efi­ciên­cia em proces­sos. Na medi­da em que você não tem efi­ciên­cia na oper­ação, não con­segue nem focar na ino­vação ou no mer­ca­do. Sua tare­fa no dia a dia é apa­gar incên­dios”, diz Alves. Em um cenário como esse, a própria reor­ga­ni­za­ção pode ser ino­vado­ra – dimin­uin­do cus­tos, pro­moven­do efi­ciên­cia e abrindo espaço para os pro­je­tos que garan­tirão longev­i­dade ao negó­cio.

A buro­c­ra­cia no país é um entrave nes­sa área, mas não é o úni­co. Segun­do o pro­fes­sor, é pre­ciso força de von­tade para bus­car capac­i­tação e fer­ra­men­tas que aux­iliem nes­sa orga­ni­za­ção. Além de garan­tir um mel­hor desem­pen­ho local­mente, ela tam­bém pode abrir espaço para maiores ambições. “Nos Esta­dos Unidos, as empre­sas nascem peque­nas, mas com pen­sa­men­to glob­al. Isso fal­ta para nós, e tem uma razão: as difi­cul­dades de resolver as coisas aqui as impe­dem de pen­sar para fora”, diz.

Erros, acer­tos e neces­si­dades

No caso de muitas empre­sas, o prob­le­ma não está na fal­ta de ino­vação, mas no foco que se dá a ela. Em 2010, o pro­fes­sor da Fun­dação Getulio Var­gas orga­ni­zou um estu­do que mapeou 1.500 empre­sas no Rio Grande do Sul. Elas foram anal­isadas a par­tir de qua­tro com­petên­cias cen­trais: opera­cional, geren­cial, com­er­cial e capaci­dade de desen­volvi­men­to.

Entre out­ras con­clusões, a pesquisa con­sta­tou que gestão, com­er­cial e desen­volvi­men­to são as capaci­dades que mais influ­en­ci­am no aumen­to do lucro da empre­sa, enquan­to a oper­ação foi con­sid­er­a­da pouco sig­ni­fica­ti­va. Out­ro blo­co bus­cou iden­ti­ficar onde as empre­sas mais inve­sti­ram esforços em ino­vação. 80% delas respon­der­am “oper­ação”.

“Isso mostra um cer­to grau de defasagem tec­nológ­i­ca de oper­ação. Se você per­gun­ta o que é ino­vação para elas, elas respon­dem que é a com­pra de equipa­men­to e atu­al­iza­ção do maquinário”, diz o pro­fes­sor. “Enquan­to não nos atu­alizarmos com mel­hores práti­cas e tec­nolo­gias mais avançadas, não con­seguire­mos pen­sar em ino­vação.”

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