Connected TV no Brasil: a próxima grande plataforma de software

Entenda por que a Connected TV está se tornando uma grande plataforma de software no Brasil, criando oportunidades para apps, streaming, publicidade, dados e IA.

No pas­sa­do recente quan­do falá­va­mos em platafor­mas de soft­ware, três ambi­entes domi­navam prati­ca­mente toda a con­ver­sa.

💻 Com­puta­dores.

📱 Smart­phones.

🌐 Web.

Empre­sas cri­avam sites, aplica­tivos para Android e iOS, sis­temas empre­sari­ais e serviços dig­i­tais pen­san­do prin­ci­pal­mente nes­sas telas.

A tele­visão per­mane­cia em out­ra cat­e­go­ria.

Era vista como apar­el­ho de entreten­i­men­to.

Uma tela para assi­s­tir.

Não uma platafor­ma para desen­volver.

Isso está mudan­do rap­i­da­mente.

A Con­nect­ed TV, ou sim­ples­mente CTV, está trans­for­man­do a maior tela da casa em um ambi­ente de soft­ware que começa a reunir aplica­tivos, stream­ing, canais ao vivo, pub­li­ci­dade dig­i­tal, dados, inteligên­cia arti­fi­cial, comér­cio, games, serviços e exper­iên­cias inter­a­ti­vas.

No Brasil, essa trans­for­mação já ultra­pas­sou a fase exper­i­men­tal.

Segun­do a quar­ta edição do estu­do de Con­nect­ed TV da Com­score, apre­sen­ta­da em maio de 2026, 67% da pop­u­lação dig­i­tal brasileira já era espec­ta­do­ra de CTV em 2025, rep­re­sen­tan­do aprox­i­mada­mente 88 mil­hões de brasileiros.

Con­heça o estu­do de Con­nect­ed TV da Com­score no Brasil

Dados apre­sen­ta­dos pela Roku, tam­bém basea­d­os em estu­do da Com­score, indicam que 67% dos inter­nau­tas brasileiros vivem em residên­cias com pelo menos uma TV conec­ta­da, enquan­to 65% dos domicílios com CTV fazem stream­ing diari­a­mente. O con­sumo médio infor­ma­do chega a 4,3 horas de stream­ing por dia ness­es lares.

Ess­es números rev­e­lam algo maior do que uma mudança na maneira de assi­s­tir tele­visão.

Eles mostram o nasci­men­to de uma platafor­ma.

E quem enten­der essa trans­for­mação cedo poderá encon­trar na tele­visão aqui­lo que empre­sas desco­bri­ram no smart­phone há aprox­i­mada­mente quinze anos:

um novo ter­ritório para con­stru­ir pro­du­tos dig­i­tais.

Connected TV não é apenas streaming

Uma das primeiras coisas que pre­cisamos mudar é a definição.

Quan­do alguém fala em Con­nect­ed TV, mui­ta gente pen­sa ime­di­ata­mente:

Net­flix.

YouTube.

Prime Video.

Dis­ney+.

Globo­play.

Isso faz sen­ti­do.

Stream­ing foi uma das prin­ci­pais forças respon­sáveis por conec­tar a tele­visão à inter­net.

Mas Con­nect­ed TV é muito maior do que stream­ing.

Uma Smart TV mod­er­na pos­sui:

📱 aplica­tivos

🧭 sis­tema opera­cional

🔍 bus­ca

👤 con­tas de usuário

💳 pos­si­bil­i­dades de mon­e­ti­za­ção

🎮 jogos

📺 canais ao vivo

🛒 exper­iên­cias com­er­ci­ais

📊 dados

🔔 noti­fi­cações e recomen­dações

🎙️ coman­dos de voz

🤖 inteligên­cia arti­fi­cial

🌐 conec­tivi­dade

Em out­ras palavras, vários com­po­nentes que durante anos asso­ci­amos ao smart­phone começaram a ocu­par tam­bém a tele­visão.

A difer­ença é que essa platafor­ma pos­sui car­ac­terís­ti­cas próprias.

Uma tela de 55 pole­gadas não é um smart­phone gigante.

O usuário não está segu­ran­do o apar­el­ho.

Não uti­liza touch­screen.

Nor­mal­mente está a alguns met­ros de dis­tân­cia.

Nave­ga por con­t­role remo­to.

Pode estar acom­pan­hado.

E tende a con­sumir exper­iên­cias de maneira muito mais relax­a­da.

No desen­volvi­men­to de soft­ware, isso muda prati­ca­mente tudo.

A Smart TV virou um computador especializado

Por trás de uma Smart TV existe uma arquite­tu­ra de soft­ware cada vez mais sofisti­ca­da.

Sam­sung pos­sui Tizen.

LG uti­liza webOS.

Roku pos­sui sua própria platafor­ma.

Google TV e Android TV uti­lizam o ecos­sis­tema Android.

Ama­zon pos­sui Fire TV.

Apple pos­sui tvOS.

Cada platafor­ma apre­sen­ta tec­nolo­gias, fer­ra­men­tas, APIs, proces­sos de homolo­gação e mod­e­los de dis­tribuição próprios.

A Sam­sung, por exem­p­lo, man­tém todo um ecos­sis­tema ofi­cial de desen­volvi­men­to para apli­cações de Smart TV baseadas em Tizen, incluin­do SDK, APIs, fer­ra­men­tas de teste, cer­ti­fi­ca­dos e o Sell­er Office para dis­tribuição.

Con­heça a platafor­ma de desen­volvi­men­to Sam­sung Smart TV

A LG ofer­ece fer­ra­men­tas próprias para webOS TV, incluin­do CLI, exten­são para Visu­al Stu­dio Code, sim­u­lador, APIs e ambi­ente de desen­volvi­men­to. Aplica­tivos webOS podem uti­lizar tec­nolo­gias con­heci­das do desen­volvi­men­to web, como HTML, CSS e JavaScript.

Con­heça o ambi­ente ofi­cial de desen­volvi­men­to LG webOS TV

Na Roku, aplica­tivos pos­suem ecos­sis­tema próprio de desen­volvi­men­to e podem inte­grar aut­en­ti­cação, paga­men­tos, DRM, ana­lyt­ics e difer­entes for­matos de nave­g­ação e con­teú­do.

Con­heça a platafor­ma ofi­cial para desen­volve­dores Roku

Isso é platafor­ma de soft­ware no sen­ti­do com­ple­to do ter­mo.

O que aconteceu no smartphone pode acontecer na televisão

Volte­mos a 2008.

Naque­le momen­to, mui­ta gente ain­da enx­er­ga­va o tele­fone prin­ci­pal­mente como apar­el­ho de comu­ni­cação.

Lig­ação.

SMS.

Câmera.

Inter­net bási­ca.

Então chegaram as lojas de aplica­tivos.

A trans­for­mação não acon­te­ceu sim­ples­mente porque os smart­phones ficaram mel­hores.

Acon­te­ceu porque o tele­fone virou platafor­ma para ter­ceiros cri­arem pro­du­tos.

Uber não pre­cisou fab­ricar um smart­phone.

Spo­ti­fy não pre­cisou cri­ar uma oper­ado­ra.

Insta­gram não pre­cisou desen­volver uma câmera.

Nubank não pre­cisou con­stru­ir uma rede de tele­fo­nia.

Eles uti­lizaram uma platafor­ma exis­tente e con­struíram serviços sobre ela.

É exata­mente esse raciocínio que começa a ficar inter­es­sante quan­do obser­va­mos Con­nect­ed TV.

Fab­ri­cantes colo­caram mil­hões de tele­vi­sores conec­ta­dos den­tro das casas.

Sis­temas opera­cionais foram con­struí­dos.

Lojas de aplica­tivos sur­gi­ram.

Infraestru­tu­ra de stream­ing amadure­ceu.

CDNs se expandi­ram.

Vídeo pela inter­net ficou mais con­fiáv­el.

Pub­li­ci­dade dig­i­tal chegou à tele­visão.

Ago­ra começa uma nova per­gun­ta:

O que podemos con­stru­ir sobre essa infraestru­tu­ra?

O Brasil já possui escala suficiente

Uma platafor­ma somente se tor­na eco­nomi­ca­mente inter­es­sante quan­do pos­sui públi­co.

É por isso que os números brasileiros mere­cem atenção.

Os aprox­i­mada­mente 88 mil­hões de espec­ta­dores brasileiros de CTV apon­ta­dos pela Com­score rep­re­sen­tam uma audiên­cia grande demais para ser trata­da como nicho tec­nológi­co.

CTV já faz parte da roti­na de entreten­i­men­to dig­i­tal de mil­hões de famílias.

O IAB Brasil recon­hece essa trans­for­mação.

Na edição 2026 de seu Guia de Vídeo Dig­i­tal, Stream­ing e TV Conec­ta­da, o insti­tu­to colo­ca Con­nect­ed TV den­tro de um ecos­sis­tema que envolve pub­li­ci­dade pro­gramáti­ca, inteligên­cia arti­fi­cial, inter­a­tivi­dade, dados de primeira parte, men­su­ração omni­canal e inte­gração entre mídia lin­ear e dig­i­tal.

Acesse o Guia de Vídeo Dig­i­tal, Stream­ing e TV Conec­ta­da do IAB Brasil

Esse é um sinal impor­tante.

CTV não está mais sendo dis­cu­ti­da ape­nas pelos fab­ri­cantes de tele­vi­sores.

Entrou defin­i­ti­va­mente na dis­cussão estratég­i­ca sobre mídia, tec­nolo­gia e negó­cios.

Existe uma característica única: a TV domina a sala

O smart­phone está no bol­so.

O note­book está na mesa.

A tele­visão ocu­pa uma parede.

Essa difer­ença físi­ca pro­duz con­se­quên­cias impor­tantes.

A TV con­tin­ua sendo, em muitos lares, a maior super­fí­cie dig­i­tal disponív­el.

Uma apli­cação exibi­da em uma tela de 55, 65 ou 75 pole­gadas pos­sui pre­sença visu­al com­ple­ta­mente difer­ente daque­la de uma inter­face de smart­phone.

Além dis­so, a tele­visão fre­quente­mente envolve mais de uma pes­soa.

Casais assis­tem jun­tos.

Famílias se reúnem.

Ami­gos assis­tem esportes.

Cri­anças con­somem con­teú­do.

Esse com­por­ta­men­to faz com que CTV não seja ape­nas mais um dis­pos­i­ti­vo.

É um ambi­ente dig­i­tal com­par­til­ha­do.

E ambi­entes com­par­til­ha­dos podem ger­ar cat­e­go­rias de soft­ware próprias.

Aplicativos serão apenas o começo

Hoje, a uti­liza­ção mais evi­dente de aplica­tivos para Smart TV está rela­ciona­da ao vídeo.

Canais.

Filmes.

Séries.

Notí­cias.

Esportes.

Stream­ing ao vivo.

Isso con­tin­uará sendo extrema­mente impor­tante.

Mas lim­i­tar o poten­cial da tele­visão a vídeo seria repe­tir o erro de quem imag­i­na­va que o smart­phone serviria ape­nas para lig­ações mel­hores.

Uma tele­visão conec­ta­da pode rece­ber apli­cações de:

🏋️ fit­ness

📚 edu­cação

🎮 games

🎵 músi­ca

🧘 bem estar

🏢 comu­ni­cação cor­po­ra­ti­va

⛪ con­teú­do reli­gioso

📰 notí­cias

⚽ esportes

🏠 automação res­i­den­cial

🛍️ comér­cio

🍳 gas­trono­mia

🎓 treina­men­to

👶 con­teú­do infan­til

🏥 ori­en­tação e serviços de saúde com­patíveis com o ambi­ente domés­ti­co

A própria tela ini­cial do webOS TV 26 mostra como esse con­ceito está evoluin­do. A LG já orga­ni­za áreas ded­i­cadas a gam­ing, músi­ca, esportes, edu­cação, notí­cias, automação res­i­den­cial e até shop­ping, além dos aplica­tivos tradi­cionais e con­teú­dos de stream­ing.

Isso mostra que os próprios fab­ri­cantes estão deixan­do de tratar a TV exclu­si­va­mente como play­er de vídeo.

A televisão está deixando de ser canal para virar distribuição

Durante décadas, quem dese­ja­va pos­suir pre­sença na tele­visão pre­cisa­va con­tro­lar ou nego­ciar aces­so a algu­ma estru­tu­ra de dis­tribuição.

Emis­so­ra.

Oper­ado­ra.

Satélite.

Canal.

Grade de pro­gra­mação.

Hoje um pro­pri­etário de con­teú­do pode cri­ar um aplica­ti­vo.

Pub­licá lo em uma platafor­ma.

Entre­gar vídeo pela inter­net.

E chegar dire­ta­mente ao usuário.

Esse mod­e­lo é espe­cial­mente poderoso para mer­ca­dos de nicho.

Uma emis­so­ra region­al pode ampli­ar sua dis­tribuição.

Uma igre­ja pode con­stru­ir um canal próprio.

Um clube esporti­vo pode entre­gar con­teú­do dire­ta­mente aos torce­dores.

Uma uni­ver­si­dade pode cri­ar uma exper­iên­cia edu­ca­cional.

Uma pro­du­to­ra pode disponi­bi­lizar catál­o­go.

Uma empre­sa de mídia pode reunir canais lin­ear­es e con­teú­do sob deman­da.

Um espe­cial­ista pode trans­for­mar sua bib­liote­ca de vídeos em pro­du­to de assi­natu­ra.

A dis­tân­cia entre ter con­teú­do e ter pre­sença na tele­visão diminuiu dra­mati­ca­mente.

Um canal regional pode ganhar audiência nacional

Essa talvez seja uma das opor­tu­nidades mais subes­ti­madas da Con­nect­ed TV.

A tele­visão tradi­cional pos­sui uma forte lóg­i­ca geográ­fi­ca.

Uma emis­so­ra trans­mite para deter­mi­na­da região.

Na inter­net, essa fron­teira desa­parece.

Uma TV de Per­nam­bu­co pode ser assis­ti­da em San­ta Cata­ri­na.

Um canal de Flo­ri­anópo­lis pode alcançar brasileiros em São Paulo.

Con­teú­do brasileiro pode chegar ao exte­ri­or.

Isso muda a econo­mia do con­teú­do region­al.

Talvez um pro­gra­ma pos­sua audiên­cia lim­i­ta­da den­tro de uma cidade.

Mas exista públi­co sufi­ciente quan­do toda a audiên­cia poten­cial é reuni­da nacional­mente.

Con­nect­ed TV per­mite que nichos geográ­fi­cos se trans­formem em nichos dig­i­tais.

FAST Channels estão reinventando a televisão gratuita

Existe out­ra trans­for­mação acon­te­cen­do rap­i­da­mente.

Durante os primeiros anos do stream­ing, pare­cia que tudo cam­in­haria para assi­nat­uras.

O con­sum­i­dor teria vários serviços pagos.

Na práti­ca, surgiu fadi­ga de assi­nat­uras.

E isso abriu espaço para os FAST Chan­nels.

FAST sig­nifi­ca Free Ad Sup­port­ed Stream­ing Tele­vi­sion.

São canais gra­tu­itos finan­cia­dos por pub­li­ci­dade.

Para o usuário, a exper­iên­cia pos­sui algo famil­iar.

Ele abre um canal.

Existe uma pro­gra­mação acon­te­cen­do.

Não pre­cisa nec­es­sari­a­mente escol­her cada vídeo.

É uma mis­tu­ra inter­es­sante entre a tele­visão lin­ear e a infraestru­tu­ra da inter­net.

Sam­sung TV Plus é um exem­p­lo impor­tante desse movi­men­to.

Em setem­bro de 2026, a platafor­ma brasileira já desta­ca­va canais de cre­ators e mar­cas de mídia como Omelete TV, Pod­pah, TV Flow, Man­u­al do Mun­do, DiaTV e out­ros.

Veja exem­p­los atu­ais de canais disponíveis no Sam­sung TV Plus no Brasil

Isso rev­ela algo impor­tante.

Cre­ators estão chegan­do à tele­visão.

Durante anos, tal­en­tos saíram da TV para a inter­net.

Ago­ra parte do con­teú­do que nasceu na inter­net está fazen­do o cam­in­ho inver­so.

Só que retor­na para uma tele­visão com­ple­ta­mente difer­ente.

Todo proprietário de conteúdo começa a poder pensar como uma emissora

Esse fenô­meno muda a lóg­i­ca para cri­adores.

Um pro­du­tor de con­teú­do não pre­cisa pen­sar ape­nas:

“Qual vídeo vou pub­licar aman­hã?”

Pode começar a pen­sar:

“Qual pro­gra­mação pos­so con­stru­ir?”

Essa mudança é pro­fun­da.

Bib­liote­cas anti­gas podem ser reor­ga­ni­zadas.

Con­teú­dos podem ser agru­pa­dos por tema.

Pro­gra­mas podem gan­har horários.

Novos canais FAST podem sur­gir.

Uma mar­ca que acu­mu­lou mil­hares de horas de con­teú­do ao lon­go dos anos pode desco­brir que pos­sui um ati­vo de mídia que nun­ca enx­er­gou dessa for­ma.

Isso cria opor­tu­nidades para:

📺 canais temáti­cos

🎬 con­teú­do sob deman­da

💰 pub­li­ci­dade

⭐ patrocínios

💳 assi­nat­uras

📊 dados de audiên­cia

🔄 dis­tribuição mul­ti­platafor­ma

A tele­visão vol­ta a ter grade.

Mas ago­ra a grade pode ser con­struí­da por empre­sas que nun­ca pos­suíram uma torre de trans­mis­são.

Software muda também a maneira de monetizar televisão

Quan­do tele­visão e soft­ware se encon­tram, apare­cem novos mod­e­los de negó­cio.

Um aplica­ti­vo pode ser gra­tu­ito.

Pode cobrar assi­natu­ra.

Pode uti­lizar pub­li­ci­dade.

Pode ofer­e­cer com­pra den­tro do aplica­ti­vo.

Pode com­bi­nar con­teú­do gra­tu­ito e pre­mi­um.

Pode uti­lizar patroci­nadores.

Pode fun­cionar como exten­são de out­ro negó­cio.

Na doc­u­men­tação da Roku, por exem­p­lo, a platafor­ma pre­vê recur­sos para assi­nat­uras, transações den­tro de aplica­tivos, aut­en­ti­cação, ana­lyt­ics e mon­e­ti­za­ção.

Isso aprox­i­ma o ecos­sis­tema de Smart TVs da lóg­i­ca SaaS e mobile.

A per­gun­ta deixa de ser ape­nas:

“Quan­to cus­ta colo­car meu canal na TV?”

E pas­sa a ser:

“Qual mod­e­lo de negó­cio pos­so con­stru­ir den­tro da TV?”

A publicidade também está virando software

Na tele­visão tradi­cional, a pub­li­ci­dade segue uma lóg­i­ca rel­a­ti­va­mente con­heci­da.

Pro­gra­ma.

Inter­va­lo.

Com­er­cial.

Con­nect­ed TV intro­duz out­ra cama­da.

A pub­li­ci­dade pode ser:

🎯 seg­men­ta­da

📊 men­su­ra­da

⚙️ com­pra­da pro­gra­mati­ca­mente

👥 dire­ciona­da por audiên­cia

📍 region­al­iza­da

🛍️ inter­a­ti­va

🔄 integra­da a out­ras telas

Uma cam­pan­ha exibi­da em uma tele­visão pode par­tic­i­par de um ecos­sis­tema de dados semel­hante ao da pub­li­ci­dade dig­i­tal.

A Roku resume essa pro­pos­ta como a com­bi­nação entre o impacto da tele­visão e a pre­cisão do dig­i­tal, incluin­do seg­men­tação endereçáv­el, men­su­ração e mídia pro­gramáti­ca.

Não sig­nifi­ca que CTV seja sim­ples­mente um anún­cio do Insta­gram em uma tela maior.

O con­tex­to é difer­ente.

A exper­iên­cia é difer­ente.

A atenção é difer­ente.

Mas a infraestru­tu­ra começa a gan­har capaci­dades dig­i­tais.

A tela inicial virou território econômico

Há uma cama­da de soft­ware extrema­mente estratég­i­ca que pou­cas pes­soas obser­vam:

a home da tele­visão.

Antes de abrir Net­flix, YouTube ou qual­quer aplica­ti­vo, o usuário pas­sa pela inter­face do sis­tema opera­cional.

Ali apare­cem:

aplica­tivos

con­teú­dos recomen­da­dos

ban­ners

canais

bus­ca

serviços

pub­li­ci­dade

shop­ping

Essa tela se tornou um ter­ritório extrema­mente valioso.

Quem con­tro­la a home influ­en­cia descober­ta.

Quem influ­en­cia descober­ta influ­en­cia audiên­cia.

Quem influ­en­cia audiên­cia influ­en­cia recei­ta.

A LG, por exem­p­lo, doc­u­men­ta ofi­cial­mente que a tela ini­cial atu­al do webOS pos­sui hero ban­ner, recomen­dações, aplica­tivos, pub­li­ci­dade, LG Chan­nels, stream­ing e área de shop­ping.

A TV deixou de ser ape­nas hard­ware.

O sis­tema opera­cional pas­sou a con­tro­lar parte impor­tante da relação entre usuário e con­teú­do.

Descoberta será tão importante quanto instalação

No smart­phone, existe um prob­le­ma con­heci­do.

Mil­hões de aplica­tivos com­petem por atenção.

Na tele­visão, algo semel­hante começa a acon­te­cer.

Ter um aplica­ti­vo pub­li­ca­do não sig­nifi­ca auto­mati­ca­mente ser encon­tra­do.

Por isso, fab­ri­cantes estão investin­do em descober­ta.

Em maio de 2026, o Google infor­mou pos­suir mais de 300 mil­hões de dis­pos­i­tivos ativos men­salmente entre Google TV e Android TV e anun­ciou novas fer­ra­men­tas des­ti­nadas jus­ta­mente a aumen­tar descober­ta e enga­ja­men­to de aplica­tivos.

Veja as novi­dades para descober­ta de apps no Google TV

Isso apon­ta para uma nova dis­ci­plina.

Podemos começar a falar em algo semel­hante a:

TV App Opti­miza­tion.

Assim como empre­sas apren­der­am SEO para Google e ASO para lojas de aplica­tivos móveis, pub­lish­ers pre­cis­arão apren­der como aumen­tar descober­ta den­tro das tele­visões.

Imagem.

Títu­lo.

Metada­dos.

Recomen­dação.

Con­teú­do.

Retenção.

Enga­ja­men­to.

Tudo começa a impor­tar.

Inteligência artificial vai transformar a interface da TV

Aqui está uma das partes mais inter­es­santes do futuro próx­i­mo.

Durante décadas, naveg­amos pela tele­visão uti­lizan­do números.

Depois vier­am menus.

Depois aplica­tivos.

Ago­ra podemos entrar na era da intenção.

Em vez de nave­g­ar por dezenas de menus, o usuário poderá sim­ples­mente diz­er:

“Quero uma comé­dia brasileira leve.”

“Mostre os mel­hores gols de ontem.”

“Encon­tre uma aula sobre inteligên­cia arti­fi­cial.”

“Quero um desen­ho para uma cri­ança de cin­co anos.”

“Con­tin­ue a série que eu esta­va ven­do.”

O Google já está levan­do Gem­i­ni para a exper­iên­cia do Google TV, com­bi­nan­do voz, tex­to, vídeo e ele­men­tos visuais para aju­dar usuários a encon­trar con­teú­do e realizar out­ras tare­fas.

Isso pode trans­for­mar com­ple­ta­mente a descober­ta.

A inter­face deixa de ser:

menu → aplica­ti­vo → cat­e­go­ria → con­teú­do

e pode se tornar:

intenção → resul­ta­do.

Esse movi­men­to terá enorme impacto para quem desen­volve soft­ware para tele­visão.

A IA pode transformar a TV em um agente doméstico

Existe uma eta­pa ain­da mais ambi­ciosa.

Hoje pen­samos na tele­visão como des­ti­no.

Aman­hã ela pode fun­cionar como inter­face para out­ros sis­temas.

Imag­ine diz­er:

“Mostre as câmeras da entra­da.”

“Apague as luzes da sala.”

“Coloque uma músi­ca para jan­tar.”

“Mostre min­has reuniões de aman­hã.”

“Abra meu treino.”

“Quero acom­pan­har o jogo enquan­to vejo as estatís­ti­cas.”

A tele­visão pos­sui car­ac­terís­ti­cas inter­es­santes para isso.

É grande.

Está sem­pre no mes­mo lugar.

Pode mostrar infor­mação para várias pes­soas.

Pos­sui micro­fone em alguns dis­pos­i­tivos e pode tra­bal­har com coman­dos de voz.

Está conec­ta­da ao ecos­sis­tema domés­ti­co.

A inte­gração entre Smart TV, IA e Inter­net das Coisas pode abrir cat­e­go­rias com­ple­ta­mente novas de apli­cações.

Gaming reforça a tese da TV como plataforma

Out­ro exem­p­lo impor­tante é gam­ing.

A tele­visão sem­pre esteve rela­ciona­da a videogames.

Mas his­tori­ca­mente o proces­sa­men­to acon­te­cia no con­sole.

Com cloud gam­ing e apli­cações próprias, parte dessa lóg­i­ca começa a mudar.

A TV pode deixar de ser ape­nas dis­play.

Pode se tornar pon­to de aces­so ao serviço.

Esse detal­he é essen­cial.

Sem­pre que uma função que antes exi­gia hard­ware adi­cional pas­sa a exi­s­tir dire­ta­mente no sis­tema opera­cional da tele­visão, a importân­cia da platafor­ma cresce.

O mes­mo ocor­reu nos smart­phones.

Câmera.

GPS.

Músi­ca.

Paga­men­tos.

Mapas.

Tudo foi sendo absorvi­do pela platafor­ma.

Algo semel­hante pode acon­te­cer grad­ual­mente na tele­visão.

Commerce pode encontrar espaço na tela grande

A ideia de com­prar pro­du­tos pela tele­visão existe há décadas.

Mas durante muito tem­po a exper­iên­cia foi ruim.

Tele­fone.

Códi­go.

Site sep­a­ra­do.

Con­nect­ed TV cria pos­si­bil­i­dades difer­entes.

QR Code.

Segun­da tela.

Con­ta aut­en­ti­ca­da.

Aplica­ti­vo.

Inte­gração com smart­phone.

Shop­ping den­tro do sis­tema.

Pub­li­ci­dade inter­a­ti­va.

Imag­ine assi­s­tir a um pro­gra­ma de gas­trono­mia e rece­ber aces­so à recei­ta e aos pro­du­tos uti­liza­dos.

Assi­s­tir a um jogo e encon­trar a camisa ofi­cial.

Ver um con­teú­do de viagem e explo­rar hospeda­gens.

Assi­s­tir a um show e com­prar ingres­so para a próx­i­ma apre­sen­tação.

A tele­visão pode ini­ciar uma transação que ter­mi­na no celu­lar.

Ou, even­tual­mente, con­cluir a própria transação.

É uma opor­tu­nidade ain­da em desen­volvi­men­to, mas estrate­gi­ca­mente impor­tante.

Connected TV não interessa somente às empresas de mídia

Esse talvez seja um dos maiores erros de per­cepção.

CTV parece uma opor­tu­nidade ape­nas para emis­so­ras, pro­du­toras e serviços de stream­ing.

Não é.

Empre­sas de diver­sos setores podem uti­lizar a tele­visão como platafor­ma.

Uma acad­e­mia pode cri­ar aulas.

Uma con­stru­to­ra pode apre­sen­tar empreendi­men­tos.

Uma rede hoteleira pode ofer­e­cer serviços nos quar­tos.

Uma uni­ver­si­dade pode cri­ar con­teú­do edu­ca­cional.

Uma empre­sa pode disponi­bi­lizar treina­men­to inter­no.

Uma rede de clíni­cas pode fornecer con­teú­do infor­ma­ti­vo.

Uma insti­tu­ição finan­ceira pode cri­ar edu­cação finan­ceira.

Um vare­jista pode desen­volver exper­iên­cias de con­teú­do e com­merce.

Uma prefeitu­ra pode ofer­e­cer infor­mações e serviços.

Nem todo pro­je­to pre­cis­ará de um aplica­ti­vo de Smart TV.

Mas a par­tir do momen­to em que dezenas de mil­hões de brasileiros uti­lizam tele­visões conec­tadas, igno­rar com­ple­ta­mente essa super­fí­cie dig­i­tal deixa de ser óbvio.

Existe também uma oportunidade para desenvolvedores

Todo novo ecos­sis­tema cria deman­da por profis­sion­ais capazes de con­stru­ir para ele.

Smart TV exige com­petên­cias par­tic­u­lares.

Nave­g­ação por foco.

Con­t­role remo­to.

Geren­ci­a­men­to de memória.

Per­for­mance.

Play­ers de vídeo.

DRM.

Stream­ing adap­ta­ti­vo.

Login.

APIs.

Ana­lyt­ics.

Com­pat­i­bil­i­dade.

Cer­ti­fi­ca­dos.

Homolo­gação.

Pub­li­cação.

A LG enfa­ti­za, por exem­p­lo, que apli­cações para TV pre­cisam ser pen­sadas para uma exper­iên­cia chama­da lean back, difer­ente da inter­ação típi­ca de dis­pos­i­tivos móveis.

No Android TV, o Google recomen­da inter­faces que pos­sam ser vis­tas clara­mente a aprox­i­mada­mente três met­ros de dis­tân­cia e oper­adas com con­t­role dire­cional.

Isso sig­nifi­ca que sim­ples­mente trans­portar um aplica­ti­vo mobile para a tele­visão cos­tu­ma pro­duzir uma exper­iên­cia ruim.

TV é uma espe­cial­i­dade.

E espe­cial­i­dades cri­am mer­ca­do.

HTML, JavaScript, BrightScript e diferentes ecossistemas

Out­ro aspec­to inter­es­sante é a diver­si­dade tec­nológ­i­ca.

Sam­sung Tizen per­mite desen­volver apli­cações web e ofer­ece SDK próprio.

LG webOS tra­bal­ha forte­mente com tec­nolo­gias web, incluin­do HTML, CSS e JavaScript.

Roku pos­sui BrightScript e Scene­Graph como ele­men­tos impor­tantes do desen­volvi­men­to.

Google TV e Android TV uti­lizam o ecos­sis­tema Android.

Isso cria um desafio para empre­sas que dese­jam pre­sença ampla.

Uma estraté­gia mul­ti­platafor­ma pre­cisa con­sid­er­ar:

arquite­tu­ra

reuti­liza­ção de com­po­nentes

APIs

design

play­ers

con­t­role remo­to

testes

pub­li­cação

manutenção

Não bas­ta faz­er “um aplica­ti­vo para tele­visão”.

Na práti­ca, exis­tem vários ecos­sis­temas den­tro da tele­visão.

O backend será tão importante quanto o aplicativo

Existe out­ra cama­da invisív­el.

O aplica­ti­vo é ape­nas a pon­ta.

Por trás dele podem exi­s­tir:

🌐 APIs

📹 platafor­mas de vídeo

☁️ CDN

🔐 aut­en­ti­cação

💳 paga­men­tos

📊 ana­lyt­ics

🗂️ CMS

📺 EPG

🔑 DRM

🧠 recomen­dação

📡 stream­ing ao vivo

🖼️ geren­ci­a­men­to de ima­gens

Uma empre­sa que queira oper­ar profis­sion­al­mente em Con­nect­ed TV pre­cisa pen­sar em arquite­tu­ra.

Se o aplica­ti­vo cresce, con­teú­do, usuários e dis­pos­i­tivos crescem jun­to.

É exata­mente nesse pon­to que Con­nect­ed TV deixa defin­i­ti­va­mente de ser “um vídeo na tele­visão”.

Pas­sa a ser um pro­du­to de soft­ware.

UX para televisão vai ganhar importância

Durante anos, profis­sion­ais apren­der­am UX para desk­top.

Depois mobile first.

Ago­ra existe out­ra lóg­i­ca.

Na tele­visão, o usuário está longe.

O tex­to pre­cisa ser legív­el.

O foco pre­cisa estar visív­el.

A nave­g­ação pre­cisa ser pre­visív­el.

O número de ações deve ser reduzi­do.

Dig­i­tar é difí­cil.

O con­t­role remo­to pos­sui pou­cas teclas.

Ani­mações pesadas podem com­pro­m­e­ter dis­pos­i­tivos anti­gos.

Um erro que no celu­lar inco­mo­da pode tornar um app de tele­visão prati­ca­mente impos­sív­el de usar.

Existe uma dis­ci­plina própria.

Quem dom­i­nar essa exper­iên­cia terá van­tagem.

A TV 3.0 tornará a convergência brasileira ainda maior

O Brasil pos­sui ain­da uma trans­for­mação adi­cional acon­te­cen­do.

A TV 3.0, tam­bém con­heci­da como DTV+, rep­re­sen­ta a próx­i­ma ger­ação da tele­visão aber­ta brasileira.

O Min­istério das Comu­ni­cações descreve o sis­tema como uma evolução que inclui mel­hor qual­i­dade audio­vi­su­al, maior efi­ciên­cia espec­tral e, prin­ci­pal­mente, inte­gração nati­va entre radiod­i­fusão e inter­net.

Con­heça o pro­je­to ofi­cial da TV 3.0 brasileira

Em 2026, o grupo respon­sáv­el pela implan­tação con­tin­u­a­va tra­bal­han­do na imple­men­tação, com nor­mas téc­ni­cas e condições reg­u­latórias sendo estru­tu­radas para a nova ger­ação.

Isso é extrema­mente rel­e­vante para quem tra­bal­ha com soft­ware.

O futuro da tele­visão brasileira poderá mis­tu­rar de maneira cada vez mais trans­par­ente:

📡 broad­cast

🌐 broad­band

📱 aplica­tivos

📊 dados

🎯 pub­li­ci­dade dire­ciona­da

🛒 inter­a­tivi­dade

🎬 stream­ing

Para o con­sum­i­dor, talvez a difer­ença entre tele­visão aber­ta e aplica­ti­vo se torne cada vez menos impor­tante.

Para desen­volve­dores, emis­so­ras e empre­sas, essa inte­gração cria pos­si­bil­i­dades inteira­mente novas.

Quanto mais software, maior a responsabilidade

Toda trans­for­mação dig­i­tal traz riscos.

Se tele­visões cole­tam dados, pre­cisam respeitar pri­vaci­dade.

Se pos­suem con­tas, pre­cisam pro­te­ger iden­ti­dade.

Se per­mitem com­pras, pre­cisam pro­te­ger transações.

Se uti­lizam pub­li­ci­dade dire­ciona­da, pre­cisam lidar com con­sen­ti­men­to e transparên­cia.

Se inte­gram dis­pos­i­tivos domés­ti­cos, segu­rança se tor­na ain­da mais críti­ca.

No Brasil, isso sig­nifi­ca tam­bém con­sid­er­ar a LGPD.

O IAB Brasil colo­ca pri­vaci­dade, dados de primeira parte e men­su­ração entre os grandes desafios do ecos­sis­tema atu­al de CTV.

A tele­visão deixa de ser ape­nas recep­tor.

Ela se tor­na dis­pos­i­ti­vo conec­ta­do.

E dis­pos­i­tivos conec­ta­dos pre­cisam ser trata­dos como infraestru­tu­ra dig­i­tal.

O desafio da fragmentação

Existe, porém, um obstácu­lo impor­tante.

O ecos­sis­tema é frag­men­ta­do.

Sam­sung.

LG.

Roku.

Google.

Ama­zon.

Apple.

Fab­ri­cantes region­ais.

Ver­sões anti­gas.

Ver­sões novas.

Difer­entes engines.

Difer­entes lojas.

Difer­entes cer­ti­fi­cações.

Difer­entes recur­sos.

Isso tor­na o desen­volvi­men­to mais com­plexo do que no web tradi­cional.

Mas existe out­ra maneira de olhar para esse prob­le­ma.

Frag­men­tação tam­bém cria bar­reira de entra­da.

E bar­reira de entra­da pode cri­ar opor­tu­nidade para empre­sas espe­cial­izadas.

Quan­to mais difí­cil for pub­licar, homolog­ar, man­ter e dis­tribuir apli­cações em várias platafor­mas, maior o val­or de quem sabe faz­er isso de maneira con­sis­tente.

O mercado não será construído apenas pelos gigantes

Net­flix, Google, Ama­zon, Sam­sung e Dis­ney nat­u­ral­mente ocu­pam posições impor­tantes.

Mas as platafor­mas dig­i­tais mais inter­es­santes quase sem­pre cri­am uma segun­da cama­da econômi­ca.

Empre­sas menores.

Desen­volve­dores.

Agên­cias.

Pub­lish­ers.

Fer­ra­men­tas.

SaaS.

Infraestru­tu­ra.

Ana­lyt­ics.

Mon­e­ti­za­ção.

Con­teú­do.

Inte­grações.

Quan­do a web cresceu, sur­gi­ram mil­hares de negó­cios ao redor dela.

Quan­do mobile cresceu, ocor­reu o mes­mo.

Con­nect­ed TV pode ger­ar uma cadeia semel­hante.

Talvez menor do que mobile.

Talvez mais espe­cial­iza­da.

Mas poten­cial­mente muito rel­e­vante.

Quem deve começar a observar Connected TV agora?

Eu dividiria em alguns gru­pos.

📺 Emis­so­ras e pro­du­toras

Pre­cisam pen­sar em dis­tribuição própria e pre­sença mul­ti­platafor­ma.

🎥 Cre­ators e pro­pri­etários de con­teú­do

Devem anal­is­ar se suas bib­liote­cas podem virar canais, aplica­tivos ou pro­du­tos de stream­ing.

🏢 Empre­sas

Pre­cisam obser­var opor­tu­nidades em treina­men­to, mídia, comu­ni­cação e exper­iên­cias de mar­ca.

💻 Desen­volve­dores

Podem con­stru­ir espe­cial­iza­ção em platafor­mas que ain­da pos­suem ofer­ta menor de profis­sion­ais do que web e mobile.

📢 Agên­cias

Pre­cisam com­preen­der cria­tivi­dade, mídia e men­su­ração para CTV.

🛒 Vare­jis­tas

Devem acom­pan­har a aprox­i­mação entre tele­visão, pub­li­ci­dade e com­merce.

🤖 Empre­sas de IA

Podem explo­rar recomen­dação, bus­ca, per­son­al­iza­ção e inter­faces con­ver­sa­cionais para a grande tela.

A oportunidade não é criar aplicativos porque existe uma TV

É impor­tante evi­tar entu­si­as­mo sem estraté­gia.

Nem toda empre­sa pre­cisa de aplica­ti­vo para Smart TV.

Assim como nem toda empre­sa pre­cisa­va de aplica­ti­vo próprio para smart­phone.

A per­gun­ta cor­re­ta é:

Existe uma exper­iên­cia que faz sen­ti­do na tele­visão?

Se a respos­ta for sim, algu­mas per­gun­tas vêm depois.

Quem é o usuário?

Qual prob­le­ma resolve­mos?

Por que ele abriria o aplica­ti­vo?

Com que fre­quên­cia?

Existe con­teú­do?

Existe mod­e­lo de negó­cio?

Qual platafor­ma pri­orizar?

Como medir?

Como man­ter?

Como mon­e­ti­zar?

Soft­ware sem estraté­gia vira ape­nas um ícone esque­ci­do na tela ini­cial.

A vantagem estará em pensar TV como produto

Esse talvez seja o pon­to cen­tral.

Muitas empre­sas ain­da tratam pre­sença na Smart TV como pro­je­to pon­tu­al.

“Pre­cisamos de um app.”

Desen­volve.

Pub­li­ca.

Acabou.

Mas aplica­tivos rel­e­vantes nun­ca ter­mi­nam na pub­li­cação.

Eles pre­cisam:

evoluir

medir

cor­ri­gir

recomen­dar

reter

mel­ho­rar

adap­tar

inte­grar

exper­i­men­tar

Quan­do uma empre­sa entende isso, deixa de pos­suir “um aplica­ti­vo de TV”.

Pas­sa a pos­suir um pro­du­to de Con­nect­ed TV.

Essa mudança de men­tal­i­dade é deci­si­va.

Como imagino a Connected TV dos próximos anos

A tele­visão provavel­mente ficará menos depen­dente de aplica­tivos iso­la­dos.

Con­teú­dos e serviços poderão apare­cer dire­ta­mente na home.

Bus­ca será mais inteligente.

IA enten­derá intenção.

Sis­temas recomen­darão exper­iên­cias.

Aplica­tivos con­ver­sarão com out­ros dis­pos­i­tivos.

Com­merce ficará mais próx­i­mo.

Stream­ing lin­ear e sob deman­da con­tin­uarão se mis­tu­ran­do.

Broad­cast e inter­net poderão con­ver­gir ain­da mais no Brasil com TV 3.0.

A tela con­tin­uará grande.

Mas o soft­ware por trás dela será cada vez mais impor­tante.

É jus­ta­mente aí que está a opor­tu­nidade.

Conclusão: a próxima grande plataforma pode já estar na sua sala

Quan­do pen­samos no futuro do soft­ware, nos­sa tendên­cia é olhar para tec­nolo­gias dis­tantes.

Real­i­dade aumen­ta­da.

Ócu­los inteligentes.

Robóti­ca.

Com­putação espa­cial.

Tudo isso pode ser impor­tante.

Mas existe uma platafor­ma enorme que já está insta­l­a­da den­tro de mil­hões de casas brasileiras.

A tele­visão.

Ela pos­sui tela.

Proces­sador.

Sis­tema opera­cional.

Inter­net.

Aplica­tivos.

Loja.

Dados.

Pub­li­ci­dade.

Stream­ing.

Usuários.

E ago­ra começa a gan­har inteligên­cia arti­fi­cial.

No Brasil, 88 mil­hões de pes­soas já fazem parte da audiên­cia de Con­nect­ed TV, segun­do a Com­score.

Isso não sig­nifi­ca que a Smart TV sub­sti­tuirá o smart­phone.

Não pre­cisa.

Platafor­mas não pre­cisam elim­i­nar umas às out­ras.

Elas ocu­pam momen­tos difer­entes.

O smart­phone dom­i­na a mobil­i­dade.

O com­puta­dor dom­i­na parte impor­tante da pro­du­tivi­dade.

A tele­visão pode dom­i­nar exper­iên­cias dig­i­tais com­par­til­hadas e audio­vi­suais den­tro da casa.

É jus­ta­mente essa car­ac­terís­ti­ca que pode trans­for­má la em uma das platafor­mas de soft­ware mais inter­es­santes des­ta déca­da.

Hoje, a maio­r­ia das pes­soas ain­da olha para a tele­visão e vê con­teú­do.

Filmes.

Séries.

Vídeos.

Canais.

Quem tra­bal­ha com tec­nolo­gia pre­cisa começar a olhar um pouco além.

Ali existe:

um sis­tema opera­cional,

uma loja,

um ecos­sis­tema,

uma audiên­cia,

uma infraestru­tu­ra de dis­tribuição,

uma platafor­ma de pub­li­ci­dade,

uma super­fí­cie para IA,

e uma enorme tela esperan­do novos pro­du­tos.

A história do soft­ware já mostrou várias vezes que grandes opor­tu­nidades surgem quan­do uma tec­nolo­gia deixa de ser ape­nas um pro­du­to e se trans­for­ma em platafor­ma para out­ras pes­soas con­struírem sobre ela.

Foi assim com com­puta­dores pes­soais.

Foi assim com a web.

Foi assim com smart­phones.

Ago­ra a mes­ma lóg­i­ca começa a apare­cer na maior tela da casa.

Con­nect­ed TV no Brasil não é ape­nas o futuro da tele­visão.

Pode ser tam­bém uma das próx­i­mas grandes fron­teiras do soft­ware.

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