As 5 vantagens genéticas que a maioria das pessoas não tem

As cinco vantagens genéticas que a maioria das pessoas não tem

A ficção cien­tí­fi­ca está cheia de super-heróis mutantes com dons espe­ci­ais e habil­i­dades extra­ordinárias. Mas, no mun­do real, algu­mas pes­soas comuns tam­bém pos­suem “poderes” espe­ci­ais pas­sa­dos por seus genes.

Há algu­mas van­ta­gens genéti­cas que atingem uma pro­porção muito peque­na da pop­u­lação. Sur­gi­ram graças a mutações espon­tâneas, um proces­so nat­ur­al que fica reg­istra­do no DNA das pes­soas atingi­das.

Da mes­ma for­ma que alguns her­dam doenças genéti­cas, out­ros her­dam genes que lhes dão capaci­dades inusi­tadas.

Con­heça abaixo cin­co exem­p­los de “super­poderes” que algu­mas pes­soas pos­suem graças à genéti­ca.

1. Visão submarina perfeita

A maio­r­ia das pes­soas fica com a visão embaça­da ao abrir os olhos debaixo d’água. Isto não ocorre porque a água dan­i­fi­ca nos­sos olhos de algu­ma for­ma, e sim por um prob­le­ma físi­co: a den­si­dade da água é pare­ci­da com a do teci­do que for­ma nos­sos olhos. Por isto, a luz chega de for­ma difer­ente à reti­na.

É por isto que a maio­r­ia dos humanos só con­segue enx­er­gar dire­ito no ar.

Mas há uma exceção: o povo moken, que habi­ta a região do Mar de Andaman, na cos­ta da Tailân­dia. A tri­bo é chama­da de “ciganos do mar”, por pas­sar a maior parte do ano viven­do em bal­sas e botes. Só vão à ter­ra firme para reabastec­i­men­to de alguns supri­men­tos.

Se você tivesse genes moken, pode­ria enx­er­gar per­feita­mente debaixo d’água.

Acred­i­ta-se que esta mutação foi sele­ciona­da graças ao esti­lo de vida da tri­bo, que envolve lon­gas pescarias sub­mari­nas com arpão.

Uma pesquisa pub­li­ca­da em 2003 na revista cien­tí­fi­ca Cur­rent Biol­o­gy mostrou que a mutação genéti­ca dos moken faz com que seus olhos mudem de for­ma­to ligeira­mente debaixo d’água.

Isto per­mite que a luz se dis­tribua de for­ma cor­re­ta ao ser cap­ta­da pelos olhos — tor­nan­do pos­sív­el que eles enx­er­guem de for­ma níti­da, mes­mo a mais de 20 met­ros de pro­fun­di­dade.

2. Tolerância ao frio

Out­ra van­tagem genéti­ca obser­va­da em alguns povos tradi­cionais é a resistên­cia a baixas tem­per­at­uras.

A tem­per­atu­ra do cor­po humano saudáv­el oscila entre 36,5° C e 37,5° C. É por isto que a maio­r­ia de nós está mais apta a lidar com cli­mas quentes do que com o frio.

Um cor­po humano nor­mal não pode resi­s­tir ao frio extremo, mas algu­mas pop­u­lações humanas têm esta capaci­dade, graças a seus genes.

Tri­bos como os inu­its, que habitam o Árti­co, e os nenets, que vivem no norte da Rús­sia, se adap­taram às baixas tem­per­at­uras.

Seus cor­pos respon­dem de maneira difer­ente ao frio porque pos­suem uma con­sti­tu­ição difer­ente daque­la dos demais humanos.

Por exem­p­lo: eles não tremem de frio como o resto de nós. Têm menos glân­du­las sudorí­paras (que pro­duzem suor); suas peles são mais espes­sas que o nor­mal; e seu metab­o­lis­mo é mais rápi­do que o das demais pes­soas.

Estas são car­ac­terís­ti­cas genéti­cas: mes­mo que você se mude para o meio do Polo Norte e viva lá durante décadas, não adquirirá as mes­mas mutações genéti­cas deste povo.

3. Menos horas de sono

Uma car­ac­terís­ti­ca que você pode ter, mes­mo sem per­tencer a nen­hum grupo étni­co especí­fi­co, é a de fun­cionar bem mes­mo com menos horas de sono que a média das pes­soas.

Vários estu­dos cien­tí­fi­cos já mostraram que a maio­r­ia das pes­soas pre­cisam dormir entre 7 e 9 horas por noite para terem a sen­sação de cor­po e mente des­cansa­dos.

Dormir menos que o necessário pode causar prob­le­mas de saúde e tam­bém males psi­cológi­cos, como fal­ta de con­cen­tração.

Ape­sar dis­so, um estu­do cien­tí­fi­co pub­li­ca­do em 2014 com gêmeos não idên­ti­cos per­mi­tiu à Acad­e­mia Norte-Amer­i­cana de Med­i­c­i­na do Sono iden­ti­ficar uma mutação genéti­ca que per­mite a algu­mas pes­soas neces­si­tar de menos horas de sono.

Pes­soas com uma mutação no gene DEC2 têm uma fase de sono REM (sono pro­fun­do) mais inten­sa, o que faz com que seu des­can­so seja mais efe­ti­vo.

Com seis horas de sono ou menos, estas pes­soas já se sen­tem com­ple­ta­mente des­cansadas e prontas para encar­ar o dia seguinte.

De toda for­ma, os pesquisadores destacaram que esta é uma mutação que afe­ta uma pro­porção muito peque­na da pop­u­lação mundi­al — menos de 1% daque­les que dizem dormir pouco.

Por esta razão, se você dorme pouco e acha que está tudo bem e que deve ser por­ta­dor des­ta mutação genéti­ca, sai­ba que isto pos­sivel­mente não é ver­dade: o mais prováv­el é que você este­ja sim pre­cisan­do de mais horas de sono.

4. Ossos mais densos

Eis uma van­tagem genéti­ca que parece saí­da de uma história de super-heróis.

Na maio­r­ia das pes­soas, os ossos vão per­den­do den­si­dade e mas­sa à medi­da que envel­he­ce­mos. O prob­le­ma é con­heci­do como osteo­porose, e pode ger­ar frat­uras e defor­mações nos ossos.

Mas algu­mas pes­soas pos­suem uma mutação em um gene chama­do SOST, que reg­u­la a pro­dução de uma pro­teí­na chama­da escle­roti­na. Esta é a pro­teí­na que con­tro­la a pro­dução e o cresci­men­to dos ossos.

Um estu­do con­duzi­do por pesquisadores de Wash­ing­ton (EUA) encon­trou evidên­cias de que exis­tem algu­mas pes­soas com mutações no gene SOST, e que por causa delas não per­dem mas­sa óssea à medi­da que envel­he­cem.

Seus ossos con­tin­u­am gan­han­do mas­sa e se tor­nan­do mais den­sos ao lon­go de toda a vida, dan­do-lhes um esquele­to que se parece com o de uma pes­soa muito mais jovem.

Esta mutação no gene SOST foi encon­tra­da em algu­mas pes­soas de origem africân­er (que é como são con­heci­dos os descen­dentes dos anti­gos col­o­nizadores holan­deses da África do Sul).

Ago­ra, os pesquisadores bus­cam for­mas de replicar os efeitos des­ta mutação, para per­mi­tir que out­ras pes­soas con­sigam os mes­mos bene­fí­cios.

5. Adaptação às alturas

As comu­nidades and­i­nas têm uma palavra para a fal­ta de ar sen­ti­da pelas pes­soas em grandes alti­tudes: soroche. Quem já sen­tiu este mal cer­ta­mente não esque­cerá a palavra.

O soroche, ou mal das alturas, cos­tu­ma causar náuse­as, pressão baixa, dor de cabeça e prob­le­mas res­pi­ratórios.

Há muitos truques para min­i­mizar os efeitos: mover-se deva­gar, com­er pouco, não faz­er grandes esforços físi­cos e mas­car fol­ha de coca. Algu­mas pes­soas tam­bém usam medica­men­tos. Mes­mo assim, muitos con­tin­u­am sofren­do.

Mas o “mal da mon­tan­ha” não afe­ta as pop­u­lações tradi­cionais dos alti­planos.

Estu­dos real­iza­dos com o povo quéchua (dos Andes) e com tibetanos do Himala­ia mostraram que eles pos­suem adap­tações sele­cionadas geneti­ca­mente para viv­er nestes ambi­entes.

Pos­suem uma caixa toráx­i­ca maior que a média e pos­suem maior capaci­dade pul­monar, o que lhes per­mite absorv­er mais oxigênio a cada res­pi­ração.

Além dis­so, enquan­to a maio­r­ia das pes­soas pas­sa a pro­duzir mais hemá­cias (célu­las ver­mel­has do sangue que trans­portam oxigênio) nes­tas condições de pouco oxigênio, eles pro­duzem menos.

Estas car­ac­terís­ti­cas per­manecem mes­mo quan­do um inte­grante destas pop­u­lações se muda para um local de menor alti­tude, pois está inscri­ta em seu DNA.

Estas mutações não os trans­for­mam em “super-heróis”. Mas alguém pode pen­sar que estes nativos têm super­poderes ao vê-los subir uma mon­tan­ha cor­ren­do, enquan­to ban­dos de tur­is­tas se arras­tam lenta­mente em direção ao cume.

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