Marketing 3.0

Marketing 3.0

O mun­do vem recen­te­mente pas­san­do por perío­dos de mudanças ráp­i­das e de dramáti­cas. Infe­liz­mente, a recente crise finan­ceira aumen­tou o nív­el de pobreza e desem­prego, des­do­bra­men­tos que hoje vêm sendo com­bat­i­dos com pacotes de estí­mu­lo ao redor do mun­do com o obje­ti­vo de restau­rar a con­fi­ança e o cresci­men­to econômi­co.

Além dis­so, as mudanças climáti­cas, o aumen­to da poluição desafi­am os país­es a lim­itarem a lib­er­ação de dióx­i­do de car­bono na atmos­fera, ain­da que isso impon­ha maior sobre­car­ga aos negó­cios. Além dis­so, os país­es con­sid­er­a­dos ricos hoje apre­sen­tam uma taxa de cresci­men­to bem muito mais lenta, e o poder econômi­co está rap­i­da­mente pas­san­do às mãos de país es ori­en­tais com taxas de cresci­men­to muito mais altas.

Final­mente, a tec­nolo­gia está mudan­do – do mun­do mecâni­co para o mun­do dig­i­tal, Inter­net, com­puta­dores, celu­lares e redes soci­ais – e isso tem pro­fun­do impacto no com­por­ta­men­to de pro­du­tores e con­sum­i­dores de pro­du­tos e serviços.

Ess­es e out­ros desafios exi­girão que repense­mos o mar­ket­ing. O con­ceito de mar­ket­ing pode ser vis­to como um con­trapon­to ao de macro­econo­mia. Sem­pre que ocor­rem mudanças no ambi­ente macro­econômi­co, o com­por­ta­men­to do con­sum­i­dor muda, o que provo­ca mudança no mar­ket­ing.

Ao lon­go dos últi­mos 60 anos, o mar­ket­ing deixou de ser cen­tra­do no pro­du­to (Mar­ket­ing 1.0) e pas­sou a ser cen­tra­do no con­sum­i­dor (Mar­ket­ing 2.0). Hoje, vemos o mar­ket­ing trans­for­man­do-se mais uma vez, em respos­ta à nova dinâmi­ca do meio. Vemos as empre­sas expandin­do seu foco dos pro­du­tos para os con­sum­i­dores, e para as questões humanas.

Final­mente cheg­amos na fase doMar­ket­ing 3.0 no qual as empre­sas mudam da abor­dagem cen­tra­da no con­sum­i­dor para a abor­dagem cen­tra­da no ser humano, e na qual a lucra­tivi­dade tem como con­trape­so a respon­s­abil­i­dade cor­po­ra­ti­va.

Vemos uma empre­sa não ape­nas como um oper­ador iso­la­do em um mun­do com­pet­i­ti­vo, mas como uma insti­tu­ição que opera com uma rede leal de par­ceiros – empre­ga­dos, dis­tribuidores, revende­dores e fornece­dores. Se a empre­sa escol­her com
cuida­do sua rede de par­ceiros, se seus obje­tivos estiverem alin­hados e as rec­om­pen­sas forem equi­tati­vas e moti­vado­ras, a empre­sa e seus par­ceiros, jun­tos, vão se tornar um com­peti­dor de peso. Para que isso ocor­ra, a empre­sa pre­cisa com­par­til­har sua mis­são, sua visão e seus val­ores com os mem­bros da equipe, para que eles ajam em con­jun­to com o obje­ti­vo de alcançar suas metas.

O QUE É MARKETING 3.0?

Ao lon­go do tem­po, o mar­ket­ing evoluiu, pas­san­do por três fas­es, às quais os estu­diosos con­veitu­am como: Mar­ket­ing 1.0, 2.0 e 3.0. A grande ver­dade é que boa parte dos profis­sion­ais em mar­ket­ing de hoje con­tin­u­am prat­i­can­do o Mar­ket­ing 1.0, alguns prati­cam o Mar­ket­ing 2.0 e out­ros começam a enten­der como fun­ciona a ter­ceira fase do mar­ket­ing, o Mar­ket­ing 3.0.

As maiores opor­tu­nidades se abrirão aos profis­sion­ais que prati­cam o Mar­ket­ing 3.0. Há muito tem­po, durante a era indus­tri­al – quan­do a prin­ci­pal tec­nolo­gia rela­ciona­va-se a equipa­men­tos indus­tri­ais –, o mar­ket­ing era foca­do exclu­si­va­mente nos pro­du­tos da fábri­ca para todos aque­les que tin­ham inter­esse em com­prá-los.

Os pro­du­tos eram rel­a­ti­va­mente bási­cos, con­ce­bidos para servir ao mer­ca­do de mas­sa. O obje­ti­vo era padronizar e gan­har em escala, a fim de reduzir ao máx­i­mo os cus­tos de pro­dução, para que essas mer­cado­rias pudessem ter um preço mais com­pet­i­tivos e serem adquiri­das por um número cada vez maior de con­sum­i­dores.

O Mod­e­lo T, de Hen­ry Ford, resum­ia essa estraté­gia. Disse Ford: “O car­ro pode ser de qual­quer cor, des­de que seja pre­to.” Era a fase do Mar­ket­ing 1.0, ou seja o mar­ket­ing foca­do ape­nas no pro­du­to.

Já o Mar­ket­ing 2.0 surgiu na atu­al era da infor­mação, neste momen­to o mar­ket­ing já não é mais tão sim­ples. Os con­sum­i­dores bem infor­ma­dos já podem facil­mente pesquis­ar preços, ofer­tas e opiniões sobre deter­mi­na­do pro­du­to ou serviço. O val­or do pro­du­to ago­ra pas­sou a ser definido pelo cliente.

As prefer­ên­cias dos con­sum­i­dores são muitís­si­mo vari­adas. O profis­sion­al de mar­ket­ing pre­cisa seg­men­tar o mer­ca­do e desen­volver um pro­du­to supe­ri­or para um mer­ca­do-alvo especí­fi­co.

A regra de ouro segun­do a qual “o cliente é quem man­da” fun­ciona bem para a maior parte das empre­sas. Os con­sum­i­dores estão em mel­hor situ­ação porque suas neces­si­dades e dese­jos estão sendo aten­di­dos. Têm opção em meio a uma gama de car­ac­terís­ti­cas fun­cionais eal­ter­na­ti­vas. Os profis­sion­ais de mar­ket­ing de hoje ten­tam chegar ao coração e à mente do con­sum­i­dor.

Infe­liz­mente, a abor­dagem cen­tra­da no con­sum­i­dor pres­supõe implici­ta­mente que os clientes sejam alvo pas­si­vo das cam­pan­has de mar­ket­ing. Tal é a visão do Mar­ket­ing 2.0, ou a era ori­en­ta­da ao cliente.

Atual­mente vem surg­i­men­to uma nova abor­dagem do mar­ket­ing — Mar­ket­ing 3.0, ou seja a era volta­da para os val­ores. Em vez de tratar as pes­soas sim­ples­mente como con­sum­i­do­ras, os profis­sion­ais de mar­ket­ing as tratam como seres humanos plenos: com mente, coração, dese­jos e espíri­to.

Cada vez mais, os con­sum­i­dores estão em bus­ca de soluções para sat­is­faz­er seu anseio de trans­for­mar o mun­do glob­al­iza­do num mun­do mel­hor. Em um mun­do cada vez mais con­fu­so e injus­to, eles bus­cam empre­sas que val­orizem suas mais pro­fun­das neces­si­dades de justiça social, econômi­ca e ambi­en­tal, definidas em sua mis­são, visão e val­ores. Não bus­cam ape­nas sat­is­fação fun­cional e emo­cional, mas tam­bém sat­is­fação espir­i­tu­al nos pro­du­tos e serviços que escol­hem.

As empre­sas que prati­cam este mar­ket­ing têm como obje­ti­vo ofer­e­cer soluções para prob­le­mas mais ele­va­dos da sociedade; como sua aspi­rações, seus val­ores e espíri­to humano.

O Mar­ket­ing 3.0 acred­i­ta que os con­sum­i­dores são seres humanos com­ple­tos, focan­do em deter­mi­nadas neces­si­dades e esper­anças antes total­mente neg­li­gen­ci­adas.

A Tabela abaixo faz uma breve com­para­ção entre os Mar­ket­ings 1.0, 2.0 e 3.0 de uma for­ma ger­al.

Os avanços tec­nológi­cos provo­caram enormes mudanças nos con­sum­i­dores, nos mer­ca­dos e con­se­quente­mente no mar­ket­ing ao lon­go do últi­mo sécu­lo.

A era do Mar­ket­ing 1.0 teve iní­cio com o desen­volvi­men­to da tec­nolo­gia de pro­dução durante a Rev­olução Indus­tri­al. O Mar­ket­ing 2.0 surgiu em decor­rên­cia da tec­nolo­gia da infor­mação e com o adven­to da Inter­net.

Des­de o iní­cio do ano 2000, a tec­nolo­gia da infor­mação pen­etrou o mer­ca­do main­stream, trans­for­man­do-se no que con­sid­er­amos hoje a nova onda de tec­nolo­gia. Essa nova onda abrange uma tec­nolo­gia que per­mite a conec­tivi­dade e a inter­a­tivi­dade entre indi­ví­du­os e gru­pos.

A nova onda de tec­nolo­gia é for­ma­da por três grandes forças: A nova onda de tec­nolo­gia é for­ma­da por três grandes forças:computadores e smart­phones baratos, Inter­net de baixo cus­to. Per­mitin­do que os indi­ví­du­os se expressem e cola­borem entre si. Esta­mos na era da par­tic­i­pação, as pes­soas cri­am e con­somem notí­cias, ideias e entreten­i­men­to. A nova onda de tec­nolo­gia trans­for­ma as pes­soas de con­sum­i­dores em pro­sum­i­dores.

Um dos fatores que per­mi­ti­ram esta nova onda de tec­nolo­gia foi a ascen­são são as Redes Soci­ais – What­sApp, Insta­gram, Twit­ter, YouTube, Face­book, sites de com­par­til­hamen­to e mídias colab­o­ra­ti­vas.

FATORES PARA O SURGIMENTO DO MARKETING 3.0

O mar­ket­ing pas­sou a ser colab­o­ra­ti­vo, as empre­sas que prati­cam o Mar­ket­ing 3.0 querem mudar o mun­do. Não con­seguirão fazê-lo soz­in­has. Em uma econo­mia interli­ga­da, pre­cisam colab­o­rar umas com as out­ras, com seus acionistas, com seus par­ceiros de canal, com seus empre­ga­dos e com seus con­sum­i­dores. O novo mar­ket­ing rep­re­sen­ta a colab­o­ração de enti­dades de negó­cios que com­par­til­ham con­jun­tos semel­hantes de ideais, val­ores e dese­jos.

Além do impacto da tec­nolo­gia, que mol­da as novas ati­tudes do con­sum­i­dor com relação ao mar­ket­ing, out­ra grande força é a glob­al­iza­ção. A glob­al­iza­ção foi impul­sion­a­da pela tec­nolo­gia que por sua vez per­mi­tiu a tro­ca de infor­mações entre país­es, empre­sas, pes­soas ao redor do mun­do, trans­for­man­do o comér­cio em cadeias de val­ores globais com econo­mia interli­ga­da.

Entre­tan­to, é sem­pre bom salien­tar que ao con­trário da tec­nolo­gia, a glob­al­iza­ção é uma força que estim­u­la o equi­líbrio. Out­ro ele­men­to rel­e­vante ao Mar­ket­ing 3.0, é o mar­ket­ing cun­tur­al basea­do nas pre­ocu­pações e dese­jos de cidadãos globais. As empre­sas dev­e­ri­am estar a par dos prob­le­mas comu­nitários rela­ciona­dos com seus negó­cios.

É fato con­cre­to que o mar­ket­ing tem impactos de grande escala que vão além do que acon­tece nas nego­ci­ações pri­vadas entre indi­ví­du­os e empre­sas. Mostra tam­bém que o mar­ket­ing ago­ra está pron­to para abor­dar as impli­cações cul­tur­ais da glob­al­iza­ção.

O Mar­ket­ing 3.0 é aque­le que colo­ca as questões cul­tur­ais no âma­go do mod­e­lo de negó­cios das empre­sas, demon­stran­do pre­ocu­pação para com as comu­nidades ao seu redor: comu­nidades de con­sum­i­dores, empre­ga­dos, par­ceiros e acionistas.

Out­ro fator que merece destaque e que impul­siona o novo mar­ket­ing, é o cresci­men­to de um novo mod­e­lo de sociedade; A sociedade cria­ti­va, que tam­bém é resul­ta­do da tec­nolo­gia.

A sociedade cria­ti­va é rep­re­sen­ta­da pelo mais alto nív­el de desen­volvi­men­to social na civ­i­liza­ção humana, estas pes­soas uti­lizam mais o lado dire­ito do cére­bro, tra­bal­han­do em setores mais cria­tivos e menos braçais, como ciên­cias, artes e ativi­dades mais com­plexas.

Regiões onde há maior número de profis­sion­ais cria­tivos a econo­mia apre­sen­ta maior cresci­men­to em com­para­ção a regiões com menor capaci­dade cria­ti­va.

A era do Mar­ket­ing 3.0 é aque­la em que as práti­cas de mar­ket­ing são muito influ­en­ci­adas pelas mudanças no com­por­ta­men­to e nas ati­tudes do con­sum­i­dor. É a for­ma mais sofisti­ca­da da era cen­tra­da no con­sum­i­dor, em que o con­sum­i­dor deman­da abor­da­gens de mar­ket­ing mais colab­o­ra­ti­vas, cul­tur­ais e espir­i­tu­ais.

A nova onda de tec­nolo­gia facili­ta a dis­sem­i­nação de infor­mações, ideias e opinião públi­ca, e per­mite aos con­sum­i­dores colab­o­rarem para a cri­ação de val­or. A tec­nolo­gia impul­siona a glob­al­iza­ção à pais­agem políti­ca e legal, à econo­mia e à cul­tura social, geran­do para­dox­os cul­tur­ais na sociedade. A tec­nolo­gia tam­bém impul­siona a ascen­são do mer­ca­do cria­ti­vo, que tem uma visão de mun­do mais espir­i­tu­al.

Em suma, podemos afir­mar que na medi­da que os con­sum­i­dores vão se tor­nan­do mais colab­o­ra­tivos, cul­tur­ais e espir­i­tu­ais, o caráter do mar­ket­ing tam­bém se trans­for­ma.

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Por Alexan­dre Por­firio

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