Qual o valor de uma venda cognitiva

Vive­mos em uma era dinâmi­ca com relação à infor­mação. As infor­mações que nos servem como parâmet­ros ou pre­mis­sas para uma decisão hoje podem estar desat­u­al­izadas em uma sem­ana, um dia ou até mes­mo no tem­po que levare­mos para ler este arti­go.

Da mes­ma for­ma, quan­do con­duz­i­mos uma inter­ação de negó­cios, pre­cisamos ficar aten­tos às nuances trans­for­ma­cionais que podem nos levar a uma decisão inad­e­qua­da.

Quan­do um cliente pre­cisa decidir sobre uma ini­cia­ti­va especí­fi­ca ou tomar uma decisão sobre que pro­du­to ou serviço optar, é de extrema aju­da ter um con­sul­tor de con­fi­ança para apor­tar con­hec­i­men­to e aux­il­iar nes­ta toma­da de decisão.

Ser de con­fi­ança nesse per­fil de rela­ciona­men­to vai muito além de aspec­tos éti­cos e morais. Ser de con­fi­ança envolve tam­bém ter con­teú­do-  infor­ma­ti­vo ou metodológi­co -, para aux­il­iar o raciocínio e a toma­da de decisão. Esta é a metodolo­gia que abor­darei neste arti­go

Quan­do e onde usar

Inde­pen­den­te­mente da inter­ação com­er­cial, os clientes se posi­cionam em qua­tros está­gios bem definidos.

  1. Eu sei qual é meu prob­le­ma e sei qual é a solução para esse prob­le­ma.

Neste está­gio, nor­mal­mente o cliente não pede aju­da, mas como con­sul­tor de con­fi­ança deve­mos nos posi­cionar supor­tan­do a decisão do cliente ou toman­do a ini­cia­ti­va de aler­tar sobre algu­ma alter­na­ti­va mais ade­qua­da.

É idên­ti­co às situ­ações em que sen­ti­mos uma dor de cabeça e com­pramos uma aspi­ri­na por ini­cia­ti­va própria. Cer­ta­mente o prob­le­ma será resolvi­do. Entre­tan­to, se o far­ma­cêu­ti­co for um con­sul­tor de con­fi­ança, ele dev­erá faz­er algu­mas per­gun­tas antes de entre­gar o pro­du­to. Per­gun­tas como fre­quên­cia da dor, local da dor, etc. Per­gun­tas que podem nos tran­quil­izar com relação a solução que opta­mos ou nos aler­tar para algum prob­le­ma que poderá ser maior e requer­er uma solução difer­ente.

  1. Eu sei qual é meu prob­le­ma, mas não sei qual é a mel­hor solução.

Neste está­gio percebe­mos muito clara­mente a neces­si­dade do con­sul­tor. Com metodolo­gias estru­tu­radas, usan­do per­gun­tas con­sul­ti­vas, o con­sul­tor aux­il­ia o cliente a encon­trar a mel­hor solução para o seu prob­le­ma (ver quadro abaixo). Na analo­gia ante­ri­or, é nes­sa hora que procu­ramos um médi­co para pedir aju­da para solu­cionar nos­so prob­le­ma.

  1. Eu não ten­ho prob­le­mas, não pre­ciso de nen­hu­ma solução.

Este é o está­gio mais perigoso, pois o cliente pode não perce­ber algum prob­le­ma poten­cial e só rea­gir quan­do ele for grande e de solução mais com­plexa. Neste está­gio o con­sul­tor deve con­duzir uma inter­ação provoca­ti­va, aler­tan­do o cliente sobre pos­síveis exposições que sur­girão se não agir ante­ci­pada­mente.

No cenário da med­i­c­i­na, mes­mo dizen­do que não temos nen­hum sin­toma, anual­mente nos­so clíni­co nos pede vários exam­es pre­ven­tivos e, por vezes iden­ti­fi­ca prob­le­mas ass­in­tomáti­cos, agin­do ante­ci­pada­mente, antes que se tornem críti­cos.

  1. Estou ven­do uma tendên­cia do mer­ca­do em uma direção especí­fi­ca, mas não creio que se aplique a mim ou seja min­ha pri­or­i­dade.

Em qual­quer mer­ca­do podemos perce­ber tendên­cias como essas. Hoje é muito comum na uti­liza­ção de soluções cog­ni­ti­vas ou em nuvem, mas é pos­sív­el que alguns clientes digam “estou ven­do que todos usam, mas não creio que me seja útil”. Sem fugir da analo­gia médi­ca, a quan­ti­dade cres­cente de adep­tos de suple­men­tos ali­menta­res mostra uma tendên­cia forte, mas até que iden­ti­fique­mos uma neces­si­dade, não ser­e­mos adep­tos ape­nas por ser moda. Nos dois exem­p­los, tan­to o con­sul­tor quan­to o médi­co terão papel impor­tante em mostrar val­or, caso ele exista para o cliente especí­fi­co, nes­sa tendên­cia.

Ago­ra que alin­hamos os qua­tro cenários, percebe­mos a neces­si­dade de uma metodolo­gia estru­tu­ra­da para cri­ar­mos uma inter­ação que passe segu­rança para o cliente e, aci­ma de tudo, for­t­aleça a con­fi­ança do cliente no con­sul­tor.

A metodologia

Como aux­il­iar o cliente a avaliar o cenário em uma per­spec­ti­va difer­ente?

Inde­pen­den­te­mente da respos­ta, esta per­gun­ta pode ger­ar inter­pre­tações dis­tin­tas. Não se tra­ta de ques­tionar se o cliente está cer­to. Se na inter­ação usar­mos a mes­ma lin­ha de raciocínio do cliente, cer­ta­mente chegare­mos no mes­mo cenário em que ele se encon­tra. Por isso, para obter suces­so, o con­sul­tor pre­cisa provocá-lo a pen­sar de for­ma difer­ente.

Ven­da Cog­ni­ti­va tem por princí­pio bási­co o aporte de con­teú­do e apli­cação de metodolo­gia para aux­il­iar o cliente na bus­ca pela mel­hor solução para seus desafios. Difer­ente de uma sessão de coach­ing, a Ven­da Cog­ni­ti­va pre­vê que o con­sul­tor externe sua opinião, agregue con­teú­do e seja dire­ti­vo quan­do necessário. O cliente é quem mel­hor con­hece sua situ­ação, sua empre­sa, mas por estar envolvi­do no cenário, pode não ser a mel­hor pes­soa para inter­pre­tar o que está perceben­do.

A metodolo­gia está estru­tu­ra em 4 fas­es: Visão Ger­al é um mapea­men­to do cenário atu­al; a Meta, quan­do defin­i­mos onde o cliente espera chegar; Ini­cia­ti­vas, onde dedicamos tem­po para explo­rar todas as ini­cia­ti­vas que podem aju­dar a alcançar a meta; e Próx­i­mos Pas­sos, onde se pri­or­iza as ini­cia­ti­vas iden­ti­fi­cadas na fase ante­ri­or. Nes­ta últi­ma fase, o con­sul­tor irá apre­sen­tar sua pro­pos­ta de val­or, para fechar um acor­do que for­t­aleça essa parce­ria.

A primeira fase é divi­di­da em duas partes. Na primeira abor­damos o Ecos­sis­tema, ou seja, tudo que afe­ta ou é afe­ta­do pela empre­sa. Na segun­da nos apro­fun­damos no entendi­men­to do cenário atu­al da empre­sa em si. Além dis­so, ped­i­mos ao cliente para pen­sar sob out­ras per­spec­ti­vas. Por exem­p­lo: “Como você vê gener­i­ca­mente o cenário atu­al ? “.  Faze­mos tam­bém uma abor­dagem para o cliente pen­sar empati­ca­mente, ou seja, como os out­ros ele­men­tos do ecos­sis­tema estão ven­do esse cenário.

Na segun­da parte des­ta fase, quan­do focamos na empre­sa, usamos a mes­ma metodolo­gia. Além de per­gun­tar ao cliente que desafios e opor­tu­nidades ele iden­ti­fi­ca no cenário atu­al, ped­i­mos que ava­lie a empre­sa sob o pon­to de vista de seus clientes e de seus con­cor­rentes.

De posse dessa leitu­ra sob as diver­sas per­spec­ti­vas, o con­sul­tor dev­erá apor­tar sua própria visão do mer­ca­do, acres­cen­tan­do con­teú­do, enrique­cen­do o mapea­men­to e con­cluin­do com uma visão ger­al, estru­tu­ra­da e com vários per­fis. É impor­tante que o con­sul­tor este­ja prepara­do para abor­dar todos os aspec­tos e mais impor­tante, este­ja prepara­do para ser provoca­ti­vo para mover, sem­pre que necessário, o cliente de sua zona de con­for­to.  Uma zona de con­for­to comum é o cliente achar que todos – públi­co e con­cor­rentes – pen­sam como ele. O con­sul­tor pre­cisa tes­tar essas certezas abso­lu­tas, do con­trário será impro­du­ti­va a avali­ação.

Uma vez mapea­do o cenário, é hora de começar a explo­rar as metas do cliente para todas as lin­has de negó­cio da empre­sa – Com­pras, Pro­dução, Dis­tribuição, Serviços etc. Neste momen­to é impor­tante lim­i­tar à área de atu­ação do seu inter­locu­tor, para evi­tar devaneios e per­da de foco.

Nes­ta fase é impor­tante invert­er a ordem na lóg­i­ca de raciocínio. Na fase ante­ri­or per­gun­ta­mos como o cliente visu­al­iza o cenário. Ago­ra é impor­tante começar por o que os clientes esper­am de sua empre­sa. Essa inver­são faz com que o cliente pense sob a per­spec­ti­va dos seus clientes e con­cor­rentes antes de estru­tu­rar um mod­e­lo men­tal do que ele acha que “dev­e­ria ser esper­a­do da empre­sa”. O con­sul­tor nesse momen­to deve ser bem desafi­ador, deblo­que­an­do alguns lim­i­ta­dores que o cliente pos­sa ter e que o impeçam de pen­sar “fora da caixa”.

A fase Meta é seg­men­ta­da em três pilares: quais são as ini­cia­ti­vas, que recur­sos são necessários para exe­cutá-las e quais são as fontes de recur­so. Nesse momen­to, ini­ci­am-se as ativi­dades mais dire­cionadas à ven­da. É esper­a­do que nes­sa hora o con­sul­tor con­si­ga agre­gar con­hec­i­men­to de soluções, bench­mark, tendên­cias e tudo mais que rep­re­sente um bom con­hec­i­men­to da indús­tria. Mais especi­fi­ca­mente, é esper­a­do que, para cada ini­cia­ti­va rela­ciona­da, o con­sul­tor con­si­ga estru­tu­rar os recur­sos necessários, iden­ti­f­i­can­do onde ele, como fornece­dor, poderá ser par­ceiro do cliente na imple­men­tação.

É pos­sív­el, e até prováv­el, que o con­sul­tor não con­si­ga atu­ar como fornece­dor em todas as ini­cia­ti­vas iden­ti­fi­cadas. Como con­sul­tor de con­fi­ança é fun­da­men­tal que ele sem­pre pense no cliente como pri­or­i­dade, apre­sen­tan­do alter­na­ti­vas inde­pen­dentes para estes casos.

Sob o pon­to de vista de ven­das, o últi­mo item é o mais críti­co. Ter sido um con­sul­tor de con­fi­ança durante todo o proces­so cog­ni­ti­vo colo­ca o con­sul­tor em uma posição priv­i­le­gia­da para estru­tu­rar uma pro­pos­ta de val­or. Cer­ta­mente ele poderá mon­tar um pacote de soluções fun­da­men­ta­do nas pri­or­i­dades e val­ores do cliente. O cliente, por sua vez, se sen­tirá mais seguro em ter como par­ceiro alguém que entende e com­par­til­ha de suas pri­or­i­dades.

Depen­den­do do cliente e do cenário, estas fas­es podem acon­te­cer em uma úni­ca inter­ação ou em diver­sos momen­tos dis­tin­tos. A preparação do con­sul­tor é o aspec­to mais impor­tante dessa inter­ação. Escu­ta ati­va é uma das habil­i­dades mais críti­cas para o con­sul­tor. Uma parte sig­ni­fica­ti­va da men­sagem do cliente não será pas­sa­da por meio de palavras.

Cabe ressaltar ain­da que, antes de usar a metodolo­gia aqui descri­ta, o con­sul­tor ten­ha con­quis­ta­do o dire­ito de faz­er essas per­gun­tas. Se não hou­ve um canal de con­fi­ança prévio, a metodolo­gia não terá efe­tivi­dade.

Wal­ter Espíri­to San­to é CEO da MJ2 Learn­ing, con­sul­to­ria em capac­i­tação exec­u­ti­va.

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