Como Bill Gates quer mudar o mundo com novo reator nuclear

Como Bill Gates quer mudar o mundo com novo reator nuclear

Bill Gates vê a ener­gia nuclear como uma solução em poten­cial para baixar os níveis de emis­são de dióx­i­do de car­bono no mun­do e assim diminuir os efeitos do aque­c­i­men­to glob­al. O mul­ti­m­il­ionário pas­sou os úiti­mos dez anos finan­cian­do pesquisas para pro­dução de ener­gia ren­ováv­el por um meio seguro e parece que final­mente tem con­segui­do alguns trun­fos.

Cofun­da­da por Bill Gates há dez anos, a empre­sa Ter­raPow­er corre atrás de um novo tipo de reator nuclear. A com­pan­hia está desen­vol­ven­do uma lin­ha de reatores que usa clore­to der­reti­do como agente refrig­er­ador, segun­do o site Busi­ness Insid­er. Essa reação é uma invenção anti­ga, mas ain­da não usa­da para reduzir cus­tos e des­perdí­cios. Os reatores mais comuns atual­mente usam água como refrig­er­ador.

A Ter­raPow­er con­ta com inves­ti­men­to de US$ 40 mil­hões do Depar­ta­men­to de Ener­gia dos Esta­dos Unidos e espera abrir um novo lab­o­ratório no próx­i­mo ano, O pro­tótipo ini­cial do reator, con­tu­do, ain­da está um pouco longe: a pre­visão é que ele fique pron­to até 2030, depois de testes neste novo lab­o­ratório.

“[Esse reator novo] Não só per­mi­tirá pro­duzir elet­ri­ci­dade sem emis­sões de car­bono, mas tam­bém, ao dire­cionar o calor dire­ta­mente a alguns proces­sos de uma insta­lação indus­tri­al, você pode fornecer o calor necessário para causar reações no proces­so indus­tri­al (ou para o que você quer usar), sem emis­sões de car­bono”, expli­cou ao Busi­ness Insid­er John Gille­land, chefe de tec­nolo­gia da Ter­raPow­er.

Como o novo reator funciona

A ener­gia nuclear gan­hou fama depois de cien­tis­tas desco­brirem no sécu­lo 20 como con­tro­lar o poder dos áto­mos, mas o alto cus­to e a pre­ocu­pação com segu­rança pelo peri­go do lixo radioa­t­i­vo impedi­ram o inves­ti­men­to nesse tipo de ener­gia por parte de muitos país­es. Ago­ra ela pode virar a bola da vez, já que cien­tis­tas apon­tam a ener­gia nuclear como a mais bara­ta para amenizar os gas­es do efeito est­u­fa mas próx­i­mas décadas — atual­mente, ela é respon­sáv­el por 11% da ener­gia no mun­do.

Esse tipo de ener­gia é pro­duzi­do quan­do um com­bustív­el radioa­t­i­vo é colo­ca­do em um reator para ger­ar a fis­são, proces­so no qual o núcleo de um áto­mo se divide den­tro de um núcleo de um reator. Nas reações com água, o com­bustív­el sóli­do fica den­tro do reves­ti­men­to (met­al resistente à cor­rosão) que impede que peças radioa­t­i­vas con­t­a­minem o agente refrig­er­ador. A água ao redor do reves­ti­men­to aju­da a trans­for­mar o calor de uma reação em vapor para as turbinas ger­arem elet­ri­ci­dade.

Por out­ro lado, o pro­je­to da Ter­raPow­er com o clore­to líqui­do colo­ca o com­bustív­el de urânio e o agente refrig­er­ante no mes­mo sal fun­di­do, segun­do Gille­land. A fis­são pode aque­cer os sais dire­ta­mente à medi­da que a mis­tu­ra flui através do núcleo do reator. A mis­tu­ra pas­saria pelos tro­cadores de calor para ger­ar calor ou elet­ri­ci­dade.

Os reatores de água não podem supor­tar reações a tem­per­at­uras muito altas porque o agente refrig­er­ante iria evap­o­rar. Com o clore­to fun­di­do, a Ter­raPow­er pode­ria oper­ar reatores a tem­per­at­uras muito mais altas do que antes. Além de ger­ar ener­gia, a tec­nolo­gia pode­ria ser usa­da em proces­sos de alta tem­per­atu­ra, como a pro­dução de fer­til­izantes e o refi­no de petróleo.

Out­ro pon­to pos­i­ti­vo é que os reatores com a nova tec­nolo­gia pro­duzem pouco lixo resid­ual e teori­ca­mente podem fun­cionar por anos sem a neces­si­dade de adi­cionar com­bustív­el ou ser limpo - reatores com água têm degradação ráp­i­da e pre­cisam ser tro­ca­dos em média a cada 18 meses.

Charles Platiau/Reuters

Ger­ação de ener­gia nuclear atu­al pode ser muito mel­ho­ra­da com mudança no reator Imagem: Charles Platiau/Reuters

Ape­sar dos testes só terem começa­do há alguns anos, a Ter­raPow­er se baseia exper­i­men­tos da déca­da de 60, na época da Guer­ra Fria. Na época, pesquisadores de um lab­o­ratório do Ten­nessee (EUA) desen­volver­am um reator de sal fun­di­do, mas o finan­cia­men­to foi inter­rompi­do anos depois pela pre­ocu­pação de cor­rosão e prob­le­mas de segu­rança.

Ago­ra, com a aju­da de Bill Gates e do apoio gov­er­na­men­tal, a tec­nolo­gia está em voga nor­mal­mente. Segun­do o Busi­ness Insid­er, o pro­je­to tem parce­ria com vários lab­o­ratórios, mas várias star­tups com­petem com a com­pan­hia do multi­bil­ionário para com­er­cializar reatores de sal fun­di­do sim­i­lares.

Necessidade de energia renovável é urgente

O uso de ener­gia ren­ováv­el tem cresci­do muito pouco para pre­venir a humanidade de uma calami­dade com as mudanças climáti­cas. Segun­do relatório da Agên­cia Inter­na­cional de Ener­gia, as ener­gias solares, eóli­cas e nuclear­es não estão con­seguin­do com­pe­tir com a deman­da de ener­gia glob­al.

Cer­ca de 25% da ener­gia do mun­do vem de fontes ren­ováveis, de acor­do com a agên­cia. A pre­visão é de que o número aumente para 40% até 2040 e a ener­gia nuclear é uma das soluções apon­tadas para que esse aumen­to ocor­ra.

A Ter­raPow­er e seus par­ceiros estão desen­vol­ven­do um pro­tótipo com a capaci­dade de pro­duzir até 1.100 megawatts de elet­ri­ci­dade - o poder seria sufi­ciente para dar ener­gia a 825 mil casas, de acor­do com a Comis­são de Ener­gia da Cal­ifór­nia.

O lab­o­ratório de US$ 20 mil­hões da com­pan­hia deve ser inau­gu­ra­do no próx­i­mo ano no Esta­do de Wash­ing­ton, com testes de mate­ri­ais que sejam resistentes à cor­rosão. Bill Gates ain­da é o pres­i­dente da Ter­ra Pow­er e já disse em entre­vis­tas que menos pes­soas mor­rem em desas­tres de plan­tas nuclear­es do que em minas de carvão ou aci­dentes com gás nat­ur­al.

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