Será que você está influenciado pelas redes sociais sem perceber?

Será que você está influenciado pelas redes sociais sem perceber
O reforço pos­i­ti­vo e as sug­estões indi­re­tas são for­mas poderosas de influ­en­ciar nos­sa toma­da de decisão. É o que diz a “Teo­ria do nudge”, tam­bém con­heci­da como “teo­ria do empurrão”, que expli­ca como nos­sas escol­has são afe­tadas por influên­cias indi­re­tas.

É o “empurrãoz­in­ho” que faz com que a gente dese­je, sem perce­ber, ema­gre­cer ou gan­har mais din­heiro, por exem­p­lo.

O con­ceito pode ter surgi­do a par­tir de um exper­i­men­to de ciên­cia com­por­ta­men­tal — afi­nal, qual pai nun­ca recor­reu ao reforço pos­i­ti­vo ou a sug­estões indi­re­tas para influ­en­ciar as ações e escol­has do fil­ho? Mas Mary Ann Sieghart, jor­nal­ista e radi­al­ista que inves­ti­ga a Teo­ria do nudge, acred­i­ta que o méto­do tam­bém pode ser uma for­ma útil de dire­cionar adul­tos.

Seria “uma maneira de estim­u­lar um com­por­ta­men­to um pouco mel­hor, um ajuste suave para nos incen­ti­var a tomar decisões” mel­hores, diz ela.

O fato é que, na maio­r­ia das vezes, a gente sequer percebe que isso está acon­te­cen­do. A seguir, alguns momen­tos em que podemos iden­ti­ficar a Teo­ria do nudge em ação no nos­so dia a dia:

1. Na hora de pedir comida

“Se você expli­ca a comi­da com uma var­iedade de adje­tivos — sejam eles geográ­fi­cos ou des­critivos, o sabor dos ali­men­tos fica mel­hor”, diz Richard Shot­ton, escritor e guru pub­lic­itário.

É por isso que a indús­tria ali­men­tí­cia nos ofer­ece — ou “empurra” — “descrições exu­ber­antes” de comi­da.

Em uma pesquisa con­duzi­da com seus alunos, o pro­fes­sor amer­i­cano Bri­an Wansink pediu a eles para clas­si­ficar uma “sopa de fei­jão” e uma “sopa de fei­jão toscana”. Os resul­ta­dos mostraram que o cal­do tin­ha um sabor “8% mel­hor quan­do apre­sen­ta­do com a bela descrição”.

Então, toda vez que você optar por um salmão do Alas­ca ou uma pican­ha argenti­na, sai­ba que está levan­do um “empurrãoz­in­ho”.

Igual­mente per­sua­si­vo é o ato de remover os sím­bo­los de moe­da ($, €…) da lista de preços. Há indí­cios de que “se você reti­rar o dólar, a libra ou qual­quer sinal de moe­da, as pes­soas se tor­nam menos sen­síveis ao preço”, diz Shot­ton.

2. Na fila do caixa

Quan­do esta­mos na fila do super­me­r­ca­do, somos sem­pre induzi­dos a faz­er com­pras por impul­so. As gôn­dolas próx­i­mas ao caixa cos­tu­mam ofer­e­cer pro­du­tos mais baratos, como chi­cletes ou choco­lates, e ficamos ten­ta­dos a colocá-los no car­rin­ho.

“Se colo­cassem ess­es doces longe do caixa”, sug­ere Sieghart, “as pes­soas con­sumiri­am menos açú­car”.

Já imag­i­nou o que acon­te­ceria se essas gulo­seimas tão acessíveis fos­sem sub­sti­tuí­das por vit­a­m­i­nas, oleagi­nosas ou fru­tas?

3. Nas redes sociais

Out­ro méto­do é sug­erir uma escol­ha par­tic­u­lar, indi­can­do que out­ras pes­soas se com­por­taram de deter­mi­na­da maneira.

Podemos gostar da ideia de pen­sar em nós mes­mos como cri­adores de tendên­cias, mas a ver­dade é que temos o instin­to nat­ur­al de ado­tar um “com­por­ta­men­to de man­a­da” e seguir as mas­sas.

Muitos de nós já fomos lev­a­dos a votar nas enquetes que pro­lif­er­am nas redes soci­ais — é fácil, bas­ta dar um clique e pron­to… ao mes­mo tem­po, todos os seus ami­gos podem ver que você par­ticipou e são enco­ra­ja­dos a faz­er o mes­mo.

4. Ao pagar plano de previdência

Em muitos país­es, as pes­soas são lev­adas a con­tribuir para um fun­do de pen­são a par­tir de um sis­tema de adesão automáti­ca.

“Se a gente recebe um for­mulário para se inscr­ev­er em um plano de pre­v­idên­cia, a tendên­cia é deixar como últi­mo item da nos­sa lista de tare­fas”, diz says Sieghart. “Mas se for­mos inscritos auto­mati­ca­mente, como acon­tece atual­mente no Reino Unido, nos aju­da a faz­er o que sabe­mos que deve ser feito, que é guardar din­heiro para nos­sa aposen­ta­do­ria.”

Cass Sun­stein, coau­tor de Nudge: Como mel­ho­rar as decisões sobre saúde, din­heiro e feli­ci­dade, defende que “ao mudar do sis­tema opt-in (em que é pre­ciso realizar uma ação para se inscr­ev­er) para um sis­tema opt-out (no qual a adesão é automáti­ca e exige uma ação ape­nas para desati­var) diver­sas pes­soas no mun­do todo vão ter uma situ­ação eco­nomi­ca­mente mais con­fortáv­el na aposen­ta­do­ria”.

5. Enquanto espera o metrô

Quan­do você está na estação à espera do metrô, pode ser que ninguém diga especi­fi­ca­mente para você ficar longe da bor­da da platafor­ma.

Mas se as autori­dades “pintarem uma lin­ha no chão”, diz Sieghart, é “menos prováv­el que você chegue muito per­to do trem”.

As lin­has amare­las, que man­têm você longe do vão da platafor­ma, são nada menos que um nudge em ação.

6. Ao ler correspondências

O ex-primeiro-min­istro britâni­co David Cameron ado­tou a teo­ria do “empurrãoz­in­ho” para fins políti­cos — ele chegou a cri­ar um depar­ta­men­to no gov­er­no ded­i­ca­do exclu­si­va­mente a inves­ti­gar o com­por­ta­men­to dos cidadãos, chama­do Behav­iour­al Insights Team (“Equipe de Insights Com­por­ta­men­tais”, em tradução livre).

A unidade era dirigi­da por David Halpern e, segun­do ele, esta­va volta­da para uma área especí­fi­ca: “incen­ti­var as pes­soas a pagarem impos­tos den­tro do pra­zo.”.

De acor­do com Halpern, eles con­seguiram resul­ta­dos sur­preen­dentes ao “adi­cionar uma úni­ca lin­ha” à car­ta envi­a­da pelas autori­dades fis­cais aos con­tribuintes.

A inclusão da frase “a maio­r­ia das pes­soas paga seus impos­tos em dia, você é uma das pou­cas exceções” lev­ou a um aumen­to de 15% no índice de pagantes.

7. Ao pesquisar passagem aérea

Como con­sum­i­dores, nos deparamos con­stan­te­mente com o nudge usa­do pelos vare­jis­tas para vender mais pro­du­tos e serviços.

Na hora de pesquis­ar pas­sagem de avião pela inter­net, por exem­p­lo, quem nun­ca esbar­rou com a frase “restam ape­nas dois assen­tos disponíveis por essa tar­i­fa”?

É uma for­ma de a com­pan­hia aérea aumen­tar a pressão para fechar o negó­cio.

8. Ao fazer compras online

Há diver­sas estraté­gias que as lojas online ado­tam para nos dire­cionar a efe­t­u­ar uma deter­mi­na­da com­pra.

Podem usar uma fonte maior para que um pro­du­to mais caro se destaque das opções mais baratas.

Ou rotu­lar um item como a “escol­ha mais pop­u­lar” entre os clientes, pois sabem que gosta­mos de pro­du­tos que sejam endos­sa­dos por ter­ceiros.

Podem ain­da agru­par vários arti­gos semel­hantes sob a seguinte leg­en­da: “as pes­soas que com­praram isso tam­bém com­praram isto”.

Em últi­ma análise, parece que não con­seguimos resi­s­tir a seguir a mul­ti­dão.

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