Como vender novos produtos — Líderes em vendas contam os segredos

Como vender novos produtos

Quan­do con­ver­samos com as empre­sas sobre as maiores difi­cul­dades que elas enfrentam para aumen­tar a recei­ta, ouvi­mos uma queixa sis­temáti­ca: os líderes seniores con­fi­am muito em sua capaci­dade de desen­volver ino­vações, mas não em sua capaci­dade de com­er­cial­izá-las. Nos­sa pesquisa indi­ca que esse gap resul­ta de fal­ta de proces­sos for­mais e de estraté­gias efe­ti­vas de gestão de tal­en­to. Isso é um grande prob­le­ma, porque limi­ta os lucros que as empre­sas col­hem de seus inves­ti­men­tos em P&D. Dizen­do de for­ma mais sim­ples, as empre­sas que inve­sti­ram mil­hões son­han­do com ino­vações para o mun­do pre­cisam de mais capac­i­tação para vendê-las aos clientes.

Para enten­der­mos por que isso é tão difí­cil, vas­cul­hamos a lit­er­atu­ra acadêmi­ca, real­izamos inúmeras entre­vis­tas com líderes seniores de ven­das e vários estu­dos por nos­sa con­ta.

Desco­b­ri­mos que empre­sas bem-suce­di­das recon­hecem que, em oposição à abor­dagem tradi­cional, o proces­so de ven­das de novos pro­du­tos requer difer­entes alo­cações de tem­po e pre­cisam super­ar difer­entes objeções e bar­reiras. Desco­b­ri­mos tam­bém que as pes­soas que super­am as expec­ta­ti­vas de ven­da de novos pro­du­tos têm con­du­ta e traços pes­soais difer­entes daque­las que ven­dem com suces­so as lin­has de pro­du­tos já exis­tentes — e que as mel­hores empre­sas desen­volvem deter­mi­na­da cul­tura empre­sar­i­al para apoiar os vende­dores que aceitam o desafio.

Um novo processo de vendas

Com o obje­ti­vo de mel­hor enten­der o que difer­en­cia o proces­so de ven­da de novos pro­du­tos, pesquisamos 500 vende­dores em empre­sas B2B de uma grande var­iedade de indús­trias, de tec­nolo­gia a serviços finan­ceiros. Como eles gas­tam seu tem­po durante o proces­so e quais desafios que enfrentam à medi­da que o proces­so se desen­ro­la.

Deman­das de tem­po. Desco­b­ri­mos que vender novos pro­du­tos requer mais ded­i­cação e muito mais atenção. Em média, os vende­dores gas­tam 35% mais tem­po em reuniões com clientes durante todo o ciclo de ven­das que quan­do ven­dem mer­cado­rias e serviços já com­pro­va­dos. Boa parte desse tem­po é gas­ta em reuniões pres­en­ci­ais com os clientes para lhes explicar como o pro­du­to mudará suas atu­ais práti­cas de negó­cio, e ess­es encon­tros con­somem 32% mais tem­po. E como com­pro­m­e­ter-se com­ple­ta­mente com um novo pro­du­to requer o con­sen­so den­tro da própria empre­sa alvo, os vende­dores gas­tam 30% mais tem­po em reuniões com equipes trans­fun­cionais do cliente. Ten­do em vista que o tem­po é o recur­so mais pre­cioso dos vende­dores, tra­ta-se de inves­ti­men­to oneroso.

Bar­reiras que impe­dem o fechamen­to. Ped­i­mos a algu­mas pes­soas que relatassem quan­do encon­traram resistên­cia e quais foram os maiores desafios em cada um dos seis está­gios comuns na maio­r­ia dos proces­sos de ven­das: (1) inves­ti­gação da ven­da, quan­do é feito o atendi­men­to ini­cial; (2) iden­ti­fi­cação das neces­si­dades, quan­do o vende­dor aju­da o cliente a mel­hor entendê-las; (3) avali­ação, quan­do o cliente começa a con­sid­er­ar vários pro­du­tos; (4) encam­in­hamen­to da solução, quan­do o cliente se vê diante de um con­jun­to lim­i­ta­do de fornece­dores e desen­volve poten­ci­ais soluções; (5) decisão, quan­do o cliente decide se com­pra ou não; e (6) manutenção pós-ven­da, quan­do o pro­du­to já está em uso.

Líderes em vendas contam seus segredos

Uma descober­ta impor­tante é que a resistên­cia à ven­da nor­mal­mente ocorre mais tarde no proces­so para pro­du­tos ino­vadores que para pro­du­tos já com­pro­va­dos. Como os clientes geral­mente estão curiosos sobre o novo pro­du­to, mais clientes dirão sim numa reunião ini­cial. Um com­prador que rara­mente acei­ta reunir-se com rep­re­sen­tantes de ven­das comen­tou: “Eu sem­pre estarei pron­to para ouvir qual­quer ideia nova que alguém me apre­sen­tar. Quero ter certeza de que esta­mos sendo atu­al­iza­dos no que de mel­hor nos­sa indús­tria pode ofer­e­cer”. Mas, à medi­da que o proces­so con­tin­ua, os clientes começam a se tornar mais hes­i­tantes em aban­donar o statu quo.

Os desafios enfrenta­dos no proces­so de ven­das mudam ao lon­go do tem­po. Nos dois primeiros está­gios, a maior bar­reira é que os clientes pen­sam que recebem somente parte da infor­mação, que o vende­dor está ocul­tan­do algu­ma coisa impor­tante sobre o pro­du­to. Da mes­ma for­ma, no está­gio seguinte — a avali­ação — os clientes, muitas vezes, estão pre­ocu­pa­dos porque ain­da não enten­dem com­ple­ta­mente o pro­du­to.

No está­gio do desen­volvi­men­to da solução, ocorre uma grande mudança. Nesse pon­to os clientes começam a perce­ber como suas práti­cas de negó­cio mudari­am se eles decidis­sem ado­tar o pro­du­to. As duas maiores questões são: os clientes não gostam de situ­ações indefinidas, que cri­am incerteza e lev­an­tam dúvi­das, e acred­i­tam que sua for­ma de faz­er negó­cio será inter­romp­i­da. Além dis­so, nor­mal­mente nesse pon­to a unidade com­prado­ra pas­sa por expan­são, e alguns dos que acabaram de se unir ao proces­so se per­gun­tam o que poderá acon­te­cer comi­go? Pre­ocu­pações sim­i­lares apare­cem no está­gio da decisão, à medi­da que os clientes con­tin­u­am a focar no risco e na for­ma como as pes­soas da orga­ni­za­ção serão afe­tadas, ques­tion­am a si mes­mos se vão se arrepen­der da decisão de com­pra e querem saber se podem pre­v­er com pre­cisão os cus­tos da mudança.

Da per­spec­ti­va da orga­ni­za­ção de ven­das, esse padrão é prob­lemáti­co e difí­cil de super­ar. Como as pes­soas que ven­dem novos pro­du­tos podem mar­car várias reuniões ini­ci­ais, elas viven­ci­am uma sen­sação de real­iza­ção: estão diante do cliente e crian­do rela­ciona­men­tos com pre­tendentes que ante­ri­or­mente podem não ter rece­bido sua lig­ação. O entu­si­as­mo ini­cial do cliente é sedu­tor e con­vence o vende­dor de que seu tem­po está sendo bem empre­ga­do. Mas, à medi­da que o proces­so se desen­ro­la, fica claro que muitas das reuniões moti­vadas pela curiosi­dade real­mente nun­ca foram, de fato, opor­tu­nidades, o que deixa os vende­dores com pouco para mostrar de seus esforços.

O treina­men­to necessário. Em ger­al, as orga­ni­za­ções não fornecem aju­da sufi­ciente aos vende­dores para que eles naveg­uem por esse proces­so com­plexo. Nos­sa pesquisa indi­ca que, nor­mal­mente, o que é ofer­e­ci­do como treina­men­to quan­do um pro­du­to é lança­do é uma sim­ples apre­sen­tação. Os prin­ci­pais desafios que sur­girão durante o ciclo de ven­das não são abor­da­dos. Na reunião de lança­men­to, as equipes de desen­volvi­men­to do pro­du­to dedicam atenção demais aos acessórios adi­cionais do pro­du­to, acred­i­tan­do que sua meta prin­ci­pal é tornar os vende­dores sufi­cien­te­mente empol­ga­dos com a ino­vação e levá-la a todos os clientes. No iní­cio do ciclo, os vende­dores não só pre­cisam fornecer a infor­mação cor­re­ta do pro­du­to, mas os clientes tam­bém pre­cisam sen­tir que estão receben­do a infor­mação cer­ta. Isso envolve esta­b­ele­cer con­fi­ança e demon­strar uma pro­fun­da com­preen­são dos desafios do cliente. Mais tarde no ciclo, os vende­dores pre­cisam aju­dar os clientes a enten­der, avaliar e admin­is­trar riscos e questões que todos têm quan­do se tra­ta de mudança. Pou­cas empre­sas aju­dam os vende­dores a apren­der a faz­er isso.

Seria mel­hor se as equipes de ven­da gas­tassem seu tem­po desen­vol­ven­do um per­fil psi­cológi­co do cliente ide­al. Que car­ac­terís­ti­cas sug­erem que um pre­tendente pode quer­er ado­tar uma nova for­ma de faz­er negó­cio? Que pis­tas com­por­ta­men­tais sinal­izam que o cliente está mes­mo inter­es­sa­do no pro­du­to, e não sim­ples­mente queren­do con­hecer uma nova tec­nolo­gia? A cul­tura orga­ni­za­cional do pre­tendente apoia o apren­diza­do e a mudança? Para os pre­tendentes que mel­hor se ajus­tam ao per­fil, a equipe de ven­das deve mapear todos os pas­sos que pre­cis­arão ser dados — e todas as pes­soas que pre­cis­arão ser atingi­das. Esse exer­cí­cio tem natureza cria­ti­va, porque a meta é imag­i­nar o que deve ser novo e difer­ente no proces­so de ven­das. A equipe dev­e­ria per­gun­tar “o com­prador pre­cisa cri­ar novos critérios de avali­ação antes de uma ven­da ser real­iza­da? Que gru­pos da orga­ni­za­ção com­prado­ra podem perder poder, e como eles podem ser tran­quil­iza­dos? Con­hece­mos todos os que serão afe­ta­dos pela mudança? Caso não, como desen­volver a rede de que pre­cisamos?”.

Emb­o­ra a equipe de ven­das pos­sa não ter toda a infor­mação necessária para faz­er isso per­feita­mente bem na primeira vez, repas­sar o exer­cí­cio aju­da a evi­tar obstácu­los e con­cen­trar esforços para desco­brir os tipos cer­tos de cliente.

O que torna os vendedores bem-sucedidos?

Com o obje­ti­vo de saber que traços de per­son­al­i­dade e com­petên­cias car­ac­ter­i­zam as pes­soas que se saem bem venden­do novos pro­du­tos, começamos anal­isan­do as car­ac­terís­ti­cas de mais de 2.500 vende­dores de cin­co com­pan­hias líderes em setores que incluem mídia dig­i­tal, pro­du­tos far­ma­cêu­ti­cos e pro­du­tos indus­tri­ais e serviços.

Líderes em vendas contam os segredos

Eles priv­i­le­giam a visão de lon­go pra­zo. Nos­sa primeira obser­vação foi: os vende­dores mais bem-suce­di­dos admin­is­tram seu tem­po mais delib­er­ada­mente que os out­ros. Em média, eles desvi­am sua atenção dos pro­du­tos e serviços exis­tentes e despen­dem menos tem­po em tra­bal­ho admin­is­tra­ti­vo para gas­tar 4,5 horas por sem­ana venden­do ino­vações. Eles investem mais tem­po iden­ti­f­i­can­do bons pre­tendentes, miran­do impla­cavel­mente em alguns clientes com maior prob­a­bil­i­dade de aceitar, em vez de diver­si­ficar sua atenção em muitas con­tas. Tam­bém desco­b­ri­mos que um foco em resul­ta­dos de lon­go pra­zo com os clientes está inti­ma­mente asso­ci­a­do ao suces­so. Um cliente descreveu um rep­re­sen­tante de ven­das da seguinte for­ma: “Sua filosofia era que se ele pudesse nos aju­dar a mel­ho­rar nos­so desem­pen­ho, por fim gas­taríamos mais din­heiro com a empre­sa dele, mas no lon­go pra­zo todos sairíamos gan­han­do”.

Eles têm difer­entes pre­ocu­pações. Vende­dores bem-suce­di­dos percebem as bar­reiras de for­ma muito difer­ente dos out­ros. Eles se pre­ocu­pam com questões rela­cionadas a pes­soas e proces­sos da orga­ni­za­ção com­prado­ra e se a ven­da poderá emper­rar se o com­prador não tiv­er o critério de avali­ação para faz­er a com­pra. Eles se pre­ocu­pam que os clientes pos­sam achar os cus­tos da mudança muito altos, ou que muitas pes­soas estarão forte­mente envolvi­das no statu quo. Por out­ro lado, há vende­dores que focam em seu con­hec­i­men­to do pro­du­to e se pre­ocu­pam que pos­sa lhes fal­tar infor­mação des­criti­va ou que a infor­mação que rece­ber­am não seja clara.

Eles demon­stram mais deter­mi­nação. Emb­o­ra a deter­mi­nação seja impor­tante na maio­r­ia das ven­das, ela é ain­da mais impor­tante quan­do se ven­dem pro­du­tos novos. Mais cedo ou mais tarde ocor­rem reveses no proces­so, o que faz os vende­dores sen­tirem que o tapete lhes foi pux­a­do. Como nos con­tou um líder sênior de ven­das, “os vende­dores nun­ca recusam a opor­tu­nidade de vender novos pro­du­tos. Eles os veem como out­ra flecha na alja­va e como a chave de seu suces­so. Mas se eles man­têm esse esforço em vendê-los, é out­ra história”. Os vende­dores com ori­en­tação de lon­go pra­zo focam em futuras rec­om­pen­sas e desen­volvem estraté­gias de enfrenta­men­to para lidar com os obstácu­los que encon­tram pelo cam­in­ho.

Para eles, o mais impor­tante é o apren­diza­do. A ori­en­tação para metas desem­pen­ha um papel impor­tante no suces­so da ven­da de novos pro­du­tos. Alguns vende­dores têm ori­en­tação para o apren­diza­do — dese­jo de apri­morar suas habil­i­dades e neces­si­dade de dom­i­nar tare­fas difí­ceis. Val­orizam sobre­maneira o cresci­men­to pes­soal. Out­ros mostram ori­en­tação para o desem­pen­ho; out­ros dese­jo de ser elo­gia­dos pela excelên­cia de seu tra­bal­ho; e out­ros temor de rece­ber avali­ações ruins. Num estu­do recente, Annie Chen, da West­min­ster Busi­ness School, e cole­gas anal­is­aram como as difer­enças na ori­en­tação de metas afe­tam a crença dos vende­dores em suas com­petên­cias e na moti­vação para vender novos pro­du­tos. Eles desco­bri­ram que aque­les com forte ori­en­tação para o apren­diza­do estavam con­fi­antes e ansiosos para vencer os desafios. Os vende­dores com ori­en­tação para o desem­pen­ho se enquadram em dois seg­men­tos: os que con­sid­er­am o desafio uma opor­tu­nidade de elo­gio sen­tem-se da mes­ma for­ma que aque­les com ori­en­tação para o apren­diza­do. Mas os que temem ser mal avali­a­dos se pre­ocu­pam que podem fal­har e, con­se­quente­mente, mostram menor prob­a­bil­i­dade de se esforçar para vender o pro­du­to.

Anal­isan­do como a ori­en­tação para metas afe­ta as ven­das ao lon­go do tem­po em uma das cin­co empre­sas de nos­so estu­do, desco­b­ri­mos que ini­cial­mente o desem­pen­ho é prej­u­di­ca­do quan­do um pro­du­to é lança­do, inde­pen­den­te­mente da ori­en­tação do vende­dor. Os rep­re­sen­tantes de ven­das com ori­en­tação para o apren­diza­do pas­sam mais tem­po adquirindo novas fontes de infor­mação e exper­i­men­tan­do difer­entes estraté­gias e menos tem­po venden­do. Seu desem­pen­ho tende a sofr­er mais no iní­cio que o dos vende­dores ori­en­ta­dos para o desem­pen­ho. Na ver­dade, eles fazem uma tro­ca con­sciente — e o perío­do de apren­diza­do ati­vo leva a com­pen­sações de lon­go pra­zo. Uma vez que enten­dem o mer­ca­do e têm à mão estraté­gias efi­cientes, seu desem­pen­ho final­mente esta­bi­liza em níveis mais altos que o de seus cole­gas ori­en­ta­dos para o desem­pen­ho. Para os gestores, isso demon­stra que dar aos vende­dores tem­po para exper­i­men­tar e apren­der sobre o mer­ca­do com­pen­sa no lon­go pra­zo, mas você pre­cisa da cor­agem para resi­s­tir a uma que­da de desem­pen­ho ini­cial.

Eles são com­pe­tentes, foca­dos no cliente e adap­táveis. Iden­ti­fi­camos várias out­ras car­ac­terís­ti­cas asso­ci­adas ao suces­so na ven­da de novos pro­du­tos. Os vende­dores pre­cisam de con­hec­i­men­to tan­to do pro­du­to quan­to do mer­ca­do — con­hec­i­men­to das novas tendên­cias e dos padrões de com­pra dos clientes. Con­sideran­do as mudanças que ocor­rerão nos negó­cios dos clientes se os pro­du­tos forem ado­ta­dos, os vende­dores pre­cisam ter foco no cliente — pre­dis­posição para aten­der suas neces­si­dades aci­ma e além do que foi exigi­do.
E o rit­mo da mudança sig­nifi­ca que eles pre­cisam de adapt­abil­i­dade para ajus­tar rap­i­da­mente seus proces­sos e esti­lo inter­nos de acor­do com o feed­back da equipe, de out­ros gestores e das influên­cias do mer­ca­do.

Para exam­i­nar se todos os vende­dores — os mais e os menos bem-suce­di­dos — recon­hecem se têm as car­ac­terís­ti­cas necessárias, com­para­mos como eles e seus clientes clas­si­fi­cam suas habil­i­dades nos que­si­tos men­ciona­dos. O padrão foi impres­sio­n­ante: con­fi­antes em suas próprias com­petên­cias, a maio­r­ia dos vende­dores atribuiu a si mes­mos alta pon­tu­ação. No entan­to, os clientes atribuíram aos vende­dores altas pon­tu­ações somente em con­hec­i­men­to do pro­du­to — na maio­r­ia dos que­si­tos, as avali­ações dos clientes foram somente um terço da pon­tu­ação que os vende­dores atribuíram a si mes­mos, e menos de um déci­mo da pon­tu­ação em adapt­abil­i­dade. Os vende­dores pen­savam que estavam se aju­s­tan­do muito bem às influên­cias exter­nas, mas, para os clientes, eles estavam pre­sos a seus hábitos. Dessa análise, obser­va-se clara­mente que as orga­ni­za­ções de ven­das pre­cisam fornecer ori­en­tação e apoio para o apri­mora­men­to dos mem­bros de suas equipes.

Uma cultura que apoia as vendas de novos produtos

Os gestores de ven­das da lin­ha de frente desem­pen­ham um papel cen­tral em exe­cu­tar estraté­gias de cresci­men­to orgâni­co, porque eles lidam diari­a­mente com as decisões mais difí­ceis das pes­soas. Durante a fase de lança­men­to do pro­du­to eles aju­dam os vende­dores exis­tentes a apren­der novos com­por­ta­men­tos e man­ter o moral alto quan­do o desem­pen­ho cai. Se a empre­sa está crian­do uma força de ven­das a par­tir do zero para apoiar um novo pro­du­to, ess­es gestores são respon­sáveis por con­tratar pes­soas com as habil­i­dades e com­petên­cias ade­quadas. Se a empre­sa está lançan­do uma nova estraté­gia de cresci­men­to, eles pre­cisam trans­for­má-la em ações que fun­cionarão no cam­po — uma tare­fa desafi­ado­ra, porque eles pre­cisam tomar decisões sem saber exata­mente o que fun­cionará.

Desco­b­ri­mos que as mel­hores empre­sas uti­lizam avali­ação de com­petên­cia e pro­gra­mas de treina­men­to para aju­dar os gestores de ven­das da lin­ha de frente a efe­ti­va­mente enfrentar ess­es desafios. As avali­ações de com­petên­cia iden­ti­fi­cam os pon­tos fortes e fra­cos de cada vende­dor medin­do traços e habil­i­dades. As sofisti­cações nas avali­ações vari­am muito de empre­sa para empre­sa. Muitas orga­ni­za­ções não mapeiam nem avaliam as com­petên­cias — ou fazem isso de modo ger­al, não com o obje­ti­vo de vender novos pro­du­tos. As empre­sas podem desen­volver pro­gra­mas de treina­men­to de grupo para cor­ri­gir defi­ciên­cias na força de ven­das, mas o foco prin­ci­pal dess­es pro­gra­mas é aju­dar as pes­soas a faz­er um bal­anço de suas capaci­dades.

Ava­lie as habil­i­dades sis­tem­ati­ca­mente. As mel­hores empre­sas dão um pas­so mais adi­ante per­son­al­izan­do o treina­men­to para aten­der às neces­si­dades indi­vid­u­ais e vin­cu­lar as avali­ações ao desem­pen­ho. Métri­c­as como pro­du­tivi­dade de ven­das de novos pro­du­tos e a parcela da carteira do novo pro­du­to são usadas para iden­ti­ficar quem está sobres­sain­do no mer­ca­do. Os gestores uti­lizam avali­ações para guiar sessões indi­vid­u­ais de coach­ing sobre com­por­ta­men­tos especí­fi­cos que resul­tarão em mel­hor desem­pen­ho e para desen­volver planos de apren­diza­do foca­dos. Durante a fase de lança­men­to de um novo pro­du­to, as empre­sas não sabem exata­mente que habil­i­dades serão necessárias para o suces­so, por isso elas “chutam”, mas com critério. Elas revisam seus mapas de com­petên­cia à medi­da que percebem quem está pros­peran­do no mer­ca­do e revisam seus pro­gra­mas de treina­men­to para cor­ri­gir defi­ciên­cias. Elas cri­am uma cul­tura na qual os vende­dores aspi­ram ao cresci­men­to.

O treina­men­to exigi­do ness­es pro­gra­mas tende a ser amp­lo. Englobam tan­to for­mação de habil­i­dades como cresci­men­to pes­soal, porque os novos pro­du­tos tes­tam a auto­con­fi­ança dos vende­dores. Uma empre­sa de mídia, por exem­p­lo, nos disse que seus vende­dores estavam se tor­nan­do tão sobre­car­rega­dos com a veloci­dade de mudança do mer­ca­do dig­i­tal que não con­seguiam se envolver com os clientes. Eles podi­am faz­er as per­gun­tas cer­tas para avaliar as neces­si­dades do cliente e ter um con­hec­i­men­to ade­qua­do do pro­du­to, mas não con­seguiam se envolver a pon­to de dis­cu­tir as soluções. Um fluxo con­stante de dis­rupções dig­i­tais abal­a­va sua con­fi­ança na com­preen­são do mer­ca­do e eles não que­ri­am pare­cer igno­rantes para seus clientes.

Treine con­hec­i­men­to e resil­iên­cia. A empre­sa de mídia ado­tou uma abor­dagem em duas frentes para esse prob­le­ma. Para resolver a questão do con­hec­i­men­to, criou um pro­gra­ma de treina­men­to para incu­tir nos vende­dores a con­sci­en­ti­za­ção do mer­ca­do. Depois que o pro­gra­ma ter­mi­nou, ela forneceu atu­al­iza­ções con­stantes sobre as tendên­cias da mídia dig­i­tal para que os vende­dores pudessem aju­dar seus clientes a enten­der qual a tendên­cia do mer­ca­do. Mas, mais impor­tante, ela forneceu ao seu pes­soal mecan­is­mos de enfrenta­men­to para que ele se sen­tisse mais con­fortáv­el com a veloci­dade da mudança. As bar­reiras emo­cionais para fechar uma ven­da eram maiores que as bar­reiras do con­hec­i­men­to. Um gestor sênior descreveu o desafio da seguinte for­ma: “Nos­sos vende­dores podi­am avaliar as neces­si­dades do cliente e ofer­e­cer soluções ade­quadas. Mas a dis­rupção no mer­ca­do dig­i­tal era tão inten­sa que eles não sabi­am clara­mente o que devi­am faz­er. Eles ficaram pre­sos no lugar até con­seguirmos fazê-los super­ar esse obstácu­lo. Para ajudá-los nes­sa tare­fa, ped­i­mos que refletis­sem sobre qual era e qual não era o papel deles. Desco­b­ri­mos que foi útil para eles escr­ev­er seus pen­sa­men­tos numa revista. Pre­cisá­va­mos que eles recon­hecessem que não tin­ham de ser experts em tudo”.

Os vende­dores (como muitos profis­sion­ais de out­ras áreas) geral­mente não querem ver que o mun­do está mudan­do e pre­cisam ser estim­u­la­dos para apren­der novos com­por­ta­men­tos. As avali­ações de com­petên­cia estim­u­lam a mudança com­por­ta­men­tal porque fornecem dados de fonte exter­na sobre as habil­i­dades que os vende­dores pre­cisam mel­ho­rar. Essas avali­ações são mais efi­cientes quan­do as per­gun­tas visam com­por­ta­men­tos especí­fi­cos — por exem­p­lo, “ao vender novos pro­du­tos, você abor­da primeiro os clientes exis­tentes para avaliar suas reações? ” — e os respon­dentes não con­seguem adi­v­in­har as respostas cer­tas. Faz­er com­para­ções que os forcem a enfrentar fatos difí­ceis pode estim­u­lar a mudança com­por­ta­men­tal. Por exem­p­lo, as habil­i­dades e com­por­ta­men­tos de deter­mi­na­da pes­soa podem ser usa­dos como refer­ên­cia para os mel­hores vende­dores de empre­sas ino­vado­ras da indús­tria, para os mel­hores vende­dores de sua própria empre­sa ou para as avali­ações dos clientes. O obje­ti­vo é fornecer ao gestor dados sufi­cientes para qual­quer dis­cussão necessária.

As avali­ações de com­petên­cia tam­bém enco­ra­jam os gestores de ven­das a focar naqui­lo que o mun­do dev­e­ria ser e não no que é. Se um pro­du­to rep­re­sen­ta uma mudança de direção para uma empre­sa, as avali­ações podem aju­dar a deter­mi­nar quem será capaz de oper­ar o novo mun­do e quem lutará. Se a empre­sa está crian­do uma nova força de ven­das para apoiar o pro­du­to, as avali­ações podem aju­dar a deter­mi­nar o que procu­rar nos novos can­didatos a emprego e como faz­er a triagem dos traços cer­tos. Mudar de com­por­ta­men­to é tão difí­cil para os gestores de ven­das quan­to para os vende­dores. Gestores bem-suce­di­dos às vezes pen­sam: sei por exper­iên­cia própria o que fun­ciona, então por que eu dev­e­ria mudar? Quan­do surgem prob­le­mas no cam­po, ess­es gestores ten­dem a cul­par os pro­du­tos, em vez de cul­par os vende­dores ou eles mes­mos.

Se a equipe de gestão de ven­das estiv­er pre­sa no pas­sa­do, pode ser necessária uma sig­ni­fica­ti­va ren­o­vação de pes­soal. Num caso extremo, metade das equipes de gestão de ven­das da lin­ha de frente foi sub­sti­tuí­da em um ano porque seus mem­bros não con­seguiam dar o salto necessário.

Benefícios de uma gestão de contas estratégica

As mel­hores empre­sas geral­mente lançam novos pro­du­tos por meio de pro­gra­mas de gestão de con­tas estratég­i­cas. Os gestores de con­tas estratég­i­cas (SAMs, na sigla em inglês), a quem são atribuí­dos os clientes mais impor­tantes, têm per­mis­são para ado­tar uma per­spec­ti­va de pra­zo mais lon­go para o desen­volvi­men­to dos negó­cios e são respon­sáveis por for­mar uma rede útil em todos os níveis das orga­ni­za­ções de seus clientes. Eles aju­dam as equipes de ven­das de cam­po a super­ar os desafios à medi­da que surgem. Como parte de sua remu­ner­ação, os SAMs recebem mais incen­tivos de lon­go pra­zo que os vende­dores comuns. As empre­sas com SAMs têm cus­tos de ven­das mais altos, mas têm tam­bém retorno sobre o inves­ti­men­to. Em grandes empre­sas, os SAMs aju­dam a romper bar­reiras inter­nas entre as divisões de negó­cios que impe­dem diál­o­gos impor­tantes com os clientes. Um mem­bro de um con­sel­ho opera­cional comen­tou: “Se eu per­gun­tasse aos chefes de nos­sa divisão de negó­cios se nós pre­cisá­va­mos de um pro­gra­ma de gestão de con­tas estratég­i­cas, eles diri­am não, porque estão pre­ocu­pa­dos com os cus­tos. Mas, de min­ha posição, eu sei que ess­es pro­gra­mas são um motor impor­tante para nos­so cresci­men­to”.

Cer­ti­fique-se de que alguém está olhan­do para além do hor­i­zonte. Para os SAMs, man­ter reuniões reg­u­lares de plane­ja­men­to com os clientes e esta­b­ele­cer metas mutu­a­mente van­ta­josas para apoiar a ven­da de novos pro­du­tos é a mel­hor práti­ca. Essa for­ma de plane­ja­men­to e colab­o­ração per­mite que os SAMs se famil­iar­izem ime­di­ata­mente com as práti­cas de negó­cios, cul­tura e estraté­gias dos clientes. Eles anal­isam as indús­trias dos clientes e iden­ti­fi­cam seus pon­tos fra­cos e fortes em relação aos com­peti­dores do mer­ca­do. Tra­bal­har em estre­i­ta colab­o­ração em pri­or­i­dades estratég­i­cas reduz a bar­reira para a adoção de novos pro­du­tos. A con­fi­ança se esta­b­elece, de modo que os clientes não se impor­tam se o vende­dor está retendo infor­mação sobre o pro­du­to e con­fi­am que ele sabe quais são os desafios que enfrentarão à medi­da que o pro­du­to lhes for apre­sen­ta­do.

Os SAMs garan­tem que os espe­cial­is­tas estão se conectan­do e novas opor­tu­nidades estão surgin­do nos níveis mais baixos de suas empre­sas. Quan­do as conexões cer­tas são feitas, as duas empre­sas muitas vezes desen­volvem tec­nolo­gias em con­jun­to, pro­moven­do um nív­el de con­fi­ança ain­da mais pro­fun­do.

Forme parce­rias com os mel­hores clientes. Os SAMs são respon­sáveis por aprox­i­mar as equipes de lid­er­ança sênior para mostrar como as duas empre­sas podem crescer jun­tas. Os líderes seniores das orga­ni­za­ções vende­do­ras demon­stram seu com­pro­me­ti­men­to pes­soal ness­es pro­gra­mas lig­an­do reg­u­lar­mente para os clientes e real­izan­do reuniões estratég­i­cas com os SAMs. Um líder sênior expli­cou: “O envolvi­men­to do con­sel­ho mostra nos­so com­pro­me­ti­men­to com a cen­tral­i­dade do cliente. Ele cria con­fi­ança entre o con­sel­ho e os exec­u­tivos do alto escalão do cliente e fornece ao con­sel­ho uma visão mais dire­ta do que os clientes dese­jam. Esse pro­gra­ma atribui aos SAMs mais força por inter­mé­dio de nos­sa gestão do topo den­tro e fora da orga­ni­za­ção”. O com­pro­me­ti­men­to nesse nív­el aju­da a equipe opera­cional a enten­der os desafios dos clientes, a antev­er os prob­le­mas que podem ser cri­a­dos pela adoção de um novo pro­du­to e garante aos clientes que prob­le­mas serão resolvi­dos em tem­po hábil, reduzin­do o risco asso­ci­a­do à real­iza­ção de uma com­pra.

Os líderes seniores tam­bém uti­lizam a gestão de con­tas para equi­li­brar a neces­si­dade de cresci­men­to de lon­go pra­zo com a pressão para atin­gir metas de gan­hos de cur­to pra­zo, o que pode cri­ar ten­são em orga­ni­za­ções de ven­das e destru­ir a capaci­dade da empre­sa de vender novos pro­du­tos. Segun­do nos­sa pesquisa, os líderes seniores resolvem algu­mas dessas pressões per­mitin­do que os SAMs foquem em metas de lon­go pra­zo e que geren­ciem os lucros por meio de rela­ciona­men­tos não estratégi­cos. Num estu­do obser­va­mos que muitas empre­sas uti­lizam suas orga­ni­za­ções de ven­das para admin­is­trar metas de gan­hos — 81% dos líderes seniores de ven­das dis­ser­am que seus CEOs, e 75% dis­ser­am que seus CFOs, exigem recei­ta ou medi­das de gestão de despe­sas para amenizar os lucros. Mas os líderes não tratam todas as con­tas igual­mente: desco­b­ri­mos que o maior fator em per­mi­tir que os clientes se tornem con­tas estratég­i­cas era seu poten­cial de cresci­men­to de lon­go pra­zo e que havia uma prob­a­bil­i­dade de metade dos líderes seniores exi­gir medi­das de cur­to pra­zo em con­tas estratég­i­cas do que em out­ras. Um SAM descreveu o foco de sua empre­sa da seguinte for­ma: “Somos con­sis­ten­te­mente con­du­tores de rela­ciona­men­tos estratégi­cos e esta­mos dis­pos­tos a pas­sar por perío­dos de menor lucra­tivi­dade para man­ter o pro­gres­so”. Esse foco de lon­go pra­zo é essen­cial para vender novos pro­du­tos.

Gerir com excelên­cia estraté­gias de cresci­men­to orgâni­co requer pro­fun­do e duradouro com­pro­me­ti­men­to de toda a equipe de lid­er­ança sênior, porque intro­duzir no mer­ca­do pro­du­tos novos para o mun­do trans­for­ma as orga­ni­za­ções de ven­das na mes­ma pro­porção que trans­for­ma as orga­ni­za­ções com­prado­ras. Quan­do novos pro­du­tos são lança­dos, as mel­hores empre­sas estão estrate­gi­ca­mente alin­hadas, do pes­soal de ven­das aos exec­u­tivos de nív­el de dire­to­ria. Elas recon­hecem que vender ess­es pro­du­tos envolve difer­entes bar­reiras e desen­volvem novos proces­sos para superá-las. O RH cria mapas de com­petên­cia para avaliar as habil­i­dades e com­por­ta­men­tos necessários para vender os pro­du­tos e tra­bal­ha com os gestores de ven­das para esta­b­ele­cer os pro­gra­mas de treina­men­to e coach­ing necessários. Os gestores de ven­das da lin­ha de frente acred­i­tam na estraté­gia que per­me­ia o lança­men­to de pro­du­to e apoiam o proces­so de apren­diza­do a que os vende­dores se sub­me­tem em cam­po. Os gestores de nív­el de dire­to­ria man­têm a ori­en­tação de lon­go pra­zo ali­men­tan­do as con­tas estratég­i­cas e garan­ti­n­do que a pressão para atin­gir as metas de lucros não obstrua o cam­in­ho do futuro cresci­men­to.

Nas mel­hores empre­sas por nós vis­i­tadas, todos na orga­ni­za­ção de ven­das se orgul­ham de terem desen­volvi­do foco no lon­go pra­zo visan­do o cresci­men­to orgâni­co. Essas empre­sas recon­hecem que inve­stir em P&D não é sufi­ciente para garan­tir bons fru­tos. Elas assumem o mes­mo com­pro­mis­so com a com­er­cial­iza­ção e com o desen­volvi­men­to de ideias. Há muitas coisas em jogo, e não há out­ra for­ma de agir.

Por Thomas Steen­burgh e Michael Ahearne

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