Entenda por que a Apple não se importa se você acha o iPhone muito caro

Entenda por que a Apple não se importa se você acha o iPhone muito caro

Todo mun­do sabe que a Apple faz pro­du­tos caros. É parte da estraté­gia da empre­sa des­de sem­pre, e o prob­le­ma não é só aqui no Brasil, onde os cus­tos são exac­er­ba­dos; as recla­mações sobre os preços prat­i­ca­dos pela com­pan­hia são globais.

Recen­te­mente, no entan­to, os preços da empre­sa der­am uma dis­para­da. A tran­sição começou de 2016 para 2017, quan­do o iPhone mais bara­to pas­sou de US$ 650 para US$ 700. De 2017 para 2018, o val­or subiu para US$ 750, com a chega­da do iPhone XR. Já em 2017, o iPhone mais caro chegou à casa dos US$ 1.150, e em 2018 o preço máx­i­mo bateu na casa dos US$ 1.450. A cur­va ascen­dente é óbvia, e tam­bém pode ser vista no Brasil de for­ma mais acen­tu­a­da, espe­cial­mente dev­i­do à crise enfrenta­da no país, o que nos per­mi­tiu chegar à glo­riosa mar­ca de um mod­e­lo de iPhone cus­tan­do R$ 10 mil.

Os preços estão altos demais? Talvez para uma parte do públi­co, e tem sido pos­sív­el obser­var isso nos resul­ta­dos trimes­trais da Apple. Nos últi­mos anún­cios, a empre­sa não con­seguiu apre­sen­tar um aumen­to sóli­do no número de apar­el­hos ven­di­dos, o que é uma estatís­ti­ca que, quan­do olha­da de for­ma indi­vid­ual, mostra que as coisas pode­ri­am não cam­in­har muito bem para a Apple.

No entan­to, o número de unidades ven­di­das de iPhones é só um dos dados apre­sen­ta­dos pela Apple. Out­ra infor­mação muito mais impor­tante é quan­to a empre­sa fatu­ra com as ven­das destes apar­el­hos; de um ano para out­ro, as receitas com iPhone subi­ram de US$ 28,8 bil­hões no ter­ceiro trimestre de 2017 para US$ 37,2 bil­hões no mes­mo perío­do de 2018, com um aumen­to de 29% no fat­u­ra­men­to mes­mo com um aumen­to de prati­ca­mente 0% na quan­ti­dade de apar­el­hos ven­di­dos, subindo ape­nas de 46,68 mil­hões para 46,89 mil­hões.

Ou seja: a Apple pode não estar mais con­seguin­do aumen­tar o vol­ume de ven­das de iPhones, mas está gan­han­do muito mais por iPhone ven­di­do, e isso tem com­pen­sa­do a estag­nação nas ven­das do celu­lar da Apple. Na práti­ca, isso sig­nifi­ca que a empre­sa não tem tido motivos para se pre­ocu­par se um ou out­ro con­sum­i­dor deixou de com­prar um iPhone porque os preços ficaram altos demais: ela ain­da fatu­ra pesa­do porque suas mar­gens de lucro estão aumen­tan­do.

É ques­tionáv­el se essa estraté­gia será sus­ten­táv­el a lon­go pra­zo. O mer­ca­do de smart­phones dá sinais cada vez mais óbvios de sat­u­ração, e talvez neste momen­to ten­tar extrair o máx­i­mo de cada apar­el­ho ven­di­do seja uma ideia inter­es­sante do que aumen­tar o número de unidades ven­di­das, mas a Apple tam­bém apre­sen­ta alguns números pre­ocu­pantes. Cada vez mais a empre­sa é depen­dente das ven­das de iPhones, e quase 60% de todo o fat­u­ra­men­to vem dos seus celu­lares. iPads, Macs, out­ros pro­du­tos e serviços divi­dem os out­ros 40%.

Neste momen­to, a indús­tria inteira de tec­nolo­gia ten­ta se preparar para um futuro pós-smart­phones, emb­o­ra a respos­ta para a per­gun­ta do que vem por aí em segui­da ain­da não este­ja muito clara. As empre­sas estão ati­ran­do para todo lado bus­can­do diver­si­fi­cação: reló­gios inteligentes, caixas de som e fones equipa­dos com assis­tentes vir­tu­ais e inteligên­cia arti­fi­cial, inter­net das coisas… até o momen­to, nen­hu­ma dessas ideias real­mente colou. Quan­do o mer­ca­do encon­trar a tec­nolo­gia que pode vir a sub­sti­tuir o smart­phone como novo par­a­dig­ma da com­putação pes­soal, a Apple pode sofr­er se con­tin­uar tão depen­dente do iPhone. Para o bem da empre­sa, é impor­tante que ela con­si­ga encon­trar o cam­in­ho antes das con­cor­rentes.

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