Veja o que Bolsonaro e Haddad propõem para ciência e tecnologia

Veja o que Bolsonaro e Haddad propõem para ciência e tecnologia

Os pro­gra­mas para a área de Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação dos can­didatos Jair Bol­sonaro (PSL) e Fer­nan­do Had­dad (PT) apre­sen­tam ênfas­es difer­entes no tocante às pri­or­i­dades e ao papel do Esta­do e do gov­er­no fed­er­al. Nos dois planos de gov­er­no, há seções especí­fi­cas para o tema, que apare­cem jun­to com desafios de desen­volvi­men­to econômi­co e à estru­tu­ração do ensi­no supe­ri­or.

Jair Bol­sonaro con­de­na o que chama de “cen­tral­iza­ção em Brasília” e propõe o estí­mu­lo a polos descen­tral­iza­dos nos quais have­ria parce­ria entre uni­ver­si­dades e a ini­cia­ti­va pri­va­da. Enquan­to o pro­gra­ma de Had­dad defende uma retoma­da de inves­ti­men­tos públi­cos em pesquisa, espe­cial­mente por meio da Coor­de­nação de Aper­feiçoa­men­to de Pes­soal de Nív­el Supe­ri­or (Capes) e do Con­sel­ho Nacional de Desen­volvi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­nológi­co (CNPq).

Em relação à estru­tu­ra respon­sáv­el, os dois can­didatos men­cionam um min­istério especí­fi­co para a área. Fer­nan­do Had­dad (PT) fala na recri­ação do Min­istério da Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação (MCTI), desmem­bran­do o atu­al MCTIC, cri­a­do após a fusão da anti­ga pas­ta com a das Comu­ni­cações. No pro­gra­ma de Bol­sonaro, há uma pro­pos­ta de cor­tar o número de min­istérios para 15. O doc­u­men­to não traz a listagem de quais seri­am estes. Em entre­vis­tas à impren­sa, o can­dida­to chegou a men­cionar a indi­cação do astro­nau­ta Mar­cos Pontes para coman­dar o min­istério.

Jair Bolsonaro (PSL)

O plano do can­dida­to avalia que o mod­e­lo de pesquisa e ino­vação no Brasil está “esgo­ta­do”. A área não dev­e­ria ser basea­da em uma estraté­gia cen­tral­iza­da, orga­ni­za­da por Brasília e cen­tra­da em recur­sos públi­cos. No lugar, defende o fomen­to de “hubs” tec­nológi­cos nos quais uni­ver­si­dades se aliam à ini­cia­ti­va pri­va­da “para trans­for­mar ideias em pro­du­tos”. O tex­to cita exper­iên­cias de país­es como Japão e Cor­eia do Sul, advo­gan­do por um foco nas ciên­cias exatas.

O pro­gra­ma colo­ca a neces­si­dade de se cri­ar um ambi­ente favoráv­el ao empreende­doris­mo no Brasil, com estí­mu­lo a que alunos busquem abrir negó­cios próprios. Quem dese­ja seguir car­reira acadêmi­ca deve fazê-lo em pro­gra­mas de mestra­do e doutora­do “sem­pre per­to das empre­sas”. O doc­u­men­to defende que o cam­po da ciên­cia não deve ser “estéril”. O tex­to indi­ca a bus­ca de especi­fi­ci­dades em cada região, citan­do como exem­p­lo a explo­ração de ener­gia ren­ováv­el solar e eóli­ca no Nordeste.

Out­ra pro­pos­ta é que o país invista na pesquisa e desen­volvi­men­to em grafeno e nióbio. O primeiro é uma for­ma cristali­na do car­bono, forte, leve e bom con­du­tor. O nióbio é usa­do em lig­as de aço. No capí­tu­lo sobre econo­mia, o pro­gra­ma pre­vê a aber­tu­ra com­er­cial para impor­tação de equipa­men­tos para a migração para a indús­tria 4.0, requal­i­fi­cação de mão-de-obra para tec­nolo­gias de pon­ta e apoio a star­tups (peque­nas empre­sas de tec­nolo­gia).

Nas pro­postas para segu­rança, elen­ca inves­ti­men­to em equipa­men­tos e tec­nolo­gia, entre out­ros itens. Ao tratar da Defe­sa Nacional, o tex­to pre­vê que as Forças Armadas pre­cisam de equipa­men­tos mod­er­nos diante das ameaças dig­i­tais. Essas insti­tu­ições pre­cis­ari­am estar preparadas por meio de pesquisa e desen­volvi­men­to tec­nológi­co.

Fernando Haddad (PT)

O pro­gra­ma do can­dida­to tem como pro­pos­ta prin­ci­pal o que chama de “remon­tagem do Sis­tema Nacional de Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação” (CT&I), artic­u­lan­do uni­ver­si­dades e cen­tros de pesquisa e políti­cas públi­cas com ecos­sis­temas de ino­vação para atu­ar em áreas pro­du­ti­vas com alto grau de con­hec­i­men­to, como man­u­fatu­ra avança­da, biotec­nolo­gia, nan­otec­nolo­gia, ener­gia e defe­sa nacional.

Para isso, a can­di­datu­ra tem como intu­ito ampli­ar os inves­ti­men­tos na área de CT&I. O tex­to men­ciona o aumen­to das ver­bas da Coor­de­nação de Aper­feiçoa­men­to de Pes­soal de Nív­el Supe­ri­or (Capes) e do Con­sel­ho Nacional de Desen­volvi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­nológi­co (CNPq), duas prin­ci­pais respon­sáveis pelo custeio de pro­je­tos de pesquisa e bol­sas de pós-grad­u­ação. No caso do Fun­do Nacional de Desen­volvi­men­to Cien­tí­fi­co e Tec­nológi­co (FNDCT), o obje­ti­vo é a majo­ração dos recur­sos com repasse do Fun­do Social do Pré-sal.

O pro­gra­ma pre­vê tam­bém um plano de 10 anos de ampli­ação dos recur­sos no setor, incluin­do ver­bas gov­er­na­men­tais e empre­sari­ais. A meta é atin­gir 2% do Pro­du­to Inter­no Bru­to em CT&I até o ano de 2030. Esse pata­mar é car­ac­ter­i­za­do pelos autores do tex­to como necessário asse­gu­rar condições de com­petição do Brasil no mer­ca­do mundi­al em trans­for­mação em razão de tec­nolo­gias dig­i­tais e áreas de con­hec­i­men­to de pon­ta.

Além dis­so, a can­di­datu­ra prom­ete recri­ar o Min­istério da Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação (MCTI), extin­to na gestão de Michel Temer e fun­di­do com o Min­istério das Comu­ni­cações para cri­ar o Min­istério da Ciên­cia, Tec­nolo­gia, Ino­vações e Comu­ni­cações (MCTIC).

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Posts Similares