Entenda com funciona a Alibaba e o futuro dos negócios

Entenda com funciona a Alibaba e o futuro dos negócios

Em setem­bro de 2014, a Aliba­ba virou manchete ao realizar o maior IPO do mun­do. Hoje a empre­sa tem uma das dez maiores cap­i­tal­iza­ções globais de mer­ca­do, super­ou a Wal­mart em ven­das globais e expandiu-se em todos os prin­ci­pais mer­ca­dos do mun­do. E seu fun­dador, Jack Ma, é mundial­mente con­heci­do.

A platafor­ma de e‑commerce da Aliba­ba cresceu enorme­mente des­de o iní­cio, em 1999. No entan­to, ain­da não era campeã mundi­al em 2007, quan­do a equipe de gestão — na qual eu já tra­bal­ha­va havia um ano em perío­do inte­gral — pro­moveu uma reunião para um off-site de estraté­gia em um hotel insípi­do à beira-mar em Ning­bo, provín­cia de Zhe­jiang. No decor­rer do encon­tro, as nos­sas obser­vações e pen­sa­men­tos desar­tic­u­la­dos sobre as tendên­cias de e‑commerce começaram a fundir-se em uma visão mais ampla do futuro e, por fim, cheg­amos a uma visão comum. Nós “pro­moveríamos o desen­volvi­men­to de um ecos­sis­tema de comér­cio eletrôni­co aber­to, coor­de­na­do e próspero”. Foi então que a tra­jetória da Aliba­ba começou de fato.

Percebe­mos que a ver­dadeira ino­vação da Aliba­ba residia no fato de que está­va­mos, real­mente, con­stru­in­do um ecos­sis­tema: uma comu­nidade de organ­is­mos (empre­sas e con­sum­i­dores de muitos tipos) que inter­a­gia não só mutu­a­mente como tam­bém com o ambi­ente (a platafor­ma online e o con­jun­to mais amp­lo de ele­men­tos físi­cos off-line). Nos­so imper­a­ti­vo estratégi­co era garan­tir que a platafor­ma fornecesse todos os recur­sos, ou o aces­so aos recur­sos, de que um negó­cio online pre­cisa para ter êxi­to, e dessa for­ma apoiasse a evolução do ecos­sis­tema.

No iní­cio, o ecos­sis­tema que con­struí­mos era sim­ples: lig­amos com­pradores e vende­dores de mer­cado­rias. Con­forme a tec­nolo­gia avança­va, mais funções de negó­cios eram incor­po­radas online, incluin­do as esta­b­ele­ci­das, como pub­li­ci­dade, mar­ket­ing, logís­ti­ca e finanças, e as emer­gentes, como mar­ket­ing de afil­i­a­dos, recomen­dação de pro­du­tos e influ­en­ci­adores de mídia social. E, à medi­da que expandíamos nos­so ecos­sis­tema para aco-
modar essas ino­vações, aju­damos a cri­ar novos tipos de negó­cio online, rein­ven­tan­do com­ple­ta­mente o setor de vare­jo da Chi­na ao lon­go do cam­in­ho.

Hoje a Aliba­ba não é ape­nas uma empre­sa de comér­cio online. Ela é o con­jun­to de todas as funções asso­ci­adas ao vare­jo coor­de­nadas online em uma vas­ta rede ori­en­ta­da por dados que inclui vende­dores, profis­sion­ais de mar­ket­ing, presta­dores de serviços, empre­sas de logís­ti­ca e fab­ri­cantes. Em out­ras palavras, a Aliba­ba faz o que a Ama­zon, a eBay, a Pay­Pal, a Google, a FedEx, os ata­cadis­tas e boa parte dos fab­ri­cantes fazem nos Esta­dos Unidos, com a saudáv­el aju­da de serviços finan­ceiros para guarnecer.

Das dez empre­sas mais val­orizadas do mun­do atual­mente, sete são empre­sas de inter­net com mod­e­los de negó­cio semel­hantes aos nos­sos. Cin­co delas — Ama­zon, Google e Face­book nos Esta­dos Unidos, e Aliba­ba e Ten­cent na Chi­na — têm ape­nas 20 anos. Por que tan­to val­or e poder de mer­ca­do sur­gi­ram tão rápi­do? Por causa de novos recur­sos na coor­de­nação de redes e inteligên­cia de dados usa­dos por todas essas empre­sas. Os ecos­sis­temas que elas admin­is­tram são muito mais efi­cientes eco­nomi­ca­mente e muito mais cen­tra­dos no cliente do que os setores tradi­cionais. Essas empre­sas seguem a abor­dagem que eu chamo de empre­sa inteligente, e acred­i­to que ela rep­re­sen­ta a lóg­i­ca dom­i­nante dos negó­cios do futuro.

O que é um negócio inteligente?

O negó­cio inteligente surge quan­do todos os stake­hold­ers envolvi­dos em atin­gir um obje­ti­vo comum de negó­cio — por exem­p­lo, o vare­jo ou o com­par­til­hamen­to de caronas — são coor­de­na­dos em uma rede online e usam a tec­nolo­gia de apren­diza­do de máquina para ala­van­car dados de for­ma efi­ciente e em tem­po real. Esse mod­e­lo habil­i­ta­do pela tec­nolo­gia, no qual a maio­r­ia das decisões opera­cionais é fei­ta por máquinas, per­mite que as empre­sas se adaptem de for­ma dinâmi­ca e ráp­i­da às mudanças nas condições de mer­ca­do e às prefer­ên­cias dos clientes, obten­do enorme van­tagem com­pet­i­ti­va em relação aos negó­cios tradi­cionais.

Evi­den­te­mente, o amp­lo poder de com­putação e os dados dig­i­tais são o com­bustív­el para o apren­diza­do de máquina. Quan­to mais dados e quan­to mais iter­ações do mecan­is­mo algo­rít­mi­co, mel­hor será o out­put. Os cien­tis­tas de dados cri­am mod­e­los de pre­visão prob­a­bilís­ti­ca para ações especí­fi­cas e, em segui­da, o algo­rit­mo pro­duz grandes quan­ti­dades de dados para, a cada iter­ação, tomar decisões mel­hores em tem­po real. Ess­es mod­e­los de pre­visão se tor­nam a base da maio­r­ia das decisões de negó­cios. Assim, a apren­diza­gem de máquina é mais que uma ino­vação tec­nológ­i­ca — ela vai trans­for­mar a for­ma como os negó­cios são feitos à medi­da que a toma­da de decisão humana é, cada vez mais, sub­sti­tuí­da pela pro­dução algo­rít­mi­ca.

A Ant Micro­crans fornece um exem­p­lo impres­sio­n­ante de como será esse futuro. Em 2012, quan­do a Aliba­ba lançou a Ant, os emprés­ti­mos dos grandes ban­cos na Chi­na geral­mente ficavam na casa dos mil­hões de dólares. O val­or mín­i­mo do emprés­ti­mo — cer­ca de 6 mil­hões de remim­bis (RMB) ou pouco menos de US$ 1 mil­hão — esta­va bem aci­ma do mon­tante esper­a­do pela maio­r­ia das peque­nas e médias empre­sas (PMEs). Os ban­cos relu­tavam em prestar serviços para as empre­sas sem históri­co de crédi­to ou até mes­mo sem doc­u­men­tação ade­qua­da de suas ativi­dades com­er­ci­ais. Con­se­quente­mente, dezenas de mil­hões de empre­sas na Chi­na tin­ham difi­cul­dades reais para garan­tir o din­heiro necessário para o cresci­men­to de suas oper­ações.

Na Aliba­ba, percebe­mos que tín­hamos o ingre­di­ente necessário para a cri­ação de um negó­cio de emprés­ti­mos às PMEs que fos­se ren­táv­el, escaláv­el e de alto nív­el de desem­pen­ho: a enorme quan­ti­dade de dados de transações ger­a­dos pelas numerosas peque­nas empre­sas usuárias de nos­sa platafor­ma. Assim, em 2010 lançamos um negó­cio pio­neiro de micro­crédi­to basea­do em dados para ofer­e­cer emprés­ti­mos a empre­sas em val­ores não supe­ri­ores a RMB US$ 1 mil­hão (cer­ca de US$ 160 mil). Em sete anos de oper­ação, o negó­cio emprestou mais de RMB US$ 87 bil­hões (US$ 13,4 bil­hões) para quase três mil­hões de PMEs. O taman­ho médio dos emprés­ti­mos é de RMB US$ 8 mil, ou cer­ca de US$ 1.200. Em 2012, jun­ta­mos essa oper­ação de emprés­ti­mo com a Ali­pay, nos­so bem-suce­di­do negó­cio de paga­men­tos, para cri­ar a Ant Finan­cial Ser­vices. Demos esse nome ao novo empreendi­men­to (ant sig­nifi­ca formi­ga em inglês) para trans­mi­tir a ideia de que aju­daríamos empre­sas peque­nas como formi­gas, porém esforçadas.

Hoje, a Ant pode proces­sar pequenos emprés­ti­mos, de várias cen­te­nas de remim­bis (cer­ca de US$ 50), em poucos min­u­tos. Como isso é pos­sív­el? Diante de uma solic­i­tação, as insti­tu­ições que fornecem emprés­ti­mos pre­cisam respon­der a ape­nas três questões bási­cas: deve­mos fornecer o emprés­ti­mo, quan­to deve­mos emprestar e qual a taxa de juros? Dada a per­mis­são dos vende­dores em nos­sas platafor­mas para anal­is­ar os dados, está­va­mos bem posi­ciona­dos para respon­der a essas per­gun­tas. Nos­sos algo­rit­mos podem anal­is­ar dados de transações para avaliar o desem­pen­ho de deter­mi­na­do negó­cio, a com­pet­i­tivi­dade de seus pro­du­tos ou serviços no mer­ca­do, as clas­si­fi­cações de crédi­to de seus par­ceiros e assim por diante.

A Ant usa ess­es dados para com­parar bons tomadores de emprés­ti­mo (os que pagam em dia) com os maus (os que não o fazem) para iso­lar traços comuns em ambos os gru­pos. Ess­es traços são usa­dos para cal­cu­lar as pon­tu­ações de crédi­to. Claro que, de algu­ma for­ma, todas as insti­tu­ições de crédi­to fazem isso, mas na Ant a análise é fei­ta auto­mati­ca­mente e em tem­po real para todos os que pedem emprés­ti­mo, usan­do todos os seus dados com­por­ta­men­tais. Cada transação, cada comu­ni­cação entre vende­dor e com­prador, cada conexão com out­ros serviços disponíveis no Aliba­ba — ou seja, todas as ativi­dades real­izadas em nos­sa platafor­ma — afe­tam a pon­tu­ação de crédi­to da empre­sa. Ao mes­mo tem­po, os algo­rit­mos que cal­cu­lam as pon­tu­ações estão evoluin­do em tem­po real, mel­ho­ran­do a qual­i­dade da toma­da de decisão a cada iter­ação.

Deter­mi­nar o val­or a emprestar e a taxa de juros a cobrar exige a análise de muitos tipos de dados ger­a­dos den­tro da rede Aliba­ba, tais como mar­gens de lucro bru­to e giro de estoque, assim como infor­mações menos pre­cisas, como o ciclo de vida dos pro­du­tos e a qual­i­dade das relações soci­ais e de negó­cio do vende­dor. Os algo­rit­mos podem, por exem­p­lo, anal­is­ar a fre­quên­cia, a exten­são e o tipo de comu­ni­cação (men­sagens instan­tâneas, e‑mails ou out­ros méto­dos comuns na Chi­na) para avaliar a qual­i­dade do rela­ciona­men­to.

Os cien­tis­tas de dados da Aliba­ba são essen­ci­ais para iden­ti­ficar e tes­tar quais dados fornecem os insights dese­ja­dos e, em segui­da, pro­je­tar algo­rit­mos para a min­er­ação de dados. Esse tra­bal­ho requer ple­na com­preen­são do negó­cio e exper­iên­cia em algo­rit­mos de apren­diza­do de máquina. Con­sidere nova­mente a Ant Finan­cial. Se um vende­dor com avali­ação de crédi­to ruim paga seu emprés­ti­mo, ou um vende­dor com crédi­to exce­lente não paga reit­er­ada­mente, é evi­dente que o algo­rit­mo pre­cisa de ajustes. Os engen­heiros con­seguem ver­i­ficar suas pres­su­posições com rapi­dez e facil­i­dade. Que parâmet­ros devem ser adi­ciona­dos ou removi­dos? Que tipos de com­por­ta­men­to do usuário devem rece­ber mais peso?

Con­forme os algo­rit­mos recal­i­bra­dos pro­duzem pre­visões cada vez mais pre­cisas, o risco e os cus­tos da Ant dimin­uem de for­ma con­stante, e os tomadores de emprés­ti­mo con­seguem o din­heiro de que pre­cisam, quan­do pre­cisam, e a uma taxa de juros que podem pagar. O resul­ta­do é um negó­cio alta­mente bem-suce­di­do: a taxa de inadim­plên­cia nas oper­ações de micro­crédi­to é de cer­ca de 1%, muito abaixo da esti­ma­ti­va do Ban­co Mundi­al para 2016, de 4% em média glob­al.

Então, como você cria esse tipo de negó­cio?

Autom­a­tize todas as decisões de oper­ação
Para se tornar um negó­cio inteligente, sua empre­sa deve per­mi­tir que o maior número pos­sív­el de decisões opera­cionais sejam tomadas por máquinas ali­men­tadas ao vivo por dados, e não por humanos apoia­dos por sua própria análise de dados. Trans­for­mar a toma­da de decisão dessa maneira é um proces­so que ocorre em qua­tro eta­pas.

1º PASSO

Cap­ture e reg­istre os dados de todas as transações dos clientes. A Ant teve a sorte de ter aces­so a dados em abundân­cia dos poten­ci­ais clientes para respon­der às questões iner­entes ao seu negó­cio de emprés­ti­mos. Para muitas empre­sas, o proces­so de cap­tura de dados será mais desafi­ador. Mas os dados em tem­po real são essen­ci­ais para cri­ar os cic­los de feed­back que são a base do apren­diza­do de máquina.

Con­sidere o negó­cio de aluguel de bici­cle­tas. As star­tups na Chi­na ala­van­car­am a tele­fo­nia móv­el, a inter­net das coisas (na for­ma de fechaduras inteligentes de bici­cle­ta) e os sis­temas móveis exis­tentes de paga­men­to e crédi­to para orga­ni­zar todo o proces­so de aluguel.

Tradi­cional­mente, alu­gar bici­cle­ta requer ir ao local apro­pri­a­do, inter­a­gir com a pes­soa encar­rega­da de entregá-la, faz­er depósi­to, retornar o veícu­lo e pagar pelo aluguel em din­heiro ou cartão de crédi­to. Várias empre­sas chi­ne­sas con­cor­rentes disponi­bi­lizam tudo isso online, inte­gran­do várias novas tec­nolo­gias às exis­tentes. Uma ino­vação cru­cial foi a com­bi­nação de códi­gos QR com blo­queios eletrôni­cos que habil­mente autom­a­ti­zaram o proces­so de check­out. Ao abrir o aplica­ti­vo de com­par­til­hamen­to de bici­cle­tas, o ciclista visu­al­iza as disponíveis e reser­va uma nas prox­im­i­dades. Quan­do obtém o veícu­lo, usa o aplica­ti­vo para nele dig­i­talizar o códi­go QR. Supon­do que a pes­soa ten­ha din­heiro em sua con­ta e aten­da aos critérios de aluguel, o códi­go QR abrirá a tra­va de bici­cle­ta eletrôni­ca. O aplica­ti­vo chega até a ver­i­ficar o históri­co de crédi­to do usuário por meio do Sesame Cred­it, o novo pro­du­to online da Ant Finan­cial para clas­si­fi­cações de crédi­to de con­sum­i­dor, o que lhe per­mite pular a eta­pa do depósi­to e acel­er­ar ain­da mais a transação. Quan­do a bici­cle­ta é devolvi­da, bas­ta travar a fechadu­ra para com­ple­tar o ciclo. O proces­so é sim­ples, intu­iti­vo e leva ape­nas alguns segun­dos.

Cap­turar e reg­is­trar todos os dados pos­síveis nesse proces­so de aluguel mel­ho­ra muito a exper­iên­cia do con­sum­i­dor. Com base nos dados proces­sa­dos ao vivo, as empre­sas envi­am cam­in­hões para levar as bici­cle­tas até os locais de deman­da. Isso per­mite aler­tar os usuários reg­u­lares sobre a disponi­bil­i­dade de bici­cle­tas nas prox­im­i­dades. Graças, em grande parte, a essas ino­vações, o cus­to de aluguel de bici­cle­tas na Chi­na caiu para ape­nas alguns cen­tavos por hora.

A maio­r­ia das empre­sas ori­en­tadas por dados cole­ta e anal­isa infor­mações para cri­ar um mod­e­lo causal. O mod­e­lo iso­la os dados críti­cos da mas­sa de infor­mações disponíveis. Não é assim que empre­sas inteligentes usam os dados. Em vez dis­so, cap­turam todas as infor­mações ger­adas durante as transações e comu­ni­cações com os clientes e out­ros mem­bros da rede durante as oper­ações e deix­am os algo­rit­mos desco­brirem os dados rel­e­vantes.

2º PASSO

Trans­forme todas as ativi­dades em soft­ware. Nos negó­cios inteligentes, todas as ativi­dades — não ape­nas a gestão de con­hec­i­men­to e o rela­ciona­men­to com o cliente — são con­fig­u­radas por meio de soft­wares, de modo que as decisões que as afe­tam pos­sam ser tam­bém con­fig­u­radas. Isso não sig­nifi­ca que as empre­sas pre­cisem com­prar ou con­stru­ir o soft­ware Sis­tema de Gestão Empre­sar­i­al (ERP, na sigla em inglês) ou um equiv­a­lente para gerir seus negó­cios — pelo con­trário. Os soft­wares tradi­cionais tor­nam os proces­sos e os flux­os de decisão mais rígi­dos e, muitas vezes, viram camisa de força. Em con­traste, a lóg­i­ca dom­i­nante para negó­cios inteligentes é a reativi­dade em tem­po real. O primeiro pas­so é con­stru­ir um mod­e­lo de como os humanos tomam decisões e encon­trar maneiras de replicar os ele­men­tos mais sim­ples desse proces­so usan­do soft­ware — o que nem sem­pre é fácil, já que muitas decisões humanas são baseadas no sen­so comum ou mes­mo na ativi­dade neu­rológ­i­ca sub­con­sciente.

O cresci­men­to do Taobao, o site de vare­jo domés­ti­co do Aliba­ba Group, é impul­sion­a­do pela con­tínua trans­for­mação do proces­so de vare­jo em soft­ware. Uma das primeiras fer­ra­men­tas impor­tantes de soft­ware con­struí­das no Taobao foi a de men­sagens instan­tâneas, a Wang­wang. Por meio dela com­pradores e vende­dores se comu­ni­cam com facil­i­dade: cumpri­men­tam-se, apre­sen­tam pro­du­tos, nego­ci­am preços e assim por diante, exata­mente como se faz nas lojas de vare­jo tradi­cionais. A Aliba­ba desen­volveu tam­bém um con­jun­to de fer­ra­men­tas de soft­ware que aju­dam os vende­dores a pro­je­tar e lançar diver­sas lojas online. Quan­do elas entram em oper­ação, os vende­dores con­seguem aces­sar out­ros pro­du­tos de soft­ware para emi­tir cupons, ofer­e­cer descon­tos, exe­cu­tar pro­gra­mas de fidel­i­dade e realizar out­ras ativi­dades de rela­ciona­men­to com o cliente, todas coor­de­nadas entre si.

Como a maio­r­ia dos soft­wares atu­ais é exe­cu­ta­da online como um serviço, uma impor­tante van­tagem de trans­for­mar as ativi­dades de negó­cio em soft­ware é que dados proces­sa­dos ao vivo podem ser cole­ta­dos nat­u­ral­mente como parte do proces­so de negó­cio, crian­do a base para a apli­cação de tec­nolo­gias de apren­diza­do de máquina.

3º PASSO

Faça fluir os dados. Em ecos­sis­temas com muitos atores inter­conec­ta­dos, as decisões de negó­cio exigem coor­de­nação com­plexa. Os mecan­is­mos de recomen­dação do Taobao, por exem­p­lo, pre­cisam oper­ar jun­to com os sis­temas de gestão de estoque dos vende­dores e com os sis­temas de per­fil de con­sum­i­dores de várias platafor­mas de mídia social. Seus sis­temas de transação devem oper­ar jun­to com pro­du­tos e serviços em descon­to e pro­gra­mas de fidel­i­dade, além de ali­men­tar nos­sa rede de logís­ti­ca.

Padrões de comu­ni­cação como o TCP/IP e as inter­faces de pro­gra­mação de aplica­tivos (APIs) são fun­da­men­tais na obtenção dos dados que fluem entre vários atores, asse­gu­ran­do simul­tane­a­mente o con­t­role rig­oroso do aces­so à edição de dados em todo o ecos­sis­tema. As APIs são um con­jun­to de fer­ra­men­tas que per­mite a difer­entes sis­temas de soft­ware “con­ver­sar” e oper­ar coor­de­nada­mente online. Elas têm sido fun­da­men­tais para o desen­volvi­men­to do Taobao. Como a platafor­ma se desen­volveu de um fórum no qual com­pradores e vende­dores podi­am transa­cionar, e se tornou o site dom­i­nante de e‑commerce da Chi­na, os vende­dores do site pre­cisavam de muito apoio de desen­volve­dores ter­ce­i­riza­dos. Novos soft­wares tin­ham de oper­ar de for­ma ampla­mente coor­de­na­da com todos os out­ros soft­wares da platafor­ma para ter algum val­or. Assim, em 2009, o Taobao começou a desen­volver APIs para uso de fornece­dores inde­pen­dentes de soft­ware. Hoje, os vende­dores do Taobao assi­nam, em média, mais de cem módu­los de soft­ware, e os serviços de dados ao vivo que eles habili­tam dimin­uem dras­ti­ca­mente seus cus­tos de negó­cio.

Con­stru­ir a infraestru­tu­ra téc­ni­ca cor­re­ta é ape­nas o começo. Foi necessário um tremen­do esforço para chegar a um padrão comum, e assim os dados serem uti­liza­dos e inter­pre­ta­dos da mes­ma for­ma em todas as unidades de negó­cios da Aliba­ba. Além dis­so, desco­brir as estru­turas de incen­ti­vo cer­tas para per­suadir as empre­sas a com­par­til­har seus dados é um con­tín­uo desafio. Muito mais tra­bal­ho é necessário. Claro que o grau em que as empre­sas ino­varão nes­sa área depen­derá das regras que gov­er­nam o com­par­til­hamen­to de dados nos país­es em que elas oper­am. Mas a direção está muito clara: quan­to mais dados fluem pela rede, mais inteligente se tor­na o negó­cio e mais val­or o ecos­sis­tema cria.

4º PASSO

Aplique os algo­rit­mos. Uma vez que todas as oper­ações da empre­sa este­jam online, haverá um dilúvio de dados. Para assim­i­lar, inter­pre­tar e usar os dados em seu próprio bene­fí­cio, a empre­sa deve cri­ar mod­e­los e algo­rit­mos que tor­nam explíci­ta a lóg­i­ca sub­ja­cente dos pro­du­tos ou a dinâmi­ca do mer­ca­do que ela está ten­tan­do otimizar. Esse enorme empreendi­men­to cria­ti­vo requer muitas novas habil­i­dades, daí a inten­sa deman­da por cien­tis­tas de dados e econ­o­mis­tas. Seu desafio é especi­ficar o tra­bal­ho que pre­ten­dem que seja feito pela máquina, e eles pre­cisam ter mui­ta clareza sobre o que con­sti­tui tra­bal­ho bem-feito em deter­mi­na­da empre­sa.

Logo no iní­cio, nos­so obje­ti­vo para o Taobao era ade­quá-lo às neces­si­dades de cada indi­ví­duo. Isso teria sido impos­sív­el sem avanços no apren­diza­do de máquina. Hoje, quan­do os clientes aces­sam o site, eles veem uma pági­na per­son­al­iza­da com uma seleção de pro­du­tos escol­hi­dos den­tre os bil­hões de pro­du­tos ofer­e­ci­dos por nos­sos mil­hões de vende­dores. A seleção é ger­a­da auto­mati­ca­mente pelo poderoso mecan­is­mo de recomen­dação do Taobao. Seus algo­rit­mos, pro­je­ta­dos para otimizar a taxa de con­ver­são de cada visi­ta, proces­sam dados ger­a­dos na platafor­ma do Taobao, des­de oper­ações e atendi­men­to ao cliente até segu­rança.

Em 2009, um dos momen­tos mais impor­tantes no cresci­men­to do Taobao foi o upgrade da nave­g­ação bási­ca — que fun­ciona­va razoavel­mente bem quan­do a platafor­ma tin­ha bem menos vis­i­tas e pro­du­tos — para um mecan­is­mo de pesquisa basea­do em algo­rit­mos de apren­diza­do de máquina capaz de proces­sar um grande vol­ume de bus­cas. Atual­mente o Taobao tes­ta algo­rit­mos de bus­ca por recon­hec­i­men­to ópti­co capazes de tirar fotos de itens forneci­dos pelos clientes para encon­trar pro­du­tos semel­hantes disponíveis na platafor­ma. Emb­o­ra ain­da este­jamos nos está­gios ini­ci­ais do uso dessa tec­nolo­gia para impul­sion­ar as ven­das, a função se mostrou tão pop­u­lar entre os clientes que hoje temos dez mil­hões de usuários por dia.

Em 2016, a Aliba­ba lançou um chat­bot com tec­nolo­gia de IA para aju­dar nas bus­cas dos clientes. É difer­ente dos prove­dores mecâni­cos de serviços que a maio­r­ia das pes­soas con­hecem, pro­gra­ma­dos para encon­trar itens que fazem parte de seu repertório a par­tir das con­sul­tas dos clientes. Os chat­bots da Aliba­ba são “treina­dos” por rep­re­sen­tantes expe­ri­entes de vende­dores do Taobao. Eles sabem tudo dos pro­du­tos de sua cat­e­go­ria e são bem ver­sa­dos na mecâni­ca das platafor­mas da Aliba­ba — políti­cas de devolução, cus­tos de entre­ga, alter­ações a ser feitas nos pedi­dos — e out­ras per­gun­tas comuns dos clientes. Usan­do as mais vari­adas tec­nolo­gias de apren­diza­do de máquina, como com­preen­são semân­ti­ca, diál­o­go de con­tex­to, grá­fi­cos de con­hec­i­men­to, min­er­ação de dados e apren­diza­do pro­fun­do, os chat­bots apri­moram com rapi­dez sua capaci­dade de diag­nos­ticar e cor­ri­gir os prob­le­mas do cliente de for­ma automáti­ca, em vez de sim­ples­mente fornecer respostas estáti­cas que o induzem a agir. Eles checam com o cliente se a solução apre­sen­ta­da é aceitáv­el e em segui­da a exe­cu­tam. Nen­hu­ma ação humana é toma­da pela Aliba­ba ou pelo vende­dor.

Chat­bots podem dar uma con­tribuição sig­ni­fica­ti­va para os pro­du­tos top de lin­ha do vende­dor. A mar­ca de ves­tuário Sen­ma, por exem­p­lo, começou a usar um deles há um ano e desco­briu que as ven­das do bot eram 26 vezes maiores do que o seu mel­hor vende­dor humano.

Rep­re­sen­tantes humanos sem­pre serão necessários para resolver prob­le­mas com­pli­ca­dos ou pes­soais, mas a capaci­dade de lidar com bus­cas de roti­na via chat­bot é muito útil, espe­cial­mente em dias de alto vol­ume ou nas pro­moções espe­ci­ais. Antes, a maio­r­ia dos grandes vende­dores em nos­sa platafor­ma con­trata­va fun­cionários tem­porários para aten­der às con­sul­tas dos con­sum­i­dores durante grandes even­tos. Isso já não acon­tece. Em 2017, no dia com mais ven­das da Aliba­ba, o chat­bot respon­deu a mais de 95% das per­gun­tas de cer­ca de 3,5 mil­hões de con­sum­i­dores.

Essas qua­tro eta­pas são a base para a cri­ação de negó­cios inteligentes: para isso, enriqueça seu ban­co de dados cap­turan­do-os de for­ma cria­ti­va; implante soft­wares em toda a empre­sa para colo­car work­flows e atores essen­ci­ais online; insti­tua padrões e APIs para per­mi­tir o fluxo de dados em tem­po real e a coor­de­nação; e aplique algo­rit­mos de apren­diza­do de máquina para ger­ar decisões de negó­cios “inteligentes”. Todas as ativi­dades envolvi­das nas qua­tro eta­pas são novas com­petên­cias impor­tantes que exigem um novo tipo de lid­er­ança.

O papel do líder

No meu cur­so de negó­cios inteligentes na Hupan School of Entre­pre­neur­ship, mostro um slide com dez líderes e peço aos alunos que os iden­ti­fiquem. Com facil­i­dade, eles nomeiam Jack Ma, Elon Musk e Steve Jobs. Mas prati­ca­mente ninguém con­segue iden­ti­ficar o CEO da Cit­i­Group, o da Toy­ota ou o da Gen­er­al Elec­tric.

Existe uma razão para isso. Difer­ente­mente da GE, da Toy­ota e do Cit­i­group, que fornecem pro­du­tos ou serviços por meio de cadeias de supri­men­to otimizadas, as empre­sas dig­i­tais pre­cisam mobi­lizar uma rede para con­cretizar seu modo de oper­ar. Para isso, seus líderes devem inspi­rar os fun­cionários, par­ceiros e clientes que com­põem essa rede. Eles devem ser visionários e evan­ge­lis­tas, sin­ceros de uma for­ma que os líderes das empre­sas tradi­cionais não pre­cisam ser.

No nív­el mais alto, os evan­ge­lis­tas dig­i­tais devem enten­der como será o futuro e como seu setor evoluirá em respos­ta às mudanças soci­ais, econômi­cas e tec­nológ­i­cas. Eles não podem descr­ev­er eta­pas conc­re­tas para realizar as metas de suas empre­sas porque o ambi­ente é muito flu­i­do e as capaci­dades que serão exigi­das são descon­heci­das. Em vez dis­so, devem definir o que a empre­sa bus­ca e cri­ar um ambi­ente em que os fun­cionários pos­sam, rap­i­da­mente, elab­o­rar pro­du­tos e serviços exper­i­men­tais, tes­tar o mer­ca­do e pro­duzir em escala as ideias que ger­am respostas pos­i­ti­vas. Os líderes dig­i­tais já não geren­ci­am — em vez dis­so, per­mitem que os fun­cionários inovem e facili­tam o ciclo de feed­back das respostas dos usuários para for­t­ale­cer as decisões e a exe­cução.

No mod­e­lo de negó­cios inteligentes, os algo­rit­mos de apren­diza­do de máquina assumem grande parte da respon­s­abil­i­dade pela mel­ho­ria incre­men­tal, fazen­do auto­mati­ca­mente ajustes que aumen­tam a efi­ciên­cia em todo o sis­tema. Assim, o tra­bal­ho mais impor­tante dos líderes é cul­ti­var a cria­tivi­dade. Mais que mel­ho­rar a efi­ciên­cia da oper­ação, sua mis­são é aumen­tar a taxa de suces­so da ino­vação.

EMPRESAS DIGITAIS NATIVAS, como a Aliba­ba, têm a van­tagem de nascer e estarem prontas para rece­ber dados, por isso sua trans­for­mação para negó­cios inteligentes é bas­tante nat­ur­al. Ago­ra que elas provaram que o mod­e­lo fun­ciona e estão trans­for­man­do a vel­ha econo­mia indus­tri­al, é hora de todas as empre­sas enten­derem e apli­carem essa nova lóg­i­ca de negó­cio. Isso pode pare­cer tec­no­logi­ca­mente intim­i­dador, mas está se tor­nan­do cada vez mais viáv­el. A com­er­cial­iza­ção das tec­nolo­gias de com­putação em nuvem e da inteligên­cia arti­fi­cial tornou acessív­el a qual­quer pes­soa a com­putação em larga escala e as capaci­dades ana­lyt­ics. De fato, o cus­to de armazena­men­to e com­putação de grandes quan­ti­dades de dados caiu dras­ti­ca­mente na últi­ma déca­da. Isso sig­nifi­ca que apli­cações de apren­diza­do de máquina em tem­po real ago­ra são pos­síveis e acessíveis em um número cada vez maior de ambi­entes. O rápi­do desen­volvi­men­to da tec­nolo­gia da inter­net das coisas haverá de dig­i­talizar ain­da mais o nos­so ambi­ente físi­co, fornecen­do mais e mais dados. Con­forme essas ino­vações se acu­mu­la­rem nas próx­i­mas décadas, serão vence­do­ras as empre­sas que se tornarem mais inteligentes do que as con­cor­rentes.

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