Marketing de conteúdo crescerá 14% ao ano até 2021

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Não é novi­dade que o inves­ti­men­to das mar­cas em mar­ket­ing de con­teú­do cresce. O negó­cio avança 15% ao ano des­de 2015 e já movi­men­ta mais de U$ 30 bil­hões, segun­do relatório anu­al da PQ Media, enti­dade que anal­isa tendên­cias mundi­ais.

A PQ Media con­tabi­liza a pro­dução de brand­ed enter­tain­ment, pub­lied­i­to­ri­ais e pub­li­ci­dade nati­va, em todas as platafor­mas. O mes­mo relatório pro­je­ta que o negó­cio con­tin­uará crescen­do 14% ao ano até 2021.

Isso sig­nifi­ca que as mar­cas mudaram a maneira de se comu­nicar com seus clientes e con­sum­i­dores. O con­teú­do vem ocu­pan­do espaço cada vez mais maior nas estraté­gias de comu­ni­cação e sua pro­dução, muitas vezes, é fei­ta por times inter­nos. Por out­ro lado, agên­cias de pub­li­ci­dade e pub­lish­ers no mun­do todo tam­bém têm cri­a­do estú­dios para pro­duzir brand­ed con­tent.

Há sete anos, um even­to inter­na­cional chama­do o Con­tent Mar­ket­ing World (CMW), sedi­a­do na cidade de Cleve­land, nos Esta­dos Unidos, vem dis­cutin­do a rev­olução silen­ciosa do mar­ket­ing de con­teú­do.

É um indica­ti­vo de expan­são do inter­esse pelo negó­cio a recente aquisição do CMW – o maior do mun­do, segun­do os orga­ni­zadores – pela britâni­ca UBM, gigante de even­tos B2B e serviços de mar­ket­ing. Com a transação, o fun­dador do Con­tent Mar­ket­ing Insti­tute e orga­ni­zador do even­to, Joe Pulizzi, embol­sou U$ 17,6 mil­hões de dólares.

Durante três dias em setem­bro, profis­sion­ais de 550 empre­sas do mun­do todo fazem fila à por­ta das mais de 220 palestras min­istradas no gigan­tesco Hunt­ing­ton Con­ven­tion Cen­ter para ouvir des­de con­sel­hos pro­saicos sobre como faz­er um filme vence­dor até a intrin­ca­da equação de como medir o retorno sobre o inves­ti­men­to de uma estraté­gia glob­al de mar­ket­ing.

Cleve­land, no esta­do de Ohio, é con­heci­da pela med­i­c­i­na de pon­ta e pelo time de bas­quete da NBA, os Cav­a­liers. Faz parte — jun­ta­mente com Detroit, Pitts­burgh, St Louis e Chica­go — do chama­do Cin­turão da Fer­rugem (Rust Belt), área que abrange a região dos Grandes Lagos e o nordeste amer­i­cano, onde começou o proces­so de indus­tri­al­iza­ção no sécu­lo pas­sa­do.

No plano econômi­co, a região pati­na há décadas e reg­is­tra um notáv­el declínio pop­u­la­cional. Recen­te­mente, líderes da região têm se esforça­do para atrair empre­sas de tec­nolo­gia com o obje­ti­vo de impul­sion­ar a econo­mia.

O Con­tent Mar­ket­ing World está entre os muitos esforços empreen­di­dos para a revi­tal­iza­ção de Cleve­land. Surgiu há sete anos, exata­mente quan­do o mar­ket­ing de con­teú­do pas­sou a ser dis­cu­ti­do como uma nova dis­ci­plina.

O homem por trás do suces­so do even­to é Joe Pulizzi, tido pelos par­tic­i­pantes como a maior autori­dade no assun­to. Seus livros são recomen­da­dos como bib­li­ografia bási­ca a quem pre­tende enveredar pelo mun­do do con­teú­do de mar­ca.

Quan­do Pulizzi pisou no pal­co para faz­er a sessão de aber­tu­ra, vesti­do como um show­man, a plateia pare­cia mes­mer­iza­da. A uma cer­ta altura, pro­je­tou na tela uma car­ta escri­ta pelo lendário Bruce Lee, na qual o luta­dor esta­b­elece as metas vir­tual­mente intransponíveis que pre­tendia alcançar em vida.

“Eu, Bruce Lee, serei o primeiro e mais bem pago super­star ori­en­tal dos Esta­dos Unidos. Em ret­ribuição farei as per­for­mances mais eletrizantes e darei o máx­i­mo que este­ja ao alcance de um ator. Começan­do 1970, vou con­quis­tar fama mundi­al e, a par­tir de então, até 1980, terei em meu poder 10 mil­hões de dólares. Viverei da maneira que gos­to com har­mo­nia e feli­ci­dade. Bruce Lee, Janeiro de 1969”.

Naque­le momen­to havia no ar um sen­ti­men­to de que faz­er suces­so é só uma questão de plane­jar, escr­ev­er e perseguir as metas. “É pre­ciso pen­sar grande e irra­zoavel­mente”, disse Pulizzi.

Na audiên­cia, jun­to com out­ras qua­tro mil pes­soas, esta­va o úni­co palestrante brasileiro do even­to, o jor­nal­ista Cas­sio Poli­ti, con­sul­tor de empre­sas brasileiras e multi­na­cionais para a for­mu­lação de estraté­gias de comu­ni­cação. Ele havia me apre­sen­ta­do a Pulizzi na noite ante­ri­or, quan­do nos encon­tramos no Rock and Roll Hall of Fame, maior atração turís­ti­ca da cidade. Fun­dador da Trac­to, Poli­ti é jura­do e faz parte do Hall da Fama do even­to.

O cardá­pio de palestras trouxe sessões sobre métri­c­as, escri­ta cria­ti­va, pro­dução audio­vi­su­al, otimiza­ção de con­teú­do, e‑mail mar­ket­ing e inteligên­cia arti­fi­cial, ofer­e­ci­das por empre­sas como Twitch, Pin­ter­est, Mar­riott Inter­na­tion­al, LinkedIn, Google e The New York Times.

O inso­pitáv­el Andrew Davis, doc­u­men­tarista, autor de best­sellers e ex-pro­du­tor da NBC e The Mup­pets pro­tag­o­ni­zou um dos mel­hores momen­tos da pro­gra­mação. Defend­eu que as audiên­cias prestam e sem­pre prestarão atenção a bom con­teú­do. E que é um equívo­co assumir que, por causa de uma ale­ga­da escassez de atenção gen­er­al­iza­da, as mar­cas devam nec­es­sari­a­mente ori­en­tar sua pro­dução de con­teú­do para for­matos do tipo “snack con­tent” e filmes curtís­si­mos de 15 segun­dos.

“As pes­soas ficam o dia inteiro assistin­do a tem­po­radas inteiras de séries com Stranger Things. Sem­pre haverá audiên­cia para con­teú­dos mata­dores. É pre­ciso, no entan­to, dom­i­nar um con­jun­to de téc­ni­cas para pro­duzir con­teú­do que ten­ha capaci­dade de enga­ja­men­to. Ger­ar ten­são e des­per­tar a curiosi­dade é impre­scindív­el”, disse Davis.

Propósito é a nova felicidade

O T Brand, estú­dio de con­teú­do do jor­nal The New York Times, é con­sid­er­a­do o grande caso de suces­so no mun­do do brand­ed con­tent. A dire­to­ra de estraté­gia do T Brand, Kath­leen Dia­man­takis, defende que o exces­so de con­teú­do é, em boa medi­da, respon­sáv­el pelo sen­ti­men­to gen­er­al­iza­do de frus­tação que se abate sobre as pes­soas. E que, por isso, mes­mo, a respon­s­abil­i­dade de quem pro­duz con­teú­do é hoje ain­da maior.

“Se até muito pouco tem­po as pes­soas bus­cav­am a feli­ci­dade como final­i­dade de vida, hoje cada vez mais as pes­soas bus­cam propósi­to. Quem pro­duz con­teú­do pre­cisa faz­er algo que ten­ha sen­ti­do e que faça a difer­ença na vida das pes­soas. Propósi­to é a nova feli­ci­dade. Pre­cisamos faz­er com que o con­teú­do sig­nifique algo”, disse Kath­leen.

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