As criptomoedas são uma ameaça aos que estão no poder?

As criptomoedas são uma ameaça aos que estão no poder

Segun­do o cri­ador do anti-vírus “McAfee”John McAfee é uma voz ati­va na comu­nidade das crip­to­moedas e um firme defen­sor do blockchain, a tec­nolo­gia que fun­ciona por trás das moedas dig­i­tais e faz a função de um livro-reg­istro em que todas as transações são doc­u­men­tadas. Para ele, tra­ta-se de uma rev­olução.

“Pela primeira vez na história da humanidade, temos uma tec­nolo­gia chama­da blockchain que fornece uma espé­cie de livro-caixa que é imutáv­el e inal­teráv­el”, disse McAfee. “O pon­to é que a vida inteira é com­pos­ta por transações. Se eu mudo daqui para lá, isso é uma transação. Então, pela primeira vez, nós temos a opor­tu­nidade de aplicar a tec­nolo­gia ao prob­le­ma da fraude humana. E qual é a fraude humana? A men­ti­ra — ou a rep­re­sen­tação equiv­o­ca­da da ver­dade.

Na condição de um ban­co de dados públi­co e invi­o­láv­el, o blockchain é tido como a tec­nolo­gia que traz transparên­cia aos proces­sos. Tais proces­sos vão des­de transações de moedas dig­i­tais (onde está a prin­ci­pal apli­cação do blockchain) até ativi­dades dos seg­men­tos logís­ti­co e de saúde, por exem­p­lo. Como fun­ciona sobre uma base descen­tral­iza­da de com­puta­dores, dis­pen­sa qual­quer autori­dade cen­tral. E é essa a grande razão pela qual gov­er­nos estão bus­can­do, cada vez mais, enten­der o con­ceito de “não per­mis­são” da tec­nolo­gia (ou, em inglês, per­mi­tion-less, como dito por McAfee).

No pal­co, em uma apre­sen­tação de 30 min­u­tos, McAfee, com sua voz de sábio (e enton­ação sim­i­lar à de Cid Mor­eira), expli­cou: “Hoje, todas as nos­sas leg­is­lações são con­tro­ladas e baseadas numa coisa: per­mis­são. O que isso sig­nifi­ca? Nos Esta­dos Unidos, eu ten­ho per­mis­são para tomar álcool na maior parte dos esta­dos. Mas eu não ten­ho per­mis­são para fumar macon­ha. Eu ten­ho per­mis­são, em cer­tas cir­cun­stân­cias, para enviar din­heiro para várias pes­soas em vários país­es, ao pas­so que em alguns país­es eu não ten­ho per­mis­são para isso. O que é úni­co sobre a crip­to­moe­da e o blockchain? É o fato de que eles são per­mi­tion-less. Eu não pre­ciso da per­mis­são de ninguém para man­dar um bit­coin da min­ha carteira para a carteira de out­ra pes­soa. É por isso que gov­er­nos e insti­tu­ições finan­ceiras e out­ras agên­cias que con­tro­lam o mun­do como nós o enten­demos hoje estão com tan­to medo do bit­coin, do mon­ero, do ethereum, de todas as crip­to­moedas… Porque as crip­to­moedas são uma ameaça ao sta­tus quo daque­les que estão no poder.”

Combate à corrupção

Isso não sig­nifi­ca, no entan­to, que o setor está livre de práti­cas abu­si­vas. John McAfee anun­ciou no fim do even­to que está mon­tan­do uma rede de com­bate à cor­rupção no mun­do das moedas dig­i­tais. A chi­ne­sa Coin­bene, cor­re­to­ra de crip­to­moedas, é a primeira a inte­grar essa aliança. “Esta­mos abraçan­do essa causa porque acred­i­ta­mos que deve­mos nos unir con­tra a cor­rupção no mer­ca­do de crip­to­moedas”, diz Raquel Vaz, dire­to­ra de mar­ket­ing da Coin­Bene.

McAfee chama a atenção para o fato de que ninguém sabe onde estão baseadas muitas cor­re­toras de crip­to­moedas nem quem são seus donos ou fun­cionários. O maior exem­p­lo dis­so, segun­do o empresário, é a HitBTC, uma cor­re­to­ra com quem ele travou um grande embate pes­soal por acred­i­tar que as taxas cobradas pela com­pan­hia eram abu­si­vas. Ele é investi­dor de um pro­je­to nego­ci­a­do na HitBTC que pre­tende ofer­e­cer serviços de saúde gra­tu­itos (o Doca­d­e­m­ic, MTC).

Uma reg­u­lação estip­u­la­da por insti­tu­ições tradi­cionais, segun­do McAfee, não fun­cionar­ia como freio para a cor­rupção de cor­re­toras com a HitBTC, uma vez que não se sabe nem onde elas estão baseadas. “E a gente pre­cisa de reg­u­la­men­tação? Abso­lu­ta­mente, não. O que a gente pre­cisa é de apli­cações e recur­sos para que a pes­soa média, em vez de ter que ter o con­hec­i­men­to para inter­pre­tar a atu­ação da cor­re­to­ra, con­si­ga ter um aces­so fácil a quem são as cor­re­toras. Supon­do que a pes­soa diga: ‘Quero colo­car meu din­heiro numa cor­re­to­ra. Que tal a HitBTC?’ Nós respon­der­e­mos: ‘Eles tiraram US$ 400 mil­hões das pes­soas e não devolver­am. Você quer dar din­heiro a eles ou não?”

A Coin­bene vai lis­tar de graça as moedas que deixarem a HitBTC.

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