Entenda como funciona o cartel de preços das TVs

O cartel de preços da TVs

O Con­sel­ho Admin­is­tra­ti­vo de Defe­sa Econômi­ca (Cade) con­cluiu que qua­tro grandes fab­ri­cantes de TVs –Sam­sung, LG, Philips e Toshi­ba– com­bi­navam entre si o preço dos mod­e­los no Brasil, entre out­ras práti­cas anti­com­pet­i­ti­vas, entre 1995 e 2007.

Por una­n­im­i­dade, o tri­bunal do Cade con­de­nou as empre­sas Toshi­ba Cor­po­ra­tion e a MT Pic­ture Dis­play (Mat­sushi­ta Toshi­ba), além de uma pes­soa físi­ca, por car­tel inter­na­cional.

Elas foram mul­tadas em R$ 4,9 mil­hões, no total –um val­or con­sid­er­a­do irrisório para essas empre­sas e a mag­ni­tude do prob­le­ma. A Toshi­ba vai pagar R$ 3,13 mil­hões, e a MT Pic­ture Dis­play, R$ 1,32 mil­hão.

As inves­ti­gações tiver­am iní­cio a par­tir de acor­dos de leniên­cia (um tipo de delação pre­mi­a­da para reduzir penas) com a Sam­sung e pes­soas físi­cas rela­cionadas ao grupo, que con­fes­saram par­tic­i­pação nos cartéis. Como eles cumpri­ram o acor­do, não foram punidos.

Já a LG e Philips assi­naram Ter­mos de Com­pro­mis­so de Ces­sação (TCCs) admitin­do par­tic­i­pação na con­du­ta inves­ti­ga­da, se com­pro­m­e­ter­am a ces­sar a práti­ca e a colab­o­rar com o órgão a esclare­cer os fatos. Out­ras empre­sas menores que fab­ri­cavam tubos, como Chungh­wa Pic­ture Tubes, LP Dis­plays  Inter­na­tion­al e Tech­ni­col­or, tam­bém assi­naram ess­es ter­mos.

Entenda o caso

Durante os anos do car­tel, os fab­ri­cantes ain­da tra­bal­havam com TVs e mon­i­tores CRT e CDT, os mod­e­los “de tubo”. Além  das telas dos mod­e­los de hoje serem planas, eles já são bem mais arro­ja­dos: só neste ano, a Sam­sung lançou uma TV que vira obra de arte na sala, enquan­to uma TV da Sony pede piz­za, e uma TV da LG traz inteligên­cia arti­fi­cial.

Os cartéis das fab­ri­cantes foram mar­ca­dos pela “tro­ca reg­u­lar de infor­mações com­er­cial­mente sen­síveis, fix­ação de preços, divisão de mer­ca­do e restrição da pro­dução do pro­du­to”, disse o Cade.

Segun­do as inves­ti­gações, os acor­dos entre os con­cor­rentes foram acer­ta­dos por email e em reuniões bilat­erais e mul­ti­lat­erais.

As con­du­tas afe­taram a con­cor­rên­cia e causaram pre­juí­zos às empre­sas que adquiri­ram os pro­du­tos das empre­sas rep­re­sen­tadas via impor­tação, e aos con­sum­i­dores brasileiros que com­praram tele­vi­sores e com­puta­dores de tubo dessas mar­cas.

Os cartéis no mer­ca­do de CRTs tam­bém foram alvo de inves­ti­gações e con­de­nações em out­ras juris­dições, como Esta­dos Unidos, União Europeia, Japão, Repúbli­ca Tcheca, Hun­gria e Cor­eia do Sul.

[ATUALIZAÇÃO 16h35 23/08/2018] ?Procu­radas pela reportagem, a Sam­sung e a  LG infor­maram que não comen­tarão o assun­to. A Toshi­ba não foi local­iza­da.

A Philips diz que esclare­ceu com o Cade, em 2015, o caso rela­ciona­do aos apar­el­hos com tubos CDT e CPT e que  o fim do jul­ga­men­to ape­nas con­fir­ma o acor­do da com­pan­hia com o órgão, além de a Philips já ter se referi­do ao caso antes em relatórios anu­ais.

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