Golpistas fingem ser técnicos para roubar dinheiro através do WhatsApp

Recen­te­mente golpis­tas estão se pas­san­do por treinadores que dis­putam com­petições estad­u­ais para extorquir din­heiro de atle­tas por meio do men­sageiro para suposta­mente sacra­men­tar uma nego­ci­ação.

Um dos que teve o nome envolvi­do na ação foi João Val­lim, treinador que coman­da atual­mente a Inter de Limeira, tradi­cional equipe do inte­ri­or de São Paulo. De acor­do com ele, o golpe chegou ao seu con­hec­i­men­to pela primeira vez há três meses, mas voltou a ser apli­ca­do recen­te­mente.

“Os caras man­dam men­sagem para as pes­soas se pas­san­do por treinadores e dizen­do que o clube tem inter­esse nele. Aí dizem que a equipe pas­sa por uma situ­ação finan­ceira ruim e que a trans­fer­ên­cia seria por con­ta do atle­ta”, denun­ciou João Val­lim.

Segun­do o treinador, as víti­mas cos­tu­mam mora fora do Esta­do de São Paulo, espe­cial­mente no Norte e Nordeste. Há uma engen­haria social por trás do golpe, já que são bus­ca­dos dire­ta­mente atle­tas jovens ou sem clube – o golpista demon­stra até con­hec­i­men­to da posição em que a víti­ma atua.

“Um ami­go meu me ligou para falar que um pes­soal do Rio esta­va per­gun­tan­do se ele me con­hecia, porque eu esta­va pedin­do din­heiro para trans­fer­ên­cia. Aí falei que não tin­ha nada a ver comi­go. E se você liga para o número dizen­do que quer falar com o João Val­lim, ele te blo­queia”, rela­ta.

Como é a ação

O crim­i­noso entra em con­ta­to por What­sApp uti­lizan­do números, segun­do João Val­lim, com o pre­fixo 77 (Bahia). Pelo men­sageiro, ofer­ece a opção de jog­ar com­petições estad­u­ais como Copa Paulista, Série A2 e Série A3 por algu­ma equipe paulista.

O autor da ação usa fotos de téc­ni­cos paulis­tas e diz que a equipe inter­es­sa­da ofer­ece salário em dia, ali­men­tação, alo­ja­men­to, entre out­ros.

Val­lim não foi o úni­co que teve o nome usa­do por golpis­tas. O coman­dante da Inter de Limeira rela­tou que nomes de cole­gas que treinam equipes como o Rio Claro (atual­mente na Série A2 de São Paulo e Copa Paulista), São Cae­tano (Série A1 e Copa Paulista) e Noroeste (Série A3 e Copa Paulista) tam­bém foram envolvi­dos.

A estraté­gia de bus­car atle­tas de fora do Esta­do de São Paulo é vital para o golpe. Isso porque a CBF cobra uma taxa de trans­fer­ên­cia entre difer­entes fed­er­ações – este val­or, que varia no golpe entre R$ 800 e R$ 2 mil, seria o cobra­do pelos crim­i­nosos aos atle­tas que são víti­mas da ação.

Os golpis­tas, então, pas­sam o número de uma con­ta bancária de um supos­to “super­vi­sor” para que o jogador alvo faça o depósi­to. A reportagem do UOL Tec­nolo­gia teve aces­so ao nome e número da con­ta da Caixa, que per­tencem a um Manuel Car­los. O sobrenome é comum, o que difi­cul­ta uma inves­ti­gação sobre essa pes­soa.

Ten­ta­mos con­ta­to com o número de What­sApp e ele não respon­deu.

Até o momen­to, Val­lim não rece­beu o con­ta­to de ninguém que ten­ha caí­do no golpe, mas sabe que há víti­mas da ação. Em entre­vista ao Jor­nal Cidade, de Rio Claro, o téc­ni­co da equipe local, Adil­son Fran­cis­co, con­fir­mou que o seu nome tam­bém tem sido usa­do por golpis­tas que real­izam a ação.

Evite a fraude

Val­lim reforça que téc­ni­cos profis­sion­ais não cos­tu­mam con­tratar jogadores – quem faz isso são out­ros fun­cionários do clube. Além dis­so, o paga­men­to da taxa só é feito depois que o con­tra­to está na mesa e for­mal­iza­do, com o jogador treinan­do na equipe.

O treinador diz que fará um bole­tim de ocor­rên­cia sobre o ocor­ri­do, mas que poli­ci­ais afir­maram que a própria divul­gação do caso, por redes soci­ais ou out­ras for­mas, é vital para que out­ras pes­soas não caiam na fraude.

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