O que os candidatos à presidência têm a dizer sobre tecnologia

O que os candidatos à presidência têm a dizer sobre tecnologia

A seguir, destaques da pro­pos­ta de cada pré-can­dida­to, na ordem em que eles se apre­sen­taram no Gov­Tech.

João Amoê­do (Novo)

O ex-vice-pres­i­dente do Uni­ban­co e um dos fun­dadores, em 2010, do par­tido Novo, foi o primeiro a defend­er, entre out­ras coisas, a adoção de uma iden­ti­dade dig­i­tal úni­ca, capaz de con­cen­trar os difer­entes doc­u­men­tos físi­cos exis­tentes hoje.

“A gente tem que usar a tec­nolo­gia para mudar os proces­sos, e não dig­i­talizar proces­sos erra­dos que exis­tem”, diz Amoê­do. “Tem mui­ta coisa de dig­i­talizar iden­ti­dade, dig­i­talizar títu­lo de eleitor, quan­do na ver­dade a gente tin­ha que ter um doc­u­men­to só.”

Amoê­do defende tam­bém o fim dos cartórios no Brasil, sub­sti­tuin­do-os pelo sis­tema de proces­sa­men­to descen­tral­iza­do usa­do em transações por Bit­coin, o blockchain. “Acabar com os cartórios e usar basi­ca­mente a tec­nolo­gia do blockchain para val­i­dar os doc­u­men­tos e tirar toda essa buro­c­ra­cia.”

Guil­herme Bou­los (Psol)

O segun­do a subir ao pal­co foi o coor­de­nador nacional do Movi­men­to dos Tra­bal­hadores Sem Teto (MTST) e pré-can­dida­to do Par­tido Social­is­mo e Liber­dade (Psol), Guil­herme Bou­los. Ele tam­bém se diz a favor da cri­ação de um doc­u­men­to de iden­ti­dade dig­i­tal úni­co.

Bou­los diz que sua equipe de tra­bal­ho está desen­vol­ven­do “um pro­ced­i­men­to de unifi­cação de doc­u­men­tos, iden­ti­dade, mas que tam­bém, a par­tir daí, se pos­sa faz­er ouvi­do­ria, uma for­ma de par­tic­i­pação e de con­sul­ta das pes­soas”.

Além dis­so, o pré-can­dida­to do Psol defende a uni­ver­sal­iza­ção do aces­so à inter­net pelo Brasil. Para isso, ele sug­ere usar o Fun­do de Uni­ver­sal­iza­ção dos Serviços de Tele­co­mu­ni­cações (Fust), que, segun­do ele, não é usa­do atual­mente para expandir o aces­so à inter­net.

Hen­rique Meirelles (MDB)

Em segui­da, o ex-min­istro da Fazen­da e ex-pres­i­dente do Ban­co Cen­tral, Hen­rique Meirelles, pré-can­dida­to pelo Movi­men­to Democráti­co Brasileiro (MDB, anti­go PMDB), propôs a dig­i­tal­iza­ção com­ple­ta dos proces­sos inter­nos do gov­er­no fed­er­al.

“Temos o prob­le­ma da com­plex­i­dade buro­cráti­ca. A quan­ti­dade de horas gas­tas em paga­men­to é gigante. Pre­cisamos traz­er facil­i­dade, rapi­dez, transparên­cia. Depois esten­der à toda a sociedade”, afir­mou Meirelles.

O pré-can­dida­to tam­bém defende a unifi­cação de doc­u­men­tos num só “cartão dig­i­tal” e tam­bém a unifi­cação de aplica­tivos do gov­er­no — que, segun­do ele, somam hoje 48 apps que não se comu­ni­cam. “Temos uma serie de aplica­tivos feitos por cada min­istério. Pre­cisamos de algo unifi­ca­do, cen­tral­iza­do, úni­co. Para isso pre­cisa de um geek como pres­i­dente”, comen­tou.

Ger­al­do Alck­min (PSDB)

O próx­i­mo no pal­co do Gov­Tech Brasil foi o ex-gov­er­nador do esta­do de São Paulo e pres­i­dente do Par­tido da Social Democ­ra­cia Brasileira (PSDB), Ger­al­do Alck­min. Ele tam­bém defend­eu a cri­ação de um doc­u­men­to dig­i­tal úni­co, mas não detal­hou qual­quer out­ro pro­je­to.

A pro­pos­ta da sua can­di­datu­ra, segun­do Alck­min, é de que o Brasil pos­sa “sim­pli­ficar, des­buro­c­ra­ti­zar, destravar a econo­mia, e não tem como faz­er sem uma agen­da dig­i­tal”. “Eu diria que é uma mudança cul­tur­al. O Brasil tem uma cul­tura de cartório. Uma cul­tura do carim­bo, do selo, do doc­u­men­to. Temos que mudar essa cul­tura.”

Alck­min tam­bém propõe mais sin­er­gia entre uni­ver­si­dades, esta­do e empre­sas, além de mais parce­rias públi­co-pri­vadas (PPPs). Tudo para colo­car tec­nolo­gia em todos os setores da econo­mia e da gov­er­nança. “O Brasil tem 17 mil quilômet­ros de fron­teira seca. Sem tec­nolo­gia é impos­sív­el mon­i­torar isso. Então pre­cisa ser imple­men­ta­do na segu­rança, na saúde, na edu­cação, visan­do redução de cus­tos”, disse.

Mari­na Sil­va (Rede)

A últi­ma par­tic­i­pante do even­to foi a ex-senado­ra e ex-min­is­tra do meio ambi­ente, Mari­na Sil­va, rep­re­sen­tante do par­tido que ela mes­ma fun­dou, a Rede. Ela foi mais uma que defend­eu a pro­pos­ta de unifi­cação de doc­u­men­tos na for­ma de uma só iden­ti­dade dig­i­tal.

Além dis­so, Mari­na chamou atenção para a neces­si­dade de platafor­mas de big data no gov­er­no, de modo que o esta­do pos­sa tirar con­clusões ráp­i­das a par­tir de grandes vol­umes de dados. “É pos­sív­el imple­men­tar a tec­nolo­gia nas áreas da segu­rança, saúde, em ações de com­bate aos crimes ambi­en­tais, na detecção de des­mata­men­to, na pro­teção da bio­di­ver­si­dade, no envolvi­men­to da sociedade em difer­entes níveis”, disse.

Mari­na tam­bém disse que é pre­ciso haver cuida­do com os dados de brasileiros e com a for­ma como eles cir­cu­lam entre empre­sas de tec­nolo­gia, à luz de escân­da­los de vaza­men­to recentes como o do Face­book. “Tra­bal­hamos com a ideia de cri­ar um sis­tema para pro­te­ger os cidadãos. É dese­jáv­el uma base integra­da, mas pro­te­ger o cidadão, sem deixá-lo vul­neráv­el.”

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