O que anos desenvolvendo produtos para Samsung, LG e Roku me ensinaram sobre tecnologia, clientes, produto e negócios digitais

Descubra as principais lições que aprendi desenvolvendo e publicando mais de 200 aplicativos para Samsung, LG, Roku e outras Smart TVs sobre tecnologia, produto, clientes, escala e negócios digitais.

Após pub­licar mais de 200 aplica­tivos perce­bi que o códi­go era ape­nas uma parte da história.

Quan­do come­cei a tra­bal­har com apps para Smart TVs, eu enx­er­ga­va grande parte do desafio pela per­spec­ti­va téc­ni­ca.

Havia difer­entes sis­temas opera­cionais, difer­entes lin­gua­gens, difer­entes tele­vi­sores, difer­entes proces­sos de pub­li­cação e uma quan­ti­dade enorme de detal­h­es que pre­cisavam fun­cionar cor­re­ta­mente.

Com o pas­sar dos anos, depois de desen­volver e par­tic­i­par da pub­li­cação de mais de 200 aplica­tivos para platafor­mas como Sam­sung Tizen, LG webOS, Roku, Android TV e out­ros ecos­sis­temas de tele­visão conec­ta­da, min­ha per­cepção mudou.

Tec­nolo­gia con­tin­u­ou impor­tante.

Mas perce­bi que ela era ape­nas uma parte de algo muito maior.

Por trás de cada aplica­ti­vo exis­ti­am empre­sas, clientes, usuários, mod­e­los de negó­cio, lim­i­tações, expec­ta­ti­vas, pra­zos, homolo­gações, mudanças de platafor­ma e decisões que muitas vezes eram mais impor­tantes do que o próprio códi­go.

Foi tra­bal­han­do nesse ambi­ente que apren­di algu­mas das lições mais valiosas da min­ha tra­jetória profis­sion­al.

Lições que não servem ape­nas para quem desen­volve aplica­tivos para Smart TV.

Elas servem para prati­ca­mente qual­quer pes­soa que con­strua pro­du­tos dig­i­tais.

Porque, no final, desen­volver para Sam­sung, LG ou Roku não é ape­nas desen­volver soft­ware.

É apren­der a con­stru­ir pro­du­tos den­tro de ecos­sis­temas que você não con­tro­la.

E essa é uma exce­lente metá­fo­ra para o mun­do dos negó­cios dig­i­tais.

Smart TV me ensinou que uma plataforma nunca é apenas tecnologia

Quan­do alguém olha de fora, pode imag­i­nar que desen­volver para Smart TVs sig­nifi­ca sim­ples­mente adap­tar um aplica­ti­vo para telas grandes.

Na práti­ca, cada ecos­sis­tema pos­sui sua própria arquite­tu­ra, fer­ra­men­tas, políti­cas, req­ui­si­tos e com­por­ta­men­to.

Na Sam­sung, por exem­p­lo, aplica­tivos para TVs uti­lizam o ecos­sis­tema Tizen. A própria doc­u­men­tação da Sam­sung ori­en­ta o desen­volve­dor a con­fig­u­rar o ambi­ente especí­fi­co da TV, tra­bal­har com cer­ti­fi­ca­dos e tes­tar o aplica­ti­vo den­tro das car­ac­terís­ti­cas da platafor­ma. Um detal­he aparente­mente téc­ni­co, como man­ter cor­re­ta­mente o cer­ti­fi­ca­do uti­liza­do na pub­li­cação orig­i­nal, pode se tornar essen­cial para futuras atu­al­iza­ções.

Doc­u­men­tação ofi­cial para desen­volvi­men­to em Sam­sung Smart TV

A LG pos­sui out­ro fluxo. No webOS TV exis­tem fer­ra­men­tas próprias para cri­ação, teste e depu­ração, incluin­do CLI, exten­sões para desen­volvi­men­to e sim­u­ladores.

Doc­u­men­tação ofi­cial do webOS TV para desen­volve­dores

Já a Roku pos­sui sua própria lóg­i­ca, com Scene­Graph para estru­tu­ra de inter­face e BrightScript para com­por­ta­men­to do aplica­ti­vo.

Guia ofi­cial para desen­volvi­men­to de aplica­tivos Roku

No Android TV, ape­sar da prox­im­i­dade com o ecos­sis­tema Android tradi­cional, exis­tem req­ui­si­tos especí­fi­cos rela­ciona­dos à exper­iên­cia em tele­vi­sores e à qual­i­dade exigi­da para dis­tribuição.

Doc­u­men­tação ofi­cial do Android TV

Essa diver­si­dade me ensi­nou algo impor­tante.

Nun­ca con­fun­da platafor­ma com mer­ca­do.

Sam­sung é uma platafor­ma.

LG é out­ra.

Roku é out­ra.

Android TV é out­ra.

Mas o con­sum­i­dor quer ape­nas assi­s­tir ao con­teú­do.

Ele não quer saber qual frame­work foi uti­liza­do.

Não quer saber quan­to tem­po lev­ou a homolo­gação.

Não quer saber que deter­mi­na­do tele­vi­sor pos­sui uma lim­i­tação téc­ni­ca.

Para ele, existe uma per­gun­ta muito sim­ples:

Fun­ciona ou não fun­ciona?

Essa difer­ença entre a visão téc­ni­ca e a visão do usuário acom­pan­ha prati­ca­mente todo pro­du­to dig­i­tal.

O cliente compra solução, não arquitetura

Uma das grandes armadil­has de profis­sion­ais de tec­nolo­gia é ficar apaixon­a­do pela solução téc­ni­ca.

Frame­work.

Lin­guagem.

Arquite­tu­ra.

Per­for­mance.

Infraestru­tu­ra.

APIs.

Tudo isso impor­ta.

Mas rara­mente é isso que o cliente real­mente está com­pran­do.

Um canal de tele­visão que procu­ra um aplica­ti­vo para Smart TV não quer Tizen.

Ele quer estar na tele­visão Sam­sung do públi­co.

Não quer webOS.

Quer estar disponív­el para quem uti­liza uma LG.

Não quer BrightScript.

Quer ampli­ar sua dis­tribuição para usuários Roku.

A tec­nolo­gia é o meio.

O pro­du­to é o cam­in­ho.

O resul­ta­do é o des­ti­no.

Essa dis­tinção mudou pro­fun­da­mente min­ha maneira de con­ver­sar com clientes.

Quan­to mais téc­ni­co é o profis­sion­al, maior pode ser a ten­tação de explicar o proces­so.

Mas o cliente nor­mal­mente está inter­es­sa­do no resul­ta­do.

Ele quer saber:

Meu con­teú­do chegará ao públi­co?

O aplica­ti­vo será aprova­do?

Fun­cionará nos tele­vi­sores?

Con­seguirei atu­alizar meu catál­o­go?

Meu usuário enten­derá como uti­lizar?

Min­ha mar­ca estará pre­sente nas prin­ci­pais platafor­mas?

É aí que tec­nolo­gia começa a virar negó­cio.

Um bom produto começa antes da primeira linha de código

Out­ra lição impor­tante surgiu da repetição.

Depois de desen­volver muitos aplica­tivos, padrões começam a apare­cer.

Alguns pro­je­tos chegam orga­ni­za­dos.

Out­ros chegam com uma ideia, um logotipo e pouco mais.

Alguns clientes pos­suem stream­ing estru­tu­ra­do.

Out­ros ain­da pre­cisam com­preen­der con­ceitos bási­cos de dis­tribuição de vídeo.

Alguns sabem exata­mente o que dese­jam.

Out­ros desco­brem durante o pro­je­to.

Com isso, perce­bi que uma parte enorme do suces­so de um pro­du­to acon­tece antes do desen­volvi­men­to.

Qual é o obje­ti­vo?

Quem é o públi­co?

Que con­teú­do será disponi­bi­liza­do?

É con­teú­do lin­ear?

Vídeo sob deman­da?

Existe aut­en­ti­cação?

Existe assi­natu­ra?

Como será a nave­g­ação?

Quem atu­alizará as infor­mações?

Como fun­cionará a infraestru­tu­ra de stream­ing?

Quais platafor­mas real­mente fazem sen­ti­do?

Essas per­gun­tas pare­cem sim­ples.

Mas respostas ruins ger­am códi­go bom para pro­du­tos ruins.

E um pro­du­to tec­ni­ca­mente per­feito pode con­tin­uar sendo um fra­cas­so.

O usuário não deveria precisar aprender a nossa interface

Tele­visão pos­sui uma car­ac­terís­ti­ca inter­es­sante.

É um ambi­ente extrema­mente famil­iar.

Durante décadas, pes­soas apren­der­am a sen­tar em um sofá, pegar um con­t­role remo­to e assi­s­tir.

Quan­do os aplica­tivos chegaram às TVs, troux­er­am con­si­go novas pos­si­bil­i­dades, mas tam­bém aumen­taram a com­plex­i­dade.

Menus.

Cat­e­go­rias.

Login.

Bus­ca.

Favoritos.

Pro­gra­mação.

Catál­o­gos.

Assi­nat­uras.

Quan­do o design dessas exper­iên­cias igno­ra o con­tex­to da tele­visão, surgem prob­le­mas.

Uma inter­face que fun­ciona per­feita­mente no com­puta­dor pode ser pés­si­ma a três met­ros de dis­tân­cia.

Um botão boni­to no smart­phone pode ser quase invisív­el na TV.

Uma nave­g­ação con­fortáv­el com mouse pode se tornar irri­tante com um con­t­role remo­to.

Isso me ensi­nou uma regra sim­ples:

o usuário não dev­e­ria perce­ber o esforço que existe por trás da inter­face.

Ele deve ape­nas con­seguir uti­lizá la.

Pro­du­to bom nor­mal­mente parece sim­ples.

A com­plex­i­dade fica escon­di­da.

Desenvolver para televisão me ensinou a respeitar o contexto de uso

Cada dis­pos­i­ti­vo pos­sui uma lin­guagem própria.

Celu­lar está próx­i­mo do ros­to.

Com­puta­dor nor­mal­mente pos­sui tecla­do e mouse.

Tele­visão está dis­tante.

O usuário geral­mente uti­liza pou­cas teclas.

Para cima.

Para baixo.

Esquer­da.

Dire­i­ta.

OK.

Voltar.

Esse con­tex­to muda tudo.

Muda design.

Muda nave­g­ação.

Muda taman­ho de fonte.

Muda quan­ti­dade de infor­mação.

Muda feed­back visu­al.

Muda até aqui­lo que con­sid­er­amos uma boa exper­iên­cia.

Um erro muito comum em pro­du­tos dig­i­tais é trans­portar uma exper­iên­cia de uma tela para out­ra acred­i­tan­do que bas­ta adap­tar o taman­ho.

Não bas­ta.

Cada tela rep­re­sen­ta um com­por­ta­men­to.

Essa é uma lição que vai muito além da Smart TV.

Pro­du­to não é ape­nas aqui­lo que aparece na tela.

Pro­du­to é a relação entre a pes­soa, a neces­si­dade, o dis­pos­i­ti­vo e o con­tex­to.

Multiplataforma não significa simplesmente copiar

Out­ro apren­diza­do impor­tante veio da neces­si­dade de tra­bal­har com difer­entes ecos­sis­temas.

Existe uma enorme ten­tação de pen­sar:

“Já temos o aplica­ti­vo na Sam­sung. Ago­ra é só colo­car na LG.”

Ou:

“Já fun­ciona na web. Vamos levar para Roku.”

Na práti­ca, reuti­liza­ção é impor­tante, mas ela pos­sui lim­ites.

Cada ambi­ente pos­sui difer­enças téc­ni­cas, políti­cas e de exper­iên­cia.

O obje­ti­vo deve ser man­ter con­sistên­cia de pro­du­to, não nec­es­sari­a­mente iden­ti­dade abso­lu­ta de imple­men­tação.

O usuário pre­cisa recon­hecer a mar­ca.

Pre­cisa com­preen­der a nave­g­ação.

Pre­cisa encon­trar o con­teú­do.

Mas, inter­na­mente, a solução pode exi­gir abor­da­gens difer­entes.

Isso me ensi­nou que padroniza­ção é impor­tante, mas rigidez pode ser perigosa.

O bom pro­du­to encon­tra o equi­líbrio.

A arquitetura certa aparece quando você para de pensar em um único aplicativo

Quan­do você desen­volve um aplica­ti­vo, é pos­sív­el resolver muitos prob­le­mas man­ual­mente.

Quan­do desen­volve dezenas, isso começa a ficar inviáv­el.

Quan­do pas­sa de uma cen­te­na, repetição vira arquite­tu­ra.

Essa talvez ten­ha sido uma das trans­for­mações mais impor­tantes no meu pen­sa­men­to.

No iní­cio, o foco nat­ur­al está no pro­je­to.

Depois, o foco pre­cisa migrar para o sis­tema que pro­duz pro­je­tos.

Com­po­nentes reaproveitáveis.

APIs.

Tem­plates.

Estru­turas de dados.

Painéis.

Flux­os de pub­li­cação.

Proces­sos.

Doc­u­men­tação.

Automação.

É nesse momen­to que uma empre­sa de serviços começa a enx­er­gar pos­si­bil­i­dades de pro­du­to.

Você deixa de pen­sar:

“Como desen­volver este aplica­ti­vo?”

E começa a per­gun­tar:

“Como con­stru­ir uma estru­tu­ra capaz de ger­ar muitos aplica­tivos com qual­i­dade?”

Essa mudança parece peque­na.

Não é.

Ela altera com­ple­ta­mente o poten­cial de escala.

Escala não é fazer mais. É repetir melhor

Durante muito tem­po, eu asso­ci­a­va escala ao aumen­to de vol­ume.

Mais clientes.

Mais pro­je­tos.

Mais aplica­tivos.

Hoje pen­so difer­ente.

Escala ver­dadeira acon­tece quan­do o próx­i­mo pro­je­to exige pro­por­cional­mente menos esforço do que o ante­ri­or.

Se cada novo cliente exige começar tudo do zero, você aumen­tou vol­ume, mas não con­stru­iu escala.

A exper­iên­cia acu­mu­la­da pre­cisa virar ati­vo.

Códi­go.

Proces­so.

Con­hec­i­men­to.

Doc­u­men­tação.

Automação.

Méto­do.

Essa lóg­i­ca pode ser apli­ca­da a prati­ca­mente qual­quer negó­cio.

Uma agên­cia pre­cisa trans­for­mar exper­iên­cia em proces­so.

Um con­sul­tor pre­cisa trans­for­mar exper­iên­cia em méto­do.

Uma soft­ware house pre­cisa trans­for­mar exper­iên­cia em com­po­nentes.

Um espe­cial­ista pre­cisa trans­for­mar exper­iên­cia em pro­priedade int­elec­tu­al.

Con­hec­i­men­to que con­tin­ua ape­nas den­tro da cabeça não escala.

O produto invisível muitas vezes vale mais que o aplicativo

Quan­do pen­samos em aplica­tivos de stream­ing, é fácil enx­er­gar ape­nas aqui­lo que aparece na tele­visão.

Mas existe uma estru­tu­ra invisív­el muito mais impor­tante.

APIs.

Catál­o­go.

Vídeos.

Streams.

Metada­dos.

Aut­en­ti­cação.

Ana­lyt­ics.

Infraestru­tu­ra.

Painéis.

Atu­al­iza­ções.

Em muitos pro­je­tos, a apli­cação que o usuário vê rep­re­sen­ta ape­nas a super­fí­cie de um ecos­sis­tema.

Isso tam­bém alter­ou min­ha per­cepção sobre pro­du­to.

Uma inter­face boni­ta pode impres­sion­ar.

Mas o val­or de lon­go pra­zo fre­quente­mente está nos sis­temas invisíveis que per­mitem que aque­la inter­face con­tin­ue fun­cio­nan­do.

Essa é uma difer­ença impor­tante entre desen­volver uma tela e con­stru­ir um pro­du­to.

Streaming me ensinou que dependências importam tanto quanto código

Um aplica­ti­vo pode estar per­feita­mente desen­volvi­do e ain­da assim apre­sen­tar prob­le­mas porque depende de ele­men­tos exter­nos.

Servi­dor.

CDN.

Stream.

API.

Aut­en­ti­cação.

Conec­tivi­dade.

For­ma­to de vídeo.

Infraestru­tu­ra do cliente.

A própria doc­u­men­tação da Roku desta­ca que a dis­tribuição de con­teú­do depende de ele­men­tos como con­teú­do licen­ci­a­do, hospedagem e mecan­is­mos de entre­ga para a platafor­ma.

Isso reforça uma ver­dade impor­tante sobre sis­temas dig­i­tais:

a qual­i­dade perce­bi­da pelo usuário é resul­ta­do de toda a cadeia.

Não adi­anta um exce­lente aplica­ti­vo con­sumir uma API instáv­el.

Não adi­anta uma boa inter­face depen­der de um stream­ing prob­lemáti­co.

O con­sum­i­dor não sep­a­ra as camadas.

Ele sim­ples­mente pen­sa:

“O aplica­ti­vo travou.”

Essa per­cepção ensi­na humil­dade téc­ni­ca.

O soft­ware rara­mente tra­bal­ha soz­in­ho.

Homologação me ensinou que terminar o desenvolvimento não significa terminar o produto

Em pro­je­tos tradi­cionais, existe uma sen­sação muito clara quan­do o códi­go está pron­to.

Nas Smart TVs, isso pode ser ape­nas o começo de out­ra eta­pa.

Teste.

Ajustes.

Doc­u­men­tação.

Envio.

Análise.

Cor­reções.

Pub­li­cação.

Atu­al­iza­ções.

Cada platafor­ma pos­sui seu próprio fluxo.

Na Roku, por exem­p­lo, o Devel­op­er Dash­board faz parte do proces­so de cri­ação, teste e pub­li­cação, além de con­cen­trar fer­ra­men­tas rela­cionadas ao geren­ci­a­men­to dos aplica­tivos.

Isso me ensi­nou uma difer­ença fun­da­men­tal:

soft­ware pron­to não é pro­du­to entregue.

Pro­du­to entregue é aqui­lo que chegou às mãos do usuário e fun­ciona.

Essa parece uma dis­tinção óbvia.

Na práti­ca, muitas equipes ain­da comem­o­ram con­clusão téc­ni­ca antes da con­clusão real.

Prazo técnico e prazo de negócio não são a mesma coisa

Out­ro apren­diza­do veio das expec­ta­ti­vas.

O cliente per­gun­ta:

“Quan­to tem­po demo­ra?”

O desen­volve­dor pen­sa no tem­po necessário para pro­gra­mar.

Mas o negó­cio pre­cisa con­sid­er­ar muito mais.

Con­teú­do.

Aprovação.

Con­tas.

Doc­u­men­tos.

Testes.

Homolo­gação.

Ajustes.

Respos­ta de platafor­mas.

Dependên­cias exter­nas.

Por isso, apren­der a explicar pra­zos é uma com­petên­cia tão impor­tante quan­to apren­der a desen­volver.

Prom­e­ter o que não con­tro­lam­os gera frus­tração.

Transparên­cia gera con­fi­ança.

E con­fi­ança, desco­bri ao lon­go dess­es anos, é um dos ativos mais impor­tantes de qual­quer empre­sa de tec­nolo­gia.

Clientes me ensinaram que comunicação resolve problemas antes do código

Nem todo prob­le­ma é téc­ni­co.

Muitos surgem por fal­ta de alin­hamen­to.

O cliente imag­i­nou uma coisa.

A equipe enten­deu out­ra.

A especi­fi­cação dizia uma ter­ceira.

Quan­to mais com­plexo o pro­je­to, maior essa pos­si­bil­i­dade.

Foi assim que apren­di a val­orizar per­gun­tas.

Per­gun­tar antes.

Con­fir­mar.

Mostrar.

Val­i­dar.

Explicar lim­i­tações.

Cri­ar expec­ta­ti­vas real­is­tas.

Existe uma tendên­cia no setor de tec­nolo­gia de val­orizar pro­fun­da­mente quem sabe resolver prob­le­mas difí­ceis.

Isso é jus­to.

Mas existe out­ra habil­i­dade igual­mente impor­tante:

evi­tar que prob­le­mas desnecessários sejam cri­a­dos.

E boa comu­ni­cação faz exata­mente isso.

Tecnologia só vira negócio quando alguém percebe valor

Um desen­volve­dor pode cri­ar algo tec­ni­ca­mente impres­sio­n­ante.

Mas negó­cio exige out­ra per­gun­ta:

alguém está dis­pos­to a pagar por isso?

Ao tra­bal­har com canais, emis­so­ras, pro­je­tos de stream­ing e out­ras empre­sas que dese­javam estar pre­sentes nas Smart TVs, perce­bi que a tec­nolo­gia fazia sen­ti­do quan­do exis­tia um obje­ti­vo com­er­cial ou estratégi­co.

Ampli­ar dis­tribuição.

Aumen­tar audiên­cia.

For­t­ale­cer mar­ca.

Cri­ar assi­natu­ra.

Levar con­teú­do para novas telas.

Con­stru­ir pre­sença dig­i­tal.

Mel­ho­rar exper­iên­cia.

A tec­nolo­gia pre­cisa­va estar conec­ta­da a algum dess­es resul­ta­dos.

Essa é uma lição que con­sidero cada vez mais rel­e­vante tam­bém na era da inteligên­cia arti­fi­cial.

Empre­sas podem insta­lar dezenas de fer­ra­men­tas.

Podem uti­lizar agentes.

Podem autom­a­ti­zar tare­fas.

Mas, no final, a per­gun­ta per­manece:

onde está o val­or?

A inteligência artificial está mudando a execução, mas não eliminou os fundamentos

Hoje, olhan­do para tudo o que acon­te­ceu no desen­volvi­men­to de pro­du­tos para Smart TVs, vejo uma relação muito clara com a atu­al rev­olução da inteligên­cia arti­fi­cial.

A IA está reduzin­do o cus­to de pro­duzir soft­ware.

Está aju­dan­do a escr­ev­er códi­go.

Ger­ar doc­u­men­tação.

Tes­tar hipóte­ses.

Cri­ar inter­faces.

Pesquis­ar soluções.

Autom­a­ti­zar tare­fas.

Isso é extra­ordinário.

Mas existe algo que ela não elim­i­na:

a neces­si­dade de enten­der o prob­le­ma.

Se o prob­le­ma estiv­er erra­do, desen­volver mais rápi­do ape­nas per­mi­tirá con­stru­ir a coisa erra­da mais rap­i­da­mente.

A inteligên­cia arti­fi­cial pode reduzir o cus­to da exe­cução.

Ela não elim­i­na a importân­cia da direção.

Talvez aumente.

Quan­do con­stru­ir fica mais bara­to, escol­her cor­re­ta­mente o que con­stru­ir se tor­na ain­da mais impor­tante.

Trabalhar em plataformas que você não controla ensina uma lição sobre dependência

Sam­sung pode mudar políti­cas.

LG pode atu­alizar seu sis­tema.

Roku pode alter­ar req­ui­si­tos.

Google pode mod­i­ficar regras.

Toda empre­sa que con­strói sobre platafor­mas de ter­ceiros pre­cisa con­viv­er com isso.

Não con­tro­lam­os o ecos­sis­tema.

Essa real­i­dade tam­bém existe fora da tele­visão.

Quem con­strói audiên­cia exclu­si­va­mente no Insta­gram depende do Insta­gram.

Quem depende ape­nas do Google depende do Google.

Quem vende exclu­si­va­mente em um mar­ket­place depende daque­le mar­ket­place.

Quem con­strói soft­ware sobre deter­mi­na­da API pos­sui dependên­cia daque­la infraestru­tu­ra.

Isso não sig­nifi­ca evi­tar platafor­mas.

Platafor­mas cri­am opor­tu­nidades extra­ordinárias.

Mas sig­nifi­ca com­preen­der o risco.

Dis­tribuição empresta­da não dev­e­ria ser con­fun­di­da com patrimônio próprio.

Mar­ca.

Clientes.

Con­hec­i­men­to.

Soft­ware.

Dados.

Proces­sos.

Rela­ciona­men­tos.

Ess­es ativos pre­cisam exi­s­tir além da platafor­ma.

Produtos digitais nunca estão realmente terminados

Out­ro apren­diza­do sim­ples, mas impor­tante:

pub­licar não encer­ra o tra­bal­ho.

Sis­temas opera­cionais evoluem.

Dis­pos­i­tivos mudam.

APIs mudam.

Cer­ti­fi­ca­dos vencem.

Req­ui­si­tos apare­cem.

Clientes alter­am pro­du­tos.

Con­teú­do muda.

Usuários cri­am novas expec­ta­ti­vas.

Pro­du­to dig­i­tal é organ­is­mo vivo.

Essa talvez seja uma das maiores difer­enças entre con­stru­ir algo físi­co e con­stru­ir soft­ware.

Você não vende ape­nas aqui­lo que existe hoje.

Pre­cisa pen­sar tam­bém na capaci­dade de con­tin­uar existin­do aman­hã.

Depois de mais de 200 aplicativos, estas são as lições que ficaram

Se eu tivesse de con­den­sar anos de tra­bal­ho em algu­mas ideias cen­trais, seri­am estas:

  1. Tec­nolo­gia pre­cisa estar lig­a­da a um prob­le­ma real.
  2. Cliente com­pra resul­ta­do, não lin­guagem de pro­gra­mação.
  3. Exper­iên­cia do usuário depende do con­tex­to em que o pro­du­to é uti­liza­do.
  4. Mul­ti­platafor­ma exige con­sistên­cia, não cópia cega.
  5. Con­hec­i­men­to pre­cisa virar proces­so para exi­s­tir escala.
  6. Um pro­du­to é muito maior do que a inter­face visív­el.
  7. Dependên­cias exter­nas fazem parte da exper­iên­cia final.
  8. Comu­ni­cação é uma com­petên­cia téc­ni­ca de alto val­or.
  9. Pub­licar não sig­nifi­ca ter­mi­nar.
  10. Nen­hu­ma tec­nolo­gia sub­sti­tui uma estraté­gia ruim.

Essas lições foram con­struí­das aplica­ti­vo após aplica­ti­vo.

Prob­le­ma após prob­le­ma.

Cliente após cliente.

Platafor­ma após platafor­ma.

O maior aprendizado não foi sobre Smart TV

Quan­do olho para trás, talvez a prin­ci­pal con­clusão seja jus­ta­mente essa.

Eu pen­sa­va que esta­va apren­den­do Sam­sung.

Depois LG.

Depois Roku.

Depois out­ras platafor­mas.

Mas, na práti­ca, esta­va apren­den­do algo muito maior.

Esta­va apren­den­do pro­du­to.

Apren­den­do que soft­ware não existe iso­lada­mente.

Que clientes nem sem­pre con­seguem traduzir neces­si­dades em especi­fi­cações.

Que usuários não querem enten­der tec­nolo­gia.

Que platafor­mas mudam.

Que escala exige padroniza­ção.

Que comu­ni­cação reduz cus­to.

Que dis­tribuição impor­ta.

Que uma inter­face é ape­nas uma parte do pro­du­to.

Que tec­nolo­gia exce­lente sem mod­e­lo de negó­cio con­tin­ua sendo ape­nas tec­nolo­gia.

E que exper­iên­cia acu­mu­la­da pre­cisa se trans­for­mar em méto­do para real­mente cri­ar val­or.

ecnologia muda, fundamentos permanecem

Sam­sung Tizen con­tin­uará evoluin­do.

LG webOS con­tin­uará mudan­do.

Roku con­tin­uará atu­al­izan­do sua platafor­ma.

Android TV e Google TV con­tin­uarão avançan­do.

Novos dis­pos­i­tivos sur­girão.

Novos for­matos apare­cerão.

Inteligên­cia arti­fi­cial mudará pro­fun­da­mente a maneira como soft­ware é desen­volvi­do.

Mas algu­mas per­gun­tas per­manecerão.

Quem é o usuário?

Qual prob­le­ma esta­mos resol­ven­do?

Por que alguém uti­lizaria isso?

Como entreg­amos uma exper­iên­cia sim­ples?

Como trans­for­mamos tec­nolo­gia em resul­ta­do?

Como con­struí­mos algo que pos­sa evoluir?

Depois de anos tra­bal­han­do com difer­entes platafor­mas e par­tic­i­pan­do da pub­li­cação de mais de 200 aplica­tivos, perce­bi que essas per­gun­tas valem mais do que qual­quer frame­work.

Porque lin­gua­gens mudam.

SDKs mudam.

Platafor­mas mudam.

Fer­ra­men­tas mudam.

O fun­da­men­to per­manece: tec­nolo­gia só cria val­or quan­do con­segue trans­for­mar uma neces­si­dade humana ou empre­sar­i­al em uma solução que real­mente fun­ciona.

Talvez essa ten­ha sido a maior lição de todas.

Eu come­cei con­stru­in­do aplica­tivos para tele­vi­sores.

Com o tem­po, desco­bri que esta­va apren­den­do a con­stru­ir pro­du­tos.

E, quan­do enten­demos a difer­ença entre códi­go e pro­du­to, começamos tam­bém a com­preen­der a difer­ença entre tec­nolo­gia e negó­cio.

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