
Durante muitos anos, existia uma crença no mercado publicitário: a televisão estaria perdendo relevância para o celular.
O consumidor passou a carregar uma tela no bolso durante praticamente todo o dia.
Redes sociais capturaram horas de atenção.
YouTube, Instagram, TikTok e outras plataformas transformaram radicalmente a maneira como consumimos vídeo.
Serviços de streaming começaram a disputar espaço com emissoras tradicionais.
Diante de tudo isso, parecia natural imaginar que a televisão se tornaria uma tela secundária.
Só que aconteceu algo diferente.
A televisão não desapareceu.
Ela se conectou à internet.
E essa mudança transformou completamente seu papel.
A maior tela da casa deixou de ser apenas o lugar onde uma família assistia a uma programação definida por uma emissora e passou a funcionar como uma plataforma digital de entretenimento, distribuição, publicidade, dados, aplicativos e comércio.
É daí que surge a importância da Connected TV, ou CTV.
Não estamos simplesmente falando sobre assistir Netflix em uma televisão.
Estamos diante de uma transformação estrutural da mídia.
Em 2025, segundo estudo da Comscore apresentado em 2026, 67% da população digital brasileira já era espectadora de Connected TV, o equivalente a aproximadamente 88 milhões de brasileiros.
Dados divulgados pela Roku, também com base em estudo da Comscore para a América Latina, indicam que 67% dos internautas brasileiros vivem em domicílios com pelo menos uma TV conectada, enquanto 65% dos domicílios com CTV fazem streaming diariamente. O consumo médio informado chega a 4,3 horas por dia nesses domicílios.
Esses números ajudam a explicar por que anunciantes, plataformas, emissoras, fabricantes de televisores e empresas de tecnologia estão olhando novamente para a televisão.
Só que agora ela voltou diferente.
A TV ganhou inteligência digital.
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Afinal, o que é Connected TV?
Connected TV é qualquer televisão capaz de acessar conteúdos distribuídos pela internet.
Isso pode acontecer diretamente por meio de uma Smart TV ou através de dispositivos conectados ao aparelho.
Samsung Smart TV, LG Smart TV, Roku TV, Google TV e televisores equipados com outros sistemas são exemplos desse ecossistema.
Também entram nessa lógica dispositivos externos que transformam uma televisão em uma tela conectada.
O conceito importante não está necessariamente no aparelho.
Está na conexão.
Quando a televisão consegue acessar conteúdo digital por meio da internet, ela deixa de depender exclusivamente da radiodifusão tradicional.
A partir daí, o espectador pode abrir aplicativos, assistir streaming, acessar canais gratuitos, consumir vídeo sob demanda, utilizar plataformas de música, assistir YouTube e interagir com diferentes serviços.
O IAB Brasil define a TV conectada justamente como uma televisão capaz de transmitir vídeo digital por streaming, seja diretamente em uma Smart TV ou por meio de dispositivos conectados.
Essa transformação parece simples do ponto de vista do consumidor.
Ele apenas escolhe o que quer assistir.
Do ponto de vista da indústria de mídia, porém, a mudança é gigantesca.
A televisão deixou de ser apenas televisão
Durante décadas, havia uma diferença relativamente clara.
Televisão era televisão.
Internet era internet.
Publicidade digital acontecia no computador ou no celular.
Publicidade televisiva acontecia durante os intervalos da programação.
Essa fronteira desapareceu.
Uma televisão conectada pode possuir aplicativos.
Pode identificar sessões de consumo.
Pode receber publicidade distribuída digitalmente.
Pode exibir formatos interativos.
Pode integrar conteúdos gratuitos e pagos.
Pode permitir compra programática de mídia.
Pode utilizar dados para determinar que publicidade será exibida.
Pode levar um espectador diretamente para uma experiência comercial.
É por isso que pensar em CTV apenas como “streaming na televisão” subestima completamente sua importância.
CTV é a convergência entre televisão e internet.
E essa convergência reúne características que antes pertenciam a mundos diferentes.
A TV oferece tela grande, som, vídeo, contexto de entretenimento e capacidade de construir marca.
O digital oferece dados, segmentação, automação, mensuração e otimização.
Connected TV tenta combinar os dois.
O streaming já disputa a própria definição de televisão
Existe outro erro frequente quando falamos sobre streaming.
Tratá lo como algo paralelo à televisão.
Cada vez mais, streaming é televisão.
Nos Estados Unidos, onde o mercado possui mensuração extremamente detalhada, a Nielsen informou que o streaming atingiu 48,6% de todo o tempo de utilização da televisão em maio de 2026.
Em dezembro de 2025, o streaming já havia estabelecido um recorde de 47,5% do consumo total de TV medido pela Nielsen naquele país.
Esses números não podem ser transferidos diretamente para o Brasil porque os mercados possuem características diferentes.
Mas mostram uma mudança estrutural no comportamento das audiências.
As pessoas continuam diante da televisão.
O que mudou foi aquilo que aparece nela.
Netflix.
Prime Video.
Disney+.
YouTube.
Globoplay.
Roku.
Pluto TV.
Aplicativos de emissoras.
Canais FAST.
Streaming esportivo.
Aplicativos especializados.
Tudo começa a disputar espaço na mesma tela.
A televisão deixou de ser um canal.
Virou uma plataforma de plataformas.
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A maior tela continua ocupando o melhor lugar da casa
Existe um detalhe físico que muitas análises sobre mídia ignoram.
O celular é extremamente pessoal.
A televisão é ambiental.
Um smartphone geralmente fica a alguns centímetros do rosto de uma única pessoa.
A televisão normalmente ocupa uma posição privilegiada na sala.
Ela faz parte do ambiente.
Pode reunir casal, família ou amigos.
Isso cria um contexto de consumo completamente diferente.
No Brasil, dados reunidos pelo IAB Brasil apontam um comportamento relevante de consumo compartilhado. Segundo informações da Kantar IBOPE Media utilizadas pelo IAB, cerca de 19,99% do consumo analisado no Brasil envolve co viewing, ou seja, pessoas assistindo juntas.
Isso traz uma consequência interessante para publicidade.
Uma impressão publicitária exibida na televisão pode ser vista por mais de uma pessoa.
Em mídia digital tradicional, normalmente pensamos em uma tela para um indivíduo.
Na sala, essa matemática muda.
E existe ainda outro fator.
O ambiente da televisão tende a favorecer conteúdos audiovisuais mais longos e experiências de maior imersão.
Não significa que toda pessoa preste atenção integralmente à TV.
O celular continua disputando atenção.
Mas significa que a publicidade entra em um contexto completamente diferente daquele do feed.
O feed é infinito. A televisão possui outra dinâmica de atenção
Redes sociais são construídas em torno do movimento.
Você desliza.
Passa.
Ignora.
Volta.
Abre.
Fecha.
O próximo conteúdo está sempre a centímetros do dedo.
Na televisão, o comportamento é diferente.
A pessoa escolheu assistir algo.
Está diante de uma tela grande.
O conteúdo normalmente ocupa praticamente toda a área visual.
Isso cria uma oportunidade importante para marcas que estão enfrentando um dos maiores problemas do marketing atual:
a escassez de atenção.
Nos últimos anos, empresas aprenderam a competir por décimos de segundos em feeds.
Connected TV oferece uma alternativa.
Em vez de tentar colocar uma mensagem em um pequeno espaço dentro de uma tela cheia de estímulos, a marca pode ocupar a maior tela da casa.
É justamente essa combinação entre impacto audiovisual e capacidades digitais que torna CTV tão interessante.
O dinheiro publicitário começou a acompanhar a audiência
Quando a audiência muda, o investimento publicitário tende a seguir.
O IAB projetou para 2026, no mercado norte americano, crescimento de aproximadamente 13,8% no investimento publicitário em CTV, colocando o segmento entre os canais digitais de crescimento mais acelerado naquele ano.
O relatório de vídeo digital do IAB também estima que o investimento em vídeo digital ultrapasse US$ 80 bilhões em 2026 nos Estados Unidos.
Novamente, não devemos utilizar números norte americanos como se representassem o mercado brasileiro.
O que eles revelam é a direção da indústria.
O dinheiro não está simplesmente migrando da TV para a internet.
Parte dele está migrando para um ambiente que é simultaneamente televisão e internet.
Essa diferença é fundamental.
Da audiência de massa para a audiência endereçável
Uma das grandes vantagens históricas da televisão sempre foi alcance.
Uma campanha exibida em um grande canal conseguia atingir milhões de pessoas.
Mas havia uma limitação.
Grande parte dessas pessoas não necessariamente tinha interesse naquele produto.
No digital, a lógica mudou.
Anunciantes passaram a trabalhar com segmentos, comportamento, contexto e diferentes sinais.
A CTV aproxima esses dois mundos.
Uma campanha pode continuar aparecendo em uma televisão de 55 ou 65 polegadas, mas sua distribuição pode utilizar critérios digitais.
Isso cria a ideia de televisão endereçável.
Em vez de necessariamente mostrar a mesma publicidade para todas as casas, diferentes grupos podem receber mensagens diferentes.
Uma montadora pode priorizar determinados perfis.
Uma universidade pode concentrar investimento em regiões específicas.
Uma rede varejista pode trabalhar diferentes áreas geográficas.
Um aplicativo pode buscar públicos com maior afinidade com determinado conteúdo.
É televisão com lógica de mídia digital.
Dados transformaram a televisão em um ambiente de performance
Durante muito tempo, havia uma divisão bastante clara no marketing.
Televisão construía marca.
Digital gerava performance.
Essa divisão está ficando cada vez menos precisa.
CTV permite trabalhar campanhas com objetivos diferentes.
Reconhecimento.
Consideração.
Aquisição.
Retenção.
Conversão.
Instalação de aplicativos.
Visitas.
Vendas.
A Roku, por exemplo, já trabalha com formatos que permitem ao espectador realizar determinadas ações utilizando o controle remoto, aproximando televisão e comércio.
Isso ajuda a criar algo que há poucos anos parecia contraditório:
performance marketing na televisão.
Não significa que devemos avaliar CTV exatamente como avaliamos um anúncio de busca.
Não existe necessariamente um clique tradicional.
O consumidor pode assistir ao anúncio na TV e comprar pelo celular minutos ou horas depois.
Pode pesquisar a marca.
Pode abrir um aplicativo.
Pode entrar no site.
Pode visitar uma loja física.
A jornada acontece entre telas.
Por isso, medir Connected TV exige uma visão mais ampla.
A TV começou a influenciar resultados em outros canais
Outro aspecto particularmente interessante é que o impacto de CTV pode aparecer fora da própria televisão.
Em agosto de 2026, Roku e Amazon Ads divulgaram uma análise envolvendo mais de 400 marcas e campanhas executadas por meio da Amazon DSP.
Segundo o estudo, nos dias em que mídia de CTV da Roku estava ativa, outros canais do plano apresentaram aumento de 87% no ROAS em comparação com períodos sem CTV, depois do controle de diversas variáveis.
Esse é um estudo produzido por empresas diretamente interessadas no mercado de CTV, portanto seus resultados devem ser interpretados dentro desse contexto.
Mesmo assim, ele ilustra um fenômeno importante.
Uma pessoa pode ver sua marca na televisão e depois pesquisar no Google.
Pode ver um produto na TV e comprar pela Amazon.
Pode assistir ao anúncio e posteriormente clicar em uma campanha no Instagram.
Se analisarmos apenas o último clique, a influência da televisão pode desaparecer.
A jornada real do consumidor é mais complexa do que o relatório de uma única plataforma.
A TV pode se tornar parte do comércio digital
Durante décadas, um comercial terminava e o espectador precisava lembrar daquela marca.
Depois poderia procurar o produto.
Anotar um telefone.
Visitar uma loja.
A internet reduziu dramaticamente essa distância.
Connected TV pode reduzi la ainda mais.
QR Codes.
Aplicativos.
Interatividade.
Integrações comerciais.
Controles remotos.
Segundas telas.
Sistemas de identidade.
Tudo isso aproxima conteúdo e transação.
A grande tela pode começar uma jornada que termina segundos depois no smartphone.
E, à medida que sistemas de pagamento e identificação evoluírem, algumas compras poderão acontecer diretamente no ambiente televisivo.
Isso transforma CTV em algo maior do que mídia.
Ela pode se tornar uma interface comercial.
FAST Channels criaram outra porta de entrada
Existe ainda uma transformação acontecendo dentro do próprio streaming.
Durante alguns anos, o streaming parecia caminhar para um mundo completamente baseado em assinaturas.
O consumidor pagaria Netflix.
Disney+.
Prime Video.
Outros serviços.
O problema é que existe um limite para quantas assinaturas uma família está disposta a manter.
Foi aí que os modelos financiados por publicidade ganharam força.
Entre eles estão os chamados FAST Channels, canais gratuitos de streaming sustentados por anúncios.
FAST significa Free Ad Supported Streaming Television.
A experiência lembra a programação linear.
Você abre um canal e existe uma grade acontecendo naquele momento.
A diferença é que tudo chega pela internet.
Plataformas como Pluto TV, Samsung TV Plus, LG Channels, Roku e outros ecossistemas ajudaram a acelerar esse modelo.
Em 2026, o avanço de FAST e AVOD continuava sendo apontado pelo IAB Brasil como uma das forças que expandem a Connected TV na América Latina.
Para quem possui conteúdo, isso cria novas possibilidades.
Uma biblioteca que antes permanecia parada pode ganhar um canal.
Um grupo de mídia pode criar verticais.
Esportes.
Notícias.
Filmes.
Conteúdo infantil.
Música.
Lifestyle.
Conteúdo regional.
A TV conectada abre espaço para que empresas pensem novamente em programação.
O aplicativo de Smart TV virou um ativo estratégico
Esse talvez seja um dos pontos menos discutidos quando falamos sobre CTV.
Para uma empresa de mídia, não basta apenas colocar vídeos na internet.
Existe uma enorme diferença entre estar disponível no navegador e possuir presença direta na televisão.
Quando uma empresa possui seu próprio aplicativo para Smart TV, ela ganha um ponto de contato dentro do ambiente de entretenimento da casa.
Samsung Tizen.
LG webOS.
Roku.
Google TV.
Android TV.
Fire TV.
Apple TV.
Cada ecossistema possui suas características, requisitos técnicos e modelos de distribuição.
Mas todos representam algo importante:
presença na primeira tela.
Uma emissora regional pode levar sua programação para fora da área tradicional de transmissão.
Uma TV independente pode construir distribuição nacional.
Uma empresa pode organizar canais ao vivo e conteúdos sob demanda.
Uma igreja pode transmitir sua programação.
Uma universidade pode oferecer conteúdo educacional.
Um clube esportivo pode criar sua própria experiência audiovisual.
Uma produtora pode distribuir catálogo diretamente ao consumidor.
A televisão conectada reduziu drasticamente a barreira tecnológica que antes separava grandes redes de pequenos produtores de conteúdo.
CTV transforma distribuição local em distribuição global
Na televisão tradicional, distribuição sempre esteve associada a infraestrutura.
Transmissores.
Satélite.
Operadoras.
Cobertura geográfica.
Licenças.
Na Connected TV, a internet muda essa lógica.
Um aplicativo pode ser distribuído para milhares ou milhões de televisores sem construir uma rede física de transmissão em cada cidade.
Isso é particularmente importante para conteúdos de nicho.
Uma audiência pequena em cada cidade pode formar uma audiência relevante quando reunida nacionalmente.
Conteúdo regional.
Religioso.
Esportivo.
Educacional.
Étnico.
Corporativo.
Temático.
O modelo econômico da TV conectada permite atender públicos que anteriormente talvez fossem pequenos demais para justificar um canal tradicional.
A tela inicial virou um novo território publicitário
Existe publicidade na televisão antes mesmo de o espectador apertar play.
Os sistemas operacionais das Smart TVs transformaram a home screen em mídia.
Quando o usuário liga a TV, encontra recomendações, aplicativos, conteúdos e banners.
Isso significa que fabricantes e plataformas controlam um dos momentos mais valiosos da jornada:
a decisão sobre o que assistir.
Roku publicou em 2026 um estudo realizado com a Omnicom Media Intelligence indicando que a combinação entre publicidade na tela inicial e publicidade em vídeo apresentou ganhos em métricas como pesquisa pela marca, lembrança e intenção de compra.
A importância estratégica disso é enorme.
Durante décadas, emissoras disputaram canais.
Agora plataformas disputam a porta de entrada da televisão.
Quem controla a tela inicial influencia descoberta.
E descoberta é poder.
Inteligência artificial também chegará à televisão
A próxima etapa provavelmente será ainda mais interessante.
Recomendação de conteúdo já utiliza algoritmos há anos.
Mas inteligência artificial generativa abre outras possibilidades.
Busca conversacional.
“Mostre uma comédia brasileira que eu possa assistir com meus filhos.”
“Quero os principais gols da rodada.”
“Continue aquela série que eu estava assistindo.”
“Encontre um documentário sobre inteligência artificial.”
A interface da televisão pode se tornar cada vez menos dependente de menus.
Ao mesmo tempo, IA pode ser utilizada na publicidade para seleção de criativos, personalização, otimização de campanhas, análise de desempenho e produção de variações.
Isso fará com que televisão e publicidade digital fiquem ainda mais próximas.
Dados são oportunidade, mas também responsabilidade
CTV utiliza dados.
E justamente por isso precisa lidar seriamente com privacidade.
Informações sobre consumo de conteúdo podem revelar hábitos extremamente particulares.
Portanto, empresas que trabalham nesse mercado precisam considerar consentimento, transparência, segurança e legislação.
No Brasil, a LGPD desempenha papel fundamental.
Também existe um desafio crescente relacionado à identidade.
Uma casa pode possuir diversas pessoas utilizando a mesma TV.
Uma pessoa pode assistir em televisão, celular, tablet e computador.
Como saber se estamos alcançando novas pessoas ou repetindo a mesma exposição?
Esse é um dos grandes desafios de mensuração cross media.
O próprio Guia de Vídeo Digital, Streaming e TV Conectada do IAB Brasil de 2026 destaca privacidade, dados de primeira parte e unificação das métricas entre plataformas digitais e lineares entre os principais temas do setor.
Connected TV não deve ser tratada como um Instagram gigante
Existe uma tentação perigosa.
Pegar um vídeo produzido para celular e simplesmente colocá lo na televisão.
Isso ignora completamente o ambiente.
O celular costuma ser vertical.
A TV normalmente é horizontal.
No celular, texto grande pode dominar o criativo.
Na televisão, imagem, movimento, som e narrativa ganham outra dimensão.
No celular, muitas pessoas assistem sem áudio.
Na sala, som faz parte da experiência.
No feed, você disputa atenção em frações de segundo.
Na televisão, você entra no contexto de um conteúdo escolhido.
Criativo para Connected TV precisa ser pensado para televisão.
Mas também precisa aproveitar os recursos do digital.
Essa combinação é justamente o desafio.
O grande problema ainda é mensuração
Se Connected TV é tão poderosa, por que nem todo anunciante já transferiu grandes parcelas do orçamento para ela?
Uma das respostas é mensuração.
O ecossistema ainda é fragmentado.
Fabricantes.
Plataformas.
Aplicativos.
Serviços de streaming.
DSPs.
Publishers.
Emissoras.
Cada participante pode possuir dados e metodologias diferentes.
O IAB Tech Lab identificou inclusive uma ampla variedade de formatos publicitários em CTV e apontou a falta de padronização como uma barreira para escala programática.
O mercado precisa avançar em métricas que permitam responder perguntas fundamentais.
Quantas pessoas realmente viram?
Qual foi a frequência?
Quantas eram novas?
Qual impacto sobre busca?
Qual impacto sobre vendas?
Qual contribuição para outros canais?
Qual foi o alcance incremental em relação à TV tradicional?
À medida que essas respostas ficarem melhores, o investimento tende a crescer.
E o Brasil está entrando em uma transformação ainda maior com a TV 3.0
Existe um elemento adicional que torna o momento brasileiro especialmente interessante.
A implantação da TV 3.0, também conhecida como DTV+, começa a aproximar ainda mais radiodifusão e internet.
O padrão tecnológico foi oficializado pelo Decreto nº 12.595, de 27 de agosto de 2025.
Em 2026, estações experimentais já estavam operando dentro do processo de implantação.
Segundo o Ministério das Comunicações, a TV 3.0 permitirá integração nativa com a internet, melhor qualidade audiovisual, interatividade e novos modelos comerciais.
O governo cita explicitamente possibilidades relacionadas a publicidade direcionada e comércio eletrônico.
Isso é importantíssimo.
A divisão entre “TV aberta” e “TV conectada” pode se tornar cada vez menos evidente para o consumidor.
A televisão do futuro poderá combinar transmissão aberta, internet, aplicativos e interatividade dentro de uma experiência integrada.
A convergência que já acontece através das Smart TVs passará a fazer parte também da evolução tecnológica da própria radiodifusão brasileira.
Quem deveria prestar atenção em Connected TV agora?
Connected TV não é relevante apenas para grandes anunciantes.
É estratégica para praticamente qualquer empresa que dependa de vídeo, audiência ou construção de marca.
Emissoras precisam pensar em distribuição digital.
Produtoras precisam pensar em aplicativos e canais FAST.
Agências precisam entender compra de mídia em CTV.
Varejistas precisam acompanhar a evolução do commerce na televisão.
Marcas precisam avaliar alcance incremental.
Clubes esportivos precisam pensar em distribuição direta.
Empresas regionais precisam perceber que a barreira geográfica diminuiu.
Criadores precisam acompanhar a migração de conteúdo para a grande tela.
Desenvolvedores precisam entender os diferentes sistemas operacionais de Smart TV.
E anunciantes precisam parar de pensar que televisão significa necessariamente comprar mídia exatamente como faziam vinte anos atrás.
O que uma estratégia de Connected TV precisa considerar
Uma estratégia consistente deve conectar alguns elementos fundamentais: objetivo de negócio, audiência, plataforma, formato, criativo, frequência, mensuração, presença em aplicativos, qualidade do conteúdo, modelo de monetização e integração com celular, web e outros canais.
Não existe uma única estratégia válida para todos.
Uma emissora possui necessidades diferentes de um e commerce.
Um serviço de streaming possui necessidades diferentes de uma rede varejista.
Uma empresa que deseja alcance nacional possui necessidades diferentes de um negócio regional.
O erro é começar pela tecnologia.
A pergunta não deveria ser:
“Como entro na CTV?”
A pergunta deveria ser:
“Qual papel a maior tela da casa pode desempenhar no meu negócio?”
A partir daí, tecnologia, mídia e conteúdo podem ser escolhidos com muito mais inteligência.
A próxima batalha da mídia será pela tela da sala
Durante a última década, boa parte da disputa digital aconteceu no celular.
Quem controla o feed?
Quem controla a busca?
Quem controla o aplicativo?
Quem controla a atenção?
Na próxima fase, uma batalha semelhante acontece dentro da televisão.
Samsung.
LG.
Roku.
Google.
Amazon.
Apple.
Netflix.
YouTube.
Disney.
Emissoras.
Serviços FAST.
Todos querem ocupar uma posição privilegiada na experiência da grande tela.
Isso não acontece por acaso.
A televisão reúne algumas das características mais valiosas da mídia:
📺 grande impacto visual, 👥 consumo compartilhado, 🎬 vídeo premium, 📊 dados digitais, 🎯 segmentação, 🌐 distribuição pela internet, 💰 publicidade, 🛒 potencial comercial e 🧠 sistemas inteligentes de recomendação.
É uma combinação difícil de encontrar em outra tela.
A televisão não voltou. Ela evoluiu.
Dizer que “a televisão voltou” é uma forma conveniente de explicar o fenômeno.
Mas tecnicamente não é exatamente isso.
A televisão nunca saiu da casa.
O que aconteceu foi mais interessante.
A internet entrou dentro dela.
E quando isso aconteceu, a maior tela da casa ganhou características que antes pertenciam quase exclusivamente ao computador e ao smartphone.
Aplicativos.
Dados.
Streaming.
Segmentação.
Interatividade.
Programática.
Personalização.
Mensuração.
Comércio.
Inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, ela preservou aquilo que sempre tornou a televisão poderosa.
Imagem grande.
Som.
Narrativa audiovisual.
Entretenimento.
Presença na sala.
Consumo compartilhado.
Impacto de marca.
É essa combinação que torna Connected TV estratégica.
Para os consumidores, provavelmente haverá cada vez menos preocupação em saber se algo chegou pela antena, pela internet, por um canal FAST ou por um aplicativo.
Será simplesmente televisão.
Para as empresas, porém, compreender o que existe por trás dessa tela será fundamental.
Porque a televisão deixou de ser apenas um ponto final onde um conteúdo é exibido.
Ela está se transformando em plataforma.
Plataforma de conteúdo.
Plataforma de publicidade.
Plataforma de distribuição.
Plataforma de dados.
Plataforma de relacionamento.
E, cada vez mais, plataforma de negócios.
Em um mundo no qual marcas disputam segundos de atenção em telas pequenas, a maior tela da casa voltou ao centro da estratégia por uma razão simples:
ela consegue oferecer o impacto da televisão com parte da inteligência do digital.
Essa combinação muda a lógica da mídia.
E provavelmente estamos apenas começando a descobrir o que acontece quando a televisão deixa de ser somente uma tela para assistir e passa a ser uma tela capaz de entender, distribuir, medir e gerar negócios.