A próxima geração de negócios será construída com IA, dados e novas telas

Descubra como IA, dados, Smart TVs, streaming e novas telas estão criando a próxima geração de negócios digitais, produtos e experiências.

Durante muito tem­po, cada grande trans­for­mação tec­nológ­i­ca pare­ceu ter um pro­tag­o­nista clara­mente definido.

Primeiro vier­am os com­puta­dores pes­soais.

Depois, a inter­net.

Em segui­da, os smart­phones.

Mais recen­te­mente, a com­putação em nuvem, as redes soci­ais e o stream­ing mudaram nova­mente a maneira como empre­sas encon­tram clientes, desen­volvem pro­du­tos e con­stroem rela­ciona­men­tos.

Ago­ra esta­mos entran­do em uma trans­for­mação difer­ente.

Des­ta vez, talvez não exista uma úni­ca tec­nolo­gia respon­sáv­el pela mudança.

A próx­i­ma ger­ação de negó­cios será con­struí­da pela con­vergên­cia entre Inteligên­cia Arti­fi­cial, dados e novas telas.

A Inteligên­cia Arti­fi­cial será respon­sáv­el por inter­pre­tar, decidir, cri­ar e autom­a­ti­zar.

Os dados fun­cionarão como memória, con­tex­to e matéria pri­ma para essas decisões.

E as telas serão os pon­tos de con­ta­to por meio dos quais pes­soas, empre­sas, sis­temas e inteligên­cias arti­fi­ci­ais irão inter­a­gir.

Não esta­mos falan­do ape­nas da tela do com­puta­dor.

Esta­mos falan­do do smart­phone, da Smart TV, do automóv­el conec­ta­do, de dis­pos­i­tivos vestíveis, painéis dig­i­tais, equipa­men­tos indus­tri­ais, inter­faces de real­i­dade aumen­ta­da e de qual­quer ambi­ente capaz de se trans­for­mar em pon­to de aces­so a serviços dig­i­tais.

O negó­cio do futuro não estará nec­es­sari­a­mente den­tro de uma loja, de um site ou de um aplica­ti­vo.

Ele poderá estar onde o cliente estiv­er.

Essa mudança parece sim­ples quan­do descri­ta dessa maneira.

Na práti­ca, ela altera pro­fun­da­mente mar­ket­ing, ven­das, atendi­men­to, pro­du­to, mídia, soft­ware, pub­li­ci­dade e até a própria estru­tu­ra das empre­sas.

A IA está deixando de ser uma ferramenta e se tornando uma camada do negócio

Nos primeiros anos da Inteligên­cia Arti­fi­cial gen­er­a­ti­va, grande parte das empre­sas uti­li­zou IA como uma espé­cie de assis­tente.

Cri­ar um tex­to.

Resumir um doc­u­men­to.

Respon­der um e‑mail.

Pro­duzir uma imagem.

Ger­ar algu­mas lin­has de códi­go.

Esse foi ape­nas o começo.

O próx­i­mo está­gio con­siste em colo­car Inteligên­cia Arti­fi­cial den­tro dos proces­sos empre­sari­ais.

A pesquisa glob­al da McK­in­sey pub­li­ca­da em 2025 mostrou que mais de três quar­tos das orga­ni­za­ções pesquisadas já uti­lizavam algum tipo de IA em pelo menos uma função empre­sar­i­al. O uso reg­u­lar de IA gen­er­a­ti­va tam­bém havia alcança­do 71% das orga­ni­za­ções pesquisadas. Mais impor­tante do que a adoção, porém, era a con­statação de que as empre­sas que bus­cav­am resul­ta­dos maiores estavam redesen­han­do flux­os de tra­bal­ho, gov­er­nança e respon­s­abil­i­dades, em vez de sim­ples­mente adi­cionar uma fer­ra­men­ta ao proces­so anti­go.

Veja a pesquisa State of AI da McK­in­sey

Essa dis­tinção será fun­da­men­tal.

Imag­ine duas empre­sas.

A primeira ofer­ece aos fun­cionários aces­so a uma fer­ra­men­ta de IA.

A segun­da conec­ta IA ao CRM, ao históri­co de ven­das, ao estoque, ao atendi­men­to, às cam­pan­has, aos doc­u­men­tos inter­nos e às regras do negó­cio.

A primeira gan­hou uma fer­ra­men­ta.

A segun­da começou a con­stru­ir uma empre­sa inteligente.

É essa segun­da arquite­tu­ra que tende a definir a próx­i­ma ger­ação de negó­cios.

Em out­ro arti­go, apro­fun­dei jus­ta­mente essa difer­ença entre uti­lizar IA pon­tual­mente e incor­po­rar inteligên­cia à estraté­gia da orga­ni­za­ção. Leia tam­bém: Como impactar seu negó­cio com Inteligên­cia Arti­fi­cial

Os agentes de IA começam a mudar a própria estrutura das empresas

Existe ain­da out­ra trans­for­mação acon­te­cen­do.

A IA está pas­san­do da ger­ação de con­teú­do para a exe­cução de tare­fas.

Entramos na era dos agentes.

Um agente de IA pode rece­ber um obje­ti­vo, pesquis­ar infor­mações, con­sul­tar sis­temas, anal­is­ar dados, exe­cu­tar eta­pas e retornar um resul­ta­do.

Isso muda o papel da inteligên­cia arti­fi­cial den­tro das orga­ni­za­ções.

Ela deixa de ser ape­nas algo que responde per­gun­tas.

Pas­sa a par­tic­i­par do tra­bal­ho.

O Work Trend Index de 2026 da Microsoft mostra essa evolução. Entre usuários pesquisa­dos, 66% afir­maram que a IA per­mi­tiu dedicar mais tem­po a ativi­dades de maior val­or, enquan­to 58% dis­ser­am pro­duzir tra­bal­hos que não con­seguiri­am realizar um ano antes. A pesquisa tam­bém apon­ta para orga­ni­za­ções que estão começan­do a doc­u­men­tar flux­os entre humanos e agentes, padrões de qual­i­dade e respon­s­abil­i­dades.

Con­heça o Work Trend Index 2026 da Microsoft

O impacto pode ser espe­cial­mente rel­e­vante para peque­nas empre­sas.

Durante décadas, crescer sig­nifi­cou con­tratar pro­por­cional­mente mais pes­soas.

Mais clientes exi­giam mais atendi­men­to.

Mais con­teú­do exi­gia mais pro­dução.

Mais pro­du­tos exi­giam mais admin­is­tração.

Mais ven­das exi­giam mais oper­ação.

Agentes dig­i­tais começam a mod­i­ficar essa relação.

Uma peque­na orga­ni­za­ção poderá pos­suir agentes espe­cial­iza­dos em pesquisa, suporte, mar­ket­ing, doc­u­men­tação, análise de dados e oper­ações.

Isso não elim­i­na a importân­cia humana.

Ao con­trário.

Aumen­ta a importân­cia de quem con­segue definir obje­tivos, avaliar resul­ta­dos e coor­denar inteligên­cia.

Sem dados, a Inteligência Artificial fica praticamente cega

Existe, porém, uma peça fre­quente­mente esque­ci­da nes­sa trans­for­mação.

Os dados.

Uma empre­sa pode con­tratar exce­lentes mod­e­los de Inteligên­cia Arti­fi­cial e ain­da assim pro­duzir resul­ta­dos ruins.

Por quê?

Porque inteligên­cia sem con­tex­to tem pouco val­or empre­sar­i­al.

Um mod­e­lo pode con­hecer mil­hões de con­ceitos e ain­da não saber:

quem é seu cliente;

o que ele com­prou;

qual pro­du­to está disponív­el;

qual cam­pan­ha apre­sen­tou mel­hor con­ver­são;

qual atendi­men­to ocor­reu ontem;

qual é a políti­ca com­er­cial;

qual margem deter­mi­na­do pro­du­to pos­sui;

qual con­teú­do aque­le usuário pref­ere.

É aí que os dados próprios da orga­ni­za­ção se tor­nam estratégi­cos.

A McK­in­sey chamou atenção para esse prob­le­ma em jun­ho de 2026 ao destacar que, con­forme as empre­sas ten­tam trans­for­mar pro­je­tos de IA em apli­cações de escala, a preparação dos dados está se tor­nan­do um dos prin­ci­pais gar­ga­los. Sis­temas de IA pre­cisam tra­bal­har com dados estru­tu­ra­dos e não estru­tu­ra­dos, gov­er­na­dos e reuti­lizáveis, para que agentes pos­sam agir de for­ma con­fiáv­el.

Leia a análise da McK­in­sey sobre preparação de dados para IA

A próx­i­ma van­tagem com­pet­i­ti­va provavel­mente não estará ape­nas em ter aces­so ao mel­hor mod­e­lo de IA.

Muitos con­cor­rentes terão aces­so aos mes­mos mod­e­los.

A van­tagem estará em com­bi­nar ess­es mod­e­los com dados que os con­cor­rentes não pos­suem.

Históri­co de rela­ciona­men­to.

Com­por­ta­men­to dos clientes.

Prefer­ên­cias.

Con­teú­do próprio.

Con­hec­i­men­to opera­cional.

Dados de pro­du­to.

Dados com­er­ci­ais.

Infor­mações acu­mu­ladas durante anos.

Esse con­jun­to cria con­tex­to pro­pri­etário.

E con­tex­to pro­pri­etário pode cri­ar inteligên­cia pro­pri­etária.

Dados também significam responsabilidade

Quan­to maior for a uti­liza­ção de dados, maior será a neces­si­dade de gov­er­nança.

Não existe futuro sus­ten­táv­el para negó­cios inteligentes basea­do sim­ples­mente em cole­tar tudo o que for pos­sív­el sobre as pes­soas.

Pri­vaci­dade, con­sen­ti­men­to, segu­rança, qual­i­dade e uso respon­sáv­el pre­cis­arão faz­er parte da arquite­tu­ra des­de o iní­cio.

Uma empre­sa ori­en­ta­da por IA dev­erá saber não ape­nas quais dados pos­sui, mas onde eles estão, quem pode acessá-los, por quan­to tem­po per­manecem armazena­dos e para quais decisões podem ser uti­liza­dos.

Isso não é buro­c­ra­cia.

É infraestru­tu­ra de con­fi­ança.

Em um ambi­ente em que algo­rit­mos começam a tomar decisões, recomen­dar pro­du­tos e exe­cu­tar tare­fas, dados incor­re­tos podem pro­duzir erros em escala.

Quan­to mais inteligente se tor­na o sis­tema, mais impor­tante se tor­na a qual­i­dade da infor­mação que ali­men­ta esse sis­tema.

📺 A terceira peça da transformação: as novas telas

Enquan­to o mun­do dis­cute Inteligên­cia Arti­fi­cial, out­ra trans­for­mação silen­ciosa con­tin­ua acon­te­cen­do.

As telas estão se mul­ti­pli­can­do.

Durante décadas, exis­ti­am três meios dig­i­tais prin­ci­pais.

Com­puta­dor.

Celu­lar.

Tele­visão.

Essa divisão está desa­pare­cen­do.

Hoje um mes­mo usuário começa uma exper­iên­cia no celu­lar, con­tin­ua no com­puta­dor, assiste na tele­visão e pode rece­ber uma inter­ação com­ple­men­tar em um dis­pos­i­ti­vo vestív­el.

O con­ceito de canal começa a perder importân­cia.

O que pas­sa a impor­tar é a con­tinuidade da exper­iên­cia.

A tele­visão é um exce­lente exem­p­lo dessa trans­for­mação.

Em dezem­bro de 2025, o stream­ing rep­re­sen­tou 47,5% de todo o con­sumo de tele­visão medi­do pela Nielsen nos Esta­dos Unidos, o maior per­centu­al reg­istra­do até então pelo The Gauge. O mes­mo relatório mostrou recordes indi­vid­u­ais de platafor­mas como Net­flix, Prime Video e The Roku Chan­nel.

Veja os dados do The Gauge da Nielsen

Isso sig­nifi­ca algo maior do que a sub­sti­tu­ição da tele­visão tradi­cional pelo stream­ing.

Sig­nifi­ca que a maior tela da casa se trans­for­mou em platafor­ma de soft­ware.

Uma Smart TV pos­sui sis­tema opera­cional.

Aplica­tivos.

Iden­ti­dade do usuário.

Pub­li­ci­dade.

Recomen­dação.

Dados.

Stream­ing.

Comér­cio.

Inte­gração com out­ros dis­pos­i­tivos.

Em out­ras palavras, a tele­visão começou a adquirir car­ac­terís­ti­cas semel­hantes às que fiz­er­am do smart­phone uma platafor­ma econômi­ca.

Quem quis­er enten­der mel­hor essa trans­for­mação pode con­sul­tar meu guia sobre o ecos­sis­tema de Smart TVs. Smart TVs: guia com­ple­to para usuários, cri­adores e desen­volve­dores

A tela deixa de ser destino e passa a ser contexto

Essa talvez seja uma das mudanças con­ceitu­ais mais impor­tantes.

Empre­sas cos­tu­mavam pen­sar assim:

“Pre­cisamos ter um site.”

Depois:

“Pre­cisamos ter um aplica­ti­vo.”

Mais tarde:

“Pre­cisamos estar nas redes soci­ais.”

Ago­ra a per­gun­ta começa a mudar.

Qual é a mel­hor inter­face para aten­der este usuário neste momen­to?

Em algu­mas situ­ações será o smart­phone.

Em out­ras, uma Smart TV.

Em out­ras, o painel de um automóv­el.

Em out­ras, uma inter­face de voz.

Em out­ras, talvez nem exista uma inter­face visu­al tradi­cional.

A Inteligên­cia Arti­fi­cial pode aju­dar a decidir qual exper­iên­cia, men­sagem ou serviço deve apare­cer em cada con­tex­to.

Essa com­bi­nação cria aqui­lo que poderíamos chamar de negó­cio ambi­en­tal.

O negó­cio deixa de depen­der de um úni­co pon­to de entra­da.

Ele começa a exi­s­tir dis­tribuí­do pelo ambi­ente dig­i­tal.

IA + dados + telas = personalização em escala

Quan­do essas três forças se encon­tram, surge algo extrema­mente poderoso.

Per­son­al­iza­ção con­tínua.

Imag­ine uma platafor­ma de edu­cação.

O sis­tema con­hece o históri­co do aluno por meio dos dados.

A IA iden­ti­fi­ca difi­cul­dades, rit­mo de apren­diza­gem e inter­ess­es.

No celu­lar, ofer­ece uma ativi­dade cur­ta.

No com­puta­dor, apre­sen­ta uma aula mais detal­ha­da.

Na Smart TV, sug­ere uma exper­iên­cia audio­vi­su­al para assi­s­tir com con­for­to.

A mes­ma lóg­i­ca pode ser apli­ca­da a vare­jo, entreten­i­men­to, serviços finan­ceiros, tur­is­mo, treina­men­to cor­po­ra­ti­vo e inúmeros out­ros setores.

Nesse cenário, a tela deixa de ser ape­nas um lugar onde con­teú­do aparece.

Ela se trans­for­ma em um pon­to inteligente de rela­ciona­men­to.

A exper­iên­cia pas­sa a con­sid­er­ar três per­gun­tas:

Quem é este usuário?

Qual é o con­tex­to atu­al?

Qual é a mel­hor ação neste momen­to?

Dados respon­dem a primeira.

Sen­sores e con­tex­to aju­dam na segun­da.

IA decide ou recomen­da a ter­ceira.

📣 O marketing também muda completamente

Durante décadas, mar­ket­ing dig­i­tal foi con­struí­do ao redor de cam­pan­has.

Uma empre­sa cri­a­va uma men­sagem.

Sele­ciona­va um públi­co.

Com­pra­va mídia.

Exib­ia anún­cios.

Media con­ver­sões.

A próx­i­ma ger­ação será muito mais dinâmi­ca.

A Inteligên­cia Arti­fi­cial poderá pro­duzir vari­ações de con­teú­do, anal­is­ar respos­ta, reor­ga­ni­zar orça­men­to, iden­ti­ficar seg­men­tos e adap­tar men­sagens con­tin­u­a­mente.

O dado deixa de ser ape­nas algo uti­liza­do depois da cam­pan­ha para medir desem­pen­ho.

Pas­sa a faz­er parte da cam­pan­ha enquan­to ela acon­tece.

Esse movi­men­to já é per­cep­tív­el no mer­ca­do de mídia. A Deloitte obser­va que platafor­mas soci­ais con­struíram mod­e­los extrema­mente efi­cientes uti­lizan­do algo­rit­mos, grandes vol­umes de dados e tec­nolo­gias pub­lic­itárias avançadas para conec­tar anun­ciantes a audiên­cias. Ao mes­mo tem­po, stream­ing e Con­nect­ed TV estão aumen­tan­do sua importân­cia den­tro do ecos­sis­tema pub­lic­itário.

Em out­ro con­teú­do, anali­sei como a Inteligên­cia Arti­fi­cial já pode par­tic­i­par de con­teú­do, e mail, anún­cios, atendi­men­to e ofer­tas per­son­al­izadas. Leia: Inteligên­cia Arti­fi­cial no Mar­ket­ing

A con­se­quên­cia é clara.

Mar­ket­ing deixa pro­gres­si­va­mente de ser ape­nas comu­ni­cação.

Pas­sa a ser sis­tema de apren­diza­do.

👀 Estamos entrando em uma economia de atenção multiplataforma

Existe um recur­so que nen­hu­ma tec­nolo­gia con­segue mul­ti­plicar.

Tem­po humano.

Uma pes­soa con­tin­ua pos­suin­do aprox­i­mada­mente 24 horas por dia.

Por­tan­to, quan­to maior for a quan­ti­dade de con­teú­dos, aplica­tivos, platafor­mas e serviços, maior será a dis­pu­ta pela atenção.

O desafio das empre­sas não será ape­nas apare­cer.

Será ser rel­e­vante no momen­to cer­to.

A Deloitte esti­ma que con­sum­i­dores pesquisa­dos nos Esta­dos Unidos dis­tribuam aprox­i­mada­mente seis horas diárias entre difer­entes for­mas de mídia e entreten­i­men­to. Esse tem­po não cresce sim­ples­mente porque novas platafor­mas apare­cem. Elas pre­cisam dis­putar parce­las do mes­mo recur­so lim­i­ta­do.

Esse fenô­meno aju­da a explicar por que stream­ing, redes soci­ais, games, pod­casts e tele­visão conec­ta­da começam a con­ver­gir.

Todos dis­putam atenção.

Explor­ei esse tema em pro­fun­di­dade no arti­go sobre Econo­mia da Atenção no Stream­ing.

A empre­sa vence­do­ra talvez não seja aque­la que cria mais con­teú­do.

Será aque­la que con­segue com­preen­der mel­hor quan­do merece a atenção do usuário.

Novas telas também criarão novos modelos de comércio

Há out­ra con­se­quên­cia impor­tante.

Quan­do uma tela se tor­na inteligente, conec­ta­da e iden­ti­ficáv­el, ela pode se trans­for­mar em pon­to com­er­cial.

Imag­ine assi­s­tir a um pro­gra­ma de culinária na tele­visão e com­prar um ingre­di­ente dire­ta­mente pela inter­face.

Assi­s­tir a um even­to esporti­vo e adquirir uma camise­ta.

Ver uma viagem e solic­i­tar uma cotação.

Par­tic­i­par de um treina­men­to cor­po­ra­ti­vo e rece­ber auto­mati­ca­mente mate­ri­ais com­ple­mentares.

Assi­s­tir a uma aula e con­tin­uar um exer­cí­cio no smart­phone.

Essas exper­iên­cias reduzem a dis­tân­cia entre con­teú­do e transação.

Durante décadas, a pub­li­ci­dade na tele­visão pre­cisa­va con­vencer alguém a lem­brar da mar­ca e realizar uma ação pos­te­ri­or­mente.

A tele­visão conec­ta­da reduz essa dis­tân­cia.

Con­teú­do, dados, pub­li­ci­dade e comér­cio começam a ocu­par o mes­mo ecos­sis­tema.

Essa evolução aju­da a explicar o cres­cente inter­esse em mod­e­los FAST, aplica­tivos próprios e mon­e­ti­za­ção em Smart TVs. Veja tam­bém: Como gan­har din­heiro com Stream­ing e Smart TVs

As empresas precisarão deixar de pensar em departamentos isolados

Essa con­vergên­cia tam­bém colo­ca pressão sobre a estru­tu­ra tradi­cional das orga­ni­za­ções.

Mar­ket­ing pos­sui seus dados.

Ven­das pos­sui out­ros.

Atendi­men­to man­tém out­ro históri­co.

Pro­du­to pos­sui teleme­tria.

TI man­tém sis­temas.

Finan­ceiro pos­sui infor­mações transa­cionais.

Enquan­to ess­es dados per­manecerem iso­la­dos, a Inteligên­cia Arti­fi­cial enx­er­gará ape­nas partes do cliente.

A próx­i­ma ger­ação de empre­sas pre­cis­ará tra­bal­har com uma visão mais integra­da.

Isso não sig­nifi­ca colo­car tudo em uma gigan­tesca base sem regras.

Sig­nifi­ca per­mi­tir que dados cor­re­tos sejam encon­tra­dos e uti­liza­dos pela pes­soa ou pelo sis­tema cor­re­to no momen­to necessário.

A empre­sa pas­sa a fun­cionar mais como uma rede de con­hec­i­men­to.

Nesse ambi­ente, a arquite­tu­ra de dados deixa de ser ape­nas respon­s­abil­i­dade téc­ni­ca.

Tor­na-se uma decisão estratég­i­ca.

Pequenas empresas podem ganhar uma oportunidade histórica

Existe um aspec­to par­tic­u­lar­mente inter­es­sante nes­sa trans­for­mação.

Grandes empre­sas pos­suem dados, cap­i­tal e estru­turas gigan­tescas.

Mas tam­bém pos­suem sis­temas anti­gos, proces­sos com­plex­os e inúmeras camadas de decisão.

Peque­nas empre­sas pos­suem menos recur­sos.

Por out­ro lado, con­seguem mudar mais rap­i­da­mente.

A democ­ra­ti­za­ção da Inteligên­cia Arti­fi­cial cria uma opor­tu­nidade inco­mum.

Uma equipe peque­na pode uti­lizar sis­temas que ante­ri­or­mente exi­giri­am depar­ta­men­tos inteiros.

Pode autom­a­ti­zar atendi­men­to.

Anal­is­ar mer­ca­do.

Cri­ar soft­ware.

Pro­duzir cam­pan­has.

Mon­i­torar dados.

Orga­ni­zar con­hec­i­men­to.

Oper­ar múlti­plas platafor­mas.

A Microsoft já vin­ha apon­tan­do essa tendên­cia em 2025 ao obser­var orga­ni­za­ções exper­i­men­tan­do mod­e­los for­ma­dos por humanos e agentes dig­i­tais. Naque­le lev­an­ta­men­to, 82% dos líderes pesquisa­dos afir­mavam con­sid­er­ar aque­le um ano deci­si­vo para repen­sar aspec­tos fun­da­men­tais de estraté­gia e oper­ação.

Isso não sig­nifi­ca que uma pes­soa sub­sti­tuirá qual­quer empre­sa.

Sig­nifi­ca que o cus­to mín­i­mo para con­stru­ir uma empre­sa sofisti­ca­da está dimin­uin­do.

Essa talvez seja uma das maiores opor­tu­nidades da era da IA.

O maior erro será comprar tecnologia antes de redesenhar o negócio

Existe um risco evi­dente.

Empre­sas podem repe­tir com IA aqui­lo que fiz­er­am em várias ondas tec­nológ­i­cas ante­ri­ores.

Com­prar fer­ra­men­tas sem estraté­gia.

Assi­nar platafor­mas.

Cri­ar pro­je­tos pilo­to.

Pro­duzir apre­sen­tações.

E não trans­for­mar nada estru­tu­ral­mente.

Tec­nolo­gia somente gera van­tagem com­pet­i­ti­va quan­do altera algu­ma var­iáv­el rel­e­vante.

Cus­to.

Veloci­dade.

Qual­i­dade.

Exper­iên­cia.

Recei­ta.

Margem.

Escala.

Con­hec­i­men­to.

Se nen­hu­ma dessas var­iáveis muda, provavel­mente existe ino­vação aparente, não trans­for­mação.

Por isso, a per­gun­ta não dev­e­ria ser:

“Qual fer­ra­men­ta de IA deve­mos com­prar?”

A per­gun­ta mel­hor seria:

“Qual proces­so, exper­iên­cia ou pro­du­to pode­ria fun­cionar de maneira rad­i­cal­mente mel­hor se tivesse inteligên­cia?”

Depois vem o dado.

Depois vem a automação.

Depois vem a inter­face.

Como preparar uma empresa para essa nova geração

A preparação começa pela estraté­gia.

Primeiro é necessário iden­ti­ficar onde existe val­or.

Em segui­da, enten­der quais dados são necessários para pro­duzir esse val­or.

Depois, orga­ni­zar proces­sos e respon­s­abil­i­dades.

Somente então escol­her mod­e­los de Inteligên­cia Arti­fi­cial, automações e inter­faces.

O obje­ti­vo não é colo­car IA em tudo.

É iden­ti­ficar onde inteligên­cia pro­duz resul­ta­do.

Tam­bém não é colo­car a empre­sa em todas as telas.

É estar nas telas que fazem sen­ti­do para o com­por­ta­men­to do cliente.

Uma empre­sa de stream­ing provavel­mente terá enorme inter­esse na Smart TV.

Uma empre­sa logís­ti­ca pode encon­trar maior val­or no painel do veícu­lo.

Uma platafor­ma de saúde pode pri­orizar celu­lar e dis­pos­i­tivos vestíveis.

Uma insti­tu­ição edu­ca­cional pode uti­lizar com­puta­dor, smart­phone e tele­visão de maneira com­ple­men­tar.

A estraté­gia cor­re­ta começa pelo usuário.

A tec­nolo­gia vem depois.

O negócio do futuro será um sistema que aprende

Talvez essa seja a mel­hor maneira de resumir toda essa trans­for­mação.

Empre­sas tradi­cionais oper­am.

Empre­sas dig­i­tais medem.

A próx­i­ma ger­ação fará algo além.

Ela apren­derá con­tin­u­a­mente.

Cada inter­ação pro­duz dados.

Os dados ali­men­tam mod­e­los.

Os mod­e­los ger­am decisões.

As decisões pro­duzem novas exper­iên­cias.

As exper­iên­cias ger­am novos dados.

Surge um ciclo.

Quan­to mel­hor esse ciclo fun­cionar, mais difí­cil será para con­cor­rentes copiá-lo.

Uma inter­face pode ser copi­a­da.

Um pro­du­to pode ser copi­a­do.

Um preço pode ser reduzi­do.

Mas uma orga­ni­za­ção que acu­mu­lou anos de dados, apren­diza­do, rela­ciona­men­to e inteligên­cia opera­cional pos­sui algo muito mais difí­cil de repro­duzir.

A próxima geração de negócios já começou

Existe a ten­tação de falar sobre tudo isso como se estivésse­mos descreven­do 2035.

Não esta­mos.

Os ele­men­tos necessários já exis­tem.

Mod­e­los de Inteligên­cia Arti­fi­cial capazes de anal­is­ar lin­guagem, imagem, áudio e vídeo.

Agentes capazes de exe­cu­tar tare­fas.

Infraestru­tu­ra em nuvem.

Grandes sis­temas de dados.

Smart TVs conec­tadas.

Stream­ing.

APIs.

Dis­pos­i­tivos móveis.

Pub­li­ci­dade dig­i­tal.

Sen­sores.

Automação.

O que ain­da está sendo con­struí­do é a arquite­tu­ra que conec­ta tudo isso.

E é jus­ta­mente nes­sa conexão que provavel­mente estarão algu­mas das maiores opor­tu­nidades empre­sari­ais dos próx­i­mos anos.

A empre­sa do futuro não será sim­ples­mente uma empre­sa que uti­liza IA.

Tam­bém não será ape­nas uma empre­sa ori­en­ta­da por dados.

Nem será aque­la que pos­sui aplica­tivos em muitas platafor­mas.

Será aque­la capaz de com­bi­nar inteligên­cia, infor­mação e pre­sença dig­i­tal em uma exper­iên­cia coer­ente.

IA per­mi­tirá enten­der e agir.

Dados per­mi­tirão lem­brar e apren­der.

Novas telas per­mi­tirão estar pre­sente.

Quan­do essas três forças se encon­tram, nasce algo maior do que uma nova fer­ra­men­ta.

Nasce uma nova maneira de con­stru­ir negó­cios.

💡 Conclusão: a vantagem competitiva estará na convergência

Esta­mos entran­do em um perío­do em que inteligên­cia começa a se tornar disponív­el sob deman­da.

Dados começam a se trans­for­mar em con­tex­to opera­cional.

E telas deix­am de ser dis­pos­i­tivos iso­la­dos para se tornarem por­tas de entra­da para ecos­sis­temas inteiros.

Essa con­vergên­cia muda o jogo.

O futuro per­tence menos às empre­sas que sim­ples­mente pos­suem tec­nolo­gia e mais às orga­ni­za­ções que con­seguem orques­trar tec­nolo­gia.

Não bas­ta ter IA.

É necessário conec­tá-la ao negó­cio.

Não bas­ta acu­mu­lar dados.

É necessário trans­for­má-los em con­hec­i­men­to.

Não bas­ta estar pre­sente dig­i­tal­mente.

É necessário ofer­e­cer a exper­iên­cia cor­re­ta na inter­face cor­re­ta.

É por isso que acred­i­to que a próx­i­ma ger­ação de negó­cios será con­struí­da com IA, dados e novas telas.

Não como três tendên­cias inde­pen­dentes.

Mas como partes de uma mes­ma arquite­tu­ra.

E talvez a prin­ci­pal per­gun­ta para empresários, desen­volve­dores, profis­sion­ais de mar­ket­ing e empreende­dores já não seja:

“Quan­do essa trans­for­mação chegará?”

A per­gun­ta mais impor­tante é:

quan­do começare­mos a con­stru­ir para ela?

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