
Durante décadas, a televisão foi considerada uma mídia essencialmente passiva. As empresas exibiam seus comerciais, os espectadores assistiam e, em algum momento, podiam procurar o produto em uma loja. Não havia clique, personalização individual, interação imediata ou uma maneira precisa de relacionar a exibição do anúncio com uma compra.
Esse cenário está mudando rapidamente.
Smart TVs, smartphones, tablets, painéis digitais, dispositivos conectados, telas automotivas e sistemas de inteligência artificial estão criando uma nova geração de experiências comerciais. A tela deixa de ser apenas um local onde o consumidor vê uma mensagem e passa a funcionar como um ponto de descoberta, relacionamento, atendimento e venda.
No Brasil, a televisão conectada já ocupa um espaço relevante na rotina das famílias. Dados apresentados pela Roku Advertising Brasil, com base em estudo da Comscore de 2025, indicam que 67% dos internautas brasileiros vivem em residências com pelo menos uma TV conectada. Entre os domicílios que possuem esse tipo de aparelho, 65% utilizam serviços de streaming diariamente, com consumo médio informado de 4,3 horas por dia.
Ao mesmo tempo, o investimento publicitário está acompanhando essa mudança. Nos Estados Unidos, o IAB projetou que o vídeo digital, categoria que inclui televisão conectada, vídeo on-line e vídeo social, ultrapassaria 60% de todo o investimento em publicidade de televisão e vídeo em 2026. Embora seja uma projeção do mercado norte-americano, ela ajuda a demonstrar a direção internacional do setor.
O futuro do marketing nas telas inteligentes será marcado pela integração entre conteúdo, dados, comércio e inteligência artificial. As marcas não pensarão mais apenas em campanhas para televisão, celular ou computador separadamente. Elas precisarão construir experiências capazes de acompanhar o consumidor entre diferentes telas.
📺 O que são telas inteligentes?
Telas inteligentes são dispositivos com capacidade de conexão, processamento de dados, execução de aplicativos e interação com outros aparelhos.
Entre os principais exemplos estão:
- Smart TVs;
- Smartphones;
- Tablets;
- Monitores conectados;
- Painéis digitais em lojas;
- Telas em elevadores, aeroportos e transportes;
- Totens interativos;
- Relógios inteligentes;
- Sistemas multimídia de automóveis;
- Assistentes domésticos com tela;
- Displays em geladeiras e outros eletrodomésticos;
- Dispositivos de realidade aumentada e realidade virtual.
A principal diferença entre uma tela tradicional e uma tela inteligente não está apenas na qualidade da imagem. Está na capacidade de compreender o contexto, receber comandos, acessar serviços, trocar informações e apresentar conteúdos personalizados.
Uma televisão tradicional exibe a mesma programação para todas as pessoas de uma região. Uma Smart TV conectada pode apresentar aplicativos, recomendações, anúncios e conteúdos diferentes conforme o ambiente tecnológico, a plataforma utilizada e as permissões concedidas pelo usuário.
Isso transforma a tela em uma mídia endereçável.
Em vez de comprar apenas um horário em um canal, o anunciante pode alcançar grupos com determinadas características, interesses ou hábitos de consumo. A campanha pode ser planejada com critérios semelhantes aos utilizados na publicidade digital, mas mantendo a força visual, sonora e emocional da televisão.
🌐 Da televisão tradicional para o ecossistema conectado
O marketing tradicional tratava cada canal de maneira isolada.
A televisão criava conhecimento de marca. O rádio aumentava a frequência da mensagem. O jornal oferecia informações. O telefone recebia pedidos. A loja concluía a compra.
Hoje, essas funções estão misturadas.
Uma pessoa pode conhecer um produto em um vídeo exibido na Smart TV, pesquisar o nome pelo smartphone, visitar o Instagram, conversar com um assistente de inteligência artificial, colocar o item no carrinho e concluir o pagamento pelo celular.
Essa jornada pode começar em uma tela e terminar em outra.
Por isso, uma das maiores mudanças do marketing será a substituição do pensamento multicanal pelo pensamento verdadeiramente integrado. Não basta publicar a mesma campanha em vários dispositivos. É necessário criar continuidade entre eles.
Uma publicidade exibida na televisão pode apresentar um QR Code. Ao escaneá-lo, o usuário acessa uma página adaptada ao celular. Caso não compre naquele momento, pode receber posteriormente uma campanha de remarketing, desde que isso seja feito com uma base legal adequada e de acordo com suas escolhas de privacidade.
A televisão desperta a atenção. O smartphone facilita a ação. O site apresenta os detalhes. O aplicativo oferece continuidade. A inteligência artificial ajuda a selecionar a mensagem mais adequada.
O resultado é uma jornada distribuída entre telas.
🤖 A inteligência artificial será o cérebro das campanhas
A inteligência artificial terá um papel central no futuro das telas inteligentes.
Ela poderá analisar grandes quantidades de informações para identificar padrões, prever resultados, adaptar campanhas e produzir diferentes versões de um anúncio.
Uma empresa poderá criar uma campanha principal e usar sistemas de IA para gerar variações de:
- Títulos;
- Imagens;
- Locuções;
- Chamadas para ação;
- Durações;
- Formatos;
- Idiomas;
- Cenários;
- Produtos apresentados;
- Sequências narrativas.
Essas variações poderão ser ajustadas ao tamanho da tela, ao contexto do conteúdo e ao estágio do consumidor na jornada de compra.
O anúncio exibido em uma televisão de 65 polegadas não deve ser simplesmente uma versão ampliada de um vídeo produzido para o celular. Da mesma forma, um conteúdo vertical criado para redes sociais não deve ser levado à televisão sem considerar enquadramento, distância de visualização, legibilidade e experiência coletiva.
A IA ajudará a realizar essas adaptações em escala.
O Google informou que, em 2025, houve um crescimento de três vezes na quantidade de recursos publicitários produzidos com o Gemini em suas soluções. Somente no quarto trimestre daquele ano, a empresa afirmou que aproximadamente 70 milhões de recursos criativos foram gerados com o modelo em campanhas AI Max e Performance Max. Esses números são dados internos do próprio Google, mas demonstram como a geração automatizada já passou a fazer parte da operação publicitária.
No futuro, a inteligência artificial não será utilizada apenas para criar os anúncios. Ela também participará das decisões sobre onde, quando e como cada mensagem será exibida.
🎯 Personalização sem interromper a experiência
A personalização é uma das maiores promessas do marketing nas telas inteligentes. Entretanto, ela também representa um grande desafio.
O consumidor quer receber mensagens úteis, mas não deseja sentir que está sendo vigiado.
Uma personalização saudável utiliza contexto e relevância sem invadir a privacidade.
Por exemplo, um aplicativo de culinária em uma Smart TV pode apresentar uma oferta relacionada a utensílios domésticos. Um canal gratuito de esportes pode exibir anúncios de artigos esportivos. Um aplicativo de notícias locais pode mostrar campanhas de estabelecimentos próximos à região do usuário, respeitando as permissões e as regras aplicáveis.
Esse tipo de publicidade contextual não precisa necessariamente conhecer detalhes íntimos sobre cada pessoa. O próprio ambiente em que o anúncio aparece fornece sinais suficientes para aumentar a relevância.
A tendência é que as empresas combinem diferentes fontes:
- Contexto do conteúdo;
- Dados próprios da empresa;
- Preferências informadas pelo cliente;
- Histórico de relacionamento;
- Informações agregadas;
- Modelos estatísticos;
- Dados de campanhas;
- Sinais do dispositivo permitidos pelo usuário.
A publicidade mais eficiente não será a que souber tudo sobre o consumidor. Será aquela que utilizar apenas as informações necessárias para entregar uma experiência adequada.
🛍️ A televisão passará a vender diretamente
Uma das transformações mais importantes será o crescimento da chamada Shoppable TV, ou televisão comprável.
Nesse modelo, a pessoa pode conhecer, salvar, pesquisar ou comprar um produto a partir da experiência exibida na televisão.
A interação pode acontecer de várias formas:
- QR Code;
- Controle remoto;
- Aplicativo no celular;
- Comando de voz;
- Conta conectada;
- Botão interativo;
- Lista de desejos;
- Notificação enviada para outro dispositivo;
- Link exibido no aplicativo;
- Checkout integrado.
Um estudo promovido pela LG Ad Solutions em 2025 indicou que 70% dos espectadores de televisão conectada pesquisados aceitariam salvar produtos em uma lista de desejos na TV para analisá-los posteriormente em outro dispositivo. Por ser uma pesquisa produzida por uma empresa do próprio setor publicitário, o resultado deve ser interpretado dentro desse contexto, mas ele evidencia o interesse em uma jornada de compra que começa na televisão e termina no celular ou computador.
Essa continuidade é fundamental porque nem todas as pessoas desejam preencher dados de pagamento utilizando o controle remoto. Em muitos casos, a Smart TV será o ponto de descoberta, enquanto o smartphone continuará sendo o dispositivo utilizado para concluir a compra.
O Google Demand Gen já trabalha com recursos de Shoppable CTV, permitindo apresentar produtos em anúncios no YouTube para televisões conectadas. Segundo dados internos divulgados pelo Google, campanhas Demand Gen que incluíram telas de TV geraram, em média, 7% mais conversões mantendo o mesmo retorno sobre o investimento.
A Roku também oferece integrações voltadas ao comércio, inclusive com lojas desenvolvidas na Shopify, permitindo que marcas de comércio eletrônico criem anúncios compráveis para streaming.
Esses movimentos indicam que o futuro da televisão não será apenas assistir. Também será descobrir, comparar, salvar e comprar.
🏠 A tela inicial da Smart TV será uma vitrine disputada
A publicidade não estará limitada aos intervalos dos vídeos.
A tela inicial da televisão, o menu de aplicativos, os resultados de busca, as recomendações e as áreas de descoberta serão espaços cada vez mais importantes.
Quando uma pessoa liga a Smart TV, ela ainda está decidindo o que assistir. Esse momento possui grande valor porque a atenção ainda não está concentrada em um programa específico.
A documentação da Samsung Ads descreve formatos que podem apresentar vídeos ou imagens assim que a televisão é ligada. Esses anúncios ocupam posições nativas e de grande visibilidade na interface da Smart TV.
Essa área poderá promover:
- Filmes;
- Séries;
- Aplicativos;
- Canais;
- Eventos;
- Produtos;
- Serviços locais;
- Lançamentos;
- Campanhas institucionais;
- Ofertas de assinatura.
Para os desenvolvedores de aplicativos, a disputa não será apenas por downloads. Será também por descoberta, abertura recorrente e tempo de uso.
Um aplicativo instalado, mas esquecido, possui pouco valor comercial. O marketing precisará incentivar o usuário a retornar e encontrar conteúdos relevantes dentro da aplicação.
📡 O crescimento dos canais FAST
Os canais FAST — Free Ad-Supported Streaming Television — oferecem programação gratuita financiada por publicidade.
Eles combinam características da televisão tradicional com a distribuição digital. O usuário pode acessar canais lineares e conteúdos gratuitos sem pagar uma assinatura adicional, enquanto os anunciantes financiam a experiência.
O crescimento desse modelo cria oportunidades para marcas, produtores e empresas que desejam possuir seus próprios canais ou anunciar em conteúdos segmentados.
Em um canal voltado para culinária, os anúncios podem estar relacionados a alimentos, supermercados e utensílios. Em um canal de turismo, podem aparecer campanhas de hotéis, companhias aéreas e destinos. Em um canal sobre animais, marcas de alimentação, saúde e acessórios para pets podem encontrar um público contextualizado.
A LG Ads informa que os formatos disponíveis em ambientes FAST podem incluir anúncios antes ou durante os vídeos, publicidade na pausa, áreas da tela inicial, QR Codes e experiências interativas de compra.
Isso mostra que o canal FAST não é apenas uma nova versão da televisão aberta. Ele pode funcionar como um ecossistema digital com publicidade interativa, segmentação e mensuração.
📲 O smartphone continuará sendo o principal companheiro da televisão
Mesmo com Smart TVs mais avançadas, o smartphone continuará exercendo um papel essencial.
A televisão possui impacto visual, som e presença no ambiente. O celular oferece toque, teclado, câmera, autenticação, carteira digital e mobilidade.
Os dois dispositivos se complementam.
Uma experiência de marketing pode começar com um comercial exibido na Smart TV e continuar com:
- Leitura de um QR Code;
- Abertura de uma página;
- Cadastro em uma promoção;
- Conversa pelo WhatsApp;
- Download de aplicativo;
- Pagamento pelo celular;
- Compartilhamento nas redes sociais;
- Recebimento de um cupom;
- Agendamento de atendimento;
- Inclusão do produto em uma lista de desejos.
O controle remoto não precisa executar todas as funções. Ele pode apenas autorizar que a oferta seja enviada ao celular vinculado à conta.
Essa abordagem reduz o atrito.
O futuro do marketing será menos concentrado em um único dispositivo e mais orientado à passagem natural entre telas.
🗣️ Voz, controle remoto e interação natural
Os anúncios também se tornarão mais interativos.
Em vez de apenas escanear um código, o espectador poderá usar o controle remoto ou falar um comando.
Exemplos:
“Quero saber mais.”
“Enviar para o meu celular.”
“Adicionar à lista.”
“Mostrar modelos disponíveis.”
“Assistir à demonstração.”
“Encontrar loja próxima.”
A voz poderá facilitar o acesso, especialmente para pessoas que possuem dificuldade em digitar usando o controle remoto.
Entretanto, a interação precisa ser simples e opcional. Um anúncio que exige muitos passos pode provocar frustração.
A melhor experiência será aquela em que o usuário entende imediatamente o que pode fazer e controla claramente cada ação.
🧠 Do marketing automatizado ao comércio com agentes de IA
A próxima etapa será a integração entre telas inteligentes e agentes de inteligência artificial.
Um agente poderá compreender uma necessidade, pesquisar opções, comparar produtos e auxiliar o consumidor durante a compra.
O Google anunciou em janeiro de 2026 o Universal Commerce Protocol, uma proposta de padrão aberto para permitir que agentes, varejistas, plataformas e sistemas de pagamento interajam ao longo da jornada comercial. A proposta inclui descoberta, compra e suporte posterior.
Em uma televisão, essa tecnologia poderá dar origem a experiências como:
“Encontre uma televisão de até R$ 3.000 que seja adequada para uma sala pequena.”
“Mostre os ingredientes usados nesta receita.”
“Procure um hotel próximo à praia exibida neste documentário.”
“Adicione os produtos deste programa à minha lista.”
“Compare os planos de internet disponíveis para minha região.”
O consumidor não precisará navegar por dezenas de menus. Ele poderá expressar sua necessidade em linguagem natural.
Isso mudará o trabalho do marketing.
As empresas precisarão fornecer catálogos estruturados, preços corretos, disponibilidade atualizada, políticas claras e informações compreensíveis para sistemas automatizados.
No comércio orientado por agentes, não será suficiente produzir uma campanha bonita. Os dados do produto também precisarão ser organizados para que a inteligência artificial consiga compreendê-los e recomendá-los corretamente.
📊 Mensuração: da audiência estimada ao resultado de negócio
A televisão tradicional sempre trabalhou com estimativas de audiência. A televisão conectada permite avançar em direção a resultados mais mensuráveis.
As empresas podem acompanhar indicadores como:
- Impressões;
- Alcance único;
- Frequência;
- Visualizações completas;
- Interações;
- Leitura de QR Code;
- Visitas ao site;
- Pesquisas pela marca;
- Instalações de aplicativo;
- Abertura de aplicativo;
- Inclusões no carrinho;
- Compras;
- Visitas a lojas;
- Assinaturas;
- Receita atribuída;
- Alcance incremental.
O desafio é conectar corretamente a exposição na televisão com a ação realizada em outro dispositivo.
Para isso, o mercado está desenvolvendo novas tecnologias de mensuração. O IAB publicou orientações sobre o uso de APIs de conversão para CTV. Essas integrações criam fluxos entre servidores e ajudam a relacionar exposições publicitárias a resultados de negócio sem depender exclusivamente do navegador.
O IAB Tech Lab também mantém o Open Measurement SDK, uma solução destinada a aumentar a transparência e a verificação de anúncios em ambientes como aplicativos, vídeo e televisão conectada.
Além da atribuição direta, as empresas poderão utilizar testes de incrementalidade e modelos de mix de marketing.
O Meridian, por exemplo, é um modelo de mix de marketing de código aberto disponibilizado pelo Google para ajudar empresas a analisar o impacto de diferentes canais e distribuir melhor seus investimentos.
A pergunta deixará de ser apenas “quantas pessoas viram o anúncio?” e passará a ser “qual mudança real esse anúncio produziu?”.
🔐 Privacidade será parte da experiência da marca
Quanto mais inteligentes forem as telas, maior será a responsabilidade das empresas.
Informações relacionadas a contas, preferências, dispositivos e hábitos podem ser utilizadas para melhorar a experiência, mas seu tratamento precisa ser transparente, seguro e limitado à finalidade apresentada.
No Brasil, dados utilizados para formar um perfil comportamental podem ser considerados dados pessoais quando estiverem relacionados a uma pessoa natural identificada. A Agência Nacional de Proteção de Dados destaca essa possibilidade em suas orientações sobre a LGPD.
Para as empresas, isso significa adotar práticas como:
- Explicar quais informações são coletadas;
- Informar a finalidade do tratamento;
- Solicitar consentimento quando ele for necessário;
- Oferecer controles acessíveis;
- Limitar o uso de dados;
- Proteger as informações armazenadas;
- Evitar compartilhamentos desnecessários;
- Respeitar pedidos dos titulares;
- Avaliar parceiros tecnológicos;
- Manter registros das operações relevantes.
A privacidade não deve aparecer apenas em um texto longo escondido no menu. Ela precisa fazer parte do design da experiência.
Um consumidor que entende e controla o uso de suas informações tende a desenvolver uma relação mais saudável com a plataforma e com as marcas.
🎨 Como serão os anúncios nas telas inteligentes?
Os anúncios do futuro serão mais dinâmicos, adaptáveis e interativos.
Eles poderão assumir formatos como:
Anúncios de pausa
Quando o usuário interromper temporariamente um conteúdo, uma imagem poderá ocupar parte da tela sem interromper o programa.
Publicidade na tela inicial
A campanha aparecerá na interface utilizada para escolher aplicativos e conteúdos.
Vídeos interativos
O espectador poderá solicitar informações, abrir uma página ou enviar a oferta para outro dispositivo.
Carrosséis de produtos
A televisão apresentará diferentes produtos que podem ser explorados com o controle remoto.
QR Codes dinâmicos
O código poderá direcionar cada campanha, região ou contexto para uma página específica.
Publicidade contextual
A mensagem será relacionada ao gênero do programa, ao horário ou ao ambiente da aplicação.
Anúncios sequenciais
Uma pessoa poderá ver diferentes partes de uma narrativa em momentos distintos, evitando a repetição do mesmo comercial.
Conteúdo patrocinado
A marca participará de programas, canais ou experiências sem interromper excessivamente a audiência.
Experiências em realidade aumentada
O celular poderá complementar o conteúdo exibido na televisão, permitindo visualizar um produto no ambiente real.
O IAB Tech Lab vem trabalhando em orientações para padronizar formatos de anúncios em CTV, buscando facilitar a compra, a entrega e a mensuração entre diferentes plataformas. Em julho de 2026, a organização também disponibilizou novas orientações relacionadas ao portfólio de formatos publicitários para televisão conectada.
A padronização será essencial para que as marcas não precisem reconstruir completamente suas campanhas para cada fabricante, sistema operacional ou aplicativo.
🏪 Pequenos negócios também poderão anunciar na televisão
No passado, anunciar na televisão exigia investimentos elevados, contratos complexos e produção profissional.
A publicidade programática e as plataformas de autoatendimento estão reduzindo essas barreiras.
Uma pequena empresa poderá definir:
- Região;
- Orçamento;
- Período;
- Público;
- Tipo de conteúdo;
- Frequência;
- Objetivo;
- Página de destino;
- Criativo;
- Indicadores de conversão.
Uma clínica veterinária poderá divulgar seus serviços em uma determinada cidade. Um restaurante poderá apresentar uma campanha no horário do jantar. Uma escola poderá alcançar famílias da região. Uma loja virtual poderá anunciar produtos para públicos interessados em determinada categoria.
A Roku, por exemplo, disponibiliza recursos para anúncios de streaming e afirma combinar o impacto da televisão com segmentação, mensuração e compra digital. No Brasil, algumas oportunidades comerciais são oferecidas por parceiros locais indicados pela própria plataforma.
A televisão conectada não será exclusiva das grandes empresas. Ela poderá se tornar mais uma opção dentro do planejamento de mídia de pequenos e médios negócios.
💼 Novas oportunidades para desenvolvedores e produtores
O crescimento das telas inteligentes também cria oportunidades além da publicidade tradicional.
Desenvolvedores poderão criar:
- Aplicativos para Smart TV;
- Canais FAST;
- Plataformas de vídeo;
- Experiências interativas;
- Sistemas de comércio;
- Aplicativos institucionais;
- Canais educativos;
- Serviços de assinatura;
- Ferramentas de análise;
- Soluções de gerenciamento de anúncios.
Produtores de conteúdo poderão construir canais próprios e buscar receitas com publicidade, patrocínios, assinaturas e comércio.
Uma empresa não precisará depender exclusivamente de redes sociais. Ela poderá possuir uma presença própria dentro de ecossistemas como Samsung Tizen, LG webOS, Roku e Android TV.
Essa presença pode funcionar como canal de conteúdo, atendimento e relacionamento.
Entretanto, publicar um aplicativo não garante audiência. Será necessário investir em posicionamento, conteúdo atualizado, experiência de uso e estratégias de aquisição.
🚫 Os principais erros que as empresas devem evitar
O avanço tecnológico não corrige uma estratégia mal planejada.
Entre os erros mais comuns estarão:
Repetir o mesmo comercial em todas as telas
Cada dispositivo possui características próprias. O anúncio precisa ser adaptado ao contexto.
Exagerar na frequência
Mostrar repetidamente a mesma mensagem pode cansar o público e prejudicar a marca.
Ignorar a experiência coletiva
A televisão costuma ser assistida por mais de uma pessoa. A segmentação precisa considerar que a tela pode representar um domicílio, não apenas um indivíduo.
Criar interações complicadas
O espectador não deve navegar por diversos menus para encontrar uma oferta.
Usar QR Codes sem planejamento
O código precisa ser legível, permanecer tempo suficiente na tela e direcionar para uma página rápida e preparada para celular.
Coletar dados desnecessários
Personalização não deve significar coleta ilimitada de informações.
Medir apenas visualizações
A empresa precisa relacionar a campanha a indicadores de negócio.
Negligenciar o aplicativo ou a página de destino
Uma campanha de alta qualidade pode fracassar quando direciona para uma experiência lenta, confusa ou pouco confiável.
🗺️ Como preparar uma empresa para o futuro das telas inteligentes
Uma estratégia consistente pode seguir oito etapas.
1. Mapear as telas usadas pelo público
A empresa deve descobrir onde seus consumidores assistem, pesquisam e compram.
2. Definir a função de cada dispositivo
A televisão pode gerar descoberta. O celular pode facilitar a compra. O site pode apresentar informações. O aplicativo pode estimular recorrência.
3. Organizar os dados próprios
Cadastros, histórico de compras e interações devem ser armazenados de forma segura e utilizados com responsabilidade.
4. Produzir criativos adaptáveis
A campanha deve possuir versões horizontais, verticais, quadradas, curtas e longas.
5. Facilitar a continuidade
QR Codes, links profundos, contas conectadas e envio para o celular reduzem o esforço do usuário.
6. Instalar mecanismos de mensuração
A empresa precisa acompanhar desde a exposição até os resultados de negócio.
7. Testar com orçamento controlado
Antes de aumentar o investimento, é necessário validar públicos, formatos, frequência e chamadas.
8. Melhorar continuamente
Os resultados devem alimentar novas decisões de conteúdo, mídia e produto.
🔮 Como será o marketing nas telas inteligentes até o fim da década?
A evolução não acontecerá de uma única vez. Algumas mudanças já estão disponíveis, enquanto outras ainda dependem de padronização, adesão e aperfeiçoamento tecnológico.
As tendências mais prováveis são:
- Expansão da publicidade em streaming;
- Crescimento dos canais FAST;
- Maior presença de anúncios na tela inicial;
- Integração entre televisão e celular;
- Ampliação da televisão comprável;
- Uso de inteligência artificial na criação;
- Personalização contextual;
- Comércio assistido por agentes;
- Mensuração orientada a resultados;
- Plataformas de autoatendimento;
- Maior participação de pequenos anunciantes;
- Novos padrões técnicos para CTV;
- Controles de privacidade mais visíveis;
- Integração entre mídia e varejo;
- Aplicativos de marca mais interativos.
O IAB iniciou em julho de 2026 uma consulta pública para atualizar definições de formatos como CTV, vídeo on-line, vídeo social, FAST, vídeo de varejo e podcasts em vídeo. O movimento demonstra que até a linguagem utilizada pelo setor precisa evoluir para acompanhar a convergência entre diferentes ambientes.
A antiga divisão entre televisão, internet, varejo e redes sociais está perdendo força.
Para o consumidor, existe apenas uma experiência conectada.
🏁 Conclusão
O futuro do marketing nas telas inteligentes não será definido por um único aparelho ou formato. Ele surgirá da integração entre televisão, smartphone, aplicativos, comércio, conteúdo e inteligência artificial.
A televisão continuará possuindo impacto emocional e presença no ambiente doméstico. No entanto, ela ganhará características que antes pertenciam apenas à internet: segmentação, interação, personalização e mensuração.
O smartphone continuará sendo o dispositivo mais conveniente para pesquisar, conversar e pagar. Os aplicativos funcionarão como pontos de relacionamento. Os agentes de inteligência artificial ajudarão o consumidor a encontrar produtos e tomar decisões. Os dados permitirão melhorar as campanhas, desde que sejam utilizados com transparência e responsabilidade.
As empresas que desejam participar desse futuro precisam abandonar a ideia de campanhas isoladas.
Não existirá apenas marketing para televisão ou marketing para celular. Existirá uma jornada distribuída entre telas.
A marca poderá aparecer quando a televisão for ligada, despertar interesse durante um conteúdo, enviar uma oferta ao smartphone, continuar a conversa em um aplicativo e medir a venda posteriormente.
Contudo, a tecnologia não substituirá os fundamentos do marketing.
O consumidor ainda deseja resolver problemas, economizar tempo, sentir confiança e receber valor. Uma campanha automatizada, interativa e altamente segmentada continuará fracassando quando o produto é ruim, a mensagem é confusa ou a experiência desrespeita o público.
O verdadeiro futuro do marketing nas telas inteligentes será construído pela combinação entre tecnologia e sensibilidade humana.
As telas serão mais inteligentes. Os sistemas serão mais rápidos. Os anúncios serão mais interativos. Mas as marcas que conquistarão espaço serão aquelas capazes de utilizar toda essa tecnologia para criar experiências mais simples, úteis, transparentes e relevantes.
❓ Perguntas frequentes
O que é marketing em telas inteligentes?
É o uso estratégico de dispositivos conectados, como Smart TVs, smartphones, tablets, painéis digitais e displays interativos, para apresentar conteúdo, publicidade e experiências comerciais.
Uma pequena empresa pode anunciar em Smart TVs?
Sim. Plataformas programáticas e soluções de autoatendimento estão facilitando o acesso de empresas menores à publicidade em televisão conectada. A disponibilidade e os requisitos variam conforme a plataforma e o país.
É possível vender diretamente pela televisão?
Sim. Recursos como QR Codes, listas de desejos, controles remotos, aplicativos conectados e Shoppable TV permitem iniciar ou concluir uma jornada de compra pela televisão.
Qual é o papel do celular?
O smartphone facilita a interação, o preenchimento de dados, o atendimento, a autenticação e o pagamento. Ele funciona como complemento natural da televisão.
Como a inteligência artificial será usada?
A IA poderá criar anúncios, adaptar formatos, prever resultados, personalizar mensagens, organizar catálogos e auxiliar consumidores durante a compra.
Os anúncios serão personalizados?
A personalização tende a crescer, mas deve respeitar as regras de proteção de dados, as permissões dos usuários e os princípios de transparência e necessidade.
O que são canais FAST?
São canais de streaming gratuitos financiados por publicidade. Eles oferecem programação linear ou temática sem exigir uma assinatura paga adicional.
O marketing nas Smart TVs substituirá as redes sociais?
Não. A tendência é de integração. A Smart TV pode gerar descoberta e impacto, enquanto as redes sociais e o smartphone ajudam a construir relacionamento e concluir a venda.