
Hoje, televisores conectados funcionam como plataformas completas de distribuição de vídeo, canais FAST, transmissões ao vivo, publicidade, educação, entretenimento, comércio e serviços digitais.
Para empresas de mídia, emissoras, produtoras, igrejas, universidades, clubes esportivos e serviços de streaming, estar presente nas principais plataformas de televisão pode significar alcançar públicos que não utilizam o celular ou o computador como principal tela de consumo.
Entretanto, desenvolver um único aplicativo que funcione bem em Samsung Tizen, LG webOS, Roku, Android TV e Google TV é muito mais complexo do que simplesmente reutilizar o mesmo código.
Samsung e LG permitem o desenvolvimento de aplicações com tecnologias da web, como HTML, CSS e JavaScript. O Roku utiliza SceneGraph e BrightScript, tecnologias próprias. O Android TV trabalha com o ecossistema Android, Kotlin e, cada vez mais, Jetpack Compose para TV.
Além das diferenças de linguagem, cada plataforma possui:
- Sistema de navegação;
- Controle remoto;
- Player;
- APIs;
- Processo de certificação;
- Formatos de empacotamento;
- Limites de hardware;
- Ferramentas de teste;
- Requisitos de publicação;
- Ciclo de atualização.
O desenvolvimento multiplataforma não significa obrigatoriamente criar um único projeto e publicá-lo sem mudanças em todas as lojas. Na prática, a melhor estratégia costuma ser compartilhar aquilo que realmente pode ser compartilhado — arquitetura, regras, design, serviços, APIs e componentes — preservando camadas específicas para cada sistema.
Este artigo apresenta os principais desafios, oportunidades e estratégias para construir aplicativos modernos para diferentes plataformas de Smart TV.
📺 O que significa desenvolvimento multiplataforma para Smart TVs?
Desenvolvimento multiplataforma é a criação de uma solução capaz de atender diferentes sistemas operacionais utilizando uma base comum de tecnologia, arquitetura ou conteúdo.
Em celulares, é comum pensar em frameworks como Flutter, React Native e .NET MAUI. No universo das televisões, o cenário é diferente.
As plataformas principais não compartilham exatamente a mesma estrutura:
| Plataforma | Tecnologia principal |
|---|---|
| Samsung Tizen | HTML, CSS e JavaScript |
| LG webOS | HTML, CSS e JavaScript |
| Roku | SceneGraph, XML e BrightScript |
| Android TV/Google TV | Kotlin, Java e Jetpack Compose |
A Samsung oferece o Tizen Studio e o Samsung TV SDK para criar, testar, empacotar e depurar aplicativos. A documentação oficial explica que aplicações Web para Tizen podem ser construídas com HTML, CSS e JavaScript.
A LG segue uma abordagem semelhante. O guia Build Your First App for webOS TV informa que desenvolvedores com experiência em padrões web podem começar a criar aplicativos para webOS usando seus conhecimentos existentes.
No Roku, a estrutura é diferente. A interface é criada com SceneGraph, um framework XML próprio, enquanto a lógica é implementada em BrightScript. O guia introdutório de desenvolvimento Roku descreve essa divisão entre apresentação e comportamento.
Já o Android TV utiliza tecnologias nativas do ecossistema Android. O Google recomenda atualmente o Jetpack Compose para TV, que fornece componentes e padrões próprios para telas grandes e navegação por controle remoto.
Portanto, o termo “multiplataforma” precisa ser interpretado de maneira realista. Em muitos projetos, não haverá um único código-fonte para tudo. Haverá uma arquitetura compartilhada e diferentes implementações de apresentação e integração.
🌐 O que Samsung Tizen e LG webOS podem compartilhar?
Samsung Tizen e LG webOS são as plataformas que oferecem maior possibilidade de compartilhamento direto de código.
Ambas executam aplicações baseadas em tecnologias web. Isso permite utilizar:
- HTML;
- CSS;
- JavaScript;
- TypeScript;
- React;
- Bibliotecas de estado;
- Serviços HTTP;
- Componentes visuais;
- Sistemas de roteamento;
- Ferramentas de build.
A Samsung possui inclusive um guia oficial para desenvolver aplicações Tizen TV utilizando React e Hot Module Replacement.
Uma aplicação pode manter uma base comum como:
src/
├── components/
├── screens/
├── services/
├── state/
├── navigation/
├── player/
├── platform/
│ ├── samsung/
│ └── lg/
└── assets/
Os componentes, telas, chamadas de API e grande parte da navegação podem ser compartilhados. As diferenças ficam concentradas em adaptadores.
Exemplo conceitual:
export const platform = {
exitApp() {
if (isSamsung()) {
window.tizen.application.getCurrentApplication().exit();
return;
}
if (isWebOS()) {
window.close();
}
}
};
Na prática, ações como sair do aplicativo, identificar o dispositivo, trabalhar com DRM, iniciar mídia e gerenciar o ciclo de vida precisam ser adaptadas.
A LG disponibiliza a webOSDev API, que inclui recursos relacionados a dispositivo, DRM e inicialização de aplicativos.
Na Samsung, APIs Tizen e recursos específicos de TV permitem acessar funcionalidades próprias da plataforma. A documentação das Tizen Web Device APIs apresenta a base utilizada pelas aplicações.
O compartilhamento é grande, mas não deve ser confundido com compatibilidade absoluta.
🧱 O maior desafio: a fragmentação
A fragmentação é o principal problema do desenvolvimento para Smart TVs.
Ela ocorre em diferentes níveis:
- Fabricante;
- Sistema operacional;
- Ano do televisor;
- Versão do navegador;
- Capacidade de memória;
- Processador;
- Formatos de mídia;
- DRM;
- Controle remoto;
- Resolução;
- Loja de aplicativos.
Uma aplicação pode funcionar perfeitamente em uma televisão de 2026 e apresentar lentidão ou falhas em um aparelho de 2020.
A Samsung mantém tabelas de especificações do mecanismo web por versão do Tizen. Elas mostram que o suporte a recursos de JavaScript, CSS e APIs varia conforme o modelo e o ano do aparelho.
A empresa também publica uma relação de grupos de modelos e versões da plataforma, útil para determinar quais televisores serão atendidos durante a submissão.
No desenvolvimento web tradicional, é possível atualizar o navegador separadamente. Em muitas Smart TVs, o mecanismo web permanece associado ao firmware e à geração do aparelho.
Isso afeta:
- Recursos modernos de JavaScript;
- Flexbox e Grid;
- WebSockets;
- APIs de mídia;
- Performance de animações;
- Reprodução de vídeo;
- Consumo de memória;
- Bibliotecas externas.
O código precisa ser planejado para o aparelho mais antigo incluído no escopo, não apenas para o televisor mais recente disponível no laboratório.
🕹️ Navegação por controle remoto
Um aplicativo pode compartilhar telas entre plataformas, mas a experiência de navegação precisa respeitar o controle remoto.
Em uma televisão, o usuário não toca diretamente no botão. Ele movimenta um foco usando:
- Cima;
- Baixo;
- Esquerda;
- Direita;
- Selecionar;
- Voltar;
- Reproduzir;
- Pausar;
- Avançar;
- Retroceder.
O foco precisa seguir uma lógica previsível.
Considere uma fileira horizontal:
Filme 1 → Filme 2 → Filme 3 → Filme 4
Ao chegar ao último item e pressionar Direita, o sistema pode:
- Permanecer no último item;
- Carregar mais conteúdos;
- Mover para outra área;
- Voltar ao primeiro item.
A decisão deve ser consistente em todas as telas.
Entretanto, cada plataforma possui particularidades. A LG utiliza o Magic Remote, que combina ponteiro, roda e botões direcionais. A aplicação precisa funcionar tanto com cursor quanto com foco.
O guia de desenvolvimento da LG inclui orientações específicas para Magic Remote, localização, princípios de design e outros elementos próprios do webOS.
No Roku, o controle e os padrões da plataforma fazem parte central da experiência. O desenvolvedor precisa compreender os componentes de SceneGraph e o modelo orientado a eventos descrito na documentação do ambiente Roku.
No Android TV, o D‑pad move o foco entre componentes. O Compose para TV possui listas, grades e controles preparados para essa interação.
Compartilhar a aparência é possível. Compartilhar cegamente o comportamento do foco não é recomendável.
🎬 O player de vídeo é o ponto mais sensível
Em aplicativos de streaming, o player é frequentemente a área com menor possibilidade de abstração completa.
Cada plataforma possui mecanismos próprios para reprodução, DRM, áudio, legendas e eventos.
Samsung Tizen
Aplicações Samsung podem utilizar recursos próprios de reprodução, incluindo soluções baseadas em AVPlay, conforme os requisitos do conteúdo e da aplicação.
As especificações da plataforma Samsung apresentam diferenças de codecs, formatos e recursos entre modelos. A página de especificações gerais das TVs Samsung reúne informações sobre mecanismo web e capacidades de mídia das diferentes versões do Tizen.
LG webOS
A LG disponibiliza APIs e mecanismos próprios para mídia e DRM. A implementação precisa considerar versões do webOS, tipos de manifesto e requisitos do serviço.
Roku
O Roku possui um nó de vídeo integrado ao SceneGraph. A documentação oficial do Video Node descreve reprodução, legendas, faixas de áudio e propriedades do player.
Android TV
No Android TV, o desenvolvimento moderno normalmente utiliza componentes do ecossistema Android, com integração a bibliotecas de mídia e à interface em Compose.
A consequência arquitetural é clara: não é prudente criar uma única classe de player cheia de condições espalhadas.
Prefira uma interface comum:
interface PlayerAdapter {
load(source: MediaSource): Promise<void>;
play(): void;
pause(): void;
seek(position: number): void;
stop(): void;
setSubtitle(track: SubtitleTrack): void;
destroy(): void;
}
Cada plataforma implementa o contrato:
SamsungPlayerAdapter
WebOSPlayerAdapter
RokuPlayerService
AndroidPlayerAdapter
A interface do usuário pode seguir o mesmo padrão visual, mas a execução fica isolada.
🔐 DRM e proteção de conteúdo
Serviços premium frequentemente exigem DRM para proteger filmes, séries, eventos e canais.
O desafio não é apenas reproduzir o conteúdo. É garantir que toda a cadeia funcione:
Login
↓
Autorização
↓
Token
↓
Manifesto
↓
Licença DRM
↓
Player
↓
Renovação da sessão
As plataformas podem apresentar diferenças em:
- Sistemas DRM;
- Versões suportadas;
- Formato do desafio de licença;
- Headers;
- Certificados;
- Segurança do dispositivo;
- Persistência de sessão;
- Tratamento de erros.
Um fluxo que funciona no navegador de computador não deve ser considerado automaticamente compatível com Tizen ou webOS.
A camada de back-end precisa identificar a plataforma e fornecer:
- URL correta;
- DRM adequado;
- Licença;
- Headers;
- Formato de legenda;
- Codec compatível;
- Política de reprodução.
Uma boa API pode responder:
{
"platform": "samsung_tizen",
"stream": {
"url": "https://cdn.exemplo.com/manifest.mpd",
"format": "dash",
"drm": {
"type": "playready",
"licenseUrl": "https://license.exemplo.com"
}
}
}
A aplicação não deveria tentar descobrir tudo sozinha. O servidor pode atuar como uma camada de compatibilidade.
🧠 Arquitetura recomendada para projetos multiplataforma
Uma arquitetura eficiente deve separar quatro áreas principais.
1. Núcleo de domínio
Contém regras que não dependem da plataforma:
- Usuários;
- Perfis;
- Catálogo;
- Canais;
- Programação;
- Favoritos;
- Histórico;
- Recomendações;
- Assinaturas;
- Permissões.
2. Serviços compartilhados
Incluem:
- Cliente HTTP;
- Autenticação;
- Cache;
- Analytics;
- Logs;
- Configuração remota;
- Traduções;
- Formatação;
- Controle de sessão.
3. Interface comum
Pode compartilhar:
- Cores;
- Tipografia;
- Cards;
- Banners;
- Fileiras;
- Menus;
- Estados de carregamento;
- Tela de erro;
- Página de detalhes.
4. Adaptadores de plataforma
Responsáveis por:
- Controle remoto;
- Player;
- DRM;
- Ciclo de vida;
- Saída;
- Informações do aparelho;
- Armazenamento local;
- Deep links;
- Analytics nativo;
- Publicidade.
A regra principal é evitar condições espalhadas:
if (samsung) {
// ...
} else if (lg) {
// ...
} else if (roku) {
// ...
}
Esse padrão, repetido em dezenas de telas, torna a manutenção difícil.
Prefira centralizar as diferenças:
const platform = createPlatformAdapter();
platform.player.play();
platform.lifecycle.onResume(handleResume);
platform.remote.onBack(handleBack);
🧩 Monorepositório ou projetos separados?
Existem duas estratégias comuns.
Monorepositório
Todos os projetos ficam no mesmo repositório:
apps/
├── samsung/
├── webos/
├── roku/
└── android-tv/
packages/
├── core/
├── api/
├── design-tokens/
├── analytics/
└── translations/
Vantagens
- Compartilhamento de código;
- Versões alinhadas;
- Mudanças coordenadas;
- Reutilização de componentes;
- Pipeline centralizado.
Desvantagens
- Repositório maior;
- Ferramentas diferentes;
- Builds mais complexos;
- Risco de acoplamento;
- Permissões mais difíceis.
Repositórios separados
Cada plataforma possui projeto próprio.
Vantagens
- Independência;
- Pipelines simples;
- Equipes separadas;
- Menor interferência.
Desvantagens
- Duplicação;
- Divergência visual;
- Regras inconsistentes;
- Atualizações repetidas;
- Correções aplicadas em apenas uma plataforma.
Para equipes pequenas ou médias, um monorepositório com pacotes compartilhados costuma ser eficiente. Para organizações grandes, repositórios separados podem fazer sentido, desde que existam bibliotecas, contratos e documentação centralizados.
⚡ Desempenho em aparelhos limitados
Smart TVs não devem ser tratadas como computadores de alto desempenho.
Mesmo televisores caros podem reservar recursos limitados para aplicativos. Aparelhos antigos podem possuir:
- Pouca memória;
- Processadores lentos;
- GPU limitada;
- Navegador antigo;
- Armazenamento reduzido.
Problemas comuns incluem:
- Travamentos;
- Fechamento inesperado;
- Foco atrasado;
- Imagens demorando;
- Animações engasgando;
- Player congelado;
- Recarregamento da aplicação.
Boas práticas:
- Reduzir o tamanho do bundle;
- Evitar bibliotecas enormes;
- Carregar telas sob demanda;
- Virtualizar listas;
- Liberar imagens fora da tela;
- Destruir players corretamente;
- Remover listeners;
- Limitar animações;
- Compactar imagens;
- Utilizar cache com controle;
- Evitar vídeos de fundo desnecessários.
Uma aplicação React para televisão, por exemplo, não deve carregar toda a lógica do catálogo antes de mostrar a primeira tela.
O fluxo ideal pode ser:
Abrir aplicativo
↓
Carregar configuração mínima
↓
Mostrar menu e primeira fileira
↓
Buscar demais seções progressivamente
↓
Pré-carregar detalhes do item focado
O usuário percebe rapidez mesmo que o catálogo completo ainda esteja sendo carregado.
🧪 Teste multiplataforma exige televisores reais
Simuladores e emuladores são úteis, mas não substituem aparelhos físicos.
A Samsung oferece TV Simulator, Emulator e ferramentas de inspeção dentro do seu SDK. O guia de instalação do Samsung TV SDK descreve esses componentes.
A empresa também documenta como executar e depurar aplicações diretamente em uma televisão Samsung.
No webOS, a LG oferece simulador e um aplicativo de Developer Mode. O guia App Testing with Developer Mode App explica como instalar e testar uma aplicação em uma TV LG real.
No Roku, o aplicativo é empacotado e instalado no dispositivo durante o desenvolvimento.
Uma matriz mínima de testes pode incluir:
| Plataforma | Aparelhos recomendados |
|---|---|
| Samsung | Antigo, intermediário e atual |
| LG | Versão antiga, intermediária e atual |
| Roku | Dispositivo básico e avançado |
| Android TV | TV integrada e box externo |
Teste:
- Primeira instalação;
- Atualização;
- Login;
- Controle remoto;
- Reprodução ao vivo;
- VOD;
- Legendas;
- Áudio alternativo;
- Perda de internet;
- Suspensão;
- Retorno;
- Memória;
- Sessões longas;
- Troca rápida de conteúdos;
- Encerramento.
📦 Certificação e publicação
Cada loja possui seu próprio processo.
Samsung
O aplicativo precisa ser empacotado, assinado e submetido ao ambiente de distribuição da Samsung. Os grupos de modelos e países precisam ser definidos de acordo com o escopo.
LG
A aplicação passa pelo processo de aprovação do webOS. A LG explica em seu App Approval Process que a revisão busca assegurar a qualidade dos aplicativos disponibilizados na loja.
Roku
O pacote é publicado na Streaming Store, respeitando requisitos de funcionalidade, navegação, publicidade e desempenho. A Roku afirma que o ingresso no programa e a publicação podem ser realizados sem cobrança de inscrição.
Android TV
O aplicativo precisa atender aos requisitos específicos de qualidade para TV na Google Play. O guia Create and run a TV app destaca que apenas aplicações que cumprem os critérios podem ser qualificadas para Android TV.
A aprovação não deve ser tratada como última etapa. Os requisitos das lojas precisam orientar o projeto desde o início.
🔄 Atualizações e compatibilidade
Publicar a primeira versão é apenas o começo.
Um aplicativo de Smart TV precisa acompanhar:
- Novas gerações de aparelhos;
- Alterações de SDK;
- Mudanças na loja;
- Certificados;
- APIs descontinuadas;
- Novos formatos;
- Atualizações de DRM;
- Políticas de privacidade;
- Mudanças no back-end.
A LG, por exemplo, descontinuou o antigo webOS TV CLI e passou a recomendar o webOS CLI. A página oficial de notas do CLI informa que o suporte ao webOS TV CLI terminou em março de 2024.
No Android TV, o Google vem direcionando aplicações para Compose for TV. Em março de 2026, publicou um guia oficial para migrar progressivamente do Leanback para Compose.
Essas mudanças mostram por que a arquitetura precisa ser modular. Quando uma ferramenta é substituída, a equipe deve conseguir atualizar a camada específica sem reescrever todo o produto.
💰 Oportunidades comerciais
Apesar dos desafios, o desenvolvimento multiplataforma oferece oportunidades relevantes.
Ampliação da audiência
Uma aplicação disponível somente em uma marca limita a distribuição. Estar em várias plataformas amplia o alcance potencial.
Venda de soluções white label
Empresas podem construir uma plataforma-base e personalizá-la para diferentes clientes:
- Emissoras;
- Igrejas;
- Produtoras;
- Canais regionais;
- Clubes;
- Universidades;
- Eventos;
- Prefeituras;
- Empresas.
A base tecnológica é reaproveitada, enquanto marca, catálogo e configuração mudam.
Canais FAST
Canais gratuitos financiados por publicidade dependem de grande distribuição. Quanto mais plataformas, maior a capacidade de alcançar audiência e gerar impressões publicitárias.
Aplicativos corporativos e educacionais
Smart TVs podem ser usadas para:
- Treinamento;
- Comunicação interna;
- Ensino;
- Exibição de eventos;
- Informações institucionais;
- Conteúdo sob demanda.
Publicidade conectada
Aplicativos podem monetizar por meio de:
- Pre-roll;
- Mid-roll;
- Banners;
- Patrocínio;
- Canais gratuitos;
- Inserção dinâmica;
- Conteúdo patrocinado.
No Roku, a plataforma disponibiliza APIs de publicidade, incluindo suporte a renderização de anúncios em aplicações SceneGraph. A referência oficial da Roku Advertising Framework descreve essa integração.
Licenciamento de tecnologia
Uma empresa que resolve player, catálogo, analytics, anúncios, EPG e publicação pode licenciar essa infraestrutura para outras organizações.
🤖 Inteligência artificial no desenvolvimento multiplataforma
A IA pode reduzir parte do trabalho repetitivo, mas não elimina as diferenças das plataformas.
Ela pode ajudar a:
- Gerar componentes;
- Converter modelos de dados;
- Criar testes;
- Analisar logs;
- Produzir documentação;
- Comparar APIs;
- Detectar código duplicado;
- Preparar adaptadores;
- Criar traduções;
- Revisar acessibilidade.
Contudo, uma IA pode gerar código baseado em versões erradas ou misturar APIs de diferentes sistemas.
Por exemplo, não é raro um assistente sugerir uma API web comum para uma função que precisa ser executada por uma API específica do Tizen ou webOS.
A melhor utilização é fornecer contexto detalhado:
Plataforma: Samsung Tizen TV
Versão mínima: Tizen 6.0
Tipo: aplicação Web
Player: AVPlay
Controle: Smart Remote
Objetivo: reproduzir stream HLS ao vivo
Restrição: não usar APIs exclusivas de navegadores desktop
Depois, validar tudo na documentação oficial e em aparelhos físicos.
🛠️ Estratégia prática para iniciar
Um projeto pode seguir estas etapas:
Etapa 1 — Definir o escopo
Escolha:
- Plataformas;
- Gerações mínimas;
- Países;
- Formatos;
- Tipos de conteúdo;
- DRM;
- Monetização;
- Prazo.
Etapa 2 — Criar contratos comuns
Defina modelos para:
- Conteúdo;
- Canal;
- Programa;
- Episódio;
- Usuário;
- Player;
- Analytics;
- Erro.
Etapa 3 — Desenvolver primeiro o núcleo
Crie API, autenticação, catálogo e configuração remota.
Etapa 4 — Escolher uma plataforma inicial
Comece pela plataforma mais estratégica ou tecnicamente representativa.
Etapa 5 — Extrair componentes compartilháveis
Ao criar a segunda plataforma, transforme partes reutilizáveis em pacotes.
Etapa 6 — Construir adaptadores
Isole player, controle, armazenamento e ciclo de vida.
Etapa 7 — Automatizar builds
Cada commit deve poder gerar:
- Pacote Samsung;
- Pacote LG;
- Pacote Roku;
- APK ou App Bundle Android.
Etapa 8 — Testar continuamente
Não espere a aplicação ficar pronta para começar a testar em aparelhos antigos.
🚫 Erros mais comuns
Prometer 100% de código compartilhado
Isso normalmente resulta em uma arquitetura cheia de exceções.
Criar primeiro para navegador
Uma interface de desktop pode depender de mouse, hover e teclado.
Ignorar aparelhos antigos
O aplicativo funciona no simulador, mas falha na base real.
Unificar players à força
A reprodução é uma das áreas mais específicas.
Usar bibliotecas pesadas
O custo de memória aparece rapidamente em televisores.
Não controlar o foco
Uma tela bonita se torna inutilizável pelo controle remoto.
Deixar a certificação para o final
Mudanças exigidas pela loja podem obrigar a refazer fluxos completos.
Duplicar regras em todos os projetos
Correções passam a ser feitas em uma plataforma e esquecidas nas demais.
🔮 O futuro do desenvolvimento para Smart TVs
A tendência é que as plataformas continuem diferentes, mas os serviços ao redor delas se tornem mais padronizados.
É provável que vejamos mais:
- APIs centralizadas;
- Configuração remota;
- Catálogos headless;
- Componentes reutilizáveis;
- Design systems para TV;
- Automação de publicação;
- Testes em nuvem;
- Analytics unificado;
- Personalização por IA;
- Busca por linguagem natural;
- Integração entre TV e celular.
No Android, o Google vem ampliando o uso de Compose para diferentes formatos. O guia de aplicativos adaptáveis para Android TV apresenta APIs para ajustar layouts e navegação conforme dimensões e dispositivos.
Na Samsung e na LG, tecnologias web continuam oferecendo uma base familiar aos desenvolvedores. No Roku, SceneGraph permanece como estrutura própria, exigindo especialização.
O futuro não parece apontar para uma única tecnologia universal. Ele aponta para arquiteturas mais inteligentes, capazes de compartilhar o núcleo e adaptar a experiência.
✅ Conclusão
O desenvolvimento multiplataforma para Smart TVs oferece grande oportunidade de distribuição, mas exige planejamento técnico e compreensão profunda de cada ecossistema.
Samsung Tizen e LG webOS permitem compartilhar uma parcela significativa do código baseado em HTML, CSS e JavaScript. Roku exige implementação própria com SceneGraph e BrightScript. Android TV utiliza Kotlin e Jetpack Compose.
Os principais desafios são:
- Fragmentação;
- Compatibilidade entre gerações;
- Navegação por controle remoto;
- Player;
- DRM;
- Desempenho;
- Certificação;
- Testes físicos;
- Manutenção.
A melhor estratégia não é tentar esconder todas as diferenças. É organizá-las.
Um projeto eficiente compartilha:
- Modelos;
- APIs;
- Serviços;
- Design;
- Analytics;
- Regras;
- Conteúdo;
- Configurações.
E mantém específico:
- Player;
- DRM;
- Controle remoto;
- Ciclo de vida;
- Empacotamento;
- Publicação;
- APIs do sistema.
Quando essa separação é bem executada, uma empresa consegue lançar aplicações em várias marcas, reduzir retrabalho, acelerar atualizações e transformar sua tecnologia em uma plataforma comercial reutilizável.
O desenvolvimento multiplataforma para Smart TVs não consiste em escrever uma única vez e executar em qualquer lugar. Consiste em projetar uma vez, compartilhar o que é comum e adaptar com precisão aquilo que torna cada plataforma diferente.