
Da delação da JBS às investigações sobre o INSS e bilhões movimentados em apostas, entenda como o nome de Willer Tomaz passou a aparecer em diferentes episódios envolvendo política, Justiça e grandes negócios no Brasil.
⚖️ Quem é Willer Tomaz de Sousa?
Willer Tomaz de Sousa é um advogado e empresário com atuação em Brasília, conhecido pelo trânsito em ambientes jurídicos, políticos e empresariais.
Seu escritório ganhou projeção ao atuar em disputas envolvendo grandes grupos econômicos, instituições financeiras e processos de elevada repercussão.
Ao longo dos anos, Tomaz estabeleceu relações com empresários, parlamentares e profissionais ligados aos tribunais superiores.
Essa rede de contatos passou a receber atenção da imprensa e das autoridades, especialmente após seu envolvimento em investigações relacionadas à JBS, em 2017.
Em 2026, o advogado voltou ao centro do noticiário com operações policiais, questionamentos sobre movimentações financeiras e relações patrimoniais.
Um esclarecimento é indispensável: aparecer em uma investigação não equivale a ser condenado. Alguns episódios mencionados neste levantamento ainda estão em apuração, enquanto outros tiveram decisões favoráveis ao advogado.
1. Operação Patmos e o escândalo da JBS em 2017
O primeiro grande episódio envolvendo Willer Tomaz ocorreu durante as investigações relacionadas à delação premiada dos executivos da JBS.
Em maio de 2017, o advogado foi preso na Operação Patmos, conduzida pela Polícia Federal.
Segundo os investigadores, ele teria atuado como intermediário de pagamentos ao procurador da República Ângelo Goulart Villela, que participava de apurações relacionadas à Operação Greenfield.
A suspeita envolvia o suposto repasse de informações sigilosas sobre investigações de interesse do grupo empresarial.
Joesley Batista afirmou, em sua colaboração premiada, que o procurador teria recebido pagamentos mensais de aproximadamente R$ 50 mil, intermediados pelo advogado.
A Operação Greenfield investigava irregularidades em investimentos realizados por fundos de pensão, incluindo operações relacionadas à Eldorado Celulose, empresa vinculada ao grupo J&F.
Tomaz negou a prática de crimes.
O caso teve um desfecho judicial relevante: em 2021, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região rejeitou a denúncia contra o advogado, por votação apertada.
Portanto, não é correto tratar as acusações daquele episódio como uma condenação criminal vigente.
A Operação Patmos permanece importante para compreender a trajetória pública de Tomaz, mas seu resultado processual precisa acompanhar qualquer referência às suspeitas originais.
Fonte: Câmara dos Deputados, depoimento de Willer Tomaz na CPMI da JBS.
2. Operação Sem Desconto e as suspeitas de fraudes no INSS
Em 4 de agosto de 2026, Willer Tomaz voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal.
A nova fase da Operação Sem Desconto investigava movimentações financeiras e patrimoniais supostamente relacionadas ao esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social.
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.
Os investigadores apontaram suspeitas de utilização de empresas, contas de terceiros, imóveis e outros ativos para ocultar a origem ou a destinação de recursos.
Tomaz apareceu na apuração como possível integrante de uma estrutura financeira e patrimonial relacionada a pessoas investigadas.
Sua defesa negou envolvimento com desvios de benefícios previdenciários.
É importante distinguir a investigação sobre a origem dos recursos das fraudes que motivaram inicialmente a Operação Sem Desconto.
A presença de uma pessoa nas apurações não comprova automaticamente sua participação na cobrança irregular realizada contra aposentados.
Fonte: Agência Brasil, investigação sobre Weverton Rocha e Willer Tomaz.
3. Repasses de mais de R$ 11 milhões à esposa de Weverton Rocha
Um dos elementos mais relevantes da Operação Sem Desconto envolve as relações financeiras entre empresas associadas a Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão.
Segundo documentos da Polícia Federal, empresas relacionadas ao advogado teriam transferido mais de R$ 11 milhões para Samya Rocha, esposa do parlamentar.
A investigação também examinou operações envolvendo imóveis e uma residência no Lago Sul, região valorizada de Brasília.
Os policiais suspeitam que determinados negócios possam ter integrado uma estrutura de movimentação e ocultação patrimonial.
Na representação apresentada ao STF, Tomaz foi descrito como possível operador de apoio financeiro, patrimonial e logístico.
Os investigados contestam essa interpretação.
Weverton Rocha afirmou que as movimentações decorrem de atividades profissionais e empresariais declaradas à Receita Federal.
Tomaz também negou irregularidades.
A investigação procura esclarecer a origem dos pagamentos, suas justificativas econômicas e a existência ou não de vínculos com recursos ilícitos.
Fonte: CNN Brasil, repasses investigados pela Polícia Federal.
4. Apostas na Blaze e movimentações bilionárias
Outro episódio de grande repercussão surgiu em setembro de 2026.
A Polícia Federal passou a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a movimentações realizadas por Willer Tomaz em plataformas de apostas.
Em uma ação judicial contra a Blaze, a defesa do advogado apresentou registros de apostas que totalizariam R$ 6,6 bilhões entre janeiro de 2025 e julho de 2026.
O montante corresponde ao volume acumulado de apostas, não necessariamente ao dinheiro originalmente depositado na plataforma.
Essa diferença é fundamental.
Quando valores ganhos são novamente apostados, o volume movimentado pode crescer muito além do montante inicialmente transferido pelo jogador.
Segundo os registros apresentados na ação, Tomaz acumulou prejuízo de aproximadamente R$ 188,5 milhões no período.
A defesa afirma que o advogado desenvolveu transtorno relacionado ao jogo e que a plataforma teria falhado ao atender pedidos de bloqueio da conta.
Também questiona incentivos oferecidos pela empresa e mecanismos que, segundo a ação, estimulariam a continuidade das apostas.
A Polícia Federal, por sua vez, procura determinar se a dinâmica das operações poderia ter sido utilizada para dissimular a origem ou a circulação de recursos.
O volume elevado não comprova, isoladamente, lavagem de dinheiro. É necessário demonstrar os demais elementos exigidos pela legislação penal.
Fontes: UOL, investigação sobre apostas e Folha de S.Paulo, investigação administrativa envolvendo a Blaze.
5. RioPag, Embrasis e negócios no setor de apostas
As investigações também trouxeram atenção para empresas que atuam no processamento de pagamentos e no mercado de apostas.
Em outubro de 2026, a Folha de S.Paulo publicou documentos indicando que Willer Tomaz teria assumido, em 2024, o controle da RioPag por meio da Embrasis.
A RioPag atuava no segmento de pagamentos vinculados ao mercado de apostas.
Documentos empresariais e informações fiscais citados pela reportagem apontaram que a Embrasis teria sido uma das principais fontes de rendimentos do advogado naquele período.
O valor mencionado alcançou aproximadamente R$ 67,8 milhões.
A atuação empresarial levantou questionamentos sobre a estrutura societária, os serviços prestados e as relações econômicas entre diferentes companhias.
Tomaz havia negado ser proprietário da RioPag e apresentado explicações sobre sua participação nos negócios.
A identificação de estruturas empresariais complexas não significa, por si só, que houve crime.
O ponto central das apurações é verificar se as transações possuíam origem legítima, documentação adequada e finalidade econômica compatível.
Fonte: Folha de S.Paulo, reportagem sobre RioPag e Embrasis.
6. Suspeitas de acesso antecipado a decisões do STJ e pareceres do MPF
Outro núcleo investigativo envolve possíveis vazamentos de informações sigilosas de tribunais e do Ministério Público Federal.
Em outubro de 2026, reportagens revelaram que a Polícia Federal investigava se o escritório de Willer Tomaz teria recebido minutas de decisões judiciais e pareceres antes de sua divulgação oficial.
Entre os episódios examinados estão processos empresariais e disputas judiciais nos quais informações antecipadas poderiam influenciar estratégias dos advogados.
A investigação também alcançou o ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça Humberto Pradera.
Segundo a Polícia Federal, mensagens encontradas indicariam possíveis comunicações envolvendo assuntos internos da Corte.
A Operação Linceu foi deflagrada para investigar suspeitas de violação de sigilo funcional e outros crimes eventualmente relacionados.
O STJ abriu apuração própria sobre os supostos vazamentos.
Tomaz negou ter obtido acesso irregular a informações ou interferido na elaboração de manifestações judiciais.
É importante observar que a utilização de estratégias jurídicas legítimas, como desistir de um recurso, não constitui crime. A possível irregularidade estaria na obtenção indevida de informações protegidas, caso fosse comprovada.
Fontes: CNN Brasil, Operação Linceu e UOL, investigação sobre vazamento de minutas.
7. Relação com Flávio Bolsonaro, jatos e imóveis
As relações pessoais e patrimoniais de Willer Tomaz com o senador Flávio Bolsonaro também ganharam destaque.
Reportagens identificaram viagens internacionais realizadas pelos dois, utilização de aeronaves executivas e negócios imobiliários relacionados a pessoas de seu círculo empresarial.
Uma investigação da revista piauí revelou que Flávio viajou em janeiro de 2025 em um jato executivo do qual Willer possuía uma participação.
Outra parte da aeronave pertencia à Prime You, empresa que teve o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, entre seus sócios.
Tomaz confirmou possuir uma cota do avião, mas negou manter relação societária direta com Vorcaro.
Também vieram à tona informações sobre um apartamento adquirido pelo advogado que anteriormente havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Flávio Bolsonaro utilizou o imóvel durante atividades relacionadas à campanha presidencial.
As reportagens ampliaram os questionamentos sobre a conexão entre relações pessoais, estruturas empresariais e movimentações financeiras.
Entretanto, compartilhar uma aeronave, utilizar um imóvel ou manter amizade política não demonstra automaticamente participação em atividades ilícitas.
O senador afirmou manter uma relação pessoal com Tomaz e negou irregularidades.
Fontes: Revista piauí, viagem no jato executivo e SBT News, cronologia das relações.
8. STF determina bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens
Em 23 de outubro de 2026, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes elevou a repercussão das investigações.
O Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e ativos vinculados a Willer Tomaz.
A decisão também estabeleceu medidas envolvendo sigilos bancário, fiscal e cambial, passaportes e atividades de empresas relacionadas ao advogado.
Entre os bens alcançados estavam imóveis, aeronaves e embarcações.
As medidas foram adotadas no contexto das investigações sobre possível lavagem de dinheiro ligada ao setor de apostas.
Segundo a Agência Brasil, a decisão ocorreu depois que a Polícia Federal identificou viagem do advogado aos Estados Unidos após buscas realizadas em agosto.
O bloqueio de até R$ 6 bilhões não significa que esse valor tenha sido efetivamente encontrado, apreendido ou comprovado como produto de crime.
Trata-se de um limite definido judicialmente para medidas cautelares.
O objetivo é preservar ativos e assegurar a eficácia de possíveis decisões futuras.
A responsabilização criminal depende da conclusão das investigações e do devido processo legal.
Fonte: Agência Brasil, bloqueio de bens determinado pelo STF.
9. Disputa com Richarlison por imóvel em Angra dos Reis
Outro caso ganhou destaque em outubro e novembro de 2026.
O jogador de futebol Richarlison passou a contestar publicamente negócios envolvendo uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
O atleta afirma ter adquirido direitos sobre o imóvel em 2020, com investimento aproximado de R$ 10 milhões.
Posteriormente, uma empresa relacionada a Willer Tomaz também passou a reivindicar direitos sobre a propriedade.
Tomaz sustenta que realizou uma aquisição legal.
A disputa chegou à Justiça e ganhou repercussão nas redes sociais.
No dia 30 de outubro, a Justiça negou um pedido apresentado pelo advogado para obrigar Richarlison a retirar publicações sobre o conflito.
Em 6 de novembro, ocorreu um novo desdobramento.
A Secretaria do Patrimônio da União suspendeu temporariamente os registros administrativos de quatro imóveis relacionados a uma empresa de Tomaz na Ilha Comprida.
O órgão identificou possíveis irregularidades no procedimento de transferência, incluindo a rapidez da emissão de determinada autorização em 2022.
Documentos foram encaminhados para apuração por órgãos competentes.
A suspensão administrativa não decide definitivamente a propriedade ou a posse disputada, nem equivale à comprovação de fraude.
Fonte: Metrópoles, suspensão dos registros em Angra dos Reis.
10. Empresa investigada e pagamentos à influenciadora Virginia Fonseca
Um dos episódios mais recentes foi divulgado em novembro de 2026.
Reportagens apontaram que a AMP Pay Marketing e Negócios realizou transferências que somaram aproximadamente R$ 17,7 milhões à Talismã Digital, empresa ligada à influenciadora Virginia Fonseca.
Os repasses ocorreram em cinco operações entre março e setembro de 2024.
Segundo documentos mencionados pela imprensa, o Santander classificou as movimentações como atípicas e comunicou o caso ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
Investigadores procuram esclarecer as relações econômicas e societárias da AMP Pay com negócios do setor de apostas.
Documentos atribuídos à investigação indicariam possível participação de Willer Tomaz na empresa.
O advogado nega manter vínculo societário com a AMP Pay.
Representantes da empresa também contestam suspeitas de irregularidades.
Virginia Fonseca, por sua vez, informou que os pagamentos estavam relacionados a contratos de publicidade.
Não há fundamento para concluir, apenas com esses repasses, que a influenciadora tenha cometido algum crime.
O foco da investigação está na origem dos recursos, na identificação dos responsáveis e na regularidade das operações.
Fonte: Folha de S.Paulo, pagamentos à Talismã Digital.
11. O questionamento da OAB sobre a atuação da Polícia Federal
As operações contra Tomaz também provocaram uma controvérsia sobre prerrogativas profissionais.
Em agosto de 2026, a Ordem dos Advogados do Brasil questionou procedimentos adotados durante buscas no escritório do advogado.
A entidade apontou possíveis violações de garantias relacionadas ao sigilo profissional e ao cumprimento dos limites estabelecidos pela autorização judicial.
Entre os pontos mencionados estavam a apreensão de aparelho de sócio que não integraria o alvo das buscas e o acesso a ambientes utilizados por outros profissionais.
A OAB solicitou participação na discussão judicial sobre as medidas.
Essa controvérsia possui natureza distinta das suspeitas financeiras.
Ela envolve a necessidade de equilibrar a investigação criminal com a proteção constitucional do exercício da advocacia.
Mesmo investigações graves devem respeitar as garantias legais, sob pena de comprometer a validade das provas.
Fonte: UOL, questionamentos da OAB sobre as buscas.
12. O que já foi comprovado e o que permanece sob investigação?
Os diversos episódios envolvendo Willer Tomaz não possuem a mesma situação jurídica.
A prisão na Operação Patmos, em 2017, é um acontecimento documentado, mas a acusação correspondente teve desfecho favorável ao advogado no TRF1.
As buscas da Operação Sem Desconto ocorreram efetivamente em agosto de 2026. Isso não comprova sua participação em fraudes contra aposentados.
Os registros de apostas na Blaze foram apresentados em processo judicial, mas a interpretação criminal dessas movimentações continua sujeita à investigação.
O bloqueio patrimonial determinado pelo STF também é fato documentado, embora não represente uma sentença condenatória.
Já as questões envolvendo o STJ, as relações societárias e determinados negócios imobiliários exigem esclarecimentos adicionais pelas autoridades competentes.
A distinção entre evidência documental, suspeita policial, acusação formal e condenação judicial é essencial.
Conclusão: uma trajetória marcada por relações complexas e investigações em diferentes setores
A trajetória recente de Willer Tomaz revela como atividades jurídicas, negócios privados, relações políticas e movimentações financeiras podem se cruzar em investigações de grande repercussão.
Os episódios conhecidos abrangem desde o escândalo da JBS até operações relacionadas ao INSS, plataformas de apostas, possíveis vazamentos judiciais e disputas imobiliárias.
O conjunto chama atenção pela diversidade dos envolvidos e pelo volume de recursos mencionados.
Mas também exige cautela.
A existência de múltiplas investigações não substitui a demonstração individualizada de responsabilidade em cada caso.
Algumas acusações antigas tiveram decisões favoráveis ao advogado. Outras apurações permanecem abertas e podem produzir novos esclarecimentos, arquivamentos, denúncias ou decisões judiciais.
O interesse público está em compreender a origem dos recursos investigados, a regularidade dos negócios e a atuação das instituições responsáveis pela fiscalização.
O acompanhamento desses processos deve priorizar documentos oficiais, decisões fundamentadas e informações verificáveis, garantindo espaço às manifestações das defesas.
A questão central não é apenas quantas controvérsias envolvem Willer Tomaz, mas quais fatos poderão ser efetivamente demonstrados pelas investigações e reconhecidos pela Justiça.