O que são tecnologias quânticas? Entenda como funcionam e por que podem transformar o futuro

Entenda o que são tecnologias quânticas, como funcionam os qubits e quais aplicações

As tec­nolo­gias quân­ti­cas deixaram de ser um assun­to lim­i­ta­do aos lab­o­ratórios de físi­ca e pas­saram a ocu­par uma posição estratég­i­ca no desen­volvi­men­to cien­tí­fi­co, indus­tri­al e econômi­co mundi­al.

Empre­sas de tec­nolo­gia, uni­ver­si­dades e gov­er­nos estão investin­do na cri­ação de com­puta­dores quân­ti­cos, sis­temas de comu­ni­cação alta­mente seguros, sen­sores de extrema pre­cisão e instru­men­tos capazes de estu­dar molécu­las e mate­ri­ais com um nív­el de detal­hamen­to antes impos­sív­el.

Ape­sar desse avanço, o tema ain­da é cer­ca­do por dúvi­das e exageros.

Algu­mas pes­soas acred­i­tam que um com­puta­dor quân­ti­co será sim­ples­mente uma ver­são muito mais ráp­i­da dos com­puta­dores atu­ais. Out­ras imag­i­nam que essas máquinas sub­sti­tuirão celu­lares, note­books e servi­dores con­ven­cionais.

Na real­i­dade, as tec­nolo­gias quân­ti­cas for­mam um con­jun­to amp­lo de fer­ra­men­tas baseadas nas leis da mecâni­ca quân­ti­ca. Elas não se limi­tam à com­putação e não foram desen­volvi­das para sub­sti­tuir todas as tec­nolo­gias exis­tentes.

O setor tam­bém envolve comu­ni­cação, crip­tografia, sen­sores, reló­gios atômi­cos, metrolo­gia, sim­u­lação de mate­ri­ais e dis­pos­i­tivos fotôni­cos.

Segun­do o Insti­tu­to Nacional de Padrões e Tec­nolo­gia dos Esta­dos Unidos, o NIST, a ciên­cia da infor­mação quân­ti­ca uti­liza com­po­nentes extrema­mente pequenos da matéria e da ener­gia — como elétrons, cir­cuitos microscópi­cos e partícu­las de luz — para armazenar, trans­portar e proces­sar infor­mações.

Com­preen­der esse movi­men­to é impor­tante não ape­nas para pesquisadores. Profis­sion­ais de tec­nolo­gia, gestores, estu­dantes, empresários e espe­cial­is­tas em segu­rança tam­bém pre­cisam acom­pan­har seus pos­síveis impactos.

Neste arti­go, você enten­derá o que são tec­nolo­gias quân­ti­cas, como elas fun­cionam, quais são suas prin­ci­pais apli­cações e quais desafios ain­da pre­cisam ser super­a­dos.


⚛️ O que são tecnologias quânticas?

Tec­nolo­gias quân­ti­cas são dis­pos­i­tivos, sis­temas e méto­dos que uti­lizam pro­priedades da mecâni­ca quân­ti­ca para realizar cál­cu­los, trans­mi­tir infor­mações, pro­duzir medições ou estu­dar sis­temas físi­cos.

A mecâni­ca quân­ti­ca é a área da físi­ca que descreve o com­por­ta­men­to da matéria e da ener­gia em escalas muito peque­nas, como áto­mos, elétrons e fótons.

Nesse uni­ver­so microscópi­co, as regras nem sem­pre cor­re­spon­dem à exper­iên­cia que temos no cotid­i­ano.

Uma bola, por exem­p­lo, ocu­pa uma posição deter­mi­na­da. Um automóv­el per­corre uma tra­jetória que pode ser obser­va­da. Uma moe­da para­da sobre uma mesa apre­sen­ta um lado volta­do para cima.

Um sis­tema quân­ti­co, entre­tan­to, pode ser descrito por uma com­bi­nação de difer­entes pos­si­bil­i­dades antes de ser medi­do.

Partícu­las tam­bém podem com­par­til­har esta­dos, apre­sen­tar com­por­ta­men­to semel­hante ao de ondas e atrav­es­sar bar­reiras que seri­am difí­ceis de super­ar segun­do uma inter­pre­tação pura­mente clás­si­ca.

Ess­es fenô­menos per­mitem desen­volver tec­nolo­gias com car­ac­terís­ti­cas espe­ci­ais.

Um sen­sor quân­ti­co pode detec­tar vari­ações extrema­mente peque­nas de gravi­dade ou cam­po mag­néti­co. Um com­puta­dor quân­ti­co pode rep­re­sen­tar infor­mações de maneira difer­ente de uma máquina tradi­cional. Uma rede quân­ti­ca pode dis­tribuir esta­dos físi­cos que não podem ser copi­a­dos livre­mente.

A Comis­são Europeia define as tec­nolo­gias quân­ti­cas como dis­pos­i­tivos e sis­temas que aproveitam pro­priedades da mecâni­ca quân­ti­ca, incluin­do as inter­ações entre molécu­las, áto­mos, fótons e elétrons.


A primeira e a segunda revolução quântica

A físi­ca quân­ti­ca não é uma descober­ta recente.

Ela começou a ser desen­volvi­da no iní­cio do sécu­lo XX, quan­do cien­tis­tas perce­ber­am que a físi­ca clás­si­ca não con­seguia explicar ade­quada­mente deter­mi­na­dos fenô­menos rela­ciona­dos à luz, aos áto­mos e à matéria.

Esse con­hec­i­men­to per­mi­tiu cri­ar tec­nolo­gias fun­da­men­tais para a sociedade mod­er­na.

Tran­si­s­tores, lasers, micro­proces­sadores, painéis solares, apar­el­hos de ressonân­cia mag­néti­ca e com­po­nentes eletrôni­cos depen­dem de princí­pios expli­ca­dos pela mecâni­ca quân­ti­ca.

Esse perío­do é fre­quente­mente chama­do de primeira rev­olução quân­ti­ca.

Durante essa fase, cien­tis­tas apren­der­am a com­preen­der e uti­lizar pro­priedades quân­ti­cas pre­sentes nos mate­ri­ais. O desen­volvi­men­to dos tran­si­s­tores e dos lasers, por exem­p­lo, criou as bases para com­puta­dores, tele­co­mu­ni­cações e diver­sos equipa­men­tos médi­cos.

A chama­da segun­da rev­olução quân­ti­ca vai além.

Seu obje­ti­vo é con­tro­lar dire­ta­mente esta­dos indi­vid­u­ais de áto­mos, elétrons, íons e fótons.

Em vez de ape­nas uti­lizar um mate­r­i­al cujas pro­priedades são expli­cadas pela físi­ca quân­ti­ca, pesquisadores procu­ram preparar, manip­u­lar, conec­tar e medir sis­temas quân­ti­cos especí­fi­cos.

É essa capaci­dade de con­t­role que per­mite desen­volver com­puta­dores quân­ti­cos pro­gramáveis, sen­sores mais sen­síveis e redes de comu­ni­cação baseadas em esta­dos quân­ti­cos.


Quais princípios tornam as tecnologias quânticas possíveis?

Para com­preen­der o fun­ciona­men­to dessas tec­nolo­gias, é necessário con­hecer alguns con­ceitos fun­da­men­tais.

Não é pre­ciso dom­i­nar toda a matemáti­ca da mecâni­ca quân­ti­ca. Entre­tan­to, enten­der as ideias prin­ci­pais aju­da a sep­a­rar ciên­cia de exagero.


1. Quantização

A palavra “quan­tum” está rela­ciona­da à ideia de uma quan­ti­dade disc­re­ta.

Em deter­mi­na­dos sis­temas, a ener­gia não pode assumir qual­quer val­or. Ela aparece em níveis especí­fi­cos.

Uma analo­gia sim­ples é uma esca­da.

Ao subir uma esca­da, uma pes­soa pode ocu­par um degrau ou out­ro. Ela não per­manece para­da no espaço entre os degraus.

Nos áto­mos, os elétrons tam­bém podem ocu­par deter­mi­na­dos níveis de ener­gia.

Quan­do um elétron muda de nív­el, ele absorve ou lib­era uma quan­ti­dade especí­fi­ca de ener­gia.

Esse con­ceito de quan­ti­za­ção está pre­sente em difer­entes tec­nolo­gias, incluin­do lasers, reló­gios atômi­cos e sen­sores.

O NIST expli­ca que partícu­las como elétrons e fótons pos­suem val­ores de ener­gia per­mi­ti­dos, em vez de qual­quer quan­ti­dade con­tínua de ener­gia.


2. Superposição quântica

Na com­putação tradi­cional, a unidade bási­ca de infor­mação é o bit.

Um bit apre­sen­ta o val­or 0 ou 1.

Na com­putação quân­ti­ca, uti­liza-se o qubit, ou bit quân­ti­co.

Quan­do é medi­do, um qubit tam­bém pro­duz um resul­ta­do 0 ou 1. Antes da medição, porém, ele pode ser prepara­do em uma com­bi­nação dess­es dois esta­dos.

Essa com­bi­nação é chama­da de super­posição.

De for­ma sim­pli­fi­ca­da, o esta­do de um qubit pode ser rep­re­sen­ta­do pela expressão:

|ψ⟩ = α|0⟩ + β|1⟩

Os val­ores α e β estão rela­ciona­dos às prob­a­bil­i­dades de obter 0 ou 1 durante a medição.

É comum ouvir que um com­puta­dor quân­ti­co “tes­ta todas as respostas ao mes­mo tem­po”. Essa expli­cação é incom­ple­ta.

A super­posição per­mite rep­re­sen­tar com­bi­nações de esta­dos, mas o algo­rit­mo ain­da pre­cisa manip­u­lar essas pos­si­bil­i­dades de maneira con­tro­la­da.

Uma medição não rev­ela todas as pos­si­bil­i­dades. Ela pro­duz um resul­ta­do especí­fi­co.

Por isso, a van­tagem de um algo­rit­mo quân­ti­co depende tam­bém da inter­fer­ên­cia e da for­ma como o cir­cuito foi con­struí­do.


3. Emaranhamento quântico

O emaran­hamen­to acon­tece quan­do duas ou mais partícu­las com­par­til­ham um esta­do quân­ti­co con­jun­to.

Nes­sa situ­ação, não é pos­sív­el descr­ev­er com­ple­ta­mente uma partícu­la sem con­sid­er­ar as out­ras.

As medições real­izadas em uma parte do sis­tema apre­sen­tam cor­re­lações com os resul­ta­dos obser­va­dos nas demais partes.

O emaran­hamen­to é impor­tante para:

  • Com­putação quân­ti­ca;
  • Redes quân­ti­cas;
  • Comu­ni­cação segu­ra;
  • Tele­trans­porte de esta­dos quân­ti­cos;
  • Cor­reção de erros;
  • Sen­sores dis­tribuí­dos.

Ape­sar de seu caráter sur­preen­dente, o emaran­hamen­to não per­mite enviar men­sagens instan­ta­nea­mente nem ultra­pas­sar a veloci­dade da luz.

Ele pro­duz cor­re­lações espe­ci­ais, mas a tro­ca de infor­mações uti­lizáveis ain­da depende de canais de comu­ni­cação com­patíveis com as leis con­heci­das da físi­ca.


4. Interferência quântica

Sis­temas quân­ti­cos tam­bém podem apre­sen­tar com­por­ta­men­to ondu­latório.

Assim como ondas na água podem se reforçar ou se can­ce­lar, as ampli­tudes asso­ci­adas aos esta­dos quân­ti­cos tam­bém podem inter­ferir.

Os algo­rit­mos quân­ti­cos procu­ram orga­ni­zar essa inter­fer­ên­cia.

As pos­si­bil­i­dades rela­cionadas às respostas cor­re­tas podem ser reforçadas, enquan­to as pos­si­bil­i­dades inde­se­jadas podem ser reduzi­das.

Isso expli­ca por que a com­putação quân­ti­ca não depende somente da quan­ti­dade de esta­dos rep­re­sen­ta­dos.

O ver­dadeiro desafio é con­tro­lar as ampli­tudes para aumen­tar a prob­a­bil­i­dade de medir uma respos­ta rel­e­vante.


5. Tunelamento quântico

O tunela­men­to quân­ti­co acon­tece quan­do uma partícu­la atrav­es­sa uma bar­reira que, de acor­do com a físi­ca clás­si­ca, não dev­e­ria con­seguir super­ar.

O fenô­meno ocorre porque partícu­las quân­ti­cas tam­bém apre­sen­tam pro­priedades ondu­latórias.

O tunela­men­to já pos­sui apli­cações práti­cas em dis­pos­i­tivos eletrôni­cos, microscó­pios espe­cial­iza­dos e deter­mi­nadas arquite­turas de com­putação quân­ti­ca.

Ele tam­bém par­tic­i­pa de fenô­menos nat­u­rais, incluin­do algu­mas reações que ocor­rem no inte­ri­or das estre­las.


6. Coerência e decoerência

Para que um sis­tema quân­ti­co fun­cione cor­re­ta­mente, suas relações inter­nas pre­cisam per­manecer con­tro­ladas.

Essa condição é chama­da de coerên­cia quân­ti­ca.

O prob­le­ma é que os sis­temas quân­ti­cos são extrema­mente sen­síveis ao ambi­ente.

Calor, vibrações, radi­ação, imper­feições dos mate­ri­ais e cam­pos eletro­mag­néti­cos podem mod­i­ficar os qubits.

Quan­do essas inter­ações destroem o esta­do necessário para o cál­cu­lo, ocorre a deco­erên­cia.

Esse é um dos prin­ci­pais desafios da com­putação quân­ti­ca.

Depen­den­do da arquite­tu­ra, os proces­sadores pre­cisam oper­ar em tem­per­at­uras próx­i­mas do zero abso­lu­to, em câmaras de vácuo ou sob con­t­role pre­ciso de lasers e sinais eletro­mag­néti­cos.


Computação quântica não é sinônimo de tecnologia quântica

Um dos erros mais comuns é tratar os ter­mos “com­putação quân­ti­ca” e “tec­nolo­gia quân­ti­ca” como se fos­sem equiv­a­lentes.

A com­putação quân­ti­ca é ape­nas uma das áreas do setor.

As prin­ci­pais cat­e­go­rias são:

  • Com­putação quân­ti­ca;
  • Sim­u­lação quân­ti­ca;
  • Comu­ni­cação quân­ti­ca;
  • Sen­so­ri­a­men­to quân­ti­co;
  • Metrolo­gia quân­ti­ca;
  • Mate­ri­ais e dis­pos­i­tivos quân­ti­cos.

Cada área pos­sui obje­tivos, apli­cações e níveis de maturi­dade difer­entes.

Um com­puta­dor quân­ti­co pode exe­cu­tar algo­rit­mos espe­cial­iza­dos. Um sen­sor quân­ti­co pode medir cam­pos físi­cos. Uma rede quân­ti­ca pode dis­tribuir emaran­hamen­to. Um reló­gio atômi­co pode fornecer refer­ên­cias extrema­mente pre­cisas de tem­po.

Por­tan­to, a rev­olução quân­ti­ca não depende de uma úni­ca máquina.

Ela envolve um ecos­sis­tema com­ple­to de hard­ware, soft­ware, redes, sen­sores e instru­men­tos cien­tí­fi­cos.


O que é computação quântica?

Com­putação quân­ti­ca é uma área da ciên­cia da com­putação, da físi­ca e da engen­haria que uti­liza qubits e oper­ações quân­ti­cas para proces­sar infor­mações.

Os com­puta­dores tradi­cionais uti­lizam cir­cuitos eletrôni­cos for­ma­dos por tran­si­s­tores.

Ness­es sis­temas, os bits assumem os val­ores 0 ou 1.

Os com­puta­dores quân­ti­cos uti­lizam sis­temas físi­cos que podem apre­sen­tar super­posição, emaran­hamen­to e inter­fer­ên­cia.

Entre as tec­nolo­gias uti­lizadas para con­stru­ir qubits estão:

  • Cir­cuitos super­con­du­tores;
  • Íons apri­sion­a­dos;
  • Áto­mos neu­tros;
  • Fótons;
  • Elétrons em semi­con­du­tores;
  • Defeitos con­tro­la­dos em cristais.

Cada abor­dagem apre­sen­ta van­ta­gens e lim­i­tações.

Cir­cuitos super­con­du­tores per­mitem oper­ações ráp­i­das, mas nor­mal­mente pre­cisam ser res­fri­a­dos a tem­per­at­uras extrema­mente baixas.

Íons apri­sion­a­dos podem apre­sen­tar oper­ações de alta fidel­i­dade, porém exigem sis­temas sofisti­ca­dos de vácuo, con­t­role e lasers.

Áto­mos neu­tros podem ser orga­ni­za­dos em grandes matrizes, enquan­to sis­temas fotôni­cos pos­suem car­ac­terís­ti­cas inter­es­santes para comu­ni­cação.

O NIST apre­sen­ta difer­entes arquite­turas de qubits, incluin­do íons apri­sion­a­dos, áto­mos neu­tros, cir­cuitos super­con­du­tores e com­po­nentes semi­con­du­tores.

Não existe, até o momen­to, uma úni­ca arquite­tu­ra con­sid­er­a­da ide­al para todas as apli­cações.


Como funciona um computador quântico?

Um pro­gra­ma quân­ti­co é nor­mal­mente orga­ni­za­do na for­ma de um cir­cuito.

O proces­so pode ser divi­di­do em cin­co eta­pas.

Preparação

Os qubits são colo­ca­dos em um esta­do ini­cial con­heci­do.

Aplicação de portas quânticas

As por­tas quân­ti­cas mod­i­fi­cam os esta­dos dos qubits.

Elas desem­pen­ham uma função semel­hante às por­tas lóg­i­cas da com­putação tradi­cional, mas oper­am sobre ampli­tudes e fas­es quân­ti­cas.

Criação de superposição

Algu­mas oper­ações colo­cam os qubits em com­bi­nações de esta­dos.

Emaranhamento e interferência

Os qubits podem ser conec­ta­dos e manip­u­la­dos para que as pos­si­bil­i­dades inter­fi­ram entre si.

Medição

No final do cir­cuito, os qubits são medi­dos e pro­duzem resul­ta­dos clás­si­cos rep­re­sen­ta­dos por zeros e uns.

Como os resul­ta­dos são prob­a­bilís­ti­cos, o cir­cuito geral­mente pre­cisa ser exe­cu­ta­do várias vezes.

Depois, um com­puta­dor clás­si­co anal­isa a dis­tribuição dos resul­ta­dos.

É por isso que a com­putação quân­ti­ca tende a fun­cionar de for­ma híbri­da.

O sis­tema clás­si­co prepara os dados, con­tro­la o proces­so e inter­pre­ta os resul­ta­dos. O proces­sador quân­ti­co exe­cu­ta a parte espe­cial­iza­da do prob­le­ma.

A platafor­ma IBM Quan­tum ofer­ece aces­so remo­to a com­puta­dores quân­ti­cos, enquan­to o Qiskit per­mite cri­ar, otimizar e exe­cu­tar cir­cuitos.


O que é simulação quântica?

Molécu­las e mate­ri­ais são sis­temas quân­ti­cos.

Para com­preen­der com­ple­ta­mente suas pro­priedades, seria necessário rep­re­sen­tar as inter­ações entre diver­sas partícu­las.

O prob­le­ma é que a quan­ti­dade de infor­mações cresce rap­i­da­mente con­forme o sis­tema aumen­ta.

Mes­mo super­com­puta­dores podem enfrentar difi­cul­dades para realizar sim­u­lações exatas de deter­mi­nadas molécu­las e mate­ri­ais.

A sim­u­lação quân­ti­ca uti­liza um sis­tema quân­ti­co con­troláv­el para estu­dar out­ro sis­tema quân­ti­co.

Exis­tem duas abor­da­gens prin­ci­pais.

Simulação analógica

Um sis­tema físi­co é prepara­do para imi­tar o com­por­ta­men­to de out­ro.

Simulação digital

Um com­puta­dor quân­ti­co pro­gramáv­el exe­cu­ta cir­cuitos que aprox­i­mam a evolução do sis­tema estu­da­do.

No futuro, essas téc­ni­cas poderão aju­dar no desen­volvi­men­to de:

  • Medica­men­tos;
  • Bate­rias;
  • Fer­til­izantes;
  • Catal­isadores;
  • Super­con­du­tores;
  • Mate­ri­ais resistentes;
  • Sis­temas de cap­tura de car­bono;
  • Tec­nolo­gias de armazena­men­to de ener­gia.

Com­puta­dores quân­ti­cos atu­ais já foram uti­liza­dos em exper­i­men­tos envol­ven­do ener­gias de peque­nas molécu­las e pro­priedades mag­néti­cas de con­jun­tos de áto­mos. Entre­tan­to, apli­cações indus­tri­ais amplas ain­da podem depen­der de anos de pesquisa.


O que é comunicação quântica?

A comu­ni­cação quân­ti­ca uti­liza esta­dos de partícu­las, geral­mente fótons, para trans­mi­tir ou com­par­til­har infor­mações.

Fótons são espe­cial­mente úteis porque podem per­cor­rer fibras ópti­cas e tam­bém ser trans­mi­ti­dos pelo espaço livre.

Uma rede quân­ti­ca poderá conec­tar:

  • Com­puta­dores quân­ti­cos;
  • Sen­sores;
  • Memórias quân­ti­cas;
  • Repeti­dores;
  • Cen­tros de pesquisa;
  • Equipa­men­tos de comu­ni­cação.

Um dos princí­pios impor­tantes dessas redes é a impos­si­bil­i­dade de copi­ar per­feita­mente um esta­do quân­ti­co descon­heci­do.

Essa car­ac­terís­ti­ca é con­heci­da como princí­pio da não clon­agem.

Nas redes tradi­cionais, um sinal pode ser lido, ampli­fi­ca­do e repro­duzi­do em difer­entes pon­tos.

Nas redes quân­ti­cas, o pro­ced­i­men­to é mais com­plexo porque a medição pode alter­ar o esta­do trans­mi­ti­do.

Por isso, pesquisadores estu­dam repeti­dores quân­ti­cos, memórias e téc­ni­cas de dis­tribuição de emaran­hamen­to.

O Depar­ta­men­to de Ener­gia dos Esta­dos Unidos expli­ca que as redes quân­ti­cas uti­lizam fenô­menos como super­posição, emaran­hamen­to e não clon­agem, que não estão disponíveis nas redes clás­si­cas.


O que é internet quântica?

A inter­net quân­ti­ca não deve ser enten­di­da ape­nas como uma ver­são mais ráp­i­da da inter­net atu­al.

Seu prin­ci­pal obje­ti­vo será dis­tribuir esta­dos quân­ti­cos e conec­tar equipa­men­tos capazes de uti­lizar ess­es esta­dos.

Uma futu­ra rede desse tipo poderá per­mi­tir:

  • Conexão entre proces­sadores quân­ti­cos;
  • Sen­so­ri­a­men­to dis­tribuí­do;
  • Sin­croniza­ção avança­da;
  • Comu­ni­cação cien­tí­fi­ca;
  • Dis­tribuição de chaves;
  • Exper­i­men­tos real­iza­dos entre lab­o­ratórios dis­tantes.

Ela poderá fun­cionar em con­jun­to com a inter­net clás­si­ca.

Men­sagens, pági­nas, vídeos e arquiv­os con­tin­uarão sendo trans­mi­ti­dos por redes con­ven­cionais, enquan­to deter­mi­na­dos serviços uti­lizarão os canais quân­ti­cos.

A con­strução de uma inter­net quân­ti­ca em larga escala ain­da exige avanços em memórias, repeti­dores, inter­faces, trans­mis­são e cor­reção de erros.


Criptografia quântica e criptografia pós-quântica

Os dois con­ceitos pos­suem nomes pare­ci­dos, mas rep­re­sen­tam tec­nolo­gias difer­entes.

Criptografia quântica

A crip­tografia quân­ti­ca uti­liza pro­priedades físi­cas dos sis­temas quân­ti­cos.

Um dos exem­p­los mais con­heci­dos é a dis­tribuição quân­ti­ca de chaves, chama­da de QKD.

Nesse proces­so, duas partes uti­lizam esta­dos quân­ti­cos para esta­b­ele­cer uma chave crip­tográ­fi­ca.

Uma ten­ta­ti­va de medir ou inter­cep­tar ess­es esta­dos pode provo­car alter­ações detec­táveis.

Isso não sig­nifi­ca que um sis­tema de comu­ni­cação quân­ti­ca seja auto­mati­ca­mente invul­neráv­el.

Equipa­men­tos, pro­gra­mas, redes e pro­ced­i­men­tos humanos ain­da podem con­ter fal­has.

O NIST define a crip­tografia quân­ti­ca como a uti­liza­ção das leis da mecâni­ca quân­ti­ca para pro­te­ger dados e aju­dar a aut­en­ticar os par­tic­i­pantes da comu­ni­cação.

Criptografia pós-quântica

A crip­tografia pós-quân­ti­ca é for­ma­da por algo­rit­mos matemáti­cos exe­cu­ta­dos em com­puta­dores tradi­cionais.

Seu obje­ti­vo é pro­te­ger sis­temas con­tra ataques que poderão ser real­iza­dos por com­puta­dores quân­ti­cos mais avança­dos.

Em agos­to de 2024, o NIST pub­li­cou os três primeiros padrões final­iza­dos de crip­tografia pós-quân­ti­ca.

A tran­sição é con­sid­er­a­da impor­tante porque grandes sis­temas podem levar muitos anos para sub­sti­tuir pro­to­co­los, bib­liote­cas, cer­ti­fi­ca­dos e equipa­men­tos crip­tográ­fi­cos.

A crip­tografia pós-quân­ti­ca não exige um com­puta­dor quân­ti­co para fun­cionar.

Ela pode ser incor­po­ra­da a com­puta­dores, servi­dores, celu­lares e sis­temas con­ven­cionais.


O que são sensores quânticos?

Sen­sores quân­ti­cos uti­lizam pro­priedades de áto­mos, fótons ou out­ros sis­temas microscópi­cos para medir grandezas físi­cas.

Eles podem detec­tar alter­ações muito peque­nas de:

  • Gravi­dade;
  • Acel­er­ação;
  • Rotação;
  • Cam­po mag­néti­co;
  • Cam­po elétri­co;
  • Fre­quên­cia;
  • Tem­per­atu­ra;
  • Radi­ação;
  • Tem­po.

Ess­es sen­sores são impor­tantes porque deter­mi­nadas pro­priedades quân­ti­cas podem ser con­heci­das e con­tro­ladas com grande pre­cisão.

O NIST infor­ma que sen­sores quân­ti­cos podem detec­tar alter­ações extrema­mente peque­nas, incluin­do mudanças de ener­gia provo­cadas por uma úni­ca partícu­la de luz.

Algu­mas apli­cações pos­síveis são:

  • Nave­g­ação em locais sem sinal de GPS;
  • Detecção de estru­turas sub­ter­râneas;
  • Mon­i­tora­men­to de vul­cões;
  • Estu­dos de aquífer­os;
  • Diag­nós­ti­cos médi­cos;
  • Análise do cére­bro;
  • Astrono­mia;
  • Inspeção de mate­ri­ais;
  • Pesquisa espa­cial.

Alguns sen­sores de fótons indi­vid­u­ais já são uti­liza­dos em comu­ni­cações ópti­cas, ima­gens tridi­men­sion­ais, exam­es PET, micro­scopia e sis­temas de visão notur­na. Cer­tos smart­phones tam­bém uti­lizam com­po­nentes desse tipo para medir dis­tân­cias e aux­il­iar recur­sos de câmera e real­i­dade aumen­ta­da.


Relógios atômicos e medição do tempo

Os reló­gios atômi­cos estão entre as tec­nolo­gias quân­ti­cas mais impor­tantes já uti­lizadas.

Eles medem o tem­po obser­van­do fre­quên­cias asso­ci­adas às tran­sições entre níveis de ener­gia dos áto­mos.

Como essas fre­quên­cias são extrema­mente estáveis, os reló­gios atômi­cos ofer­e­cem grande pre­cisão.

Eles são fun­da­men­tais para:

  • Sis­temas de posi­ciona­men­to;
  • Tele­co­mu­ni­cações;
  • Redes de ener­gia;
  • Oper­ações finan­ceiras;
  • Nave­g­ação;
  • Satélites;
  • Pesquisas cien­tí­fi­cas;
  • Sin­croniza­ção de redes.

O NIST desta­ca que reló­gios atômi­cos uti­lizam níveis quân­ti­cos de ener­gia para medir o tem­po com maior pre­cisão do que out­ros tipos de reló­gio.

Peque­nas difer­enças de tem­po podem provo­car erros de local­iza­ção ou fal­has de sin­croniza­ção em sis­temas dig­i­tais.

Por isso, a metrolo­gia quân­ti­ca já desem­pen­ha um papel silen­cioso, mas essen­cial, na infraestru­tu­ra mod­er­na.


Quais setores podem ser transformados?

As tec­nolo­gias quân­ti­cas pos­suem apli­cações poten­ci­ais em difer­entes áreas.

Entre­tan­to, é impor­tante dis­tin­guir exper­i­men­tos cien­tí­fi­cos de soluções com­er­ci­ais já com­pro­vadas.


Saúde e desenvolvimento de medicamentos

O desen­volvi­men­to de um medica­men­to exige a análise de molécu­las, pro­teí­nas e inter­ações quími­cas.

A sim­u­lação quân­ti­ca poderá aju­dar pesquisadores a cal­cu­lar pro­priedades mol­e­c­u­lares e sele­cionar can­didatos para estu­dos lab­o­ra­to­ri­ais.

Isso não sig­nifi­ca que com­puta­dores quân­ti­cos cri­arão medica­men­tos soz­in­hos.

Eles poderão fun­cionar como fer­ra­men­tas adi­cionais den­tro de proces­sos que tam­bém depen­dem de biolo­gia, quími­ca, inteligên­cia arti­fi­cial, testes lab­o­ra­to­ri­ais e estu­dos clíni­cos.

Sen­sores quân­ti­cos tam­bém podem con­tribuir para equipa­men­tos de diag­nós­ti­co e medição de sinais biológi­cos muito fra­cos.


Energia e novos materiais

A com­preen­são das pro­priedades dos mate­ri­ais depende das inter­ações entre elétrons e áto­mos.

Sis­temas quân­ti­cos poderão aju­dar no estu­do de:

  • Bate­rias mais efi­cientes;
  • Célu­las solares;
  • Super­con­du­tores;
  • Catal­isadores indus­tri­ais;
  • Hidrogênio;
  • Cap­tura de car­bono;
  • Fer­til­izantes;
  • Mate­ri­ais mag­néti­cos;
  • Armazena­men­to de ener­gia.

Uma mel­ho­ria em catal­isadores, por exem­p­lo, pode reduzir a quan­ti­dade de ener­gia necessária para deter­mi­nadas reações indus­tri­ais.


Logística e otimização

Empre­sas enfrentam prob­le­mas envol­ven­do rotas, horários, esto­ques, pro­dução e dis­tribuição de recur­sos.

Alguns algo­rit­mos quân­ti­cos são pesquisa­dos para prob­le­mas de otimiza­ção.

No entan­to, não existe garan­tia de que todo prob­le­ma logís­ti­co será resolvi­do mais rap­i­da­mente por uma máquina quân­ti­ca.

Méto­dos clás­si­cos con­tin­u­am sendo extrema­mente efi­cientes.

Uma van­tagem práti­ca pre­cis­ará ser demon­stra­da con­sideran­do veloci­dade, pre­cisão, cus­to e qual­i­dade dos resul­ta­dos.


Mercado financeiro

Insti­tu­ições finan­ceiras pesquisam pos­síveis apli­cações em:

  • Análise de risco;
  • For­mação de carteiras;
  • Sim­u­lação de cenários;
  • Detecção de padrões;
  • Otimiza­ção;
  • Pre­ci­fi­cação de ativos.

Grande parte dessas pesquisas ain­da é exper­i­men­tal.

Afir­mações de gan­hos extra­ordinários pre­cisam ser anal­isadas com cuida­do, espe­cial­mente quan­do não são com­para­das aos mel­hores algo­rit­mos clás­si­cos disponíveis.


Navegação, clima e meio ambiente

Sen­sores de acel­er­ação, rotação e gravi­dade podem com­ple­men­tar sis­temas de nave­g­ação por satélite.

Gravímet­ros quân­ti­cos tam­bém podem aju­dar a estu­dar for­mações geológ­i­cas, reser­vas de água e mudanças na dis­tribuição de mas­sas.

Ess­es instru­men­tos uti­lizam pro­priedades ondu­latórias dos áto­mos para medir os efeitos da gravi­dade.

Na área ambi­en­tal, sen­sores mais pre­cisos podem con­tribuir para o mon­i­tora­men­to de polu­entes, cam­pos mag­néti­cos e condições geológ­i­cas.


O que já existe atualmente?

Algu­mas tec­nolo­gias baseadas em físi­ca quân­ti­ca já fazem parte da sociedade:

  • Tran­si­s­tores;
  • Lasers;
  • Reló­gios atômi­cos;
  • Ressonân­cia mag­néti­ca;
  • Painéis solares;
  • Detec­tores de fótons;
  • Sen­sores cien­tí­fi­cos;
  • Equipa­men­tos de metrolo­gia.

Tam­bém já exis­tem com­puta­dores quân­ti­cos exper­i­men­tais acessíveis pela nuvem.

Essas máquinas podem ser uti­lizadas para estu­dar cir­cuitos, desen­volver algo­rit­mos e realizar pesquisas.

Entre­tan­to, os com­puta­dores quân­ti­cos atu­ais ain­da enfrentam ruí­do, erros e lim­i­tações de escala.

O NIST obser­va que muitas apli­cações impor­tantes ain­da podem estar a anos ou décadas de dis­tân­cia, emb­o­ra já exis­tam demon­strações de van­tagem quân­ti­ca em tare­fas especí­fi­cas.


Principais desafios das tecnologias quânticas

Ruído

Oper­ações quân­ti­cas não são per­feitas.

Pequenos erros podem se acu­mu­lar e com­pro­m­e­ter o resul­ta­do.

Decoerência

O con­ta­to com o ambi­ente pode destru­ir o esta­do quân­ti­co necessário para o cál­cu­lo.

Correção de erros

A pro­teção da infor­mação quân­ti­ca exige méto­dos sofisti­ca­dos.

Vários qubits físi­cos podem ser necessários para con­stru­ir um úni­co qubit lógi­co con­fiáv­el.

Escalabilidade

Con­tro­lar dezenas de qubits é difer­ente de con­tro­lar mil­hares ou mil­hões.

O aumen­to do sis­tema exige avanços em fab­ri­cação, refrig­er­ação, eletrôni­ca, ópti­ca, cal­i­bração e soft­ware.

Custos

Algu­mas arquite­turas pre­cisam de equipa­men­tos criogêni­cos, lasers estáveis, câmaras de vácuo e mate­ri­ais espe­cial­iza­dos.

Falta de profissionais

O setor depende de físi­cos, engen­heiros, matemáti­cos, desen­volve­dores, espe­cial­is­tas em mate­ri­ais, profis­sion­ais de segu­rança e téc­ni­cos.

Excesso de expectativas

O inter­esse com­er­cial pode estim­u­lar promes­sas que ain­da não pos­suem com­pro­vação.

Por isso, resul­ta­dos devem ser avali­a­dos com base em arti­gos cien­tí­fi­cos, métri­c­as trans­par­entes e com­para­ções ade­quadas com méto­dos clás­si­cos.


Tecnologias quânticas e inteligência artificial

Inteligên­cia arti­fi­cial e com­putação quân­ti­ca são tec­nolo­gias difer­entes.

A inteligên­cia arti­fi­cial atu­al fun­ciona prin­ci­pal­mente em com­puta­dores clás­si­cos, proces­sadores grá­fi­cos e acel­er­adores espe­cial­iza­dos.

A com­putação quân­ti­ca uti­liza qubits e cir­cuitos quân­ti­cos.

Pesquisadores estu­dam o apren­diza­do de máquina quân­ti­co, mas van­ta­gens práti­cas amplas ain­da pre­cisam ser demon­stradas.

No futuro, proces­sadores quân­ti­cos poderão exe­cu­tar eta­pas especí­fi­cas de um sis­tema de inteligên­cia arti­fi­cial.

A inteligên­cia arti­fi­cial tam­bém pode aju­dar no desen­volvi­men­to das tec­nolo­gias quân­ti­cas, con­tribuin­do para:

  • Cal­i­bração de equipa­men­tos;
  • Redução de ruí­dos;
  • Otimiza­ção de cir­cuitos;
  • Descober­ta de mate­ri­ais;
  • Con­t­role de exper­i­men­tos;
  • Desen­volvi­men­to de algo­rit­mos.

O cenário mais prováv­el é de inte­gração, e não de sub­sti­tu­ição.


Tecnologias quânticas no Brasil

O Brasil pos­sui uni­ver­si­dades, cen­tros de pesquisa e profis­sion­ais atuan­do em físi­ca quân­ti­ca, com­putação, fotôni­ca, mate­ri­ais e segu­rança dig­i­tal.

Em abril de 2026, o Min­istério da Ciên­cia, Tec­nolo­gia e Ino­vação anun­ciou a cri­ação de um Cen­tro Inter­na­cional de Com­putação Quân­ti­ca no Brasil, com obje­tivos rela­ciona­dos à pesquisa, capac­i­tação, ino­vação e coop­er­ação. Segun­do o anún­cio ofi­cial, o espaço dev­erá abri­gar dois com­puta­dores quân­ti­cos opera­cionais.

No mes­mo perío­do, um edi­tal de R$ 300 mil­hões foi anun­ci­a­do para apoiar empre­sas em áreas dig­i­tais avançadas, incluin­do apli­cações quân­ti­cas em com­putação, comu­ni­cação e sen­sores.

Essas ini­cia­ti­vas indicam uma ten­ta­ti­va de ampli­ar a for­mação profis­sion­al e aprox­i­mar uni­ver­si­dades, empre­sas e gov­er­no.

O desafio brasileiro será trans­for­mar pesquisa em apli­cações, for­mar espe­cial­is­tas e desen­volver uma cadeia tec­nológ­i­ca que não depen­da exclu­si­va­mente de equipa­men­tos estrangeiros.


Quais profissionais podem trabalhar na área?

Tec­nolo­gias quân­ti­cas não são exclu­si­vas para físi­cos.

O setor ofer­ece espaço para profis­sion­ais de:

  • Ciên­cia da com­putação;
  • Sis­temas de infor­mação;
  • Engen­haria de soft­ware;
  • Engen­haria elétri­ca;
  • Matemáti­ca;
  • Quími­ca;
  • Físi­ca;
  • Ciên­cia de dados;
  • Segu­rança da infor­mação;
  • Engen­haria de mate­ri­ais;
  • Fotôni­ca;
  • Gestão de pro­je­tos;
  • Dire­ito dig­i­tal;
  • Admin­is­tração e ino­vação.

Um desen­volve­dor pode atu­ar na con­strução de algo­rit­mos, sim­u­ladores, platafor­mas de con­t­role e inte­gração com sis­temas clás­si­cos.

Um profis­sion­al de segu­rança pode tra­bal­har com crip­tografia pós-quân­ti­ca e plane­ja­men­to de migração.

Engen­heiros podem par­tic­i­par da fab­ri­cação, cal­i­bração e oper­ação dos equipa­men­tos.

Gestores podem avaliar casos de uso, fornece­dores, inves­ti­men­tos e riscos.


Como começar a estudar tecnologias quânticas?

O apren­diza­do pode ser divi­di­do em eta­pas.

1. Matemática básica

Comece por:

  • Álge­bra lin­ear;
  • Matrizes;
  • Vetores;
  • Números com­plex­os;
  • Prob­a­bil­i­dade;
  • Funções;
  • Noções de cál­cu­lo.

2. Programação

Python é ampla­mente uti­liza­do em cur­sos e bib­liote­cas de com­putação quân­ti­ca.

Tam­bém são impor­tantes con­hec­i­men­tos de lóg­i­ca, algo­rit­mos e estru­turas de dados.

3. Conceitos quânticos

Estude:

  • Qubits;
  • Super­posição;
  • Medição;
  • Por­tas quân­ti­cas;
  • Cir­cuitos;
  • Emaran­hamen­to;
  • Inter­fer­ên­cia;
  • Cor­reção de erros.

4. Simuladores

Sim­u­ladores per­mitem tes­tar cir­cuitos sem uti­lizar um proces­sador quân­ti­co real.

Eles tam­bém aju­dam a obser­var esta­dos e iden­ti­ficar erros.

5. Plataformas em nuvem

Serviços como a IBM Quan­tum Plat­form per­mitem estu­dar e exe­cu­tar exper­i­men­tos remo­ta­mente.

Não é necessário com­prar um com­puta­dor quân­ti­co para ini­ciar.


Principais mitos sobre tecnologias quânticas

“Um computador quântico será mais rápido em qualquer tarefa”

Não.

Ele poderá apre­sen­tar van­ta­gens em cat­e­go­rias especí­fi­cas de prob­le­mas.

Para muitas tare­fas comuns, com­puta­dores clás­si­cos con­tin­uarão mais ade­qua­dos.

“A superposição fornece todas as respostas”

Não.

A medição pro­duz ape­nas um resul­ta­do.

O algo­rit­mo pre­cisa uti­lizar inter­fer­ên­cia para aumen­tar a prob­a­bil­i­dade de obter uma respos­ta útil.

“Emaranhamento permite comunicação instantânea”

Não.

O emaran­hamen­to pro­duz cor­re­lações, mas não per­mite trans­mi­tir men­sagens mais rápi­do do que a luz.

“Computadores quânticos já podem quebrar toda a criptografia”

Não.

As máquinas atu­ais ain­da não pos­suem escala e cor­reção de erros sufi­cientes para isso.

Mes­mo assim, a migração para padrões pós-quân­ti­cos pre­cisa começar com ante­cedên­cia.

“Tecnologia quântica significa somente computação”

Não.

O setor tam­bém inclui comu­ni­cação, sen­sores, reló­gios, metrolo­gia, mate­ri­ais e instru­men­tos cien­tí­fi­cos.


Qual será o futuro das tecnologias quânticas?

O desen­volvi­men­to provavel­mente acon­te­cerá de for­ma grad­ual.

Alguns sen­sores e sis­temas de segu­rança podem alcançar apli­cações com­er­ci­ais antes dos com­puta­dores quân­ti­cos tol­er­antes a fal­has em grande escala.

Na com­putação, o prin­ci­pal obje­ti­vo é con­stru­ir qubits lógi­cos con­fiáveis.

Na comu­ni­cação, o desafio é desen­volver repeti­dores, memórias e inter­faces capazes de preser­var esta­dos por dis­tân­cias maiores.

No sen­so­ri­a­men­to, os equipa­men­tos pre­cisam se tornar menores, mais resistentes e eco­nomi­ca­mente viáveis.

Tam­bém será necessário cri­ar padrões con­fiáveis de com­para­ção.

A quan­ti­dade de qubits não é sufi­ciente para deter­mi­nar a capaci­dade de um com­puta­dor quân­ti­co.

É pre­ciso con­sid­er­ar:

  • Taxa de erro;
  • Fidel­i­dade das oper­ações;
  • Conec­tivi­dade;
  • Veloci­dade;
  • Tem­po de coerên­cia;
  • Capaci­dade de cor­reção;
  • Qual­i­dade do soft­ware.

Em 2025, a Orga­ni­za­ção das Nações Unidas declar­ou o Ano Inter­na­cional da Ciên­cia e Tec­nolo­gia Quân­ti­ca, sob lid­er­ança da UNESCO, para ampli­ar a edu­cação, a coop­er­ação cien­tí­fi­ca e o aces­so ao con­hec­i­men­to.

Em 2026, a UNESCO apre­sen­tou uma ini­cia­ti­va glob­al para o perío­do de 2026 a 2028, volta­da à edu­cação, ao aces­so à infraestru­tu­ra e à gov­er­nança respon­sáv­el das tec­nolo­gias quân­ti­cas.

Ess­es movi­men­tos mostram que o tema não envolve ape­nas desem­pen­ho tec­nológi­co.

Ele tam­bém está rela­ciona­do à edu­cação, segu­rança, sobera­nia, inclusão e dis­tribuição dos bene­fí­cios cien­tí­fi­cos.

Tec­nolo­gias quân­ti­cas são sis­temas que uti­lizam pro­priedades fun­da­men­tais da matéria e da ener­gia para cri­ar novas for­mas de com­putar, medir, comu­nicar e sim­u­lar.

Elas abrangem com­puta­dores quân­ti­cos, redes, sen­sores, reló­gios atômi­cos, crip­tografia, metrolo­gia e dis­pos­i­tivos avança­dos.

Seu poten­cial está rela­ciona­do ao con­t­role de fenô­menos como super­posição, emaran­hamen­to, inter­fer­ên­cia e tunela­men­to.

Entre­tan­to, a área ain­da enfrenta desafios impor­tantes.

Qubits são frágeis, oper­ações apre­sen­tam erros, equipa­men­tos podem ser caros e sis­temas de grande escala exigem avanços cien­tí­fi­cos e indus­tri­ais.

Ao mes­mo tem­po, diver­sas tec­nolo­gias baseadas em físi­ca quân­ti­ca já fazem parte da vida mod­er­na.

A nova rev­olução bus­ca alcançar um nív­el de con­t­role ain­da maior sobre áto­mos, elétrons e fótons.

Com­puta­dores quân­ti­cos provavel­mente não sub­sti­tuirão os com­puta­dores con­ven­cionais.

Eles dev­erão atu­ar como proces­sadores espe­cial­iza­dos, inte­gra­dos a servi­dores, super­com­puta­dores, inteligên­cia arti­fi­cial e redes tradi­cionais.

Para profis­sion­ais e empre­sas, o momen­to é ade­qua­do para apren­der, acom­pan­har os padrões de segu­rança e iden­ti­ficar apli­cações real­is­tas.

A rev­olução quân­ti­ca não será pro­duzi­da por uma úni­ca máquina.

Ela será con­struí­da pela com­bi­nação entre ciên­cia, engen­haria, soft­ware, mate­ri­ais, comu­ni­cação, edu­cação e inves­ti­men­tos.

Com­preen­der o que são tec­nolo­gias quân­ti­cas é o primeiro pas­so para acom­pan­har uma trans­for­mação que poderá influ­en­ciar a saúde, a ener­gia, a segu­rança, a indús­tria e diver­sas profis­sões nas próx­i­mas décadas.


❓ Perguntas frequentes

O que são tecnologias quânticas em poucas palavras?

São tec­nolo­gias que con­tro­lam pro­priedades de áto­mos, elétrons, fótons e out­ros sis­temas microscópi­cos para realizar cál­cu­los, medições, comu­ni­cações ou sim­u­lações.

Computação quântica e tecnologia quântica são iguais?

Não. A com­putação quân­ti­ca é uma das áreas. O setor tam­bém inclui sen­sores, comu­ni­cação, crip­tografia, metrolo­gia e sim­u­lação.

O que é um qubit?

É a unidade bási­ca de infor­mação da com­putação quân­ti­ca. Ele pode ser prepara­do em uma com­bi­nação dos esta­dos 0 e 1 antes da medição.

Computadores quânticos já existem?

Sim. Exis­tem proces­sadores exper­i­men­tais acessíveis pela nuvem. Porém, eles ain­da apre­sen­tam ruí­do, erros e lim­i­tações de escala.

Um computador quântico substituirá o computador tradicional?

Não. A tendên­cia é que fun­cione como um acel­er­ador espe­cial­iza­do conec­ta­do a com­puta­dores con­ven­cionais.

É necessário conhecer física para trabalhar na área?

Depende da ativi­dade. Algu­mas funções exigem físi­ca avança­da, enquan­to out­ras estão rela­cionadas a pro­gra­mação, segu­rança, gestão, negó­cios e engen­haria.

A tecnologia quântica pode melhorar a segurança?

Sim. A área inclui comu­ni­cação quân­ti­ca e crip­tografia pós-quân­ti­ca. Entre­tan­to, nen­hu­ma solução elim­i­na todos os riscos de segu­rança.

Quando a computação quântica será utilizada em larga escala?

Não existe uma data defin­i­ti­va. O avanço depen­derá da redução de erros, da cor­reção de fal­has, da ampli­ação dos equipa­men­tos e da demon­stração de van­ta­gens práti­cas.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *