O futuro dos aplicativos para Samsung Tizen, LG webOS, Roku e Android TV

Como serão os aplicativos para Smart TVs no futuro

Os aplica­tivos para Smart TVs estão entran­do em uma nova fase. Durante muitos anos, a pri­or­i­dade do setor foi sim­ples­mente disponi­bi­lizar serviços de stream­ing nas prin­ci­pais mar­cas de tele­vi­sores. Ter um aplica­ti­vo fun­cio­nan­do, repro­duzin­do vídeos e respon­den­do ao con­t­role remo­to já era sufi­ciente para colo­car uma emis­so­ra, platafor­ma de con­teú­do ou empre­sa de mídia den­tro da sala do con­sum­i­dor.

Esse cenário mudou.

As Smart TVs deixaram de fun­cionar ape­nas como telas conec­tadas e pas­saram a ocu­par o cen­tro de ecos­sis­temas for­ma­dos por stream­ing, pub­li­ci­dade, inteligên­cia arti­fi­cial, jogos, comér­cio dig­i­tal, automação res­i­den­cial e serviços per­son­al­iza­dos. Como con­se­quên­cia, os aplica­tivos pre­cisam faz­er muito mais do que exibir um catál­o­go e abrir um play­er.

O futuro dos aplica­tivos para Sam­sung Tizen, LG webOS, Roku e Android TV será mar­ca­do por inter­faces mais inteligentes, inte­gração pro­fun­da com a tela ini­cial, descober­ta de con­teú­do fora do próprio aplica­ti­vo, anún­cios per­son­al­iza­dos, trans­mis­sões ao vivo de baixa latên­cia, exper­iên­cias acessíveis e arquite­turas capazes de fun­cionar em tele­vi­sores com difer­entes níveis de proces­sa­men­to.

As qua­tro platafor­mas con­tin­uarão rel­e­vantes, mas seguirão cam­in­hos téc­ni­cos dis­tin­tos.

A Sam­sung está for­t­ale­cen­do o Tizen como uma platafor­ma de inteligên­cia arti­fi­cial e entreten­i­men­to inte­gra­do. A LG começou a abrir uma nova pos­si­bil­i­dade de desen­volvi­men­to com o suporte ofi­cial ao Flut­ter no webOS. A Roku man­tém um ambi­ente alta­mente espe­cial­iza­do em stream­ing, mon­e­ti­za­ção e descober­ta de con­teú­do. O Google, por sua vez, con­duz o Android TV e o Google TV para uma arquite­tu­ra basea­da em Jet­pack Com­pose, Media3, inte­gração com agentes de IA e exper­iên­cias adap­táveis.

Com­preen­der essas difer­enças será essen­cial para empre­sas que dese­jam desen­volver aplica­tivos de stream­ing com­pet­i­tivos nos próx­i­mos anos.

📺 A Smart TV deixa de ser apenas um aparelho de reprodução

Durante a primeira ger­ação dos aplica­tivos para tele­visão, a arquite­tu­ra era rel­a­ti­va­mente sim­ples.

O aplica­ti­vo solic­i­ta­va uma lista de filmes, pro­gra­mas ou canais a uma API, mon­ta­va algu­mas telas de catál­o­go e envi­a­va uma URL de vídeo para o play­er da platafor­ma.

Essa estru­tu­ra con­tin­ua existin­do, mas já não é sufi­ciente para entre­gar uma exper­iên­cia mod­er­na.

O aplica­ti­vo atu­al pre­cisa con­tro­lar aut­en­ti­cação, per­fis, recomen­dações, favoritos, históri­co, retoma­da de repro­dução, leg­en­das, audiode­scrição, múlti­p­los áudios, pub­li­ci­dade, com­pras, assi­nat­uras, trans­mis­sões ao vivo, pro­teção DRM e inte­gração com mecan­is­mos de bus­ca do sis­tema.

Além dis­so, o con­teú­do pode apare­cer antes mes­mo de o usuário abrir o aplica­ti­vo. Filmes, canais e pro­gra­mas podem ser exibidos na pági­na ini­cial da TV, nos resul­ta­dos de bus­ca, nas recomen­dações do sis­tema, em coman­dos de voz ou em áreas de con­tinuidade, como “con­tin­ue assistin­do”.

No Roku, por exem­p­lo, o deep link­ing faz parte da cer­ti­fi­cação e deve levar o usuário dire­ta­mente ao con­teú­do solic­i­ta­do, em vez de sim­ples­mente abrir a pági­na ini­cial do aplica­ti­vo. A platafor­ma tam­bém per­mite o envio de feeds para que filmes, séries e out­ros pro­gra­mas apareçam na bus­ca do sis­tema.

O Android TV e o Google TV estão seguin­do uma direção semel­hante. O Google pas­sou a recomen­dar o Engage SDK para fornecer infor­mações de con­tinuidade, recomen­dações e dire­itos de aces­so ao sis­tema. A empre­sa tam­bém infor­mou que a anti­ga API Watch Next perderá suporte no segun­do semes­tre de 2027, reforçan­do a importân­cia de uma descober­ta de con­teú­do mais integra­da.

O futuro, por­tan­to, não será definido ape­nas pela qual­i­dade da tela ini­cial do aplica­ti­vo. Será definido pela capaci­dade de o con­teú­do apare­cer no momen­to cer­to, den­tro e fora dele.

🤖 A inteligência artificial se tornará parte da experiência televisiva

A inteligên­cia arti­fi­cial tende a mod­i­ficar pro­fun­da­mente a maneira como as pes­soas encon­tram e con­somem con­teú­do na tele­visão.

As recomen­dações tradi­cionais uti­lizam infor­mações como históri­co, gênero preferi­do, horário e pop­u­lar­i­dade. Os sis­temas mais recentes começam a com­preen­der per­gun­tas em lin­guagem nat­ur­al, con­tex­to e intenção.

Em vez de pesquis­ar ape­nas por um títu­lo, o usuário poderá diz­er:

“Mostre filmes de sus­pense sem mui­ta vio­lên­cia para assi­s­tir em família.”

“Qual é o doc­u­men­tário sobre inteligên­cia arti­fi­cial que come­cei ontem?”

“Encon­tre um pro­gra­ma cur­to para assi­s­tir antes do jogo.”

“Resuma o episó­dio ante­ri­or antes de começar o próx­i­mo.”

Essas inter­ações exigem que o aplica­ti­vo orga­nize cor­re­ta­mente seus metada­dos. Títu­los, descrições, gêneros, clas­si­fi­cação indica­ti­va, elen­co, duração, tem­po­radas, idiomas, disponi­bil­i­dade e relações entre episó­dios pre­cisam estar estru­tu­ra­dos de maneira con­sis­tente.

A Sam­sung já demon­strou essa direção ao disponi­bi­lizar um aplica­ti­vo de tele­visão basea­do na tec­nolo­gia da Per­plex­i­ty. O serviço per­mite realizar per­gun­tas por voz e apre­sen­tar respostas em cartões visuais prepara­dos para a tela grande, como parte da estraté­gia Vision AI da empre­sa.

No ecos­sis­tema Android, o Google começou a esta­b­ele­cer critérios especí­fi­cos para exper­iên­cias de IA nos aplica­tivos de TV. As dire­trizes atu­al­izadas de qual­i­dade clas­si­fi­cam aplica­tivos em três níveis e incluem, entre os req­ui­si­tos do nív­el mais avança­do, exper­iên­cias imple­men­tadas com App­Func­tions ou inteligên­cia arti­fi­cial den­tro do próprio aplica­ti­vo.

O Google tam­bém está desen­vol­ven­do o App­Func­tions, uma API que per­mite aos aplica­tivos disponi­bi­lizar funções para agentes e assis­tentes. Em uma futu­ra exper­iên­cia tele­vi­si­va, isso poderá per­mi­tir que um assis­tente exe­cute tare­fas den­tro do aplica­ti­vo, como abrir um canal, bus­car um pro­gra­ma, adi­cionar um títu­lo aos favoritos ou ini­ciar a repro­dução. Em jul­ho de 2026, a inte­gração do App­Func­tions com o Gem­i­ni ain­da esta­va em testes pri­va­dos.

A evolução mais prováv­el é que a inteligên­cia arti­fi­cial deixe de exi­s­tir ape­nas como uma função iso­la­da e se trans­forme em uma cama­da de nave­g­ação.

O usuário não pre­cis­ará con­hecer toda a estru­tu­ra do aplica­ti­vo. Ele poderá expres­sar o resul­ta­do dese­ja­do, enquan­to o sis­tema iden­ti­fi­ca o con­teú­do, a tela ou a ação cor­re­spon­dente.

🟦 O futuro dos aplicativos para Samsung Tizen

O Sam­sung Tizen con­tin­uará sendo uma das platafor­mas mais impor­tantes para dis­tribuição de aplica­tivos de Smart TV.

Os aplica­tivos tradi­cionais para tele­vi­sores Sam­sung uti­lizam tec­nolo­gias da web, como HTML, CSS e JavaScript, com­bi­nadas com APIs especí­fi­cas da platafor­ma. A doc­u­men­tação téc­ni­ca já lista o Tizen 10.0 como a ver­são asso­ci­a­da aos tele­vi­sores de 2026.

Essa base web facili­ta o aproveita­men­to de bib­liote­cas e com­po­nentes exis­tentes. Entre­tan­to, um aplica­ti­vo para Tizen não deve ser trata­do como uma pági­na con­ven­cional aber­ta em um nave­g­ador.

Há lim­i­tações rela­cionadas a memória, proces­sa­men­to, ciclo de vida, con­t­role remo­to, foco, exe­cução em segun­do plano e com­pat­i­bil­i­dade entre mod­e­los de difer­entes anos.

🎬 AVPlay continuará sendo essencial

Para serviços profis­sion­ais de vídeo, o AVPlay per­manece como um dos prin­ci­pais com­po­nentes da platafor­ma.

A API per­mite con­tro­lar repro­dução, mudança de posição, veloci­dade, faixas de áudio e difer­entes recur­sos mul­ti­mí­dia. Ela tam­bém ofer­ece fun­cional­i­dades que podem não estar disponíveis da mes­ma maneira no ele­men­to HTML5 padrão, incluin­do stream­ing adap­ta­ti­vo, for­matos adi­cionais de leg­en­da, DRM e repro­dução de vídeo em alta res­olução.

Aplica­tivos de stream­ing pre­cis­arão tratar o play­er como um módu­lo inde­pen­dente, com uma máquina de esta­dos clara.

Esta­dos como car­regan­do, preparan­do, repro­duzin­do, pau­sa­do, buffer­ing, encer­ra­do e erro pre­cisam ser acom­pan­hados de for­ma pre­visív­el. Isso reduz trava­men­tos e facili­ta a recu­per­ação quan­do a conexão muda ou quan­do o usuário tro­ca rap­i­da­mente de canal.

Para aplica­tivos de tele­visão lin­ear, a veloci­dade de zap­ping con­tin­uará sendo um difer­en­cial. O usuário espera tro­car de canal com uma respos­ta semel­hante à tele­visão tradi­cional. Proces­sos como aut­en­ti­cação, con­sul­ta à grade, obtenção da URL e preparação do play­er devem ser orga­ni­za­dos para evi­tar esperas desnecessárias.

A Sam­sung tam­bém disponi­bi­liza um Tizen WASM Play­er, que fornece a aplica­tivos WebAssem­bly aces­so de nív­el mais baixo ao pipeline de mídia. Isso abre pos­si­bil­i­dades para soluções espe­cial­izadas que neces­si­tam con­tro­lar pacotes cod­i­fi­ca­dos de áudio e vídeo com maior pre­cisão.

🧠 Tizen será cada vez mais associado à IA

A estraté­gia da Sam­sung apon­ta para uma inte­gração cres­cente entre Tizen, inteligên­cia arti­fi­cial, per­son­al­iza­ção e o ecos­sis­tema Galaxy.

A empre­sa afir­ma que suas TVs de 2026 uti­lizam uma ver­são atu­al­iza­da da inter­face One UI Tizen, com descober­ta de con­teú­do per­son­al­iza­da e recur­sos reunidos em sua platafor­ma de IA. A Sam­sung tam­bém pas­sou a ofer­e­cer até sete anos de atu­al­iza­ções do sis­tema opera­cional para mod­e­los elegíveis, emb­o­ra a disponi­bil­i­dade dos recur­sos pos­sa vari­ar con­forme apar­el­ho, região e ano.

Um ciclo maior de atu­al­iza­ções pode diminuir parte da frag­men­tação do ecos­sis­tema. Entre­tan­to, os desen­volve­dores ain­da pre­cis­arão tes­tar tele­vi­sores de várias ger­ações, pois uma atu­al­iza­ção de soft­ware não mod­i­fi­ca as lim­i­tações físi­cas do proces­sador, da memória ou dos decod­i­fi­cadores de vídeo.

A Sam­sung tam­bém anun­ciou ante­ri­or­mente o desen­volvi­men­to de uma base Tizen rela­ciona­da à arquite­tu­ra RISC‑V e indi­cou um novo SDK para apli­cações em 2026. Esse movi­men­to demon­stra uma bus­ca por novas alter­na­ti­vas de hard­ware e desen­volvi­men­to, emb­o­ra a adoção práti­ca em tele­vi­sores e aplica­tivos com­er­ci­ais depen­da das fer­ra­men­tas e dis­pos­i­tivos efe­ti­va­mente disponi­bi­liza­dos.

🎮 Streaming, FAST e serviços interativos

O Tizen dev­erá ampli­ar o espaço para aplica­tivos que com­binem vídeo, jogos e inter­a­tivi­dade.

A Sam­sung pro­move o TV Plus como um serviço gra­tu­ito finan­cia­do por pub­li­ci­dade e o Gam­ing Hub como uma cen­tral para jogos em nuvem. Nas lin­has de tele­vi­sores de 2026, ess­es serviços per­manecem inte­gra­dos à inter­face do sis­tema.

Essa inte­gração mostra que o futuro do aplica­ti­vo não estará lim­i­ta­do a filmes sob deman­da.

Emis­so­ras poderão ofer­e­cer canais FAST, pro­gra­mas ao vivo, notí­cias, esportes, con­teú­dos temáti­cos e exper­iên­cias inter­a­ti­vas. Empre­sas de out­ros setores poderão uti­lizar a TV para edu­cação, atendi­men­to, comér­cio, demon­stração de pro­du­tos e serviços conec­ta­dos.

🔮 O que esperar do Tizen

Nos próx­i­mos anos, os aplica­tivos Tizen mais com­pet­i­tivos dev­erão apre­sen­tar:

  • Ini­cial­iza­ção ráp­i­da;
  • Play­er AVPlay com recu­per­ação automáti­ca;
  • Nave­g­ação por voz e lin­guagem nat­ur­al;
  • Inte­gração com recur­sos de descober­ta do sis­tema;
  • Suporte a trans­mis­sões ao vivo e canais FAST;
  • Inter­faces adap­tadas a difer­entes ger­ações de tele­vi­sores;
  • Uso de con­fig­u­ração remo­ta para ati­var ou desati­var recur­sos;
  • Observ­abil­i­dade de erros por mod­e­lo e ver­são do Tizen;
  • Per­son­al­iza­ção sem com­pro­m­e­ter a pri­vaci­dade;
  • Maior inte­gração com celu­lares e dis­pos­i­tivos Galaxy.

O Tizen con­tin­uará sendo favoráv­el para empre­sas capazes de com­bi­nar desen­volvi­men­to web com con­hec­i­men­to especí­fi­co do fun­ciona­men­to de uma tele­visão.

🟣 O futuro dos aplicativos para LG webOS

O webOS sem­pre foi uma platafor­ma forte­mente asso­ci­a­da às tec­nolo­gias web.

A doc­u­men­tação da LG expli­ca que os aplica­tivos podem ser desen­volvi­dos com HTML, CSS e JavaScript, receben­do aces­so a APIs e funções especí­fi­cas do sis­tema opera­cional.

Essa car­ac­terís­ti­ca tornou pos­sív­el aproveitar profis­sion­ais e estru­turas de desen­volvi­men­to web. Con­tu­do, a LG ini­ciou em 2026 uma mudança que pode ampli­ar sig­ni­fica­ti­va­mente as opções disponíveis.

🦋 Flutter chega oficialmente ao webOS TV

Em jun­ho de 2026, a LG anun­ciou a disponi­bil­i­dade ofi­cial do Flut­ter para webOS TV.

O novo SDK per­mite con­stru­ir, empa­co­tar e exe­cu­tar apli­cações Flut­ter dire­ta­mente em dis­pos­i­tivos com­patíveis. No lança­men­to, o suporte foi indi­ca­do para o webOS TV 26 Re:New e ver­sões pos­te­ri­ores, com atu­al­iza­ções de Flut­ter e novos plu­g­ins plane­ja­dos para o segun­do semes­tre de 2026.

Essa mudança é rel­e­vante porque o Flut­ter uti­liza uma abor­dagem declar­a­ti­va e pos­sui um ecos­sis­tema ampla­mente usa­do em aplica­tivos móveis, web e desk­top.

Para empre­sas que já man­têm pro­je­tos em Flut­ter, poderá ser pos­sív­el reaproveitar regras de negó­cio, mod­e­los de dados, serviços de rede e partes da inter­face. Isso não sig­nifi­ca que um aplica­ti­vo móv­el poderá ser sim­ples­mente colo­ca­do na TV sem adap­tação.

A tele­visão exige nave­g­ação por con­t­role remo­to, indi­cadores de foco, tex­tos legíveis a dis­tân­cia, car­rega­men­to con­tro­la­do de ima­gens, tran­sições leves e trata­men­to especí­fi­co do botão Voltar.

Além dis­so, a com­pat­i­bil­i­dade ini­cial do Flut­ter está con­cen­tra­da em ver­sões recentes do webOS. Empre­sas que dese­jam alcançar tele­vi­sores anti­gos provavel­mente con­tin­uarão man­ten­do uma ver­são web ou uma estraté­gia híbri­da durante alguns anos.

Mes­mo assim, o suporte ofi­cial rep­re­sen­ta uma das maiores mudanças recentes no desen­volvi­men­to para webOS.

🔄 O programa webOS Re:New muda o ciclo dos aplicativos

A LG criou o pro­gra­ma webOS Re:New para entre­gar atu­al­iza­ções do sis­tema a mod­e­los elegíveis durante vários anos.

A empre­sa anun­ciou até cin­co anos de atu­al­iza­ções para deter­mi­nadas lin­has e começou a levar ver­sões mais recentes do webOS a tele­vi­sores lança­dos ante­ri­or­mente.

Para desen­volve­dores, isso pode pro­duzir dois efeitos.

O primeiro é pos­i­ti­vo: recur­sos mais recentes podem alcançar uma base maior de tele­vi­sores, reduzin­do a dis­tân­cia entre apar­el­hos novos e anti­gos.

O segun­do exige cuida­do: o aplica­ti­vo poderá encon­trar uma ver­são nova do webOS fun­cio­nan­do sobre um hard­ware de anos ante­ri­ores. O sis­tema pode estar atu­al­iza­do, mas a quan­ti­dade de memória e o desem­pen­ho grá­fi­co con­tin­uarão rela­ciona­dos ao apar­el­ho orig­i­nal.

Por isso, testes basea­d­os somente na ver­são do sis­tema não serão sufi­cientes. O aplica­ti­vo pre­cis­ará con­sid­er­ar mod­e­lo, capaci­dade, ano, memória disponív­el e codecs supor­ta­dos.

🧰 Ferramentas e evolução da plataforma

A LG lançou em março de 2026 o sim­u­lador do webOS TV 26. A bib­liote­ca webOSTV.js tam­bém rece­beu uma atu­al­iza­ção com suporte a infor­mações de sin­tonizador nes­sa ver­são.

O sim­u­lador aju­da em flux­os ini­ci­ais de inter­face e nave­g­ação, mas apli­cações de stream­ing devem ser ver­i­fi­cadas em tele­vi­sores físi­cos. Decod­i­fi­cação de vídeo, DRM, com­por­ta­men­to de memória, áudio, con­t­role remo­to e desem­pen­ho podem vari­ar em relação ao ambi­ente sim­u­la­do.

A chega­da do Flut­ter não elim­i­na o mod­e­lo web. A tendên­cia é a con­vivên­cia entre duas abor­da­gens:

Apli­cações web: con­tin­uarão impor­tantes para ampla com­pat­i­bil­i­dade e equipes com con­hec­i­men­to de JavaScript.

Apli­cações Flut­ter: poderão ofer­e­cer inter­faces mais con­sis­tentes e mel­hor com­par­til­hamen­to de com­po­nentes em dis­pos­i­tivos recentes.

A escol­ha dev­erá con­sid­er­ar o públi­co-alvo. Um serviço que pre­cisa fun­cionar em uma grande base históri­ca poderá man­ter HTML, CSS e JavaScript. Um pro­du­to novo, volta­do às ger­ações mais recentes, poderá avaliar o Flut­ter.

📡 webOS, FAST e personalização

A LG está posi­cio­nan­do o webOS como uma platafor­ma de mídia e entreten­i­men­to, e não ape­nas como um sis­tema exclu­si­vo de seus próprios tele­vi­sores.

O webOS Hub é licen­ci­a­do para cen­te­nas de mar­cas, enquan­to o LG Chan­nels fun­ciona como serviço FAST em diver­sos mer­ca­dos. A ver­são 3.0 do webOS Hub incor­porou recomen­dações por voz e out­ros recur­sos rela­ciona­dos à inteligên­cia arti­fi­cial.

Isso amplia as opor­tu­nidades para dis­tribuidores de con­teú­do.

Aplica­tivos poderão ser com­bi­na­dos com canais gra­tu­itos, recomen­dações na tela ini­cial, con­teú­dos pro­mo­cionais e inte­grações com o ecos­sis­tema ThinQ.

🔮 O que esperar do webOS

O futuro dos aplica­tivos para webOS dev­erá envolver:

  • Con­vivên­cia entre apli­cações web e Flut­ter;
  • Maior alcance das ver­sões recentes por meio do Re:New;
  • Inter­faces mais per­son­al­izadas;
  • Inte­gração com LG Chan­nels e mod­e­los FAST;
  • Uso cres­cente de IA para recomen­dação e bus­ca;
  • Aplica­tivos que fun­cionem em tele­vi­sores LG e par­ceiros do webOS Hub;
  • Testes em hard­ware atu­al­iza­do e hard­ware anti­go com sis­tema ren­o­va­do;
  • Arquite­turas capazes de com­par­til­har lóg­i­ca entre web, mobile e TV.

A chega­da do Flut­ter pode tornar o webOS mais atraente para novas equipes, mas uma estraté­gia de com­pat­i­bil­i­dade con­tin­uará sendo fun­da­men­tal.

Veja tam­bém: O que é o webOS e como ele fun­ciona nas Smart TVs LG

🟪 O futuro dos aplicativos para Roku

A Roku pos­sui uma pro­pos­ta difer­ente de Tizen, webOS e Android TV.

Enquan­to out­ras platafor­mas se aprox­i­mam de tec­nolo­gias ampla­mente usadas na web ou no desen­volvi­men­to móv­el, o Roku man­tém uma arquite­tu­ra espe­cial­iza­da basea­da em BrightScript e Scene­Graph.

O Scene­Graph uti­liza arquiv­os XML para declarar com­po­nentes e BrightScript para imple­men­tar regras, even­tos e inte­gração com serviços. A doc­u­men­tação ofi­cial abor­da con­ceitos como nós, escopo de dados, threads, even­tos e degradação con­tro­la­da da exper­iên­cia.

Essa espe­cial­iza­ção aumen­ta a neces­si­dade de uma equipe famil­iar­iza­da com a platafor­ma, mas tam­bém cria um ambi­ente bas­tante ori­en­ta­do ao con­sumo de stream­ing.

🎯 A descoberta será tão importante quanto a interface

No Roku, deep link­ing não é ape­nas um recur­so opcional. Aplica­tivos envi­a­dos à loja pre­cisam fornecer parâmet­ros de teste para que a platafor­ma ver­i­fique o com­por­ta­men­to de aber­tu­ra dire­ta do con­teú­do.

Isso rep­re­sen­ta uma tendên­cia impor­tante para todo o setor.

O aplica­ti­vo não pode pre­sumir que o usuário sem­pre entrará pela pági­na ini­cial. Ele poderá chegar por meio de uma pesquisa, recomen­dação, anún­cio, coman­do ou seleção de con­teú­do no sis­tema.

A arquite­tu­ra pre­cisa aceitar parâmet­ros exter­nos, val­i­dar aut­en­ti­cação, localizar o item solic­i­ta­do e começar a repro­dução com o menor número pos­sív­el de pas­sos.

Favoritos e posições de repro­dução tam­bém devem estar disponíveis rap­i­da­mente. Depen­den­do do serviço, essas infor­mações podem ser armazenadas local­mente ou sin­cronizadas com o back­end.

🧪 Certificação e testes automatizados ganham importância

A Roku pos­sui critérios especí­fi­cos de cer­ti­fi­cação para desem­pen­ho, inter­face, anún­cios e deep links.

A empre­sa ofer­ece fer­ra­men­tas de análise estáti­ca, análise de com­por­ta­men­to e automação de testes para iden­ti­ficar prob­le­mas antes da pub­li­cação. A Roku tam­bém pode remover aplica­tivos que deix­em de cumprir os critérios da platafor­ma.

O futuro dos aplica­tivos Roku será cada vez menos com­patív­el com proces­sos de desen­volvi­men­to impro­visa­dos.

Empre­sas pre­cis­arão incluir testes de nave­g­ação, memória, ini­cial­iza­ção, repro­dução, anún­cios e deep link­ing em suas roti­nas de entre­ga.

O Roku OS 15.3 esta­va em fase beta para par­ceiros em jul­ho de 2026. Entre as mudanças divul­gadas estavam APIs do Scene­Graph para leg­en­das em visu­al­iza­ções de vídeo que não ocu­pam a tela inteira, cam­pos numéri­cos do tipo Dou­ble e novos recur­sos do BrightScript.

Mudanças desse tipo mostram que a Roku con­tin­uará evoluin­do o Scene­Graph, em vez de aban­donar sua arquite­tu­ra própria no cur­to pra­zo.

💳 Monetização integrada com Roku Pay

A Roku ofer­ece uma estru­tu­ra própria para assi­nat­uras, locações, even­tos esportivos e com­pras úni­cas.

O Roku Pay pode per­mi­tir que o usuário con­clua uma com­pra com poucos coman­dos do con­t­role remo­to, uti­lizan­do os dados de paga­men­to asso­ci­a­dos à con­ta Roku. A platafor­ma tam­bém pos­sui serviços de back­end para val­i­dação de transações, can­ce­la­men­tos, reem­bol­sos e crédi­tos.

Para empre­sas de con­teú­do, isso reduz o atri­to do cadas­tro e da com­pra. Em con­tra­parti­da, exige inte­gração cuida­dosa de pro­du­tos, dire­itos de aces­so e noti­fi­cações de assi­natu­ra.

O back­end deve ser a fonte con­fiáv­el para respon­der se deter­mi­na­do usuário pos­sui aces­so ao con­teú­do. A situ­ação de uma assi­natu­ra pode mudar mes­mo quan­do o aplica­ti­vo não está aber­to, por exem­p­lo, após fal­ha de ren­o­vação, can­ce­la­men­to ou recu­per­ação de paga­men­to.

📢 Publicidade continuará central

O ecos­sis­tema Roku pos­sui forte ori­en­tação para mod­e­los AVOD e FAST.

Os aplica­tivos podem inte­grar pub­li­ci­dade do lado do cliente ou tra­bal­har com inserção do lado do servi­dor, con­forme o pro­je­to e os acor­dos com­er­ci­ais. A própria doc­u­men­tação agru­pa fer­ra­men­tas rela­cionadas ao Roku Adver­tis­ing Frame­work, req­ui­si­tos de anún­cios e adap­ta­dores para SSAI.

Para evi­tar exper­iên­cias ruins, o aplica­ti­vo pre­cis­ará con­tro­lar cor­re­ta­mente:

  • Iní­cio e encer­ra­men­to dos inter­va­l­os;
  • Even­tos de impressão;
  • Cliques e inter­ações;
  • Retoma­da do con­teú­do;
  • Leg­en­das durante e depois do anún­cio;
  • Erros do servi­dor pub­lic­itário;
  • Fre­quên­cia de pub­li­ci­dade;
  • Sin­croniza­ção com trans­mis­sões ao vivo.

🔮 O que esperar do Roku

Os futur­os aplica­tivos Roku dev­erão pri­orizar:

  • Scene­Graph bem estru­tu­ra­do;
  • BrightScript orga­ni­za­do em módu­los;
  • Deep link­ing des­de o começo do pro­je­to;
  • Inte­gração com Roku Search;
  • Ini­cial­iza­ção e repro­dução ráp­i­das;
  • Testes autom­a­ti­za­dos de cer­ti­fi­cação;
  • Roku Pay para assi­nat­uras e even­tos;
  • Mod­e­los AVOD, SVOD, TVOD e FAST;
  • Teleme­tria de erros por ver­são do Roku OS;
  • Com­pat­i­bil­i­dade com dis­pos­i­tivos de difer­entes níveis de desem­pen­ho.

O Roku con­tin­uará exigin­do uma base de códi­go própria, mas per­manecerá atra­ti­vo para empre­sas cujo prin­ci­pal pro­du­to é vídeo.

🟢 O futuro dos aplicativos para Android TV e Google TV

O ecos­sis­tema Android TV pos­sui uma car­ac­terís­ti­ca que o difer­en­cia das demais platafor­mas: sua pre­sença em difer­entes fab­ri­cantes, apar­el­hos exter­nos, pro­je­tores e dis­pos­i­tivos de oper­ado­ras.

Essa diver­si­dade aumen­ta o alcance poten­cial, mas tam­bém amplia a frag­men­tação.

Um aplica­ti­vo pode ser exe­cu­ta­do em um tele­vi­sor pre­mi­um, em um dis­pos­i­ti­vo com­pacto com pou­ca memória, em um equipa­men­to de oper­ado­ra ou em uma TV com mod­i­fi­cações real­izadas pelo fab­ri­cante.

A arquite­tu­ra pre­cisa fun­cionar em todos ess­es cenários.

🧱 Jetpack Compose se torna o padrão de interface

O Google define o Com­pose para TV como a abor­dagem mod­er­na para con­strução de inter­faces no Android TV.

A tec­nolo­gia uti­liza uma sin­taxe declar­a­ti­va e com­po­nentes adap­ta­dos à nave­g­ação por con­t­role remo­to e ao geren­ci­a­men­to de foco. O Com­pose para TV fun­ciona em apar­el­hos a par­tir do Android 5.0, emb­o­ra recur­sos e desem­pen­ho variem con­forme o dis­pos­i­ti­vo.

O Google tam­bém pas­sou a recomen­dar a migração do anti­go Lean­back para Com­pose. A doc­u­men­tação mais recente ori­en­ta os desen­volve­dores a uti­lizar o Com­pose para novos aplica­tivos e pro­je­tos mod­er­nos.

Isso não sig­nifi­ca que todos os aplica­tivos Lean­back pre­cis­arão ser ree­scritos ime­di­ata­mente.

Uma migração grad­ual pode ser mais segu­ra. Telas novas podem ser desen­volvi­das em Com­pose enquan­to recur­sos anti­gos con­tin­u­am fun­cio­nan­do até que sua sub­sti­tu­ição seja jus­ti­fi­ca­da.

O maior bene­fí­cio não é ape­nas visu­al. O Com­pose pode facil­i­tar a cri­ação de com­po­nentes reuti­lizáveis, esta­dos pre­visíveis, temas e testes.

🎞️ Media3 será o centro da reprodução

O Jet­pack Media3 reúne bib­liote­cas voltadas a áudio e vídeo, incluin­do o Exo­Play­er.

A arquite­tu­ra ofer­ece suporte a lis­tas de repro­dução, for­matos pro­gres­sivos, stream­ing adap­ta­ti­vo, DRM e inserção de pub­li­ci­dade.

Em 2026, o Media3 con­tin­u­ou receben­do novos módu­los e mel­ho­rias. A ver­são 1.10 ampliou o suporte a for­matos e adi­cio­nou com­po­nentes de repro­dução basea­d­os em Mate­r­i­al 3, enquan­to o Google tam­bém divul­gou avanços para edição e proces­sa­men­to de mídia.

Para serviços de stream­ing, a com­bi­nação mais prováv­el será:

  • Com­pose para inter­face;
  • Media3 e Exo­Play­er para repro­dução;
  • Medi­aSes­sion para inte­gração com con­troles e coman­dos;
  • Engage SDK para descober­ta e con­tinuidade;
  • Back­end próprio para catál­o­go, usuários e dire­itos;
  • Serviços de IA locais ou em nuvem para per­son­al­iza­ção.

✅ Novos níveis de qualidade para aplicativos de TV

Em maio de 2026, o Google reor­ga­ni­zou os critérios de qual­i­dade dos aplica­tivos de TV em três níveis:

TV Ready: req­ui­si­tos fun­da­men­tais para fun­cionar cor­re­ta­mente.

TV Opti­mized: exper­iên­cia mais adap­ta­da à tele­visão.

TV Dif­fer­en­ti­at­ed: exper­iên­cia pre­mi­um com recur­sos avança­dos.

Entre os critérios mais avança­dos estão inte­gração com o Engage SDK, áudio espa­cial, aces­si­bil­i­dade ampli­a­da e exper­iên­cias de inteligên­cia arti­fi­cial.

A par­tir de 1º de agos­to de 2026, os aplica­tivos de TV tam­bém pre­cisam aten­der a req­ui­si­tos de arquite­turas de 32 e 64 bits e com­pat­i­bil­i­dade com pági­nas de memória de 16 KB para pub­li­cação na Google Play, con­forme os critérios atu­al­iza­dos.

Ess­es req­ui­si­tos demon­stram que adap­tar um APK de celu­lar para a TV já não será sufi­ciente.

O aplica­ti­vo pre­cisa ofer­e­cer ban­ner apro­pri­a­do, ori­en­tação hor­i­zon­tal, nave­g­ação com­ple­ta pelo D‑pad, foco visív­el, tex­tos legíveis, suporte a hard­ware lim­i­ta­do e repro­dução con­sis­tente.

🖱️ Novas formas de interação

O Google anun­ciou que con­troles com pon­teiro e movi­men­tação poderão ser uti­liza­dos em futuras TVs com Google TV.

Os desen­volve­dores já podem declarar suporte a esse tipo de entra­da, preparan­do seus aplica­tivos para uma nave­g­ação que com­bine con­t­role dire­cional, seleção e apon­ta­men­to.

Mes­mo com novas for­mas de inter­ação, o D‑pad con­tin­uará sendo essen­cial por muitos anos.

Um bom aplica­ti­vo dev­erá fun­cionar com­ple­ta­mente com os qua­tro dire­cionais, botão de con­fir­mação e Voltar. Pon­teiro, voz e dis­pos­i­tivos móveis devem com­ple­men­tar a nave­g­ação, não sub­sti­tuir os con­troles bási­cos.

🔮 O que esperar do Android TV e Google TV

Os aplica­tivos mais prepara­dos para o futuro dev­erão incluir:

  • Com­pose para TV;
  • Media3 e Exo­Play­er;
  • Inte­gração com Medi­aSes­sion;
  • Engage SDK para descober­ta e con­tinuidade;
  • Suporte a 64 bits e pági­nas de 16 KB;
  • Fun­ciona­men­to em apar­el­hos com pou­ca memória;
  • Inte­gração com voz e IA;
  • Lay­outs prepara­dos para con­t­role dire­cional e pon­teiro;
  • Per­fis de desem­pen­ho e mon­i­tora­men­to;
  • Estraté­gia para múlti­p­los fab­ri­cantes.

O Android TV ofer­ece grande flex­i­bil­i­dade, mas exige dis­ci­plina para lidar com a diver­si­dade de hard­ware.

📡 FAST, AVOD e publicidade conectada

Uma das maiores opor­tu­nidades para aplica­tivos de Smart TV será o cresci­men­to dos canais FAST, sigla para tele­visão gra­tui­ta trans­mi­ti­da por stream­ing e finan­cia­da por pub­li­ci­dade.

Sam­sung TV Plus, LG Chan­nels e o ecos­sis­tema pub­lic­itário da Roku demon­stram a importân­cia cres­cente desse mod­e­lo.

O FAST com­bi­na car­ac­terís­ti­cas da tele­visão lin­ear com a dis­tribuição dig­i­tal.

O usuário abre um canal e encon­tra uma pro­gra­mação em anda­men­to, sem pre­cis­ar escol­her cada con­teú­do indi­vid­ual­mente. A recei­ta vem dos inter­va­l­os pub­lic­itários.

Para fun­cionar bem, o aplica­ti­vo pre­cisa de:

  • Grade de pro­gra­mação;
  • Reló­gio sin­croniza­do;
  • Metada­dos do pro­gra­ma atu­al e seguinte;
  • Tro­ca ráp­i­da de canal;
  • Inserção e medição de anún­cios;
  • Recu­per­ação depois de fal­has;
  • Leg­en­das e múlti­p­los áudios;
  • Con­t­role de disponi­bil­i­dade por região;
  • Relatórios de audiên­cia;
  • Pro­teção con­tra repro­dução não autor­iza­da.

A inserção de pub­li­ci­dade pode acon­te­cer no aplica­ti­vo, con­heci­da como CSAI, ou no servi­dor, con­heci­da como SSAI.

A inserção no servi­dor tende a ofer­e­cer uma tran­sição mais uni­forme entre con­teú­do e anún­cio. Entre­tan­to, exige sinal­iza­ção cor­re­ta, trata­men­to de leg­en­das, iden­ti­fi­cação de inter­va­l­os e medição con­fiáv­el.

Nen­hu­ma das duas abor­da­gens elim­i­na com­ple­ta­mente a neces­si­dade de lóg­i­ca no aplica­ti­vo.

O play­er ain­da pre­cisa infor­mar esta­dos, per­mi­tir o retorno cor­re­to ao pro­gra­ma e evi­tar que o usuário fique pre­so em uma tela de car­rega­men­to quan­do o anún­cio fal­har.

🎮 Jogos em nuvem e experiências interativas

A tele­visão tam­bém está se tor­nan­do um ter­mi­nal para apli­cações que antes exi­giam con­soles ou com­puta­dores.

Serviços de jogos em nuvem uti­lizam a Smart TV como uma inter­face para vídeo inter­a­ti­vo. O proces­sa­men­to ocorre em servi­dores remo­tos, enquan­to coman­dos do con­t­role são envi­a­dos pela inter­net.

A Sam­sung pro­move esse mod­e­lo por meio do Gam­ing Hub, inte­gra­do aos tele­vi­sores Tizen com­patíveis.

O desen­volvi­men­to de apli­cações inter­a­ti­vas para TV exige atenção a latên­cia, conec­tivi­dade, suporte a con­troles, áudio, atu­al­iza­ção de quadros e per­da tem­porária da rede.

Além de jogos, a mes­ma lóg­i­ca pode ser apli­ca­da a:

  • Aulas inter­a­ti­vas;
  • Exer­cí­cios físi­cos guia­dos;
  • Pro­gra­mas de per­gun­tas;
  • Enquetes ao vivo;
  • Com­pras durante trans­mis­sões;
  • Even­tos com múlti­plas câmeras;
  • Visu­al­iza­ção de estatís­ti­cas esporti­vas;
  • Apli­cações empre­sari­ais;
  • Atendi­men­to remo­to.

O futuro não será for­ma­do ape­nas por aplica­tivos em que o usuário escol­he um vídeo e assiste pas­si­va­mente.

♿ Acessibilidade deixará de ser um recurso secundário

Aplica­tivos para tele­visão pre­cisam aten­der pes­soas com difer­entes capaci­dades visuais, audi­ti­vas, motoras e cog­ni­ti­vas.

O Android TV per­mite uti­lizar prefer­ên­cias de leg­en­da definidas no sis­tema, incluin­do idioma, esti­lo, alto con­traste e um modo de tex­to sim­pli­fi­ca­do.

As dire­trizes de qual­i­dade do Google tam­bém incluem audiode­scrição, leg­en­das per­son­al­izadas, nave­g­ação sim­pli­fi­ca­da, alto con­traste e ajuste da veloci­dade de vídeo entre os critérios de aplica­tivos difer­en­ci­a­dos.

No Roku OS 15.3, novas APIs foram anun­ci­adas para exibir leg­en­das em áreas de prévia e repro­duções que não ocu­pam a tela inteira.

A tendên­cia é que aces­si­bil­i­dade deixe de ser imple­men­ta­da ape­nas para cumprir req­ui­si­tos de pub­li­cação.

Ela fará parte da arquite­tu­ra prin­ci­pal do play­er e da inter­face.

Tex­tos pre­cisam ser legíveis, o foco deve ser per­cep­tív­el, as cores devem ter con­traste ade­qua­do e a nave­g­ação não pode depen­der somente de ele­men­tos visuais.

🧩 Uma única base de código resolverá tudo?

A ideia de cri­ar um úni­co aplica­ti­vo e pub­licá-lo sem mudanças em todas as platafor­mas é atraente, mas ain­da pouco real­ista para pro­je­tos profis­sion­ais de stream­ing.

Tizen e webOS com­par­til­ham tec­nolo­gias web, mas pos­suem APIs, mecan­is­mos de play­er, empa­co­ta­men­to e cer­ti­fi­cação difer­entes.

O Roku uti­liza Scene­Graph e BrightScript.

O Android TV uti­liza Kotlin, Com­pose e bib­liote­cas Android.

O Flut­ter no webOS cria uma nova pos­si­bil­i­dade de com­par­til­hamen­to, mas seu suporte ini­cial está rela­ciona­do a ver­sões recentes da platafor­ma.

A estraté­gia mais efi­ciente não é nec­es­sari­a­mente com­par­til­har toda a inter­face. O ide­al é com­par­til­har aqui­lo que pode per­manecer con­sis­tente e sep­a­rar aqui­lo que depende de cada sis­tema.

Uma arquite­tu­ra recomen­da­da pode ter:

Back­end cen­tral: catál­o­go, usuários, assi­nat­uras, favoritos e históri­co.

Mod­e­lo comum de con­teú­do: filmes, séries, episó­dios, canais, even­tos e pro­gra­mas.

Cama­da de con­fig­u­ração remo­ta: recur­sos, menus, ban­ners e exper­i­men­tos.

Design sys­tem: taman­hos, espaça­men­to, tipografia, cores e com­por­ta­men­to de foco.

Adap­ta­dor de play­er: imple­men­tação especí­fi­ca para AVPlay, webOS, Roku e Media3.

Aplica­ti­vo por platafor­ma: nave­g­ação, ciclo de vida, con­t­role remo­to e inte­gração com o sis­tema.

Teleme­tria unifi­ca­da: erros, ini­cial­iza­ção, buffer­ing, repro­dução e con­ver­são.

Essa estru­tu­ra preser­va con­sistên­cia sem igno­rar as par­tic­u­lar­i­dades de cada tele­visão.

🧪 Testes em aparelhos reais serão indispensáveis

Emu­ladores e sim­u­ladores aju­dam durante o desen­volvi­men­to, mas não repro­duzem todas as condições de um tele­vi­sor real.

Proces­sa­men­to de vídeo, DRM, memória, áudio, Wi-Fi, con­t­role remo­to e decod­i­fi­cação podem apre­sen­tar com­por­ta­men­tos difer­entes.

A LG ofer­ece sim­u­lador inte­gra­do ao seu con­jun­to de fer­ra­men­tas, a Roku per­mite insta­lar e anal­is­ar aplica­tivos dire­ta­mente em dis­pos­i­tivos de desen­volvi­men­to, e o Android disponi­bi­liza ima­gens de emu­lador para TV.

Uma matriz de testes pre­cisa con­sid­er­ar:

  • Fab­ri­cante;
  • Ano;
  • Ver­são do sis­tema;
  • Memória;
  • Res­olução;
  • Tipo de conexão;
  • Codec;
  • DRM;
  • Trans­mis­são ao vivo;
  • Con­teú­do sob deman­da;
  • Con­t­role remo­to;
  • Esta­do de login;
  • Anún­cios;
  • Leg­en­das;
  • Retoma­da de repro­dução.

Tes­tar ape­nas em um tele­vi­sor mod­er­no pode escon­der fal­has que apare­cerão em grande parte da base insta­l­a­da.

📊 Dados e observabilidade definirão a qualidade

O futuro dos aplica­tivos de tele­visão será ori­en­ta­do por dados téc­ni­cos e com­por­ta­men­tais.

Não bas­ta saber quan­tas vezes o aplica­ti­vo foi insta­l­a­do.

As equipes pre­cis­arão acom­pan­har:

  • Tem­po de ini­cial­iza­ção;
  • Tem­po até o primeiro quadro;
  • Taxa de fal­ha de repro­dução;
  • Duração de buffer­ing;
  • Erros por mod­e­lo;
  • Saí­das durante anún­cios;
  • Con­ver­são de login;
  • Con­ver­são de assi­natu­ra;
  • Con­teú­dos ini­ci­a­dos e con­cluí­dos;
  • Uso de bus­ca;
  • Deep links bem-suce­di­dos;
  • Retomadas de repro­dução;
  • Aban­dono por tela.

Ess­es dados per­mitem difer­en­ciar um prob­le­ma ger­al de um erro con­cen­tra­do em deter­mi­na­do mod­e­lo ou ver­são.

O aplica­ti­vo tam­bém deve pos­suir códi­gos de erro claros. Uma men­sagem genéri­ca como “Não foi pos­sív­el repro­duzir” difi­cul­ta o suporte. O ide­al é reg­is­trar a eta­pa que fal­hou, o play­er uti­liza­do, o tipo de con­teú­do, o codec, o DRM e a respos­ta do servi­dor.

🚀 Como empresas devem se preparar

Empre­sas que pre­ten­dem atu­ar nas qua­tro platafor­mas pre­cisam pen­sar além do desen­volvi­men­to ini­cial.

O primeiro pas­so é definir a estraté­gia de alcance.

Um serviço pode começar pelas platafor­mas com maior pre­sença em seu públi­co e ampli­ar a dis­tribuição grad­ual­mente. A escol­ha não deve ser basea­da somente na quan­ti­dade ger­al de dis­pos­i­tivos, mas no mer­ca­do, per­fil do con­sum­i­dor e mod­e­lo de negó­cio.

O segun­do pas­so é con­stru­ir um back­end prepara­do para múlti­p­los aplica­tivos.

Regras de assi­natu­ra, catál­o­go, disponi­bil­i­dade e per­fis não devem ser dupli­cadas den­tro de cada TV.

O ter­ceiro é tratar vídeo como uma infraestru­tu­ra críti­ca.

URLs, man­i­festos, DRM, leg­en­das e anún­cios pre­cisam ser val­i­da­dos antes de chegar ao aplica­ti­vo.

O quar­to é autom­a­ti­zar testes e pub­li­cação.

Cada atu­al­iza­ção deve ver­i­ficar nave­g­ação, login, play­er, anún­cios, deep links, leg­en­das e encer­ra­men­to.

O quin­to é plane­jar a manutenção.

Um aplica­ti­vo de Smart TV não ter­mi­na quan­do é pub­li­ca­do. Sis­temas opera­cionais mudam, mod­e­los novos chegam ao mer­ca­do, cer­ti­fi­ca­dos expi­ram, serviços de pub­li­ci­dade são atu­al­iza­dos e políti­cas de loja evoluem.

🔭 Como serão os aplicativos de Smart TV até 2030?

A evolução atu­al per­mite iden­ti­ficar algu­mas tendên­cias prováveis.

Os aplica­tivos deixarão de fun­cionar como ambi­entes iso­la­dos. Seus con­teú­dos apare­cerão na tela ini­cial, nas bus­cas, nas recomen­dações e em assis­tentes de inteligên­cia arti­fi­cial.

A nave­g­ação será mul­ti­modal. O con­t­role remo­to con­tin­uará existin­do, mas será acom­pan­hado por voz, celu­lares, pon­teiros e coman­dos con­tex­tu­ais.

A tele­visão gra­tui­ta finan­cia­da por pub­li­ci­dade con­tin­uará gan­han­do espaço, espe­cial­mente em notí­cias, esportes, entreten­i­men­to temáti­co e con­teú­do region­al.

Aplica­tivos poderão ofer­e­cer inter­faces per­son­al­izadas para difer­entes pes­soas da casa, respei­tan­do lim­ites de pri­vaci­dade e pro­teção infan­til.

A inteligên­cia arti­fi­cial aju­dará a encon­trar, resumir, traduzir e orga­ni­zar con­teú­dos. Ela tam­bém poderá exe­cu­tar ações por meio de funções disponi­bi­lizadas pelos aplica­tivos.

O vídeo con­tin­uará sendo cen­tral, mas será acom­pan­hado por inter­a­tivi­dade, comér­cio, jogos, edu­cação e serviços.

As platafor­mas tam­bém dev­erão aumen­tar o tem­po de suporte. A Sam­sung anun­ciou até sete anos de atu­al­iza­ções para mod­e­los elegíveis, enquan­to a LG man­tém seu pro­gra­ma de atu­al­iza­ções por até cin­co anos em lin­has par­tic­i­pantes.

Para os desen­volve­dores, isso sig­nifi­ca man­ter com­pat­i­bil­i­dade com uma base cada vez mais lon­ga e het­erogênea.

✅ Conclusão

O futuro dos aplica­tivos para Sam­sung Tizen, LG webOS, Roku e Android TV será muito mais com­plexo e promis­sor do que a primeira ger­ação do stream­ing para tele­vi­sores.

O Tizen avançará na inte­gração entre inteligên­cia arti­fi­cial, serviços Sam­sung, FAST, jogos e exper­iên­cias conec­tadas.

O webOS con­tin­uará val­orizan­do as tec­nolo­gias web, mas pas­sará a ofer­e­cer novas opor­tu­nidades com o suporte ofi­cial ao Flut­ter e o pro­gra­ma Re:New.

O Roku per­manecerá alta­mente espe­cial­iza­do em stream­ing, descober­ta, pub­li­ci­dade, assi­nat­uras e cer­ti­fi­cação rig­orosa.

O Android TV e o Google TV cam­in­harão para Com­pose, Media3, Engage SDK, agentes de inteligên­cia arti­fi­cial e exper­iên­cias adap­tadas a uma ampla var­iedade de dis­pos­i­tivos.

Nen­hu­ma platafor­ma poderá ser trata­da ape­nas como mais uma tela.

Cada uma pos­sui fer­ra­men­tas, play­ers, políti­cas e mod­e­los de inter­ação próprios. As empre­sas que com­preen­derem essas difer­enças con­seguirão ofer­e­cer aplica­tivos mais rápi­dos, con­fiáveis e fáceis de usar.

O futuro da tele­visão conec­ta­da não per­tence ape­nas às grandes platafor­mas globais.

Emis­so­ras region­ais, pro­du­tores inde­pen­dentes, empre­sas de edu­cação, orga­ni­za­ções reli­giosas, even­tos, clubes esportivos e cri­adores de con­teú­do tam­bém poderão alcançar o públi­co dire­ta­mente pela maior tela da casa.

Para aproveitar essa opor­tu­nidade, será necessário com­bi­nar tec­nolo­gia, con­teú­do, exper­iên­cia do usuário, mon­e­ti­za­ção e manutenção con­tínua.

Os aplica­tivos que sobre­viverão aos próx­i­mos anos não serão nec­es­sari­a­mente os que pos­suírem mais funções. Serão aque­les que encon­trarem o con­teú­do cer­to, ini­cia­rem rap­i­da­mente, repro­duzirem sem inter­rupções e respeitarem a maneira como as pes­soas real­mente uti­lizam uma tele­visão.

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