
A inteligência está deixando de pertencer a um único aparelho
Durante muitos anos, cada dispositivo eletrônico funcionou como uma ilha.
O telefone fazia ligações. A televisão reproduzia canais. O computador executava programas. O controle remoto comandava a TV. A iluminação era acionada por interruptores físicos.
A internet modificou esse cenário ao permitir que diferentes aparelhos trocassem informações. A inteligência artificial está levando essa integração a uma nova etapa.
O smartphone, a Smart TV, os alto-falantes, os relógios, as câmeras e os eletrodomésticos começam a funcionar como partes de um mesmo ambiente digital.
Nesse ambiente, a inteligência não está necessariamente concentrada em apenas um aparelho. Ela pode ser distribuída entre:
- smartphone;
- televisão;
- roteador;
- dispositivos domésticos;
- servidores em nuvem;
- modelos de inteligência artificial.
O celular pode conhecer as preferências do usuário e funcionar como sua identidade digital. A Smart TV pode oferecer uma interface visual compartilhada pela família. Os serviços de IA podem interpretar comandos, resumir informações e coordenar tarefas entre diferentes aparelhos.
É essa combinação que forma um ecossistema inteligente.
Um ecossistema inteligente não é simplesmente uma casa cheia de produtos conectados. Ele existe quando os aparelhos conseguem trabalhar em conjunto para reduzir etapas e adaptar a experiência ao contexto.
Por exemplo, uma instrução como:
“Prepare a sala para assistir a um filme.”
poderia acionar uma sequência composta por:
- ligar a Smart TV;
- abrir o aplicativo escolhido;
- ajustar o modo de imagem;
- diminuir as luzes;
- ativar o sistema de som;
- colocar o smartphone no modo silencioso;
- ajustar a temperatura da sala.
A pessoa expressa uma intenção. O sistema interpreta essa intenção e distribui as ações entre os dispositivos compatíveis.
Essa visão já aparece em plataformas como Samsung SmartThings, LG ThinQ, Google Home e Apple Casa.
No entanto, a experiência ainda depende de compatibilidade, configurações, rede, modelos dos aparelhos, região e permissões. Nem todos os produtos executam todas as funções descritas neste artigo.
🧠 O que é um ecossistema inteligente?
Um ecossistema inteligente é um conjunto de dispositivos, aplicativos e serviços capazes de trocar informações e executar ações coordenadas.
Ele costuma possuir cinco componentes principais.
1. Dispositivos
São os aparelhos físicos, como:
- smartphones;
- Smart TVs;
- tablets;
- relógios;
- lâmpadas;
- sensores;
- câmeras;
- eletrodomésticos;
- caixas de som.
2. Conectividade
É a infraestrutura que permite a comunicação.
Pode incluir:
- Wi-Fi;
- Bluetooth;
- Thread;
- Zigbee;
- Matter;
- conexão com a nuvem.
3. Plataforma de gerenciamento
É o sistema que organiza os dispositivos, como SmartThings, ThinQ, Google Home ou Apple Casa.
4. Automação
É a capacidade de executar ações com base em horários, sensores, presença ou comandos.
5. Inteligência artificial
A IA interpreta linguagem, identifica padrões, personaliza experiências e sugere ou executa ações.
Sem conectividade, os produtos funcionam separadamente.
Sem automação, cada ação precisa ser realizada manualmente.
Sem inteligência artificial, o sistema depende principalmente de regras rígidas previamente configuradas.
A combinação desses elementos permite uma experiência mais contextual e natural.
📱 O smartphone como identidade e controle pessoal
O smartphone tende a ocupar uma posição central no ecossistema porque é o dispositivo mais pessoal.
Ele reúne, conforme as autorizações concedidas:
- contas;
- aplicativos;
- agenda;
- mensagens;
- preferências;
- biometria;
- localização;
- meios de pagamento;
- histórico de uso.
Enquanto a televisão costuma ser compartilhada por várias pessoas, o celular normalmente pertence a um único usuário.
Isso permite que o smartphone atue como uma espécie de chave digital.
Ele pode ser utilizado para:
- autenticar contas na Smart TV;
- confirmar pagamentos;
- selecionar perfis;
- transferir conteúdos;
- controlar aparelhos;
- configurar rotinas;
- receber alertas;
- conceder acessos temporários.
Controle da Smart TV pelo celular
Aplicativos oficiais permitem transformar o smartphone em controle remoto.
No SmartThings, por exemplo, é possível adicionar televisores Samsung compatíveis e utilizar o celular para navegar, controlar volume e gerenciar aparelhos conectados. A Samsung mantém instruções atualizadas para configuração do controle móvel pelo aplicativo.
O LG ThinQ oferece integração com televisores LG compatíveis e outros eletrodomésticos da marca. A LG também apresenta o webOS e o ThinQ como parte de uma experiência que inclui navegação, streaming e espelhamento do celular.
Autenticação simplificada
Digitar senhas usando as setas de um controle remoto é desconfortável.
O smartphone pode substituir esse processo por:
- leitura de QR Code;
- biometria;
- confirmação no aplicativo;
- código temporário;
- aproximação.
Além de agilizar o acesso, essa abordagem reduz a exposição de informações pessoais na tela compartilhada.
📺 A Smart TV como painel central do ambiente
Se o smartphone é pessoal, a Smart TV é coletiva.
Ela possui vantagens que o celular não consegue oferecer com a mesma eficiência:
- tela grande;
- visualização à distância;
- conteúdo compartilhado;
- reprodução audiovisual;
- interface central da sala;
- integração com sistemas de som.
A Smart TV pode funcionar como painel para:
- entretenimento;
- câmeras de segurança;
- consumo de energia;
- dispositivos conectados;
- chamadas;
- atividades físicas;
- informações domésticas.
Algumas TVs Samsung possuem SmartThings Hub integrado e suporte a tecnologias como Matter, Thread e Zigbee em linhas e modelos compatíveis. Isso permite que a própria televisão participe diretamente da conexão com dispositivos residenciais.
A Samsung também apresenta suas TVs Vision AI como hubs capazes de centralizar dispositivos e rotinas da casa conectada por meio do SmartThings.
No ecossistema Apple, uma Apple TV configurada como central da casa pode conectar acessórios compatíveis, executar automações e permitir controle remoto pelo aplicativo Casa.
A televisão deixa, portanto, de ser apenas um destino de streaming. Ela se transforma em uma interface para visualizar e controlar o ambiente.
🤖 O papel da inteligência artificial na integração
A conectividade faz os aparelhos conversarem. A IA tenta compreender o que o usuário deseja.
Essa diferença é essencial.
Uma automação tradicional depende de uma regra exata:
Às 19 horas, ligar a luz da sala.
Um sistema orientado por IA pode interpretar um pedido mais natural:
“A sala está escura demais para assistir a este filme.”
A partir desse contexto, ele pode sugerir uma iluminação adequada, desde que existam aparelhos compatíveis e permissões para controlá-los.
Interpretação de linguagem natural
A IA permite substituir menus complexos por solicitações conversacionais.
O Google começou a levar o Gemini ao Google TV, permitindo realizar perguntas e interagir de maneira mais natural com televisores compatíveis. A expansão para mais aparelhos, países e idiomas foi anunciada para 2026.
O Gemini também está sendo expandido para outras categorias Android, incluindo automóveis, relógios, televisores e dispositivos de realidade estendida. Essa estratégia aponta para uma inteligência compartilhada entre diferentes interfaces.
Personalização
A IA pode analisar sinais autorizados para adaptar:
- recomendações;
- interface;
- som;
- imagem;
- rotinas;
- notificações.
As televisões LG com IA combinam webOS, recomendações e recursos de processamento de imagem e som. A disponibilidade varia conforme o processador e o modelo.
O Samsung Vision AI oferece funções como aprimoramento de imagem, otimização de áudio, geração de papel de parede e recursos ligados ao SmartThings em aparelhos compatíveis.
Automação contextual
A IA pode considerar fatores como:
- horário;
- presença;
- estado dos dispositivos;
- conteúdo em reprodução;
- comandos anteriores;
- condições do ambiente.
A LG descreve sua estratégia de IA para 2026 por meio de um modelo chamado “Sense, Think, Act”: detectar condições, processar dados e executar ações em ambientes reais.
Isso mostra uma mudança de sistemas que apenas respondem para sistemas que também podem antecipar necessidades.
🔗 Como smartphone e Smart TV trabalham juntos na prática
1. Transmissão de conteúdo
O smartphone pode selecionar o conteúdo e enviá-lo para a televisão.
A TV assume a reprodução, enquanto o celular funciona como controle.
Esse modelo é melhor do que o espelhamento em várias situações porque:
- consome menos bateria;
- permite usar outros aplicativos;
- reduz interferência de notificações;
- aproveita melhor a capacidade da TV.
2. Espelhamento
No espelhamento, a Smart TV mostra exatamente o que aparece no smartphone.
É útil para:
- fotografias;
- apresentações;
- demonstrações;
- páginas;
- aplicativos sem transmissão própria.
O SmartThings oferece formas de conectar dispositivos móveis e televisores Samsung para espelhamento em modelos compatíveis.
3. Continuidade
Um conteúdo iniciado no celular pode continuar na TV.
O sistema pode preservar:
- perfil;
- episódio;
- posição;
- idioma;
- legenda;
- lista.
Essa continuidade depende do aplicativo, da conta e do suporte oferecido pelo serviço.
4. Segunda tela
Enquanto a TV apresenta o conteúdo principal, o smartphone pode mostrar informações complementares.
Durante um evento esportivo, por exemplo, o celular pode apresentar:
- estatísticas;
- escalações;
- comentários;
- votação;
- informações adicionais.
Em uma aula, pode exibir:
- exercícios;
- anotações;
- materiais;
- questionários.
5. Celular como microfone e câmera
O smartphone pode complementar a televisão em experiências como:
- pesquisa por voz;
- videoconferência;
- aulas;
- exercícios;
- jogos;
- karaokê.
A IA pode contribuir com:
- enquadramento;
- transcrição;
- tradução;
- redução de ruído;
- reconhecimento de movimentos.
🏠 Automação residencial: quando as telas passam a controlar a casa
Um ecossistema inteligente se torna mais relevante quando reduz tarefas repetitivas.
Modo cinema
Uma rotina pode:
- ligar a televisão;
- abrir um serviço;
- diminuir as luzes;
- fechar cortinas;
- ajustar a temperatura;
- ativar o sistema de áudio.
Rotina de chegada
Ao chegar em casa, o sistema pode:
- acender luzes;
- ajustar o clima;
- exibir notificações na TV;
- conectar o celular à rede;
- apresentar compromissos.
Rotina de saída
Quando ninguém permanece na residência:
- aparelhos podem ser desligados;
- luzes podem ser apagadas;
- sensores podem ser ativados;
- câmeras podem entrar em determinado modo.
Monitoramento
A Smart TV pode mostrar câmeras e alertas, enquanto o smartphone recebe notificações individuais.
O SmartThings permite controlar diversos tipos de dispositivos e criar uma experiência centralizada no aplicativo. A Samsung também informa que suas TVs com hub integrado podem controlar produtos IoT compatíveis diretamente pela interface da TV.
O aplicativo Casa da Apple permite controlar acessórios em diferentes aparelhos Apple e criar automações usando tecnologias como HomeKit e Matter.
🗣️ Assistentes conversacionais e a casa inteligente
Os assistentes tradicionais dependiam de frases relativamente exatas.
Com a IA generativa, as interações podem ser mais naturais e compostas por várias etapas.
Em 2026, o Google apresentou um novo alto-falante desenvolvido para o Gemini for Home, com controle de dispositivos, rotinas e conversas em linguagem natural. Ele também pode ser combinado com o Google TV Streamer.
O Gemini for Home começou a substituir gradualmente o Google Assistente em alto-falantes e displays compatíveis, acrescentando compreensão conversacional, pesquisa em histórico de câmeras e notificações inteligentes, com determinados recursos vinculados a planos específicos.
Essa integração indica que a IA pode atuar como uma camada que conecta:
- televisão;
- smartphone;
- alto-falantes;
- câmeras;
- sensores;
- rotinas.
Entretanto, o sistema deve pedir confirmação antes de executar ações sensíveis, como destrancar portas, realizar compras ou alterar configurações de segurança.
👤 Personalização em uma casa com várias pessoas
Um dos principais desafios dos ecossistemas inteligentes é que a residência é compartilhada.
As pessoas podem ter preferências diferentes para:
- temperatura;
- iluminação;
- conteúdos;
- volume;
- horários;
- privacidade.
O smartphone pode ajudar a identificar quem está solicitando uma ação.
A Smart TV pode utilizar perfis individuais para separar:
- históricos;
- recomendações;
- listas;
- controles parentais.
A IA pode considerar o contexto coletivo. Se várias pessoas estiverem assistindo, deve evitar aplicar automaticamente as preferências de apenas um indivíduo.
A melhor experiência é aquela em que a personalização permanece transparente.
O usuário deve saber:
- qual perfil está ativo;
- quais dados estão sendo utilizados;
- como mudar de perfil;
- como apagar o histórico;
- como desativar recomendações.
🔐 Privacidade: o maior desafio dos ecossistemas inteligentes
Quanto mais integrado é o ambiente, maior é a quantidade potencial de informações envolvidas.
Um ecossistema pode trabalhar com:
- voz;
- imagem de câmeras;
- histórico de conteúdo;
- horários;
- localização aproximada;
- presença;
- estado de aparelhos;
- contas;
- preferências.
Isso torna a privacidade uma parte essencial do projeto, não apenas uma configuração adicional.
Processamento local e nuvem
Algumas funções podem ocorrer diretamente no aparelho. Outras dependem de servidores externos.
O processamento local pode oferecer:
- menor latência;
- funcionamento sem internet;
- maior controle sobre determinados dados.
A nuvem permite utilizar modelos maiores e sincronizar informações, mas exige políticas claras de segurança.
Permissões
Cada dispositivo deve receber apenas as permissões necessárias.
Uma lâmpada não precisa acessar mensagens. Uma televisão não deve exibir fotografias pessoais sem autorização. Uma câmera não deve compartilhar imagens com serviços desnecessários.
Perfis e convidados
Visitantes devem ter opções de acesso temporário, sem receber controle permanente sobre a residência.
O aplicativo Casa da Apple, por exemplo, apresenta recursos de acesso para convidados em categorias compatíveis.
🛡️ Segurança: uma casa conectada precisa de proteção digital
Dispositivos inteligentes podem tornar a rotina mais conveniente, mas também ampliam os pontos de acesso à rede.
Boas práticas incluem:
- usar senhas fortes;
- ativar autenticação em duas etapas;
- manter sistemas atualizados;
- revisar dispositivos conectados;
- remover aparelhos antigos;
- utilizar uma rede de convidados;
- evitar aplicativos desconhecidos;
- verificar permissões.
Também é importante separar contas pessoais das contas destinadas à residência quando o serviço permitir.
Se um smartphone for perdido, a pessoa deve conseguir remover rapidamente seu acesso ao ecossistema.
A disponibilidade de marcas e produtos compatíveis varia conforme país, modelo e atualizações, como a própria Samsung alerta em sua lista de compatibilidade do SmartThings.
⚙️ Padrões abertos e a busca por compatibilidade
Um grande problema da casa conectada é a fragmentação.
Um aparelho pode funcionar com uma plataforma, mas não com outra.
O padrão Matter foi criado para melhorar a interoperabilidade entre diferentes marcas e ecossistemas.
Na prática, ele busca permitir que dispositivos compatíveis sejam configurados e controlados em plataformas diferentes.
Isso não elimina totalmente as diferenças.
Funções exclusivas, interfaces, aplicativos e serviços de IA podem continuar vinculados a fabricantes específicos.
O Apple Casa, por exemplo, oferece suporte a acessórios HomeKit e Matter.
As TVs Samsung com determinados hubs integrados também oferecem suporte a Matter, Thread e Zigbee.
O futuro mais conveniente depende da combinação entre padrões abertos e serviços capazes de preservar recursos avançados.
♿ Acessibilidade em ecossistemas inteligentes
A integração entre smartphone, TV e IA pode reduzir barreiras.
Controle por voz
Pessoas com dificuldades motoras podem controlar aparelhos sem utilizar pequenos botões.
Legendas e transcrição
A IA pode gerar legendas e transcrever diálogos, embora os resultados devam ser revisados quando a precisão for essencial.
Amplificação de voz
Smart TVs podem destacar diálogos e reduzir a dificuldade causada por música ou efeitos sonoros.
Interfaces individuais
O smartphone pode apresentar uma interface adaptada, com:
- texto maior;
- alto contraste;
- feedback tátil;
- leitor de tela;
- comandos simplificados.
Automação
Rotinas podem reduzir a necessidade de repetir ações físicas.
A acessibilidade precisa ser considerada desde a criação do ecossistema. Um ambiente inteligente não é realmente inteligente se excluir parte dos usuários.
🎓 Educação e trabalho em várias telas
Educação
A televisão pode apresentar:
- aula;
- vídeo;
- demonstração;
- conteúdo coletivo.
O smartphone pode oferecer:
- respostas;
- exercícios;
- anotações;
- materiais individuais;
- acompanhamento.
A IA pode adaptar explicações ao nível do estudante, mas não deve substituir a avaliação pedagógica de professores.
Trabalho
Em reuniões, a Smart TV ou monitor pode exibir a apresentação, enquanto o smartphone:
- controla slides;
- autentica o usuário;
- recebe perguntas;
- compartilha arquivos;
- registra anotações.
A separação entre tela pública e interface pessoal melhora a organização e protege informações.
🛒 Comércio conectado entre TV e smartphone
A televisão possui grande capacidade de apresentação. O smartphone é melhor para interação e pagamento.
Uma experiência comercial pode funcionar assim:
- A Smart TV apresenta um produto;
- O usuário solicita mais informações;
- A oferta é enviada ao celular;
- O pagamento é confirmado por biometria;
- A confirmação aparece na televisão.
A IA pode personalizar:
- produtos;
- horários;
- ofertas;
- linguagem;
- recomendações.
Porém, a personalização comercial precisa respeitar consentimento e proteção de dados.
A televisão compartilhada não deve revelar publicamente informações financeiras ou interesses privados sem confirmação.
👨💻 Oportunidades para empresas e desenvolvedores
Os ecossistemas inteligentes criam espaço para aplicativos que distribuem funções entre telas.
Aplicativo para Smart TV
Pode concentrar:
- reprodução;
- conteúdo;
- interface visual;
- transmissão;
- acompanhamento coletivo.
Aplicativo móvel
Pode concentrar:
- cadastro;
- pagamentos;
- notificações;
- pesquisa;
- controle;
- perfil pessoal.
Backend e IA
Podem cuidar de:
- sincronização;
- recomendações;
- análise;
- automação;
- processamento de linguagem.
Para desenvolvedores Samsung, a plataforma Tizen vem ampliando APIs e recursos relacionados a reconhecimento por IA para aplicações em telas compatíveis.
Empresas também podem criar soluções para:
- streaming;
- educação;
- saúde e bem-estar;
- hotelaria;
- comércio;
- eventos;
- segurança;
- entretenimento.
A melhor arquitetura não repete o mesmo aplicativo em todas as telas. Ela define qual aparelho é mais adequado para cada tarefa.
⚠️ Limitações dos ecossistemas inteligentes
Compatibilidade
Nem todos os dispositivos funcionam juntos.
Dependência da internet
Recursos de nuvem podem deixar de funcionar durante falhas de conexão.
Complexidade
Uma casa cheia de automações mal configuradas pode ficar mais difícil de usar do que uma casa tradicional.
Atualizações
Um aparelho antigo pode perder suporte antes dos demais.
Assinaturas
Algumas funções avançadas podem depender de planos pagos.
Erros da inteligência artificial
Assistentes podem interpretar comandos de forma incorreta ou fornecer informações imprecisas.
Excesso de automação
O sistema pode tomar decisões indesejadas quando não possui contexto suficiente.
Por isso, sempre devem existir:
- controle manual;
- possibilidade de cancelamento;
- histórico das ações;
- configurações claras.
🔮 O futuro: um agente de IA para todo o ambiente
A próxima etapa será a chegada de agentes capazes de coordenar várias tarefas.
Em vez de controlar cada dispositivo individualmente, o usuário poderá expressar um objetivo.
Por exemplo:
“Vou viajar amanhã. Prepare a casa.”
Um agente poderia sugerir:
- desligamento de aparelhos;
- ajuste de climatização;
- ativação de câmeras;
- programação de luzes;
- revisão de portas;
- envio de alertas.
O usuário deve revisar e confirmar essas ações.
No entretenimento, o agente poderá compreender:
“Quero assistir a algo divertido com minha família.”
A IA pode combinar:
- perfis presentes;
- serviços disponíveis;
- classificação etária;
- duração;
- preferências;
- horário.
O Google TV Streamer já foi apresentado como uma plataforma que combina entretenimento personalizado por IA e funções de casa inteligente.
A tendência é que smartphone, televisão e dispositivos domésticos deixem de ser controlados separadamente e passem a responder a uma camada comum de inteligência.
✅ Como montar um ecossistema inteligente sem complicar a rotina
Comece por um problema real
Não compre dispositivos apenas porque são conectados.
Escolha uma necessidade, como:
- controlar iluminação;
- integrar a televisão;
- economizar energia;
- acompanhar câmeras.
Escolha uma plataforma principal
Defina se o ambiente será organizado principalmente por:
- SmartThings;
- ThinQ;
- Google Home;
- Apple Casa.
Verifique compatibilidade
Confirme suporte a:
- sistema do smartphone;
- modelo da TV;
- Matter;
- Thread;
- aplicativo regional.
Configure poucas automações
Comece com uma ou duas rotinas simples.
Preserve controles físicos
Luzes e aparelhos devem continuar utilizáveis sem celular ou internet.
Revise a segurança
Ative autenticação, atualizações e permissões mínimas.
Avalie a utilidade
Uma automação que falha constantemente não economiza tempo.
❓ Perguntas frequentes
O que é um ecossistema inteligente?
É um conjunto de aparelhos, aplicativos e serviços que trabalham de forma coordenada, compartilhando informações e executando ações.
A Smart TV pode controlar a casa?
Alguns modelos compatíveis podem funcionar como hubs ou painéis de dispositivos conectados.
O smartphone precisa ser da mesma marca da TV?
Não necessariamente. Porém, aparelhos do mesmo ecossistema podem oferecer funções adicionais.
A inteligência artificial funciona sem internet?
Alguns recursos locais funcionam. Recursos generativos e serviços avançados geralmente dependem da nuvem.
Matter resolve todos os problemas de compatibilidade?
Não. Ele melhora a interoperabilidade de dispositivos compatíveis, mas não padroniza todos os recursos, aplicativos e serviços.
É seguro conectar todos os aparelhos?
A segurança depende de atualizações, senhas, permissões e configuração adequada.
A IA pode controlar tudo automaticamente?
Tecnicamente, pode coordenar muitas funções, mas ações sensíveis devem exigir confirmação.
A Smart TV substitui um hub doméstico?
Algumas televisões possuem hub integrado. A compatibilidade depende do modelo e dos protocolos utilizados.
🏁 Conclusão: a verdadeira inteligência está na coordenação
O smartphone, a Smart TV e a inteligência artificial estão formando uma nova geração de ecossistemas conectados.
O smartphone funciona como:
- identidade;
- controle;
- autenticação;
- interface pessoal;
- meio de pagamento.
A Smart TV atua como:
- tela central;
- painel compartilhado;
- plataforma de entretenimento;
- interface da casa.
A inteligência artificial acrescenta:
- interpretação;
- personalização;
- recomendação;
- automação;
- contexto.
A maior transformação não está em tornar cada aparelho individualmente mais inteligente.
Ela está em permitir que os dispositivos cooperem.
Uma boa experiência conectada não exige que o usuário pense em qual aparelho deve executar cada parte da tarefa. Ele expressa sua intenção, revisa as ações e o sistema distribui o trabalho.
Entretanto, essa conveniência só será sustentável quando respeitar:
- privacidade;
- segurança;
- compatibilidade;
- controle;
- transparência.
Um ecossistema realmente inteligente não é aquele que automatiza tudo.
É aquele que realiza as ações certas, no momento adequado, sem retirar do usuário a capacidade de compreender e controlar o que está acontecendo.
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