O homem mais rico da Babilônia

Com mais de dois mil­hões de exem­plares ven­di­dos no mun­do todo, “O homem mais rico da Babilô­nia” tornou-se um clás­si­co na área de finanças pes­soais por traz­er lições sobre como econ­o­mizar e inve­stir din­heiro.

A sabedo­ria trans­mi­ti­da pela obra é basea­da nas práti­cas de suces­so dos anti­gos babilôni­cos, que emb­o­ra sejam de uma época dis­tante ain­da são bas­tante úteis nos dias atu­ais, já que as leis que regiam o din­heiro há 6 mil anos seguem as mes­mas, segun­do o autor George S. Cla­son.

Os ensi­na­men­tos do livro têm sua raiz na questão geográ­fi­ca dessa civ­i­liza­ção, que pos­suía os home­ns mais ricos daque­la época, mas que era pobre em recur­sos nat­u­rais, fazen­do com que seus habi­tantes tivessem que desen­volver téc­ni­cas para super­ar esse fator lim­i­tante.

Assim, a obra traz con­sel­hos para quem quer apren­der a:

  • Bus­car con­hec­i­men­to e infor­mação em vez de ape­nas lucro;
  • Não des­perdiçar recur­sos durante tem­pos de opulên­cia;
  • Man­ter a pon­tu­al­i­dade no paga­men­to de dívi­das;
  • Asse­gu­rar uma ren­da para o futuro;
  • E, sobre­tu­do, cul­ti­var as próprias aptidões, tor­nan­do-se cada vez mais con­sciente e habili­doso.

O livro é con­sti­tuí­do por uma reunião de parábo­las escritas pelo autor, sendo a primeira data­da de 1926.

Impres­sas à época como pan­fle­tos sobre econo­mia e finanças, tais histórias eram dis­tribuí­das em ban­cos, com­pan­hias de seguros e empre­gadores.

Por isso, rap­i­da­mente tornaram-se famosas e ícones dos ensi­na­men­tos sobre finanças, que per­du­ram até os dias de hoje, como pode-se perce­ber pelo imen­so suces­so que o livro alcançou.

No total, são 11 parábo­las, cada uma com uma lição impor­tante a ser apren­di­da. Vamos a elas!

Deter­mi­na­do dia, ele tem um son­ho, no qual é rico e não se pre­ocu­pa com nada mais além de gas­tar seu din­heiro da maneira que bem enten­der.

Entre­tan­to, ao acor­dar do doce son­ho, sua real­i­dade amar­ga de pobreza o faz refle­tir sobre algu­mas questões.

Em meio ao seu devaneio, o seu mel­hor ami­go Kob­bi chega para pedir-lhe din­heiro empresta­do e começa aí um diál­o­go rec­hea­do de reflexões.

Primeiro, Ban­sir anal­isa sua situ­ação de mis­éria.

Mes­mo ten­do tra­bal­ha­do ard­u­a­mente por mais da metade de sua vida e moran­do na cidade mais próspera da época, ele não pos­sui um úni­co siclo (anti­ga moe­da dos hebreus, de pra­ta, cujo peso equiv­alia a seis gra­mas).

Toma­do pelo sen­ti­men­to de revol­ta, pas­sa a diz­er para o ami­go como se sente por estar nes­sa situ­ação.

Ban­sir obser­va uma fila de escravos do rei, mal­trapil­hos e car­regan­do pesa­dos recip­i­entes de água para regar os jardins sus­pen­sos, e comen­ta com Kob­bi que ape­sar deles dois serem home­ns livres não são muito mel­hores que aque­les que obser­vam.

Chegam a essa con­clusão ao se darem con­ta que suas vidas resumem-se a tra­bal­har incansavel­mente, receben­do por seus esforços ape­nas o mín­i­mo para sobre­viverem.

Em deter­mi­na­do pon­to da con­ver­sa, chegam a um con­sen­so, eles pre­cisam achar alguém que é rico e com ele apren­der como se tornarem home­ns de poss­es tam­bém.

Lem­bram que con­hecem um homem chama­do Arkad, que é con­sid­er­a­do o homem mais rico de toda Babilô­nia, e ape­sar de sê-lo con­tin­ua humilde e acessív­el.

No meio desse diál­o­go, Kob­bi fala algo de extrema relevân­cia, tan­to que repro­duzirei inte­gral­mente:

“A riqueza de um homem não se acha na bol­sa que ele car­rega. Uma bol­sa gor­da fica logo vazia se não hou­ver con­stante fluxo de ouro. Arkad tem rendi­men­tos que con­ser­vam suas reser­vas sem­pre altas, por maior que seja a liber­dade com que gas­ta din­heiro.”

Abro aqui um parên­te­ses para ressaltar duas infor­mações.

A primeira é o fato de que “apren­der com quem já alcançou” é uma das maiores receitas para o suces­so finan­ceiro, ensi­na­da quase que unanime­mente pelos espe­cial­is­tas em finanças.

O segun­do pon­to é que, assim como no livro Os seg­re­dos da mente mil­ionária, essa parábo­la tam­bém ensi­na que o mais impor­tante não é ter din­heiro e sim saber como con­segui-lo, como geren­ciá-lo.

A fala tran­scri­ta aci­ma deixa isso bem claro.

Em segui­da, Ban­sir tem a ideia de procu­rar Arkad e pedir-lhe con­sel­hos finan­ceiros.

Aqui, mais uma tran­scrição se faz de suma importân­cia, na fala de Kob­bi:

“Você parece ver­dadeira­mente inspi­ra­do Ban­sir. Está me trazen­do uma nova com­preen­são. E me fez perce­ber por que nun­ca encon­tramos ouro. Nós nun­ca o procu­ramos. Você tra­bal­hou pacien­te­mente para con­stru­ir as mais sól­i­das car­ru­a­gens da Babilô­nia. Para tal propósi­to, devo­tou seus mel­hores esforços (…) nas coisas em que apli­camos nos­sos mel­hores esforços tive­mos êxi­to. Deve­mos apren­der mais para pros­per­ar mais. Com um novo entendi­men­to, achare­mos cam­in­hos dig­nos para cumprir nos­sos dese­jos.”

A fala tran­scri­ta traz uma pro­fun­da reflexão, pois ao perce­berem que estavam “no automáti­co”, ape­nas tra­bal­han­do e sobre­viven­do, bus­caram uma for­ma de sair dessa situ­ação.

Muitas pes­soas pas­sam a vida assim e nun­ca chegam a ter esse momen­to de lucidez finan­ceira, de parar para se faz­er os seguintes ques­tion­a­men­tos:

  • O que estou fazen­do para garan­tir meu futuro?
  • Para con­cretizar os meus son­hos?
  • Sou escra­vo do din­heiro ou ele tra­bal­ha para mim?
  • Como fazê-lo tra­bal­har para mim?

Ess­es foram os ques­tion­a­men­tos que essa parábo­la trouxe para mim.

Talvez ela lev­ante out­ros para você, entre­tan­to, a lição que deve ser apren­di­da é que o comod­is­mo pode levar-nos a uma situ­ação de incon­formi­dade e frus­tração pro­fun­da.



2. O homem mais rico da Babilônia

homem segurando moedas e cédulas de dinheiro na mão

Na segun­da parábo­la, nos deparamos com a con­tin­u­ação da pas­sa­da.

Ban­sir e Kob­bi, jun­ta­mente com um grupo de ami­gos menos afor­tu­na­dos, vão até Arkad ques­tioná-lo do porquê de ape­sar deles terem tido a mes­ma edu­cação e terem par­tic­i­pa­do do mes­mo ciclo durante a infân­cia e a ado­lescên­cia, na vida adul­ta Arkad se desta­cou tan­to em ter­mos de riqueza e eles não?

Ao que o ami­go rico respon­deu:

“Se vocês não adquiri­ram mais do que uma pobre existên­cia des­de os tem­pos em que éramos jovens, isso se deve ao fato de que não con­seguiram apren­der ou não obser­varam as leis que gov­er­nam a acu­mu­lação de riqueza.”

Arkad prossegue expli­can­do que para os que não dom­i­nam os con­ceitos da acu­mu­lação de riqueza e não aufer­em sua for­tu­na por seus próprios esforços, o din­heiro pode faz­er um grande mal, pois ou pro­duz gas­ta­dores lib­erti­nos ou poupadores avar­en­tos, persegui­dos pelo medo de perder o que gan­haram.

A ter­ceira opção seria se tornar rico de for­ma ráp­i­da, como rece­ber uma her­ança, con­seguir mul­ti­plicá-la e con­tin­uar a ser feliz e pleno, mas essa últi­ma pos­si­bil­i­dade é bem rara.

Nes­sa parte da nar­ra­ti­va, fica claro que o autor quer pas­sar mais uma vez a men­sagem de que aque­les que não pos­suem o con­hec­i­men­to de como ger­ar o din­heiro, na maio­r­ia das vezes, não con­seguem ser ple­na­mente felizes e finan­ceira­mente saudáveis, pois ou estão gas­tan­do de for­ma descon­tro­la­da (o que os levará de vol­ta a uma vida de pobreza) ou estão tão ame­drontadas a voltar para a condição ante­ri­or que deix­am de des­fru­tar do mín­i­mo praz­er que o din­heiro pode pro­por­cionar.

Con­tin­uan­do seu dis­cur­so, o ami­go rico expli­ca que ao anal­is­ar as coisas que o din­heiro pode pro­por­cionar, decid­iu e declar­ou para si mes­mo: “reivin­di­carei o meu quin­hão entre as boas coisas da vida”.

Obser­vou, ain­da, que para con­seguir o que dese­ja­va pre­cisa­va basi­ca­mente de duas coisas: tem­po e estu­do.

Quan­do se tra­ta de estu­do, Arkad divide o apren­diza­do em dois tipos: o primeiro, tra­ta daqui­lo que apren­demos e sabe­mos em teo­ria, o out­ro, se baseia na práti­ca.

A par­tir desse momen­to, ele resolve que irá se dedicar a apren­der como alguém se tor­na rico e, quan­do desco­brir, seguirá a recei­ta com afin­co.

Em um deter­mi­na­do dia, enquan­to tra­bal­ha­va como escri­ba, rece­beu a visi­ta de um homem muito rico chama­do Algamish e com ele fez um acor­do.

Arkad tra­bal­haria ard­u­a­mente para entre­gar o pedi­do do homem em um pra­zo cur­to em tro­ca de que ele o con­tasse como podia se tornar um homem rico.

Algamish, cumprindo o tra­to, rev­ela seu seg­re­do dizen­do:

“Achei o cam­in­ho para a riqueza quan­do deci­di que con­ser­varia comi­go uma parte de tudo que gan­has­se”.

Impres­sion­a­do pela sim­pli­ci­dade do con­sel­ho, Arkad dese­ja saber se foi ape­nas isso que Algamish fez.

Ele respon­deu que sim, que ao guardar um déci­mo do que gan­ha­va ele con­seguiu pas­sar de um pas­tor de ovel­has para um empresta­dor de din­heiro e, assim, pros­per­ar.

E ressaltou, que não se pode pagar a todo mun­do menos a si mes­mo.

Esse é um erro bási­co, que aca­ba equiparan­do home­ns livres a escravos, uma vez que o que os difer­en­cia, se ambos tra­bal­ham ape­nas para garan­tir o mín­i­mo exis­ten­cial?

Algamish con­tin­ua sua explanação expli­can­do:

“Cada moe­da de ouro que econ­o­mizar é um escra­vo que pode tra­bal­har para você. Cada cobre que essa moe­da pro­duzir tor­na-se um fil­ho apto a lev­an­tar mais fun­dos. Se quis­er tornar-se rico, então tudo o que você econ­o­mizar deve ser uti­liza­do no sen­ti­do de pro­por­cionar-lhe toda a abundân­cia que anseia”.

Depois de um tem­po, os dois voltaram a se encon­trar e Algamish per­gun­tou se Arkad havia segui­do seu con­sel­ho.

Este disse que sim e que havia entregue tudo o que jun­tara para que um oleiro com­prasse joias fení­cias para serem reven­di­das a um preço maior na Babilô­nia.

Entre­tan­to, Algamish o repreen­deu fer­vorosa­mente, dizen­do que suas econo­mias sem dúvi­das estavam per­di­das, pois se ele que­ria vender joias devia ter se jun­ta­do a um joal­heiro e não a um oleiro.

O rico empresta­dor de din­heiro, porém, não o desan­i­mou, estimulou‑o a começar de novo e ten­tar out­ra vez, mas sem­pre com esse con­sel­ho em mente: se vai inve­stir em algo, pro­cure um espe­cial­ista sobre o assun­to ou torne-se um.

Nova­mente, depois de um tem­po voltaram a se encon­trar, dessa vez, Arkad havia investi­do seu din­heiro em alguém que tin­ha con­hec­i­men­to sobre o negó­cio que coman­da­va. Obteve, então, lucros.

Con­tu­do, esta­va gas­tan­do de for­ma exager­a­da, fato que fez Algamish rir e repreendê-lo nova­mente, afir­man­do que ele esta­va comen­do seus fil­hos e que não dev­e­ria esban­jar até que tivesse for­ma­do seu “exérci­to doura­do” e este estivesse tra­bal­han­do dili­gen­te­mente para ele.

Algum tem­po depois, ao ouvir nova­mente os relatos de como andavam os rendi­men­tos de Arkad, o homem rico con­sta­tou:

“Você apren­deu as lições. Apren­deu primeiro a viv­er com menos do que podia gan­har. Depois, apren­deu a acon­sel­har-se jun­to àque­les cuja com­petên­cia deri­va de suas próprias exper­iên­cias. E, final­mente, apren­deu a faz­er o ouro tra­bal­har para você”.

Ao se dar con­ta que seu pupi­lo esta­va apto a alçar novos voos, Algamish propôs uma sociedade com ele e, ao mor­rer, deixou sua for­tu­na para Arkad como her­ança.

Ao tér­mi­no da história, Ban­sir con­sta­tou que um dos fatores que fiz­er­am de Arkad um homem rico foi a sorte de her­dar uma her­ança, ao que este pronta­mente respon­deu:

“Min­ha sorte limi­ta-se ao fato de que dese­ja­va pros­per­ar antes de tê-lo encon­tra­do pela primeira vez. Não tive que provar durante qua­tro anos min­ha deter­mi­nação de propósi­to, reser­van­do para mim mes­mo um déci­mo de tudo que aufe­ria? Você chamaria de sor­tu­do o pescador que, ten­do pas­sa­do anos estu­dan­do os hábitos dos peix­es, por uma sim­ples mudança do ven­to soubesse onde jog­ar sua rede? A opor­tu­nidade é uma deusa des­den­hosa que não perde tem­po com os que não estão prepara­dos”.

Ao refle­tir sobre as palavras de Arkad, um dos ami­gos do grupo, que esta­va escu­tan­do os ensi­na­men­tos deste, ficou intri­ga­do com a aparente sim­pli­ci­dade de se auferir riqueza e ques­tio­nou se have­ria bas­tante riqueza para todos, se todos os home­ns seguis­sem ess­es princí­pios bási­cos ensi­na­dos por Algamish.

Arkad respon­deu pronta­mente que a riqueza gera mais riqueza, usan­do out­ro exem­p­lo sim­ples: se um homem rico resolve con­stru­ir um palá­cio, seu din­heiro será dis­tribuí­do entre os par­tic­i­pantes do pro­je­to, haverá val­oriza­ção do ter­reno e das pro­priedades viz­in­has, mostran­do que o din­heiro se mul­ti­pli­ca através de meios mági­cos.

Depois de ouvir a história do ami­go rico e de este respon­der algu­mas inda­gações, o grupo se divid­iu em três:

  • Aque­les que não con­seguiram absorv­er os ensi­na­men­tos e, por isso, con­tin­uaram cal­a­dos e inertes;
  • Aque­les que achavam que Arkad dev­e­ria dividir com eles sua for­tu­na, pois, afi­nal, eram ami­gos de lon­ga data e vivi­am pas­san­do por neces­si­dades;
  • E aque­les que enten­der­am o real sen­ti­do das palavras do ami­go rico e pas­saram a fre­quen­tar a sua casa em bus­ca de mais con­hec­i­men­to.

Os dois primeiros gru­pos não tiver­am grandeza de espíri­to para assim­i­lar os ensi­na­men­tos, con­tu­do, o que mais me pre­ocu­pa é o segun­do, pois as pes­soas que acham que mere­cem algo sem nun­ca ter empreen­di­do esforço para con­quis­tar tal coisa são as de mente mais pobre.

Elas pen­sam e se colo­cam con­tin­u­a­mente em papel de víti­ma e essa ati­tude nun­ca será uma ger­ado­ra de riqueza.

Por isso, bem no final dessa parábo­la, o autor con­segue nos deixar inco­moda­dos ao abor­dar essa segun­da lin­ha de pen­sa­men­to.

Caso você já ten­ha lido o livro e não sen­tiu essa sen­sação, cuida­do para não ser uma dessas pes­soas que se colo­cam como mere­ce­do­ras sem estarem dis­postas a pagar o preço do suces­so.

E, lem­bre-se: “Uma parte de todos os seus gan­hos per­tence a você”.



3. Sete soluções para a falta de dinheiro

Nes­ta parábo­la, o rei da Babilô­nia man­da chamar Arkad para que ensine aos seus súdi­tos como enrique­cer, uma vez que após um grande perío­do de cir­cu­lação de riqueza com a con­strução das obras de irri­gação, tem­p­los e out­ros, a cidade se via em uma situ­ação de crise, na qual o din­heiro havia deix­a­do de cir­cu­lar com abundân­cia e esta­va con­cen­tra­do nas mãos de poucos home­ns ricos, pois as obras estatais estavam con­cluí­das.

Assim, os com­er­ciantes estavam sem clientes, pois os tra­bal­hadores encon­travam-se sem emprego.

O rei, por sua vez, dese­ja­va ver sua cidade como a mais rica e, para isso, teria que ter um grande número de home­ns ricos.

Par­tiu daí a ideia de cri­ar uma esco­la para ensi­nar ess­es home­ns a se tornarem ricos.

O pro­je­to foi ini­ci­a­do com 100 alunos e Arkad como pro­fes­sor. E quem mel­hor que o homem mais rico da Babilô­nia para ensi­nar a seus com­pa­tri­o­tas os seg­re­dos do din­heiro?

O pro­fes­sor desen­volveu e ensi­nou sete soluções para fal­ta de din­heiro aos seus alunos.

Comece a fazer seu dinheiro crescer

Arkad começa seus ensi­na­men­tos pelo primeiro que ele mes­mo apren­deu, acon­sel­han­do da seguinte for­ma:

“Para cada dez moedas que colo­carem em suas bol­sas, não retirem para uso próprio mais do que nove. A bol­sa começará a ficar est­u­fa­da, e seu peso cada vez maior será uma fonte de praz­er para suas mãos e uma fonte de bem estar para as almas”.

Ao ensi­nar seu princí­pio bási­co de riqueza, o mestre ressalta que o mais inter­es­sante é que quan­do se pas­sa a viv­er com menos, tan­to o din­heiro a mais que se gas­ta­va não o faz mais mis­eráv­el do que antes quan­to o fluxo de din­heiro em sua vida aumen­ta por algu­ma força mág­i­ca da natureza.

Ele diz que não sabe explicar, sabe ape­nas que o din­heiro parece escol­her ir para aque­les que têm suas bol­sas cheias.

Expli­ca, ain­da, que as nove moedas devem ser usadas para auferir roupas, comi­da e out­ros itens necessários, já os 10% poupa­dos devem ser investi­dos em apli­cações que gerem lucros.

Controlem seus gastos

No dia seguinte, um ques­tion­a­men­to surgiu sobre a primeira aula: como podemos guardar um déci­mo do que gan­hamos se este val­or mal dá para pagar as despe­sas necessárias?

O pro­fes­sor respon­deu pronta­mente que todos naque­la sala tin­ham ren­das difer­entes, famílias de taman­hos dis­tin­tos e obri­gações diver­sas, mas mes­mo assim todos estavam em difi­cul­dades e isso era expli­ca­do por um sim­ples moti­vo, expli­ca Arkad:

“O que chamamos de despe­sas necessárias sem­pre crescerá para tornar-se igual a nos­sos rendi­men­tos, a menos que façamos algu­ma coisa para invert­er essa tendên­cia”.

O pro­fes­sor acon­sel­ha, ain­da, que seus pupi­los con­sti­tu­am uma reser­va para despe­sas impre­vis­tas, para que não ten­ham que mex­er em suas poupanças, as quais estão lá para colab­o­rarem com o aumen­to de suas riquezas.

Final­iza dizen­do:

“Esta é, por­tan­to, a segun­da solução para fal­ta de din­heiro. Faça um orça­men­to de suas despe­sas de modo que pos­sam ter din­heiro para pagar pelo que é necessário, pelos praz­eres e para sat­is­faz­er seus mais valiosos dese­jos sem despender mais do que nove déci­mos de seus gan­hos”.


Multiplique seus rendimentos

Nes­ta lição, o mestre ensi­na que a riqueza de um homem não deve ser medi­da pelas moedas que con­segue jun­tar, mas pelos lucros que essa soma pode pro­duzir.

A ren­da que cada cen­ta­vo investi­do gera garan­tirá que seu din­heiro con­tin­ue se mul­ti­pli­can­do, este­ja você via­jan­do ou tra­bal­han­do.

Por­tan­to, a ter­ceira solução para a fal­ta de din­heiro, resume-se da seguinte maneira:

“Pôr cada moe­da para tra­bal­har para que pos­sa repro­duzir-se como algo­dão nos cam­pos e traz­er-lhes lucro, um rio de riqueza fluin­do con­stan­te­mente para den­tro de suas bol­sas”.

Proteja seu tesouro contra a perda

Arkad acon­sel­ha seus alunos a pro­te­gerem seus tesouros con­tra a per­da, investin­do onde o prin­ci­pal este­ja a sal­vo, onde pos­sa ser reivin­di­ca­do sem­pre que o dese­jarem e onde fique claro que vai ren­der uma boa quan­tia.

Ensi­na, ain­da, a procu­rar os con­sel­hos de home­ns expe­ri­entes e daque­les que são acos­tu­ma­dos a lidar com negó­cios e deixar que a sabedo­ria destes pro­te­jam seus inves­ti­men­tos de riscos desnecessários.



Façam do lar um investimento lucrativo

Essa solução visa diminuir os cus­tos com aluguel.

Arkad expli­ca que ao jun­tar din­heiro para com­prar um lar, as prestações a serem pagas podem ser menores ou iguais aos val­ores pagos men­salmente aos pro­pri­etários, com a difer­ença que den­tro de algum tem­po a casa pas­sa a ser sua e o cus­to real com o imóv­el seri­am ape­nas os impos­tos, liberan­do parte do orça­men­to para aquisição de seus dese­jos ou para o aumen­to dos inves­ti­men­tos.

Assegurem uma renda para o futuro

Aqui são dados alguns exem­p­los de onde guardar ou aplicar o din­heiro para que ele pos­sa garan­tir uma vel­hice tran­quila.

As opções mostradas incluem com­pra de ter­ras e imóveis e apli­cações que ren­dam a juros com­pos­tos.

Ao refle­tir sobre o paga­men­to de juros feito a um de seus ami­gos que toda sem­ana apli­ca­va, jun­to a um empresta­dor, duas moedas de pra­ta, con­clui:

“Com certeza, quan­do um paga­men­to tão pequeno (feito com reg­u­lar­i­dade) pro­duz resul­ta­dos tão lucra­tivos, só podemos con­cluir que nen­hum homem pode deixar de asse­gu­rar um tesouro para sua vel­hice e a pro­teção da família, não impor­ta quão prósper­os ven­ham se mostran­do seus negó­cios e inves­ti­men­tos”.

Aumente sua capacidade para ganhar

Nes­ta últi­ma solução para fal­ta de din­heiro, o foco se dis­tribui em duas temáti­cas impor­tantes.

A primeira é abor­dar o dese­jo como a mola mes­tra para impul­sion­ar a real­iza­ção de pro­je­tos, emb­o­ra o pro­fes­sor ensine que não adi­anta dese­jar de modo ger­al e abstra­to, é pre­ciso que os dese­jos sejam fortes e definidos.

Ele chega a dar um exem­p­lo.

Expli­ca que um homem que quer ser rico difi­cil­mente o será, mas o homem que alme­ja obter 5 moedas, pode tornar seu son­ho real­i­dade mais facil­mente e, a par­tir daí, cul­ti­var a von­tade de pos­suir mil moedas, vinte mil moedas, até que seja final­mente rico.

Dessa for­ma, apren­demos com esse ensi­na­men­to que nos­sos propósi­tos devem ser claros e tangíveis, algo de suma importân­cia quan­do se tra­ta de plane­ja­men­to finan­ceiro.

A segun­da reflexão se apoia sobre como aumen­tar a capaci­dade de gan­hos. E o con­sel­ho nesse pon­to é o aper­feiçoa­men­to, tan­to que a fala a seguir demon­stra bem essa questão:

“Quan­to mais con­hec­i­men­tos adqui­r­i­mos, mais podemos gan­har. O homem que bus­ca apren­der sem­pre mais sobre sua profis­são será rica­mente rec­om­pen­sa­do. Se é artesão, deve infor­mar-se sobre os méto­dos e fer­ra­men­ta uti­liza­dos por um com­pan­heiro de maior perí­cia no mes­mo ramo. Os negó­cios humanos mudam e aper­feiçoam-se, porque cidadãos entu­si­as­ma­dos estão sem­pre procu­ran­do mel­ho­rar a própria habil­i­dade, a fim de servirem com mais efi­ciên­cia e qual­i­dade aque­les de que depen­dem. Por isso, sugiro a todos os home­ns que se pon­ham na lin­ha de frente do pro­gres­so e não fiquem para­dos, sendo pas­sa­dos para trás”.

Pode-se perce­ber clara­mente o incen­ti­vo à ino­vação nesse tre­cho, algo tão debati­do atual­mente.

Para finalizar, Arkad lista algu­mas ati­tudes que devem ser prat­i­cadas para que além de se livrar do peso da fal­ta de din­heiro, a con­sciên­cia de seus pupi­los este­ja sem­pre tran­quila, quais sejam:

  • Pague suas dívi­das com pon­tu­al­i­dade e não adquira nada que não pos­sa pagar;
  • Cuide bem de sua família;
  • Faça um tes­ta­men­to;
  • Ajude ao próx­i­mo.

4. Encontrando a deusa da boa sorte

Nes­ta nova parábo­la, mais uma vez o per­son­agem Arkad é o artic­u­lador dos ensi­na­men­tos.

Na Babilô­nia, não havia esco­las ou fac­ul­dades, mas havia um local de apren­diza­do mútuo e colab­o­ra­ti­vo chama­do Tem­p­lo do Saber.

Nele, todos os home­ns eram iguais e podi­am dis­cu­tir temas rel­e­vantes e tro­car exper­iên­cias, sem serem repreen­di­dos por suas opiniões.

Em um deter­mi­na­do dia, no salão onde se encon­tra­va Arkad tro­can­do con­hec­i­men­tos com mais uns 80 home­ns da Babilô­nia e cidades viz­in­has, o tema pro­pos­to para debate foi a sorte.

A primeira con­clusão a que chegaram deba­ten­do o assun­to é que os jogos de azar não são capazes de trans­for­mar home­ns pobres em ricos, já que as prob­a­bil­i­dades estão sem­pre con­tra os jogadores e a favor da ban­ca.

Além de que, na maio­r­ia das vezes, mes­mo quan­do se gan­ha espo­radica­mente, se perde no ger­al mais do que se gan­hou.

O segun­do tópi­co lev­an­ta­do foi, na fala de um dos per­son­agens:

“Se, como você disse (Arkad), deve­mos acred­i­tar em nos­sa própria habil­i­dade e capaci­dade para o êxi­to de nos­sos negó­cios, por que não con­sid­er­ar os suces­sos que estive­mos a pon­to de obter, mas que nos escaparam, situ­ações que teri­am sido mais lucra­ti­vas? Elas teri­am sido um raro exem­p­lo de boa sorte se real­mente tivessem ocor­ri­do”.

Em segui­da, o homem que faz essa colo­cação con­ta sua história de como deixou um bom inves­ti­men­to pas­sar por achar que era jovem e teria out­ras opor­tu­nidades, além de não estar dis­pos­to a abrir mão dos lux­os que seu din­heiro pode­ria com­prar caso não estivesse empre­ga­do no inves­ti­men­to.

Nesse momen­to, out­ro par­tic­i­pante colo­ca o seguinte pon­to:

“Nes­sa história, vemos como a boa sorte cos­tu­ma procu­rar o homem que acred­i­ta nas opor­tu­nidades. Dar o primeiro pas­so para con­stru­ir uma sól­i­da posição é uma boa sorte que pode acon­te­cer a qual­quer homem. O primeiro degrau, trans­for­man­do os cidadãos que gan­ham por seus próprios esforços em home­ns que começam a ter lucros pelo bom emprego de seu din­heiro, é sem­pre impor­tante. Alguns, afor­tu­nada­mente, fazem isso quan­do jovens e deix­am para trás, em ter­mos de suces­so finan­ceiro, aque­les que fiz­er­am muito tarde ou que nun­ca o fiz­er­am”.

A par­tir desse pon­to, os debate­dores começam a falar na pro­cras­ti­nação, que foi a respon­sáv­el pela per­da das opor­tu­nidades, tan­to da relata­da quan­to de uma out­ra pre­sente na parábo­la.

Chegam, então, à con­clusão que para serem bem-suce­di­dos e atraírem a boa sorte devem con­tro­lar o espíri­to de pro­cras­ti­nação pre­sente em todos os home­ns, aque­le que sopra em nos­sos ouvi­dos: “Você tem tem­po”. “Não feche esse negó­cio ago­ra”. “A opor­tu­nidade é boa, mas você pode decidir depois”.

Out­ra con­clusão é que se deve con­fi­ar nos próprios jul­ga­men­tos e ter cuida­do com as mudanças de pen­sa­men­to, pois a tendên­cia é que se mude mais de opinião quan­do se está cer­to do que quan­do se está erra­do.

Dessa maneira, Arkad arrema­ta a dis­cussão afir­man­do:

“A ação os con­duzirá ao encon­tro do suces­so que vocês tan­to dese­jam”.



5. As cinco leis do ouro

um martelo de juiz em cima de dois livros

Na quin­ta parábo­la trazi­da pelo autor, o ques­tion­a­men­to ini­cial parte de um homem chama­do Kal­abab, que con­heceu Nomasir (fil­ho de Arkad).

A per­gun­ta que ele faz aos seus ami­gos é: se tivessem de escol­her entre um saco de ouro ou uma tabuin­ha com as cin­co leis do ouro o que escol­he­ri­am?

A respos­ta foi unân­ime, escol­her­am o ouro.

Então, Kal­abab con­tou-os a história de Nomasir, que foi instruí­do pelo pai a pas­sar dez anos admin­is­tran­do seus próprios bens para se provar capaz de her­dar a for­tu­na do homem mais rico da Babilô­nia.

Para ini­ciar seu tra­je­to rumo ao suces­so finan­ceiro, seu pai lhe con­cedeu uma tabuin­ha de argi­la com as cin­co regras do ouro gravadas e uma bol­sa de ouro.

Rap­i­da­mente, Nomasir gas­tou o din­heiro de for­ma impru­dente, achan­do que esta­va fazen­do bons negó­cios.

Só após ficar prati­ca­mente na mis­éria, decid­iu ler a tabuin­ha e se arrepen­deu amarga­mente de não ter feito isso antes, pois perce­beu que se tivesse bus­ca­do primeiro a sabedo­ria de seu pai ao invés de acred­i­tar em seus impul­sos, seu ouro não teria ido emb­o­ra.

Eis as cin­co leis do ouro:

  1. O ouro vem de bom gra­do e numa quan­ti­dade cres­cente para todo homem que sep­a­ra não menos que um déci­mo de seus gan­hos, a fim de cri­ar um fun­do para o seu futuro e o de sua própria família.
  2. O ouro tra­bal­ha dili­gen­te­mente e sat­isfa­to­ri­a­mente para o homem pru­dente que, possuindo‑o, encon­tra para ele um emprego lucra­ti­vo, multiplicando‑o como os flo­cos de algo­dão no cam­po.
  3. O ouro bus­ca a pro­teção do pro­pri­etário cauteloso que o investe de acor­do com os con­sel­hos de home­ns mais exper­i­men­ta­dos em seu manu­seio.
  4. O ouro foge do homem que o empre­ga em negó­cios ou propósi­tos com os quais não está famil­iar­iza­do ou que não con­tam com a aprovação daque­les que sabem poupá-lo.
  5. O ouro escapa ao homem que o força a gan­hos impos­síveis ou que dá ouvi­dos aos con­sel­hos enganosos de tra­paceiros e frau­dadores ou que con­fia em sua própria inex­per­iên­cia e dese­jos român­ti­cos na hora de investi-lo.

Após aplicar as leis e tra­bal­har ard­u­a­mente em sua apli­cação, Nomasir con­seguiu ao final dos dez anos tornar-se um homem rico e respeita­do e faz a seguinte reflexão:

“Dev­i­do a meus infortúnios, ten­ta­ti­vas e êxi­tos, pude repeti­das vezes provar a sabedo­ria das cin­co leis do ouro e ver em cada um dess­es momen­tos como estavam cer­tas. Para quem não con­hece essas leis, o din­heiro não aparece tão fre­quente­mente e, quan­do aparece, vai rap­i­da­mente emb­o­ra. Já para aque­les que não hesi­tam em uti­lizá-las, o din­heiro aparece e tra­bal­ha para eles como um escra­vo. Sem sabedo­ria, o ouro pode ser rap­i­da­mente per­di­do pelos que o têm, mas, com sabedo­ria, o ouro pode ser adquiri­do pelos que não o têm. A riqueza que pro­move gozo e sat­is­fação para seu pro­pri­etário con­strói-se grad­ual­mente, porque é uma cri­ança nasci­da do con­hec­i­men­to e da per­sistên­cia ”.



6. O emprestador de dinheiro da Babilônia

pessoa emprestando dinheiro para outra

Essa história traz uma reflexão sobre cautela e remor­so.

O per­son­agem prin­ci­pal é Math­on, um empresta­dor de din­heiro muito expe­ri­ente, que é procu­ra­do por seu ami­go Rodan, para que ofer­eça a este um con­sel­ho valioso: deve emprestar suas 50 moedas de ouro, rece­bidas como rec­om­pen­sa dada pelo próprio rei em recon­hec­i­men­to ao seu tra­bal­ho, ao seu cun­hado que dese­ja tornar-se um rico com­er­ciante?

A fim de ensi­nar a mel­hor maneira de pro­ced­er ao ami­go Rodan, mas sem que essa respos­ta se lim­i­tasse a um sim­ples sim ou não, mas a uma lição que pudesse capac­itá-lo, Math­on exem­pli­fi­ca de várias maneiras seus critérios para anal­is­ar seus clientes e garan­tir que seus emprés­ti­mos serão um bom negó­cio.

Pela per­gun­ta de Rodan se tratar de um pos­sív­el emprés­ti­mo para alguém da família, que envolve uma car­ga emo­cional, o empresta­dor começa exem­pli­f­i­can­do sua lição com a história de um cav­a­lo e um asno.

O cav­a­lo lamen­ta-se para o ami­go asno que faça chu­va ou sol ele deve acor­dar cedo e pas­sar o dia moven­do o ara­do, não impor­ta quão cansa­do este­ja ou quão esfo­la­do seu pescoço se encon­tre.

Com­para­n­do sua situ­ação com a do asno, lamen­ta-se por não ter os dias de des­can­so do ami­go, já que nos dias em que o dono da fazen­da não vai à cidade, o asno pode pas­sar o dia sossega­do pas­tan­do.

Com pena de seu ami­go, o asno aconselha‑o a fin­gir que está doente, para que pos­sa tirar um dia de fol­ga. Porém, ao saber da doença do cav­a­lo, o fazen­deiro orde­na que o asno puxe o ara­do durante todo o dia.

Com essa história, Math­on bus­ca mostrar algo muito sim­ples:

“Se dese­ja aju­dar um ami­go, faça‑o, mas de modo que os far­dos dele não sejam colo­ca­dos sobre os seus ombros, pois em nos­so dese­jo de ser úteis, podemos cor­rer o risco de car­regar os far­dos que per­tencem a out­rem”.

Rodan, logo inda­ga ao ami­go como ele faz para saber se os clientes irão pagá-lo.

O empresta­dor, então, diz que divide seus clientes em três gru­pos:

  • No primeiro, estão aque­les que con­tam com garan­tias físi­cas como ter­ras, gado, joias e out­ros ativos que são colo­ca­dos como segu­rança para o emprés­ti­mo;
  • Uma segun­da cat­e­go­ria pres­ta como garan­tia o esforço humano, ou seja, são tra­bal­hadores esforça­dos que fazem de tudo para man­ter seu nome e têm fonte de ren­da reg­u­lar;
  • O últi­mo grupo, não pos­sui nen­hu­ma das garan­tias aci­ma. Para ess­es, Math­on afir­ma que empres­ta ape­nas peque­nas somas a não ser que algum ami­go entre como fiador do negó­cio.

Math­on con­ta ain­da que assim como tem clientes nos quais con­fia por saber que são bons com­er­ciantes e sem­pre lhe trazem bons lucros, tem out­ros que só acei­ta faz­er negó­cio porque suas garan­tias são maiores que os val­ores empresta­dos, mas que ele mes­mo, com sua exper­iên­cia, sabe que os propósi­tos para os quais o din­heiro é pedi­do são desas­trosos por natureza.

Ao con­tar mais algu­mas histórias sobre os emprés­ti­mos que fez, Math­on con­clui:

“Por aí, você pode ver quão fre­quente­mente suas altas esper­anças de obter grandes lucros, não pas­sam de esper­anças fal­sas, que eles não têm capaci­dade nem treina­men­to para aten­der”.

Essa con­clusão reforça o que foi pas­sa­do na parábo­la sobre as cin­co leis do ouro e a tra­jetória de Nomasir.

Ou seja, ter o recur­so não garante suces­so, pois (sem con­hec­i­men­to) todo o seu ouro pode escor­rer de suas mãos mais rápi­do do que chegou até você.

Math­on con­tin­ua sua con­ver­sa com o ami­go, per­gun­tan­do quan­to ele tem econ­o­miza­do em todos seus anos de tra­bal­ho, ao que Rodan responde 3 moedas de ouro, uma por cada ano tra­bal­ha­do e com muito esforço e abne­gação.

A con­clusão do empresta­dor é óbvia.

Seri­am necessários 50 anos de tra­bal­ho árduo e pri­vações para que seu ami­go econ­o­mizasse as 50 moedas de ouro, que esta­va pen­san­do em facil­mente emprestar a um par­ente.

Ao abor­dar o assun­to por essa óti­ca, Rodan começa a enten­der mel­hor a dimen­são do que esta­va prestes a faz­er. Se o din­heiro não tivesse sido uma rec­om­pen­sa, ele teria demor­a­do uma vida para jun­tá-lo.

Por fim, o empresta­dor faz uma per­gun­ta a seu ami­go: o que ele dese­ja para seu din­heiro? A respos­ta é guardá-lo em segu­rança e mul­ti­plicá-lo.

Desse modo, o con­sel­ho de Math­on é que ele diver­si­fique a apli­cação desse din­heiro e que o aplique com pes­soas expe­ri­entes em suas áreas de atu­ação e con­clui dizen­do:

“Não esqueça que o ouro con­segue escapulir de modo ines­per­a­do das mãos de todos aque­les que não sabem guardá-lo com inteligên­cia. O pre­sente do rei lhe prop­i­cia­rá mui­ta sabedo­ria. Se resolver guardar as 50 moedas de ouro, você pre­cis­ará ser real­mente cauteloso. Muitos usos o ten­tarão. Ouvirá muitos con­sel­hos. Numerosas opor­tu­nidades de faz­er grandes lucros serão ofer­e­ci­das a você. Seja mod­er­a­do naqui­lo que espera gan­har, para que pos­sa garan­tir e gozar de sua for­tu­na. Empregá-la sob a promes­sa de retorno exor­bi­tante é um con­vite à per­da”.


7. As muralhas da Babilônia

as muralhas da Babilônia

Essa é uma breve história sobre uma das muitas ten­ta­ti­vas de invasão e saque à Babilô­nia.

Os assírios inve­sti­ram con­tra a cidade por qua­tro sem­anas, bus­can­do invadir e pil­har seus tesouros, deixan­do os moradores ater­ror­iza­dos, pois seu rei e grande parte do exérci­to estavam em cam­pan­ha longe das mural­has da Babilô­nia.

No entan­to, para todos que bus­cav­am infor­mações jun­to ao respon­sáv­el pela mural­ha, este os respon­dia dili­gen­te­mente:

“Não se pre­ocupe, as mural­has irão pro­tegê-lo dos saques e da escravidão, não se apa­vore!”.

Assim como a Babilô­nia pre­cisou de bar­reiras físi­cas para garan­tir a pro­teção, hoje temos os mes­mo anseios por segu­rança, mas ela se mostra com out­ras faces, como seguros, poupança e inves­ti­men­tos, que podem nos res­guardar de tragé­dias ines­per­adas, nos mostran­do que não temos condições de ficar sem uma pro­teção ade­qua­da.

8. O negociante de camelos da Babilônia

homem montado em um camelo na praia

Essa parábo­la envolve dois per­son­agens prin­ci­pais, Tarkad e Dabasir.

Tarkad é um jovem impru­dente que deve a muitos e já no iní­cio da nar­ra­ti­va nos é rev­e­la­do que não come há dois dias por fal­ta de din­heiro.

Pela situ­ação em que se encon­tra, pen­sa inclu­sive em come­ter pequenos fur­tos para saciar sua fome.

Dabasir é um nego­ciante de came­los muito bem-suce­di­do que emprestou din­heiro a Tarkad por con­sid­er­ação ao pai do jovem, pois eram ami­gos.

Porém, sem condições de pagar as duas moedas de cobre e uma de pra­ta que o nego­ciante de came­los lhe emprestou, Tarkad fica atôni­to ao encon­trá-lo em frente à casa de pas­to, onde Tarkad esta­va mon­tan­do guar­da na esper­ança de um con­heci­do con­vidá-lo para entrar e faz­er uma refeição com ele.

Entre­tan­to, o con­vite para aden­trar ao recin­to é feito pelo seu cre­dor, o que o deixa descon­fortáv­el, mas sem ter como dec­li­nar, Tarkad acei­ta.

Den­tro do recin­to, o nego­ciante de came­los pede uma far­ta refeição para si e um copo de água para seu acom­pan­hante e pede licença para con­tar uma história.

Tarkad triste e cabis­baixo con­cor­da em ouvir o rela­to.

Dabasir con­ta que antes de ser um rico com­er­ciante de came­los, fora escra­vo na Síria por causa de atos impru­dentes cometi­dos em sua juven­tude.

Nos primeiros anos de sua vida adul­ta, ele apren­deu com o pai o ofí­cio de faz­er sandálias e casou-se, seus rendi­men­tos com­por­tavam ape­nas uma vida mod­es­ta, mas por gozar de boas relações com os com­er­ciantes da cidade, pas­sou a faz­er dívi­das para saciar seus dese­jos por luxo.

A dívi­da cresceu de uma for­ma que ele não pode mais lidar com a situ­ação, o que acabou por fazê-lo ir emb­o­ra da Babilô­nia para ten­tar uma vida mel­hor na Síria.

Nesse meio tem­po, sua esposa voltou para casa de seu pai e ele se viu soz­in­ho ten­do de con­stru­ir uma vida adul­ta do zero.

Pas­sou dois anos tra­bal­han­do hon­es­ta­mente para os donos de car­a­vanas, mas o tra­bal­ho era pesa­do e os val­ores gan­hos eram baixos.

Então, decid­iu se jun­tar com um grupo de salteadores, que ata­cavam car­a­vanas despro­te­gi­das.

A primeira empre­ita­da foi bem-suce­di­da e ren­deu um espólio valioso de ouro, seda e out­ros pro­du­tos caros. Entre­tan­to, em sua imprudên­cia, Dabasir esban­jou tudo rap­i­da­mente.

Na segun­da ten­ta­ti­va, o grupo de salteadores que fazia parte foi pego e ele foi ven­di­do por duas moedas de pra­ta como escra­vo para um chefe sírio do deser­to.

Uma das qua­tro esposas de seu amo criou um vín­cu­lo de amizade com Dabasir, que era seu escra­vo e respon­sáv­el pelos seus came­los.

Em uma con­ver­sa, em que ele con­ta sua história na Babilô­nia para sua ama, ela o repreende dizen­do:

“Como pode chamar a si mes­mo um homem livre, quan­do sua própria fraque­za o trouxe à condição em que se acha? Se um homem tem den­tro de si a alma de um escra­vo, não é exata­mente nis­so que se trans­for­ma, não obstante seu nasci­men­to, assim como a água procu­ra seu nív­el? Se um homem tem den­tro dele a alma de um cidadão livre, não se tornará respeita­do e hon­ra­do em sua própria cidade, a despeito de seu infortúnio? Seu grande rei não com­bate os inimi­gos de todas as maneiras que pode e com todas as forças de que dis­põe? Suas dívi­das são seus inimi­gos. Elas cor­reram com você da Babilô­nia. Você aban­do­nou-as, e elas cresce­r­am num nív­el sufo­cante para você. Se as tivesse enfrenta­do como homem, daria con­ta do reca­do e veria admi­ti­do entre os con­ci­dadãos. Mas não teve cor­agem de com­batê-las, e seu amor-próprio min­gu­ou tan­to que ago­ra você não pas­sa de um escra­vo na Síria ”.

Essas palavras reper­cu­ti­ram forte­mente na alma e na mente de Dabasir, que pas­sou a refle­tir sobre como agir com a alma de um homem livre.

Um tem­po depois, sua ama o chamou para acom­pan­há-la em uma viagem à casa de sua mãe. Dabasir achou estran­ha a quan­ti­dade de man­ti­men­tos que a escra­va sep­a­rou para a viagem, pois o per­cur­so não era lon­go.

Con­tu­do, ao chegarem ao des­ti­no, sua dona o acon­sel­hou a fugir, voltar para Babilô­nia e refaz­er seu nome.

Não seria fácil, pois estavam no meio do deser­to e ele não sabia como chegar a sua ter­ra, mas agar­rou a opor­tu­nidade ofer­e­ci­da e mes­mo com o medo de ser descober­to e mor­to pelo seu sen­hor não vac­ilou em par­tir.

A viagem foi lon­ga e des­gas­tante, os man­ti­men­tos não duraram muito e os came­los já mostravam sinais de exaustão pela fal­ta de água e comi­da, além dele não saber se esta­va seguin­do o cam­in­ho cor­re­to.

Dabasir bus­cou forças em sua alma e nas palavras de sua anti­ga ama para con­tin­uar.

Tin­ha que provar que era um homem livre, tin­ha que recon­sti­tuir sua rep­utação, mostrar para sua esposa que era capaz de sus­ten­tá-la e pro­por­cionar para ela uma vida digna.

Quan­do final­mente con­seguir chegar à Babilô­nia, procurou seus cre­dores e fez acor­do com muitos deles.

Um, em par­tic­u­lar, o empresta­dor de din­heiro Math­on, viu no jovem, através da exper­iên­cia adquiri­da por anos anal­isan­do seus clientes, que ele esta­va muda­do e que seu espíri­to esta­va forte.

E, com aju­da dele, Dabasir não só con­seguiu mais um aporte finan­ceiro para recomeçar como tam­bém foi indi­ca­do por Math­on para acom­pan­har um famoso com­er­ciante de came­los ami­go seu.

No fim do dis­cur­so, Tarkad entende que o que Dabasir está ten­tan­do mostrar é que ele não pre­cisa pas­sar por tudo o que ele mes­mo pas­sou para apren­der uma lição poderosa: onde há deter­mi­nação, o cam­in­ho pode ser encon­tra­do.

O com­er­ciante de came­los, ao ter­mi­nar a história, ofer­ece ao seu con­vi­da­do que se junte a ele para com­er, mas o maior pre­sente que ele deu a Tarkad foi o aler­ta de para onde sua imprudên­cia com o din­heiro podia levá-lo.

Além de mostrar para ele que sem­pre há uma maneira de sair de seus prob­le­mas (apre­sen­ta­da na parábo­la como o deser­to e a escravidão), caso seu espíri­to seja de um homem livre e não de um escra­vo de seus dese­jos e de suas lamúrias.



9. As tabuinhas de argila da Babilônia

tabuinha de argila

Essa nar­ra­ti­va começa com a tran­scrição de uma car­ta envi­a­da por um pro­fes­sor que esta­va na Mesopotâmia em 1934 numa expe­dição e achou umas tabuin­has escritas por Dabasir e as man­dou para que fos­sem traduzi­das por um arqueól­o­go.

As tabuin­has con­tam com maiores detal­h­es a história do nego­ciante de came­los já ini­ci­a­da na parábo­la pas­sa­da.

Dabasir descreve em detal­h­es o plano que trouxe sua pros­peri­dade.

Com aju­da de Math­on, ele con­strói um plano de três pas­sos para sal­dar suas dívi­das, quais sejam:

  1. Poupar um déci­mo (10%) de tudo que gan­har, a fim de garan­tir sua futu­ra pros­peri­dade.
  2. Des­ti­nar sete déci­mos (70%) de tudo que gan­har para o sus­ten­to de suas neces­si­dades bási­cas, já que o plano deve per­mi­tir sua sobre­vivên­cia e o mín­i­mo exis­ten­cial para ele e sua esposa.
  3. Des­ti­nar dois déci­mos (20%) de tudo que gan­har para sal­dar suas dívi­das.

Colo­can­do esse plano em práti­ca e seguindo‑o com deter­mi­nação, Dabasir foi capaz de sal­dar suas dívi­das e trans­for­mar-se de um homem sem cred­i­bil­i­dade em um dos home­ns ricos e respeita­dos da Babilô­nia.

Em suas próprias palavras na nar­ra­ti­va:

“Grande é o plano, pois ele tem nos tira­do do endi­vi­da­men­to e prop­i­cia-nos a pos­si­bil­i­dade de guardar o que nos per­tence de dire­ito. O plano é de um val­or indizív­el. Além de ter feito de um ex-escra­vo um hon­ra­do cidadão”.

Ao final da nar­ra­ti­va uma segun­da car­ta é tran­scri­ta.

Nes­sa, o pro­fes­sor de arque­olo­gia agradece 2 anos depois ao pro­fes­sor que o man­dou as pla­cas para que ele traduzisse, pois através dos ensi­na­men­tos de cin­co mil anos antes, ele e sua esposa tin­ham con­segui­do sair das dívi­das.

O plano elab­o­ra­do pelo arqueól­o­go que traduz­iu as pla­cas foi prati­ca­mente a cópia daque­le que Dabasir descreve nas tabuin­has de argi­la.

Primeira­mente, ele fez um demon­stra­ti­vo de ren­da e mostrou aos seus cre­dores que o que ele e sua mul­her gan­havam não seria sufi­ciente para pagá-los, a não ser que eles aceitassem rece­ber de maneira pau­lati­na.

Após a nego­ci­ação com os cre­dores, era o momen­to de enx­u­gar o orça­men­to para que pudessem viv­er com os 70% restantes.

Nego­cia­ram o aluguel, revi­ram a lista do super­me­r­ca­do e out­ros itens que podi­am ser reduzi­dos em seus gas­tos.

Por fim, começaram a guardar os 10% e, ao relatarem seus esforços para con­sti­tuir sua poupança. Uma fala se desta­ca:

“É real­mente engraça­do começar a acu­mu­lar din­heiro que você não quer gas­tar. Há mais praz­er em ver aumen­tar uma reser­va de din­heiro suposta­mente exce­dente do que pode­ria haver gastando‑a. Depois de ter poupa­do até onde achamos necessário, encon­tramos um emprego mais lucra­ti­vo para nos­sas econo­mias. Fize­mos um inves­ti­men­to em que pudésse­mos pagar ess­es 10% todo mês. Isso provou ser o aspec­to mais sat­is­fatório de nos­sa regen­er­ação”.



10. O homem de mais sorte da Babilônia

Shar­ru Nada, o mais impor­tante com­er­ciante da Babilô­nia, é o per­son­agem cen­tral da penúl­ti­ma parábo­la do livro.

No começo da nar­ra­ti­va, ele encon­tra-se con­duzin­do uma car­a­vana rec­hea­da de mer­cado­rias a cam­in­ho da Babilô­nia, acom­pan­hado pelo neto de Arad Gula que fora seu grande ami­go e sócio.

Hadan Gula é um homem ambi­cioso e sem muito tino para os negó­cios, pos­sui um pen­sa­men­to atrasa­do sobre tra­bal­ho, afir­man­do que tra­bal­ho é coisa para escravos, os ricos devem ape­nas gozar de sua riqueza.

Tal pen­sa­men­to fez com que Hadan e seu pai, fil­ho de Arad, dete­ri­o­rassem prati­ca­mente tudo que seu avô deixou-os como her­ança.

Por esse moti­vo, Hadan está acom­pan­han­do Shar­ru, para ten­tar uma chance de suces­so, obser­van­do como se tornar um bom com­er­ciante e voltar a usufruir dos lux­os do din­heiro.

Shar­ru, então, encon­tra-se em meio a uma encruzil­ha­da, pois, ao mes­mo tem­po que não acred­i­ta que seja pos­sív­el mudar a for­ma de ver o mun­do de um jovem tão arro­gante, não pode deixar de ten­tar aju­dar o neto de seu grande ami­go.

Decide, assim, con­tar para Hadan a história de como con­heceu e se tornou sócio de Arad Gula, na esper­ança de faz­er o jovem perce­ber cer­tas ver­dades.

Ao ques­tionar Hadan sobre sua curiosi­dade em saber sobre a história que dese­ja­va con­tar, ele responde:

“Por que não me con­ta só como con­seguiu os doura­dos sic­los? É tudo que eu pre­ciso saber”.

Shar­ru igno­ra a respos­ta e começa a nar­rar sua história.

Impor­tante fris­ar que nes­sa parte do dis­cur­so podemos iden­ti­ficar que muitos querem ape­nas saber qual o seg­re­do do suces­so, achan­do que existe algu­ma fór­mu­la mág­i­ca.

A maio­r­ia das pes­soas que admi­ram mil­ionários não con­hece suas histórias e não estão dis­pos­tos a pas­sar pelo que eles pas­saram, mas dese­jam seu suces­so e seu din­heiro.

Se você é um dess­es, desista, pois como ver­e­mos nes­sa nar­ra­ti­va, não existe riqueza e pros­peri­dade sem esforço.

Mes­mo quem her­da uma for­tu­na já con­sol­i­da­da, caso seja desprepara­do, a des­perdiçará como os descen­dentes de Arad.

Shar­ru começa a con­tar sua história dizen­do que tornou-se escra­vo por ter sido usa­do como garan­tia, porque seu irmão embriagou-se e acabou por matar um de seus ami­gos.

Com medo de que ele fos­se para prisão, seu pai entre­gou Shar­ru para viú­va como escra­vo, que o vendeu um tem­po depois, pois a família dele não pos­suía recur­sos para com­prá-lo de vol­ta.

Nes­sa ocasião, Shar­ru foi man­da­do para Babilô­nia.

Na viagem, os escravos eram acor­renta­dos de qua­tro em qua­tro, e jun­to com ele estavam Megid­do, Zaba­do e Pira­ta.

Cada um dess­es home­ns tin­ha uma visão difer­ente sobre tra­bal­ho e é essa a reflexão que o tex­to visa faz­er.

Megid­do dizia:

“O tra­bal­ho é o mel­hor ami­go que já con­heci. Alguns home­ns o odeiam. Fazem dele um inimi­go. É mel­hor tratá-lo como um ami­go, apren­der a gostar dele. Não se pre­ocupe com que seja árduo. Prometa-me, rapaz, que se tiv­er um amo vai tra­bal­har para ele o mais ard­u­a­mente que pud­er. Se ele não apre­ciar tudo quan­to você faz, não se pre­ocupe. Lem­bre-se, o tra­bal­ho bem feito traz sat­is­fação a quem quer que o ten­ha real­iza­do e tor­na o homem mel­hor”.

Zaba­do, por sua vez, era par­tidário de faz­er cor­po mole para con­ser­var-se sadio, defendia a malan­dragem ao invés do tra­bal­ho árduo.

Pira­ta, tin­ha em sua alma uma grande revol­ta pela situ­ação em que se encon­tra­va. Não foi rev­e­la­do o moti­vo dele ter se tor­na­do escra­vo, mas pela nar­ra­ti­va ele era um dos home­ns que odi­avam o tra­bal­ho e a situ­ação em que esta­va.

Seguin­do a filosofia de Megid­do e ten­do sido aler­ta­do por seu mer­cador de escravos que aque­les que não fos­sem ven­di­dos até o final do dia iri­am tra­bal­har na con­strução das mural­has da Babilô­nia, que era um tra­bal­ho alta­mente des­gas­tante e mor­tal, Shar­ru apres­sou-se em con­vencer um padeiro de que tin­ha boa von­tade em apren­der o ofí­cio e ado­raria ser com­pra­do pelo mes­mo.

Nana-naid, amo de Shar­ru, ensinou‑o todas as artes de seu ofí­cio.

Não demor­ou muito para que a sim­pa­tia nutri­da pelo mestre pelo empen­ho de seu escra­vo o ren­desse uma parce­ria nos negó­cios.

Como Shar­ru só tra­bal­ha­va pela man­hã, propôs que na parte da tarde ele pudesse ir até a cidade vender pães de mel, dividin­do os lucros com seu amo.

Os dois fir­maram a parce­ria e prosseguiram com o negó­cio.

Shar­ru esta­va feliz, pois esta­va con­seguin­do jun­tar o din­heiro para com­prar sua liber­dade. O con­sel­ho de Megid­do o havia aju­da­do a trans­for­mar o tra­bal­ho em seu prin­ci­pal ali­a­do.

Venden­do pães de mel pela cidade con­heceu Arad, que à época tam­bém era escra­vo e tin­ha feito uma sociedade com seu amo.

Ele já tin­ha din­heiro para tornar-se homem livre, mas esta­va com medo de não con­seguir pros­peri­dade longe de seu amo, porém, Shar­ru o adver­tiu dizen­do:

“Não fique gru­da­do por muito tem­po a seu amo. Exper­i­mente nova­mente a sen­sação de ser um homem livre. Aja e obten­ha êxi­to como um homem livre! Deci­da o que dese­ja realizar, e então o tra­bal­ho o aju­dará a fazê-lo!”.

Por causa dessas palavras, Arad nutriu um pro­fun­do respeito por Shar­ru e deixou que o espíri­to de covar­dia o aban­donasse.

Pouco tem­po depois, por causa de dívi­das de jogo, Nana-naid perdeu a pro­priedade de Shar­ru para um empresta­dor de din­heiros que o colo­cou para tra­bal­har em uma obra para rei.

Sem per­spec­ti­vas de com­prar sua liber­dade e exaus­to pelo tra­bal­ho excru­ciante de sol a sol, Shar­ru pen­sou em suas pos­si­bil­i­dades e lem­brou que:

  • Na últi­ma vez que viu Zaba­do ele esta­va cas­ti­ga­do pelo tra­bal­ho na mural­ha e cheio de cha­gas pelos cas­ti­gos impos­tos por sua malan­dragem;
  • Pira­ta, por sua vez, fora mor­to a chico­tadas por deixar que sua ira levasse‑o a matar um dos guardas da mural­ha;
  • Já Megid­do, fora pro­movi­do a cap­ataz e caíra nas graças de seu amo.

Anal­isan­do as três teo­rias sobre tra­bal­ho e como elas fun­cionaram para cada um, Shar­ru decid­iu que dev­e­ria con­tin­uar seguin­do a teo­ria de Megid­do, por mais difí­cil que fos­se man­ter o âni­mo nas condições em que se encon­tra­va.

Era difí­cil para Shar­ru, pois por duas vezes, sua sorte fora muda­da por erros alheios, sem que ele fizesse nada para mere­cer tal des­ti­no.

Entre­tan­to, ele não se deixou abater nem se deixou levar pela ira de tais acon­tec­i­men­tos (tornar-se escra­vo e perder um bom amo).

O link que podemos faz­er com os dias atu­ais é bem claro.

Ain­da vemos, hoje, pes­soas que tra­bal­ham ape­nas fin­gin­do pro­du­tivi­dade e inter­esse.

Seu prin­ci­pal obje­ti­vo é cumprir o dia de tra­bal­ho com menor esforço pos­sív­el, assim, elas fin­gem que tra­bal­ham e os empre­gadores fin­gem que pagam.

Viven­do de for­ma medíocre pas­sam anos se con­tentan­do com essa situ­ação.

Out­ra situ­ação é a de Pira­ta, na qual o empre­ga­do não está sat­is­feito, recla­ma das condições, odeia o ambi­ente de tra­bal­ho, trans­for­ma suas relações inter­pes­soais em um ver­dadeiro suplí­cio para os cole­gas, mas não faz nada pro­du­ti­vo à respeito.

Não procu­ra uma nova vaga, não bus­ca qual­i­fi­cação, ape­nas nutre sen­ti­men­tos ruins em relação a suas condições e a si mes­mo.

Não pre­cisamos ser escravos ou ter esta­do na Babilô­nia para perce­ber­mos que a real­i­dade das histórias nar­radas não são assim tão dis­tantes das que vemos atual­mente.

Voltan­do a Shar­ru, um tem­po depois, ele foi com­pra­do e lib­er­to pelo seu grande ami­go e sócio Arad, que viu nele um grande poten­cial para sócio, des­de que ele lhe dera o con­sel­ho que mudou sua per­spec­ti­va e o fez um homem livre com boas condições finan­ceiras.

E, mais tarde, rico.

Ao tér­mi­no da nar­ra­ti­va, Hadan comen­ta per­plexo:

“Começo a ver. O tra­bal­ho atraiu seus muitos ami­gos (de Shar­ru), que admi­raram sua diligên­cia e o suces­so que isso trouxe. O tra­bal­ho trouxe-lhe o respeito de que tan­to gozou em Dam­as­co. O tra­bal­ho trouxe-lhe todas essas coisas que aprovei. E eu que acha­va que o tra­bal­ho somente con­vin­ha a escravos. Sem­pre aspirei a tornar-me um homem como meu avô. Nun­ca tin­ha perce­bido o homem que ele foi. Você me mostrou isso. Ago­ra que com­preen­do, admiro‑o ain­da mais e sin­to-me muito mais deter­mi­na­do a ser como ele. Temo que nun­ca lhe poderei pagar por ter me dado a ver­dadeira chave do suces­so dele. Daqui por diante usarei essa chave. Quero começar de maneira humilde, como ele”.


11. Um esboço histórico da Babilônia

pessoa folheando um livro

Pelos relatos de riqueza, muitos pen­sam que a Babilô­nia só pode­ria estar situ­a­da numa pujante região trop­i­cal, cer­ca­da de ricos recur­sos trop­i­cais, como flo­restas e minas. Pois não era o caso.

Ela esta­va local­iza­da jun­to ao rio Eufrades, num exten­so e ári­do vale.

Não tin­ha flo­restas nem minas – e muito menos pedras para con­strução. Não se acha­va sequer próx­i­ma a uma daque­las estradas com­er­ci­ais da época.

Como se não bas­tasse, a chu­va era min­gua­da para o cul­ti­vo de grãos.

A Babilô­nia é um impres­sio­n­ante exem­p­lo da capaci­dade do homem para alcançar grandes obje­tivos, uti­lizan­do o que quer que este­ja à dis­posição.

Todos os recur­sos que sus­ten­tavam essa grande cidade foram desen­volvi­dos pelo homem.

Todas as suas riquezas foram por ele pro­duzi­das, já que a Babilô­nia pos­suía ape­nas dois recur­sos nat­u­rais – um solo fér­til e a água do rio.

Eram um povo cul­to e edu­ca­do.

Até onde pelo menos a his­to­ria escri­ta pode chegar, eles foram os primeiros engen­heiros, os primeiros astrônomos, os primeiros matemáti­cos, os primeiros financis­tas e o primeiro povo a ter uma lin­guagem escri­ta.

A Babilô­nia pare­cia orga­ni­za­da como uma cidade mod­er­na. Havia ruas e lojas.

Os babilônios eram hábeis nas artes, estas incluíam a escul­tura, a pin­tu­ra, a tecelagem, a ourivesaria, a man­u­fatu­ra de armas e os imple­men­tos agrí­co­las.

Eles eram financis­tas e home­ns de negó­cios tal­en­tosos.

Até onde podemos saber, foram os inven­tores do din­heiro como meio de tro­ca, das notas promis­sórias e dos títu­los de pro­priedade escritos.

Como cidade, a Babilô­nia não existe mais, pois quan­do estas estim­u­lantes forças humanas que a con­struíram e man­tiver­am por mil­hares de anos se dis­si­param, ela logo se tornou uma ruí­na desabita­da.

Hoje, o vale do Eufrades, antes uma pop­u­losa região de próspera agri­cul­tura, não pas­sa de um deser­to ári­do, bati­do pelo ven­to.

Uma veg­e­tação rala de arbus­tos luta para sobre­viv­er con­tra as tem­pes­tades de areia.

Lá se foram os cam­pos férteis, as gigan­tescas cidades e as grandes car­a­vanas de ric­as mer­cado­rias.

Ban­dos nômades de árabes, levan­do uma vida difí­cil com seus pequenos reban­hos, são seus úni­cos habi­tantes. Tem sido assim des­de o começo da era cristã.

Conclusão

O livro nos traz uma leitu­ra leve e ráp­i­da com bons pon­tos para reflexão.

Recomen­do a leitu­ra da obra como um todo, pois con­ta com um número reduzi­do de pági­nas e as histórias são fluí­das e envol­ventes.

Use da mel­hor maneira pos­sív­el essas grandes lições e con­strua seu mod­e­lo de suces­so inspi­ra­do naque­le que fun­ciona há mais de 8 mil anos.

Como muitos escritores de finanças afir­mam, não exis­tem novas fór­mu­la nem fór­mu­las mág­i­cas, a mel­hor maneira de obter o suces­so finan­ceiro é seguir os pas­sos daque­les que já chegaram lá.

E para con­seguir tal coisa, o que mel­hor do que se valer da sabedo­ria dos babilôni­cos?!

Lem­bran­do tam­bém que um dos primeiros pas­sos para obter suces­so nas finanças é o con­t­role de gas­tos pes­soais.

Espero que vocês ten­ham gosta­do de mais esta resen­ha dos mel­hores livros de finanças pes­soais e que deix­em o seu feed­back sobre quais os próx­i­mos livros que esper­am ver por aqui e sobre a relevân­cia do nos­so con­teú­do.

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