Os varejistas estão desperdiçando sua arma mais poderosa

Os vare­jis­tas estão des­perdiçan­do sua arma mais poderosa

Enquan­to lutam pela sobre­vivên­cia na era do comér­cio online,varejistas de lojas físi­cas estão adotan­do uma estraté­gia antiquís­si­ma: cor­tar gas­tos com os fun­cionários. No seg­men­to de lojas de depar­ta­men­tos dos EUA, por exem­p­lo, o número de fun­cionários por loja caiu mais de 10% na últi­ma déca­da, enquan­to o salário por empre­ga­do caiu 4%. E a fol­ha de paga­men­to não é a úni­ca coisa que está sendo des­bas­ta­da: tam­bém o orça­men­to de capac­i­tação foi cor­ta­do. Uma pesquisa da Axoni­fy, fornece­do­ra de soft­ware de treina­men­to, desco­briu que quase um terço dos vende­dores de lojas de vare­jo não recebe treina­men­to for­mal — o maior déficit de todos os setores pesquisa­dos. Deixar as lojas com poucos fun­cionários e com treina­men­to insu­fi­ciente nun­ca foi uma boa ideia, mas é espe­cial­mente ruim ago­ra, porque tira a maior van­tagem das lojas tradi­cionais em relação aos e‑varejistas: uma pes­soa de carne e osso com a qual o cliente pode con­ver­sar cara a cara e ao vivo.

A raiz do prob­le­ma é que a maio­r­ia dos vare­jis­tas não sabe como deter­mi­nar a quan­ti­dade ide­al de fun­cionários e treina­men­to para cada loja. Neste arti­go, apre­sen­ta­mos um méto­do para faz­er isso. Desco­b­ri­mos que, quan­do apli­ca­do de for­ma sis­temáti­ca, pode adi­cionar até 20% às receitas das lojas exis­tentes. Além dis­so, se o aumen­to de pes­soal em algu­mas lojas for com­pen­sa­do por cortes em out­ras, e os fornece­dores cobrirem o cus­to do treina­men­to de pro­du­to, as ven­das mais altas cus­tarão pouco ou nada para ger­ar, então a maior parte dos lucros bru­tos nes­sa mel­ho­ria cai no resul­ta­do final.

As fal­has das abor­da­gens con­ven­cionais

É com­preen­sív­el que os vare­jis­tas de lojas físi­cas tratem a mão de obra como um cus­to var­iáv­el e descartáv­el: para a
maio­r­ia das lojas é a segun­da maior despe­sa, e pode ser reduzi­da rap­i­da­mente pela diminuição de horas de seus muitos colab­o­radores de meio perío­do. O prob­le­ma dessa abor­dagem é que ela igno­ra o fato de que os vende­dores
ger­am ven­das. Para cada dólar econ­o­miza­do em cus­tos de pes­soal, o vare­jista pode estar per­den­do vários dólare

s em recei­ta e margem bru­ta se os clientes deix­am a loja de mãos vazias porque não con­seguiram encon­trar um fun­cionário expe­ri­ente que os aten­desse. Isso pode cri­ar uma espi­ral descen­dente em que menos vende­dores lev­am ao mau atendi­men­to ao cliente, o que causa novo declínio nas receitas e out­ra roda­da de cortes na força de tra­bal­ho. E a toa­da con­tin­ua até que as lojas fechem defin­i­ti­va­mente — como acon­te­ceu com 7.795 lojas nos EUA em 2017, o número mais alto de todos os tem­pos.

Por trás dessa estraté­gia fra­cas­sa­da de gestão de pes­soal estão teo­rias equiv­o­cadas das esco­las de negó­cios. Ensi­namos nos­sos alunos a admin­is­trar pelos números. Não é uma má ideia, exce­to pelo fato de que leva os empresários a dar muito peso ao que é fácil de medir e pouco ao que não é. Para o vare­jista, o cus­to da fol­ha de paga­men­to e do treina­men­to é bem definido. O impacto que um grupo do taman­ho cer­to de vende­dores expe­ri­entes tem sobre a recei­ta é muito mais difí­cil de definir. Essa difer­ença abre as por­tas para a desavença: os vare­jis­tas se con­vencem de que se reduzirem a fol­ha de paga­men­to em, dig­amos, 5% nas últi­mas sem­anas de um trimestre para cumprir sua promes­sa de lucro a Wall Street, isso não afe­tará em nada o atendi­men­to ao cliente. Mas com o tem­po isso faz difer­ença.

A estru­tu­ra que os vare­jis­tas usam nas lojas para alo­car pes­soal pio­ra as coisas ain­da mais. Em nos­sa exper­iên­cia,
a maio­r­ia tra­ta todas as lojas da mes­ma for­ma e define o orça­men­to de pes­soal para cada uma como uma  por­cent­agem fixa das ven­das pre­vis­tas para aque­le local. No entan­to, a adição de mão de obra a uma loja aumen­ta as receitas a uma taxa decres­cente. Há um nív­el de pes­soal para cada loja que otimiza o gan­ho de recei­ta que os tra­bal­hadores ger­am com relação ao cus­to extra do tra­bal­ho. (No nív­el cer­to, o últi­mo dólar gas­to em mão de obra pro­duzirá um dólar de margem bru­ta.) Se os vare­jis­tas atin­girem esse pon­to ide­al em cada local, algu­mas lojas acabarão ten­do uma pro­porção maior de fun­cionários em relação às receitas do que out­ras.

Quais lojas ten­dem a se ben­e­fi­ciar de rel­a­ti­va­mente mais mão de obra? Aque­las com maior poten­cial de ven­da indi­ca­do pelo “bas­ket size” — taman­ho da ces­ta, em tradução livre, ou a quan­ti­dade média de itens ven­di­dos em uma úni­ca com­pra — e ren­da média em sua área de cap­tação) e mais con­cor­rên­cia (indi­ca­da pelo número de lojas con­cor­rentes —espe­cial­mente a pre­sença da Wal­mart — em um raio de nove quilômet­ros). Uma equipe maior de ven­das, que pres­ta serviço mel­hor, é par­tic­u­lar­mente impor­tante quan­do um com­peti­dor tem uma loja a um quar­teirão de dis­tân­cia à qual os clientes podem recor­rer quan­do se cansam de esper­ar por atendi­men­to.

Por­tan­to, a chave para escapar da espi­ral descen­dente não é desi­s­tir de admin­is­trar pelos números. É admin­is­trar
pelos números cor­re­tos, que incluem não ape­nas o cus­to de vende­dores bem treina­dos, mas tam­bém o val­or que
eles pro­duzem.

Como otimizar o taman­ho da equipe
Vejamos ago­ra como desco­brir o taman­ho cer­to do quadro de fun­cionários de cada loja. Isso requer três eta­pas:

1 – Use dados históri­cos sobre o absen­teís­mo para esti­mar o efeito da alo­cação de pes­soal. Os vare­jis­tas talvez não perce­bam, mas já têm em mãos uma maneira de cal­cu­lar como a alo­cação de pes­soal influ­en­cia as receitas das lojas: anal­isan­do os números obti­dos quan­do os vende­dores não apare­cem em vir­tude de doença, prob­le­mas pes­soais, demis­são e assim por diante. Por exem­p­lo, se 30 pes­soas estão pro­gra­madas para tra­bal­har
em uma loja e ape­nas 27 com­pare­cem, como as ven­das reais se com­param com as pre­visões? Se elas atin­girem as pre­visões, a loja provavel­mente tem exces­so de pes­soal. Se caírem 10%, aumen­tar a equipe em 10% provavel­mente aumen­taria as receitas em 10%.

É evi­dente que obter resul­ta­dos esta­tis­ti­ca­mente sig­ni­fica­tivos requer uma amostra grande. Usamos os dados mais
gran­u­lares do maior perío­do que o vare­jista pode fornecer para ess­es dados — em ger­al, um ano de ven­das sem­anais e dados da fol­ha de paga­men­to. Mas lem­bre-se de que out­ras forças, como pro­pa­gan­da e cli­ma, afe­tam as ven­das. Cole­ta­mos dados tam­bém sobre elas e, com o apren­diza­do de máquina, cri­amos um mod­e­lo de deman­da que pode pre­v­er as ven­das em loja segun­do o nív­el de pes­soal e de out­ros fatores. Depois, usan­do a análise desse mod­e­lo, clas­si­fi­camos as lojas dos vare­jis­tas em três níveis: as que pode­ri­am se ben­e­fi­ciar de mais mão de obra, as que pode­ri­am diminuir quadro e as que tin­ham o número ade­qua­do de fun­cionários.

2 ‑Valide os resul­ta­dos. A van­tagem do primeiro pas­so é que ele requer rel­a­ti­va­mente pouco esforço, mas você pre­cisa de um exper­i­men­to pro­je­ta­do com rig­or para obter resul­ta­dos mais pre­cisos, porque a taxa de absen­teís­mo em cada loja varia de modo aleatório. Algu­mas lojas podem ter muito absen­teís­mo, out­ras pouco, out­ras nada, além de que esse fenô­meno não é con­sis­tente ao lon­go do tem­po — pode ser maior em deter­mi­na­dos dias da sem­ana ou
não ter padrão reg­u­lar: 1% num dia e 10% no seguinte em deter­mi­na­da loja. Por isso, é bom faz­er testes com uma amostra de lojas dos dois primeiros níveis. Altere número de fun­cionários em uma seleção de lojas e com­pare os resul­ta­dos com os das lojas de con­t­role — esta­b­elec­i­men­tos semel­hantes cujo taman­ho da equipe é man­ti­do con­stante. Se, no teste, você aumen­tar em 10% a fol­ha de paga­men­to de 25 lojas e deixá-la inal­ter­a­da em 25 lojas de con­t­role, e as receitas subirem 8% e 1%, respec­ti­va­mente, nos dois níveis, é pos­sív­el con­cluir que o impacto líqui­do do aumen­to de pes­soal é de 7%. Isso per­mite con­tabi­lizar out­ros fatores que aumen­tam a recei­ta, além da fol­ha de paga­men­to, o que neste exem­p­lo deve ter cau­sa­do o aumen­to de 1% no grupo de con­t­role.

Como, evi­den­te­mente, a lucra­tivi­dade da recei­ta adi­cional é impor­tante, você deve acom­pan­har isso, sub­train­do da
margem bru­ta de ven­das incre­men­tais o cus­to adi­cional da fol­ha de paga­men­to que foi necessária para gerá-las.

3 – Otimize a alo­cação de pes­soal em toda a cadeia e meça os resul­ta­dos. Assu­min­do que o exper­i­men­to
na eta­pa dois ten­ha val­i­da­do o resul­ta­do da análise de dados que você fez na primeira eta­pa, é hora de imple­men­tar as descober­tas em toda a cadeia. Aumente a equipe das lojas que, segun­do sua análise, pode­ri­am se ben­e­fi­ciar de mais mão de obra, reduza‑a em lojas que pre­cisam de menos fun­cionários e deixe‑a como está nas demais. Então, como os resul­ta­dos da sua exper­iên­cia ain­da não são pre­cisos o sufi­ciente, ava­lie o impacto das alter­ações para con­fir­mar se elas pro­duzi­ram bene­fí­cios. No entan­to, este novo e apri­mora­do plano de mão de obra não é a últi­ma eta­pa, porque todos os fatores que o influ­en­cia­ram mudarão com o tem­po. Os vare­jis­tas pre­cisam repe­tir esse proces­so de três eta­pas — todos os anos, talvez — para se ajus­tar à medi­da que o mun­do ao seu redor muda.

Como obser­va­mos aci­ma, quan­do o aumen­to de pes­soal em algu­mas lojas é acom­pan­hado por reduções em out­ras, as receitas adi­cionais resul­tantes não cus­tarão nada ao vare­jista. Aumen­to líqui­do de pes­soal só deve ser feito quan­do aumen­tam sig­ni­fica­ti­va­mente os lucros. E, emb­o­ra em muitos setores os bene­fí­cios do aumen­to de  fun­cionários lev­em tem­po para ser col­hi­dos nas lojas que podem usar de for­ma pro­du­ti­va mão de obra adi­cional, a rec­om­pen­sa é ime­di­a­ta. Então, os vare­jis­tas não pre­cisam temer um perío­do ini­cial de menor rentabil­i­dade.

Obser­va­mos o resul­ta­do pos­i­ti­vo dessa abor­dagem de três eta­pas para um vare­jista espe­cial­iza­do que tin­ha mais de 800 lojas. Os fatores propul­sores de ven­das que lev­a­mos em con­ta quan­do tra­bal­hamos com a rede incluíam sazon­al­i­dade, várias ativi­dades de mar­ket­ing e pro­moções. Usan­do uma fer­ra­men­ta de soft­ware estatís­ti­co chama­da Sta­ta, cri­amos um mod­e­lo de deman­da e o apli­camos para pre­v­er as ven­das como uma função dess­es fatores e taman­ho da equipe. Os dados rev­e­laram que 300 lojas se ben­e­fi­cia­ri­am do aumen­to de mão de obra, 300 pode­ri­am pas­sar com uma equipe menor e 200 tin­ham o número ade­qua­do de fun­cionários.

Esti­mamos que 100 das lojas no primeiro nív­el teri­am aumen­to de mais de 5% nas receitas com aumen­to de 10% no pes­soal. Os líderes do vare­jista decidi­ram realizar um exper­i­men­to em 16 dessas lojas de alto poten­cial, o que con­fir­mou o aumen­to pre­vis­to de recei­ta. Em segui­da, o vare­jista aumen­tou a força de tra­bal­ho em 168 lojas, nas quais a adição de mão de obra pode­ria impul­sion­ar as ven­das e o lucro, e acom­pan­hou as receitas diárias nas lojas de teste e em 504 lojas de con­t­role por 182 dias. O resul­ta­do: a recei­ta das lojas de teste cresceu 5,1%, enquan­to a do grupo de con­t­role per­maneceu estáv­el. Além dis­so, as lojas de teste aumen­taram seus lucros opera­cionais em quase 6%.

Obser­va­mos resul­ta­dos semel­hantes em out­ros vare­jis­tas com os quais tra­bal­hamos. Em um caso, nos­sa análise mostrou que cada dólar extra que a cadeia gas­tasse na fol­ha de paga­men­to ger­aria US$ 4 a US$ 28 em recei­ta adi­cional, depen­den­do da loja. As pesquisas com os clientes real­izadas pelo vare­jista rev­e­laram o moti­vo: os dois propul­sores mais impor­tantes da sat­is­fação do cliente foram bom atendi­men­to e bom nív­el de infor­mação sobre os pro­du­tos à ven­da, exata­mente os fatores que abor­damos aqui.

Em um vare­jista de mer­cearias com o qual fize­mos pesquisa, nota­mos grandes difer­enças no bas­ket size em todas as
lojas. Desco­b­ri­mos que as lojas com ces­tas maiores fiz­er­am mel­hor o tra­bal­ho de com­bi­nar o taman­ho da equipe com o movi­men­to durante o dia.

A abor­dagem de otimiza­ção que desen­volve­mos pode ser usa­da tam­bém por vare­jis­tas omnichan­nel. Eles devem
recon­hecer que os vende­dores impul­sion­am as ven­das não ape­nas nas lojas, mas tam­bém na web — por exem­p­lo,
incen­ti­van­do os clientes a cri­ar con­tas online na empre­sa. Assim, ao avaliarem se os esta­b­elec­i­men­tos físi­cos estão com exces­so ou fal­ta de pes­soal, os vare­jis­tas omnichan­nel devem incluir ess­es fatores em suas métri­c­as.

Como apri­morar o con­hec­i­men­to dos vende­dores sobre os pro­du­tos

Alo­car a quan­ti­dade cer­ta de pes­soal nas lojas é ape­nas uma parte da história. A qual­i­dade dos vende­dores é imen­sa­mente impor­tante. Ter um vende­dor incom­pe­tente pode ser pior do que não ter vende­dor nen­hum. Mas, como já obser­va­mos, os vare­jis­tas têm a tendên­cia infe­liz de econ­o­mizar no treina­men­to.

Os vende­dores podem se ben­e­fi­ciar de dois tipos de pro­gra­ma: treina­men­to de proces­so sobre como exe­cu­tar tare­fas,
tais como reabaste­cer prateleiras e encam­in­har devoluções de cliente, e treina­men­to foca­do no pro­du­to e nos serviços da loja com o obje­ti­vo de aju­dar os clientes a decidir quais itens com­prar. A maio­r­ia dos vare­jis­tas que con­hece­mos fornece uma quan­ti­dade muito lim­i­ta­da de ambos. O moti­vo: o treina­men­to é caro e eles não sabem se seus bene­fí­cios jus­ti­fi­cam o cus­to, espe­cial­mente por causa da alta rota­tivi­dade que afe­ta muitas lojas.

Neste arti­go, focamos o treina­men­to des­ti­na­do a con­hecer o pro­du­to. No entan­to, acred­i­ta­mos que os vare­jis­tas devem inve­stir muito mais em treina­men­to de proces­so. Out­ros pesquisadores — espe­cial­mente nos­so ami­go e cole­ga Zeynep Ton, do MIT — desco­bri­ram que ele é um ele­men­to críti­co de um mod­e­lo que pro­duz fun­cionários mais enga­ja­dos, clientes mais sat­is­feitos e desem­pen­ho finan­ceiro supe­ri­or. Para avaliar com pre­cisão os cus­tos e bene­fí­cios do treina­men­to de con­hec­i­men­to de pro­du­to, os vare­jis­tas pre­cisam seguir estas três eta­pas:

1 – Acom­pan­har as ven­das de cada vende­dor e incen­tivá-los a bus­car treina­men­to que os faça vender mais. Uma comis­são de ven­das é a maneira mais sim­ples de faz­er isso, mas, mes­mo que os vende­dores rece­bam salário fixo, as infor­mações sobre as ven­das que eles fazem são feed­back útil para eles. Alguns vare­jis­tas, espe­cial­mente aque­les com uma equipe peque­na de ven­das, não pagam comis­sões porque querem que seus vende­dores tra­bal­hem em equipe. Ness­es casos, a unidade cer­ta de análise é a equipe, não o indi­ví­duo.

2 ‑Iden­ti­ficar as fontes de infor­mação do pro­du­to. Se você está venden­do pro­du­tos de mar­ca, as mar­cas são suas ali­adas e podem pagar por treina­men­to sobre seus pro­du­tos. Afi­nal, para elas é ain­da mais impor­tante ter os recur­sos de seus pro­du­tos descritos com pre­cisão para os clientes. Se elas pagarem a con­ta, você deve, como con­tribuição, fornecer tem­po durante o expe­di­ente para o treina­men­to dos vende­dores.

3 – Cole­tar dados sobre a ativi­dade de treina­men­to e com­pará-los com os dados de ven­da de fun­cionários indi­vid­u­ais. A ideia é deter­mi­nar se os vende­dores  com mais treina­men­to ven­dem mais. Por exem­p­lo, medir as horas que eles pas­sam em treina­men­to, mas o ide­al é avaliar o con­hec­i­men­to obje­ti­vo que eles adquiri­ram, o que é pos­sív­el faz­er com os testes online. Mas, nova­mente, é impor­tante con­sid­er­ar out­ros fatores que afe­tam as ven­das. O nív­el de exper­iên­cia dos vende­dores é par­tic­u­lar­mente rel­e­vante, assim como os turnos em que tra­bal­ham (as ven­das de sába­do cos­tu­mam ser maiores que as de quar­ta-feira) e o número de vende­dores que tra­bal­ham com eles.

Quan­do seguimos esse pro­ced­i­men­to na Dillard’s, uma cadeia de lojas de depar­ta­men­tos com quase 300 fil­i­ais nos EUA, os resul­ta­dos foram rev­e­ladores. A Dillard’s fir­mou parce­ria com a Expert-Voice (anti­ga Exper­tic­i­ty), empre­sa
que fornece módu­los de treina­men­to online, vol­un­tário e auto­gu­ia­do para vende­dores do vare­jo. Patroci­na­da pelos
fab­ri­cantes de pro­du­tos que a Dillard’s vende, os módu­los ensi­naram aos vende­dores os recur­sos dos pro­du­tos de  cada mar­ca. Os fun­cionários rece­bi­am comis­sões — o que para eles era um incen­ti­vo para apren­der a vender mais —, e as mar­cas que desen­volvi­am o treina­men­to ofer­e­ci­am descon­tos aos vende­dores nos seus pro­du­tos, basea­d­os em quan­tos módu­los a pes­soa havia feito. Como cada módu­lo dura­va ape­nas 20 min­u­tos, muitos vende­dores fiz­er­am mais de um.

Reuni­mos dados sobre o históri­co de treina­men­to e pro­du­tivi­dade de ven­da dos fun­cionários durante dois anos, sobre seus anos de exper­iên­cia e sobre out­ros fatores influ­entes men­ciona­dos aci­ma. Depois cri­amos um mod­e­lo para avaliar o efeito do treina­men­to. Desco­b­ri­mos que para cada módu­lo online que os vende­dores fazi­am, sua taxa de ven­da aumen­ta­va 1,8%. Como o treina­men­to era vol­un­tário, nem todos os vende­dores o fazi­am, mas em média as ven­das por hora dos que fi zer­am os módu­los foram incríveis 46% maiores do que as dos que se abstiver­am. Os vende­dores que fi zer­am o treina­men­to já ven­di­am mais por hora do que os que não fi zer­am, e isso respon­deu por metade da difer­ença de 46%. No entan­to, a com­para­ção das taxas de ven­da antes e depois do treina­men­to mostrou
que ele foi o respon­sáv­el pelo restante. Como os vende­dores fazi­am os módu­los em seu próprio tem­po, a maior parte o lucro bru­to decor­rente do treina­men­to online ia dire­to para o resul­ta­do final.

Com a final­i­dade de inves­ti­gar o que impul­sion­a­va ess­es resul­ta­dos pos­i­tivos, entre­vis­ta­mos mais de oito mil vende­dores que par­tic­i­param do treina­men­to. Eles relataram que seus dois bene­fí­cios prin­ci­pais foram maior con­fi­ança em sua habil­i­dade de ven­da e con­hec­i­men­to ger­al do pro­du­to, que pode­ri­am aplicar ao faz­er out­ras ven­das na mes­ma cat­e­go­ria. De fato, ficou claro em nos­sos resul­ta­dos que os efeitos do treina­men­to em uma mar­ca especí­fi­ca ver­ti­am para mar­cas sim­i­lares. O treina­men­to de sap­atos da New Bal­ance, por exem­p­lo, aumen­tou não ape­nas suas ven­das, mas tam­bém as ven­das de todos os calça­dos esportivos.

Final­mente, queríamos enten­der se os bene­fí­cios do treina­men­to eram uni­formes entre os vende­dores e, em caso neg­a­ti­vo, quem tira­va o máx­i­mo proveito dele. Será que as “grandes estre­las” se tornaram ain­da mel­hores, ou aju­daram aque­les com baixo desem­pen­ho a mel­ho­rar, servin­do como um grande equal­izador? Antes do treina­men­to, dividi­mos os vende­dores em qua­tro níveis de acor­do com seu históri­co:  colo­camos os que ven­di­am mais no primeiro nív­el e os mais fra­cos no quar­to. Nos­sa análise dos resul­ta­dos mostra que, para cada módu­lo online, os vende­dores de primeiro nív­el aumen­taram suas ven­das em 1,6% (muito próx­i­mo da média de 1,8% para todos os vende­dores). O bene­fí­cio para os vende­dores no segun­do nív­el foi de 4,2% — mais que o dobro da média. O bene­fí­cio para aque­les no ter­ceiro nív­el foi de 1,4%. Mas o treina­men­to não teve efeito sobre o desem­pen­ho dos vende­dores na parte infe­ri­or. Ficou claro que o treina­men­to pode aju­dar os mel­hores vende­dores e aumen­tar sig­ni­fica­ti­va­mente o desem­pen­ho dos cole­gas ávi­dos por mel­ho­rar. E, se você acom­pan­har os resul­ta­dos, poderá iden­ti­ficar os fun­cionários que devem ser trans­feri­dos para funções difer­entes den­tro da empre­sa ou afas­ta­dos.

Fornecer treina­men­to em pro­du­tos e proces­sos faz parte de uma estraté­gia maior na qual acred­i­ta­mos: abor­dar os fun­cionários da loja como um ati­vo a ser max­i­miza­do, não um cus­to a ser min­i­miza­do. Zeynep Ton argu­men­tou de for­ma con­vin­cente que tratar bem os tra­bal­hadores é bené­fi­co para todos. Um estu­do recente da Gap mostrou que uma maneira de faz­er  isso — fornecen­do aos fun­cionários crono­gra­mas de tra­bal­ho mais pre­visíveis e con­sis­tentes — resul­tou em aumen­to sig­ni­fica­ti­vo de recei­ta. E em entre­vista recente à HBR, o CEO do megavare­jista amer­i­cano Wal­mart, que durante anos foi crit­i­ca­do pela maneira como trata­va seus fun­cionários, rev­el­ou que está enten­den­do a men­sagem e mel­ho­ran­do salários e bene­fí­cios, bem como treina­men­to em proces­sos.

A diz­imação do vare­jo físi­co deve con­tin­uar na próx­i­ma déca­da. Estu­do recente da UBS pre­viu que, até 2025, 30 mil a 80 mil lojas nos EUA fecharão suas por­tas. Muitas out­ras cadeias desa­pare­cerão. A menos que os vare­jis­tas mudem a maneira de con­tratar, plane­jar horários e treinar fun­cionários, cor­rem o risco de estar entre as baixas. A abor­dagem que propo­mos não é difí­cil e pro­duz resul­ta­dos quase ime­di­atos. Já é hora  de os vare­jis­tas aban­donarem for­mas anti­gas e inefi­cazes de oper­ar e recon­hecer que os fun­cionários de loja são uma de suas mel­hores armas na batal­ha pelos con­sum­i­dores.

Por Mar­shall Fish­er, San­ti­a­go Galli­no e Ser­guei Netes­sine

 

Posts Similares