R$ 500 por mês — onde e como devo investir?

 R$ 500 por mês - onde e como devo investir

Antes de começar a inve­stir, é sem­pre impor­tante ter em mente que a dis­ci­plina é essen­cial para a real­iza­ção de qual­quer son­ho. Cada tijolin­ho (o din­heiro investi­do), soma­do a uma boa arga­mas­sa (que são os juros com­pos­tos tra­bal­han­do a seu favor), fará com que a cada mês você este­ja mais próx­i­mo de con­stru­ir o estoque finan­ceiro necessário para a real­iza­ção da tro­ca do car­ro, a com­pra da casa, a viagem de férias, a fac­ul­dade dos fil­hos e, porque não, a tão alme­ja­da aposen­ta­do­ria. Por essa razão, sem­pre dize­mos que o inves­ti­men­to nun­ca pode ser uma sobra do orça­men­to, mas sim uma con­ta para se pagar todo mês para a pes­soa mais impor­tante que existe neste mun­do, que é você mes­mo!

Uma atenção espe­cial ao ini­ciar qual­quer apli­cação finan­ceira, inde­pen­den­te­mente do seu val­or, é ver­i­ficar se já não exis­tem com­pro­mis­sos finan­ceiros assum­i­dos ante­ri­or­mente que ten­ham resul­ta­do na adição ao orça­men­to domés­ti­co de desem­bol­sos para o paga­men­to de juros do cheque espe­cial ou rota­ti­vo do cartão de crédi­to. Tudo isso porque é quase que impos­sív­el con­seguir rentabil­i­dades supe­ri­ores às taxas que são cobradas por estes instru­men­tos de crédi­to cita­dos e o mel­hor inves­ti­men­to para quem tem dívi­das é sem­pre quitá-las! Vale lem­brar que ain­da vive­mos em um país com uma das mais maiores taxas de juros do mun­do e, antes de começar a inve­stir, é impor­tante equi­li­brar o orça­men­to e quitar as dívi­das de con­sumo que lhe ten­ham trazi­do qual­i­dade de vida no pas­sa­do, mas que resul­tam em paga­men­tos no pre­sente, por não terem sido tão bem plane­jadas.

Se não pos­sui dívi­das, você pode começar a cri­ar o seu colchão finan­ceiro des­de já, que nada mais é que a sua reser­va finan­ceira para situ­ações de emergên­cia, investin­do em ativos que ten­ham boa liq­uidez ime­di­a­ta, em um mon­tante nun­ca infe­ri­or a 6 meses de suas despe­sas men­saisUm pon­to impor­tante que o pequeno investi­dor deve ter em mente é que, além da disponi­bil­i­dade finan­ceira men­sal, o tem­po que os recur­sos ficarão apli­ca­dos tam­bém é muito impor­tante. E difer­ente­mente do que muitas pes­soas imag­i­nam, nem sem­pre uma situ­ação emer­gen­cial sig­nifi­ca algo ruim. Por exem­p­lo, se você é con­vi­da­do para um casa­men­to de um grande ami­go ou ami­ga fora do seu esta­do e pre­cisa com­prar o pre­sente, as pas­sagens aéreas e se hospedar, pos­suin­do um val­or plane­ja­do para uma “emergên­cia” pos­i­ti­va, você poderá faz­er uso des­ta sem uti­lizar recur­sos de ter­ceiros, como o cheque espe­cial.

Como alter­na­ti­va para a apli­cação da reser­va de emergên­cia, há a própria Cader­ne­ta de Poupança, além de out­ras pos­si­bil­i­dades, como as apre­sen­tadas pelo Tesouro Dire­to, que disponi­bi­liza, a par­tir de 1% do val­or do títu­lo inte­gral (atual­mente próx­i­mo de R$ 100), a aquisição de títu­los públi­cos atre­la­dos à taxa bási­ca de juros – taxa Sel­ic, que vem des­per­tan­do o inter­esse de muitos pequenos investi­dores que bus­cam mel­hores retornos para seu sua­do din­heiro. Um pon­to impor­tante para que con­si­ga faz­er jus dos rendi­men­tos da Poupança é de que per­maneça até a data de aniver­sário do depósi­to, sendo que o res­gate efe­t­u­a­do antes dos aniver­sários está sujeito a per­da de rendi­men­tos da quan­tia reti­ra­da.

Vale salien­tar que, com a regra da Cader­ne­ta de Poupança de 04 de maio de 2012, que esta­b­elece que o rendi­men­to está lim­i­ta­do a 70% da Sel­ic + TR quan­do a Sel­ic estiv­er igual ou menor que 8,5%, para atu­ais níveis da taxa Sel­ic, o investi­dor não terá mais val­ores aci­ma de 6,17% ao ano como no pas­sa­do.

Já o Tesouro Sel­ic pagará uma taxa em torno de 100% da taxa diária Sel­ic, mas haverá o cus­to de 0,30% a.a. ref­er­ente à custó­dia mais IR no momen­to do res­gate, que pode vari­ar de 22,5% a 15% sobre o rendi­men­to, além da taxa que a insti­tu­ição escol­hi­da para a aquisição de títu­los públi­cos poderá cobrar. Ressaltan­do que algu­mas insti­tu­ições habil­i­tadas não cobram essa taxa. Você poderá con­sul­tar o site do Tesouro Dire­to em: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-instituicoes-financeiras-habilitadas.

Ago­ra, se o seu hor­i­zonte é de médio pra­zo, com uma apli­cação ini­cial maior, você pode ter aces­so a fun­dos de inves­ti­men­to com gestores con­ceitu­a­dos e com a mes­ma disponi­bil­i­dade finan­ceira men­sal de R$ 500.

Para a escol­ha do fun­do, será necessário que haja a análise do seu per­fil como investi­dor, pois somente dessa maneira você poderá dire­cionar seus recur­sos para os fun­dos de inves­ti­men­tos ade­qua­dos ao seu per­fil de tol­erân­cia a risco e aos seus obje­tivos.

Por fim, se o obje­ti­vo é de lon­go pra­zo, essa disponi­bil­i­dade finan­ceira poderá con­tar com os títu­los públi­cos atre­la­dos ao IPCA (índice de inflação ofi­cial do gov­er­no), como o Tesouro IPCA+, pro­te­gen­do o din­heiro mon­e­tari­a­mente ao lon­go do tem­po, até a cri­ação do estoque finan­ceiro necessário.

Ou mes­mo poderão ser uti­liza­dos os Planos de Pre­v­idên­cia, que vêm se apri­moran­do após a res­olução 4.444 aprova­da pelo CMN (Con­sel­ho Mon­etário Nacional), a qual pos­si­bili­ta aos fun­dos de pre­v­idên­cia pri­va­da se diver­si­fi­carem e apli­carem seus recur­sos em ren­da var­iáv­el em até 70%, e não mais o lim­ite de 49%. Soma­do a isso, estão as van­ta­gens de não pos­suírem o come-cotas, que é uma ante­ci­pação do recol­hi­men­to do Impos­to de Ren­da; muitos já não mais cobram a temi­da taxa de car­rega­men­to que rep­re­sen­ta­va uma espé­cie de pedá­gio para os aportes real­iza­dos; há a escol­ha livre de ben­efi­ciários e a pos­si­bil­i­dade de débito automáti­co men­sal. No entan­to, para alo­car recur­sos na Pre­v­idên­cia, será muito impor­tante avaliar qual o pro­du­to (se PGBL ou VGBL), o regime trib­utário (se pro­gres­si­vo ou regres­si­vo), a políti­ca de inves­ti­men­to mais ade­qua­dos para você, além das taxas de admin­is­tração e car­rega­men­to.

Diante dis­so tudo, invista primeiro na sua edu­cação finan­ceira, con­hecen­do não somente como os pro­du­tos finan­ceiros fun­cionam, mas tam­bém ten­ha muito claro seus obje­tivos, assim como o pra­zo para a real­iza­ção de cada uma de suas con­quis­tas. E sai­ba que, nas finanças com­por­ta­men­tais, vale muito mais saber o investi­dor que você é do que o inves­ti­men­to que você faz.

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