A dramática busca dos cientistas em “ler” mentes de quem não pode falar

A dramática busca dos Cientistas em ler mentes de quem não pode falar

Des­de que perdeu com­ple­ta­mente sua voz, em 1985, o acla­ma­do físi­co Stephen Hawk­ing (1942–2018) pas­sou a uti­lizar uma voz “robóti­ca” para se comu­nicar. O sis­tema sug­e­ria e sele­ciona­va palavras para for­mar as fras­es que ele dese­ja­va falar e era ati­va­do pelo movi­men­to de uma de suas boche­chas – um dos últi­mos que ele ain­da con­seguia faz­er. Hoje, meses após a sua morte, a ciên­cia e a tec­nolo­gia podem estar mais per­to de aju­dar mais pes­soas como ele. Pesquisadores estão desen­vol­ven­do um sis­tema capaz de ler a “voz men­tal” de quem não tem movi­men­tos no cor­po.

O sis­tema está sendo desen­volvi­do por pesquisadores da Uni­ver­si­dade Colum­bia, em parce­ria com a North­well Health, em Nova York. Segun­do uma reportagem do site Stat, o sis­tema con­siste na insta­lação de um implante nas áreas do cére­bro respon­sáveis pela audição e pela for­mu­lação da fala, cap­tan­do os impul­sos ger­a­dos quan­do uma pes­soa “ouve”, em sua mente, as palavras que dese­ja for­mu­lar ver­bal­mente. Tais impul­sos são, então, trans­mi­ti­dos para um sot­fware capaz de decod­i­ficá-los.

Os testes real­iza­dos até ago­ra envolver­am a leitu­ra de ativi­dades neu­rais de cin­co pacientes com epilep­sia enquan­to estes ouvi­am pes­soas falan­do palavras ou con­tan­do histórias. O próx­i­mo pas­so, segun­do Nima Mes­garani, pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Colum­bia e um dos pesquisadores envolvi­dos, é tes­tar os sinais cere­brais sus­ci­ta­dos pelo ato de imag­i­nar a fala. Isso porque, segun­do ele, ensa­iar o que você vai diz­er sem mex­er a lín­gua ou a boca cria os mes­mos padrões de ativi­dade cere­bral que a fala.

A ideia é que o sis­tema de decod­i­fi­cação seja capaz de apren­der com os erros e acer­tos e se torne mais pre­ciso com o pas­sar do tem­po, usan­do machine learn­ing. De toda for­ma, segun­do a reportagem, pesquisadores que estu­dam o tema acred­i­tam que a leitu­ra de sinais bási­cos, como as palavras “sim”, “não” e “água”, já seria um grande avanço para pacientes impos­si­bil­i­ta­dos de se movi­men­tar e falar. É o caso de quem sofre de par­al­isia cau­sa­da por lesões, Sín­drome do Encar­ce­ra­men­to ou Escle­rose Lat­er­al Amiotró­fi­ca (ELA) – como era o caso de Hawk­ing.

Posts Similares