Falta de exercício é pior para a saúde do que o cigarro, diz estudo

Falta de exercício é pior para a saúde do que o cigarro

Não se exerci­tar reg­u­lar­mente traz mais pre­juí­zos para a saúde do que tabag­is­mo, dia­betes e doenças car­dio­vas­cu­lares, rev­ela estu­do pub­li­ca­do recen­te­mente no per­iódi­co JAMA Net­work Open. Para os pesquisadores, o seden­taris­mo dev­e­ria ser trata­do como uma doença para qual o trata­men­to é a ativi­dade físi­ca, assim, um número maior de pes­soas pas­saria a se exerci­tar com maior fre­quên­cia. A pesquisa ain­da salien­tou que o exer­cí­cio pode ser bené­fi­co para pes­soas de qual­quer idade e sexo, emb­o­ra sejam mais pro­nun­ci­a­do nas mul­heres.

O hábito de man­ter-se fisi­ca­mente ati­vo tam­bém pode aumen­tar a expec­ta­ti­va de vida — em com­para­ção com pes­soas ati­vas, os seden­tários apre­sen­tam risco 500% maior de morte pre­matu­ra — e diminuir gas­tos com saúde. “Doenças car­dio­vas­cu­lares e dia­betes são as doenças mais caras (nos Esta­dos Unidos). Em vez de pagar somas enormes pelo trata­men­to de doenças, deve­mos incen­ti­var os pacientes e comu­nidades a se exercitarem diari­a­mente”, disse Jor­dan Met­zl, do Hos­pi­tal for Spe­cial Surgery, nos Esta­dos Unidos, à CNN.

Para chegar a essa con­clusão, a equipe de pesquisadores da Fun­dação Clíni­ca de Cleve­land, nos Esta­dos Unidos, avaliou o desem­pen­ho físi­co — por meio de uma roti­na de exer­cí­cios na esteira — de 122.007 pes­soas. Os vol­un­tários pas­saram por testes de stress, que levaram em con­sid­er­ação idade, sexo, altura, peso e índice de mas­sa cor­po­ral (IMC), além de medica­men­tos uti­liza­dos e comor­bidades (dia­betes, hiperten­são, hiper­lipi­demia, doença renal ter­mi­nal e tabag­is­mo).

Exercite-se

Segun­do a revista Time Health, após oito anos de acom­pan­hamen­to, a prin­ci­pal con­clusão do estu­do foi o papel da ativi­dade físi­ca na longev­i­dade. Os resul­ta­dos tam­bém mostraram que pes­soas que se exerci­tam demais não apre­sen­tam maior risco de morte, con­trar­ian­do o que se acred­i­ta­va pre­vi­a­mente. “Uma vez lib­er­a­dos por seus médi­cos, os pacientes não devem ter medo da inten­si­dade do exer­cí­cio”, disse Met­zl.

Emagreça com Saúde

Para a equipe, a aptidão car­dior­res­pi­ratória está inver­sa­mente asso­ci­a­da à mor­tal­i­dade a lon­go pra­zo, ou seja, uma boa res­pi­ração durante a real­iza­ção de ativi­dades físi­cas indi­ca maior expec­ta­ti­va de vida. A alta aptidão aeróbi­ca (bom desem­pen­ho durante exer­cí­cio) foi asso­ci­a­da à maior sobre­v­i­da e trouxe inúmeros bene­fí­cios para pacientes idosos e/ou hiperten­sos.

Por out­ro lado, a fal­ta de exer­cí­cio pode ser extrema­mente perigosa. “Não ter aptidão físi­ca (capaci­dade de realizar ativi­dades com tran­quil­i­dade e menor esforço) para exer­cí­cios físi­cos deve ser con­sid­er­a­do um fator de risco para mor­tal­i­dade da mes­ma for­ma que doenças, como hiperten­são, dia­betes e tabag­is­mo — se não for mais forte do que todas elas”, aler­tou Wael Jaber, prin­ci­pal autor do estu­do, à CNN.

Maior mortalidade

De acor­do com os cien­tis­tas, o dado mais impres­sio­n­ante encon­tra­do no estu­do é o fato da fal­ta de ativi­dade físi­ca ser tão prej­u­di­cial à saúde quan­to doenças graves. O risco de morte para os par­tic­i­pantes que tiver­am baixo desem­pen­ho nos testes foi maior do que a de pacientes diag­nos­ti­ca­dos com insu­fi­ciên­cia renal e pas­savam por diálise sem­anal. Já indi­ví­du­os que pas­sam muito tem­po sen­ta­dos apre­sen­taram risco três vezes maior do que o de fumantes.

No resul­ta­do ger­al, a fal­ta de exer­cí­cio físi­co aumen­tou em 500% a prob­a­bil­i­dade de morte. Quem se exerci­ta pouco teve um risco 390% mais ele­va­do do que pes­soas que se exerci­tam reg­u­lar­mente. Ess­es números são pre­ocu­pantes, espe­cial­mente diante do relatório divul­ga­do no mês pas­sa­do pela Orga­ni­za­ção Mundi­al da Saúde (OMS) que rev­el­ou que 1,4 bil­hão de pes­soas são seden­tárias em todo o mun­do.

“Seden­taris­mo e esti­los de vida oci­den­tais têm lev­a­do a maior incidên­cia de doenças cardía­cas e isso (novo estu­do) mostra que é mod­i­ficáv­el. Nós esta­mos des­ti­na­dos a andar, cor­rer, se exerci­tar”, comen­tou Satjit Bhus­ri, car­di­ol­o­gista do Hos­pi­tal Lenox Hill, nos Esta­dos Unidos, à CNN.

Inatividade física e câncer de mama

Um estu­do brasileiro, pub­li­ca­do recen­te­mente, mostrou que a fal­ta de ativi­dade físi­ca é respon­sáv­el por 12% das mortes por câncer de mama. Segun­do o Min­istério da Saúde, uma em cada dez víti­mas de câncer pode­ri­am ter a vida poupa­da se prat­i­cas­sem 150 min­u­tos de ativi­dade físi­ca por sem­ana.

O que fazer?

As dire­trizes inter­na­cionais recomen­dam a real­iza­ção de, no mín­i­mo, 150 min­u­tos sem­anais de exer­cí­cios mod­er­a­dos, como uma cam­in­ha­da ráp­i­da, ou 75 min­u­tos de ativi­dade físi­ca inten­sa, como uma cor­ri­da. Essa quan­ti­dade pode ser divi­di­da em treinos de duas a cin­co vezes por sem­ana.

Cen­tro de Con­t­role e Pre­venção de Doenças dos Esta­dos Unidos (CDC, na sigla em inglês), indi­ca a real­iza­ção de 150 min­u­tos sem­anais de exer­cí­cios aeróbi­cos mod­er­a­dos asso­ci­a­dos a ativi­dades de for­t­alec­i­men­to mus­cu­lar, duas vezes por sem­ana. Exer­cí­cios de resistên­cia, como treinos fun­cionais, que uti­lizam o peso do próprio cor­po, ou mus­cu­lação, tam­bém são impor­tantes para a aptidão físi­ca. Por isso, o ide­al é inter­calar os aeróbi­cos (cor­ri­da, cam­in­ha­da, natação e bici­cle­ta) com exer­cí­cios de resistên­cia, pelo menos duas vezes na sem­ana.

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