Desnacionalização de empresas avança no Brasil

Desnacionalização de empresas avança no Brasil

Nos últi­mos cin­co anos, quase 400 empre­sas brasileiras pas­saram para as mãos de estrangeiros no País. Eles desem­bol­saram R$ 133 bil­hões nesse perío­do para com­prar par­tic­i­pações em com­pan­hias nacionais. O movi­men­to vem crescen­do des­de 2014, mas gan­hou destaque no ano pas­sa­do, quan­do as transações envol­ven­do cap­i­tal exter­no avançaram 40% — de 75, em 2016, para 108.

Neste ano, a expec­ta­ti­va é que, definido o cenário eleitoral na próx­i­ma sem­ana, novas oper­ações sejam anun­ci­adas, ele­van­do ain­da mais a pre­sença de gru­pos inter­na­cionais no País. Na lista de anún­cios esper­a­dos, estão oper­ações envol­ven­do duas gigantes nacionais: Embraer e Braskem.

Os números — lev­an­ta­dos pela Trans­ac­tion­al Track Record (TTR), que acom­pan­ha o vol­ume de fusões e aquisições no mun­do — refletem o cenário econômi­co nacional e exter­no. Enquan­to o Brasil pati­na na retoma­da da econo­mia, com empre­sas em difi­cul­dade e real desval­oriza­do, o mun­do vive uma onda de ele­va­da liq­uidez. Isso fez os ativos brasileiros virarem alvo de estrangeiros, que veem o Brasil como um mer­ca­do con­sum­i­dor impor­tante.

“Esta­mos com lim­ite de poupança inter­na e o mun­do tem cap­i­tal em abundân­cia. Ess­es recur­sos que vêm do exte­ri­or são até necessários para que as empre­sas con­tin­uem operan­do”, afir­ma o pro­fes­sor do Insper, Sér­gio Laz­zari­ni, autor do livro Cap­i­tal­is­mo de Laços — Os donos do Brasil e suas conexões.

Ele lem­bra que empre­sas impor­tantes para a econo­mia brasileira caíram na Lava Jato e foram obri­gadas a vender ativos para pagar dívi­das e reforçar o caixa — a exem­p­lo de Ode­brecht que se des­fez de vários negó­cios, como a Ode­brecht Ambi­en­tal, ven­di­da para a canadense Brook­field. “Na recessão, quem tin­ha din­heiro para mar­car ter­ritório eram os estrangeiros.”

Os amer­i­canos, chi­ne­ses e france­ses foram os que mais se aproveitaram dessa fase de “Brasil bara­to”, segun­do o lev­an­ta­men­to da TTR, feito a pedi­do do jor­nal O Esta­do de S. Paulo. No rank­ing por número de transações, os EUA fecharam 75 oper­ações entre 2014 e 2018; Chi­na, 23; e França, 22.

Um dos negó­cios fecha­dos recen­te­mente pelos amer­i­canos foi o da multi­na­cional Archer Daniels Mid­land Com­pa­ny (ADM), que com­prou ativos da empre­sa brasileira Algar Agro. O negó­cio incluiu as insta­lações de proces­sa­men­to de oleagi­nosas em Uber­lân­dia (MG) e Por­to Fran­co (MA).

Os chi­ne­ses foram mais ativos no setor de infraestru­tu­ra — o que virou alvo de críti­ca por parte do can­dida­to Jair Bol­sonaro (PSL). Ele sinal­i­zou restrição ao cap­i­tal chinês, espe­cial­mente no setor de ener­gia, se for eleito.

Nos últi­mos anos, os asiáti­cos inje­taram bil­hões de reais no setor para com­prar hidrelétri­c­as das estatais Cesp e Cemig e a dis­tribuido­ra de ener­gia CPFL. Além dis­so, con­tro­lam o Por­to São Luís (MA) e têm out­ros negó­cios em anda­men­to, como a aquisição da Hidrelétri­ca San­to Antônio, no Rio Madeira.

Os france­ses, na ter­ceira posição no rank­ing da TTR, tam­bém com­praram ativos impor­tantes na área de ener­gia ren­ováv­el, petróleo, aero­por­tos (Aero­por­to de Sal­vador) e tec­nolo­gia.

“Esse movi­men­to vai além da crise; são decisões estratég­i­cas de investi­dores que olham um hor­i­zonte mais lon­go e veem que, inde­pen­den­te­mente de quem for gov­ernar o Brasil, as refor­mas são necessárias para o País voltar a crescer”, diz Thi­a­go Rocha, dire­tor da área de fusões e aquisições do Cred­it Suisse. Ele afir­ma que tem perce­bido um aumen­to do inter­esse dos estrangeiros pelo País, espe­cial­mente dos europeus.

 

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