Mão de obra 4.0, você está preparado?

Mão de obra 4.0

A adoção do tele­tra­bal­ho cresceu de 2% para 40%, segun­do estu­do recen­te­mente divul­ga­do pela OIT. A esti­ma­ti­va é de que no futuro o escritório físi­co será parte da história da humanidade, mudan­do rad­i­cal­mente a for­ma de faz­er negó­cios. O novo mod­e­lo de tra­bal­ho tam­bém abre uma por­ta para out­ras mudanças não só nos negó­cios, como tam­bém na cul­tura.

Esse cenário lev­an­ta múlti­plas questões. Como fica, por exem­p­lo, a empre­ga­bil­i­dade no setor? Como será a adap­tação das empre­sas e dos times frente à esse novo desafio?

A dig­i­tal­iza­ção do proces­so pro­du­ti­vo deve atin­gir 21,8% das indús­trias brasileiras em uma déca­da, de acor­do com pesquisa divul­ga­da, pela Con­fed­er­ação Nacional da Indús­tria (CNI). Atual­mente, o per­centu­al é de 1,6%.

A sondagem, avalia a expec­ta­ti­va de 759 grandes e médias indús­trias brasileiras e multi­na­cionais em relação à adoção de tec­nolo­gias 4.0. O pro­je­to é uma ini­cia­ti­va da CNI e do Insti­tu­to Euval­do Lodi (IEL), em parce­ria com a Uni­ver­si­dade Fed­er­al do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Uni­ver­si­dade Estad­ual de Camp­inas (Uni­camp). Para a CNI, a atu­al­iza­ção da mão de obra será um desafio.

Os números ref­er­em-se ao nív­el mais ele­va­do de conexão da pro­dução (Ger­ação 4), com “tec­nolo­gias da infor­mação e comu­ni­cações (TICs) integradas, fábri­c­as conec­tadas e proces­sos inteligentes, com capaci­dade de sub­sidiar gestores com infor­mações para toma­da de decisão”.

A pesquisa esta­b­ele­ceu clas­si­fi­cações de qua­tro ger­ações de tec­nolo­gias dig­i­tais para o desen­volvi­men­to da sondagem. O primeiro nív­el ref­ere-se a pro­dução pon­tu­al de TICs, a segun­da ger­ação envolve automação flexív­el com o uso de TICs sem inte­gração ou par­cial­mente integradas e a ter­ceira con­siste no uso de tec­nolo­gias integradas e conec­tadas em todas as áreas.

“Pas­sare­mos os próx­i­mos dez anos em um proces­so de trans­for­mação indus­tri­al muito inten­so, com as empre­sas, de fato, bus­can­do traz­er essa tec­nolo­gia dis­rup­ti­va e imple­men­tan­do essas práti­cas den­tro do seu modo de pro­dução”, avaliou Paulo Mól, super­in­ten­dente nacional do IEL. Ele avalia que essas trans­for­mações tec­nológ­i­cas servirão para aumen­tar a pro­du­tivi­dade, reduzin­do o cus­to de pro­dução e tor­nan­do as empre­sas brasileiras mais com­pet­i­ti­vas.

De acor­do com os pesquisadores, a indús­tria 4.0 é tam­bém con­heci­da como a quar­ta rev­olução indus­tri­al. “[Ela] resul­ta do uso inte­gra­do de tec­nolo­gias avançadas da automação, do con­t­role e da tec­nolo­gia da ino­vação em proces­sos de man­u­fatu­ra”. Tais mudanças envolvem questões como o uso de robóti­ca, de novos mate­ri­ais, de biotec­nolo­gia, de armazena­men­to de ener­gia, big data, entre out­ros.

A expec­ta­ti­va dos empresários é de que os está­gios 3 e 4 de uso de tec­nolo­gia avancem na próx­i­ma déca­da. O nív­el 3 pas­sará de 20,5% para 36,9%. Os demais níveis recuar­i­am, abrindo espaço para empre­sas mais conec­tadas. Atual­mente, o estu­do indi­ca que 77,8% das empre­sas brasileiras ain­da estão nas ger­ações tec­nológ­i­cas 1 e 2. O maior per­centu­al, em dez anos, estaria con­cen­tra­do nos níveis 3 e 4, com 58,7% das indús­trias.

A pesquisa avaliou ain­da como as tec­nolo­gias 4.0 influ­en­cia­rão as áreas de rela­ciona­men­to com fornece­dores, desen­volvi­men­to de pro­du­to, gestão da pro­dução, rela­ciona­men­to com clientes e gestão de negó­cios. No rela­ciona­men­to com fornece­dores, por exem­p­lo, 77,3% dos entre­vis­ta­dos dis­ser­am que a prob­a­bil­i­dade é alta ou muito alta de as tec­nolo­gias dig­i­tais serem dom­i­nantes nes­sa relação.

Entre os desafios para alcançar essa expec­ta­ti­va expres­sa pelos empresários, Mól desta­ca a questão da mão de obra qual­i­fi­ca­da. “Quan­do eu falo que o Brasil deve pas­sar por uma trans­for­mação indus­tri­al muito forte, como os dados estão mostran­do, isso vai ree­quer­er um país muito apto para ser par­ceiro nes­sas trans­for­mações”, disse o super­in­ten­dente. Ele lem­bra a neces­si­dade de parce­rias com uni­ver­si­dades e de políti­cas públi­cas de incen­ti­vo à indús­tria.

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