Por que querem ter acesso a dados do seu rosto?

Por que querem ter acesso a dados do seu rosto

Muitas empre­sas estão aderindo ao recon­hec­i­men­to facial dos seus clientes para evi­tar fraudes, e chegam a pagar até R$ 4,70 por con­sul­ta aos dados do ros­to dos seus clientes.

Para isso, essas empre­sas cruzam as infor­mações dessas fotos (ou de self­ies nos casos de ban­cos dig­i­tais) com as de grandes ban­cos de dados faci­ais pri­va­dos — um seg­men­to que começa a crescer no Brasil. Entre as empre­sas que fazem esse tipo de checagem estão a Aces­so Dig­i­tal, a Cred­De­fense e a Cert­ibio. E a lista de clientes é ain­da maior: lojas de depar­ta­men­to e de eletroeletrôni­cos (de Marisa a Pon­to Frio e Casas Bahia) insti­tu­ições bancárias (CBSS e Agi­plan); fin­techs (Neon, Digio e Nuban) cer­ti­fi­cado­ras dig­i­tais (Cer­tis­ing) e planos de saúde (Unimed)

É per­mi­ti­do com­par­til­har dados? Sim, nos con­tratos de com­pra parce­la­da no cartão de crédi­to pos­suem cláusu­las que per­mitem à loja com­par­til­har os dados do cliente com ter­ceiros — des­de que a final­i­dade seja a avali­ação do históri­co finan­ceiro do con­sum­i­dor. “A par­tir dis­so é ger­a­do um códi­go bio­métri­co atre­la­do ao CPF da pes­soa.”

Segun­do a empre­sa Aces­so Dig­i­tal, as con­sul­tas feitas pelas primeiras redes de vare­jo ape­nas resul­tavam em uma nova inclusão no cadas­tro, já que não havi­am dados bio­métri­cos com o que faz­er a com­para­ção. Assim, nasceu o ban­co de dados da empre­sa.

Quanto vale seu rosto

As empre­sas desse ramo não ven­dem as fotos de seu ban­co de dados aos seus clientes. Elas cobram pelas con­sul­tas

A Aces­so Dig­i­tal não rev­ela quan­tos ros­tos pos­sui em seus arquiv­os. Mar­tins, porém, dá uma dimen­são de sua exten­são. Ele diz que a com­pan­hia atende 90% das vare­jis­tas, 90% das fin­techs, 30% das empre­sas de tele­co­mu­ni­cação e 25% dos ban­cos. Cada con­sul­ta a suas bases cus­ta de R$ 1 a R$ 3 por ros­to.

O val­or sobe con­forme o taman­ho da empre­sa con­sul­to­ra, pois, segun­do Mar­tins, isso impli­ca em maior inte­gração entre os sis­temas inter­nos da com­pan­hia com os de recon­hec­i­men­to facial.

Já a Cert­ibio começou a atu­ar no começo deste ano, fazen­do checa­gens de ros­tos a par­tir dos clientes da sua empre­sa-mãe, a Cer­tisign, que emite 150 mil novos cer­ti­fi­ca­dos dig­i­tais por mês. E apli­ca uma políti­ca de preços difer­ente. Cobra entre R$ 0,10 e R$ 4,70, a depen­der do vol­ume das con­sul­tas. Quem faz mais checa­gens paga menos.

O ban­co de dados uti­liza­do pela Cert­ibio tem 70 mil­hões de cadas­tros. Isso porque ela usa as infor­mações armazenadas pelo Serviço de Proces­sa­men­to de Dados (Ser­pro), empre­sa públi­ca respon­sáv­el por alguns serviços de tec­nolo­gia da admin­is­tração fed­er­al. Entre eles está o proces­sa­men­to da declar­ação do Impos­to de Ren­da e a aut­en­ti­cação facial — basi­ca­mente, ela con­fir­ma se um ros­to per­tence a uma pes­soa ou não.

A base do Ser­pro pos­sui 70 mil­hões de reg­istros bio­métri­cos e biográ­fi­cos úni­cos, forneci­dos pelo Depar­ta­men­to Nacional de Trân­si­to (Dena­tran) par­tir das infor­mações das carteiras de motoris­tas.

O poten­cial desse mer­ca­do ani­ma as empre­sas. Igor Rocha, dire­tor da Cert­ibio, esfre­ga as mãos ao lis­tar as transações em que o recon­hec­i­men­to facial pode ser usa­do no Brasil por ano: 4,5 mil­hões de novas con­tas bancárias aber­tas, 170 mil­hões de con­sul­tas a CPF para disponi­bi­lizar crédi­to e 23 mil­hões de oper­adores para val­i­dar celu­lares pré-pagos. “O mer­ca­do ain­da é muito maior do que out­ros com­peti­dores con­seguiram con­quis­tar”, diz.

Utilização da tecnologia

Os sis­temas da Aces­so Dig­i­tal e da Cert­ibio não fazem com­para­ção dire­ta entre fotos — mas sim das infor­mações pre­sentes nelas. Um algo­rit­mo anal­isa a imagem e iden­ti­fi­ca pon­tos úni­cos no ros­to — são detal­h­es como dis­tân­cia entre nar­iz e olhos, mar­cas e cica­trizes, con­torno da face, for­ma­to da extrem­i­dade do ros­to etc. Na maio­r­ia dos casos, recur­sos de inteligên­cia arti­fi­cial entram em ação para sim­u­lar o ros­to em diver­sas pos­es.

Essas infor­mações são trans­for­madas em um arqui­vo que descreve a imagem. A par­tir daí, é esse “número de RG facial” que é com­para­do com as descrições das ima­gens pre­sentes em um ban­co de dados.

O resul­ta­do apre­sen­ta­do é um per­centu­al de semel­hança. aci­ma de 93% de sim­i­lar­i­dade, pode-se diz­er que se tra­ta da pes­soa; abaixo de 31%, não se tra­ta dela.

Privacidade

Claro, as empre­sas dizem se pre­ocu­par com a pro­teção dos dados de seus clientes. Mar­tins diz que a Aces­so Dig­i­tal criou uma área de pri­vaci­dade volta­da a anal­is­ar se novas funções ou novos mod­e­los de negó­cio colo­cam em risco as infor­mações das pes­soas. Tam­bém bus­ca pedir o con­sen­ti­men­to do usuário para usar os dados dele.

Negócio ainda maior

Para ambas, o recon­hec­i­men­to facial é ape­nas uma escala no cam­in­ho para se tornarem empre­sas de iden­ti­dade dig­i­tal, que reúne diver­sas infor­mações sobre a pes­soa.

Uma das inspi­rações da Aces­so Dig­i­tal é a Estô­nia, um dos país­es mais conec­ta­dos do mun­do. Lá, os cidadãos podem com­prar pela inter­net e até votar em eleições ape­nas usan­do uma iden­ti­dade dig­i­tal.

Para chegar lá, a com­pan­hia criou uma nova divisão de negó­cio volta­da às áreas de recur­sos humanos de grandes empre­sas para agilizar con­tratações. Por meio de um app, o profis­sion­al envia os doc­u­men­tos necessários para sua con­tratação. Ess­es doc­u­men­tos pas­sam a con­sti­tuir sua iden­ti­dade dig­i­tal.

 

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