Mercado: Smartphones estão ficando todos parecidos e cada vez mais caros

Smartphones estão ficando todos parecidos e cada vez mais caros

A Sam­sung lançou nes­ta sem­ana o Galaxy Note 9, seu segun­do celu­lar top de lin­ha do ano. Mas a jul­gar pelos leitores do Olhar Dig­i­tal, o apar­el­ho des­per­tou muito menos inter­esse do que toda a pom­pa do even­to de lança­men­to levaria a crer.

Isto acon­tece porque, con­forme o mer­ca­do de smart­phones evolui, os apar­el­hos estão fican­do cada vez mais idên­ti­cos uns aos out­ros. É, tam­bém, cada vez mais difí­cil encon­trar difer­en­ci­ais claros entre mod­e­los con­cor­rentes numa mes­ma faixa de preço ou de faixas difer­entes.

Veja o Galaxy Note 9, por exem­p­lo. Em com­para­ção com seu ante­ces­sor, o Note 8, há pou­cas novi­dades: uma tela maior, mais memória, um proces­sador mais rápi­do e uma cane­ta S Pen que, ago­ra, tam­bém tem Blue­tooth e uma bate­ria própria. É prati­ca­mente o mes­mo pro­du­to, lev­e­mente mel­ho­ra­do.

O mes­mo se vê em quase todo o mer­ca­do de smart­phones. Há pouco difer­ença entre o Galaxy Note 9 e o Galaxy S9+, lança­do poucos meses atrás, além da S Pen. Do Note 9 para o iPhone X, o con­cor­rente dire­to feito pela Apple, as difer­enças são igual­mente irrel­e­vantes.

No vare­jo você encon­tra smart­phones com 3 GB de RAM que são R$ 200 mais caros que os de 2 GB de RAM, emb­o­ra ambos apre­sen­tem basi­ca­mente o mes­mo desem­pen­ho em tare­fas bási­cas, como abrir o What­sApp e o YouTube. Para o usuário lei­go, muitas vezes este número sequer é lev­a­do em con­ta.

A sat­u­ração do mer­ca­do já pode ser vista em números. No segun­do trimestre de 2018, a con­sul­to­ria IDC reg­istrou a ven­da de 342 mil­hões de smart­phones no mun­do inteiro. O número parece grande, mas rep­re­sen­ta uma que­da de 1,8% em relação ao mes­mo perío­do do ano pas­sa­do.

No primeiro trimestre, a mes­ma IDC repor­tou uma que­da de 2,9% na com­para­ção ano-a-ano. Enquan­to isso, out­ros estu­dos de empre­sas de estatís­ti­cas reg­is­traram em 2018 a maior que­da anu­al da história do mer­ca­do de smart­phones: ‑9%.

Na Chi­na, país que mais vende celu­lares no mun­do, um cresci­men­to em ven­das que durou oito anos chegou ao fim em 2018. Ou seja: as pes­soas estão com­pran­do menos smart­phones. E tudo leva a crer que a cul­pa seja da fal­ta de cria­tivi­dade.

“A com­bi­nação de sat­u­ração do mer­ca­do, aumen­to das taxas de pen­e­tração de smart­phones e aumen­to do preço médio de ven­da con­tin­ua a reduzir o cresci­men­to do mer­ca­do glob­al”, disse Antho­ny Scarsel­la, ger­ente de pesquisa da IDC, recen­te­mente.

E o que as fab­ri­cantes têm feito para retar­dar o colap­so do mer­ca­do de smart­phones? Em vez de lançar apar­el­hos difer­entes, que talvez lev­em mais tem­po para serem pro­duzi­dos, as empre­sas estão aumen­tan­do o número de celu­lares iguais, lança­dos um atrás do out­ro, e subindo o preço.

iPhone X

O iPhone X foi o primeiro smart­phone da Apple, líder do mer­ca­do dos Esta­dos Unidos, a cus­tar US$ 1.000. No Brasil, ele saiu pelo preço inédi­to de R$ 7.000. Ago­ra temos o Galaxy Note 9, que, na ver­são com 512 GB, cus­ta US$ 1.250 nos EUA e pode até pas­sar dos R$ 5.000 quan­do sair por aqui.

O cres­cente número de smart­phones no mer­ca­do (e que não são ven­di­dos) tam­bém tor­na as fron­teiras entre as cat­e­go­rias menos visíveis. Antes, tín­hamos ape­nas três divisões: os de entra­da, os inter­mediários e os topo de lin­ha. Hoje, há os inter­mediários bási­cos e os inter­mediários pre­mi­um no meio dis­so tudo.

Ain­da assim, pou­ca coisa muda entre todos eles do pon­to de vista de exper­iên­cia de uso. O What­sApp fun­ciona da mes­ma maneira em um Galaxy S9 e um Galaxy A8. Mas a difer­ença de preço entre os dois pode chegar a R$ 1.000 em algu­mas lojas.

O prob­le­ma é que é difí­cil imag­i­nar no que mais os smart­phones podem ino­var além de “mais memória” e “mais tela”. Há celu­lares com duas, três, qua­tro e até cin­co câmeras. Todas tão boas que exis­tem até cineas­tas usan­do smart­phones para fil­mar lon­ga-metra­gens inteiros. Como mel­ho­rar a par­tir daí? Faz­er um celu­lar com nove câmeras?

Proces­sadores móveis já são bons o bas­tante para rodar ver­sões com­ple­tas do Win­dows. Hoje já é pos­sív­el conec­tar ao celu­lar um mon­i­tor, um tecla­do e um mouse e usá-lo como um PC. Até pro­gra­mas pesa­dos, como o Adobe Pho­to­shop, já estão sendo por­ta­dos inteira­mente para apar­el­hos móveis. É difí­cil ir muito além do que já temos hoje.

Não é de hoje que se comen­ta que o smart­phone está mor­to e que talvez seja hora de a indús­tria voltar a sua atenção para out­ros dis­pos­i­tivos. Há rumores de que a Microsoft, por exem­p­lo, vem tra­bal­han­do em um híbri­do de celu­lar e lap­top, que, em tese, pode­ria dar um sopro de ino­vação no mer­ca­do.

Mas ain­da é cedo para diz­er. É pre­ciso esper­ar para ver se o mer­ca­do de smart­phones real­mente já deu o que tin­ha que dar, ou se ain­da exis­tem truques guarda­dos na man­ga dos engen­heiros da Chi­na, Cor­eia do Sul e Vale do Silí­cio. Enquan­to isso, res­ta ao usuário escol­her, entre tan­tas opções iguais, qual celu­lar serve mais aos seus inter­ess­es, ou esper­ar por uma ideia mel­hor.

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