Alerta: Tecnologia pode ampliar desigualdade de renda

A recessão brasileira talvez ten­ha acel­er­a­do no país con­se­quên­cias do avanço da tec­nolo­gia que espe­cial­is­tas pre­veem como inevitáveis, como aumen­to da infor­mal­i­dade e do emprego autônomo.

Com o aumen­to da robo­t­i­za­ção, a expec­ta­ti­va é que muitas ocu­pações desa­pareçam e novas funções sur­jam. Ninguém sabe qual será o sal­do dis­so. Mas evidên­cias de país­es desen­volvi­dos indicam a emergên­cia de uma polar­iza­ção sem prece­dentes.

A tec­nolo­gia tem lev­a­do ao desa­parec­i­men­to de tare­fas rotineiras e repet­i­ti­vas, como as admin­is­tra­ti­vas. É o que alguns espe­cial­is­tas chamam de “esvazi­a­men­to do meio”.

Segun­do ess­es estu­diosos, vão sobrar –e sur­gir– empre­gos con­cen­tra­dos em dois extremos opos­tos. De um lado, estarão os pos­tos muito espe­cial­iza­dos, de alto “teor” tec­nológi­co, e, de out­ro, vagas de baixa qual­i­fi­cação.

No segun­do grupo, ficarão profis­sion­ais que antes ocu­pavam o estra­to inter­mediários e foram deslo­ca­dos (inclu­sive para a infor­mal­i­dade).

Existe ain­da a pos­si­bil­i­dade do surg­i­men­to de um novo meio, povoa­do por profis­sion­ais deslo­ca­dos de vagas tradi­cionais, que pas­sam a realizar novas ativi­dades qual­i­fi­cadas, porém de for­ma autôno­ma. Nesse caso, a tec­nolo­gia que elim­i­na pos­tos de um lado aju­da a criá-los de out­ro, ao facil­i­tar, por exem­p­lo, o tra­bal­ho remo­to.

Olhan­do os dados gerais da Pnad con­tínua no ano pas­sa­do, podemos até ficar com a impressão de que essas mudanças dessa natureza estão em cur­so no Brasil. Os números rev­e­lam, afi­nal, um encol­hi­men­to do emprego for­mal com expan­são da infor­mal­i­dade e do tra­bal­ho chama­do por con­ta própria.

A questão é que aqui esse movi­men­to parece ter mais relação com a neces­si­dade de sobre­vivên­cia em meio à crise do que ape­nas com o avanço da tec­nolo­gia, que causa dis­rupção, mas tam­bém traz van­ta­gens como o cresci­men­to da pro­du­tivi­dade e o aumen­to do bem estar.

Além dis­so, em vários país­es, já está em pau­ta a dis­cussão sobre como ofer­e­cer reci­clagem para os profis­sion­ais que pre­cis­arão se rein­ven­tar e como ampli­ar o colchão social des­ti­na­do a amparar aque­les com menores chances de recolo­cação.

São questões que nem sequer despon­tam no debate públi­co do Brasil, dom­i­na­do, ao con­trário, pela ênfase na neces­si­dade de cortes severos de gas­tos públi­cos.

Um dos riscos de não encará-las logo é que o aumen­to da desigual­dade de ren­da –con­se­quên­cia mais temi­da das atu­ais mudanças no novo mun­do do emprego– seja maior por aqui.

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