Dropbox — Dois caras, um sonho e bilhões

Dropbox - Dois caras, um sonho e bilhões

Em 2007, o então jovem de 24 anos esta­va deses­per­a­do para obter um finan­cia­men­to para con­cretizar sua ideia de ini­ciar um negó­cio de armazena­men­to de dados.

Um dos finan­ciadores de maior prestí­gio do Vale do Silí­cio — o Y Com­bi­na­tor — esta­va dis­pos­to a apos­tar em Hous­ton e no Drop­box, mas havia um prob­le­ma: exi­giam que ele con­seguisse um par­ceiro de negó­cios.

Obstáculo para o sucesso

O argu­men­to era de que as novas empre­sas têm muito mais chances de suces­so se tiverem mais de um fun­dador, mais de uma pes­soa para tomar decisões e lidar com a car­ga de tra­bal­ho.

O prob­le­ma de Hous­ton era que, por diver­sos motivos, nen­hum de seus ami­gos podia embar­car no negó­cio. Então, ele teve ape­nas duas sem­anas para encon­trar um com­ple­to estran­ho para se tornar seu cofun­dador.

“Foi como rece­ber um e‑mail do reitor de admis­sões de sua fac­ul­dade favorita, mas o pra­zo para inscrição era nas próx­i­mas duas sem­anas e você pre­cisa se casar naque­le tem­po, não ape­nas ter um encon­tro”, diz ele.

Hous­ton con­seguiu — depois de uma con­ver­sa de duas horas — con­vencer um estu­dante de 22 anos chama­do Arash Fer­dowsi a deixar a uni­ver­si­dade e se jun­tar a ele. Fer­dowsi era ami­go de um ami­go, mas ele e Hous­ton nun­ca tin­ham se encon­tra­do antes.

Isso foi há 11 anos. Hoje, a sede do Drop­box, em São Fran­cis­co (EUA), está avali­a­da em mais de US$ 12 bil­hões (cer­ca de R$ 46,2 bil­hões), enquan­to o patrimônio líqui­do de Hous­ton é cal­cu­la­do em US$ 3 bil­hões (R$ 11,5 bil­hões) e o de Fer­dowsi em US$ 1,3 bil­hão (R$ 5 bil­hões).

Ideia em movimento

A inspi­ração para começar um novo negó­cio pode sur­gir em qual­quer lugar e, para Hous­ton, foi num ônibus entre Boston e Nova York no final de 2006.

Recém-for­ma­do em Ciên­cias da Com­putação pelo Insti­tu­to de Tec­nolo­gia de Mass­a­chu­setts (MIT), ele pre­tendia usar sua jor­na­da de seis horas para tra­bal­har em algu­mas ideias de pro­je­tos ante­ri­ores. Mas quan­do sen­tou em sua poltrona, Hous­ton perce­beu que havia esque­ci­do o cartão de memória que con­tin­ha todos os arquiv­os.

“Fiquei muito frustra­do porque sen­ti que aqui­lo acon­te­cia fre­quente­mente”, diz ele. “Eu não que­ria pas­sar por aqui­lo nova­mente, então, não ten­do mais nada a faz­er, come­cei a escr­ev­er um códi­go [para encon­trar uma solução] sem ter ideia do que se ele tornar­ia.”

O que Hous­ton criou foi a ideia do Drop­box — um armazena­men­to remo­to que os usuários podem aces­sar online onde quer que estivessem. Em duas sem­anas, ele criou o pro­tótipo e inven­tou o nome.

Poucos meses depois, o Y Com­bi­na­tor man­i­festou inter­esse, e Hous­ton voltou ao MIT para con­hecer Fer­dowsi, que estu­da­va Engen­haria Elétri­ca e Ciên­cias da Com­putação em sua anti­ga uni­ver­si­dade.

Hous­ton, que hoje tem 35 anos, diz: “Nos encon­tramos no cen­tro estu­dan­til por uma ou duas horas. Arash desis­tiu dos estu­dos na sem­ana seguinte”.

“Em ret­ro­spec­to, isso foi muito louco… Ten­ho certeza de que seus pais tin­ham um plano difer­ente para ele, que envolvia con­cluir a fac­ul­dade. Mas ele esta­va real­mente ani­ma­do para faz­er isso. E eu não sei se sabíamos exata­mente onde está­va­mos nos metendo.”

Mudan­do-se para a base do Y Com­bi­na­tor no Vale do Silí­cio, o Drop­box foi lança­do em 2008.

Para atrair seus primeiros clientes, fez vídeos pro­mo­cionais que foram colo­ca­dos em sites de dis­cussão, como o Red­dit e o Slash­dot. O obje­ti­vo era faz­er com que os influ­en­ci­adores do setor de tec­nolo­gia começassem a usar o serviço na esper­ança de que falassem pos­i­ti­va­mente sobre o pro­du­to, e o número de usuários crescesse graças a isso.

Foi um suces­so. Eles con­seguiram 5 mil usuários em uma lista de espera e, em poucos dias, o Drop­box tin­ha 75 mil inscrições. Em segui­da, pas­sou de 100 mil usuários para 200 mil “em algo como 10 dias”.

O número de usuários aumen­tou ain­da mais rápi­do quan­do Hous­ton e sua equipe cri­aram um esque­ma de bene­fí­cios para incen­ti­vadores. Isso ofer­e­cia aos clientes do Drop­box mais espaço de armazena­men­to gra­tu­ito caso con­vencessem um ami­go a se inscr­ev­er. A out­ra pes­soa tam­bém teria mais espaço livre e assim por diante.

Isso atraiu mil­hões de novos clientes e chamou a atenção de Steve Jobs, fun­dador da Apple, que fez uma ofer­ta para com­prar o negó­cio em 2011.

Segun­do Hous­ton, Jobs não reag­iu bem quan­do a ofer­ta foi recu­sa­da. A Apple lançou seu próprio serviço de armazena­men­to em nuvem no final de 2011, o iCloud, mas isso não impediu o cresci­men­to do Drop­box.

Capitalização bilionária

Hoje, o Drop­box tem mais de 500 mil­hões de usuários reg­istra­dos, dos quais 11,5 mil­hões pagam uma assi­natu­ra anu­al por mais armazena­men­to. Isso inclui mais de 300 mil clientes cor­po­ra­tivos.

A empre­sa subiu no índice Nas­daq no iní­cio deste ano e sua cap­i­tal­iza­ção de mer­ca­do — o val­or total de todas as suas ações — atual­mente está em mais de US$ 12 bil­hões (R$ 46,2 bil­hões). Suas receitas anu­ais ultra­pas­sam US$ 1 bil­hão (R$ 3,85 bil­hões) e con­ta com uma força de tra­bal­ho glob­al de mais de 2 mil pes­soas.

O anal­ista de tec­nolo­gia Ben Wood, do grupo de pesquisa CCS Insight, diz que há inúmeras razões para o suces­so do Drop­box, como a facil­i­dade de uso ger­al e é “o fato de per­mi­tir que as pes­soas salvem e com­par­til­hem facil­mente fotos, vídeos e out­ros arquiv­os grandes que servi­dores de e‑mail ain­da são inca­pazes de proces­sar”.

Hous­ton diz que ele e Fer­dowsi, que per­manece na equipe de geren­ci­a­men­to, con­tin­u­am tra­bal­han­do bem jun­tos.

Sobre seu papel especí­fi­co como exec­u­ti­vo-chefe, Hous­ton diz que seu obje­ti­vo hoje é garan­tir que a equipe ignore o suces­so da recente cotação de ações e, em vez dis­so, “man­ten­ha o foco no moti­vo de estar­mos aqui — faz­er os clientes felizes”.

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