Como a liderança humilde realmente funciona

Como a lid­er­ança humilde real­mente fun­ciona.

Quan­do você é um líder — não impor­ta há quan­to tem­po você está no seu car­go ou quão difí­cil ten­ha sido a tra­jetória para chegar até lá —, a menos que este­ja fazen­do com que seus fun­cionários deem o mel­hor de si, você não pas­sa de um cus­to fixo. Infe­liz­mente, muitos líderes per­dem isso de vista.

O poder, con­forme pesquisa de meu cole­ga Ena Inesi, pode faz­er com que os líderes se tornem exces­si­va­mente obceca­dos com resul­ta­dos e con­t­role, e, por­tan­to, tratem seus fun­cionários como um meio para um fim. Como desco­bri em min­ha própria pesquisa, isso aumen­ta o medo das pes­soas — medo de não atin­gir as metas, medo de perder o bônus, medo de fra­cas­sar — e, como con­se­quên­cia, as pes­soas param de sen­tir emoções pos­i­ti­vas e sua moti­vação para faz­er exper­iên­cias e apren­der aca­ba sendo sufo­ca­da.

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Tomem­os por exem­p­lo um serviço de entre­ga de comi­da no Reino Unido que eu pesqui­sei. O enga­ja­men­to de seus motoris­tas, que dis­tribuem leite e pão para mil­hões de clientes todos os dias, dimin­uía, enquan­to a gestão se tor­na­va cada vez mais dire­ciona­da para as métri­c­as, em um esforço para reduzir cus­tos e diminuir os pra­zos de entre­ga. A cada sem­ana, os gestores real­izavam reuniões sem­anais de desem­pen­ho com os motoris­tas e fazi­am uma lista de prob­le­mas, recla­mações e erros com uma prancheta e uma cane­ta. Isso não era inspi­rador em nen­hum nív­el, para nen­hu­ma das partes. E, final­mente, os motoris­tas, muitos dos quais tra­bal­haram para a empre­sa por décadas, ficaram ressen­ti­dos.

Esse tipo de lid­er­ança de cima para baixo, além de estar desat­u­al­iza­do, é, mais impor­tante, con­trapro­du­cente. Ao se con­cen­trar demais no con­t­role e nos obje­tivos finais, e não sufi­cien­te­mente em seus fun­cionários, os líderes estão fazen­do com que seja mais difí­cil alcançar os resul­ta­dos que eles mes­mos dese­jam.

O mais impor­tante, então, é aju­dar as pes­soas a se sen­tirem impor­tantes, moti­vadas e ener­gizadas, de modo que pos­sam levar o mel­hor de si para o tra­bal­ho.

Exis­tem várias maneiras de faz­er isso, como descrevi em meu novo livro Alive at work. Mas uma das mel­hores é ado­tar a men­tal­i­dade humilde de um líder que facili­ta a vida dos out­ros. Para os líderes servi­dores, seu papel fun­da­men­tal é aju­dar os fun­cionários à medi­da que eles crescem e explo­ram novos ter­renos, fornecen­do apoio tangív­el e emo­cional.

Para ser bem dire­to, o líder servi­dor têm a humil­dade, a cor­agem e o dis­cern­i­men­to para admi­tir que pode se ben­e­fi­ciar da exper­iên­cia das pes­soas com menos poder do que ele. Ele procu­ra ati­va­mente as ideias e con­tribuições exclu­si­vas dos fun­cionários a que aux­il­iam. É assim que os líderes servi­dores cri­am uma cul­tura de apren­diza­do e uma atmos­fera que incen­ti­va seus seguidores a darem o mel­hor de si.

Ser um líder servi­dor que aux­il­ia os out­ros não sig­nifi­ca que os líderes ten­ham baixa autoes­ti­ma ou assumam uma ati­tude servil. Em vez dis­so, a lid­er­ança servi­do­ra enfa­ti­za que a respon­s­abil­i­dade de um líder é aumen­tar a autori­dade, a respon­s­abil­i­dade e a autono­mia dos seguidores — incen­tivá-los a pen­sar por si mes­mos e a exper­i­men­tar suas próprias ideias.

Veja como faz­er isso.

Per­gunte como você pode aju­dar os fun­cionários a faz­er mel­hor seu próprio tra­bal­ho — e então escute.
Parece sim­ples demais: em vez de diz­er aos fun­cionários como faz­er mel­hor o seu tra­bal­ho, comece per­gun­tan­do-lhes como você pode ajudá-los a faz­er mel­hor o tra­bal­ho deles. Mas os efeitos dessa abor­dagem podem ser poderosos.

Con­sidere a empre­sa de entre­ga de ali­men­tos que eu men­cionei ante­ri­or­mente. Quan­do seu mod­e­lo tradi­cional foi super­a­do por novas empre­sas de entre­ga, a equipe de gestão decid­iu que as coisas pre­cisavam mudar. A empre­sa pre­cisa­va com­pe­tir na base de um óti­mo atendi­men­to ao cliente, mas, para isso, pre­cisa­va do apoio de seus fun­cionários que prestavam o serviço. E pre­cisavam de ideias que pudessem tornar a empre­sa mais com­pet­i­ti­va.

Depois de se reunir com con­sul­tores da Price­wa­ter­house­C­oop­ers e após alguns treina­men­tos, a equipe de gestão testou um novo for­ma­to para suas reuniões sem­anais de desem­pen­ho com os motoris­tas.

A nova abor­dagem? Em vez de procu­rar pelo em novo, cada gestor foi treina­do para sim­ples­mente per­gun­tar a seus motoris­tas: “como pos­so ajudá-lo a ofer­e­cer um exce­lente serviço?” Como mostra­do na pesquisa de Bradley Owens e David Heck­man, os líderes pre­cisam mod­e­lar esse tipo de com­por­ta­men­to de men­tal­i­dade servi­do­ra para que os fun­cionários aten­dam mel­hor aos clientes.

Como você pode imag­i­nar, o ceti­cis­mo ini­cial foi grande. A rejeição dos gestores pelos motoris­tas era alta e a con­fi­ança era baixa. Mas, como os gestores de depósi­to con­tin­u­avam per­gun­tan­do “como pos­so ajudá-lo a ofer­e­cer um exce­lente serviço?”, alguns motoris­tas começaram a dar sug­estões. Por exem­p­lo, um motorista sug­eriu novos pro­du­tos, como o Gogurts e um quei­jo de cor­da diver­tido, que pode­ria ser entregue antes da esco­la, para que os pais o colo­cassem no almoço dos fil­hos. Out­ro motorista pen­sou em uma maneira de relatar a escassez de estoque mais rap­i­da­mente, para que os clientes não ficas­sem sem as com­pras encomen­dadas.

Peque­nas mudanças cri­aram um ciclo vir­tu­oso. À medi­da que os motoris­tas obt­in­ham crédi­to por suas ideias e as viam em práti­ca, ficavam mais dis­pos­tos a ofer­e­cer mais ideias, o que impres­sio­nou os gestores de depósi­to e os tornou mais respeitosos, aumen­tan­do a dis­posição dos entre­gadores de ofer­e­cer ideias, e assim por diante. E os gestores de depósi­to apren­der­am que alguns dos chama­dos “erros” que os motoris­tas estavam come­tendo eram, de fato, ino­vações que eles cri­aram para sim­pli­ficar os proces­sos e ain­da entre­gar tudo a tem­po. Essas ino­vações aju­daram a empre­sa a entre­gar um mel­hor serviço de atendi­men­to ao cliente.

Resu­min­do, acon­tece o seguinte: os fun­cionários que fazem o tra­bal­ho real de sua empre­sa geral­mente sabem mel­hor do que você como faz­er um óti­mo tra­bal­ho. Respeitar as ideias deles e enco­ra­já-los a ten­tar novas abor­da­gens para mel­ho­rar o tra­bal­ho incen­ti­va os fun­cionários a dar o mel­hor de si.

Como um gestor de área resum­iu: “Nós real­mente achá­va­mos que con­hecíamos nos­sos entre­gadores como a pal­ma da mão, mas percebe­mos que havia mui­ta coisa que não está­va­mos perceben­do. Ago­ra, nos­sas reuniões sem­anais de con­ver­sas sobre os clientes são mais inter­a­ti­vas, mais hon­es­tas e adul­tas em sua abor­dagem. É difí­cil colo­car em palavras as mudanças que esta­mos ven­do.”

Crie espaços de baixo risco para os fun­cionários terem novas ideias
Às vezes, a mel­hor maneira para os líderes aju­darem os fun­cionários — e sua empre­sa — é cri­ar um espaço de baixo risco para os fun­cionários faz­erem exper­iên­cias com suas ideias. Ao faz­er isso, os líderes enco­ra­jam os fun­cionários a avançar sobre as fron­teiras do que já sabem.

Por exem­p­lo, quan­do Jungk­iu Choi se mudou de Cin­ga­pu­ra para a Chi­na para ini­ciar seu tra­bal­ho como dire­tor de ban­co de vare­jo no Stan­dard Char­tered, ele desco­briu que uma das expec­ta­ti­vas cul­tur­ais de seu novo tra­bal­ho era vis­i­tar as fil­i­ais e pres­sion­ar os gestores a cor­tar cus­tos. Fun­cionários das fil­i­ais pas­savam sem­anas se preparan­do ansiosa­mente para a visi­ta.

Jungk­iu mudou a natureza dessas vis­i­tas. Em vez de enfa­ti­zar seu poder for­mal, começou a apare­cer nas agên­cias sem avi­so prévio, servin­do café da man­hã aos fun­cionários da fil­ial para começar a visi­ta. Então, Jungk­iu jun­ta­va todo mun­do e per­gun­ta­va aos fun­cionários como pode­ria ajudá-los a mel­ho­rar a fil­ial. Muitos fun­cionários da fil­ial ficavam muito sur­pre­sos e, ini­cial­mente, não sabi­am como rea­gir. Mas a abor­dagem de Jungk­iu reduz­iu a ansiedade dos fun­cionários e incen­tivou a cri­ação de ideias ino­vado­ras.

Ao lon­go de um ano, Jungk­iu vis­i­tou mais de 80 fil­i­ais em 25 cidades. Sua con­sistên­cia e dis­posição para aju­dar con­venceu os fun­cionários que, no iní­cio, eram céti­cos. Os encon­tros expuser­am muitos “pon­tos prob­lemáti­cos” sim­ples que, com facil­i­dade, ele pode­ria aju­dar a resolver (por exem­p­lo, treina­men­to para os novos sis­temas bancários ou atu­al­iza­ções na memória dos com­puta­dores para que os com­puta­dores anti­gos pudessem rodar novos soft­wares).

Out­ras ideias ino­vado­ras dos fun­cionários eram mais impac­tantes. Por exem­p­lo, uma das agên­cias de Xan­gai fica­va den­tro de um shop­ping cen­ter. Nos encon­tros, os fun­cionários per­gun­taram a Jungk­iu se pode­ri­am abrir e fechar nos mes­mos horários que as horas de oper­ação do shop­ping (em vez das horas de oper­ação típi­cas das fil­i­ais). A equipe que­ria faz­er uma exper­iên­cia tra­bal­han­do nos finais de sem­ana. Em poucos meses, a ger­ação de ren­da dessa fil­ial nos fins de sem­ana super­ou a recei­ta total dos dias da sem­ana. Jungk­iu sequer havia imag­i­na­do isso.

Ess­es exper­i­men­tos tiver­am bom resul­ta­do em ter­mos de desem­pen­ho da empre­sa. A sat­is­fação do cliente aumen­tou em 54% no perío­do de dois anos de lid­er­ança humilde de Jungk­iu. As recla­mações dos clientes foram reduzi­das em 29% no mes­mo perío­do. A taxa de des­gaste dos fun­cionários, que era a mais alta entre todos os ban­cos estrangeiros na Chi­na, foi reduzi­da para a menor entre todos os ban­cos estrangeiros na Chi­na.

Seja humilde
Muitas vezes, os líderes não veem o val­or real de seus pro­te­gi­dos, espe­cial­mente quan­do se tra­ta dos tra­bal­hadores de “nív­el infe­ri­or”. Mas quan­do os líderes são humildes, demon­stram respeito e per­gun­tam como podem aju­dar os fun­cionários à medi­da que mel­ho­ram a empre­sa, os resul­ta­dos podem ser exce­lentes. E talvez ain­da mais impor­tante do que os mel­hores resul­ta­dos, os líderes servi­dores agem como seres humanos mel­hores.
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Daniel Cable é pro­fes­sor de com­por­ta­men­to orga­ni­za­cional na Lon­don Busi­ness School. Seu novo livro é Alive at work: the neu­ro­science of help­ing your peo­ple love what they do.

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