Tudo que você precisa saber sobre a criptografia do Gmail

Tudo que você precisa saber sobre a criptografia do Gmail

Crip­tografia pode soar como um assun­to que é mel­hor deixar para os hack­ers, mas é uma parte críti­ca da vida con­tem­porânea e algo que é impor­tante para todos enten­derem, espe­cial­mente usuários cor­po­ra­tivos. E um dos lugares onde a crip­tografia é mais rel­e­vante e incom­preen­di­da é no domínio do e‑mail.

Quem usa o Gmail para comu­ni­cação eletrôni­ca, seja para negó­cios, para uso pes­soal ou uma com­bi­nação dos dois, vale a pena saber como o serviço pro­tege — ou não — as infor­mações e quais eta­pas pode ado­tar para se cer­ti­ficar de que está receben­do o nív­el de pri­vaci­dade que você pre­cisa.

Como o Google protege a maioria das mensagens

O méto­do padrão do Google de crip­tografia do Gmail é algo chama­do TLS ou Segu­rança da Cama­da de Trans­porte. Con­tan­to que a pes­soa com quem o usuário este­ja envian­do um e‑mail tam­bém este­ja usan­do um serviço de e‑mail que tam­bém suporte TLS — o que a maio­r­ia dos prove­dores de e‑mail faz — todas as men­sagens envi­adas pelo Gmail serão crip­tografadas dessa maneira.

Isso sig­nifi­ca que será incriv­el­mente difí­cil para qual­quer um olhar para uma men­sagem enquan­to ela estiv­er indo do pon­to A para o pon­to B. No entan­to, ela não garante que a men­sagem per­manecerá pri­va­da ou disponív­el ape­nas para o des­ti­natário quan­do chegar ao servi­dor de e‑mail de des­ti­no. O próprio Google, por exem­p­lo, tem a capaci­dade de ver as men­sagens asso­ci­adas à con­ta, o que per­mite que a empre­sa analise o e‑mail em bus­ca de pos­síveis ataques de spam e phish­ing — além de ofer­e­cer recur­sos avança­dos como o Smart Reply, que sug­ere respostas com base em um con­teú­do do email. O Google tam­bém procu­ra­va men­sagens para seg­men­tação de anún­cios, mas parou de faz­er isso no ano pas­sa­do.

Se a pes­soa com quem está cor­re­spon­den­do estiv­er usan­do um servi­dor de e‑mail que não supor­ta TLS, as men­sagens não serão crip­tografadas.

Uma opção de nível avançado

Além dessa for­ma bási­ca de crip­tografia, o Gmail ofer­ece suporte a um padrão apri­mora­do con­heci­do como S/MIME — ou Secure/Multipurpose Inter­net Mail Exten­sions. Ele está disponív­el somente para con­tas pagas do G Suite Enter­prise e do G Suite Edu­ca­tion.

No entan­to, para pes­soas com con­fig­u­rações do G Suite, o S/MIME per­mite que os e‑mails sejam crip­tografa­dos com chaves especí­fi­cas do usuário para que per­maneçam pro­te­gi­dos durante a entre­ga e só pos­sam ser descrip­tografa­dos pelo des­ti­natário.

Como o TLS, o S/MIME fun­ciona somente se o reme­tente e o des­ti­natário estiverem usan­do um serviço que o suporte — e, em uma cama­da extra de com­pli­cação, ape­nas se ambas as partes tro­caram chaves ante­ci­pada­mente para que a crip­tografia pos­sa ser con­fig­u­ra­da ade­quada­mente. Como o TLS, ele tam­bém não faz nada para man­ter uma men­sagem segu­ra quan­do ela atinge o servi­dor de des­ti­no real (den­tro do Gmail, o próprio Google poderá ver­i­ficar as men­sagens em sua for­ma automáti­ca usu­al).

Por últi­mo, mas não menos impor­tante, o S/MIME pre­cisa ser ati­va­do por um admin­istrador do G Suite antes de fun­cionar.

Criptografia de ponta a ponta

O Google tem fal­a­do sobre a adição de crip­tografia pon­ta a pon­ta no Gmail des­de 2014, mas toda essa con­ver­sa não foi muito longe até ago­ra. A úni­ca maneira de obter esse nív­el de pro­teção no Gmail ago­ra é con­fi­ar em um serviço de ter­ceiros, como o Flow­Crypt, que está disponív­el como uma exten­são do Chrome ou do Fire­fox na área de tra­bal­ho.

A fer­ra­men­ta adi­ciona um botão “Secure Com­pose” na sua inter­face nor­mal do Gmail, que per­mite enviar men­sagens crip­tografadas usan­do o padrão PGP. Seu des­ti­natário pre­cis­ará ter o Flow­Crypt ou out­ro sis­tema PGP con­fig­u­ra­do e tam­bém pre­cis­ará ter a chave PGP pes­soal para descrip­togra­far e visu­alizar as men­sagens. Como alter­na­ti­va, o inter­es­sa­do pode usar a exten­são para crip­togra­far uma men­sagem com uma sen­ha, que teria que fornecer ao des­ti­natário de algu­ma for­ma.

E o Modo Confidencial do Gmail?

O modo con­fi­den­cial é um recur­so lança­do como parte da refor­mu­lação do Gmail no iní­cio deste ano. A ideia é per­mi­tir que alguém copie, impri­ma e faça o down­load de qual­quer coisa envi­a­da — e, se quis­er, per­mite definir uma data de expi­ração após a qual a men­sagem não estará mais acessív­el. Tam­bém pode ser cri­a­da uma sen­ha, envi­a­da por email ou men­sagem de tex­to, necessária para abrir a men­sagem.

Isso tudo parece bom o sufi­ciente na super­fí­cie, mas o prob­le­ma é que ele não faz muito quan­do se tra­ta de segu­rança real. As men­sagens ain­da não são crip­tografadas de nen­hu­ma maneira, o que sig­nifi­ca que o Google ain­da podem visu­al­izá-las e armazená-las. O bit “sem encam­in­hamen­to, cópia, impressão e down­load” tam­bém não sig­nifi­ca muito, já que qual­quer um ain­da pode tirar uma cap­tura de tela de uma men­sagem.

O mes­mo se apli­ca às datas de expi­ração da men­sagem, assim como o fato de que uma men­sagem “expi­ra­da” con­tin­ua existin­do em sua própria pas­ta do Gmail. Em suma, o Modo Con­fi­den­cial tem o poten­cial de ser útil para o que é, mas não envolve crip­tografia ou qual­quer tipo de pri­vaci­dade sig­ni­fica­ti­va de nív­el supe­ri­or. Na ver­dade, a Elec­tron­ic Fron­tier Foun­da­tion chegou a diz­er que o modo pode­ria cri­ar uma fal­sa sen­sação de segu­rança e des­en­co­ra­jar os usuários a encon­trar soluções mais sérias.

Quais outras opções existem?

Se a crip­tografia pon­ta a pon­ta nati­va e o nív­el de pri­vaci­dade mais alto pos­sív­el for o que você procu­ra, a mel­hor opção é procu­rar fora do Gmail e ir em direção a um aplica­ti­vo de e‑mail autônomo chama­do Pro­ton­Mail. O Pro­ton­Mail está entre os mel­hores aplica­tivos de pri­vaci­dade e segu­rança do Android — e por boas razões: ele faz da pri­vaci­dade uma pri­or­i­dade máx­i­ma de for­mas que nen­hu­ma for­ma de crip­tografia padrão do Gmail pode igualar.

Primeiro, ele usa um méto­do de códi­go aber­to de crip­tografia end-to-end que garante que ninguém além do des­ti­natário pre­tendi­do — nem mes­mo o pes­soal do Pro­ton­Mail — pos­sa ver as men­sagens. Além dis­so, o aplica­ti­vo não exige que o usuário forneça infor­mações pes­soais para usá-lo, e a empre­sa não man­tém reg­istros de endereços IP ou qual­quer out­ra coisa que pos­sa asso­ciar a iden­ti­dade à a con­ta. Seus servi­dores tam­bém estão hospeda­dos na Suíça — em um “bunker de 1000 met­ros sob os Alpes suíços” — que tem seu próprio aparente con­jun­to de bene­fí­cios de segu­rança.

Ao se inscr­ev­er, o Pro­ton­Mail fornece um endereço de e‑mail per­son­al­iza­do em seu domínio. A pes­soa pode usar esse endereço para enviar men­sagens seguras no aplica­ti­vo para Android, no aplica­ti­vo para iOS ou na inter­face da Web. Toda vez que um email for envi­a­do para alguém com um endereço do Pro­ton­Mail, a crip­tografia é automáti­ca. Ao enviar um e‑mail para alguém que não este­ja usan­do o Pro­ton­Mail, poderá optar por enviar a men­sagem sem crip­tografia — como qual­quer e‑mail comum — ou clicar em um botão para cri­ar uma sen­ha e sug­erir que o des­ti­natário pre­cis­ará descrip­tografá-la.

O Pro­ton­Mail é gra­tu­ito no seu nív­el mais bási­co, o que lhe dá um úni­co endereço Pro­ton­Mail, 500MB de armazena­men­to e até 150 men­sagens por dia. A pes­soa pode obter mais armazena­men­to, mais men­sagens por dia e aces­so a recur­sos avança­dos, como fil­tros de e‑mail, sis­tema de respos­ta automáti­ca e suporte a domínios per­son­al­iza­dos, a par­tir de US$ 59 por ano.

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